Partilhar o quintal para chegar no jardim. Encontrar uma dinâmica onde a co-existência de diversas singularidades seja possível. Deixar-se penetrar pelo outro, compreender sua engrenagem de criação. Compartilhar o processo de construir solos. Frases como essas nos ajudam a pensar sobre os principais desafios vividos pelos participantes do Transobjeto Coletivo, projeto de residência desenvolvido em Uberlândia (MG), durante dois meses, sob a coordenação do artista Wagner Schwartz, que culminou em uma mostra, entre os dias 22 e 29 de outubro de 2006. Pública e gratuita, a Mostra Transobjeto Coletivo exibiu 10 “objetos coreogeográficos” e quatro obras convidadas, todas desenroladas a partir da idéia de um “terceiro endereço”, proposta por Schwartz.
Segundo ele, o terceiro endereço é “a nossa casa praticável, um território coletivo habitável”, aquele que permite o surgimento de um pensamento glocal, utilizando o termo do geógrafo Milton Santos, um dos autores mais estudados pelo grupo. Referindo-se à globalização, o artista chama a atenção para o fato de que “diante de um cotidiano com uma variedade e velocidade de informações circulando, nossa casa tem muito mais cômodos do que antes, o que possibilita uma rede de trocas afetivas”. Endereço de localização móvel e fronteiras permeáveis, está mais para um dispositivo de memórias entrelaçadas do que para uma posição geográfica específica.
Condição fundamental para a viabilização do projeto foi patrocínio da Petrobrás e a realização da Funarte através do fomento às atividades de produção de dança advindo do Prêmio Klauss Vianna, que investiu 13 milhões em 69 projetos de todo o país e vai destinar mais 15 milhões (divididos com o teatro) para propostas suplentes. Transobjeto Coletivo recebeu 30 mil reais de verba para sua execução, que envolveu o pagamento de todos os participantes em suas mais diversas funções, a montagem de dez obras, a mostra final com mais quatro convidados, o material de divulgação e o registro em DVD.
A existência do incentivo foi fator determinante e Schwartz avalia da seguinte forma: “a idéia do projeto foi de praticá-lo com um mínimo de gastos para que se pudesse identificar também nessa escolha, a estética do trabalho. Glauber Rocha, na década de 70, propôs a estética da pobreza, durante o movimento Cinema Novo. Na época, ele considerou criticamente as possibilidades financeiras existentes e transformou o que se entendia por cinema, sem ocultar as práticas sociais que se apresentavam em seu entorno. No caso do Transobjeto Coletivo decidimos eliminar consideravelmente os adornos e destinar o dinheiro para pagamento das pessoas. O objetivo disso era dar uma idéia na cena da situação recorrente no Brasil de carência de verba para qualquer área”.
A noite de abertura da Mostra contou com a exibição do vídeo-objeto “Relevante (homenagem à obra mole)”, criado por Danilo Dilettoso (vídeo) e Thiago Costa (performer), e a presença de Schwartz, como anfitrião e leitor do inusitado e encantador livro-objeto “Os eventos são quase sempre os mesmos”, da poeta Lourdinha Barbosa. Houve também a distribuição do texto da misteriosa escritora Tertúlia Gong chamado “Objeto Pornogeográfico de Tertúlia Gong”, que pode ser solicitado gratuitamente através do email tertuliagong@hotmail.com.
Endereços coreogeográficos
Processos de criação ocorrem mediante relações, as mais diversas. Uma cartografia possível desses laços no contexto do Transobjeto Coletivo envolveria compreender a dinâmica de vivenciar um processo grupal para a construção de obras individuais a partir da proposta do terceiro endereço. Os objetos coreográficos ou coreogeográficos, como passaram a se chamar após o processo de residência, correspondem a uma espécie de “metáfora para assegurar a autonomia e a singularidade, só que transformada pela relação com todos os outros”, como explica Schwartz. Cada obra, uma síntese, um riscado no traçado do mapa. Pontos de conexões.
