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Escrever sobre aulas de balé clássico é uma demanda que vem em bom tempo, após décadas de aulas lecionadas de um balé diferenciado, sobre o qual iremos também aqui falar. Tal experiência surtiu um efeito em gerações de alunos que se tornaram professores de dança. O interesse salutar de qualquer pai/mãe ou professor é ter contato com a linguagem do balé, suas especificidades, como aperfeiçoamento da postura, equilíbrio e organização corporal, e também, através do contato com o balé, expandir os conhecimentos culturais de seu filho(a). Também a própria dança pode vir a usufruir deste público em potencial sensível à dança. No entanto, como fazer isso de modo “adequado”? Como procurar aulas de balé? Como entender a linguagem, sem restringir-se ao mito do balé?
A proposta deste artigo é refletir sobre a prática de ensino-aprendizado do balé clássico nas academias, dito no âmbito do ensino informal, ampliando o conhecimento de pais, professores e alunos futuros educadores. Para tanto, contamos com a colaboração de professoras especializadas no ensino do balé para crianças, jovens e “gente de dança”, uma vez que tal amplitude do nossos leitores pode provocar um debate sobre quem, na atualidade, ensina o balé, como e onde. São elas: Ângela Nolf, Beth Bastos e Zélia Monteiro. Sabemos que há ainda muitos profissionais espalhados pelo país ensinando de forma consciente o balé. No entanto, tais “personagens” da história da educação do balé em São Paulo já trazem questões bastante promissoras para este debate.
A prática de ensino de um balé diferenciado – e aqui entendemos ensino como forma pedagógica de reflexão e não somente transmissão de uma informação –se relaciona diretamente com o entendimento do que é o balé, de como a técnica transforma e beneficia o corpo por sua extrema inteligência e eficiência corporal. Zélia Monteiro fala que é necessário entender a técnica do balé no seu “como”. “O importante não é levantar a perna ou girar três piruetas, isso é conseqüência da compreensão do como funciona”, reafirma Beth Bastos. Apesar da dificuldade de sua realização, várias outras técnicas, ao longo do tempo, foram “amaciando” as aulas de balé.
Dessas técnicas, devemos lembrar da metodologia de Klauss Viana, sobre a qual estas três professoras tiveram estreito contato. Ele foi, sobretudo, um mestre do corpo na década de 80 para vários dançarinos e artistas, também atores, que buscavam novas formas de lidar com seu corpo. Conscientizar. Klauss Viana chamou atenção para a compreensão e expansão das possibilidades físicas e expressivas do aluno e deixou um legado reconhecido por muitos profissionais das artes cênicas no Brasil. Ao lado dele, também temos um conjunto importante de práticas de educação somática, tais como Eutonia, Feldenkrais, Alexander, entre outras, que são possibilidades de compreensão fina de mecanismos posturais que puderam tornar ainda mais sutil a compreensão de um battment tendue ou de um plié. São, também, práticas corporais isoladas.
Zélia comenta sobre o conhecimento que se deve ter hoje para lecionar o balé. “Além da técnica propriamente dita, noções de anatomia, cinesiologia e percepção ou consciência corporal são hoje necessárias e reúnem uma principal questão: escutar o corpo. As técnicas que “amaciaram” o balé servem justamente de afinação de uma escuta do corpo, de um jeito de observar, perceber e reparar a informação que o corpo passa para o praticante”, explica. É essencial, diz ela, para o professor de dança, este tipo de aperfeiçoamento. “Saber escutar e ler o corpo, bem como ensinar ao outro a escutar seu próprio corpo. São instruções muito precisas e este jeito de ensinar se aplica também, e ainda mais urgente, no ensino para crianças”, diz.
