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Não faz muito tempo, se alguém dissesse que gostaria de fazer uma faculdade de Dança, certamente receberia inúmeros olhares de reprovação de parentes e amigos. Os tempos são outros e o mercado acadêmico na área de dança também. Às vésperas do I Encontro de Pesquisadores em Dança, que será organizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) nos dias 3 e 4 de julho (para saber mais sobre o encontro, clique aqui), o idança preparou uma reportagem sobre como anda o mercado para quem deseja ingressar na vida acadêmica. O evento, que já tem mais de 170 inscritos, reunirá pela primeira vez pesquisadores de todo o Brasil.
A busca por mais qualificação profissional é o principal fator que tem levado bailarinos, coreógrafos e professores de dança aos bancos das universidades. Na Universidade Federal da Bahia (UFBA) - a primeira a oferecer um mestrado exclusivamente em dança no Brasil - estudam atualmente cerca de 200 alunos na graduação, além de entrar uma média de 15 por ano na pós-graduação. Para a coordenadora do curso de pós-graduação em Dança da UFBA, Fabiana Dultra Britto, esse fenômeno mostra uma mudança na forma de pensar dos profissionais da dança. “Há algum tempo havia uma diferença clara entre a teoria e a prática. Muitos desistiram de ir atrás do pensamento pois diziam que a academia embotava a criatividade, havia uma idéia errada de que artista não podia estudar. É um tabu que vem caindo nos últimos quatro anos. A partir de estudos recentes de como o corpo funciona, todos começaram a perceber que um corpo que tem percepção intelectual realiza melhor”, explica Fabiana.
Ela conta que grande parte dos alunos que procuravam o programa de pós-graduação da UFBA - dividido em especialização em Estudos Contemporâneos de Dança (lato sensu) e Mestrado em Dança (strictu sensu) - era composto por professores, mas que o cenário vem mudando. “Estamos atraindo muitos bailarinos e coreógrafos para o curso de especialização já que é um curso de três módulos com aulas em janeiro, fevereiro e julho. Eles conseguem comparecer sem atrapalhar o trabalho”, comemora.
Outro motivo para o maior interesse no mercado acadêmico de dança nos últimos anos é o aumento no número de concursos para professores pelo Brasil afora. Com isso, valorizam-se as licenciaturas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, existem três faculdades de dança atualmente: Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Universidade de Cruz Alta (Unicruz) e a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), todas oferecendo licenciatura. “Há 10 anos não havia nenhum deles. Sou bem otimista com relação ao crescimento. É uma exigência de mercado. São 476 municípios no Estado, se 10% abrir concurso já faltará candidato”, analisa Airton Tomazzoni, professor do curso de graduação da UERGS. “Sem falar que a universidade vem sendo um espaço importante para discussão e amadurecimento de conhecimentos. É um acesso que não existe nas academias de dança. E mesmo os cursos de licenciatura têm muita carga horária teórica pois para ser professor tem que ser artista também”, completa.
O Brasil conta hoje com 18 cursos de graduação - entre licenciaturas e bacharelados -, além de mestrados e doutorados. A região sudeste concentra o maior número deles: são cinco em São Paulo e quatro no Rio de Janeiro. A oferta de cursos cresceu muito nos últimos cinco anos e a demanda acompanhou com a mesma velocidade. O professor e pesquisador Roberto Pereira fez um levantamento contendo todos os cursos em funcionamento no Brasil. São eles: Universidade Federal da Bahia (UFBA/Salvador), Centro Universitário da Cidade (UniverCidade/Rio de Janeiro), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/Rio de Janeiro), Faculdade Angel Vianna (FAV/Rio de Janeiro), Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro), Universidade Federal do Amazonas (UFAM/Manaus), Universidade Federal de Viçosa (UFV/Minas Gerais), Faculdade Paulista de Artes (São Paulo), Pontifícia Universidade Católica (PUC/São Paulo), Universidade Anhembi-Morumbi (São Paulo), Faculdade Tijucussu (FATI/São Caetano), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/São Paulo), Faculdade de Artes do Paraná (FAP/Curitiba), Universidade Luterana do Brasil (ULBRA/Canoas), Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ/Rio Grande do Sul) e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS/Monte Negro). “É importante haver esse boom de cursos, principalmente de licenciatura, pois precisamos de professores graduados e bem preparados nas escolas”, analisa Roberto.
Além da lista acima, a partir de 2009, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) também contará com a graduação em Dança. Reivindicação antiga da comunidade de dança de Recife, o curso oferecerá 30 vagas já no vestibular 2008. A licenciatura em Dança estará vinculada ao Centro de Artes e Comunicação (CAC) e terá coordenação de Arnaldo José Siqueira Júnior. “É inquestionável a contribuição que uma formação acadêmica pode oferecer à comunidade de dança recifense. Com certeza haverá uma mudança na mentalidade, vinda com o aprofundamento de estudos teóricos. Também existirão ganhos com a institucionalização da formação profissional das pessoas que atuam na área. O curso fomentará a reflexão sobre a prática da dança como linguagem artística, sobre a interface entre dança e educação, sobre nossa história e tradição em dança”, acredita o professor Marcondes Lima, que participou ativamente da implementação do curso junto com o Movimento Dança Recife.
Do bailarino profissional ao pesquisador
Já que o interesse pelo mercado acadêmico de dança é algo relativamente recente, a expectativa criada por quem escolhe entrar nesse mundo ainda segue caminhos muito diferentes entre si. Há desde aqueles que desejam se aprofundar na teoria para poder entender seus pensamentos até a menina que acabou de deixar a academia de dança. O certo é que, como em todos os cursos de graduação, alguns se “encontram”, outros não. “Há quem procure seus pares e entender como fazer um projeto de dança, como pesquisar. Os artistas que não sabem articular seus pensamentos, discutir o que fazem, explicar o pensamento que querem propor, não têm chance no mercado profissional hoje”, afirma Christine Greiner, professora do programa de estudos pós-graduados em comunicação da PUC/SP.
