A produção deste texto surge no momento em que desenvolvo meu projeto de dissertação no Mestrado em Dança da Universidade Federal da Bahia sobre os currículos das Licenciaturas em Dança no Brasil. O interesse de debruçar-me academicamente sobre este tema surge também por minha experiência como dançarino e professor no Ensino Fundamental, Médio e Superior, tendo a Dança como principal elemento artístico-pedagógico. Durante o percurso de estudos desenvolvido até aqui pude perceber que a produção acadêmica sobre ensino de Dança em nível superior ainda é muito pequena, visto que este campo de atuação também é relativamente novo no Brasil, como mostrarei adiante. Contudo, estudos que deflagrem ou problematizem as questões próprias deste universo, ou mesmo que demonstrem os avanços e sucessos de propostas artístico-pedagógicas relevantes, colaboram no sentido de ampliar o debate sobre a formação dos profissionais da Dança em todo o país.
Nesta pesquisa meu interesse consiste em avaliar as (im)pertinências dos currículos de Licenciatura em Dança no que se refere à capacidade de construir uma sistematização tanto da cultura artística quanto das práticas didáticas pautados nas noções contemporâneas sobre dança, corpo, e educação. Estão sendo avaliados neste estudo os currículos e os projetos pedagógicos de cursos de Dança no Brasil que tenham a Licenciatura como foco em suas modalidades de formação. Nessa oportunidade acesso uma coleção de dados que me permite traçar o que venho chamando de geografia atual do Ensino Superior em Dança no Brasil, em nível de graduação. Ao compartilhar estas impressões iniciais com o leitor, abro também a possibilidade para o intercâmbio de idéias que certamente trará contribuições para o avanço de minha pesquisa bem como alimentará discussões sobre o tema da formação do profissional da Dança em nível universitário. Contudo, cabe ressaltar que me concentrarei em desenvolver aqui neste texto os aspectos pertinentes às minhas reflexões sobre o contexto pedagógico do ensino da Dança em nível superior, especificamente, a formação de professores de Dança.
O texto aqui apresentado é uma revisão ampliada do material publicado no site da Rede Sudamericana de Danza , em julho de 2007.
Breve mapeamento
Vivemos numa época caracterizada pelo volume e grau de transformação produzida em todos os níveis do conhecimento. O pensamento científico, após varias revoluções que marcaram significativamente a história da humanidade, vem questionando a vigência de suas propostas, bem como a natureza dos seus métodos e fundamentos do seu fazer. Essas mudanças chegaram também para a filosofia, as religiões, as artes, a educação e suas instituições. Contudo, “concordam diversas interpretações em que os sistemas educacionais não se saíram bem nestes desafios, e que apresentam uma considerável rigidez nas suas estruturas, em seus métodos e conteúdos”. (RUZ, 1998, p. 98). Ao propor uma análise das estruturas que sistematizam a formação do professor de Dança em nível superior fez-se necessário reunir uma série de informações históricas que podem apontar uma possível trajetória para o percurso da Dança nas universidades brasileiras. Tenho clareza da complexidade dos fatos históricos e, portanto, mesmo primando por certo cuidado na busca das informações aqui compartilhadas, não me isento de cometer alguma falha em tais apontamentos. Além do que, este intento tem também por função compartilhar informações para a análise da classe de Dança recebendo críticas e sugestões que, certamente, poderão colaborar para um registro mais seguro historicamente.
Conforme aponta a professora Dulce Aquino (2003), durante muitos anos, o estudo da Dança no Brasil esteve resguardado pelas Escolas Municipais de Bailados dos teatros de grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro. Criadas entre as décadas de 1920 e 1940, a especificidade de ensino destas escolas era a preparação profissional de bailarinos para os corpos de baile destes teatros. Desta forma, a ênfase se dava quase que exclusivamente no trabalho técnico do dançarino e, como não havia espaço para todos os profissionais nas companhias oficiais residentes, “os excedentes (…) optavam, em geral, por continuar suas atividades profissionais exercendo o magistério de dança” (AQUINO, 2003, p. 37-38). Não havia até o momento um espaço para sistematização do conhecimento em Dança na direção de uma reflexão sobre questões pertinentes a área, que pudesse ampliar as possibilidades para outros entendimentos que extrapolassem o viés técnico-instrumental próprio das academias e ateliês de dança. Este conhecimento instrumentalista não era suficiente para que a dança pudesse avançar nas discussões dos seus próprios problemas aumentando suas possibilidades de estudos sem o caráter restrito da abordagem de técnicas tradicionais.
A trajetória da Dança no ensino superior no Brasil tem seu início com a criação do primeiro curso de Dança em 1956, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). O curso foi reconhecido pelo Ministério da Educação em 1962 e conferindo diplomas de Bacharelado e Licenciatura em Dança. Cabe ressaltar que os dados de criação/implantação e reconhecimento dos cursos de Dança utilizados neste texto forma consultados no portal eletrônico do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) do Ministério da Educação (MEC), disponível em <www.educacaosuperior.inep.gov.br>.