Para Ângela Nolf, normalmente o balé é conduzido de maneira formal, ou seja, feito como cópia do movimento, do que é belo, inclusive por aqueles que ensinam o balé para fins não profissionais - por este motivo, guardam uma imensa responsabilidade. “Torna-se uma obsessão pela forma, pela linha, pelo traçado superficial do movimento”, ressalta. Diferentemente, Ângela aponta para os passos como organização de princípios comuns. “O balé formalizou uma técnica de trabalho eficiente, preservando fundamentos básicos desenvolvidos ao longo de quatro séculos que, por sua vez, exige atenção e dedicação para funcionar bem”, diz.
Já a função dos ensinamentos do balé é o que chama a atenção de Beth Bastos. “As aulas ajudam na concentração, na organização do corpo, na disciplina, na paciência com o tempo-espaço. Também colaboram na memória, com as seqüências lógicas da aula e ainda na musicalidade, na coordenação motora fina e no desenvolvimento de habilidades para os dois lados (todos os passos são feitos no sentido da direita e da esquerda). Repetir e colocar ritmos diferenciados em cada seqüência promove também um arranjo simétrico com as partes do corpo”, ensina a professora.
Princípios como postura, transferências e equilíbrio são reaplicáveis em outras técnicas, comenta Ângela, cada qual guardando uma coerência: “cada sistema de movimentos e códigos pergunta ao corpo como cada pessoa administra estes novos comandos e instruções. O balé tem especificidades, como qualquer outra sistematização de treinamento corporal, e devemos atentar para a melhor maneira de lidar com as regras destes passos”. Deve-se, portanto, olhar para cada proposta de movimento como forma de organizar seu corpo, entendendo como ele funciona. Ângela fala do battment tendue: “um estender, um destacar que está presente em outras técnicas quando se separa uma perna da outra. Como conduzir a musculatura, como imprimir determinado esforço e ritmo diferentes são detalhes importantes neste movimento”.
Beth comenta que o aluno pode compreender de maneira ativa, sabendo que tudo tem uma razão para ser feito na aula. A estrutura, as direções, tudo pode ser uma experiência que reúne o pensar e fazer. O importante não é se exigir uma forma ou um resultado, mas o entendimento do aluno com o mecanismo do en dehors, por exemplo (rotação das pernas). Beth chama atenção para a verdade da organização do corpo.
Dito isso da técnica, é possível imaginar que para ser professor de dança deve-se não somente conhecer bem a técnica, mas também criar uma metodologia de ensino que proporcione uma aproximação saudável, não castrante, não rígida, do aluno com o balé. Ângela comenta que a técnica é sim difícil e exige cuidados e consciência de quem ensina. Na roda viva de estudantes que se tornam professores, devemos observar o aumento considerável das licenciaturas em dança espalhadas pelo país. Tal formação se tornou imprescindível. Fundamental hoje é ter informação, buscar novas maneiras de se dar aula de balé, entender, de fato, a estrutura mais intrínseca do balé aos olhos de outras técnicas de conscientização e, por fim, promover também no aluno esta percepção.
Beth sugere aos pais conhecer bem e conversar com o(a) professor(a), assistir uma aula, observar o desempenho da filha(o), estar junto, acompanhar as dificuldades e atentar para a sociabilidade das crianças. Ouvir os comentários dos alunos é responsabilidade de ambos os professores e pais.
Não se podem deixar de lado os objetivos de maior abrangência que as aulas de balé podem trazer à criança ou jovem: expandir seus conhecimentos culturais. Este público em potencial aprende sobre convívio com o outro, pode ser estimulado a ir ao teatro, ver dança, ouvir música, assistir ao cinema e ver exposições.
Zélia fala que os pais devem evitar aulas com o foco exclusivo na apresentação de final de ano. O perigo de tal armadilha é que, normalmente, este foco ignora itens mais caros de uma aula de balé, como, por exemplo, esquecer da expressão individual, uma vez que tais apresentações são feitas por turma, em massa. E ainda, cada criança reage corporalmente de uma maneira. “O fortalecimento muscular e alinhamento ósseo têm maior prioridade diante do resultado final. Ou seja, o foco em tais apresentações pode mascarar um processo pedagógico muito mais importante e intenso”, diz a mestra. Assistir às aulas periodicamente pode prevenir esse foco cego.
