Cerca de trezentos pesquisadores apresentaram seus trabalhos durante esse três dias. As apresentações foram divididas em quatro sessões diárias que duravam entre uma hora e quinze minutos e uma hora e meia. Em cada sessão aconteciam dez painéis, distribuídos em diferentes espaços do mesmo prédio. Em cada painel podiam ter até quatro apresentações de vinte minutos para cada, restando cinco a dez minutos para as perguntas do público. Cada participante pagou a filiação obrigatória à associação, que variou entre U$ 50 e U$ 120, mais 120 euros para a inscrição no colóquio. O público interessado em acompanhar as discussões deveria pagar 130 euros para ter acesso ao evento. Assim, nesses três dias, devem ter pagado suas respectivas taxas e circulado pelo prédio do CND cerca de quinhentas pessoas.
Os painéis tinham temas específicos como: Conceitualizar o corpo histórico, Gesto político ou novos modos de pesquisa, Questionando as metodologias, mas o conjunto das apresentações dentro do mesmo painel, muito raramente constituía uma rede de pensamentos coerente, nem tão pouco um nível de aprofundamento de pesquisa análogo. No painel do qual fiz parte – intitulado Coreografando a subversão -, apresentei o artigo intitulado “O corpo político antropofágico”, que relacionava as idéias de Oswald de Andrade com a obra O Samba do Criolo Doido, de Luiz de Abreu [1]. No mesmo painel estava uma colega de Campinas que vive nos Estados Unidos, Ana Paula Hófling, que falou sobre dois aspectos da capoeira de angola: a chamada e a malícia. Participou também um italiano, Mattia Scarpulla, que relacionou duas cenas do espetáculo Encarnado, da coreógrafa brasileira Lia Rodrigues, com reflexões sobre o corpo no campo de concentração feitas pelo filosofo Giorgio Agamben.
O artigo de Ana Paula não se referia nem a uma prática coreográfica nem a uma ação subversiva. Apenas refletia sobre dois aspectos específicos da capoeira de Angola. Embora o artigo de Mattia tenha relação com atividade coreográfica, as reflexões por ele apresentadas sobre a realidade da Favela da Maré, no Rio de Janeiro, onde Lia Rodrigues trabalha, foram baseadas em sua própria imaginação, uma vez que ele nunca esteve lá e nem tão pouco fez uma investigação sobre dados daquela realidade. O que ficou explícito na fala de Mattia foi a falta de fundamento do seu trabalho. O que nos reunia ali era realmente o fato de sermos ou trabalharmos sobre temas que, em uma instância qualquer, envolviam o Brasil.
Outro exemplo da falta de coerência nos temas propostos para os painéis é o da colega da Turquia, Gurur Ertem, que faz seu doutorado na New School for Social Research, e apresentou uma revisão crítica das abordagens sociológicas dos estudos em dança. Ela dividiu o painel – intitulado Política cultural – com as pesquisadoras Ida Meftahi e Ting-Ting Chang (que falaram respectivamente sobre aspectos de danças tradicionais do Iran e da China). A divisão dos painéis, mais que uma lógica de temas, parece ter seguido uma coerência de divisão geopolítica.
Grandes nomes da pesquisa em dança como: Andrée Grau, Barbara Browning, Christine Greiner, Helena Katz, Isabelle Ginot, Isabelle Launay, Mark Franko, Ramsay Burt, Susan Leigh Foster, fizeram apresentações. Foi a primeira vez que eu estive num evento dessa dimensão e com esse formato. O objetivo de minha ida foi expor minhas idéias num meio acadêmico internacional e ver e ouvir, de perto, autores que são referências teóricas para a dança na atualidade. Eu tinha acabado de participar da IV Reunião Científica da ABRACE (Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas)[2], que aconteceu dias 5 e 6 de junho em Belo Horizonte, e embora haja algumas relações que possam ser feitas entre os dois modos de organização, eu fiquei chocado com a experiência radical vivida na França.
A sensação era de estar na Galeria Lafayette em Paris ou na Daslu em São Paulo. A diferença entre as duas situações é que nas lojas das grandes marcas falta dinheiro pra levar tudo o que você deseja, enquanto que no Colóquio Repensando Prática e Teoria se pagou antes de entrar e o que faltou foram outros, de mim mesmo, para se dividir pelos diferentes espaços onde cada um dos que eu desejava ouvir estavam apresentando seus trabalhos. Apesar da super oferta disponível, eu saí da jornada com a sensação de um enorme vazio, de pouco ter acrescentado às minhas reflexões sobre dança, a não ser as interrogações sobre as reais finalidades daquele encontro. Em alguns dos espaços nem mesmo microfone tinha e, embora tenha sido divulgado que o congresso seria bilíngüe (francês e inglês), só havia tradutor em três dos grandes espaços. No encontro da ABRACE, em Belo Horizonte, se pagou à associação, mas não se pagou para a apresentação de artigos. Os associados se inscreveram em Grupos de Trabalho (GT), discutiram temas divididos por áreas de interesse e depois uma síntese foi levada para grande plenário, num tempo também insuficiente para aprofundar as questões.
O que me parece importante refletir sobre essas experiências são as diferenças e similaridades entre modos de associação no Brasil e nos Estados Unidos, sob solo francês, que indicam formas de manejo de poder. E junto com isso, refletir também sobre os tipos de distorções que o esquema acadêmico pode criar ao exigir do estudante de pós-graduação a participação em congressos e publicações – como prerrogativa para a conclusão dos estudos.
