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Buscando anseios antigos com novas proposições, o evento Pública Dança, gestado pelo Coletivo Quadra Pessoas e Idéias , sediado em Votorantim (SP), adota como procedimento de investigação, uma problematização da cultura humana: Como, na civilização urbana atual, podemos conviver coletivamente e potencializar nossas habilidades no co-habitar? Nem precisamos voltar no tempo das tribos ou bandos para perceber as inúmeras negociações e alianças necessárias decorrentes da sobrevivência no viver grupal.
A aparente simplicidade do fato posto: “vivemos em sociedade e precisamos interagir de alguma forma”, quando levado para um ambiente de estratégias de criação e processos de trabalho colaborativos em dança, reviram estruturas estabelecidas de movimento e do fazer artístico.
E revirar as estruturas estabelecidas é quase uma especialidade do Pública Dança. Lá, tudo foge absolutamente do padrão habitual: as denominações [2], o encarte do evento, as explicações das atividades, as imagens impressas, a programação aberta, a ausência de cronograma prévio, entre outras rupturas do esquema “tradicional” de um evento de dança contemporânea.
Entre regras e transgressões, presentes no mundo da arte, a opção clara deste coletivo é de estabelecer a primeira pela segunda. Os confrontos decorrentes do ambiente transgressor proposto pelo Quadra Pessoas e Idéias são vários, assumidos e, até certo ponto, esperados por esta comunidade de dança que habita convictamente a cidade de Votorantim.
Para os que não a conhecem, esta cidade entrou no mapa da dança, já há algum tempo [3] pelas ações deste coletivo que convida, busca e leva personalidades da dança para conhecer o que fazem por lá. Votorantim, antigo distrito de Sorocaba, é habitualmente confundida com a empresa de cimentos homônima e fica a cerca de 100 km da capital São Paulo, formando um triângulo com Campinas. Uma cidade pequena, aproximadamente 100 mil habitantes, que a cada ano amplia sua convivência com a dança nas múltiplas inserções do Quadra.
As performances e intervenções cênicas em escolas públicas, nas feiras livres, nas aulas de dança para crianças e jovens no Núcleo de dança, no convite a centenas de jovens para jogar com o corpo e no projeto de potencialização de agentes culturais na região (Comunidade em Produção) são algumas das ações promotoras de mudança no ambiente local.
O Pública, como coloquialmente é tratado, em sua quinta edição, aconteceu entre 14 e 26 de maio deste ano, porém, segundo Rodrigo Chiba, o evento não é, em si, o mais importante.
Com o tema “Idéias transitórias para espaços solúveis” convidou a comunidade para pensar na questão norteadora do encontro: Em que ambiente você vive?
Várias atividades acontecem durante todo o ano, garantidas pela presença de patrocínio, tais como a FUNARTE (Prêmio Klauss Vianna), PETROBRÁS e outras parcerias institucionais. Algumas de maior permanência e continuidade, como as aulas regulares do Núcleo de dança e as criações cênicas do Coletivo, outras, próprias desde período, como interferências e performances artísticas, apresentações, conversas no café, oficinas e visitas de artistas convidados pela organização.
Os convidados circulam pela cidade e podem perceber como, fora do evento, a cidade recebe e conhece dança. Para quem chega pela primeira vez no Pública Dança, como foi meu caso, admiração e estranheza misturam-se.
A arte fica inserida na vida da comunidade, provocando um embaralhamento entre atividades cotidianas habituais e o fazer artístico, uma mistura entre dessacralização e banalização dela, ao mesmo tempo.
Como um mundo irreal e, subversivo, pode-se ver interferências artísticas em espaços públicos, em um jogo de corpo entre mais de 600 jovens da cidade, na sala de desenho de detentos da FEBEM, entre os participantes, em discussões virtuais, isto tudo ali, em Votorantim.
O eixo condutor de tanta multiplicidade é trabalhar coletivamente com liberdade de expressão, segundo Marcelo Proença, uma liderança (mesmo que não queira assim assumir) entre eles.
A ansiedade de tentar responder algumas dúvidas aquieta-se ao escutá-lo apresentar, quase sempre na primeira pessoa do plural, o termo “tecnologia do convívio”, e explicar calmamente o interesse do grupo em manifestar, com extrema liberdade, seus processos de trabalho em dança, dança esta que prioriza o corpo como possibilidade de ser neste mundo.
A força jovem e a disponibilidade dos corpos dos integrantes do Quadra são contagiantes. Muito me impressionaram as habilidades de comunicação dos participantes deste coletivo, que, diferente do que é rotulado como juventude, sabem bem articular o que desejam, seus argumentos sobre dança, com segurança admirável, gentileza no sorrir e convidar para estar-junto.
O Pública descortina alguns véus da dança e sabe muito bem divulgar o que produzem, mesmo que estejam mais focados no caráter processual de suas produções do que nas suas resoluções cênicas.
Como uma visita apreciadora, encontrei em Votorantim um “território flutuante”, onde não faço distinção clara entre realidade e ficção, desejando acreditar incessantemente em um ambiente que a dança, em suas múltiplas formas, possa estar no cotidiano e nos corpos da comunidade.
Parece que lá acontece um sonho hippie, anos 60 (sim, aquele sonho antigo de muitos), de arte como revolução, aliado a questões do terceiro milênio: responsabilidade social, educação para todos, desenvolvimento sustentável e ações inclusivas (sim, todos aqueles termos do terceiro milênio adotados pelo compromisso em um mundo melhor).
Muito do que vi, ascende uma esperança. Aceito bem a idéia de que a compreensão de procedimentos complexos no fazer artístico tem mais probabilidade de acontecer quando estabelecemos sistemas de trocas e intercâmbios. Experiências me afirmam que o trabalho colaborativo propicia um avanço nos relacionamentos, na capacidade de compreensão de um todo fora do particular.
Porém, suspeito que não seja tampando o espelho narcísico da dança e propondo um olhar ao/no outro que se desfazem os procedimentos “incorporados” de uma educação estética pautada na competição individualista (das carteiras escolares à barra de dança).
Muitos de nós buscam caminhos para isto e existem várias formas de estar-junto dançando. Percebo ainda que não basta agruparmos pessoas em torno de um ideal comum para que o trabalho torne-se colaborativo/grupal, e isto foi percebido pelo coletivo também.
Com esta proposta, o Pública corajosamente, desafia e transgride o mundo tradicional da dança. Leva com isto, muitos olhares curiosos e sonhadores para junto deles. Sabem se colocar no foco dos desencantados com as velhas fórmulas e buscam novas estratégias para encontrar a dança.
Ter estado lá foi um grande prazer e ajudou a remexer algumas questões de dança que gostaria de jogar com os leitores deste texto e colocar na roda para uma troca:
• Quais são as diferenças entre os trabalhos colaborativos, coletivos e cooperativos em dança?
• Como podemos trabalhar, em experimentos colaborativos, com pessoas de diferentes (in) formações e vivência de dança e que todos possam contribuir e interessarem-se uns pelo o que fazem os outros de maneira significativa?
• Para onde caminham os procedimentos investigativos da dança que não se preocupa com o produto artístico?
• Composição instantânea e aprendizado de movimentos: mudou-se o tempo do corpo no fazer dança?
Acredito que estas perguntas já foram feitas por muitos de nós, mas vale a pena repensarmos juntos de quantas maneiras, com mais ou menos facilidade, acertos e erros, vamos pensando e fazendo dança neste vasto país.
Pode ser que no meio de nossas trocas, o Quadra esteja agora adotando novos procedimentos e estes aqui abordados não sejam mais válidos. Tudo tem movimento e como eles próprios me disseram, quando você voltar, tudo pode estar diferente… E com certeza, vou voltar para ver.
Notas:
[1] Projeto “Cronologias regionais, hiatos e descontinuidades na história pré-colonial da Amazônia” de Eduardo Góes neves (MAE/USP).
[2] Tais como “Estudos indisciplinados sobre disciplinaridades”.
[3] A primeira edição do Pública Dança (ex-Fórum Pública Dança) aconteceu em 2003.
