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II Seminário Economia da Dança / Foto: Isabella Motta

II Seminário Economia da Dança: informalidade é tema polêmico

Qual é o papel do artista na engrenagem da produção cultural contemporânea? Como formalizar o fazer artístico? Essas foram apenas algumas das perguntas ouvidas durante o II Seminário Internacional Economia da Dança, que aconteceu no início da semana dentro da programação do Festival Panorama de Dança 2009. As respostas ainda não existem concretamente, mas as discussões desses e outros temas avançaram com relação à primeira edição do seminário, realizada em 2008.

Durante os três dias de evento – que aconteceu de segunda à quarta-feira (9 a 11/11), no auditório do Sebrae – Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), no Centro do Rio – muito se falou sobre os possíveis caminhos a se seguir para estabelecer uma relação entre dança e economia, mas o assunto mais polêmico continua sendo a questão da formalização do fazer artístico. “A formalização é importante, mas temos que pensar num novo meio, com menos impostos. As pessoas não têm dimensão do que é o fazer cultural”, disse a produtora Carla Lobo, que falou sobre sua experiência na área de produção cultural em Belo Horizonte. Ela ressaltou a importância do produtor cultural na realização de um espetáculo para que o artista fique livre para exercitar a sua função: criar. “O produtor cultural deve ser um facilitador das relações entre todas as áreas envolvidas na execução do produto artístico”, completou.

A importância da figura do produtor cultural também apareceu na fala da pesquisadora Ítala Clay, que deu um panorama da produção de dança em Manaus a partir de informações obtidas com cinco artistas/grupos locais. “Um ponto comum citado por todos eles é a falta de profissionais de produção na região. Eles também reclamam da falta de locais de ensaio e das dificuldades de circulação dos espetáculos”, relatou Ítala.

Indo de encontro à questão da formalidade e da importância de haver um profissional para cuidar da produção de um espetáculo, outro tópico importante levantado foi a necessidade de dados relativos ao mercado da cultura, questão que já havia sido abordada no seminário de 2008. “Os números servem para gerar questionamentos, para não ficarmos apenas nos queixando. Os artistas sentem falta desses números”, apontou Ítala, sobre a realidade em Manaus.

Para aclarar um pouco esse espaço recente e nebuloso dos números relativos à cultura no Brasil, o superintendente de Promoções Culturais da Secretaria de Cultura da Bahia, Carlos Paiva, falou sobre o bem sucedido caso da Bahia. A partir de dados do Suplemento de Cultura da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic/2006 ) e de pesquisas setoriais que vêm sendo realizadas pela própria secretaria, o estado pretende desenvolver, até 2010, um programa de economia da cultura, com mecanismos de fomento. “Deve-se tomar cuidado ao analisar os números pois eles misturam diferentes áreas, mas é um começo. E observa-se que há um potencial de crescimento”, avaliou Paiva.

A pesquisadora e crítica de dança Helena Katz (na foto com Christophe Wavelet) também ressaltou a importância do acesso aos dados da área de cultura. Ela chamou atenção, no entanto, para não se prender a uma única ‘economia da dança’. “É possível pensar em várias economias, já que não existe apenas um pensamento econômico. Nós vemos acontecer hoje na dança o que acontece em várias outras áreas. Mas para começar a trabalhar precisamos dos números e de uma certa familiaridade com o discurso econômico. Eles permitirão a construção de um discurso que nos permita ocupar uma posição dentro do contexto”, explanou Helena. Ao fim, ela propôs a execução de uma agenda de tarefas a ser seguida daqui para frente.

A proposta de uma agenda de tarefas foi compartilhada pelo crítico francês Christophe Wavelet. Para ele, é importante inaugurar um novo pensamento artístico já que criação e produção não são independentes. Ele apontou inúmeras semelhanças entre as realidades regionais relatadas no seminário e sua experiência na França. “Há muitos pontos em comum por conta da lógica do capitalismo globalizado. Deve-se levar em consideração os diferentes contextos para se pensar um modo de ação”, aconselhou.

Seminário abordou formas alternativas de sobrevivência artística

A estrutura do seminário este ano dividiu os depoimentos em relatos e alertas, onde cada palestrante aprofundava sua experiência regional. Além de Ítala Clay, também participaram deste momento Marcelo Sena, que falou sobre o Movimento Dança Recife e o Acervo Recordança, Marcelo Evelin, com o Núcleo do Dirceu, Ricardo Marinelli, com sua experiência no coletivo Couve-flor minicomunidade artística mundial, Sacha Witkowski, com o Festival Diagnóstico, e Telma Bonavita, com a experiência do Oxigênio.

Do Ceará, a coreógrafa Valéria Pinheiro apresentou a experiência do Café das Marias, espaço utilizado como ‘quartel-general’ de inúmeros coletivos de dança e música de Fortaleza. No início da parceria, eles praticavam o escambo de serviços. Hoje, o troca-troca evoluiu para a criação do Ubuntu, uma moeda alternativa criada por eles para valorar seu trabalho. “A moeda nasceu de uma necessidade, estávamos com editais atrasados, sem receber há meses. É uma forma de sobrevivência para fazer o que queremos. Acreditamos que o futuro é da economia solidária”, disse Valéria.

“Já não somos tão poucos, temos um caminho andado. Precisamos nos capacitar para novas formas de produção, já existem algumas redes, mas precisamos potencializar isso. O nosso embate com o empreendedorismo passa pelos dados numéricos e nós precisamos continuar administrando essa relação”, comentou o coreógrafo e gestor cultural Marcos Moraes, que coordenou o Seminário Economia da Dança em 2008.