Para Cássia Nunes, autora da performance “Long Play ou para peles normais”, o principal motivo que a levou a participar do Coletivo foi a “vontade de criar uma rede de relações que tivesse como objetivo a troca de idéias sobre nossas idéias”. Essa motivação inicial, compartilhada por todos, levou à árdua tarefa da escuta. Disponibilidade para pensar na idéia do vizinho e se relacionar com sua alteridade, sabe quem experimenta, não é coisa fácil. Schwartz relata que “com o decorrer do tempo os confrontos foram, aos poucos, deixando de ser monólogos etnocentristas para criar um território comum e fértil”. Ao fim de dois meses vivendo em conjunto, pelo menos uma voz é uníssona: todos se percebem uns nos trabalhos dos outros e sem crises de autoria. Isso nos leva a imaginar no tipo de atitude individual que pode ou não potencializar um coletivo para favorecer o seu exercício. O exercício de ser coletivo.
De fato, o território de terceiros endereços da Rua Tupaciguara, 471 comporta diversidade, comporta negociação, invenção, colaboração, conflito e tolerância. Além disso, a não-homogeneização de entendimentos, formatos e assuntos foi dos resultados mais significativos provenientes desse treino. Como um traço emergente mereceria uma investigação mais cuidadosa.
O despretencioso objeto coreogeográfico de Nunes, por exemplo, é composto por creme hidratante, pele, agulha e vinil para tratar do corpo e suas marcas nas superfícies. O rapto e a abdução que a performance que a criadora Aline Miranda pode provocar nas pessoas é um banho de alívio. “Um pouco do possível, senão sufoco” é literalmente um banho, mas ultrapassa o ato em si para ser resgate e respiro.
Já a vídeo-instalação da psicóloga e atriz Fernanda Nocam, “Ensaio para estrelato: de Copérnico enlouquecido à Adélia desmembrada”, pode causar vertigem. Questiona o esquecimento que sentimos do corpo quando fazemos uso da internet e nos tornamos seres virtuais, nossa quarta ferida narcísica, segundo a artista. Utilizando o programa Google Earth para viajar pelo mundo, Nocam projeta subjetividades num espaço-tempo de outro planeta.
Outra questão que podemos sugerir diz respeito a nomeação das práticas artísticas, fruto das miscigenações de áreas em curso. Confundidas com a idéia do terceiro endereço, por si só um lugar de trânsito e misturas, há obras como por exemplo o saboroso “MONO (that time mix)”, do ator Fernando Prado, que apontam mais diretamente para essa discussão, embora todos estivessem embuídos desse pensamento. No trabalho, o texto do dramaturgo Samuel Beckett fica “lado a lado” com o áudio do vídeo “Tapa na Pantera”, veiculado no You Tube. O que cria vida são texturas sonoras, textuais, visuais e motoras trançadas numa ação. Em cena, Prado não parece um ator, tampouco um performer propriamente dito, nem um DJ convencional, embora rastros dessas práticas sejam visíveis com maior ou menor intensidade. Seriam sinais de novas singularidades artísticas e subjetivas?
É o caso também do solo de Juliana Penna nomeado por ela de ação cênica, numa tentativa de dar conta desse novo registro. “O que Deus me deu” materializa pontes, demarcando extensões para produzir um mosaico sonoro móvel. Sim, Juliana, “cantar em coro sozinha” é possível!
Enquanto “Rei Nu”, de Natália Oliveira é uma brincadeira teatral, literária e plástica, que se manifesta em tocante delicadeza e beleza, a instalação “Natureza Morta”, da bailarina Caroliny Pereira, é de uma delicadeza estranha. Tiramos os sapatos para pisar numa sala escura com um foco de luz no centro. Um abajur ilumina uma caixinha de jóias. Num canto a artista balança os pés descalços no ar. A estranheza surge quando nos aproximamos para olhar o que há dentro da caixinha e descobrimos que o texto do release “uma caixa antiga abriga sete anos de calos do pé, tornando-se um processo de transcriação das simbólica das perdas” é de uma espelhamento estonteante.
União de únicos
Outro trabalho estimulante são as fotos e a vídeo-instalação “Transmaçã”, frutos híbridos do artista visual Castor, que simbolizam o processo de junções a que todos passaram e, especialmente, aquele que viveu. Ajuntamentos como práxis de arte-vida. Na exibição, com a inversão de pontos de vista o expectador vira um gato preguiçoso, deitado, “em contraponto com o movimento do vídeo”, conforme explica o criador. Mais um que integrou a Mostra foi o vídeo “Overland”, do também artista visual e pintor Lucas Laender. Próprio de alguém que está a procura de seus limites, ele testa possibilidades, inverte e inventa comportamentos e sensações. As situações performáticas em sessões de supermercados, ruas e espaços internos foram editadas e aparentam rastros do teatro, da performance e da composição (pintura). Perturbando e perturbado pelo mundo real, Laender projeta uma terra além, quase invisível, que possa tornar a existência mais divertida e sensível, menos provável e, principalmente, melhor habitável.