Os Estados Unidos tem uma tradição de associações acadêmicas em dança comparável às demais associações em outras áreas do conhecimento acadêmico, construída pela história da inserção de pesquisadores de dança em diferentes programas de pós-graduação, além da produção daqueles que são específicos da área de dança. Regulada essa prática, entre outros aspectos, existem de um lado os encontros e congressos científicos e de outro um mercado editorial prolífero. A CORD existe desde 1965. Foi criada por Bonnie Bird (YM-YWHA), Harry Bernstein (Adlephi College), Nadia Chilkovsky (Philadelphia Dance Academy), Martha Hill (Juilliard School of Music), Lucile Nathanson (YM-YWHA), Patricia Rowe (NYU), Jeannette Schoenberg Roosevelt (Barnard College), Bessie Schoenberg (Sarah Lawrence College), Theodora Weisner (Brooklyn College) and Lucy Venable (Dance Notation Bureau). Tem hoje cerca de oitocentos associados dentro e fora dos Estados Unidos. A SDHS foi organizada em 1978 [3]. No Brasil existe uma só associação acadêmica de artes cênicas: a ABRACE, criada em 1998 com a participação de representantes das Universidades Federais da Bahia – UFBA, do Rio de Janeiro – UNI-RIO, Fluminense – UFF, do Rio Grande do Sul – UFRS, da Paraíba – UFPB, de Pernambuco – UFPE, do Rio Grande do Norte – UFRN e de Viçosa – UFV, das Universidades Estaduais de São Paulo – USP, de Campinas – UNICAMP e de Santa Catarina – UDESC, e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/ SP. Tem cerca de quatrocentos associados, na maioria pesquisadores da área do teatro. Tem um único mestrado específico da área de dança, que iniciou suas atividades em 2006 na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia. As pesquisas acadêmicas desenvolvidas no Brasil até o ano passado foram provenientes de programas de artes cênicas, ou de outras áreas relacionáveis.
Se por um lado é importante que o estudante de pós-graduação exponha seus trabalhos ao confronto de idéias, pondo em prova sua pertinência e sua validade acadêmica, por outro é questionável a criação de uma indústria sem critérios, criada para dar conta dessa demanda, privilegiando a quantidade e não a qualidade da produção acadêmica. Se as associações desenvolvessem um papel político importante no sentido de debater as questões urgentes para a área, traçando estratégias e planos de ação para o seu desenvolvimento, elas conseguiriam alcançar seus objetivos.
O CND, ao ter em suas instalações as associações americanas, a meu ver, visou apenas aumentar seu prestígio internacional, cedendo seu espaço ao jeito americano de ser, onde a racionalização do tempo e do espaço visa o maior acúmulo financeiro em menor tempo possível, deixando em segundo plano os objetivos de troca de experiência, aprofundamento das reflexões e confronto entre as diferentes metodologias. Aqueles que realmente produzem o conhecimento, nessas ocasiões, compram a alto custo o passaporte para garantir seu espaço no mundo da pesquisa em dança, financiando o espetáculo de poder que muito agrada as instituições.
Uma vez que não existe uma associação sem a atividade empreendida por seus sócios, parece-me importante estar engajado às associações de pesquisa em dança. Cabe então atuar nesses ambientes de forma que seus propósitos possam ser garantidos. A forma comercial encontrada pelas associações americanas até então não tinha sido aplicada, por exemplo, ao sistema de ensino na França. O Brasil importou muitos aspectos do sistema educacional dos Estados Unidos. A atuação organizada e sistemática de cada sujeito dentro das organizações pode empreender revisões constantes no sentido de adequar as práticas dessas organizações aos diferentes e constantes desafios que a pesquisa na área de dança enfrenta numa sociedade como a nossa.
Notas:
[1] O artigo referido será publicado na integra no site da Rede Sul Americana de Dança (http://www.movimiento.org).
[2] Para um maior conhecimento dessa instituição acesse http://www.portalabrace.org.
[3] O número de sócios não está disponível no site da associação http://www.sdhs.org.

Eng



Palpite Infeliz
O professor e pesquisador Paulo Paixão, ao se referir a ABRACE, baseou-se em informações que prefiro entender como um equivoco, do que como uma atitude de má fé.
Existem dois GTs (Grupos de Trabalho) específicos em dança atualmente na ABRACE. Um coordenado por Cássia Navas (UNICAMP) e Arnaldo Alvarenga (UFMG) chamado: Pesquisa em dança no Brasil: Processos e investigações, e outro (mais recente) coordenado por Dulce Aquino (UFBA) e Helelna Katz (PUC/SP).
O primeiro GT, mais antigo, vem apresentando uma produção de resumos considerável, publicada e disponível nos Anais dos Congressos, e reune pesquisadores de quase todo o país. Existem, ainda, outros pesquisadores em dança associados da ABRACE divididos em novos GTs: Estudos de performance e Territóios e Fronteiras.
Acontece que o conhecimento caminhou para a transdiciplinaridade e hoje temos a dança envolvida e extendida em vários campos do saber.
Outra informação absolultamente “equivocada”, dada pelo professor, é que hoje apenas existe um Programa de Pós-graduação em Dança, o recente criado PPGD na UFBa, que ainda está em período de avaliação. A pós-graduação em dança na Bahia vem muito bem acontecendo, há mais de 10 anos, contemplada pelo Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da UFBa que já nasceu no formato transdiciplinar acolhendo professores de dança e de teatro. O PPGAC vem produzindo dissertações de mestrado e teses de doutorado tanto em dança como em teatro e, pela sua qualidade, obteve a nota 6 na avaliação da CAPES, recebendo alunos tanto do Brasil como do exterior. Infelizmente uma visão neo positivista, ainda existente na academia, insiste em ter suas áreas de conhecimento salvaguardadas em seus estreitos limites.
Considero que a ABRACE é uma associação que vem se firmando como representativa dos pesquisadores brasileiros das artes cênicas e que no momento vem discutindo formas de ampliar sua atuação devido ao grande número de propostas de novas filiações.