Eng









Já faz algum tempo que pretendia ir visitar este espaço em Votorantim, desde o ano passado quando a Quadra veio até a Unicamp e tentou mostrar sinteticamente como eles encaram a dança e a sociedade. Naquele tempo não compreendia muito bem a importância do pensar a dança mais afundo, e mais, concretizar ideologias. Particularmente esse ano tivemos aqui um evento que transformou concepções de muita gente, a Unicamp passou por uma greve junto com as outras universidades públicas. Os fatos acabam se calando pois ainda não conseguimos gritar muito alto. Nos falta voz. O Instituto de Artes, e reconhecidamente o curso de dança, teve uma participação efetiva em todo o movimento de greve aqui e a partir daí encorajamo-nos a repensar todas as estruturas que vinhamos aceitando. Se o Pública Dança já faz isso a algum tempo acredito que as estruturas da universidade também precisam estar sendo continuadamente rebatidas, principalmente se tratando de arte acadêmica. (o que é isso?). Durante a greve pudemos refletir questões básicas mas que podem nos impulsionar para indagações outras: O que significa um curso de arte na Universidade? Como a dança é vista e criada aqui? Qual é o real papel do artista numa universidade? Por que estou fazendo dança? São questões primordiais mas que assumidamente não estavam sendo pensadas por aqui. Ora, para que serve a universidade senão para construir uma sociedade mais digna e coletivamente mais participativa? Acreditamos sim no potencial de transformação que temos, mas para isso é preciso que discutamos o porquê e o como dessa transformação. É neste sentido que fico contentíssima em saber que existe perto de nós um espaço como o de Votorantim e espero que possamos nos próximos meses compartilhar discussões e ampliar para as universidades o que pretendemos ao fazer arte. Além de convidar a todos queles angustidos pela falta de autonomia reflexiva trocar conosco “pessoas e idéias’.
na verdade se todos tivessem essa chance que as pessoas tem ai em votorantim pode ter certeza que seria um país muito melhor tanto na aré de interação social como na formação de um cidadão ,sou professor de dança (hip hop ,axé ,funk ,ginastica,(body jam ,body pump),e esse é o caminho para felicidade não pela grana nem pelo estatos e sim pela formação de outra pessoa que voce leva para sempre junto com voce ,valeu um abraço e até mais ver xandi .
Tive a grata oportunidade de conhecer um pouco mais das idéias que o Quadra Pessoas e Idéias compartilha; no Pública Dança (Votorantim, SP) em junho deste ano. Penso Lílian, que “trabalhar, em experimentos colaborativos, com pessoas de diferentes (in) formações e vivência de dança” com contribuição e interesse de uns pelos outros é uma das maiores questões que a dança precisa levantar hoje. O “Quadra” consegue isso porque busca no cotidiano ações concretas para este fim. Fazem deste convívio não só uma idéia, mas um exercício diário, uma condição para a existência e a permanência de suas ações. E persistem nessa convivência que sabemos bem, não é nada fácil, por isso às vezes abandonamos alguns desejos de ações. Essa esperança misturada com a sensação de alívio que experimentamos quando convivemos com essa gente do Quadra tem para mim o nome de AÇÃO PERSISTENTE que permite conflitos, dúvidas e inclusive um turbilhão de idéias diferentes.
Abraços ! Fernanda Bevilaqua (Uberlândia, MG)
Conhecer o Quadra, Pessoas e Idéias incendiou, em mim e em todos aqueles que pararam para os ouvir, uma vontade tremenda de quebrar toda a estrutura feudal que ainda existe na cidade de Botucatu para mostrar e dar espaço a arte desvinculada de padrões, competição (tão grande aqui em Btu) e narcisismos…
Quero muito conhecer Votorantim e todos os trabalhos, todas as ações, todos os projetos do Coletivo, para
poder sentir toda emoção de um sonho com a aliviante certeza de que tudo é real e possível!
Espero que vocês possam continuar por muito e muito tempo espalhando e mostrando o trabalho de vocês, que tanto mexe com as pessoas, (mexe lá no fundo, beeem no fundo mesmo!!!)
Obrigada de coração por terem vindo a Botucatu!
Beijos e mais beijos saudosos!
Os corpos e os tempo hoje mudam rapidamente. Imagino que vivamos em “entresafras”culturais, de produções artísticas inúmeras, mas de enfoques, pensamentos e qualidades de corpos e tempo muito diferentes.
Quadra pessoas e idéias é um grupo que habita zonas experimentais. Penso que o produto artístico não pode ser pensado separadamente neste caso. O processo é arte. A proposta é o novo. Puramente “vida como forma de arte” citando Deleuze. Gosto que eles tenham sempre novos nomes para falarem de si mesmos e de suas práticas, pois fundam, disparam, inovam.
Sempre quis dançar em companias que habitassem o universo das relações, do processo, utilizando-se da estética colaborativa. Há algo de anárquico que imaginava, mas não sabia ser possível. Quando conheci o Quadra, rapidamente percebi que existe! É contagiante! Fico imaginando como foi que começaram…
Chiba, Ariane, Thiago e Dênis, desde que saíram daqui meus desconsertos triplicaram! Não sei se amo ou se choro!
p.s.-sou de Botucatu também!
NÃO TENHO PALAVRAS PARA EXPRESSAR A MAGIA DAS PESSOAS EM VOTORANTIM. AS EXPRESSÕES, O CARISMA, OS MOVIMENTOS, OS SORRISOS, AS DANÇAS, O CARINHO, ENFIM UMA FORMA DE SE ENXERGAR A ARTE DE DANÇAR DE UMA MANEIRA MAIS SIMPLES, HUMILDE, PURA E LIVRE.
MESMO VOCÊ NÃO DANÇANDO SEU CORPO SENTE A DANÇA AO VER ESSAS PESSOAS MARAVILHOSAS EM MOVIMENTO.
AMO IR PRA VOTORANTIM, AMO AS PESSOAS DE LÁ, AMO DANÇAR.
Fora um pouco do tema dança, achei muito interessante a forma que quem escreveu cita com tal importância nossa cidade que vem crescendo a cada dia que passa, conhecida como uma maquina de fabricar cimentos (realmente) foi dito claramente por Lilian Vilela, que volta ao assunto dança, dizendo que “Votorantim vem crescendo a cada ano ampliando sua convivência com a dança”, se tornando assim uma cidade com uma nova característica, pros que ainda não a conhecem direito, ela é caracterizada nesse texto como um “território flutuante”, não que isso a torne especial mais na minha opinião nada diferente de outras cidades mais entre elas, considero Votorantim também uma “cidade fértil” a espera de pessoas como vocês e muitos, para criar todo tipo de idéias, porque ela esta pronta pro que der e vier. Gostei muito de uma parte desse texto que diz que “parece que aqui vivemos um sonho hippie” é bem isso mesmo, era o que eu via e vivia, nos dias que participei do “Pública Dança”, mais não conseguia descrever, os anos 60 em 2007, uma viagem gostosa que pudemos vivenciar naqueles dias, pessoas alienadas criando sempre algo por causas que talvez nem pudessem seguir em frente, mesmo assim prevaleceram ali até o final seja por charme, por prazer, por atividade, por profissionalismo, essas são as pessoas que ajudaram a fazer esse texto e ajudam a fazer historia na nossa cidade e nos planos que fizemos, e servindo de exemplo para os que fizermos mais pra frente.
um texto bastante comprido esse, mais disse tudo que precisava ser dito.
Abraços, Cibely
Votorantim-SP
A dança alimenta a alma, o corpo…Traz Paz ao espirito e alegria ao ser.
Enquanto existirem pessoas, que dediquem sua vida a passar essa esperiencia ao proximo, havera esperança de um futuro melhor.
Dançar é ser feliz!
Parabens!
Eu sou uma pessoa de origens bens rurais, e como um bom mineiro que come quietinho, gosto muito de observar e muitas coisas pra mim é como se fosse uma novidade, e a Quadra de Pessoas e Idéias é uma delas, pensei como escrever um depoimento neste espaço, então, tive uma idéia na minha cabeça (que por sinal não é pequena) aquele questionamento do Pública Dança 2007:
Em que ambiente você vive?
E passou na minha na cabeça a imagem do meu falecido avô (que por sinal era pequeno, porquê tinha 1.53cm de altura), a forma como ele se dialogava, que até hoje, eu não conseguir identificar que tipo de língua ele pronunciava, enfim, abaixo segue meu depoimento.
(P.s: E eu neto do meu avô, não escrevo sempre como falo, pelo menos ás vezes, rsrsrs!!!)