Mais que suprir uma carência na área de dança, o curso de graduação em Comunicação das Artes do Corpo da PUC/SP nasceu para ocupar um vazio na área de Comunicação no que se referia ao corpo. “A comunicação social é voltada exclusivamente à comunicacão verbal e escrita. Queríamos discutir o corpo como mídia primária da cultura. Ao mesmo tempo, tornava-se evidente que não era mais possível falar de comunicação sem arte e de arte sem comunicacão. Daí surgiu a idéia de propor um cruzamento entre o teatro, a dança e a performance”, explica Christinne, co-criadora do curso, que recebe cerca de 70 alunos por ano.
O professor e pesquisador Roberto Pereira é coordenador do curso de graduação da UniverCidade, no Rio de Janeiro, e também convive com públicos bastante variados em suas salas de aula. “Recebemos muito gente de academia. Muitas alunas estranham as aulas de Filosofia num curso de dança, mas depois se acostumam. Ao longo dos três anos consigo perceber uma transformação bacana. Já quem se encantou mesmo pelo mundo acadêmico, ou quem já tem uma história na dança, procura a pós-graduação. Caso da Dani Lima (bailarina e coreógrafa carioca, fundadora da Intrépida Trupe), por exemplo”, observa Roberto.
Para comparar as expectativas de quem está entrando na faculdade com a de quem está saindo, o idança gravou dois depoimentos de alunos do curso de graduação da UniverCidade. Assista aos vídeos abaixo.
Rubian Karla Furtado Góes, aluna do 2º período
Tony Hewerton Cintra da Cruz, aluno do 6º período
E o mercado editorial, como fica?
Naturalmente, mais alunos buscando livros sobre teoria da dança faria incrementar o mercado editorial sobre o tema, certo? A realidade não é tão óbvia assim. A demanda por bibliografia específica de dança aumentou sim, mas muitas editoras ainda não vêem o mercado de dança como um nicho que mereça grandes investimentos. Tanto que grande parte das publicações parte das editoras das próprias universidades. Caso da UniverCidade, que possui um dos maiores acervos de títulos publicados em dança no país. A editora é a responsável pela publicação da coleção Lições de Dança, cujos cinco volumes estão esgotados. O sexto volume já está pronto, apenas aguardando ser impresso, e terá textos de Inês Bogéa, Paulo Caldas e Fátima Saadi, entre outros. “Isso é sinal de que algo está acontecendo no mercado, o consumo está aumentando muito”, avalia Roberto Pereira.
Segundo Fabiana Dultra, a Escola de Dança da UFBA também tem um projeto de criar um selo específico para as publicações de dança dentro da editora da universidade. “Quanto mais gente estudando, a demanda aumenta. Mas o mercado editorial ainda não incorporou, não percebeu isso. Eles nos olham com desconfiança, eles não entenderam que o mercado de dança está se afirmando”, acredita.
Enquanto isso, as próprias faculdades vão organizando mostras para que os alunos troquem experiências e divulguem o que está sendo produzido por eles. Há iniciativas por todo o Brasil, como a Semana das Artes do Corpo (PUC-SP), a Unidança (Unicamp), o Painel Performático (UFBA) e o projeto Noites Universitárias, uma parceria entre as universidades cariocas e o Panorama Festival. Em todas elas, o objetivo é o mesmo: abrir espaço para as experiências que nascem dentro das paredes das universidades. Assim como há 10 anos o mercado acadêmico de dança praticamente não existia, quem sabe daqui a mais 10 anos ninguém mais olhe com desconfiança para quem escolheu a dança como opção acadêmica.


Adorei o texto!
Sou estudante do último ano do Curso de Dança da Universidade Anhembi Morumbi, e também acredito que o mercado de trabalho na área da dança está cada vez mais promissor e consolidado. Sou otimista com os próximos dez anos, espero olhar para trás e ver ganhos muito maiores do que já conquistamos.
Fico lisonjeada em estar participando de todo esse processo benéfico à dança no país. Sou aluna do Mestrado em Dança da UFBA, e falo com certeza do engrandecimento dessa área nas universidades brasileiras. Só gostaria de fazer uma observação em relação à duas tembém recentes licenciaturas: na Universidade Federal de Sergipe e na Universidade Federal de Alagoas, ambas em 2007.
Lembremos que este encontro foi pouquíssimo divulgado dentro da própria UFBA.
As psoas ficaram sabendo do Encontro por emails, e somente aqueles que se encontravam cadastrados nos arquivos do PPGD… daí iam sendo repassados.
Cartas têm circulado por emails tbm. Interessante seria que as partes se manifestassem aqui pelo idança, aproveitando esse artigo publicado.
Adorei a reportagem que fala sobre a formação acadêmica do profissional da dança, até me surpriendi do número de Universidades que oferecem este curso, sou apenas uma curiosa da Arte de Dançar, tenho Cursos na área de Moda e me interesso tb pela dança, até tenho planos para aprender a dançar alguns ritmos para trabalhar o corpo e a mente e com isso ter uma consciência diferente do que é estar utilizando o nosso corpo e envolvendo um pouquinho da nossa alma numa atividade tão gratificante de aprender.
Adorei a matéria. Um ótimo panorama de como anda o mercado.
Parabéns!!!!
Isabella,
Entendo seu esforço em tentar traduzir um tema tão abrangente como este, o de “mercado adacêmcio em dança” para um curto artigo.
Sou formada em dança, bacharel e licenciada desdde 1991, atuante na área. Vejo um mercado infelizmente distante do apresentado por você.
Fiz uma pesquisa sobre os alunos diplomados em dança na UNICAMP (pesquisa contemplada com PAC de 2006 para pesquisa teórica) que mostra um mercado precário, instável em termos trabalhistas, menos acolhedor aos artistas do que os que aliam este ao docente, entre outras facetas.
Valeria a pena averiguar com os inúmeros já diplomados em difernetes regiões para podermos ter um panorama mais amplo.
Como sugestão, quem sabe em um maior aprofundamento posterior, talvez realizar entrevistas com coordenadores de cursos de universidades públicas ( e privadas também para ver se há diferenças) e com os diplomados inseridos no mercado de dança para ver as mudanças no tempo.