A ABRACE tem sido um importante centro difusor dos atuais estudos e pesquisas nas artes cênicas e servido como espaço assegurado do encontro da diversidade de idéias e impotantes discussões.
Apesar do respeito que tenho pelo professor e pesquisador Paulo Paixão, devo pedir licença a Noel Rosa e usar do título famoso de sua canção e que serve como meu comentário final sobre o artigo do professor em relação aos aspectos que relacionei: Foi um “Palpite Infeliz”.
Lúcia Lobato
Profª. Drª. do Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas e da Escola de Dança da UFBA
Ola minha querida e eterna professora Lucia Lobato!
Pesso desculpas pela ortografia, pois escrevo rapidamente de um teclado alemao de Berlin.
Quero agradecer pela complementacao das informacoes sobre como se da a aprticipacao dos pesquisadores de danca na ABRACE, porem creio que nao existe equivo quando eu digo que a maioria dos associados sao pesquisadores da area do teatro.
Com relacao o que diz repeito a transdiciplinaridade do conhecimento, eu penso que a danca e um campo de conhecimento autonomo, que deve encorporar saberes produzidos por outras areas como forma de complexificar o entendimento do seu fazer, porem deve zelar por seus espacos tanto epstemologicos quanto politicos e e nesse sentido que digo que so existe um unico programa de Pos Graduacao em Danca. O que nao significa dizer que nao exista producao academica em outros programas e isso creio que fica claro no trecho a cima “As pesquisas acadêmicas em danca desenvolvidas no Brasil até o ano passado foram provenientes de Programas de Artes Cênicas, ou de outras áreas relacionáveis.” Faltou eu dizer que me referia a Pos Graduacao Extrito Senco (Mestrado e Doutorado) pois Lato Senco (especializacao) em danca tem outra historia no Brasil. Muitos sabem da rivalidade que exite na Bahia entre o PPGAC e o PPGD e considero legitima essa batalha, porem quero afirmar que meu texto nao tomou partido nessa guerra, so tentou ser objetivo. Nao creio que se trate de neo positivismo como voce afirma, pois como ja falei, conhecimentos adivindos de outras areas sao bem vindos, mas no sistema em que vivemos se nao nos afirmamos em nossas especificidades deixamos simplismente de existir como area.
A minha experiencia academica no congresso da ABRACE foi positiva, porem nao ideal e e disso que trato em meu texto. do meu ponto de vista devemos nos concentrar, e isso creio que voce poderia fazer bem, em explicar como essa Associacao vem difundindo os atuais estudos e pesquisas em artes cenicas e como serve de espaco de disculcao, explicitando quais sao as extrategias usadas para isso? como essas extrategias sao planejadas e postas em pratica? quais sao os resultados objetivos dessas extrategias? dessa maneira creio que seremos mais Feilizes em nossos cometarios tanto eu e quanto voce que esta presente em minha memoria como uma mestra que nao se esquece.
Paulo Paixao.
Paulão
Fico muito satisfeita de compartilhar a experiência deste espaço de diálogo que nos instigou o I.Danca. Mais satisfeita ainda porque vc continua sendo generoso e inteligente. Por tudo isso é possível manter um diálogo de diferenças que acrescente um pouco ao entendimento do que é e pensa cada um de nós. Antes de tudo é bom que fique claro que não precisamos concordar, ao contrário precisamos sempre trocar as nossas idéias e em alguns casos convicções temporárias, porque tudo muda, nada está parado, nem os nossos pensamentos e experiências.
Bem, mas vamos lá. Paulo, hoje considero que nada, nem ninguém é autônomo. Os instrumentos que criamos sejam, epistemológicos, artísticos ou políticos, sempre são comprometidos e relacionados. Considero que tudo aquilo que tem a pretensão de encerrar-se em si próprio termina no mínimo engessado. Não troca, não consegue ultrapassar seus próprios limites eis que “narciso acha feio o que não é espelho” .
Assim pensar a transdisciplinaridade como forma de complexificar “os próprios saberes” específicos, é no mínimo, não compreender a essência da transdisciplinaridade que implica em potencializar o surgimento de um 3º elemento que já não é nem um nem outro daqueles saberes pois os engloba numa outra direção. Definir a postura trasdiciplinar como um “zelador” é uma forma inflexível e neo-positivista de propôr um diálogo sem apontar a perspectiva da mudança, do movimento do discurso. Trata-se de uma postura política de defesa intransigente de princípios para não abrir mão do aparecimento de possíveis outros espaços incontroláveis, e de uma possível perda de poder. Por isso o termo zelador parece tão apropriado.
Mas veja bem ninguém tem que ser transdisciplinar, ou interdisciplinar ou mesmo contemporâneo ou pós contemporâneo, sei lá !!!
O importante é ter um pensamento independente construído passo a passo pela sua única e insubstituível vida. E você tem percurso muito intenso e de sucesso. Vamos as perguntas.
Tentarei respondê-las junto para não abusar do I.dança.
A ABRACE vem difundindo sua produção em anais, congressos, eventos artísticos, encontros enfim em todos os espaços compatíveis com a particiação de uma associação. Suas estratégias são tiradas nas práticas e discussões de seus GTs e nas Plenárias de seus Congressos. Os principais resultados estão divulgados, publicados e disponívies nos Anais dos Congressos e através das publicações dos seus pesquisadores. Vem defendendo os interesses das artes cênicas junto as instituições de fomento à pesquisa e contribuido para o encontro de pesquisadore das artes cênicas do Brasil. Possibitando inclusive esta nossa conversa eletrônica.