Como meu avô sempre diria:
Conheci u Quadra di Pessoas i Idéias nu anu 2006 través dium tablóidi du Pública Dança, nuquar cuntinha textus qui mi chamô muita atençam, daí intrei im contatu cum elis puri inmail, dispois pur emiessieni i dispois pur urkuti, i infim, cunheci parti delis pessuarmenti im 2006 quandu vierô u Marcelo i u Felipe qui im Ipatinga/MG. Dispois dissu foi muita prosa puri inmail, emiessieni, urkuti, vídio-cunfirência, inté qui esti anu di 2007, fui convidadu purelis pra ir inté lá em Voturantim qui fica lá pras banda de Sum Paulu nu Pública Dança 2007, eiiita, aí sim conheci todu elis perssuarmenti. Mas duqui issu tive a oporduni… orpudanida… orpurtunidade di presinciar suas idéia, quipur sinal ié um trânsitu di constanti movimentu, ieu qui achei qui só ficaria zoiandu um eventu, cabei tendu uma surpresa, num dava pra ficar só zoiandu, ias idéia (iera tanta) qui surgium im um espaçu ou várius, ieu dentru dêsespaçu, iéra impussíver ficar paradu, foi uma interaçam muitu grandi, minha i di outras pessoa.
Veju a Quadra, além di artistas das dança, comuma redi di enformações, i essa redi istam inclusas im várius meius di comunicaçam seja pur um pedaçu de paper (tablóidi), virtuau, pessuarmenti iem pensamentu, purqê purondi elis passô ficô muita idéia i questionamentu qui sirviru pra dar novus rumus pru meu trabalhu i ficô muita saudadi dessi povu quié genti boa dimais. Icomu um bão mineiru incerru meu depuimentu comuma frasi bem minerês sobre u trabalhu qui a Quadra desinvorvi:
Uai, ô trem bão, sô!!!
Carlos Passos (Flux Cia. de Dança) – Ipatinga/MG.
muito legal o texto…. de um grupo muito especial
um trabalho belíssimo… de gigante proporção. Exemplar…….. …… .. !
A ARTE EM DIREÇÃO A VIDA! E NÃO EM DIREÇÃO AO PALCO (E SEUS UMBIGOS)!
também sou de botucatu e ainda as coisas não “assentaram” por aqui… estão pairando na minha cabeça……. .. … !
trocando:
- não sei, mas é fácil colocar a palavra “coletivo” antes do nome do grupo.. .. (que por sinal está bem na moda hoje em dia)…. difícil mesmo é realmente viver um coletivo….
- acredito que as diferenças são fundamentais num trabalho colaborativo!! podendo se complementar, entrar em conflito… assim vivendo, aprendendo.. evoluindo!!
- caminha para um NÃO PRODUTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- mudou-se o tempo, as velocidades, o clima mundial, as águas, o ar…. .. .. os animais que estão em extinsão… …. LOGO….
Arte é nossa resposta ao mundo, Arte é a parte mais íntima de meu ser. Arte säo as diferentes manifestacöes com que tentamos tirar da letargia a mesmice na qual as pessoas se acomodam. Fico contente ao ver outros artistas dando também o melhor de si, trazendo o improvável à realidade e transofrmando com o suor de sua inspiracäo a sociedade ao seu redor, seja ela em Votorantim, Roma ou Pequim.
Cita Lílian:
“Como podemos trabalhar, em experimentos colaborativos, com pessoas de diferentes (in) formações e vivência de dança e que todos possam contribuir e interessarem-se uns pelo o que fazem os outros de maneira significativa?”
Hoje posso dizer que a ação de Lílian Vilela estendeu as ações do Quadra Pessoas e Idéias. Quando mais pessoas podem escrever, opinar sobre estas questões, isso cria um pensamento fortalecido em rede para pensarmos processos colaborativos para as artes do corpo, capaz de rever nossos(artistas) conceitos para nos relacionarmos com outras idéias.
A ação de discutir através do trabalho de cada artística, seja qual for sua arte,(este texto de Lilian, por exemplo e os comentários de Isis Andreatta, Alexandre Garcia, Fernanda Bevilaqua, Mimi Tortorella, Marília Petrechen, Lívia Perozin, Cybele Gonçalves, Gustavo Melo e outros que estão por vir) fortalece a abertura que o processo “tecnologia do convívio” possui para discutí-lo (ações, relações, conceitos, significados, pessoas, arte, produto artístico…).
As pessoas que vêm para Votorantim, vêm para vivenciar nossos processos e podem dizer por experiência, o que nossas ações momentaneamente significam.Vemos o quanto esta discussão tem ganhado proporção, a medida que nossas ações contaminam as pessoas.
Agradeço a colaboração de todos que estão nesta importante discussão.
Não é fácil fazer junto!
Abraços a todos
Lidi Nascimento
Quadra Pessoas e Idéias – Votorantim – SP
Pensarmos hoje, sobre a solubilidade das coisas como sita Lilian quando aborda a questão “de que tudo não será como foi”, é compreendemos o movimento constante e orgânico destas idéias, pessoas e ambientes mutáveis de Votorantim e também de outros lugares. A abordagem que a pesquisadora Lilian fez sobre estes procedimentos (do Quadra Pessoas e Idéias) em movimento (não estáticos) mostram a generosidade e o respeito em não estancar algo fluido. Como se fosse possível acertarmos sempre, e não é.
É importante perceber nesta idéia de solubilidade, que o texto “dá conta” de evidenciar as relações existentes, construídas, momentâneas ou não, do convívio nas idéias, no corpo, na dança e os efeitos possíveis deste convívio. Fica um convite para quem quiser se aproximar destas idéias, pessoas e ambiente.
Um grande Abraço e muitas idéias.
Rafael Bricoli
Artista da Dança
do Quadra Pessoas e Idéias
Votorantim –SP.
http://br.youtube.com/user/quadrapessoaseideias
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=19688034
Agora achei este texto e o comentário tem mais sentido pra mim…
Moro em Uberlândia mg, tenho 18 anos e o pessoal do Quadra Pessoas e Idéias é muito louco! Eles estão já há uma semana em atividades no colégio que eu estudo (Nacional) e não consigo imaginar este colégio depois desta turma, tudo ficou claro pra mim sobre imagem, gente mecanizada, comportamento contemporâneo e relacionamento, eles são capazes de deixar 900 caras (meus amigos) calados durante minutos para ver o que eles podem fazer com o corpo, com as idéias que eu acho ousadas e extravagantes demais para nossa pequena “realidade”, estou alucinado, é bom demais. Me desculpe por não saber mais sobre este site, mas quando vi eles por aqui também achei ser um bom motivo para ver e saber… Meus amigos estão restreando a net atrás do Quadra – Naça bom, quentinho.
Renato Alcântara – 18
Cara,eles são execelentes (Quadra,pessoas e ideias)! (: Fizeram uma apresentação no meu colegio,Nacional de Catalão,provocou uma grande curiosidade na maioria dos alunos e além de tudo são muito divertidoos! :}
« Acompanho o Pública Dança desde as primeiras edições, sempre admirei, acreditei e torci muito pelos intentos do Quadra Pessoas e Idéias, dos quais me fiz uma verdadeira ‘garota propaganda’, por espalhar aos quatro cantos os grandes feitos destes em Votorantim. Triste então fiquei quando ao participar do último encontro, dentro do Espaço Solúvel, me deparei com uma série de incoerências entre o discurso e as práticas lá vivenciadas. O trabalho de aproximação e troca com a comunidade continua sendo o ponto forte, mas o diálogo entre eles mesmos e destes com outros artistas
está se embarreirando num radicalismo perigoso, tanto no pensamento da arte produzida por eles, quanto nas regras estabelecidas nas tais tecnologias de convívio. Espero realmente que as questões expostas por todos os artistas convidados do Espaço Solúvel, sejam profundamente analisadas, e que não se dissolvam na onda onde ‘tudo está maravilhosamente bem e sob controle’. Percamos o controle e voltemos às descobertas! »
Karenina de los Santos
“Vejam bem, não estou aqui, agora simplesmente falando mal ou outra coisa, mas concordo que é preciso colocarmos a mostra o que realmente aconteceu, não somente para desmentir ou ir contra o texto publicado no idança, mas para tornarmos público que mesmo um grupo que se propõe a transgredir as regras, a criar uma tecnologia do convivio, mesmo este grupo ainda se vê preso ao sistema, a um conjunto de pré-conceitos contra os quais, nós devemos lutar contra. É um grupo que pensa nestas questões mas que ainda tem dificuldades para não vivê-las.”
Luciano
« Após trabalhar algum tempo como colaboradora do Quadra e conviver com diversas potencialidades e ações engajadas na tarefa de construir um sentido de comunidade a partir das diferenças, sinto-me na obrigação de me retratar em relação ao encontro Idéias Transitórias para Espaços Solúveis. Todos sabemos da importância das ações desse coletivo na cidade de Votorantim e o quanto suas medidas têm aberto espaço em alguns eixos da comunidade. No entanto, é preciso aprofundar o olhar e disponibilizar espaços também para a crítica(e a auto-crítica) imanentes a qualquer projeto que se disponha a gerar consciência política, autonomia e emancipação em suas premissas.