Um abraço, Lilian Vilela
É inegável que o campo da dança está se abrindo a cada dia. Antigamente o trabalho com a dança se restringia entre dançar e dar aulas.
Com a abertura de cursos superiores em Dança esse campo está cada vez maior.
Muitas pessoas ainda arregalam os olhos quando eu digo que já estou no quarto ano do curso de dança, e junto a esse olhar arregalado vem aquelas típicas perguntas: “Você dança o dia inteiro?” “Você dança e faz mais o que?”
É… isso diminuiu muito mas ainda esta longe de acabar.
Quando eu volto no tempo e lembro das professoras que me deram aula nos meus primeiros anos da Escola de Dança do Teatro Guaíra, jamais poderia imaginar que um dia elas seriam mestres.
Essa semana tive oportunidade de de ver duas delas defendendo brilhantemente suas teses de mestrado. Me senti muito orgulhosa de ter participado dessa grande conquista delas e, além disso, elas me deram uma grande força pra que meus estudos acadêmicos não parem em dezembro, na minha formatura da graduação.
Gostei muito deste texto divulgação pelo idançanet;quando conclui a minha graduação em licenciatura em dança pela U.F.Ba; fiquei pouco tempo em Salvador. inclusive fui contemporânea de Fabiana.
Aproveito para fazer uma resalva: em um dos comentários acima li que o evento foi mal divulgado: isto não é uma novidade.desde a época em que frequentava a graduação já era assim; e lá se vão 21 anos; espero de coração que melhore. Fico muito alegre em saber que o mercado de dança esta em expansão;o Brasil precisa de bons profissionais de dança que estejam engajados com a educação;ainda tenho esperanças.Mas aqui :precisamente no Rio de Janeiro, este mercado que eu faço parte ha nove anos esta perdendo dia a dia o lugar para professores de educação física,o que é muito triste e inquietante. Aproveito para deixar a minha insatisfação quanto a este fato. Os profissionais de dança precisam organizar-se ainda melhor para que a dança não seja confundida com o esporte e que ano a ano consolide na mente das pessoas que dança é educação e tem que ser trabalhada como artes cênicas.
Pode parecer piegas,mas o mercado competitivo como esta hoje,precisa ser melhor trabalhado para a conscientização da sociedade que a dança tem o papel de trabalhar em parceria com a educação.
Que outros eventos como este aconteçam com mais frequência.
Cara Isabella,
Achei curioso o termo que você propõe “mercado acadêmico de dança” para tratar do mercado para o profissional com formação universitária em dança. Sobre sua visão de que esse mercado está em alta, ou seja, de que esses profissionais estão sendo mais acolhidos pelo mercado, minha sugestão se alinha com a de Lilian Vilela: seria necessário realizar uma pesquisa com os egressos dos cursos de licenciatura e bacharelado em dança existentes no país para verificar se sua hipótese se confirma na realidade. Como docente da Escola de Dança da UFBA, arrisco discordar da sua hipótese. A inserção dos licenciados nas escolas da rede de educação formal, seja ela pública ou privada, ainda enfrenta inúmeros problemas, os quais colocam em cheque, inclusive, a adequação dos nossos cursos de licenciatura. Conheço diversos docentes de outras regiões do país que partilham desta mesma percepção. Assim, por mais que nossa vontade seja de ver essa alta no mercado, acredito que devemos ter cautela com ações especulativas. Negar as dificuldades reais não nos levará a superá-las.
O artigo é muito rico quanto ao esclarecimento ao mercado de trabalho e enriquecimento de conhecimento em dança. Quanto ao comentário da perda de espaço do mercado de trabalho de profissionais graduados em dança para profissionais graduados em educação física, fico preocupada com a colocação, pois, não se perde o que não se tem, usando parâmetros de comparação entre as duas graduações. Sou formada em ballet clássico a onze anos e especialista na área da saúde a seis anos, fui para a graduação em educação física devido à necessidade de respostas à indagações sobre o corpo, que minha formação em academia de dança não me proporcionou e, além disso um curso de graduação em dança mais próximo fica a 500 km de distância da nossa região( situação esta que tende a melhorar com a abertura do mercado academico em dança). E nem por isso deixo de ressaltar aos meus antigos, presentes e futuros alunos a importância da busca por reais estruturas cognitivas em dança, muito pelo contrário o conhecimento relacionado à dança, àanatomia, à psicologia infantil, à biomecânica, à fisiologia, entre outros, devo a minha graduação em educação fisíca que até hoje me estimula a continuar a estudando a dança, consequentemente o corpo. Hoje tenho mais de cinco alunos em menos de dois anos cursando faculdades de dança fora( ULBRA E FACULDADE DE ARTES DO PARANÁ) toda minha defesa de pós- graduação foi em dança. Então sugiro que estes comentários esclareçam quais são os tipos de profissionais de educação física que trabalham com dança pois, nossa luta também é por melhoras na área da dança com certeza. E melhoras também por comunicações mais claras.
Lutamos também para uma melhor formação de dança oferecidos pelas academias e/ou escolas de dança. Mas, para isso, será necessário profissionais qualificados nesta área que é o tema trabalhado neste artigo. FALAR DE CORPO TORNA-SE NECESSÁRIO CONHECER, SENTIR E VIVENCIAR CORPO.
Prezada Isabella,
É possível que minha contribuição aqui seja maior do que poderíamos esperar de um comentário, mas me senti motivado pelas colocações, até porque é uma área de interesse de pesquisa.
Sem dúvida sua matéria nos apresenta uma temática interessante que não se esgotará apenas com esta iniciativa. Compreendo a necessidade de maior aprofundamento em algumas questões como, por exemplo, um contato direto com egressos de cursos de dança e a relação entre mercado e recém-formados, mas que poderão ser encaminhados posteriormente, visto que, pelo que me parece, trata-se aqui de uma reportagem.