Enfim penso que certamente iremos nos encontrar num próximo Congresso da ABRACE e desde já lhe convido, para conhecer os trabalhados do GT de Pesquisa em Dança.
Paulão não leve a mal os meus trocadilhos, você sabe que sempre preferi um sorriso a uma cara fechada. Ah, e por falar nisso, não é bem rivalidade que há na Bahia hoje, é mais uma resistência local à intransigência colonizadora. Isso é coisa de muito tempo, eu diria que começou em 1500. Lúcia Lobato
Eu gosto de trocar idéias!
Concordo com você no que se refere ao contexto inter-relacional em que vivemos, mas não tomo minha posição de pleitear autonomia política e epistemológica para dança como um “encerrar em si”, ao contraio, tomo como uma possibilidade de abrir novos espaços de reflexão e articulação para a dança.
Com relação a nossos pontos de vistas divergentes no que diz respeito ao que vem a ser transdisciplinaridade tenho a acrescentar que, do meu ponto de vista, “essência” não é o melhor termo par se referir a especificidades desse modo de produzir conhecimento, conceitualmente parecem não combinar.
Parece-me que a contradição anda por todos os discursos inclusive no meu. Então, muitas vezes aquilo que julgamos defender é exatamente o que estamos contra e o que pensamos estar contra e muitas vezes o que estamos defendendo!
Bom de todo modo agradeço mais uma vez por acrescentar as informações que eu pedi e espero que os leitores do idanca visitem o portal da ABRACE e possa conhecer um pouco melhor a Associação. Da minha parte aceito dês de já seu convite para conhecer o Grupo de Trabalho Pesquisa em Dança e digo que seus trocadilhos não foram levados a mal e sim me fizeram dar boas risadas! E ainda mais, digo que quase me sito de novo em uma de suas aulas, onde os debates eram incentivados e eu participava com fervor! E me sinto completamente a vontade e feliz de poder restabelecer essa prática aqui nesse espaço.
Um grande beijo.
Paulo.
Paulo,
gostei muito do texto e mais ainda da conversa que ele desencadeou entre voce e a professora Lucia Lobato. Continuo tomando aulas no idanca! Mas sinto muito, e acho que isso voce nao pode resolver pois caberia mais ao suporte técnico do site, de nao poder ter o texto em inglês pra leva-lo aos meus colegas na Paris 8. A versao em inglês nao aparece, e é uma pena! Vamos falar certamente das sua impressoes pois acho uma excelente contribuiçao para alguns de nos que estivemos perdidos, por acaso ou nao, nesse congresso que se passou no CND, mas gostaria de ter uma versao oficial antes de botar suas palavras no meu français ainda atrapalhado!
Beijos e até ja!
Fabricia.
Tomo a liberdade, de aqui, reproduzir um texto para esclarescimento de todos sobre o PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTES CÊNICAS DA UFBA, diretamente ligado à ABRACE.
Os Objetivos Gerais do Programa estão constituídos em torno das suas quatro linhas de pesquisa e estão voltados para a formação de pesquisadores e para a produção e difusão de conhecimento nos campos das Matrizes Culturais e Estéticas da Cena, dos Processos de Encenação, dos Estudos da Performance e da Dramaturgia, História e Crítica das Artes Cênicas. Espera-se como conseqüência das ações desenvolvidas no Programa um avanço na qualidade da formação de profissionais da área e das produções cênicas, tanto na Bahia quanto nos locais de origem dos pesquisadores que vêm sendo formados.
A criação do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – PPGAC, em 1997, foi um desdobramento das experiências desenvolvidas durante mais de quarenta anos nas Escolas de Teatro e de Dança da UFBA, sistematizando as pesquisas de seus docentes e cuidando da formação de novos pesquisadores simultaneamente nos níveis de Mestrado e de Doutorado.
A criação do PPGAC promoveu a qualificação de pessoal para o ensino superior de Artes e ampliou o papel de destaque das quatro Escolas dessa área da UFBA no quadro da produção artística local e também em nível nacional. A grande disposição do povo baiano para as práticas corporais voltadas para a dança, para os folguedos, para as celebrações ritualísticas e para a encenação também constituíram-se em elemento propulsor para o crescimento do Programa ao longo dos seus dez anos.
Outro fator de motivação foi a possibilidade de estender as chances de formação especializada na área para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, considerando-se a concentração de Programas de Pós-Graduação em Artes basicamente nas regiões Sudeste e Sul. Até março de 2004 não havia nenhum Programa de Pós-Graduação em Artes nas Regiões Norte e Nordeste além dos três Programas da UFBA. Felizmente algumas iniciativas já se concretizaram em 2004 e 2005. Surgiu um Programa de Música na Paraíba e o Programa de Dança na UFBA. Recentemente foi criado o Mestrado em Artes Cênicas na UFRJ.
Os estudos já desenvolvidos no PPGAC incluíram temas pertinentes às mais diversas regiões do Brasil e o crescimento do número de alunos estrangeiros nos últimos anos já estendeu o âmbito das pesquisas para outros países.
Entre 1997 e 2005, o Programa ampliou seu quadro docente permanente de seis para 14 doutores. Esse quadro de 2005 foi complementado com seis docentes Colaboradores de outras Unidades da UFBA e três Visitantes, vinculados a outras IES, credenciados com base em Convênios tipo MINTER e PQI. Está previsto, para 2006, outro aumento do número de docentes permanentes, que passará a ser de 19 pesquisadores. Outros docentes das Escolas de Dança e de Teatro estão cursando doutorado, o que ampliará o quadro ainda mais em 2007 e 2008.