A Escola de Dança da UFBA fez parte do projeto empreendedor do reitor Edgard Santos (1884-1962), frente a então denominada Universidade da Bahia. A criação das Escolas de Teatro e de Dança em 1956 ampliaria o espaço destinado às artes nesta instituição iniciada com a inauguração da Escola de Belas Artes em 1877 – agregada em 1946 à Universidade da Bahia – e a criação do curso de Música em 1954.
Conforme salienta Pinheiro (1994), o contexto no qual a UFBA cria seu curso superior de Dança, traz em suas experiências iniciais, o vanguardismo da Dança Moderna caracterizado pelo rompimento com os valores estéticos próprios do balé clássico e do balé romântico. O modelo inicial que direcionava o trabalho da recém criada Escola de Dança da UFBA, apesar de trazer significativas contribuições para o estudo da Dança no contexto nacional e ser reconhecida como centro gerador de um movimento estético inusitado para a época, “não colaborou no sentido de esclarecer o diferencial do ensino superior em dança e apenas na ultima década começou a ser repensado” (GREINER, 2006, p. 31). Essa análise parece anunciar a necessidade da compreensão, por parte da Dança, da universidade como locus para produção e disseminação do conhecimento, apoiada em intercâmbios filosóficos e epistemológicos geradores e alimentadores de teorias, condição própria de uma área de conhecimento.
Através do exercício reflexivo constante e das próprias demandas da Dança no universo acadêmico, desde o início dos anos 2000, a Escola de Dança da UFBA vem estudando uma proposta de reestruração curricular que se propõe a reintegrar conteúdos de disciplinas em um corpo de conhecimentos, que toma como objetivo a integralidade da produção artística, conectada com o fazer pedagógico e a reflexão crítica de questões próprias à Dança. Esta nova proposta curricular foi aprovada em 2005 pelo MEC, e hoje, os conhecimentos que integram os componentes curriculares básicos estão organizados em módulos e laboratórios, e são trabalhados simultaneamente, por no mínimo dois professores com competências específicas aos estudos demandados durante o desenvolvimento do módulo.
No final da década de 1970 e início dos anos 1980, diferentes organizações da classe de Dança no Brasil, preocupadas com a situação da área naquele momento, estimularam o surgimento de espaços para debates, cursos e outras atividades de formação que pudessem contribuir na identificação de possíveis lacunas que pareciam emergir no processo de atuação dos profissionais da área. Sobre este aspecto, Katz (1983) destaca a iniciativa de duas comissões atuantes na área da Dança, naquele período, no estado de São Paulo: o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Diversões do Estado de São Paulo e a Secretaria de Estado da Cultura. Estes dois órgãos viriam então “declarar o ensino da dança em crise e empreender uma reavaliação conjunta”. (KATZ, 1983) Já havia uma motivação para a possível criação de um curso de Dança em nível superior para São Paulo, mas os artistas da época entenderam a necessidade anterior de formação especializada para quem fosse atuar neste futuro curso, daí a importância das oficinas e cursos de formação estimulados na ocasião.
Durante quase vinte e cinco anos a UFBA foi a única instituição a formar profissionais da Dança em nível superior no Brasil. Em 1984, foi implantado o curso de Dança da Faculdade de Artes do Paraná (FAP), sendo reconhecido pelo MEC em 1988, com opções para Bacharelado e Licenciatura.
No estado do Rio de Janeiro, em 1985, o Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) criou seu curso de Licenciatura em Dança sendo pioneiro na área em todo o estado. Da mesma forma que o curso da FAP, a UniverCidade obteve seu reconhecimento em 1988. Ainda em 1985, a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), abre as portas para a comunidade nas opções de Bacharelado e Licenciatura em Dança. O reconhecimento do curso de Dança da UNICAMP deu-se no ano de 1992. Cabe ressaltar aqui a iniciativa da Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) que, em 1986, criou a Faculdade de Dança. Não há muitas informações disponíveis sobre este curso, contudo, sabe-se que hoje a UNIMES não mais oferece formação superior em Dança.
Estas quatro Instituições de Ensino Superior foram responsáveis por uma mudança significativa no cenário da Dança produzida no Brasil, não só na produção acadêmica como também na produção artística. Antes deste acontecimento, muitos profissionais da área buscavam suas formações superiores em cursos da área da Saúde como: Educação Física e Fisioterapia ou ainda nas áreas das Ciências Humanas, como: Pedagogia e Psicologia. Ademais, a formação em outras áreas de Artes (Música, Teatro e Artes Visuais) no Brasil ainda era uma realidade tão tímida quanto a própria formação em Dança.
Dando continuidade a este processo de efervescência para novos cursos de Dança, em 1991, a Faculdade Paulista de Artes (FPA), inaugura seu curso de Bacharelado e Licenciatura, sendo este reconhecido pelo MEC em 2002. Em 1994 (reconhecimento em 2006), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), abre seu curso de Dança com opção apenas pelo Bacharelado, funcionando no período noturno, junto à escola de Educação Física desta instituição. No mesmo ano a Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ) no Rio Grande do Sul apresenta seu curso de Licenciatura em Dança, obtendo seu reconhecimento em 2002.