Tenho algumas considerações a fazer sobre o seu texto. A primeira delas é em relação à quantidade de alunos que “entram” no curso de licenciatura em dança da UFBA. Certamente há um equívoco com estes dados, pois, o curso recebe anualmente cerca de 45 alunos e não 200 como é citado no seu texto. É possível que 200 seja o total de alunos atualmente matriculados em todo o curso.
A opção por cursos de graduação em dança parece vir de diferentes contextos, desde simplesmente conseguir um diploma de curso superior, até desejar seguir carreira acadêmica, passando por complementação na formação artística, tornar-se professor, crítico de dança e por aí vai. Vale destacar, no entanto, que tais caminhos tratam-se de escolhas, e não exclusivamente de um apartamento entre “estudo” e “atuação artística”. Há profissionais que fazem a opção de levar adiante (e ao mesmo tempo!!) seus investimentos acadêmicos e artísticos e outros não. Além do mais, busco encarar estes domínios numa relação de retro-alimentação, ou seja, o que estudo modifica meu modo de fazer-ensinar-pensar-ver dança e vice-versa; talvez a percepção disso possa ser um dos fatores que levam a um aumento na busca por cursos de graduação e pós na área.
Outra observação que faço sobre seu texto diz respeito à lista de cursos de dança divulgados como “em funcionamento”. Não tive acesso ao levantamento feito pelo professor Roberto Pereira sobre tais cursos, mas de acordo com o site das próprias instituições, bem como do próprio MEC, alguns cursos estão extintos e/ou não são de graduação plena. O curso de dança da Faculdade Paulista de Artes (FPA), por exemplo, não abre turma específica desde 2006. O que a FPA dispões, dentre outros, é de um curso de graduação em Educação Artística com habilitação em Artes Cênicas (teatro). Assim como a Faculdade Tijucussu (FATI), também em São Paulo, nunca conseguiu o número de matrículas suficiente para abrir sequer a primeira turma de dança. É evidente que os dados mudam e que os textos são datados, mas é importante verificar as fontes, visto que se trata de um texto informativo, acima de tudo.
Diversos cursos estão em abertura por todo o Brasil e, certamente, alguns ficaram fora do seu recorte como bem sinalizou Carolina Naturesa em seu comentário. Recentemente apresentei uma dissertação de mestrado sobre o currículo dos cursos de licenciatura em dança no Brasil junto ao programa de pós-graduação em dança da UFBA (PPG-Dança). Neste estudo discuto mais detalhadamente sobre a maneira como as instituições respondem às demandas propostas pelo MEC, em relação à estrutura curricular e pedagógica de alguns cursos de dança. Como parte desta pesquisa publiquei, no final de 2007, um texto aqui no Idança que contém um mapeamento sobre as instituições superiores que têm cursos de dança no Brasil. Certamente meu texto também já está datado, mas discuto outras questões, além da apresentação dos dados.
Para finalizar, gostaria de destacar ainda a atuação de uma outra vertente de formação em dança que não se localiza no âmbito universitário, mas que vem cada vez mais ganhando espaço de ação e formando jovens dançarinos e coreógrafos (futuros alunos de cursos de graduação e seus congêneres), em algumas regiões no Brasil. São os cursos de formação profissional técnica de nível em dança (ensino médio profissionalizante) como é o caso do CEFAR (Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado em Belo Horizonte), os Cursos Técnicos de Formação Profissional da Escola Angel Vianna no Rio de Janeiro e a Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia, em Salvador, apenas para citar alguns. Estes cursos com duração média de 2 anos, são responsáveis pela formação de muitos artistas da dança que acabam ingressando futuramente em cursos de graduação. É um ramo da educação que vem ganhando cada vez mais força em todo o país e a dança e as artes de uma maneira geral têm muito a ganhar com estes cursos. Além disso, estas “escolas” funcionam ainda como um espaço inicial de formação em dança, visto que, a maioria delas trabalha também com cursos para crianças, como é o caso de Salvador e Belo Horizonte. Temos nestas escolas uma espécie de formação continuada em dança que reverbera em outros domínios.
Um abraço!
Parabéns pela matéria. Mas gostaria de informar que temos curso de graduação(licenciatura) em dança também na UFS-Universidade Federal de Sergipe, localizada no município de Laranjeiras.
Abraços
Klely Perelo.
Ótima reportagem!!!!!!Eu realmente estou surpresa com o volume de trabalhos academicos na área da dança.Isso porque estou terminando um curso que nao “me encontrei”, mas uma serie de razões me levaram a fazer jornalismo, inclusive a falta de conhecimento de cursos de superiores em dança. Minha experiencia em dança eh bem maior comparada a experiencia jornalistica.To tentado colocar de algum modo a minha paixão na monografia e pesquisando, entre tantas coisas interessantíssimas, tomei conhecimento do curso de Comunicaçao das Artes do Corpo, que traduz tudo o que pretendo fazer. Fiquei surpresa e muito contente de ver que a Comunicaçao esta intimamente ligada a Dança. Minha vontade é ingressar em uma graduaçao ou ate uma pós em Dança. Ah, quanto aos olhares de reprovação com relaçao a ela ( dança), acredito que esses ainda vão custar a mudar, mas o mercado esta ai, cada vez mais promissor, e concordo demais quando fala no texto sobre articular pensamentos, discutir o que fazem, explicar o pensamento que querem propor.
um abraço e parabéns pelo texto
Por ser uma estudante da área, fico feliz em ler um texto como esse, é sinal de que as coisas estão melhorando ! Assim como você Isabella, também tenho notado o crescimento do profissional em dança. Antigamente quando falava-se em Faculdade de Dança muitos desconheciam, hoje em dia já se fala em pós, mestrado e até doutorado em dança. Mas a meu ver, ainda não é suficiente. É uma área que precisa ser divulgada e discutida dentro de toda a sociedade, pois tenho a impressão de que muitas vezes ela só é divulgada entre os profissionais que ja atuam nela. Uma das formas é leva-la a públicos que a desconhecem como profissão, e discuti-la com esses públicos. Acredito que seja uma forma de ampliarmos ainda mais esse campo que tanto tem a crescer. E acho fundamental é claro, que todos os profissionais envolvidos continuem pesquisando, indagando e articulando para que ela não se perca.