A formação dos 23 docentes é bastante diversificada, o que traz grande riqueza para a formação dos novos pesquisadores. Apenas três foram formados na própria UFBA. Outros seis formaram-se em IES situadas no Sudeste brasileiro: USP, UNIRIO e PUC-SP. Os demais 14 docentes tiveram uma ou mais de uma etapa de sua formação no exterior: França, USA, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Holanda, Argentina e Canadá.
A participação de Outros Pesquisadores foi constante. Dois deles, franceses, atuaram em 2005 com Bolsa de Pesquisador Visitante: Christine Douxami (CNPq) e Christian Marcadet (Fapesb); outros atuaram como convidados para cursos de curta ou média duração, eventos e conferências, além da interação usual com os Grupos de Pesquisa. Foram os casos de: Clyde Wesley Morgan da Universidade do Estado de Nova York; Iben Nagel Rasmussen, do ISTA – Dinamarca; Kathianne Hingwan, da City University de Londres; Rachel Karafistan, da Universidade de Leeds, Inglaterra; Roxana Ávila da Escuela de artes Dramáticas da Universidad de Costa Rica; David Korish, da Escuela de Arte Escênico da Universidad Nacional de Costa Rica; Mamour Ba dançarino e percussionista formado na Escola Mudra, de Dakar, Senegal; e finalmente o Grupo de Teatro Potlach, da Itália, que montou um espetáculo envolvendo alunos do PPGAC.
Com o respaldo dos indicadores de produção intelectual, das avaliações CAPES, do aumento do número de professores e de sua infraestrutura (situada em duas Escolas de uma Universidade consolidada), a equipe do PPGAC deu continuidade à ampliação dos vínculos institucionais. Tendo sido concluído o Convênio tipo MINTER com a Universidade Federal do Pará (17 Mestres formados), novo Convênio desse tipo foi firmado, para ter início em 2006, com a Faculdade de Artes do Paraná, subsidiado pela Fundação Araucária. Essas instituições somam-se à UFPB (1998), UFPE (1999), UNB (2000) e UFRN (2002) no conjunto de ações de solidariedade já realizadas visando à formação de pesquisadores em regiões desprovidas de Programas de PG em Artes. Já existem solicitações de cooperação nesse sentido (MINTER) por parte das Universidades Federais de Alagoas e do Piauí. As normas do MINTER não permitem a realização de mais de um convênio por vez.
Nos dez anos decorridos desde sua criação até o momento, o PPGAC/ UFBA formou mais de 100 mestres e 20 doutores. Uma boa parte dos seus trabalhos de conclusão já pode ser acessada na web. O processo de digitalização e difusão das teses e dissertações constituiu-se numa das prioridades em 2006.
Com seu programa editorial o PPGAC colocou em circulação, nos diversos ambientes acadêmicos da área, 16 números do periódico Cadernos do GIPE-CIT (semestral) e oito edições da Revista Repertório Teatro & Dança (anual), além de dois livros, pela Editora Annablume, de São Paulo, distribuídos para todo o Brasil a partir de 1998 e 2000. Em 2004 foi lançado o livro Diálogos com a Dança, em 2005 foi lançado Vanguardismo, também uma questão da Dança e vários professores lançaram livros de sua própria autoria, dois deles no exterior, em língua estrangeira.
Os indicadores de produção intelectual vêm sendo expressivos, com a participação intensa de alunos e professores também em produções artísticas. O PPGAC pode ser caracterizado também como um centro de pesquisas em arte e não apenas sobre arte. Nele estão envolvidos, em sua grande parte, artistas que também são pesquisadores (docentes) ou artistas que estão em processo de formação em pesquisa (discentes).
Os intercâmbios com instituições de outros países têm sido constantes, incluindo sempre estágios de Doutorado (bolsas sandwich, para discentes) e Pós-Doutorado de docentes do PPGAC. Em 2005 deu-se a consolidação das relações com diversos grupos dedicados às Artes Cênicas e alguns Convênios já foram firmados: Universidades de Paris VIII, Paris X e Franche Comté, na França; Universidade de Aahus, na Dinamarca e Universidade de Coimbra, em Portugal.
Outros Convênios estão em andamento, com a Universidade de Roma la Sapienza e a Universidade de Bologna, na Itália, com a Universidade de Buenos Aires (juntamente com a UDESC e com a UNIRIO), com a Western Australian Academy of Performing Arts – WAAPA e da School of Contemporary Arts – SOCA, ambas localizadas na Austrália. Existem contatos iniciais que podem resultar em convênios com a Universidade do Quebèc à Montréal – UQAM e com a Hogeschool voor de Kunsten, de Amsterdam, Holanda. Esta última, mantém um Programa de Pós-Graduação em Coreografia (Dance Unlimited) juntamente com outras duas escolas holandesas, com coordenação de Jeroen Fabius incluindo os estudos de performances e novas mídias/tecnologias emergentes, com ênfase na representação e percepção do corpo em espaços físicos midiáticos (www.danceunlimited.nl).
Estão sendo mantidos contatos com o Ministério da Educação de Cabo Verde, país africano de língua portuguesa, para acordos de cooperação, numa articulação também com a Universidade de Paris X, para pesquisa conjunta e formação de pessoal de nível superior em Artes.
Através dos eventos da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas – ABRACE, entidade consolidada, os pesquisadores do PPGAC articulam-se com seus pares de outros centros acadêmicos. Os resultados de suas pesquisas estão presentes nos dez números da série Memória ABRACE, que reúnem os Anais e outros materiais referentes aos quatro Congressos e às três Reuniões Científicas já realizados, todos de âmbito nacional, com participação de convidados estrangeiros e o apoio do CNPq, da CAPES e de Fundações Estaduais de Apoio à Pesquisa.