A primeira impressão que guardei depois do “Espaço Solúvel” foi a diferença entre o que seria gerir um coletivo e o que seria dissolver-se nele.O Pública Dança é produzido, pensado e dissipado segundo o formato de um determinado grupo estável de pessoas(Quadra-Pessoas e Idéias). Esse grupo ou coletivo se gerencia seguindo normas e restrições internas(produzidas e assimiladas por eles, coletivamente ou não), o que não configura o menor problema, desde que seja algo assumido publicamente e não mascarado pela propaganda de formas mais abertas de funcionamento.
Ao chocar esse coletivo estável com pessoas de outras localidades e, principalmente, desterritorialidades(ou seja, pessoas não apegadas a sistemas específicos, ou no máximo autônomas o suficiente para viver em seu próprio sistema) e propor a formação de um coletivo temporário(duas semanas), o ideal seria deixar que as coisas se conduzissem sozinhas(ainda mais quando se fala em transitoriedade e solubilidade).
O nosso encontro foi pautado de restrições que já estavam lá quando chegamos(aliás, antes de chegarmos, pois recebemos a programação do Espaço Solúvel por e-mail, todo o cronograma das 14hs às 19 hs, durante uma semana), de forma que a nossa postura foi a de nos integrar a um modus operandi que já estava ali. Não posso dizer que houve um controle total das ações, pois existiu uma certa liberdade de troca, mas de qualquer forma, não sei se o que se formou foi um processo coletivo. Até que ponto utilizar um grupo de pessoas para gerir um corpo igualitário tem a ver com dissolver-se em algo?Nesse sentido, utiliza-se a idéia de coletivo como massa e não como um conjunto de singularidades capazes de auto-organização.
Poderíamos dizer que enquanto uns se dissolvem, outros apenas gerenciam e isso seria um processo normal que pode transitar e se inverter, num sistema de hierarquias móveis. Bom, não tivemos tempo de investir nessa oposição.As pequenas trocas que tivemos foram resultantes das lacunas na programação, então não houve espaço para que as hierarquias fossem invertidas.No fim das contas, acho que saímos com uma visão panorâmica(falsa ou não) do que é aquele espaço. Imagino que eles, do Quadra ficaram com uma visão bem parcial do que somos, já que a “troca” foi investida quase numa via de mão única.
De qualquer forma, foi muito válido, sobretudo porque as estruturas foram abaladas e estão gerando questionamentos sobre essas formas colaborativas de trabalho. Imagino que aquele coletivo estável também esteja coadunando as turbulências causadas, ao modo usual de trabalhar, a fim de encontrar um meio termo. »
Andréia Nhur
“Oi,
Participamos do Espaço Solúvel, e queremos aqui escrever para compartilhar as nossas sensações e interrogações ligadas a nossa estadia em Votorantim e que até hoje persistem.
Primeiro, queríamos relevar a força, o entusiasmo, e a energia do Quadra, que nos impressionou bastante, como também o tamanho do projeto, a sua implantação na cidade, a sua relação com os cidadoes – ficamos impressionadas pelo jeito deles de transformar a arte da dança numa rede social. Ficamos também impressionadas pelo trabalho forte de desenvolvimento das capacidades a se sentir a vontade na frente de muita gente, de falar e se mover em publico.
As poucas informações que tínhamos sobre o porque da nossa presença dentro do Espaço Solúvel paradoxalmente criou esperas e questionamentos. Então, depois de ter conversado algumas horas (sobretudo com Marcelo e Chiba) sobre o as origens do projeto, a sua evolução, o seu modo de funcionamento, as suas atividades, os seus objetivos, ficamos bem surpreendidas de trabalhar dentro de um espaço fechado em vez de colaborar mais dentro da Quadra mesmo. Até hoje esta difícil para nos de fazer a ligação entre a Quadra e o Espaço Solúvel, e nos questionamos ainda sobre o porque das presencias de nos todos.
De fato, o Espaço Solúvel nos pareceu ser mais um tipo de workshop sem temática definida, sem problemáticas estéticas e faltando por isso de sentido para nos. Foram estes motivos que tentamos questionar com eles, membros da Quadra, durante a nossa estadia, mas ficamos bem surpreendidas pelas reações de eles e pela dificuldade em entrar todos juntos em dialogo quando começávamos a questionar as propostas deles.
Ai vem também a questão da definição do projeto geral do Quadra que eles fazem muito questão de explicar, deixar claro, de dar informações. O objetivo deste projeto não é, como falou Bricoli numa roda com publico, de formar artistas, mas de desenvolver pessoas.
Pensamos sinceramente que este tipo de iniciativas (o Espaço Solúvel) é primordial, fundamental mas se ele é pensado de um ponto de vista estético e relacional. Fiquemos chocadas pela ausência de dialogo e pela aparição, pouco a pouco, de um pensamento único no somente da dança contemporânea mas também da relação e do trabalho. Hoje, estamos tristes de não ter conseguido colaborar, comunicar, trocar idéias sobre as nossas visões respectivas da arte. E pensamos que este modo de pensamento, esta atitude frente a arte e a vida pode ser extremamente perigosa e todos nos conhecemos os seus limites e seus efeitos perversos.
Então para nos, toda a força desta experiência em Votorantim não foi nunca artística, mas foi a descoberta do sistema singular o Quadra constrói e a troca de idéias sobre este sistema com os artistas convidados e com as pessoas do Quadra que não aderem plenamente a todo ele. Pessoas que admiramos por ter guardado um sentido critico próprio, um vocabulário próprio, projetos próprios.
O sistema que o Quadra constrói nos apareceu unilateral e muito controlador : sentimos que tínhamos que aceitar ele, falar sim a todo. Sentimos uma ausência de respeito para nos, nossas costumes, nossas vontades. Em resposta a todos os desacordos o “problemas” que tivemos com o Quadra, teve uma fala de Marcelo em grupo, para denunciar um comportamento não tolerável, mas sem que seja lembrado o contexto do Quadra , sem que seja lembrado que é um tolerável, intolerável, um bem e um mal inventado por eles. Pudemos notar que muitas vezes as conversas artísticas em grupo grande acabavam tendo um caráter moral, ligado ao comportamento. Este tipo de moral não pode ser aplicada e esperado de qualquer um que chega para conhecer eles. Vimos uma vontade grande de controlar a informação e achamos realmente que esta atitude é um pouco paranóica e perigosa.
Achamos que sendo um coletivo que mistura propostas artísticas com “desenvolvimento de pessoas”, seria necessário procurar não só um espaço de negociação mas de contradição, de desacordos, de afirmação de idéias próprias, de vontades próprias, um espaço que possa dar as chaves a cada um para pensar de um jeito individual, único, dentro de uma proposta de grupo. De fato, se, por um lado, quando chegamos logo no primeiro dia, ficamos ambas muito impressionadas pela faculdade deles a comunicar o máximo de informações sobre o Quadra a traves de uma circulação continua da fala entre eles, também notamos a sua extrema homogeneidade, qual seja seu conteúdo.
Para nos, isso revela uma atitude e um modo de pensar a relação ao outro muito problemáticos. E neste sentido que nos perguntamos muito sobre a atitude deles com as pessoas do Quadra que não estavam membros completamente formados por eles, mas chegados mas recentemente, com pontos de discordância, tal como Leo, Andréia, Gabi, ou Dane, pois o Quadra pediu para eles de sair do Coletivo.
Para chegar a escrever isso, claro que a experiência foi rica e não nos arrependemos por nada de ter ido para Votorantim e conhecer o Quadra. Mas fica para nos uma impressão de um poder forte, infiltrado em vários níveis, nas regras, na organização das coisas, na linguagem, nas repressões fortes de quem não faz como deveria, no controle da informação. Quadra tem um poder informativo, em termos de comunicação e objetivos de expansão internacional, que achamos muito bem organizado e forte, mas sentimos importante questionar tudo isso que jamais vai aparecer na comunicação deles e no jeito que deles descrevem as coisas que fazem; só da para sentir isto na convivência, e não somente visitando eles rapidamente, como parece que é o caso com a maioria das pessoas que falam ou escrevem sobre o trabalho deles.”