Entre as performances apresentadas, a Mostra contou ainda com “300 dpi”, da criadora-intérprete Aninha Reis, projeto em andamento que coloca o corpo no scanner junto com outros objetos de modo a produzir imagens-mapas e arquivos de sua instantaneidade e, “Margareth Papa”, que a bailarina argentina Juliana Piquero criou durante sua estadia em Uberlândia. A performance pode ser tomada como metáfora para todo o processo vivido por esses artistas, visto que Piquero elaborou uma cena em que compartilha com a platéia todos os desafios que viveu para fazer um solo, refereciando o cantor Morrissey e sua relação com a banda The Smiths.
Inaugural em sua região, Transobjeto Coletivo é dessas iniciativas que merecem atenção pela espécie de efeito multiplicador que desperta em suas cercanias. O projeto alcançou seus objetivos ao proporcionar espaço e ambiente para deixar as discussões sobre arte contemporânea mais presentes. Problematizando a solidão, as dificuldades em estar junto, os obstáculos para manter uma profissão artística em nosso país e as inquietações inerentes ao próprio fazer artístico, a empreitada também deu conta de produzir obras, contribuindo assim com a profissionalização e a continuidade de pesquisas, afora a formação e a ampliação de público.
Transobjeto Coletivo era uma casa-corpo muito engraçada. Tinha teto e tinha entrada. Portas de vai-e-vem entre cômodos e janelas que recortavam o quintal e o jardim. Mais que um habitat, milagrou abrigo. Vila-universal, pouso para simpatizantes, acolhimento para recém-chegados. Agora, depois de receber hóspedes e visitas, vizinhanças são bem-vindas. Tarda a hora, é tempo de pegar o aeroporto.
Foto: Castor
Share the backyard in order to get to the garden. Find a dynamic where the coexistence of diverse singularities is possible. To allow oneself to be penetrated by the other, understand his creation machinery. Share the solo construction process. Sentences such as these help us to think about the main challenges experienced by the Transobjeto Coletivo participants, a residency project developed in Uberlândia (MG), for two months, coordinated by the artist Wagner Schwartz, which ended with an exhibition between the 22nd and 29th of October of 2006. Open to the public and for free, the Transobjeto Coletivo exhibition showed 10 “choreographic objects” and four invited works, all developed from an idea of a “third address”, proposed by Schwartz.
According to him the third address is our practical house, a habitable collective territory”, one that allows a glocal thought to sprout, to use the geographer Milton Santos’ term, one of the authors most studied by the group. Referring to globalization, the artist calls attention to the fact that “before a daily existence with a variety and speed of circulating information, our house has many more rooms than before, which makes a net of affective exchanges possible”. A mobile localization address and permeable borders, it’s more of a knotted memories device than a specific geographic position.
The basic condition for the viability of the project was the Petrobrás sponsorship and the support of Funarte by the promotion of dance production activities from the Klauss Vianna Prize, that invested 13 million in 69 projects from all over the country and will appoint another 15 million (divided with theater) for substitute proposals. Transobjeto Coletivo received R$ 30.000,00 for its execution; this involved the payment of all participants in their diverse functions, the staging of ten works, the final exhibition with more four guests, the advertising material and the DVD recording.
The existence of the incentive was a determinant factor and Schwartz evaluates it in following manner: “the idea of the project was to put it in practice with a minimum of expenses so that one could also identify by this choice, the work aesthetics. Glauber Rocha, in the seventies, proposed the aesthetics of poverty, during the Cinema Novo (New Cinema) movement. At the time he criticized the existing financial possibilities and transformed what he understood as cinema, without hiding the social practices that were presented around him. In the case of Transobjeto Coletivo we decided to considerably eliminate the adornments and to destine money to pay people. The goal was to give to an idea about the recurrent situation in Brazil of a lack of money for any given area”.