A partir de 2005, com a ampliação do corpo docente, o PPGAC passou a se estruturar em quatro linhas de pesquisa, articulando tradição e experimentação artística. São elas: Matrizes Culturais na Cena Contemporânea; Poéticas e Processos de Encenação; Estudos da Performance; Dramaturgia, História e Crítica do Teatro. Possibilitando investigações de natureza transdisciplinar, as linhas de pesquisa estão, portanto, organizadas em torno de quatro eixos: as matrizes e fundamentos da cena; os processos criativos cênicos; as performances e as formas do espetáculo; a elaboração textual, a história e a crítica da manifestação cênica. Disciplinas de referência, articuladas na prática de pesquisa, como a Antropologia, a História, a Literatura, a Filosofia, dentre outras, fornecem elementos para o estudo da cena que se apresenta sob forma de Dança, Teatro, Performance, Cinema, Circo, Mímica.
Em 2005 foi aprovado pela CAPES o Mestrado em Dança da UFBA. Embora o PPGAC-UFBA, o Instituto de Artes da UNICAMP e o Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP ofereçam formação pós-graduada stricto sensu em Dança há algum tempo, esse curso que acaba de ser criado é o primeiro do Brasil especificamente na área de Dança, com corpo docente formado na área, e constituído por professores pesquisadores que já vinham atuando, em sua maioria, no PPGAC.
PRODUTIVIDADE
O tempo médio de titulação no Programa é reduzido e seus indicadores quantitativos, qualitativos e de distributividade da produção intelectual, têm resultado em boa repercussão do Programa, tanto em termos nacionais quanto internacionais. Isso tem sido reforçado pelo nível das publicações, das parcerias inter-institucionais, dos eventos acadêmicos, com destaque para espetáculos/obras de arte, resultantes de projetos de iniciação científica, mestrado, doutorado e projetos integrados de pesquisa, bem como de sua já efetiva contribuição na formação de pessoal para o ensino superior e para a pesquisa nas mais diversas regiões do Brasil.
Anualmente um Ciclo de Leituras Dramáticas é realizado em cooperação com o Instituto Goëthe (Instituto Cultural Brasil-Alemanha), com professores e alunos do PPGAC ocupando a cena do Teatro do ICBA, como atores, autores e diretores das Leituras. Também anualmente são promovidos os Encontros Temáticos do GIPE-CIT, envolvendo a comunidade do PPGAC e pesquisadores convidados. Outros Eventos foram promovidos em 2005: as Oficinas com os integrantes do Teatro Potlach, da Itália; um ciclo de cursos sobre Cena Contemporânea, história, teoria e performance; Curso sobre Improvisação como Espetáculo; Seminário de Etnocenologia; o II Encontro Transdisciplinar de Pesquisa em Dança no Rio de Janeiro, em conjunto com a UFRJ; e finalmente dois eventos internacionais em Paris, promovidos pelo PPGAC em conjunto com a Universidade de Paris X, o Colloque Exil de l´Artiste Bresilien em France e o Colloque Littérature et Théâtre de Cordel dasn le Monde Lusophone.
Cabe registrar também a repercussão de alguns trabalhos artísticos produzidos por integrantes do PPGAC junto a um público externo ao ambiente acadêmico, a exemplo de coreografias no Ateliê de Coreógrafos Brasileiros, em Salvador, evento que reúne anualmente trabalhos de coreógrafos convidados de vários estados. O espetáculo Umbigüidades, resultante de uma pesquisa de Mestrado em 2002 voltou a ser apresentado, em vários estados. Outro exemplo é Arte, premiado como melhor espetáculo de 2004, que obteve também prêmios de melhor diretor e melhor ator para professor e aluno do PPGAC, respectivamente, prosseguiu sua carreira de sucesso. O espetáculo Vixe Maria, Deus e o Diabo na Bahia, de autoria de um mestrando do PPGAC e de dois outros autores, permaneceu quase dois anos em cartaz. Registraram-se também, em 2005, outras premiações (Prêmio Brasken de Teatro), como a de melhor atriz para uma mestranda do PPGAC, e a obtenção de apoios e patrocínios através de editais. Em 2006 e 2007 trabalhos de discentes como Jorge Alencar e Ana Flávia Mendes, da área de dança, forma premiados pela FUNARTE e Rumos Itaú de Arte.
O PPGAC-UFBA vem atendendo a demandas de qualificação de profissionais de várias regiões. Os alunos regulares atuais e os egressos são provenientes de 15 estados, além da Bahia, e de sete outros países, além do Brasil. O PPGAC tem recebido alunos especiais para estágios de curta duração, de diversos outros países, como França, Itália, Canadá, Áustria e República Tcheca. Esse fator, aliado ao aumento de vagas, indica o compromisso com a ampliação planejada e controlada da oferta da pós-graduação em artes cênicas no Brasil, garantindo-se sua qualidade.
INSERÇÃO NO CAMPO INTERNACIONAL
Na apreciação da produção intelectual dos docentes e discentes, pode-se verificar a inserção dos participantes do PPGAC – UFBA em ambientes acadêmicos e artísticos no Exterior. Existem intercâmbios e iniciativas concretas de produção junto a grupos e instituições de diversos países.
Entre 2002 e 2005, onze doutorandos (dentre os 54 que ingressaram no Programa) estiveram realizando estágios (sanduíche) no exterior, em instituições da Alemanha, Espanha, Inglaterra, Itália e França.
Um doutorando já realizou dois estágios no Royal Court Theatre, de Londres, e teve duas de suas peças encenadas pelo grupo artístico dessa instituição inglesa. Os textos das suas duas peças foram publicados num volume, em parceria com a Nick Hern Books. O aluno também participou como dramaturgista das encenações de suas peças em Londres, e em S. Paulo, onde as mesmas foram também montadas, com patrocínio do SESI.