Enora e Margot
Espaço Solúvel por Helena Vieira
“O motivo e o desejo que me fez aceitar (e creio que assim era para cada artista) foi fundamentalmente por apostar em pessoas com boas propostas para a descentralização das idéias, das verbas públicas e do pensamento ultra-erudito que afasta pessoas de pessoas, dito de outra forma, que afasta a comunidade dos artistas. Isso tudo saindo das bocas e corpos de um grupo de jovens que resolveram pensar sobre isso desde uma cidade pequena a uma hora da maior metrópole da América do Sul. E que, portanto, poderiam facilmente ser engolidos por ela (para o bem ou para o mal). Isso indicava novo fôlego para encarar as questões de sempre: como fazer e produzir dança, seja aqui ou em qualquer outro lugar. Esses jovens conseguiram parte do sonho: de fato levaram o olhar dos grandes centros para àquela pequena cidade de forma horizontalizada, quebrando e se protegendo da idéia de quem vai para a cidade pequena, vai para ensinar. È notório que para eles essa é uma idéia a ser demovida. Mas seria esse pensamento suficiente para levantar questões e investigações sobre dança e fazer com que as mesmas reverberem no fazer artístico de cada um dos vinte artistas ali reunidos?
Ao término de duas semanas vivenciando a forma como eles organizaram o evento, nos reunimos com o grupo para a avaliação do projeto e colocamos para eles o que nos inquietou:
1. O que é para eles a troca, o intercâmbio de idéias diferentes?
2. O que é uma relação sem hierarquias?
3. O que é um coletivo?
4. Qual é a eficiência e o limite das idéias instantâneas? Para quem elas são úteis?
5. Qual é o alcance das idéias no seu estado bruto, improvisações sempre?
6. Como se dá essa relação de mão única entre quem faz e produz arte?
Não pedíamos respostas imediatas e sim, reflexão. Compreendo e entendo a certa revolta (vou chamar assim, pois é um tema que pesquiso e me interesso) e a força de um grupo que tem na dança um modo de vida e que não está disposto a se submeter às subjetividades de quem organiza, pensa e produz dança no país. Isso está claro, mas chegará a um limite cedo, assim que esse rompimento for compreendido por todos, enquanto que a energia e o tempo dedicado a uma mudança no fazer artístico, essa talvez possa durar muito mais tempo e ser mais efetiva para o público em geral.”
“Considerando minha experiência no Espaço Solúvel, Publica Dança 2007, eu gostaria de compartilhar minhas reflexões sobre o discordo fundamental que eu encontrei na estratégia usada pelo Quadra.
Acho interessante como o Quadra tira a dança e a cultura do seu contexto elitista. Eles conseguem isto apresentando dança como o produto comercial. Eles tem uma forte e atrativa estratégia de comunicação e o material que produzem para publicitar os seus eventos é atraente e acessível (fresco, jovem, camisas coloridas ao estilo Benetton, etc.). Isto acaba sendo relevante na chamada de atenção de inumeráveis pessoas e que faz que a dança seja vista como uma arte próxima e publica.
Esta estratégia pode ser muito eficiente para ter mais publico, mas qual é a diferença com um outro produto que qualquer um pode vender?
A primeira diferença esta na estrutura de Quadra. Eles se definem como um coletivo em vez de uma companhia de dança e estão integrados à comunidade da cidade, tendo como objetivo de aumentar consciência artística na região. Criando propostas alternativas de cooperação e coabitação, com todas as suas implicações sociais e políticas.
Na teoria, isto parece muito bom, não é fácil de realizar, e minha pergunta é como usar um tal sistema de “marketing” para levar conteúdos diferentes, sem ser engolido por ele.
A idéia que eu tive durante minha estadia em Votorantim é que Quadra, para conseguir fundos que são absolutamente necessários para que o trabalho possa ser feito, criou uma forte imagem de um coletivo que funciona, e assim demonstrar que as diferentes modalidades de coabitação são possíveis.
Mas, participando no Espaço Solúvel, senti que esta estratégia afetava a pratica artística, restringindo o seu potencial.
Um efeito indireto da relação com o mercado é que a imagem projetada do grupo precisa ser forte, sempre confirmando seus princípios fundamentais. No caso do Quadra, eles sempre mantém uma imagem forte de unidade e funcionalmente, que esta sempre manifestada pelo acordo incondicional e general entre os membros do Quadra. Infelizmente esta atitude foi mantida durante os processos artísticos no Espaço Solúvel também, tendo como efeito de limitar as trocas entre os participantes. O comportamento homogeneizado produziu principalmente praticas simplistas. Como exemplo, o segundo momento do encontro proposto pelo Quadra: Estudos indisciplinados sobre disciplinaridade. Este estudo consistia num sorteio que decidia de quem no grupo ia ser o “propositor” e quem o “interprete”. Ai, o “propositor” tinha um tempo limitado (15-20 minutos) para propor uma “idéia” para os “interpretes”, que iam depois mostrar para o resto do grupo. A proposição em si tinha todo o potencial de abrir para um dialogo artístico entre os participantes, mas em vez disso, sempre ficamos bloqueados em conversas morais, ou exercícios vazios. Isso era um pouco previsível pois as criticas ou sugestões sobre esta pratica, feitas por indivíduos, foram bastante ignoradas. Enquanto participante, senti que não tinha a possibilidade de trocar meu conhecimento, nem meu trabalho ou minha idéias dentro do formato do projeto.
Esta atitude conservativa e protetora reduziu o nível de dialogo entre os participantes pois, segundo minha opinião, diferencias individuais são o motor de uma pratica coletiva.
Processos colaborativos implicam um certo nível de inter-relaçoes complexas entre indivíduos que são fundamentais. Aqui, eu falo de uma complexidade com a quantidades de camadas de informações e experiências que estes indivíduos podem trocar, conversar e experimentar dentro do processo.
Desacordos, dificuldades e problemas produzem perguntas que são a base de qualquer produção de conhecimento. Mas em Votorantim, cada problema era atenciosamente evitado com acordos aparentes e sorrisos grandes.
Por isso o nível do trabalho fica num nível bastante superficial, neutralizando seu próprio potencial. Porque ele certamente procura mais pessoas, mas seu conteúdo não propõe nem manifesta algum sistema alternativo de pensamento, diferente dos que existem e são bem estabelecidos.
Os membros de Quadra são bem articulados em teoria: eles propõem mudanças e conhecimentos compartilhados sobre produção, o que, para mim, tem conseqüências sociais e políticas muito importantes.
Porem eu sinto que a pratica deles é poucas vezes coerente com a teoria que eles dizem querem seguir. Já na natureza da organização deles : Quadra é um coletivo, que para me significa um grupo de pessoas que procura estruturas alternativas para desenvolver processos artísticos. Isto implica que o produto artístico não seja uma emanação de um única pessoa mas que seja o resultado de um intercambio entre os seus membros. O desafio maior para qualquer coletivo é de repensar as relacionamentos estabelecidos entre seus membros e dentro da sociedade, para não reproduzir as estruturas hierárquicas existentes.
No espaço solúvel as estruturas hierárquicas eram manifestas em toda a organização do projeto. Por exemplo, o maior foco de todo o projeto estava no Estudos Indisciplinados sobre Disciplinaridade , demonstrado pelo fato que foi a única parte do Espaço Solúvel a ser apresentada ao publico, e para a qual Marcelo, que para mim é o líder do grupo, participou.
Esta grande decepção, na minha experiência com Quadra, esta na falta de coerência entre os conceitos eles usam e a realidade do trabalho deles.”
Valentina Desideri
Versao inglesa (original) :
“Considering my experience in Espaco Soluvel, Publica Danca 2007, I would like to share my reflections about a fundamental disagreement I found in the strategy used by Quadra.
I find interesting the way in which Quadra removes dance and culture from an elitist context. They achieve this through presenting dance as a marketable product. They have strong communication skills and the material they produce to advertise their events it is accessible and appealing (fresh, young, Benetton-style colourful t-shirts, etc.). This could be a relevant strategy because it raises interest from a wider number of people, it makes dance and art accessible and public.
This can be a very efficient strategy to enlarge audience but how it differs from any other product that one can sell?
The difference is first of all in the structure of Quadra. It defines itself as collective rather then a company, it is involved with the local community and aims to raise artistic awareness in the region. This means proposing alternative ways of co-operation and co-habitation, with all its socio-cultural and political implications.
Although in theory this all sounds very good, it is not so easy to realize and my question is how to use such a ‘marketing’ system to convey different contents and not to be captured in it.
The idea that I got during my time in Votorantim is that Quadra, in order to get funding which are absolutely necessary to make the work happen, created a strong image of a functioning collective which can demonstrate that those different modalities of co-habitation are possible.
However, by participating in Espaco Soluvel, I felt that this strategy affects the artistic practice, restricting its potential.
A side-effect of embracing the market is that the projected image of the group needs to be strong, always asserting its fundamental principle. In the case of Quadra they always maintain a strong image of unity and functionality which is manifested by the general unconditional agreement between the members of Quadra. Unfortunately this attitude was maintained during the artistic processes in Espaco Soluvel too, having as an effect a limited exchange amongst participants.
