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O caminho da informação ao alcance de todos
Dezesseis anos após sua morte, em 1992, o pesquisador, professor, bailarino e coreógrafo Klauss Vianna finalmente ganhou um acervo eletrônico com documentos sobre sua vida pessoal e profissional. O site Acervo Klauss Vianna foi lançado no final de março, em São Paulo, e engrossa uma tendência nova e necessária no estudo da dança. Somente de uns anos para cá informações, fotos e programas de espetáculos vêm sendo reunidos em acervos que surgem como importantes fontes de pesquisa para estudiosos e pesquisadores de dança.
O projeto do Acervo Klauss Vianna nasceu em 2005 pelas mãos da jornalista Paula Grinover. Ela foi aluna de Klauss entre 1984 e 1992 e sabia do acervo particular que a mulher do pesquisador, Angel Vianna, possuía em sua casa. Eram cerca de mil fotos, outros mil recortes de jornal desde os anos 40, além de documentos pessoais, manuscritos e projetos sujeitos à ação do tempo.
“A primeira etapa do nosso trabalho incluiu o mapeamento dos locais por onde ele teria passado: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador. Depois, fomos atrás de documentos nessas quatro cidades. Dos 3.500 documentos digitalizados chegamos a 1.600 publicados no site”, explica Paula, que trabalhou um ano na pesquisa do projeto junto com sua equipe, com patrocínio da Petrobras.
Para Paula, o fato de o acervo ser virtual é uma grande vantagem para quem tem interesse no assunto. “Queríamos que ele fosse virtual porque dá acesso amplo, universal e gratuito. É uma forma mais simples de encontrar tudo. O acervo é importante pois, no Brasil, não temos memória das artes, eu e minha equipe tivemos muita dificuldade de encontrar vários documentos. Tomara que dessas iniciativas surjam outras”, afirma.
Outra iniciativa bem sucedida é o RecorDança, de Recife. Trata-se de um instrumento de pesquisa na Internet sobre a história da dança em Pernambuco. O acervo reúne fotos, vídeos, programas de espetáculos e dados sobre coreógrafos, professores, dançarinos, espetáculos e grupos que tiveram influência na dança da área metropolitana do Recife no período entre os anos de 1970 e 2000.
Coordenada pelas pesquisadoras Roberta Ramos, Valéria Vicente e Liana Gesteira, a pesquisa durou cerca de um ano e o projeto passou por inúmeras etapas até chegar ao acervo eletrônico atualmente no ar. Lá, é possível acessar vídeos, fotos, programas, cartazes e biografias em verbetes, além de espetáculos e coreografias. Numa próxima etapa, o objetivo é catalogar o período que falta na dança pernambucana e iniciar uma discussão sobre o nascimento da dança contemporânea no Recife. Também está nos planos das pesquisadoras uma versão impressa do material.
“Cada acervo possui um recorte diferente e cumpre funções diferentes. Mas organizar o material é importante porque isso é difícil na área de dança. Nosso objetivo foi mediar a organização para que as informações sirvam como material de pesquisa, o acervo não é um fim em si próprio, é algo a ser movimentado”, define Roberta.
O Itaú Cultural também é uma importante ferramenta de busca para quem procura informações sobre diferentes expressões artísticas, não apenas sobre dança. No site do instituto, estão disponíveis enciclopédias virtuais que trazem em seus bancos de dados conceitos, obras e artistas. No que diz respeito à dança, o programa Rumos Itaú Cultural colabora, desde 1997, para a produção nacional. Em sua base de dados, é possível pesquisar informações sobre companhias de dança, artistas, teatros, além de grupos de estudo, instituições de ensino e a produção teórica em dança.
Para o pesquisador e professor Roberto Pereira, mais informação disponível em um número maior de acervos pode resultar em mais gente estudando dança. “Fiz minha tese de doutorado sobre o início do balé no Brasil e tive que pesquisar acervos pessoais de bailarinos, ir à casa de muita gente para concluí-la. Muito se perde já que muita gente guarda os documentos em casa, do jeito que dá. Os acervos virtuais são uma saída excelente já que papel tem uma certa durabilidade. Seria ótimo poder digitalizar todos os acervos”, opina.