Três alunos de Mestrado, com recursos próprios, realizaram estágios no exterior, respaldados por acordo cultural (na Holanda) e por convênio (na Universidade de Paris X, França).
Continuam sendo mantidos os contatos do Prof. Armindo Bião com a Universidade de Lisboa e outras instituições de países lusófonos para suas pesquisas sobre Teatro e Literatura de Cordel da Lisboa do século XVIII à Salvador do século XXI. Os estudos, inéditos, indicam as matrizes culturais (notadamente as portuguesas, mouras e africanas) presentes na cena baiana. A pesquisa já resultou em espetáculo com cordéis e lundus, descobertos no Brasil e em Portugal, especialmente na Torre do Tombo, em Lisboa e também em Mali e em São Tomé e Príncipe, na África.
As ações articuladas dos Professores Armindo Bião e Sergio Farias com pesquisadores da Universidade de Paris X, coordenados pela Profª. Dra. Idelette Muzart, tiveram continuidade em 2004 e 2005, através da participação dos dois docentes em eventos em Paris. Em setembro de 2005, os dois professores citados participaram como convidados do Colloque International d´Éthnoscenologie na Universidade de Paris VIII.
Os vínculos com pesquisadores da França foram ampliados em 2004 e 2005 com o Estágio Pós-Doutoral da Profa. Eliana Rodrigues na Universidade de Paris VIII e a atuação do Prof. Dr. Christian Marcadet, do CNRS, pesquisador visitante com Bolsa da Fapesb, e da Dra. Christine Douxami, pesquisadora visitante com Bolsa do CNPq.
Os docentes pesquisadores do PPGAC vêm estabelecendo outros contatos internacionais, visando trabalhos conjuntos, com o Institut Für Theatre Wissenschaft (Instituto de Ciências do Teatro) da Freie Universität – Berlin (Universidade Livre de Berlim), com o qual há interesse de se desenvolver intercâmbio acadêmico e artístico.
Quatro docentes do PPGAC já participaram como convidados nas duas últimas edições do evento internacional Move Berlin, um Festival de Dança Contemporânea Brasileira na Alemanha.
Também na Alemanha, a Dra. Ciane Fernandes realizou, em 2004, estudos de aperfeiçoamento, sobre os fundamentos do sistema Laban/Bartenieff e as contribuições de tradições corporais orientais para a formação do ator e do dançarino. Seu vínculo maior foi com a Rajyashree Ramesh Academy for Performing Arts.
O Programa de Intercâmbio Cultural em Dança Brasil-Holanda, foi consolidado em 2004 e 2005, envolvendo, além do PPGAC e o Departamento da Modern Theatre Dance da Hogeschool voor de Kunsten, de Amsterdam, e a Universidade de Roterdam. Foi nessa cidade que a Dra. Suzana Martins realizou seu estágio Pós-Doutoral.
Os dançarinos e coreógrafos holandeses Diane Elshout e Frank Händeler estiveram em Salvador em março/abril de 2004, para realização de oficinas de improvisação e composição coreográfica, envolvendo os alunos do PPGAC e os alunos da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia. O produto coreográfico desse trabalho de Oficina foi apresentado em Salvador e em Amsterdam, no International Theatreschool Festival, sob coordenação da Dra. Suzana Martins.
Os contatos com pesquisadores da Itália vêm sendo mantidos a partir do estágio de aperfeiçoamento de um dos alunos do Mestrado no Dipartamento di Musica e Spettacolo da Universitá di Bologna. Os estudos concentram-se especialmente nas técnicas circenses aplicadas ao espetáculo teatral e constituem-se em fundamento importante para as pesquisas do PPGAC no campo do teatro popular e da Antropologia Teatral.
A Profª Drª Sílvia Davini, credenciada no PPGAC através do convênio UFBA/UnB, vem desenvolvendo atividades conjuntas com um grupo de pesquisadores da Universidade Nacional de Quilmes, de Buenos Aires. A coordenação do grupo é do Dr. Oscar Edelstein que coopera com a Drª Davini no âmbito de seu projeto O teatro da Voz – Música e Cena em um discurso futuro, situado na interface Teatro/Música/Novas Tecnologias/Treinamento, desenvolvido na UnB, numa Linha de Pesquisa do Mestrado em Artes, com repercussões no PPGAC-UFBa, através da pesquisa de uma doutoranda. Um produto artístico das atividades do projeto em 2003, em forma de CD e filme Super8, foi lançado em Brasília em março de 2004.
A Profa. Ciane Fernandes mantém contatos com pesquisadores do Department of Performance Studies, da Tisch School of the Arts, New York University, tendo já publicado dois livros de sua autoria nos Estados Unidos. O Dr. Fernando Passos, cuja pesquisa situa-se igualmente no campo da Performance, também mantém vínculo com Bárbara Browning, José Muñoz e Diana Taylor, pesquisadores da NYU.
No que se refere a Eventos, o GIPE-CIT promoveu em 2004 uma série de Cursos de Curta Duração e Palestras, com Professores pesquisadores convidados, a maioria do exterior. Ministraram cursos ou workshops os Professores: José Antonio Saja, do Deptº de Filosofia da UFBA, Beppe Chierichetti e Silvia Baudin, do Teatro Tascabile di Bergamo, Itália; Valentim Teplyakov, da Academia Russa de Arte Teatral; Yukio Waguri, especialista em Dança Butô, do Japão; Peter Ludes, da Universidade de Bremen, Alemanha; Diane Elshout e Frank Händeler dançarinos e coreógrafos da Holanda;
Realizaram palestras os Professores: Nigel Townsend, diretor artístico da Companhia de Teatro e Touring, da Inglaterra; Laurence Allione-Andreini, da Universidade de La Rochelle, França, Wilton Garcia, doutor em Comunicação e Estética pela USP, Amilkar Alberto Ibarra – Ami, mímico argentino, Eyitayo Aloh, da Nigéria; Denis Rolland e Didier Muisiedlak, da França.