Um abraço, Annemarie.
Olá,
Ficamos muito felizes com a mobilização gerada pela reportagem! É bom saber que as pessoas estão interessadas no que acontece no meio acadêmico de dança. Nosso objetivo com o texto acima foi justamente mostrar que esse meio está crescendo e que novas faculdades de dança estão surgindo. Vale lembrar que não estamos analisando o mercado profissional que esse aluno/ex-aluno encontra ao terminar o curso. Essa questão é uma outra discussão que poderemos ter no futuro.
Abraços!
Olá Alexandre,
você tem razão quanto ao número de alunos da UFBA. Na verdade, passam por lá cerca de 200 alunos nos 4 anos de graduação, esse não é o número de alunos que entram. A informação já está corrigida. Obrigada.
Fico feliz ao ler esta reportagem e percebo que a Dança está conquistanto e expandindo cada vez mais seus horizontes graças a pessoas que acreditam nesta arte como forma de conhecimento. O crescente número de faculdades e universidades que incluem o curso de Dança em suas graduações prova que a busca pela informação existe e com certeza construirá bases cada vez mais fortes dentro desta área.
Percebo que a Dança vem conquistando, expandindo e sendo cada vez mais reconhecida e respeitada no meio acadêmico. Isso se dá pelo crescente número de universidades e faculdades que incluem a dança em seus cursos de graduação e a produção e publicação de artigos e estudos sobre a área em questão.
Acredito que seria importante fazer um mapeamento sobre os alunos egressos a fim de identificar em cada faculdade/universidade o perfil do profissional da dança.
Como aluna de graduação do curso de Dança da Faculdade de Artes do Paraná,fico orgulhosa ao ler um artigo como este, pois defendo a formalização do professor de arte,mais especificamente de dança,neste país.Acho que está mais do que na hora de valorizar a dança na universidade,pois o quadro de bailarinos que não pensam já mudou.Para treinar o corpo,temos aí muitas escolas e academias que cumprem este papel.A abordagem da universidade é muito mais em fomentar a pesquisa,incentivar a criação em artes,formar a crítica…Se o interesse é aprender a dançar,este com certeza não é o lugar.
PARABÉNS PELO ARTIGO!
Muito boa matéria acerca da dança e sua reverberação, ainda incipiente, mas salutar para que possamos sedimentá-la junto aos outros campos de connhecimento que dispõe de maior visibilidade e aceitação por parte da sociedade.
Quero aproveitar a oportunidade para me alinhar à Nara Dutra quando ela fala do espaço da dança e da educação física. Vejo como ela que a dança não tem muito espaço, principalmente dentro das escolas, mesmo sendo esta (a dança) reconhecida como linguagem artística pela Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional. Sou formado em Educação Física com mestrado em dança Pela Faculdade de Motricidade Humana- Lisboa/portugal e vejo, sinto e percebo a grande dificuldade em se trabalhar com dança no ambiente escolar. Talvez não seja este o mote do artigo em tela, mas torna-se inviável a abertura do mercado acadêmico de dança sem levar o conhecimento em dança para dentro das escolas, uma vez que esta é um espaço priviliegiado por se tratar do local onde as aspirações e orientações vocacionais se instauram e se solidificam nos educandos.
Na minha pesquisa de mestrado pude perceber que os profissionais que trabalham com dança são geralmente professores de educação física que tentam oferecer outras atividades corporais que vão além do desporto.
Paralelo a toda essa discussão acredito que temos de nos mobilizar para inserir, na prática, a participação do profissional licenciado em dança nas escolas já que a LDBN a reconhece como linguagem artística.
Fico muito feliz em perceber que o curso de dança tem conquistado espaços não só de debates como também de prática. Creio que será desta maneira que atingiremos o topo e nos estabeleceremos dentro das escolas de ensino fundamental e médio, para além das universidades e cursos técnicos.
Parabéns a todos os envolvidos neste processo!
Não se pode negar que o campo para a dança se amplia a cada dia. Ser atuante da área de dança não se resume mais em dançar e dar aulas, agora as pessoas acreditam nessa arte como área do conhecimento.
O ingresso desse curso nas faculdades e universidades e as maiores publicações nessa área provam que a dança está sendo mais conhecida e respeitada. Porém não acredito que tudo seja um “mar de rosas”, o mercado ainda deixa muito a desejar em termos trabalhistas e é menos acolhedor aos artistas do que aqueles que aliam a docencia. A pesquisa individual anda sendo muito visada e outras coisas acabam ficando de lado. Mas já era de se esperar, já que para que uma parte cresça a princípio a outra diminui, até que as duas consigam andar parelhas.
É sempre uma escolha dificil para se fazer um curso de graduação e escolher a dança então parece ser mais dificil ainda, mas quando lemos um texto desses fica um pouco mais fácil de aceitar e lutar pela nossa dança.
É muito gratificante saber que é uma área que vem crescendo no mercado de trabalho, e que estamos colaborando para isso acontecer com mais sucesso, os estudos em dança hoje realmente estão cada vez mais aprimorados, é uma pesquisa intensa em busca de algo que possa satisfazer não só intérprete mas o público em geral.
A passagem pela Faculdade nos deixa mais criticos querendo entender algumas coisas que dizem respeito a nossa dança o contato com os Professores, Mestres e até Doutores, causa em nos acadêmicos uma inquietação e uma busca.
Como graduando da FAP/Pr. tenho muito a agradecer aos nossos Professores que estão se tornando Mestres e nos proporcionando uma vivencia acadêmica muito intensa com suas pesquisas de Mestrado e Doutorado, quem sabe assim teremos mais bibliografias a serem editadas para nossos futuros estudos em Dança.
” O Homem tem o tamanho daquilo que se atreve a fazer”
Jorge Angel Livraga
Então vamos cada vez mais estudar a DANÇA.