Por conta da falta de organização do material de dança disponível, a coleção de fotos e programas de espetáculos do colecionador Marcelo Del Cima virou referência no Rio de Janeiro. Ele possui mais de 60 mil imagens guardadas em um apartamento em Copacabana, onde recebe a visita informal de pesquisadores atrás de suas relíquias. Todos chegam lá através de indicações.
Ele começou a colecionar cartões-postais ligados a teatro, ópera, balé e cinema há 27 anos e hoje aumenta seu acervo com aquisições e doações. “Fico surpreso com o interesse pela dança, é muito maior do que o interesse que despertam as outras áreas. Recebo muitos estudantes de mestrado”, revela Marcelo, que tem interesse em digitalizar suas imagens e criar um acervo eletrônico. “Gostaria muito, mas a questão financeira dificulta muito.”
A falta de patrocínio ainda é um grande obstáculo para a criação dos acervos, sejam eles físicos ou eletrônicos. Além dos gastos para digitalizar o material, há o dinheiro investido na equipe que realiza a pesquisa. “Você fica muito envolvida com tudo aquilo, é preciso se dedicar muito”, justifica Roberta Ramos, que recebeu patrocínio do Governo de Pernambuco para a realização do RecorDança.
Está em fase de orçamento na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo a criação do acervo do Balé da Cidade, que completa 40 anos em 2008. O projeto inclui a catalogação e a digitalização de fotos e vídeos que contam a história da companhia. De acordo com um levantamento interno, existem cerca de 300 fitas. “É a história do balé, as pessoas passam por ele e são esses documentos que ficam. Temos que manter vivo e dinâmico o acervo para que história não se perca”, afirma a diretora artística do Balé, Mônica Mion. Será um presente, tanto para o Balé da Cidade quanto para quem estuda a história da dança.
Nirvana Marinho diz:
Gostaríamos de reforçar a importância dessa iniciativa do idança.net em dar luz aos acervos de dança atuais. Em breve, o Acervo Mariposa também fará parte desta lista e vem trabalhando para oferecer um diferencial de políticas de acesso aos materiais de dança. Conheça nosso projeto http://www.acervomariposa.com.br.
11/04/2008 às 18:58
ana luiza freire diz:
Maravilhosa iniciativa! Mais uma para engrossar as fileiras de pesquisadores de memória da dança em nosso país.
Difícil? Sim, muito. São caminhos tortuosos.
Impossível? Não, mas precisa ter muita coragem e determinação.
Parabéns!!!
11/04/2008 às 19:17
João Batista diz:
Eu como um universitário de um curso superior em dança sinto uma enorme falta de alguma cervo especifico de dança onde posso ler e estudar o que tem se produzido na dança atualmente, vendo isso como um problema que merecia uma solução, criei o blog Na Dança, que tem como objetivo a divulgação de textos (principalmente acadêmicos) de dança. A dança infelizmente ainda não é muito organizada, mas acho que movimentos como este são importantíssimoos para a criação de uma atmosfera de troca e identificação, também acho que para crescermos, pensar como um coletivo é primordial
João Junior
http://movimentodanca.blogspot.com/
11/04/2008 às 19:40
Roberta Ramos diz:
Para pesquisar o Recordança, aí está o link:
http://www.fundaj.gov.br/recordanca
12/04/2008 às 08:58
Renata Máximo Guidetti diz:
ádorei saber da existência deste site, para quem trabalha com dança é de grande importância saber o quê esta acontecendo, tendências, espetáculos, histórias.
Renata
14/04/2008 às 13:52
Letícia Honorio da Silva diz:
Oi, sou estudante do 4º ano de dança da FAP-PR e adorei saber da existência desse site, muitas vezes sentimos falta de algum acervo para ler e estudar a dança atualmente.
Este acervo é uma forma simples de encontrar tudo, espetáculos, histórias e fotos.
Abraço
21/04/2008 às 16:29
Juliana Lorenzi diz:
É maravilhoso saber que cada vez mais pessoas se preocupem em registrar a memória da dança por elas ocupado….Leitores que atuam na área em Curitiba: Por que não tentarmos apoio para a criação de um acervo eletrônico contendo a história da Dança por aqui?? Fica o agradecimento e me parabéns pelas iniciativas e realizações como estas..