This homogenised behaviour produced mostly simplistic practices. As example the second moment of the encounter proposed by Quadra: Undisciplinary Studies of Disciplinarities.
This study consisted in a draw (sorteio) that decided who in the group was the ‘proposition maker’ and who the ‘interpreter’. Then the ‘proposition maker’ had a limited time (15-20 min) to propose an ‘idea’ to the interpreters who would then show it to the rest of the group. The proposal in itself had the full potential to open an artistic exchange amongst the participants but instead it always got stuck either in moral discussions or empty exercises. This is not so unpredictable when any critic or suggestion to the practice made by individuals was pretty much ignored. As participant I felt I did not have the possibility to share either my knowledge, work or ideas in the project frame.
This conservative and protective attitude reduced the level of exchange between the participants, as, in my opinion, individual differences are the motor of a collective practice.
Collaborative processes imply a certain level of complex inter-relationships amongst individuals that are fundamental. I here intend complexity as the many layers of information and experiences those individuals can share, discuss and experience together in the process.
Disagreements, difficulties and problems produce questions which are at the base of any knowledge production. But in Votorantim any problem was carefully avoided with apparent agreement and big smiles.
Thus the level of the work stays on a rather superficial level, neutralizing then its own potential. Because it certainly reaches more people but its content does not propose nor manifest any alternative system of thought different from the existing and well-established ones.
Quadra’s members are well articulated in their theory: they propose changes and shared knowledge production, which for me has very important social and political consequences.
However I feel that their practice is rarely coherent with the theory they set themselves to follow.
Already in the nature of their organization: Quadra is a collective, which to me it means a group of people that search for alternative structures to deal with artistic processes. It implies that the artistic product is not an emanation of a single person but it is result of the exchange amongst its members.
The hardest challenge for any collective is to re-think the relationships established amongst its members and within society, in order not to reproduce the hierarchical existing structures that tries to contrast.
In Espaco Soluvel the hierarchical structures were manifested in the overall organization of the project. As example, the main focus of the whole project was put on the Undisciplinary Studies of Disciplinarity, as demonstrated by the fact that it was the only part of Espaco Soluvel presented to the public and to which Marcelo, who appeared to me to be the leader of the group, participated.
The big disappointment, in my experience with Quadra, was the lack of coherence between the concepts they use and the reality of their work.”
Valentina Desideri
“Atenho-me à experiência que tive durante as duas semanas no Pública Dança de 2007, especialmente no Espaço Solúvel, um encontro entre diversos artistas de diversas nacionalidades junto com os componentes do Quadra Pessoas e Idéias. Apesar de conhecer o trabalho desenvolvido pelo Quadra desde meados de 2005 e ter ido várias vezes à Votorantim para debater sobre práticas artísticas e culturais e apresentar a minha produção cênica, esta foi a primeira vez de fato que eu fui convidado para uma troca, um intercâmbio artístico entreo grupo de Votorantim e outros criadores — alguns também conhecedores do Grupo de longa data e outros travando o conato pela primeira vez.
Lilian Vilela cita no seu artigo a respeito da experiência do Pública Dança 2007 que ” (…) entre regras e transgressões, presentes no mundo da arte, a opção deste coletivo [Quadra Pessoas e Idéias] é a de estabelecer a primeira pela segunda (…)”. Bem, acredito que eles possuem um comportamento transgressor em relação às atividades desenvolvidas em e para a comunidade de Votorantim, na busca de disseminar a cultura de dança em diversos setores sociais daquela cidade. Mas com relação à troca no Espaço Solúvel (atividade na qual Lilian não participou e somente assistindo seus “resultados” que, de comum acordo entre os participantes, eram somente uma etapa de um processo), coloco em foco esta idéia de transgressão levantada pela autora como ponto a ser discutido. A transgressão que, naquele momento, junto com os criadores lá reunidos poderia se dar a partir de um real intercâmbio teórico, prático, estético e ético, ficou estagnada e presa às regras (convenções até mesmo tradicionais de enxergar as diferenças) do próprio fazer do Quadra,não havendo uma real contaminação das idéias. Acredito que faltou um enxergar com tolerância práticas artísticas que poderiam até serem divergentes do fazer do grupo de Votorantim, mas que estão imbuídas de um construir num fazer constante, de experiências inidividuais que não foram realmente postas em jogo porque já existiam regras pré-estipuladas pelo Quadra para este convívio artístico entre o grupo e os criadores convidados. Para mim, o ato artístico transgressor abriga o risco, a dúvida, o vazio por estar este ato fora da organização convencional de uma práxis pré-estabelecida, apontando para outros modos de fazer/pensar, seja em colaboração ou individualmente.Talvez fosse transgressor se estivéssemos todos num terreno de real colaboração, de decisão mútua, sem regras à priori do que iríamos fazer e experienciar em conjunto e utlizando experiências particulares e totalemnte instigantes que cada um dos artistas convidados também gostariam de compartilhar, sem enquadrá-las dentro de um formato que teria que ser seguido “à regra”.”
André Masseno
“Creo que lo que mas puede servir combo punto de discusión acerca de la danza en la actualidad en relación a lo sucedido en Votorantim tiene que ver con el cómo integrar a la danza en un marco de desarrollo social, salir de los espacios artísticos cerrados, llegar con el arte a la gente y usar la danza como como una vía para lograr objetivos de orden social como la educación por ejemplo.
Esto enmarcado en una realidad Latinoamericana donde esta idea de llevar la culturla a la comunidad está en auge.
Entonces el tema interesante, la cuestión sería si es necesario simplificar el arte y los procesos creativos para poder lograr el entendimiento por parte de todos ó si lo bueno( y soy de esta opinión) es lograr buenos procesos creativos, que generen obra interesante y que todos podamos comprenderlos según la vivencia de cada uno, con nuestras vidas, recuerdos, identificaciones y los diferentes tipos de información con los que contamos todos y cada uno de los seres humanos.
En este punto creo que las personas de Quadra tienen la idea de que las cosas simples, sin procesos de investigación, espontáneas son las válidas y eso lleva a que la obra generada sea de poco interés en cuanto a danza contemporánea.
Sería interesante como latinoamericanos poder posicionarnos desde el quehacer artístico en cuanto a danza en el tener procesos de investigación cada vez más ricos y profundos…en generar colaboratorios que apunten a eso y no a superficializar y simplificar en aras de democratizar la cultura .
Creo que el otro punto a tener en cuenta acerca del cual cuesta creer que hayamos tenido que hablar a esta altura de la historia es de la importancia del respeto hacia el pensamiento de los otros, la tolerancia, la libertad , lo rico de las diferencias, el poder escuchar, todos elementos fundamentales en el proceso creativo y en el intercambio que no se dieron y tuvimos como resultado un muy escaso intercambio en el espacio soluvel donde fue muy difícil poder hablar de creación y procesos. “
Paula
“Quisiera presentar algunos de los aspectos que, según creo, dificultaron un verdadero intercambio entre los artistas y pusieron de manifiesto una forma de funcionar del colectivo Quadra Pessoas e Ideias que, desde mi punto de vista, dista mucho de ser una modalidad abierta y creadora de diálogos y se acerca más bien a los mecanismos propios de una verdadera doctrina cerrada y autosuficiente cuyo objetivo principal es captar adeptos para perpetuarse idéntica a sí misma.
Aspectos del Espacio Soluble:
• El formato propuesto por Quadra excluía un espacio en el que los artistas que tuviesen trabajos registrados los mostraran. Este espacio fue solicitado y denegado, consolidándose entonces fuera del cronograma establecido y en un espacio informal. Esta actividad causó resquemores en el colectivo quien consideraba que todo lo realizado fuera del formato propuesto atentaba contra el mismo y contra la comunicación entre los participantes. Fuimos acusados de “ocultar información” por juntarnos a ver los dvds de esos trabajos, previo aviso e invitación extendida a todos.
• Los espacios nombrados como momento 1 y 3, dentro del formato, estaban destinados a utilizarse con las propuestas de subgrupos de cuatro personas provenientes de distintos lugares; sin embargo, el foco estaba puesto en el momento 2, momento central del encuentro diario, en el que se desarrollaba la propuesta de Quadra bajo el liderazgo –nunca admitido, por cierto- de Marcelo. Entiendo que el foco estaba puesto en esta actividad porque era precisamente la única de la cual participaba este miembro. Esto nos hizo descubrir rápidamente que el interés estaba en mostrarnos su forma de funcionar y no en ver e intercambiar criterios.