The opening night of the exhibition included the showing of the video-object “Relevante (homenagem à obra mole)”(Relevant (homage to the soft work)), created by Danilo Dilettoso (video) and Thiago Costa (performer), and the presence of Schwartz, as host and reader of the unusual and charming book-object “Os eventos são quase sempre os mesmos” (Events are almost always the same), by the poet Lourdinha Barbosa. There was also the distribution of the text by the mysterious writer Tertúlia Gong called “Objeto Pornogeográfico de Tertúlia Gong”, that can be requested for free through the email: tertuliagong@hotmail.com
Choreogeographic addresses
Processes of creation occur by means of relationships, the most diverse ones. A possible cartography of these links in the context of the Transobjeto Coletivo would involve understanding the dynamics of living through a group process for construction of individual works from the proposal of the third address. The choreographic objects or choreogeographics, as they were called after the residence process, correspond to a kind of “metaphor to assure the autonomy and singularity, only transformed by its relation with all the others”, as Schwartz explains. Each work, a synthesis, a line drawn on the map. Connection points.
For Cássia Nunes, author of the performance “Long Play ou para peles normais” (Long play or for normal skin), the main reason that made her participate in the Coletivo was “the will to create a net of relations that had as an objective the exchange of ideas about our ideas”. This initial motivation, shared by all, led us to the hard task of listening. Availability to think about your neighbor’s idea and relate to his otherness, as those who try know, is no easy thing. Schwartz says that “with the passing of time the confrontations slowly left off being ethnocentric monologues to create a common and fertile territory”. By the end of two months of living together, at least one voice is unisonous: all perceive themselves in the works of others and without authorship crises. This leaves us to imagine a type of individual attitude that can or not reinforce the collective in favor of its exercise. The exercise of being collective.
In fact, the territory of third addresses on Rua Tupaciguara, 471 holds diversity, holds negotiation, invention, collaboration, conflict and tolerance. Moreover, the non-homogenization of agreements, formats and subjects was of the most significant results proceeding from these trainings. As an emergent trace it would deserve a more careful investigation.
The unpretentious choreogeographic object by Nunes, for example, is composed of moisturizing cream, skin, needle and vinyl to deal with the body and its surface marks. The abduction and kidnapping that the performance that the creator Aline Miranda can provoke in people is a bath of relief. “Um pouco do possível, senão sufoco” (a little of the possible or I’ll suffocate) is literally a bath, but exceeds the act in itself to be a rescue and breath.
Now the video-installation of the psychologist and actress Fernanda Nocam, “Ensaio para estrelato: de Copérnico enlouquecido à Adélia desmembrada” (rehearsal for stardom: from a mad Copernicus to a dismembered Adélia), can cause vertigo. She questions the forgetfulness of the body that we feel when we use of the internet and become virtual beings, our fourth narcissistic wound, according to artist. Using the Google Earth program to travel the world, Nocam projects subjectivities in a space-time of another planet.
Another issue we can suggest is the naming of the artistic practices, fruit of the miscegenation of areas in course. Confused by the idea of the third address, itself a place of transit and mixtures, there are works, as for example the flavorful “MONO (that time mix)”, by the actor Fernando Prado, that point more directly in respect to this discussion, even though every one was imbibed with this thought. In this work, Samuel Beckett’s text is next to the audio of the video “Tapa na Pantera”, propagated in the You Tube. What creates life are sonorous, textual, visual and motor textures plaited into one action. On stage, Prado doesn’t seem like an actor, nor a performer, nor a conventional DJ, although traces of these practices are visible in a greater or lesser intensity. Could they be signals of new and subjective artistic singularities?
It is also the case of Juliana Penna’s solo named scenic action by her, in an attempt to manage this new register. “O que Deus me deu” (What God gave me) materializes bridges, demarcates extensions to produce a móbile sonorous mosaic. Yes, Juliana, to “sing alone in chorus” is possible!
While “Rei Nu” (Naked King), by Natália Oliveira is like a theatrical, literary and arty trick, that manifests itself in moving delicacy and beauty, the installation “Natureza Morta” (still life), by the dancer Caroliny Pereira, is of a strange delicacy. We take off our shoes to step into a dark room with a focus of light in the center. One lamp lights a small jewelry case. In one corner the artist swings her bare feet in the air. The strangeness appears when we approach to look at what is inside of the case and discover that the press release text “ an old box holds seven years’ worth of feet calluses, becoming a process of trans-creation of the symbolic of losses” it is of a breathtaking mirroring .