Ângela aconselha os pais a conhecerem a linha que a escola trabalha, qual é a conduta do professor, observar se há diálogo ou não e, sobretudo, atentar que existem outras opções para colocar seu filho numa expressão artística. Qualidades como se desenvolver em grupo, disciplina, ritmo, consciência corporal através de jogos e brincadeiras são salutares no desenvolvimento de qualquer ser humano. O professor, por sua vez, pode inserir aspectos artísticos dentro da aula com a criança, tais como pinturas, diferentes estilos de música, objetos, instrumentos etc., e transpor isso com a dança, como, por exemplo, trabalhar espacialmente com cores, músicas e cenas.
Ainda poucos são os professores voltados a um ensino assim coerente do balé, o que muitas vezes corrobora para a imagem equivocada do balé. “Há uma imagem idealizada da bailarina que pode estar nas fotos ou cartazes da academia, ou mesmo no modelo imposto ao aluno da bailarina clássica, repetido ainda pela mídia. No entanto, o aluno pode copiar a musculatura e não a forma do movimento”, diz Zélia Monteiro. Ela fez uma experiência filmada com alunas que fizeram o mesmo passo – port de bras – com dois professores de linhas diferentes do balé. As alunas copiavam a musculatura e compreendiam que havia uma diferença. Não se atrelavam à forma e sim ao jeito de executar. Deve-se atentar que, muitas vezes, é o adulto que busca a imagem da bailarina, o que impede que o contato com a técnica possa casar com a necessidade de enriquecer a expressão individual de seu (sua) filho(a) na aula de balé. No caso observado pela Zélia, a criança copia a musculatura, o jeito específico do corpo fazer o movimento, daí uma responsabilidade imensa do professor em conhecer profundamente e corrigir o modo e não a forma do movimento. O foco, novamente, deve estar na maneira de realizar e não no desempenho.
Disciplina sim, mas não rigidez. Para muitos profissionais da dança, é fundamental o conhecimento do balé para se ter versatilidade, para afinar o instrumento, contribuindo para o domínio de outras linguagens corporais, mas, como comenta Ângela, o balé não é a única das técnicas. “Assim como é possível se formar um profissional com outros treinamentos, é também possível proporcionar ao estudante não comprometido com uma carreira uma compreensão do que fazer com seu corpo, entender o caminho da técnica que se utiliza em aula. Ainda que o balé seja árido, a técnica funciona e dá liberdade corporal, proporcionando maior versatilidade e diálogo com o corpo”, garante.
Tomando por ponto de partida que somos responsáveis por fazer da experiência com a dança uma forma inteligente e, sobretudo, prazerosa de entender o corpo, as aulas de balé podem sim proporcionar prazer físico e mental. Mas quando o professor é capaz de proporcionar a compreensão das possibilidades que o aluno tem com o contato com a técnica do balé clássico.


Olá Nirvana, muito legal sua atenção para o balé clássico, acho fundamental que essa discussão se amplie e que pais, professores e alunos estejam abertos e atentos para isso! A incorporação de técnicas que facilitem o aprendizado juntamente com uma noção profunda dos fundamentos do balé clássico, somados ao prazer de ensinar e de aprender, uma questão ampla que atinge muito mais pessoas do que imaginamos. Tem ainda a questão do regulamentação da classe e do ensino…Enfim este é um debate que precisa realmente ser ampliado e com urgência!
Oi “Nir”! Rs.
Achei otimo o artigo sobre o cuidado na vivencia do ballet classico, quer enquanto docente, quer enquanto discente.
