Dentre as iniciativas que propiciaram a divulgação de videodança no Brasil podemos citar o Projeto Rumos Itaú Cultural, que já dedicou dois editais de premiação específicos para este formato em 2003 e 2006, e o Dança em Foco, evento surgido em 2003 com uma programação voltada exclusivamente para a linguagem. Este último tem sua última edição ocorrendo no Rio de Janeiro entre os dias 14 de agosto e 2 de setembro.
Atualmente, podemos citar vários eventos que agregaram em sua grade de atividades um espaço para apreciação de videodança como o Dança Brasil (RJ); Correios em Movimento (RJ); Mostra MOVE de videodança (RJ); Mostra Audiovisual Dança em Pauta (SP), Festival de Dança do Recife (PE), Festival de Inverno de Bonito (MS), entre outros.
Em Brasília, o Festival Internacional Novadança é um dos responsáveis pelo estímulo na criação de videodança. Desde sua primeira edição, em 1996, que o evento contém em sua programação uma mostra de vídeos de dança, mesclando a exibição de registros de coreografias e videodança. A partir de 2004, o Festival passou a dar um enfoque maior ao videodança com a mostra Dançando para Câmera, que faz uma seleção de trabalhos brasileiros e estrangeiros para exibição durante sua programação.
A maior conquista, entretanto, foi a criação de um edital para videodança dentro do festival, lançado em 2006. A proposta é realizar a premiação a cada dois anos. A próxima seleção deverá acontecer ainda este ano e terá o seu resultado anunciado em 2008. Na primeira edição, o patrocínio de R$ 35 mil da Petrobras foi dividido para a produção ou finalização de três trabalhos, selecionados em 2006 e exibidos em 2007: Várzea (SP), com concepção de Ricardo Lazzeta e Estúdio Biajari e direção de movimento de Ricardo Lazzeta; Em Outro Pé (SP), com direção de Kiko Ribeiro e Dafne Michellepis e direção coreográfica de Dafne Michellepis; e De Água nem tão Doce (BSB) com direção de Shirley Farias e coreografia de Laura Virgínia.
Esta iniciativa impulsionou o trabalho de Laura Virgínia no campo dessa nova linguagem. A artista recebeu R$ 5 mil para realização de De Água nem tão Doce, um videodança de sete minutos inspirado no conto homônimo da obra “Contos de Amor Rasgados” de Marina Colasanti. Laura explica que a participação neste edital foi muito importante para viabilizar a produção do vídeo, visto que não existe nenhum edital local voltado para essa linguagem. A única alternativa seria concorrer com outros projetos de cinema, que exige um currículo mais qualificado na área.
A coreógrafa, que costuma criar em cima de textos literários, já tem um próximo projeto de videodança em andamento, que deverá ser exibido em novembro. A intenção é fazer uma espécie de “videodança Haikai”, produções de 17 segundos (5 segundos para primeira linha, 7 para segunda e finaliza com 5),com poemetos Haikai, feitos em câmera de celular e câmeras de fotografia. A idéia surgiu a partir de um workshop de Dança Haikai ministrado por Luciana Bortolleto. Picadinho de amor romântico e Virginia são os dois trabalhos em construção, inspirados em obras de Virginia Woolf.
Antes do edital, apenas dois videodança brasilienses haviam se concretizado: Cidades (2003) e Pequena Paisagem do meu Jardim (2006). O primeiro foi uma iniciativa do coreógrafo e produtor Giovane Aguiar, que dividiu a direção com o cineasta Sérgio Raposo. Com duração de 20 minutos, o filme foi produzido de forma independente, sem patrocínio. O trabalhou rendeu a premiação especial da Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV) “pelo experimentalismo na utilização da linguagem cinematográfica” e ainda uma menção da crítica pela trilha sonora.