• Las actividades propuestas por Quadra en este espacio consistían, en su mayoría, en sorteos mediante los cuales se agrupaba al azar a las personas, exigiéndoles que produjeran, ya sea instantáneamente, ya sea en un espacio cronometrado de 20 minutos, un trabajo para mostrar allí y que otras personas, también sorteadas, deberían analizar, criticar, etc, en el acto. La repetición de este procedimiento comportaba el problema de la sobrevaloración de la espontaneidad, admitida como el único modo de creación factible de ser discutido en este ámbito, lo cual nos alejaba de la idea que supuestamente alienta el proyecto, a saber el concepto de “procesos colaborativos”. ¿De qué procesos podemos hablar cuando su máxima duración es de 20 minutos?
• Los trabajos y las discusiones provocadas por los mismos eran manipulados por los miembros de Quadra de distintas maneras: 1. proponiendo un tema que no parecía derivarse del trabajo concreto sobre el que se estaba hablando pero sobre el cual el colectivo tenía una postura firme que quería extender entre nosotros (en general temas de carácter más bien ético que estético); 2. juzgando de “académicas” las intervenciones de personas que hacían referencia a algún marco teórico y devaluándolas por este motivo como si el conocimiento formal o académico no tuviera lugar allí; 3. proponiendo “juegos” cuya solución ya estaba estudiada y no eran más que pretextos para derivar discursos aleccionantes para el grupo (sobre todo a medida que iban sintiendo menguar nuestra receptividad) y que tendían a recalcar nuestra falta de compromiso con el proyecto.
Otros aspectos:
• El proyecto actual del colectivo involucra a personas menores de edad, algunos en calidad de becarios (reciben dinero por asistir a las actividades) y otros como miembros propiamente dichos -“profesionales de la danza”- que trabajan en producción, creación, etc., en todos las tareas que implica el proyecto. Estos jóvenes a los que se les otorga roles de adulto a través de tareas de alta responsabilidad, han sido formados y siguen formándose en el interior del colectivo, pero no tienen acceso a otro tipo de información, son disuadidos de integrarse al sistema educativo formal a nivel terciario, si bien terminan la secundaria. El pensamiento fuertemente antiacadémico y antiuniversitario que está arraigado en el colectivo no les da muchas opciones a esos jóvenes que se sienten profundamente comprometidos con el proyecto y quieren seguir en él.
• El último día de nuestra estadía en Votorantim tuvimos una conversación con todos los miembros del Espacio Soluble para tratar todas estas cuestiones y dejarles nuestras opiniones para su examinación y reelaboración. Dos semanas más tarde supimos que las cuatro personas que integraban o estaban contratadas por Quadra y que no eran oriundos de Votorantim, sino que venían de otros lugares, trayendo otras informaciones, y que habían participado de los espacios informales que surgieron durante el intercambio, habían sido expulsadas del colectivo. “
Carolina
Agradecemos a generosa contribuição para nosso trabalho, não queremos causar nenhum tipo de constrangimento além dos que construimos juntos para nosso desenvolvimento.
Nos agrada muito perceber o momento em que se instaura um coletivo à partir do outro. O trabalho de todos vocês juntos (artistas que participaram do Espaço Solúvel I) foi fenomenal.
Obrigado e vamos em frente, para o lado, para cima, para baixo e outras direções possíveis.
Quadra Pessoas e Idéias – Ariane Sampaio, Vera Almeida, Thiago Alixandre, Rafael Bricoli, Rodrigo Chiba, Felipe Vian, Marcelo Proença, Lidi Nascimento, Preta Ribeiro, Denis Oliveira, Amanda Lorena.
Ola a todos! Em primeiro lugar, quero dizer que estou bem feliz de ver que as opiniões divergentes podem co-existir aqui no idanca de forma concreta. A partir do texto da Lilian, recebi por mail varios comentarios divergindo. Fiz questao de estimular os autores a postar aqui de aue forma não concordavam com o texto inicial. Este longo comentario que agora entrou deve ter sido postado de uma so vez por alguem que recolheu varios comentarios feitos via email de grupo. O ideal é sempre que cada um entre e coloque sua opinião sozinho (vamos combinar que é tão facil como passar um email comentar aqui). Mas ainda bem que alguem recolheu as opinioes e as publicou. É assim, publicamente, que o debate anda. beijos a todos.
Pedi a Lilian Vilela que escrevesse um texto sobre o Pública Dança porque ela acompanha projetos de dança no interior de SPaulo. Não sei o que fez a Helena Vieira pensar que eu encomendei o tom do texto. Os textos são autorais, nunca censuramos ou induzimos nada. Sugeri inclusive que ela pegasse algumas falas de diferentes pessoas que assistiram ao projeto.
Ela fez o que quis e tem o mesmo espaço que qualquer pessoa que nos proponha sua opinião. O espaço dos comentários é justamente para isso.
Num espaço democrático a comentários como o Idança só sobrevive uma única visão se ninguém mais se manifestar.
Não conheço pessoalmente as pessoas de Votorantim (as idéias sim), nem ao menos estive por lá para ver todas estas manifestações insólitas, interditas, lépidas, mas é fácil perceber a vasca artística produzida por estas pessoas jovens e insuportavelmente delicadas. Digo isto por estar em lugares diversos (trabalho para uma empresa de relações exteriores) e ver a nociva relação entre as pessoas e a FALTA de convívio concentrado em confronto nas idéias. Esta gente, a de Votorantim, tem distribuído conhecimento que vai de encontro com nossa mórbida e mesquinha (individualista) necessidade de fazermos nossas escolhas sozinhos. Será preciso reeducar a cabeça, para não dizer o corpo todo e entender o quê nesta cidade acontece. Ainda haverá possibilidades para mim e para outras pessoas interessadas em colaborar e redefinir conceitos. E que avancem (distanciem-se) as cercas, os limites e os limitadores.
Richard Stuphe – 51 anos e um bom espectador da vida.
Moro em Washington há apenas dois anos e lembro-me que enquanto estava no Brasil trabalhando por aí fiz diversas procuras e pesquisas para encontrar algo que me fizesse dispertar um interesse dentro da mesmice e bobas discussões diárias da dança. Lembro-me de ter ouvido falar de Votorantim, a cidade do cimento, que tinha umas crianças dançando coisas lindas lá. Crianças que pensei ser de um projeto social ou coisa assim, o tempo foi passando e agora que deparo à distância com esta gente toda discutindo “desta forma, em gueto”, como um caminhão atropelando tudo que vê pela frente. Engraçado tanto interesse em falar de coisas de crianças, agindo como crianças. Estas crianças de Votorantim, estão trazendo “idéias” que são capazes de abalar as estruturas da dança, que seja assim : carinhosas ações contra caminhões nas ruas pelo Brasil.
Sou pedagoga e intérprete independente envergonhada de fazer sozinha as coisas que poderiam ser feitas com outras gentes.
Quanta coisa sobre este Quadra pessoas e idéias heim?!
Ainda não estive por lá e não concordo com várias coisas que eles distribuem.
Eles estão sempre mandando informações para meu endereço e passou muito tempo pra eu entender o por que. Pra não esconder.
Este texto por exemplo e seus comentários.
Imagino que em Votorntim deve ter um monte de gente pensando em dança todos os dias, com grana para fazer tudo o que passa pela cabeça e principalmente um tanto de gente pra dar conta de fazer tudo o que eu recebo.
Imagino o que passa na cabeça das pessoas que escreveram neste sit, várias indagações, mas o que fica claro é que em algumas destas cabeças quentes está uma dificuldade de habitar ao lado do outro. Isto é uma das coisas que mais me interessam em Votorantm, saber como habitar nesta dança “contemporânea” solitária.
Será uma experiência ao menos desconcertante, como foi… rizosso.
Já li tudo, frequento este site sempre que posso, mas estou intrigada por que tanta mensagem, tanto alvoroço! É preciso valer a pena ou mexer demais com a gente para tudo isto. Seria maravilhoso se todos os textos aqui postados fossem discutidos com tanto empenho, talvez com menos fígado e mais com as idéias, mas que fossem!
Vamos gente da dança, escrevam! Nunca escrevi e o fiz agora. Estou achando muito interessante o movimento criado, causado e quero dizer que a Lilian foi coerente por escrever assim, na verdade ela teve excelência ao ponto de nos oferecer um panorama intrigante e rebelde desta rebeldia que pode ser Votorantim. Quero pensar que tudo foi desencadeado por algo na Quadra Idéias, em cada um dos envolvidos aqui, mas fundamentalmente desencadeou-se aquilo que estamos cheios. Para os que querem viajar, surgiu viagens, para os que querem gritar, surgiu gritos, para os que querem ser pueris, surgiu puerilidades e aí vai.