Tenho trabalhado tambem com essa linguagem de dança para crianças e adolescentes há cinco anos e praticamente toda a fomação que tive enquanto graduanda e pós-graduanda em Dança no contato com outras vias de pensamento também em dança(danca contemporanea, liang gong, capoeira, Eutonia etc) se faz extremamente relevante no processo de ensino do ballet clássico. Afinal, se tratando de conhecimento, carinho, atencao e olhar critico… nao tem como você dar sem possuir, ensinar é mostrar e propocrionar o entendimento de como algo acontece. Lembrando que as informações se enredeiam no corpo enquanto conhecimento em constante formação e construcao do ser/cidadao pensante, cabe a nós, educadores, proporcionar um desenvolvimento elaborado e rico aos queridos educandos, da forma mais ética possivel.
Os profissionais entrevistados foram otimas escolhas, meus parabens e saudades.
Bom…antes de mais nada gostaria de falar que faço dança na UFRJ e estou fazendo uma pesquisa que gostaria que você participasse.
Queria que você pudesse me contar o que sabe sobre “eixo corporal” e “organização corporal”
Muito obrigada!
Parabéns Nirvana pela iniciativa, esta matéria é de total importância para os ensinos da dança clássica e as outras também.
Tive a oportunidade de ser aluna da Beth Bastos e Zélia Monteiro e a sua escolha de entrevistadas foi muito bem escolhida junto à Ângela Nolf.
Também sou professsora de dança e sei a importância deste olhar e escuta diferenciados.
Um grande abraço a todas.
Olá Nirvana, Angela, Beth, Zélia,
Obrigada pela contribuição! Concordo em muito com esses pensamentos. Gostaria de acrescentar os nomes de Valéria Matos e Flávio Sampaio, que contribuem também para que esse pensamento se espalhe pelo país. Devem haver muitos outros nomes. Sintam-se todos incluídos.
Renata Leoni
Caro Nirvana, gostei muito do artigo principalmente por viver a realidade demonstrada nas linhas e entrelinhas do texto. Moro em Teresina onde existem várias escolas de dança que ensinam Balé Clássico, uma delas sendo mantida pelo governo do estado e tendo uma média de 600 alunos(as) por ano. O mais preocupante é a formação dos instrutores, e assim os chamo por não terem uma formação adequada, nem técnica nem pedagógica. Graças a Deus, há um certo tempo, começaram a acordar para este fato e acredito estarem correndo atrás do prejuizo pois, atualmente, ainda se torce para que pelo menos “algumas” das pessoas que estão assumindo salas de aula de balé clássico, não alejem seus praticantes… como já aconteceu…
Ao contrario daquela, e para nossa satisfação, também existem em Teresina uns poucos profissionais que trabalham com a atenção e coerência tão bem colocadas no texto, o que acaba por produzir bons profissionais para este campo de trabalho, e até mesmo pessoas mais conscientes das maravilhas proporcionadas pela prática bem orientada do Balé Clássico.
Parabéns.
Roberto Freitas (Balé da Cidade de Teresina)
Muito interessante este artigo sobre o balé clássico! Não sei como existem ainda profissionais do balé que nao pesquisam esta maneira consciente de organizar, investigar e entender o corpo em movimento na dança clássica! Como é importante um ensino da dança que corporalize e busque a integração de todo o corpo! E para isso, hoje, existem as técnicas somáticas que ajudam na percepção do movimento, então por que os professores de balé não vão atrás destas atualizações na dança e começam a pensar realmente no “como” entender a técnica e não utilizá-la como um fim querendo chegar na perfeição.
Fiquei muito interessada neste artigo, pois minha monografia de final de curso de dança será sobre este ensino consciente no bale! Visto que passei por esta formação antiga de bale classico e na faculdade foi minha grande descoberta deste corpo consciente.
Elaine de Moraes (Faculdade de Artes do Paraná)
Gisele, Renata, Lis e Elaine,, obrigada pelas postagens. De fato, devemos esta repercussão a imensa colaboração de Angela, Beth e e Zelia. Obrigada novamente as três !
Clara, conte comigo, meu email nirvana.marinho@terra.com.brr.