O filme Pequena Paisagem do meu Jardim surgiu de iniciativa do intérprete Alessandro Brandão, e foi inspirado na coreografia Eu só existo quando Ninguém me Olha, que ele fez para o grupo baSiraH, do qual faz parte. Brandão, que também é músico e ator, explica que sempre teve interesse na mistura de linguagens e a partir do patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do DF pôde concretizar a vontade de trabalhar com cinema. “Eu sempre tive vontade de fazer cinema e foi muito interessante mergulhar nessa linguagem. Eu já havia trabalhado como ator em filmes, mas foi minha primeira vez por trás das câmeras”, declarou Brandão.
Para a realização do filme, Alessandro contou com a parceria do cineasta Bruno Torres, participando na direção de seu projeto. Desde o início a idéia foi de fazer um trabalho em formato de cinema, por isso Alessandro continua captando recursos, para transformar o filme para 35 mm e melhorar o som. Ao que parece, essa experiência tem estimulado Alessandro no campo de produção de videodança. O intérprete já tem outro projeto na cabeça, de filmar o último espetáculo do baSiraH, intitulado De Água e Sal. Brandão explica que a idéia ainda está em processo e sem expectativas de quando irá se concretizar. A prioridade agora é finalizar o seu primeiro trabalho.
Outro trabalho em fase de construção é o videodança De Carne e Pedra, produzido pela ASQ Companhia de Dança. Em 2005 o grupo recebeu recurso do prêmio Klauss Vianna (Minc) para realizar uma pesquisa sobre dramaturgia do espetáculo Brasília – Cidade em Plano e transformá-la em linguagem para um vídeo. De Carne e Pedra é fruto desse estudo e está em fase de captação de recursos para sua concretização.
A imersão brasiliense nesse novo território tem se mostrado crescente e frutífera. Mas percebemos que a iniciativa tem surgido a partir do desejo dos próprios artistas de dança, associados com pessoas de cinema e vídeo da cidade. Não existe ainda nenhum núcleo de formação específico para videodança, apenas algumas experiências em workshops como aconteceu dentro do próprio Festival Novadança, em 1999, com a cineasta holandesa Angelika Oei.
O produtor do Festival, Giovane Aguiar, percebeu o interesse em videodança não apenas no DF, mas em lugares vizinhos, como Goiânia, onde esteve dando palestras. Ele cita que a inauguração da videoteca no Centro de Dança, em Brasília, também contribui para o contexto. O local abriga uma gama de registros de coreografias e de trabalhos em videodança nacionais e estrangeiros, grande parte doada pelo Festival. Essas iniciativas, acompanhadas por um prêmio de fomento, constituem um grande estímulo para proliferação dessa nova linguagem, não apenas em Brasília, mas no País.

Eng



Que essa linguagem de encontros (dança – video) se prolifere cada vez mais em nosso pais.
Que venham mais editais e festivais de fomento. Obrigada “Dança em foco”, “Novadança” e outros.
Vamos movimentar os corpos, a mente, a camera!!!
olá pessoal!
sou formada em dança pela Unicamp e desenvolvo faz tres anos uma Mostra de Curtas em Campinas/SP: MOSTRA CURTA AUDIOVISUAL
Seria um grande prazer ter a oportunidade de ver a produção audiovisual de Brasilia (e não só a de Brasília), especialmente a de Video Dança, na II Mostra. Na edição do ano passado recebemos um número considerável de produções desse gênero, a maioria do Sudeste.
Eu, como pesquisadora na área do corpo, também anseio em conhecer a produção de todas as partes do Brasil, assim como, proporcionar um espaço de exibição para os que trabalham com essa linguagem.
abraços,
espero poder ver e exibir seus video dança na II MOSTRA CURTA AUDIOVISUAL, as inscrições vão até dia 05 de Setembro.
infos.: http://www.mostracurta.art.br
Liana,
Gostei muito do seu artigo.
Se quiser me envie noticias do seu trabalho.
Um abraco,
Analivia.