Uma boa proposta seria os artistas dependentes pensar no fazer artístico, voltar para o lugar onde moram e trabalhar.
quero agora saber o que surgirá de mim quando estiver por perto da Quadra e estas pessoas, o Idança precisa acompanhar e tentar ser ainda imparcial, se é que será possível.
PARABENS PRA LILIAN.
Boas perguntas para melhores respostas.
Idança, quanta ousadia e (IN)coerência. Parabéns por nos oferecer um espaço assim, repleto de reflexões e contraposições de pensamentos. Estou um pouco curiosa para saber como procedeu o e-mail com vários comentários recolhidos por uma pessoa, há a possibilidade de manipulação, como em tudo o que fazemos no dia-a-dia. Seria realmente mais saudável que as pessoas pudessem escrever sozinhas suas coisas, afinal de contas ali temos diversos bons comentários e críticas ferozes sobre um trabalho que ao meu ver, pode ter defeitos ou dificuldades, mas não justifica uma atuação assim destes artistas.
O Idança pode selecionar (aprovar) alguns comentários e ainda incentivar outros, muito interessante esta necessidade de confronto. Mais interessante ainda ver tantas pessoas inteligentes e atentas para as palavras no texto principal que fala sobre coletivos e colaboração. Para a dança no Brasil e no mundo fica uma questão atual, como proceder? Juntos ou separados? Na cotemporaneidade insistimos em distanciarmos dos procedimentos datados de grupos, coro, corpo de baile, mas pula-nos aos olhos um dia depois do outro, nossa quase instintiva reação a estes modelos e por isto nos revelamos em grupos e corpos de baile mais uma vez.
O Idança deve estar contribuindo para que isto se regenere, ou se edifique. É o que queremos? É o que a direção do Idança espera ou pretende?
Fabiana Cansat – Ceará
Boas perguntas para melhores respostas. Boas perguntas para melhores respostas.
Pietric Wendes . brebes
Vou tentar não errar no português, estudo esta lingua há algum tempo e quero saber mais sobre este país da floresta, do indío e da fejoada, e não falar mais de futebol. Espero mesmo saber mais sobre o país que não vejo na televisão, nos anúncios de turismo.
Habito em Brebes na Indonésia e acabei de conhecer uma artista de linguagem contenporânea brasileira. O suficiente.
Ver os textos aqui descritos e as mensagens com estas idéias de juntar e separar as pessoas me fez pensar no dia-a-dia aqui e rir de mim por estar em um lugar que precisa muito de gente que trabalhe junta.
No mundo suficiente.
Ler tudo e compreender está sendo um ótimo exercício para mim, estudar português e saber sobre o corpo e a dança do Brasil que não resume o samba, a capirinha e carnaval. Muitas pessoas trabalhando por um mundo amplo em Votorantim e outras limitando este trabalho, que bom.
Parabéns para este sítio de internet que me dá vontade de ver mais de perto estas coisas daí.
Uma questão de educação e arte! Quanta gente pensando nestas coisas do corpo e com ele.
Sobre o texto da Lilian é uma aventura, cheio de situações intrigantes e que me dão uma vontade enorme de ver o que é Votorantim!
Sobre os comentários são diversos, os que estão concordando com a Lilian são cheios de emoção e verdades empolgantes. Já os que estão divergindo, discordando são cheios de emoção e verdades mas também abarrotados de um nervosismo assustado.
Vejo pelo texto da Liliam e por comentários de outras pessoas uma ousadia, “rebeldia” e até uma certa extravagância em Votorantim. Não deve ser fácil pra quem está acostumado com o dia-a-dia num sistema rotulado e constante vivenciar uma experiência tão “alternativa” assim. Pode ser um bom exercício para todos da dança que contemporânea precisa e pode rever-se e almejar outras possibilidades.
Estou nesta! Provavelmente será difícil e profundamente irritante.
Já vi muita coisa assim Lilian, é difícil e muito chato tentar insistir no grupo, trabalhei com grupo e foi insuportável. A Dança Contemporânea me possibilitou ficar sozinho, esquecer o grupo e me concentrar num trabalho solo. Estas pessoas todas tem razão em discordar deste grupo de Votorantim. É isso aí sa.
Como podemos desenvolver capacidades de suportar solúveis direções para o corpo, se vivenciamos tantos anos de escola regular e mais alguns anos de ensino tradicionalista da dança? Não deve ser possível sem imersão e uma vontade enorme de aceitar aquilo que vai de encontro com nosso corpo tarado por sobreviver. Nosso procedimento acentuado ao longo de tempo de monotonia e repetição (levantar o braço, falar quando estão em silêncio, atravessar a rua quando o sinal está fechado, começar a dançar quando a música toca) faz da gente mesquinhos por achar que sabemos. Quando estou vendo todo este material riquíssimo com o texto “A Dança e as relações de convívio”, seus comentários e a evidente insatisfação de alguns por existir algo nesta cidade de Votorantim que nos traz atordoamento, fica claro a incapacidade de suportar. Não arrisco, sem conhecer, afirmar que nesta cidade tudo é perfeito, principalmente por ter ouvido tanto falar de um lugar inconveniente para o padrão estabelecido, fica registrado sem dúvida que não se trata de relacionamento tradicional. Sou artista plástico e estive em lugares muito diferentes e não deixo de refletir e esperar, de esperança, que num futuro bem próximo todos possamos ver que o que estão produzindo em Votorantim (crianças?), é um profundo manifesto que se contrapõem ao nosso jeito atado de viver nossa contemporaneidade tão solúvel para eles e completamente petrificada pra nós. Afinal de contas não vamos esmorecer por causa de um ou dois acontecimentos, as ações estão envoltas a uma complexidade sem fim e faz estes de Votorantim ficarem a frente em alguns momentos por estarem juntos e avançando. Gostaria de falar não escrever.
Conheço o pessoal de Votorantim, estive no Pública Dança dois anos seguidos e trabalho em São José do Rio Preto com dança. Bom eu estou surpresa primeiro com o texto da Lilian Vilela que consegue me fazer rememorar como em um filme as coisas que vivi em Votorantim. Estive lá durante dias em cada oportunidade e presenciei alguns jeitos de falar com as pessoas ou até idéias que não concordei logo de cara. Mas só consegui entender e aproveitar como aprendizado tudo de lá, quando eu pensei nas coisas de forma bem ampla. Eles estão trabalhando com a comunidade e outros conceitos de dança e corpo há pelo menos 6 ou 7 anos. É muito tempo para a gente querer saber em alguns dias de encontro ou uma experiência localizada. Ainda estou percebendo a quantidade de trabalhos que eles produzem, educação, meio ambiente, política, movimento jovem, pesquisa de trabalho corporal com crianças, mercado de trabalho no interior, tantas e tantas ações juntas feitas por aqueles jovens artistas profissionais. As pessoas que trabalham lá conhecem muito o que fazem, tem DRT, recebem para trabalhar por lá, é uma conquista atrás da outra. Pensei em destacar ainda as questões de autonomia e hierarquia discutidos tão profundamente por eles já tem um tempão. Fico até boba a gente insistir em falar de hierarquia, se existe ou deixa de existir, eles por lá já sabem bem melhor que a grande maioria como lidar com isto de forma corajosa, não é pra todo mundo possível se educar a cada momento. O que me deixou abismada é a força das idéias principalmente as que tratam do interior, também estou no interior do Estado de SP e é uma cidade enorme e temos problemas graves de representação e pertencimento. A auto estima de quem vive no interior é baixíssima perto da campanha pelo grande centro. Em Votorantim isto é diferente com dança, que sonho. Vi em Sorocaba uma cidade vizinha, muto maior com uma quantidade enorme de academias de danças e também com artistas importantes na cena contemporânea do Brasil que não se articulam e não produzem um movimento em favor da dança e da comunidade, sempre é o mercado limitado e particular. Votorantim em diversas áreas é referência em partes distantes do mundo, que sonho. Falo com pessoas que estão muito longe e sabem e se beneficiam as idéias de Votorantim, claro eles mandam tudo pra gente, sem cobrar nada! Colaborando a qualquer momento com DVDs, textos, materiais pedagógicos é super difícil encontrar artistas ou sites ou instituições que além de usar dinheiro público consigam mandar conhecimento para todos. Estas idéias de dinheiro público a turma de Votorantim ensina como ninguém. Acorda Rio Preto ou vamos ficar com o Festival de Teatro achando que está tudo certo sem a participação da comunidade e dos artistas daqui? Quero fazer minha parte.