Union of uniques
Another stimulating work is the photo and video installation “Transmaçã”, hybrid fruit by the visual artist Castor, that symbolize the process of additions that all went through and especially the one he lived through. Groupings as praxis of art-life. In the exhibition, with inverted points of view the spectator turns into a lazy cat, lying down, “as a counterpoint to the movement of the video”, as the creator explains. Another that took part in the exhibition was the video “Overland”, by the visual artist and painter Lucas Laender. Pertaining to someone that is searching for his own limits, he tests possibilities, inverts and invents behaviors and sensations. The performing situations in supermarkets sessions, streets and internal spaces were edited and made to look like drama pieces, of the performance and composition (painting). Disturbing and disturbed by the real world, Laender projects a land beyond, almost invisible, that can turn our existence more amusing and sensitive, less probable and, mainly, more liveable.
Among the performances presented, the exhibition also had “300 dpi”, by the creator-performer Aninha Reis, a project in progress that places the body on the scanner together with other objects in order to produce image-maps and archives of its instantaneity and, “Margareth Papa”, that the Argentine dancer Juliana Piquero created during her stay in Uberlândia. The performance can be taken as a metaphor for all the process lived by these artists, since, Piquero elaborated a scene where she shares with the public all the challenges she went through to make a solo, referring to the singer Morrissey and his relation to the band, The Smiths.
Inaugural in its region, Transobjeto Coletivo is one of these initiatives that deserve attention for the kind of multiplying effect that it awakes in its surroundings. The project reached its objectives, providing space and environment for discussions on contemporary art. Questioning solitude, difficulties in being together, obstacles in keeping to an artistic profession in our country and the inherent inquiry in the artistic creation, the job also produced works, thus contributing to the professionalization and continuity of research, as well as the formation and growth of the public.
Transobjeto Coletivo was a very funny body-house. There was a ceiling and an entrance. Swing doors between rooms and windows that opened on to yards and gardens. More than a living place, it became a shelter. Universal-villa, a landing space for sympathizers, a welcome to new arrivals. Now, after having received guests and visitors, neighbours are welcome. It’s late, it’s time to get to the airport.
Photo: Castor

Eng



Maíra, é prazeroso ler o seu texto! Fico muito feliz em poder constatar a importância e a eficiência do idança em divulgar, analisar e instigar a produção/reflexão artística.
Acompanho e participo do trabalho do Wagner há muito tempo, e conheço os artistas envolvidos no projeto do TransColetivo. Mesmo de longe, podendo assistir apenas o DVD do trabalho, tenho a boa sensação de realização do prazer que o Wagner tanto enfatiza nas suas colocações. Sua escrita clara e generosa, Maíra, funciona como um importante veículo para divulgação do trabalho. Esta parceria, que já provou mais uma vez que deu certo, caminha a passos largos para a concretização do esperado Translivr(e)objeto. Meu olhar já se re-organiza para visitar o meu quintal. Saudades!
Maíra, como é gostoso ver nosso trabalho tão sensivelmente descrito. Vc conseguiu ver o jardim e o quintal!! E aqui estamos no idança, divulgados, reconhecidos e espero incentivando a criadores e criaturas da arte contemporânea. beijos saudosos!! e muitas bolinhas coloridas ainda estão por vir…”apenas começamos”!!!!!
Acreditava que aquela experiencia vivenciada na residencia e gozada por todos nós nas apresentações nao fosse passivel de uma escrita tão sensível e rica em detalhes. Grato por ter compartilhado conosco teu olhar, teu terceiro olhar.
Estou emocionada, o processo de criação proposto pelo Wagner é livre e completamente intenso; cada vez me surpreendo nas possibilidades de existência…
Quero parabenizar o grupo e agradecer ao Wagner e Maíra pela oportunidade do nosso encontro aqui em Salvador.
Acho que você conversou com minha obra, eu me sentia muito sozinha diante um mundo virtual tão vasto. Ainda hoje tenho feito experimentações, lido sobre comunicação, sujeitos e globalização.E quando leio este artigo Maíra, já pela quinta vez, vejo que somos rompidos e não corrompidos pela coletividade, se é que me entende? É claro que entende, voce tem um terceiro olhar invasivo e benvindo. Abraços e espero que todos leiam e depois nos queiram…rs
Sinto que o olhar e presença da Maíra naqueles dias foi um catalisador de sensações e imaginações…escolher ainda é um prazer e seu texto nos acolhe com isso, foi pra mim, também matéria de surpresa e pausas…Obrigada a você e a todos os parceiros de residir aqui, aí e lá!