É importante perceber como o interesse e a capacitação na área da dança está crescendo, mas me preocupo com o mercado, pois estamos capacitando profissionais, mas e o campo de trabalho? Outra questão é saber como as instituições formam seus alunos e se realmente estes estão preparados para o mercado e suas necessidades. Pois sabemos muito bem que muitas vezes o ensino superior deixa a desejar. Claro que acredito que o caminho é esse mesmo, mas não deixo pensar que capacitar-se em dança não significa apenas ter uma formação acadêmica com louvor, e sim, ter uma bagagem como artista também. Não podemos esquecer que dança é arte e que deve ser trata e pensada como tal. Ela é importante por causa disso e para mim deve ser assim. Estudar, conhecer, compreender a dança é necessário, mas sem perder a sensibilidade, a capacidade de emocionar os espectadores. Senão pensarmos nisso, corremos o risco de ser artistas burocráticos. E antes que eu esqueça, e o campo de trabalho? Devemos pensar e lutar por campos de trabalho, que todavia são muito escassos no nosso país. Pois é uma necessidade para um país que se distingui por ser uma cultura dançante e que ao meu é um celeiro de dança.
Heleno Moura, aluno do 3º ano do curso de dança da Faculdade de Artes do Paraná, atuando como artista da dança a mais de 25 anos.
Olá Isabella,
Sou graduanda do curso de Dança na Universidade Federal de Viçosa-MG.
Gostei muito do seu texto principalmente da parte que vc falta de publicações em Dança. Acabo de escrever minha monografia e tive grande dificuldade para encontrar autores que tratavam do tema abordado. O que acho importante é que isso seja dito, que sabe não se consegue com isso promover o interesse dos profissionais da área em publicar seus trabalhos. Fazendo com que as editoras tmb se interessem. O que vale é agente por a mão na massa e parar de esperar que as coisas tomem, por si só, um rumo que já se mostrou indesejado por várias vezes…né?Pra quem já enfrentou tanto preconceito, esta é só mais uma pedra no caminho que vai nos ajudar a construir a nossa “casa forte”…
No mais, parabéns pela reportagem.
Marisa Machado
Olá, sou bailarina, estudante de turismo e faço parte do NUPEAC e vejo como o curso de dança está tendo um respaldo muito grande em todo o país e é isso q tem que acontecer, pois aqui na UFPI, existe um grupo de pessoas lutando para a implantação do curso superior de dança e estamos cada dia mais otimista para que tenha essa aceitação. E é plausível o argumento de Airton Tomazzoni em dizer que “para ser professor, tem que ser artista também”, pois vejo que é muito simples fazer uma análise de tal coreografia, coreógrafo, bailarino, artista, mas se você não teve essa vivencia, se você não passou por cada uma das situações desses artistas, seria mais proveitoso e instigante trocar vivencias com pessoas de sua área.Mas fico feliz em saber o quanto a dança está crescendo e sendo lembrada e questionada por quem vive dessa arte.
È justamente aí que esta o nó da questão;por que aquela verdade tão difundida e tão manipulada ainda continua sendo usada: “na teoria tudo é aceitável,na prática…D-I-F-E-R-E-N-T-E”. convivo ha mais de duas décadas com o problema;a dança tem que ser aliada da educação;no entanto as diversas vertentes da dança,não quer ver ou faz de conta que não sabe. viver de dança em nosso país é muito dificil. Experimentem criar seus filhos com a capital geraldo pela dança;desafio quem consiga! seja pesquisadora,crítica de arte,funcionário(a) pública, professora de escola particular,professor de escola de dança.È precário. não façam de conta que vivem no país de Alice. E além de tudo conviva harmoniosamente com professores de educação física,que na grande maioria fazem esta faculdade por que não têm peito para fazer uma graduação em dança;motivos obsoletos.:” a faculdade é longe,educação física é melhor,vou fazer especialização em psicomotricidade”. vivemos em um país aonde a educação e cultura de uma forma geral é desvalorizada.
vamos tentar formar novas visões de dança para a sociedade?
Gostaria de fazer uma outra observação ao que você fala no início do texto. Ainda hoje, aqui mesmo em Aracaju, dificilmente uma “filha” da classe média e alta, deixaria sua academia ou escola de dança para fazer um curso na área artística, pois esta área ainda não é “bem vista” como profissão. Geralmente elas optam por cursos como fisioterapia, educação física (raras), ou vão mesmo para cursos de elite, como medicina, odontologia, direito, etc. Algumas tenatm conciliar, ams com o tempo, acabam abandonando a prática da dança. pelo que eu tenho conversado com vários colegas de mestrado, graduação, pós graduação, da dança, essa situação não é tão incomum assim, mas acredito que tudo isso tende a melhorar, como vc mesma Isabela! Mas seu artigo é pertinente, pois aborda questões ainda atuais e recentes na área de dança no país.
Primeiramente gostaria de apontar um equívoco. O 1º Encontro de Pesquisadores em Dança com realização prevista na Bahia, na verdade não é o 1º. A ABRACE já vem realizando Encontros há mais de 10 anos e possui GTs/ Grupo de Trabalhos específicos de dança como: Pesquisa em Dança no Brasil: processos e investigações coordenado pela professora Cássia Navas, e Dança e Novas Tecnologias coordenado pela própria professora Dulce Aquino.
Outros eventos de pesquisadores em dança vêm acontecendo como o Encontro Transdisciplinar da Pesquisa em Dança realizado pelo Programa de Pós Graduação da UFBa, pelo Departamento de Artes Corporais da UFRJ e o Centro Coreográfico do RJ, já na sua terceira edição. E provavelmente outros eventos de pesquisadores em dança ocorrem, felizmente nesse nosso país.
Mesmo se auto-intitulando como primeiro, o importante é não ser o último e que possamos continuar produzindo e discutindo dando espaço para todas as nossas bem vindas diferenças, porque, afinal de contas, são elas que movem e promovem o avanço do conhecimento. Segundo Nelson Rodrigues a unânimidade é burra.
