O idanca.net começou totalmente voluntário. Um sensacional diletante de programação, nosso querido Mauricio Fagundes, fez o primeiro site na mais nobre das linguagens de programação disponíveis em 2003: o que ele chamava dando risada de CPLP (copy paste language programming). Ou seja, recortávamos e colávamos pedaços de programação de outros sites e projetos de todos para montar o idanca. Ninguém percebia nada, porque o design era incrível, criado pelos designers Daniel Whitaker e Fred Reis.

Eu sozinha no começo, e logo depois a Sonia, fazíamos tudo com apoio de um estagiário que era pago como colaborações de pessoas da dança que acreditavam no projeto e davam em media 150 reais por mês que pagavam os custos de provedor e hospedagem e o estagiário. Faço questão de lembrar que o embrião do idanca.net nasceu antes, a pedido da Maria Rita Stumpft, que em 2002 me encomendou um zine de dança para o site da Antares. Sem aquele empurrão inicial, não teriamos começado nada.

O reconhecimento da importância do trabalho veio logo, com a visitação crescente. Em começo de 2005 batemos 100 mil visitas. Precisávamos crescer mas não havia grana nem tempo e a equipe, que a essa altura já tinha colaboradores fixos pensando junto, como a Nirvana, não conseguia dar conta de tudo. Havia muito a noticiar e dizer que não cabia nas seções do site. Mergulhei um sábado nas ferramentas de blog existentes e no domingo à noite estava no ar o blog do idanca. Rápido, simpático e fácil de postar e comentar, foi sucesso imediato.

A visibilidade internacional do idanca.net veio graças às parcerias com redes fundamentais como a Red Sudamericana de Danza, o então projeto lusófono Dançar o que é nosso (hoje estrutura maior e mais ampla que se tornou o projeto Alkantara) e a ietm. Seu aval e troca de informações fez com que fundações européias que apóiam o desenvolvimento cultural e a democratização do acesso à cultura nos recebessem e nos ouvissem. Foi assim que fomos selecionados para ser o único projeto de Internet em português apoiado em 2006 pelo Prince Claus Fund, da Holanda.

O idanca é ainda hoje uma das únicas fontes de textos em inglês sobre a dança brasileira na rede. Isso graças a dois anos de apoio total da Ccaps, importante empresa brasileira de tradução e localização que por sorte é dirigida por um artista disfarçado de executivo, Fabiano Cid. Hoje o idanca pode pagar suas traduções e tem o luxo de ter a artista e tradutora Julia Merquior.

Em 2006, a Petrobras nos convidou a sermos patrocinados, como parte de sua crescente atuação no mercado da dança contemporânea brasileira. Nosso primeiro patrocínio veio então no segundo semestre do ano passado e foi com ele que pudemos finalmente fazer o precisávamos neste momento: aceitar o idanca com o tamanho que ele tomou. Não um pequeno espaço onde um grupo de profissionais da dança podia comentar e divulgar o que acontecia, mas um ponto de encontro de muitos e diversificados conteúdos, em grande parte produzidos por nós e a nosso pedido – esta é a nossa vocação – mas também e cada vez mais conteúdos chancelados por nós, de outros sites, colaboradores e internautas. Agora todas a seções do idanca.net estão juntas e integradas numa mesma base de dados e o espaço de participação dos leitores ficou mais fácil, mais amplo e mais visível. Façam bom uso dele.

Este novo idanca.net é o nosso passo à frente na idéia de que somos sobretudo um ponto de encontro de conteúdos e pessoas da dança contemporânea brasileira e internacional. Uma noção de construção de comunidade que partilhamos e sobre a qual aprendemos muito com outras comadres cibernéticas, em especial Patrícia Cannetti, criadora do exemplar Canal Contemporâneo.

O mínimo planejamento e estabilidade que este primeiro patrocínio trouxe nos permitiu criar um grupo de colaboradores fixos do site (Nirvana Marinho (SP), Paulo Paixão (PA), Liana Gesteira (DF) e Maira Spanghero (SP)) e os colunistas mensais Helena Katz (SP), Roberta Ramos (PE) e Bruno Beltrão (RJ). Mais colaboradores estão por vir e dezenas de pesquisadores, artistas e críticos continuam regularmente mandando textos para nós.

Internacionalmente a lista de gente que publica seus artigos pela primeira vez no idanca.net é cada vez maior. Temos que agradecer também um apoio que desde o primeiro instante acreditou no nosso projeto – talvez pela experiência de saber o que sites similares representam em seus países. British Council, Consulado Geral da França no Rio de Janeiro e Instituto Goethe foram fundamentais para que tantos conteúdos que jamais foram nem seriam traduzidos para o português pudessem ser lidos, impressos, usados em aula, citados em monografias pelo Brasil.

Eu e Sonia ainda nos beliscamos para acreditar que o idanca.net ficou tão maior do que a gente pensava conseguir fazer. E isso só aconteceu porque a gente só fez mesmo uma parte dele. O resto ficou com vocês, que produziram conteúdo, traduziram textos, fotografaram editaram vídeos, repassaram nossa newsletter e falaram de nos por ai. Não tenho zeros e uns suficientes para agradecer a todos.

E tudo só esta acontecendo porque temos a Julia Lima, que há quase dois anos acorda e dorme postando no idanca e me aturando aqui no escritório ou no skype pelo mundo. Este novo momento do site recebe também o reforço da bailarina e jornalista Priscila Maia, que se chega à nossa loucura.

Naveguem e comentem. Mandem mails reclamando do que não gostaram, elogiem o que ficou mais bacana.

Parece conversa de marketeiro, mas é a pura verdade: este espaço é de todos. Mesmo. Inclusive é em parte mantido com o nosso dinheiro, via Lei Rouanet. E dinheiro dos holandeses, danke well. Usem sem moderação.