Isso também se verifica nos doze relatórios dos pesquisadores que atualizaram a base de dados Rumos Dança, sobre a dinâmica cultural em diversas cidades brasileiras. Constatou-se que praticamente todas as conquistas de política cultural para a área foram resultado de esforços de movimentos de classe.
Para além da dança – desde a atualização do sistema de propriedade intelectual – nunca se debateu tanto a regulamentação de direitos autorais, levantamento de cadeias produtivas das chamadas indústrias criativas e políticas específicas para as diferentes áreas artísticas. Convergindo ou divergindo, o fato é que se ativou a discussão em torno dos interesses comuns.
Isto aconteceu porque havia um ambiente favorável surgido com as últimas eleições presidenciais, uma vez que esta representou um marco histórico político-social do país que certamente contribuiu para a implantação de políticas públicas para arte e cultura.
Profissionais como Sigrid Nora, Gilsamara Moura e Marcelo Proença encontraram abertura e respaldo para seus projetos nas Secretarias de Cultura das suas cidades, todas administrações petistas.
Escola Preparatória de Dança.Em 1997 a Prefeitura de Caxias do Sul, (RS) na sua política de descentralização e acesso à informação, aprovou a criação da Cia. Municipal de Dança de Caxias do Sul e a Escola Preparatória de Dança (1998), possibilitando o crescimento cultural daquela comunidade e a participação na sua formação.
A Companhia mantém um espaço de preparação de dança, onde atende alunos da rede pública de ensino e crianças integrantes de programas da Fundação de Assistência Social, num total de 70 vagas. Numa exemplar sistematização de conhecimento, a EPD, oferece 16 disciplinas que atendem às necessidades daquela comunidade. São 3 horas e meia por dia, 5 dias por semana, com merenda escolar, vale transporte, uniforme e todo material e equipamento necessários às aulas.
A condição de participação é que essas crianças, de 8 a 12 anos, estejam estudando na rede pública. A formação se completa em 8 anos. A direção da escola e da Companhia é de Sigrid Nora e a coordenação pedagógica é de Verònica Gomezjurado. Bom é notar a coerência existente entre o projeto artístico da companhia e o projeto educacional da escola. Ainda melhor é perceber que tudo isso se constrói com R$ 90 mil por ano e que a iniciativa privada contribui através dos mecanismos de fomento à cultura.
Núcleo de Dança de Votorantim A Quadra Cia de Dança estruturou em 2001, um projeto de entorno social para ampliar o programa cultural da nova administração pública (PTB/PT). Concebeu-se um projeto de intensa participação da comunidade objetivando a maior atuação dos professores do ensino formal, pais e alunos. A chave é a indissociação do desenvolvimento físico, emocional e intelectual da criança e do jovem com a dança, para que possam refletir e construir um espírito crítico.
A comunidade ajuda na instrumentalização do projeto, discutindo a elaboração das estratégias e meios e esta tentando criar uma associação com o objetivo de sustentar a continuidade do projeto e não depender das oscilações políticas.
São 325 alunos que recebem aulas de dança clássica e contemporânea além de eventuais oficinas em outras áreas artísticas. São 9 núcleos de criação orientados por Marcelo, Rodrigo, Clayton, Lidi e Sil que não interferem nas escolhas e processo criativo de seus alunos, apenas criam e coordenam procedimentos, dando acesso à informação e oportunidade de novas experiências. O custo anual desse projeto é de 95 mil Reais.
Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira Em Araraquara (SP), até 2002, existia apenas um Departamento de Cultura dentro da Secretaria da Educação e uma Fundação que exercia o papel de facilitadora na contratação de espetáculos e eventos. A Prefeitura, gestão 2001/2004 (PT), criou a Secretaria Municipal de Cultura e transformou a Fundação de Arte e Cultura do Município, cuja presidente é Gilsamara Moura, com o objetivo de criar e implantar políticas públicas.
A Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira é espelhada na Escola Preparatória de Caxias do Sul. O projeto da EMD foi aprovado como lei em agosto de 2002. A partir daí recebe 80 crianças de baixa-renda, de 8 e 10 anos, por ano, matriculados na rede pública municipal ou estadual. A formação é de 6 anos, com 2 aulas diárias (3 horas), de dança contemporânea (3 aulas semanais), ballet clássico (2 aulas semanais), teatro, musicalização, capoeira, dança de rua, canto, filosofia para crianças, história da arte, introdução à anatomia, todas as disciplinas com 1 aula semanal.
A Prefeitura subsidia passe escolar, uniforme, material didático, instrumentos musicais, merenda e a assistência da Secretaria da Saúde, Educação, Promoção Social e do Centro de Referência do Jovem com orientação sobre sexualidade, violência, drogas, etc.
Mães de alunos da escola se auto-organizaram e formaram um grupo de costura que hoje desenvolve seus trabalhos na Biblioteca Municipal, com todo o apoio da Prefeitura. Os pais também participam e já conquistaram a aquisição de um prédio próprio para a EMD no Orçamento Participativo para início em 2005. O projeto é mantido e coordenado pela FUNDART e o custo anual, atualmente com 160 crianças, é de 120 mil reais.
Há outros exemplos notáveis como o projeto Dançando para não dançar (RJ) e a ONG Corpo Cidadão (MG).Esses projetos funcionam bem porque seus objetivos são claros, porque respondem às necessidades específicas de suas comunidades e por terem uma articulação ampla com o poder público, a iniciativa privada e a comunidade e o mercado. Trata-se de cooperação e reciprocidade, fatores de equilíbrio no dinamismo cultural.
Opostamente há projetos que nascem como ilha, que não têm escuta ou troca estes, naturalmente, estão fadados ao isolamento.
*Sônia Sobral – Gerente de artes cênicas do itaú cultural e uma das organizadoras do idanca.net

Eng



Sou professora de educação física, tenho um grupo de dança e estou tendo dificuldades em orçar um patrocínio para o grupo, vocês podem me ajudar??
Obrigado
Giane.
sou professora de educação fisica,trabalho com projeto de dança nas ecolas da rede estadual de corumba ms. gostaria de troca experencia com idança.net
Olá Silvania,
Que bom, ficamos felizes com seu interesse pelo idanca.net.
Já que você trabalha com educação, leia o texto desta semana A Escola como Mediadora Social, da pesquisadora Telma César.
Para trocar idéias com o idança, escreva para redacao@idanca.net.
Abraços,
Equipe idanca.net