Considero que a questão do mercado para a dança não pode ser analisada como um fenômeno específico sem que sejam observadas as mudanças dos paradigmas da contemporaneidade. As ciências exatas já não são exatas e abriram um diálogo com as humanidades. Numa sociedade da imagem e da competitividade, a criatividade assume um papel fundamental, mesmo em relação a tecnologia. Muitas áreas se abrem hoje para as artes e, principalmente para a dança cujo instrumento maior é o corpo em movimento.
É preciso um mapeamento do nosso campo e do nosso perfil, mas que esse mapeamento não seja para fechar um cerco elegendo quem é e quem não é do território legalizado, mas para promover a abertura e abrir as fronteiras informando e incentivando o acesso à Dança sem a determinação de poderes constituídos.
Muitas vezes achamos algo equivocado por não nos aproximarmos o suficiente desse algo, espero que Lúcia Lobato possa está presente no encontro.
O encontro de pesquisadores de dança que ontem no seu primeiro dia reuniu mais de 160 pesquisadores, com certeza não é a primeira reunião de pesquisadores de dança, e me parece não ser esse o entendimento que permeia a proposta do encontro.
Mas é o primeiro encontro no qual não estamos na casa dos outros, permitam-me a metáfora, não que tenhamos sido mal recebidos na casa dos outros( artes cênicas, educação, educação física, comunicação e semiótica, entre outros), o desejo é apenas de termos nossa casa, desejo natural de quem se desenvolve e almeja autonomia… um espaço no qual possamos discutir nossas especificidades a partir do entendimento de que dança produz conhecimento e do desejo de consolidar e do reconhecimento da mesma como campo de conhecimento autônomo e específico (e aqui estou me refiro a todas a pessoas que estudam e trabalham com a dança espalhadas por esse país e não apenas os que estão esses dois dias no encontro, que lutam para que os profissionais da dança tenham espaço nas escolas, nos teatros, nas universidades entre outros)…
Rico é ver pesquisadores de todas partes do Brasil discutindo e tentando definir, chegar a uma conformação de nossos grupos de trabalhos, os GTs… como também aconteceu ontem.
Os outros espaços (em programas de graduação e pós-graduação) ainda se fazem necessários, mas também é necessário a construção de espaços específicos da dança.
Também me parece descontextualizada essa crítica a iniciativa que não está se propondo como unânime e nem apresentou em seu discurso o desejo de ser o único…
Eu tenho uma formação diversificada, informática, contabilidade, ciências sociais e dança e observo como as ciências ditas exatas vêm se abrindo as humanidades, questiono, em muitos casos, como e que tipo de diálogo é proposto.
Um caricato exemplo: vamos ter umas aulinhas de dança porque eles tratam das emoções e do corpo, nosso instrumento.
Citando Le Breton, sociólogo francês, “nós somos corpo, não temos um corpo”, logo o corpo não é algo que possuímos como um instrumento, é o que somos.
Para finalizar é importante lembrar que a iniciativa de reunir os pesquisadores também é uma ação com objetivo de fortalecer nosso campo de atuação profissional que apresenta ainda dificuldades de inserção no mercado em sua diversidade artística, acadêmica, de pesquisa e de ensino…
CARA ISABELLA,
SOU LICENCIADA EM DANÇA PELA UFBA E ESTOU CONCLUINDO MINHA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO INTITULADA DANÇA NA BAHIA CONTEMPORÂNEA: RELAÇÃO ENTRE A DANÇA PROFISSIONAL E O MERCADO,NO PROGRAMA EM CULTURA E SOCIEDADE DA FACOM/UFBA E GOSTEI MUITO DA DISCUSSÃO QUE O TEMA GEROU, O QUE COMPROVA A RELEVÃNCIA DE TRABALHOS INVESTIGATIVOS NESTA ÁREA!
ESPERO EM BREVE PODER DIVULGAR A MINHA DISSERTAÇÃO POR AQUI, POR ENQUANTO APROVEITO A OPORTUNIDADE PARA PEDIR QUE DIVULGUE MEU CONTATO À COMUNIDADE QUE QUEIRA CONTRIBUIR COM ESTES DADOS , PARA QUE POSSAM PREENCHER UM QUESTIONÁRIO SOBRE O ASSUNTO.
Ada Pedreira
adapedreira@hotmail.com
Gente, (A TODOS)
Acho válido o debate, mas uma coisa para mim é clara e óbvia: E que muitos aindam insistem em ignorar:
Curso de EDUCAÇÃO FÍSICA é um curso da área da saúde que NÃO forma artistas nem professor de nenhum tipo de ARTE seja dança, teatro, circo, artes visuais ou audio visuais. ok ?
A formação em Educação Física é totalmente diferente e indepentende da formação em um curso de ARTE seja Artes visuais, Dança, Teatro, Música ou Audio-visuais.
E isso não sou eu quem afirmo, é a Legislação Educacional e trabalhista brasileira e mundial que coloca esses profissionais em áreas conhecimento distintas, diferentes e independentes.
Os cursos de ARTES (seja visuais,dança, teatro, música ou Audio-visuais) e EDUCAÇÃO FÍSICA possuem:
1) Formação Universitária independente e em áreas do conhecimento totalmente diferentes. Fazendo distinção entre as áreas, o Ministério da Educação, nas “Diretrizes Curriculares para os Cursos de Graduação”, define o teatro e a dança no campo das Artes Cênicas, ou seja, como Ciência Humana, Cultural e Social, enquanto coloca a Educação Física no campo das Ciências Biológicas e da Saúde
Dentro das universidades os cursos de Artes normalmente são ligados à área de humanas e comunicação e letras
2) A Legislação que regulamenta essas duas profissões são completamente indepentendes e diferentes
- Os artistas e técnicos de espetáculos possuem uma lei que regulamenta a sua profissão (Lei 6.533/78);
- O profissional de educação física possui outra lei completamente diferente e independente que regulamenta a sua profissão (Lei. 9.696/98);
3) Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) elaborados pelo MEC, o ensino da Arte constitui componente curricular obrigatório e contempla para o ensino fundamental as Artes Visuais, a Dança, a Música e o Teatro, e para o ensino médio: Artes Visuais, Dança, Música , Teatro e Artes Audio-visuais. Salienta ainda que é tarefa a ser desenvolvida por professores especialistas, com domínio de saber nas linguagens mencionadas.