Para dar continuidade aos temas pensados e discutidos nos três dias de evento, os participantes dos grupos de trabalho – realizados à tarde – resolveram usar o blog do seminário como plataforma de discussão. O espaço está aberto à participação de todos, basta clicar aqui.

Discussões e relatos foram transmitidos ao vivo

Numa parceria entre o Festival Panorama, dance-tech.net e o idança, o Seminário Economia da Dança 2009 foi transmitido ao vivo pela dance-techTV. Nos três dias, pessoas de todo o Brasil acompanharam os debates e enviaram perguntas. Em breve, todo o material captado estará disponível no blog do Seminário e no dance-tech.net. A ideia é que outras transmissões ao vivo sejam feitas pelo idança em parceria com o dance-tech.net.

Assista abaixo o vídeo realizado pelo idança em parceria com o Festival Panorama de Dança 2009 e o dance-tech.net.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=dvM7pEF-xGs[/youtube]

7 Comments

  1. 13 de novembro de 2009 at 8:21 · Responder

    Gente,
    muuuuuuuuuuuito legal!!!! Parabéns todo mundo! Que vontade de estar ai!!!

  2. isadora prates dias
    13 de novembro de 2009 at 8:54 · Responder

    É muito importante que seminários como este tenham a visibilidade que merecem. Concordo com a fala do Helena , do Christophe, e da colocação da economia solidária como possibilidade de um dos caminhos para a economia da dança. Seria pertinente continuarmos com os seminários sobre economia da dança também em nível municipal.

    • 13 de novembro de 2009 at 10:12 · Responder

      Olá Isadora,

      ficamos felizes com sua participação no idança. Sobre o Seminário, uma das vontades que surgiu foi justamente realizar encontros itinerantes pelo Brasil. Acompanhe as novidades no blog do seminário: http://www.seminario.panoramafestival.com/

      Um abraço,
      equipe idança

  3. 17 de novembro de 2009 at 10:28 · Responder

    Estive no seminário e tive a oportunidade de ouvir a fala de Helena e Christophe . Me senti renovada com a clareza do raciocínio construído, pois há tempo uma inadequação e um sentimento de impotência tomavam conta de mim em reuniões de nossa classe artística que tentavam de alguma forma delinear propostas para políticas públicas ou estratégias de ação  conjunta. Perceber com tanta clareza   que muito do nosso discurso está enraizado em noções que não são da natureza da arte , e que  tentamos nos encaixar de qualquer forma numa lógica de mercado baseado na rápida obsolescência, e na subordinação do valor de uso sobre o valor de troca , muda tudo e me  faz entender muito o que venho sentindo. Lembrar que não temos como separar a obra de arte dos seus modos de produção , nos chama para a análise, a consciência de que precisamos mesmo diagnosticar nossa situação,  criar uma agenda de tarefas, nos organizar para ter dados mais concretos e construir um discurso coeso com nossa realidade e nossos anseios.
    Me percebo agora de volta , na minha cidade (Brasília), com uma força  nova para lutar e pensar em soluções que já haviam se diluído em tantas iniciativas em vão. Tem muita gente de dança  cansada , com baixa autoestima, sem esperança e perspectiva,   um novo discurso pode mudar isso? Não sei, pois tem muito trabalho a ser feito, mas é um começo. Parece que tenho novas armas no momento pra lutar. Tomara que vcs consigam  tornar este seminário itinerante mesmo! Parabéns a todos envolvidos.
    Luciana Lara
     

    • 17 de novembro de 2009 at 11:43 · Responder

      Oi Luciana,

      ficamos felizes com seu interesse pelo idança e pelo Seminário Economia da Dança. Você pode continuar acompanhando e participando das discussões no blog do seminário, neste endereço: http://www.seminario.panoramafestival.com
      A participação de todos é muito importante!

      Um abraço,
      equipe idança

  4. samuel laurindo
    21 de novembro de 2009 at 17:39 · Responder

    muito boa essa proposta….pois existem muitos grupos talentosos em todo o País…Parabéns pela iniciativa.essa idéia sera muito boa em outros estados tbm….como aqui no Paraná por exmplo… Que esta faltando um investimento no setor cultural,principamente no mundo da dança….sem contar que alguns espétaculos de porte maior os ingressos com preços  abusivos,que dificulta o acesso para as pessoas de classe social  mais humilde, ficando em uma panela de menoria,e dizendo para o resto do país que curitiba é uma cidade cultural!…? muitas  vezes uma falta de valorização com uma das Artes que chama-se dança.
    dificultando nosso trabalho…que é representar a ARTE!

  5. Josimar Mota(Coreógrafo)
    22 de fevereiro de 2010 at 17:37 · Responder

    Oi gente sou professor e dançar do governo federal e  fazendo uma pesquisa na net encontrei essa página de vcs na internet,e fiquei muito feliz pelos debates que vcs fizeram em relação a Economia dança,é uma pena que esse encontro de vcs não se tornou NACIONAL ou já?parabéns pelos trabalhos e fico muito feliz por vcs,caso vcs desejar algum tipo trabalho coreografico ou palestra é só entrar em contato.
     Grato Josimar Mota 
     Cont;Josimarpalito@gmail.com
        ou josimarpalito@hotmail.com

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