Em 2005 os convidados foram Mamour Bá, do Senegal, Rachel Karafistan, da Universidade de Leeds, Inglaterra, com Oficina e Palestras sobre Teatro e Xamanismo, Roxana Ávila e David Korish da Universidade da Costa Rica, Clyde Wesley Morgan da Universidade do Estado de Nova York (SUNY), Kathianne Hingwan da City University, de Londres, Zéca Ligiéro, da UNIRIO, cursos com Christian Marcadet do CNRS, França, além da trupe do Teatro Potlach, da Itália, dirigido por Pino di Buduo. O grupo realizou oficinas e um espetáculo envolvendo grupos locais.
INTERCÂMBIOS INSTITUCIONAIS- Atividades conjuntas e sistemáticas com outros Programas , inclusive no MINTER)
O PPGAC está estruturado em torno de quatro linhas de pesquisa. Na linha Matrizes Culturais da Cena Contemporânea estão situadas as pesquisas no campo da Etnocenologia, área do conhecimento que reúne estudos sobre as manifestações espetaculares cotidianas e extracotidianas. Esta se constitui numa das vertentes de pesquisa para diversos projetos. É em função dessa área, de grande relevância no campo das Artes Cênicas, que vêm se estabelecendo os intercâmbios com o Programa Études Théâtrales et Chorégraphiques, coordenado pelo Professor Jean-Marie Pradier, na Universidade Paris VIII – Saint Denis, e com o GRIF- Groupe de Recherches Interdisciplinaires Franco-brésilien, coordenado pela Professora Idelette Muzart, na Universidade de Paris X – Nanterre.
O intercâmbio com os grupos citados acima teve início em 1997, com a vinda à Bahia do Professor Pradier, como participante do III Colloque International d’Ethnoscénologie. Em seguida, o Professor Armindo Bião, do PPGAC, atuou como Professor Visitante na Univerisité Paris VIII, de 1997 a 2001. O professor Sergio Farias, também do PPGAC, realizou seu Estágio Pós-Doutoral na Université Paris X, em 2000 e 2001. A Professora Idelette Muzart veio à Bahia, em outubro de 2001 como convidada especial do II Congresso de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas, promovido pela ABRACE e em agosto/setembro de 2003 como Professora Visitante.
A temática das pesquisas, integradas de maneira mais efetiva nesse intercâmbio, envolve as questões da oralidade, reunindo aspectos da literatura e das artes cênicas e tomando como referências as matrizes estéticas e culturais adotadas pelos sujeitos de cada manifestação cênica.
O PPGAC realizou conjuntamente com a UFRJ – Curso de Dança e com o Centro Coreográfico do Rio de Janeiro dois Encontros Transdisciplinares de Pesquisa em Dança, em 2004 e 2005.
Em 2002, com aprovação da CAPES, o PPGAC deu início a uma turma tipo MINTER com a Universidade Federal do Pará para formar em nível de mestrado os professores da sua Escola de Teatro e Dança. Todos os 17 alunos da turma (que incluiu alguns docentes da UEPA, da rede estadual de ensino e da UNAMA) concluíram o curso em menos de 24 meses, cumpriram todas as exigências estabelecidas pela CAPES, como número de créditos, e inclusive cursaram disciplinas na sede do Programa durante um semestre letivo. Foram credenciados quatro professores (colaboradores) do quadro docente da UFPA, que orientaram alguns alunos e ministraram disciplina. Apesar dos apelos por parte da coordenação da UFBA e da UFPA, a CAPES negou qualquer tipo de auxílio, alegando que a turma não foi criada a partir da chamada em edital. Desde 2000 não são feitas chamadas para o MINTER. As despesas correram todas por conta das duas instituições envolvidas.
2-Os Pontos fortes do Programa:
- Intercâmbio com pesquisadores de instituições de oito países;
- O PPGAC ser o principal centro de estudos de Etnocenologia ao lado de Paris;
- O alto nível de sua produção editorial, com a Revista Repertório, os Cadernos do GIPE-CIT e os livros;
- Alta produtividade na formação de mestres e doutores, com média de 3,5 alunos por orientador, com baixo índice de evasão e baixo tempo médio de conclusão de curso;
- Formação consistente dos docentes, e existência de política de realização de estágios pós-doutorais no exterior;
- Professores pesquisadores e discentes são também artistas em sua grande maioria;
- As Linhas de Pesquisa organizam os estudos sobre as matrizes da cena, a criação, a apresentação do espetáculo e a análise e crítica do trabalho cênico, abrangendo todas as etapas da encenação, favorecendo as abordagens transdisciplinares.
- O Programa atende à demanda de alunos oriundos das áreas de Dança, Teatro, Música, Comunicação, Artes Visuais, Psicologia, Arte e Educação, Educação e outras.
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Sem duvida alguma esse artigo/critica desenvolvida é mais um ponta pé em forma de susto para que as pessoas envolvidas ou nao diretamente com a dança sintam-se no direito de cobrar de tais profissionais excelente qualidade de trabalho.Este fato ocorrido com Paulo Paixao apenas é um exemplar do que acontece tambem geralmente em ” academias” as quais visam quantidade ao inves da tao almejada qualidade.É claro que um evento desse porte se transforma num desconforto para os organizadores e frequentadores os quais tem o ambito de adicionar e trocar conhecimentos.
E só nos fica grado aqui o quao a dança,nao só nacional,mas a internacional tambem, precisa crescer QUALITATIVAMENTE e em segundo plano,como consequencia, em quantidade.