Existem cursos de graduação específicos que formam profissionais para estas áreas artísticas, tanto de bacharelado como licenciaturas, Artes Plásticas, Artes Visuais, Dança, Música, Teatro e Artes-Áudio-Visuais (cinema, vídeo dentre outras mídias).
Os Cursos de Educação Física não são um desses cursos, cuja finalidade é a formação de artistas ou arte-educadores (professores de arte) em qualquer uma destas vertentes curriculares.
4) O Ministério do Trabalho através do Código Brasileiro de Ocupações CBO (Do Ministério do Trabalho) separa e não coloca qualquer vinculaçãoentra estesprofissionais. Segundo oMinistério do Trabalho a definição para área e atuação do profissional de Educação Física é a seguinte:
Fonte: Site do Ministério do Trabalho
Profissionais da educação física
CBO - Classificação Brasileira de Ocupações
2241 :: Profissionais da educação física
2241-05 - Avaliador físico - Orientador fisiocorporal
2241-10 - Ludomotricista – Cinesiólogo ludomotricista
2241-15 - Preparador de atleta
2241-20 - Preparador físico - Personal treanning , Preparador fisiocorporal
2241-25 - Técnico de desporto individual e coletivo (exceto futebol) - Treinador assistente de modalidade esportiva , Treinador auxiliar de modalidade esportiva , Treinador esportivo
2241-30 - Técnico de laboratório e fiscalização desportiva
2241-35 - Treinador profissional de futebol - Auxiliar técnico- no futebol , Auxiliar técnico- nos esportes , Coordenador de futebol , Professor de futebol
Descrição sumária
Desenvolvem, com crianças, jovens e adultos, atividades físicas; ensinam técnicas desportivas;realizam treinamentos especializados com atletas de diferentes esportes; instruem-lhes acerca dos princípios e regras inerentes a cada um deles; avaliam e supervisionam o preparo físico dos atletas; acompanham e supervisionam as práticas desportivas; elaboram informes técnicos e científicos na área de atividades físicas e do desporto.
Pois bem. Diante de tudo que foi exposto é obvio que não há qualquer vinculação ou semelhança entre a formação em Educação física e Artes (Artes Visuais, Dança, Música , Teatro e Artes Audio-visuais)
Ignorando toda e legislação, que regulamenta que a formação em ARTE é diferente da formação em EDUCAÇÃO FÍSICA, e colocam estas profissões como áreas de conhecimento autônomas e com formações universitárias distintas e independentes. Tentando em benefício próprio, caracterizar uma vinculação que não existe legalmente entre estas profissões, para além de sua área de atuação específica, se apropriar “também” da área de graduação em ARTES, alguns profissionais de educação física estão tentando direcionar e vincular ATIVIDADES ARTÍSTICAS E ESPETÁCULOS DE DANÇA E TEATRO a formação em educação física.
QUERO DENUNCIAR NACIONALMENTE, o que considero uma tentativa de manipulação de mercado por parte de alguns profissionais de Educação Física. que querem indevidamente vincular a formação em Educação Física à outra área do conhecimento totalmente diferente principalmente às ARTES CÊNICAS (Teatro,dança e circo). O que não passa de uma tentativa de fortalecer os cursos de educação física para abocanharem mais e mais fatias do mercado.
Isso além de ferir todos os Códigos de ética e respeito profissional é Ilegal.
Lembrando ainda que os profissionais de educação física e seus respectivos conselhos impedem a atuação de profissionais sem a formação específica em educação física em sua área.
Imagina se um advogado resolve que vai exercer a medicina sem formação não é crime?
Quero deixar claro que sou a favor da democratização da Arte, e que aqui não questiono o talento nato inerente ao ser humano para a ARTE, e o seu direito de exercê-la. Conheço músicos, dançarinos, pintores, atores , artesãos e mestres do notório saber, maravilhosos e que nunca fizeram uma universidade, alguns mal sequer sabem ler e escrever. E acho que nós da acadêmia só temos que respeitar e aprender com eles. Assim como na área da EDUCAÇÃO FÍSICA e ESPORTE, temos excelentes jogadores de futebol e atletas que nunca sequer fizeram uma aula de educação física.
Todo esse meu desabafo é porque aqui na minha região estamos enfrentando diversos problemas com alguns profissionais que estão tentando se apropriar e vincular ATIVIDADES ARTÍSTICAS E ESPETÁCULOS DE DANÇA E TEATRO a formação e cusos de educação física visando somente o benefício próprio.
Quero chamar atenção sobre algumas vinculações erroneas e tendenciosas por parte de alguns profissionais de educação física.
Então espero que os profissionais de Educação Física RESPEITEM os profissionais com formação em ARTES CÊNICAS (Teatro, Dança e Circo) seja ela acadêmica ou não.
Alguem colocou acima: que não se perde o que não se tem…
Quero dizer que infelizmente quando tentam pegar algo a que NÃO É SEU POR DIREITO é roubo… e roubo ate no Brasil ainda é Crime.
Abraços a todos
Monica Mesquita
Acadêmica do 6. Período de Graduação em Teatro (MG)
(Áreas de atuação e formação: Teatro, cinema e Dança-Teatro)
Olha pessoal gostaria muito de fazer o mestrado em Dança ou em qualquer outro programa mas com um recorte todo especial para as danças brasileiras e afro-brasileiras: DANÇA EDUCAÇÃO como forma de resgate da identidade brasileira, podem me auxiliar em alguns programas de mestrado? Evandro Passos - Belo HOrizonte - Minas Gerais
O nordeste não se resume a Pernambuco e Bahia. Desde 2007 a Universidade Federal de Alagoas oferece o Curso de Licenciatura em Dança. Vamos ampliar nossa rede de comunicação e atualizar nossos dados!!!!!!!
Telma César