28/04/2008 às 13:39
Juliana Lorenzi diz:
É maravilhoso saber que cada vez mais pessoas tem se preocupado em manter a memória da dança por elas ocupado….Leitores que atuam na área em Curitiba: Por que não tentarmos apoio para a criação de um acervo eletrônico contendo a história da Dança por aqui?? Fica o agradecimento e para benização pelas iniciativas e realizações como estas..
29/04/2008 às 11:11
Leandro Augusto Petersen Vieira diz:
A história percorre por muitos anos desde o sugimento do mundo até mesmo nós do mundo da dança que tem muito por se estudar e discutir, sendo assim nossa memória deve ser também registrada. Agradeço pelo incentivo vamos lá pois temos muitos materiasi ainda não registrados ehheeh até!!!!!!!!
02/05/2008 às 11:43
Manoela de Paula Ferreira diz:
Olá! Sou aluna do Curso de Dança da FAP e achei maravilhosa a iniciativa destes acervos. É muito bom saber que podemos contar com informações sobre dança a uma distância tão pequena como a internet. Agradeço a todos que estão tendo a disposição e a preocupação de não deixar morrer a memória da dança.
Manoela
02/05/2008 às 13:26
Gabriel Bueno diz:
Percebo que este foi um caminho encontrado para solucionar questões de acesso as imformações históricas de instituiçòes, persinalidades e espaços das nossas danças. Tão importante estas Informações que definitivamente necessitamos de apoios financeiros para ampliar a fruição a pesquisa e a criação nas multiplas linguagens do nosso território, para que outros caminhos sejam abertos acho fundamental pensar que este tipo de estratégia encontrada ( acervo virtual), este como um instrumento, possa ser conhecido por profissionais de artes que trabalham com o ensino fundamental e médio. Claro que a internet esta ai!!! mas me refiro que esta possibilidade de acesso de imformações sejam usadaspor todos e por aqueles que entendem a dança como árae de conhecimento, sendo o profissional que trabalha com dança e especificamente na escola, use este intrumento como um dos modos de pesquisa para levar os alunos a explorar conhecimentos á partir de pesquisadores brasileiros assim como o exemplo de klauss Vianna que tanto contribuiu e poderá continuar por meio daqueles que ousarem dar continuidade por aquillo que se faz aqui!!!!!!!!
03/05/2008 às 21:50
Thaís Catharin diz:
Ajustes: percebo que a mobilização para conseguirmos apoio para criação de espaços eletrônicos é do individual ao coletivo, sejam estes espaços de conteúdos pessoais ou não, como por exemplo os casos mencionados no artigo, que vão da história de um artista específico à história da dança em uma região. O que reflito sobre estas iniciativas que estão dando certo, é a praticidade e circulação de informações para um número maior de pessoas, que no caso de um acervo eletrônico, possibilita uma circulação maior, além de colaborar com as pesquisas em dança. Para finalizar, creio que a internet é um meio democrático de acesso a vários tipos de discursos, e por isso, percebo como é importante o uso desta para possibilidades de discussões e diálogos em dança, como exemplo este site.
06/05/2008 às 00:06
Anna Kristhine Knapp - 4° ano de Dança - FAP diz:
Como aluna de um curso superior em dança,acho muitíssimo útil que se tenha opção de acervo,seja virtual ou impresso.Quando pesquiso algo,prefiro buscar primeiro em livros do que na internet,mas tenho que convir que nesta loucura da “sociedade de controle “e da rapidez com que as coisas caminham,a internet é muito bem vinda!Acho que impressos são relíquias que não devem ser descartadas,mas o acervo virtual abre infinitas portas e caminhos,com BAIXO CUSTO e uma abrangência enorme.
Pena que,no Brasil,demora um pouco para os grandes descobrirem a importância de um patrocínio para este campo.A educação não tem muitas chances e caminha a passos curtos.
Mas,aplausos para as iniciativas que estão se cumprindo!
Vamos trocar informação!
Até mais.
06/05/2008 às 21:34