Renata Leoni, obrigada pela colaboração de nomes importantes que também acrescentam a este debate. Endosso sua inclusão de nomes e de todos outros.
Roberto, que bom saber que temos eco e diálogo com necessidades de colegas de tão distante Muita sorte e
engajamento no aperfeiçoamento do ensino por aí.
Nayse, obrigada novamente pela colaboração na edição do texto.
Olá, muito bacana a sua dedicação ao balé classico, será que vc poderia sistematizar a coreografia pra mim. Desde de já deixo meu muito obrigado pela oportunidade de nos comunicarmos através de seu site.
Acho de suma importância estarmos veiculando tais questões relacionadas às novas formas de aplicação não só do balé, como também das escolas modernas que conhecemos…por vezes sinto que o discurso da maioria dos espaços ligados à informação em dança limitam-se às questões da dança contemporânea de forma massificante, a ponto de não nos percebermos (digo aqui nós,clássicos, modernos) nesta contemporaneidade. E claro, estamos todos da dança mergulhados na contemporaneidade e desenvolvendo questionamentos e provocações independente de qual linha estética ou método aplicado.Por isso, agradeço ver aqui um oásis onde me identifico e respiro aliviado.
Oi Nirvana, tudo bem?
Neste momento, estou buscando encaminhamento para algumas alunas que, desde pequenas fazem dança contemporânea e agora, com 11 anos querem estudar balé. Pelo próprio histórico das meninas gostaria de dar um encaminhamento dentro desta linha de pensamento tratada pela Beth, Zélia e Angela. Você tem os contatos ( e.mails ) delas para que eu possa buscar esta orientação?
beijos e obrigada
Carmen
É muito difícil, no Brasil, a atualização e reciclagem de professores, não só de dança. Mesmo assim, ser professor é estudar constantemente. A quantidade de informações que circula hoje, a possibilidade de intercambiar conhecimentos, de um lado facilita e de outro aumenta tremendamente nossa responsabilidade. Há coisas que não sabemos que não sabemos e há outras que sabemos que não sabemos, de todo modo não há justificativa para alfabetizar, no que quer que seja, sem a maior dedicação e responsabilidade possíveis.
Olá, adorei seu artigo e sua visão acerca da relação ensino-aprendizagem.
Necessitamos revigorar conceitos, escolhas, pensamentos e ações diante do mundo que acelera e não pára. Corpos e técnicas são co-responsáveis e co-participantes nessa dança-vida.
Subimos, permanecemos, e descemos das sapatilhas de pontas, usamos tênis e colocamos os pés descalços no chão, agora, a dança-vida clama por olhos atuais e refinados. De nada adianta conhecer várias técnicas, ler vários livros, se na hora de elaborar minha dança eu apenas copio e colo movimentos sem qualquer coerência, apresento aquele virtuosismo tão carente de estudos aprofundados e a falta de corpos realmente participantes de um processo. Dança é área de conhecimento, e como tal conceito já diz, dançar é colocar em cena processos e produtos frutos de uma pesquisa.
Corpos diversos, capazes de (re)viver sua história, corporificar conceitos, corpos que ensinam, que aprendem, mais que principalmente trocam experiências atrvés de sua linguagem.
Mábile - Faculdade de Artes do Paraná
Carmem: só consegui falar com a Angela.: angelanolf@directnet.com.br. Pedi para Zelia e Beth entrarem aqui no site e deixarem seus contatos.
Matias, oásis! Adorei isso! De fato, todos nós, muitas vezes, nos sentimos em oásis de informação, de troca, de conhecimento formatado em conjunto. Obrigada por seu comentário, faz jus a nossa tarefa em disseminar informação!
Mábile, ensino-aprendizagem, venho cada vez mais refletindo sobre formas de compreensão das linguagens, das estratégias que guardem respeitosamente esta relação de ensino-aprendizagem, contando que o outro refaz sempre o significado das nossas idéias, o que é muito bom e desejável. Obrigada.