Um encontro e muita reverberação. Ler o texto de Mayra, passados alguns meses do nosso encontro, junto com Wagner, aqui em Salvador, comprova algo: estou mais atento ao minha coreogeografia, a esse terceiro endereço que hoje estou. Meu transobjeto tá vivo, pulsante – “meu canto tem trilha” sim, muitas. Coisas que antes descartava passaram a ser motor de idéias. Não que eu negasse o que sou, nem o que tinha na minha casa. Só não estava tão atento ao meu quintal. Por conseguinte, minha varanda e meu jardim não eram tão meus, não os reconhecia. De alguma forma, meu olhar mudou. Sintomático. Sintomas de algo bom por vir. Pois “todo mundo tem um cantinho escondido decorado de saudade”. E tô aqui cá com o meu, vasculhando…
Transobjeto Colectivo fue y sigue siendo una experiencia en la que muchos de nosotros nos confrontamos con inquietudes sobre la construcción de conceptos e ideas que nos llevan a formar parte de un proceso creativo. Como bien explica Maíra, el trabajo colectivo está compuesto por todas nuestras singularidades que co-existen, comparten e intercambian dentro de un territorio habitable donde existen fronteras permeables. En mi opinión es un ejemplo a seguir para abrir el “territorio” que a veces nosotros mismos cerramos. Gracias Wagner por haber posibilitado esta experiencia y a Maíra por acompañarnos.
Maíra,
você, com sua pesquisa, transitou na casa coletiva como uma “participante”,
vivendo o desafio dos demais 10 e 4 convidados,tornando-se 11a,tal sua percepção/vivência na Mostra do Transobjeto Coletivo.Ratifica no trabalho de Wagner Schwartz o questionamento de como fazer arte contemporânea.
…descobrir que no 3o endereço com o ëxercício de ser coletivo”,levando à prova singularidades,ainda se desfruta da surpresa das flores no quintal,nos cômodos,no jardim e como vale perceber
que se sai com elas,agora e…as sementes!!! mãos à obra.
Obrigada,Maíra, por estar junto,oferecendo tanto!!
Obrigada,Wagner,por continuar com as investigações,tecendo projetos em rede.
Seu texto é muito prazeroso, concordo com o Alexandre, e saber do projeto foi ainda mais prazeroso. Parabens a todos. Admiração e compartilhamento. Abraco forte, Nirvana Marinho
Tô achando lindo que esse espaço tenha virado uma tertúlia …quase festa, jeito de celebração…(assim, continuo dentro e perto de vocês). sem falar do meu orgulho e T em fazer parte disso!!!! através das palavras da maíra, entrei num universo que me parecia nuvem. eternecida,olhei para o céu e vi nuvens-estrelinhas brilhando, tantas formas diferentes, cores de um mosaico mutante e tão cheio de vida! o bom mesmo é a chuva refrescante que esse projeto traz, chamando atenção para as verdadeiras ‘ímportâncias’. o leite da minha vaquinha é nosso, e levanto aqui o meu brinde!!!
bem cheinha de carinhos,
Tertúlia Gong
este projeto foi uma grande oportunidade para pessoas que vivem fora de um eixo cultural efervecente como os dos grandes centros, beneficiou a comunidade levando a todos gratuitamente espetaculos de boa qualidade e com aprofundamento técnico e teórico; e claro a todos os artistas que tiveram a oportunidade de criar e conceber projetos reverberantes, sendo o transobjeto o veiculo que proporcionou todo esse fluxo de informações.
Maíra…
Satisfação em me de-parar com um texto tão poético. A satisfação é ainda maior quando me coloco de novo em contato com os transobjetos apresentados no territoria de terceiro endereço. Meu olhar nitido como o do girassol de Fernando Pessoa se beneficia de seu texto, que hoje faz muito sentido em mim. Parabéns pela escrita tão quanto os parabéns que o W. recebeu depois dessa primeira residência nos cerrados mineiros.
Um grande beijo…
Maíra!
participei da pequenina, porém empolgante, residência com o Wagner aqui em Salvador e, ao ler seu texto, pude fazer uma ponte frutífera com o resultado do trabalho de vocês em Uberlândia, várias questões se clarearam e ainda pude ver o dvd, muito bom. Parabéns! Espero dialogar com você mais vezes. Um beijo. Verônica.
Sobre Nós – Escrito Em Primeiras Pessoas
Aninha Reis, Juliana Penna, Wagner Schwartz
(Integrantes do Transobjeto-Coletivo)
Mama e Coragem (ainda sobre as vacas de Mário)
Na teta, no teto, de Glauber
a Torquato Neto.