Olá, queria acrescentar na sua lista de eventos de videodança, uma festival que está acontecendo pela primeira vez em recife e se encerra hoje. Chama-se Play Rec e é uma proposição do videasta oscar Malta. Estamso vivenciando um laboratório de videodança com dabçarinos videasta e com participação de Tatiana Gentile (rio) e Paula Retore (BH). Foram apresentados os videodanças do rumos 2007, vídeos da america do sul, The cost of living do DV8 e vídeos danças de diversos estados do brasil. Destaco também o vídeo “Hemacromatose”, do pernambucano Bruno César, que esté estreando nesse festival e é bastante bom. Está sendo ótimo e o debate se encaminha para uma articulação maior com a produção de audiovisual local.
parabéns pela matéria
como eu faço para colocar este videodança neste site?
Latão – Loucura como forma de sanidade (YouTube)
Um vídeo-dança experimental, uma performance para uma câmera de Super-8, uma coreografia onde o principal elemento é o ‘Latão’. O bailarino e coreógrafo Ary Coelho apresenta o polêmico e expressivo trabalho “Loucura como forma de sanidade” nos antigos armazéns do cais do porto de Porto Alegre. LATÃO …
http://www.youtube.com/watch?v=lxeFQUn5e14
Brief CV
Dancer and Choreographer Ary Coelho works since 1995 with choreographies in which seeks new ways of expression, using daily body actions as poetical language of dance.
In 2000, Ary Coelho was awarded the PRÊMIO AÇORIANOS for best dancer by his performance in “A + E = D” and “Náufragos em Manhattan” by the Porto Alegre City Hall.
Started his professional carreer at Ballet Teatro Guaíra, in Curitiba, as a classical dancer. Took classes with exponents of Contemporary Dance such as Ana Aulate (Madrid), Eneida Dreher, Frey Faust (USA), Dagmar Dorneles and Bill Young (USA). Entered the Canadian company Newton Moraes Dance Theatre in 2002, having performed presentations in Canada and Brazil.
Settled in Brasília in 2003 where he continued his work as a solo dancer. There he participated in Festival internacional da Nova Dança in 2003 and 2004.
Presented the spectacle “Destilando a Sensibilidade” at the Teatro Nacional Cláudio Santoro, Espaço Cultural Renato Russo and at the Espaço Quasar in Goânia.
Contact
Tel: 55 61- 33671132 61- 84782639.
Adress: SHIS, QI 28, conj. 11, casa 6.
Cep. 71.670-310. Brasilia- DF.
e-mail: ary_coelho@hotmail.com
Liana,
Agradeço imensamente sua presença aqui em Brasília.
Daqui da “periferia” vc informa nossa produção com maestria ao mundo.
Isso é de extrema impoirtância principalmente p nós fazedores.
E acrescentando força aos comentários feitos.
MAIS EDITAIS NACIONAIS PARA VIDEODANÇA!
Abraço de ursa,
Laura Virgínia
Parabéns pelo artigo, queridissima LIana. Muito importante debater este tema e torná-lo público e circulável. Em tempo, estamos juntando em um coletivo de videastas e coreógrafos afins de pensar a linguagem vinculada a um espaço maior de circulação e produção .Em breve, mais novidades.
Gostaria de agradecer a todos os comentários deixados aqui, tanto as sugestões e complementações de informações, quanto os elogios. É muito gratificante ver a circulação de conhecimento acontecer e poder contribuir para isso. Um abraço a todos.
Parabéns pelo acervo q vc já possui epelo dinamismo e divulgação q seu trabalho alcançou, Considero a videodança um veículo novo e inovador para consolidação da arte no ambiente educativo brasileiro. Estou começando um trabalho de produção de videodançajunto aos alunos das escolas públicas no Rio de Janeiro e eles estão achando interessantíssimo.
Abraços
http://www.youtube.com/watch?v=8yaonlXQTlM
ótimo vídeo dança!
arte para todos…
sou do Maranhão. comecei pesquisa em video dança tem pouco mais de uma ano e já não consigo mais me separar dela. Parabens pelo trabalho do idança na divulgação dessa arte…
eu adorei os videos eles sou muitos engraçados