Conrcordo, Sônia, prontamente.
Estou a disposição para qualquer contato ou ajuda , que estiver ao meu alcance.Adoro Balé , e adoro acompanhar uma criança nesta direção .
Aprendi muito com meus professores e Alunos.
Obrigada,
Beth Bastos
tel:011-41698516/99310825
bethbastus@terra.com.br
Estou a disposição para qualquer contato.
Beth Bastos
tel:011-41698516/99310825
Olá,adorei o artigo ainda mais porque pratico ballet e dança moderna,dentre outras modalidades,e fiquei feliz em ler esse artigo,pois a falta de arte q eu venho vendo em algumas aulas de ballet é impressionante.
E é isso que me chama a atenção,dançar por prazer e não a forma pela forma sem saber quais os meios feitos para se chegar a tal forma.
Considero muito importante que a dança seja colocada desse ponto de vista, embora muitos não têm consciência de uma boa formação acadêmica. A formação acadêmica , não apenas a técnica codificada do ballet, mas somada à formação de um indivíduo com conhecimentos acadêmicos de como o corpo funciona. Sendo assim, conhecerá todos os prós e contras, dentro do trabalho de consciência corporal.
Artigo de extrema importância. Parabéns.
A técnica clássica é uma faca de dois gumes. O que quero dizer de forma chula é que ou ela te “forma” um bailarino clássico, ou ela te “deforma”, literalmente.
Cada vez mais me questiono no tamanho da responsabilidade do professor, seja ele de dança clássica ou qualquer outro tipo de técnica corporal.
Temos nas mãos, diferentemente de algumas outras artes, o corpo. Como formo um bailarino? Como desenvolvo um pensamenento artístico nesse ser? Como preservo condições corporais saudáveis? Como não frustrá-lo, tantas vezes, por determinadas dificuldades? Como encarar o fato que sou responsável por aquilo que construo? Além de ser responsável pela perpetuação de uma determinada técnica (aqui, no caso, o clássico)?
É preciso um olhar refinado sobre tudo isso. É preciso arrastar o ballet junto aos avanços, pesquisas e desenvolvimentos contemporâneos. Não é mais tempo de deixá-lo adormecido no passado, onde apertar o bundum era a solução para segurar o en dehors. Cada vez mais recebemos aportes das mais diversas áreas do conhecimento (física, biologia, artes, educação), que estabelecem novas relações, trazendo novas visões de corpo e mundo. E com base nisso, é que devemos seguir, alicercando os degraus (de forma consistente) para que o ensino em dança seja consciente e eficaz. Além de romper com os paradigmas, aos quais o Ballet Clássico é submetido. Abrir mão da técnica que castra, que tolhe, que padroniza os bailarinos, e galgar rumo a construção de um corpo ativo, presente, versátil. E porque não através do ballet? Os questionamentos e reformulações estão cada vez mais emergindo. Chegaremos lá. Se essa técnica sobreviveu até a contemporaneidade, vamos continuar repensando nessa “senhora idosa” que precisa ser respeitada, porém atualizada.
Muito bom poder “trocar” aqui nesse espaço.
Abraço.
Fiz balé durante toda minha vida e nunca me senti tão estranha e “fora da casinha” quanto agora nas aulas de balé. Às vezes me pergunto se é a faculdade que modificou o que sinto e penso sobre o balé, ou, se eu mesma fui amadurecendo e alterando alguns pensamentos…mas parece que as discussões, as aulas teóricas sobre a técnica clássica tendem a dificultar na expressividade e na aparência verdadeira dos movimentos codificados, pois acabamos tendo que pensar em tanta coisa que acabamos não pensando em nada efetivamente. São tantas conexões e encaixes, ângulos de pés e braços posicionados no devido lugar….