Coletivo Cacho de banana.
Ihhh era ar qu e ia…
Hi Ear! Qui á?Poder da soulficiência de sabsab “clichets”
é ventos mesmos…
Mama.
Amam.
Cor, age!
Tudo está na mente uh mama!
Chor Age, tempo de cantar juntos
sucção: ação de fazer
suco.
Coletivo toda fruta,
que vem primeiro, o leite ou a mama?
Nossos objetos coreográficos se desenvolveram para observar artisticamente as ações culturais que reforçam as fronteiras das artes visuais, música, cinema, dança, teatro, objeto-cotidiano. Talvez estejamos falando dela mesma, da fronteira com uma dimensão política que nos permita entender esse elemento continente não como um modismo, mas como uma ação global que nos confronta diariamente.
Esse conflito nos deslocou de nosso espaço-casa nos expondo aos agentes das crises de identidade: (Salvo as polêmicas patológicas) não ser mais ator, não ser mais bailarino, não possuir etiquetas que nos identifiquem com a nossa classe de trabalho, não reconhecer no objeto resultante a função a que nos dedicamos durante muito tempo poderia nos ajudar a fabular outra forma de ação?… Seria possível neste enfrentamento de idéias intensificar alguma outra relação artística que não fosse a predestinada criador-e-criatura?.. A que parte do mundo interessaria essa idéia?
Segundo Deleuze, a arte é uma prática de observação e de problematização do real, de seu domínio pré-individual e ideal, de seus campos de individuação e fatores individuantes. Neste contexto corremos o risco de encontrar na construção do objeto coreogeográfico a identidade com a qual convivemos diariamente – identidade-ser que existe, vive e sobrevive em determinadas condições, se posiciona diante das questões que espontaneamente se apresentam da casa ao trabalho, do quintal à rua. Mas, como observadores, pensamos que nossas escolhas ainda se relacionam um pouco mais com o tamanho do espaço em que vivemos-construímos individualmente que com o tópico gastrenterológico «identidade»; e que essa poderia ser a primeira questão política a ser tratada antes de qualquer outra – a relação de um operário-artista que propõe a trabalhar sua autonomia-obra por meio do entendimento coletivo-geográfico. Mas a dúvida… Ainda estaríamos legitimando uma hierarquia-do-desconhecimento por meio dessas atitudes?
‘Arte não é talento, mas, sobretudo coragem’, gritou Glauber Rocha no ensurdecedor anos 60. Hoje, um pouco mais roucos, nos questionamos qual seria a atitude mais saudável para compartilhar nosso espaço glocal? Talvez um olhar menos reduzido aos casos que a vida apresenta já nos permitiria agir de forma mais inventiva, aficionada. Não conseguimos acreditar que Daqui estamos reduzidos a um estímulo do quase nada. Isso não seria muito interessante. “Toda invenção de pensamento nasce de uma discordância de sensibilidade que força cada faculdade a ‘sair dos eixos’”, lembra Deleuze novamente. E o que poderia vir a ser essa idéia de “eixo”? As discussões ad infinitum sobre identidade? As conotações pop-líricas, pós-arte, polítricas, pós-modernas sobre arte contemporânea? Como as estratégias de sobrevivência estão brotando como mato nos jardins dos parques públicos, seria possível ainda pensar a felicidade como a prova dos nove?
Aff…
PS: sobre o poema:
1.Escutar a música «Mamãe Coragem» no álbum «Tropicália ou Panis et Circenses» de Caetano Veloso.
2.Ler os dois volumes da biografia de Torquato Neto.
3.Assistir «Deus e o Diabo Na Terra Do Sol» e «Terra em Transe» de Glauber Rocha.
4.Conhecer um pouco da geografia de Milton Santos.
5.Ouvir toda a discografia de Gilberto Gil.
6.Ler «Macunaíma» de Mário de Andrade. Vale assistir ao filme de Joaquim Pedro De Andrade também. E para os curiosos, Grande Othelo nasceu em Uberlândia/MG e foi sepultado também nesta cidade.
7.Assistir ao filme «O Homem que Virou Suco» de João Batista de Andrade.
8.Tomar um «Toda Fruta» nos butecos de qualquer cidade do Brasil.
9.Escutar «Vaca Profana» de Caetano Veloso.
10.Viva o Google!