Acho que estamos fazendo a dança de forma racional demais, às vezes. É claro que todos esses conteúdos auxiliam no entendimento do movimento e que entendendo o como se faz o movimento tudo fica mais fácil do que apenas copiá-lo, mas o que quero deixar claro é que o balé está perdendo o “feeling” já não tem mais graça. Acredito que é preciso dosar a quantidade de informações para dar conta de todas elas. E para isso o professor(a) tem que cuidar com o número de indicações que dá em sala para não sobrecarregar o aluno de informações.
E não vejo problemas em fazer, de vem em quando, uma aula só por fazer, sem pensar em teorias e técnicas….é um jeito diferente de dançar…é ir pelas sensações reais que a música clássica e que os movimentos por si só trazem para nosso corpo.
Abraço..
Olá Nirvana,
Gostei muito desse artigo, principalmente sobre o cuidado na vivência da dança clássica.
Não sei como existem profissionais da dança clássica que não pesquisam esta maneira consciente de investigar, organizar e entender o corpo em movimento.
A técnica da dança clássica é muito difícil, sou bailarina desde os meus 9 anos de idade, ela exige muito cuidado de quem ensina, às vezes são tantas indicações que o professor passa para o aluno que confunde e ele não consegue assimilar todas essas informações podendo assim machucar e prejudicar o(a) bailarino(a).
Abraço,
Letícia
Olá Nirvana, sou aluna do quarto ano do curso de dança da FAP.
Li seu artigo e me deparei com uma forma de Ballet que gostaría de ter tido, infelizmente não é sempre que encontramos profissionais do ballet clássico com esse pensamento de entendimento de corpo e não de execução de forma. Moro em Curitiba, aqui temos vários lugares que ensinam crianças a dançar ballet, mas são poucos os profissionais que se formam em dança e trabalham com o Ballet clássico, também muitos dos professores que vemos pelas academias são pessoas que um dia dançaram ballet e agora ensinam sem conhecimento de corpo e passam uma técnica formada por formas e com o objetivo de atingir o primeiro lugar nos festivais, ou seja sem o interesse pelo corpo que está se formando.
Seria muito bom se mais pessoas trabalhassem com a educação no ballet da forma que li em seu artigo, dessa maneira podemos vir a ter mais bailarinos artistas pensantes e por isso conscientes do que fazem.
Abraços
Manoela de Paula Ferreira
Bom dia!
Não sou bailarina, mas mãe de uma aspirante a…
Minha filha tem 8 anos e faz ballet há 4, atualmente estuda no Centro de Dança Rio, no 2º Pré-Profissional e estou as voltas com a terminologia das aulas.
Gostaria de saber onde (dicionários, sites, etc) posso buscar estas informações.
Grata,
Thaís Michelini
Olá,
Infelizmente a prática inteligente do ensino do balé, conforme propõe Nirvana, ainda parece estar longe da realidade da maioria das academias. É fundamental o esclarecimento dos pais que pretendam que o filho pratique essa atividade, para que ele não saia traumatizado ao invés de enriquecido enquanto ser humano.
Eu cito como exemplo a minha experiência com o balé, relativamente recente (comecei a estudar balé em 1990, com 5 anos), que me faz sentir calafrios até hoje quando lembro de professoras histéricas gritando para que eu encolhesse o “bumbum”, encolhesse a barriga, afundasse o plié - ou qualquer outra indicação maluca que não fazia o menor sentido para uma criança de dez anos -, e eu me via sumariamente obrigada a reproduzir. Imitava a forma daquele movimento da professora, e só. Não entendia o funcionamento da técnica.
Outro exemplo pessoal dessa preocupação de algumas academias com um fim e não com o desenvolvimento do aluno, foi quando, já um pouco mais velha, me via obrigada a calçar pontas e ir ensaiar para o “espetáculo” de final de ano, mesmo com os pés já em carne viva. Sim, é preciso ter disciplina e rigor técnico, mas essa rigidez desenfreada, como já coloca muito bem Nirvana em seu artigo, é no mínimo imbecil.