Na capital paulista, a Universidade Anhembi Morumbi e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) abrem em 1998, seus cursos de Dança tendo o reconhecimento do MEC em 2002. A Anhembi Morumbi com Bacharelado e Licenciatura e a PUC/SP apenas com Bacharelado em Comunicação das Artes do Corpo, habilitação em Dança com opções também em Teatro e Performance.
O ano de 2000 se inicia com a abertura de três cursos: Faculdade Angel Vianna (FAV) no Rio de Janeiro com opções para Bacharelado e Licenciatura, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, ambas com as duas opções de formação. A FAV e a UFV obtiveram seu reconhecimento em 2006. A base de dados do INEP não apresenta informações sobre o reconhecimento do curso de Dança da UEA. Em 2002 (reconhecimento em 2006), a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) passa a oferecer a opção para Licenciatura em Dança.
No início deste ano de 2007, surge o último curso de Dança em nível superior de que se tem registro no Brasil. Trata-se da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) com opção de formação em Licenciatura. Vale ressaltar que outras iniciativas estão em estudo como é o caso da Universidade Federal de Minas Gerais em Belo Horizonte, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte em Natal e a Universidade Federal de Pernambuco em Recife.
Ainda dentro deste panorama histórico vale ressaltar a existência dos cursos Superiores de Tecnologia na área da Dança. Esta modalidade de ensino, conforme indica o Ministério da Educação, tem como objetivo formar profissionais para atender campos específicos do mercado de trabalho, tais como: bailarino, assistente de coreografia, coreógrafo, dramaturgo de dança, dentre outros. Ao final de dois anos de curso, o Tecnólogo em Dança, poderá dar continuidade aos estudos em nível de pós-graduação stricto sensu e latu sensu. Os cursos Superiores de Tecnologia possuem um tempo de duração de dois anos. São, portanto, mais breves que os cursos de graduação que se organizam num tempo de integralização entre três anos e meio e cinco anos. Atualmente temos no Brasil o Curso Superior de Tecnologia em Dança da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) localizado na cidade de Canoas, no estado do Rio Grande do Sul, criado em 2003, e o Curso Superior de Tecnologia em Dança de Salão e Coreografia da Universidade Estácio de Sá no estado do Rio de Janeiro, com início em 2006.
De acordo com os dados do INEP/MEC, o Brasil possui hoje, em funcionamento, doze cursos superiores com opção em Licenciatura e Bacharelado, dos quais sete são de caráter público e cinco de caráter privado. Dois cursos com opção apenas para o Bacharelado em Dança, sendo um privado e um público, e dois cursos “Superior Tecnológico” em instituições particulares. A maior concentração desses cursos é na região sudeste do país, totalizando nove opções. Em seguida vem a região sul com quatro cursos, depois o nordeste com dois cursos e por fim a região norte com uma única opção. A região centro-oeste não possui ainda nenhum curso de Dança em nível universitário.
Contingências do modelo 3 + 1
Se concordarmos com Brzezinski (1998) que o currículo é um elemento da organização do processo educacional, um olhar atento sobre sua articulação dentro do próprio sistema educativo pode deflagrá-lo como mediador na interação entre a política educacional e os anseios da sociedade. Na mesma medida, tal relação se estende também na função do professor enquanto mediador entre os conhecimentos produzidos na realidade social e os conhecimentos elaborados na vivência educativa. Desta forma, as implicações no processo de formação do professor organizadas por uma proposta curricular, podem apontar diferentes maneiras de entendimento da relação teoria e prática, compreendidas neste estudo como um desdobramento do dualismo mente e corpo.
Segundo Brzezinski (1998), teríamos pelo menos três visões na forma de compreender currículo na relação teoria e prática: 1) uma compreensão dissociativa do currículo que seria marcada por dois momentos muito distintos na sua estruturação, sendo eles, a dimensão teórica do currículo com uma forte base na aquisição de conhecimentos acumulados ao longo do tempo; e uma dimensão prática do currículo com foco no fazer pedagógico. 2) uma visão associativa do currículo que justapõe teoria e prática (formação geral e formação específica). Nesta compreensão de currículo teoria e prática continuam separadas; e 3) currículo como expressão da visão de unidade no qual teoria e prática não aparecem separadamente. “A própria natureza de indissociabilidade da teoria e prática nega a viabilidade de se dar um ‘lugar certo’ para cada uma delas, elas se colocam numa relação dialética”. (Brzezinski, 1998, p. 169).
Até o momento tive acesso ao material de quatro Instituições de Ensino Superior do universo de dez cursos que foram selecionados para fazer parte desta análise. Conforme dito anteriormente, o Brasil possui hoje doze cursos de Licenciatura em Dança, dos quais dez funcionam atualmente com matriculas e alunos regulares.
O atual modelo de organização curricular da maioria dos cursos de Licenciatura no Brasil, não apresenta mudanças significativas desde sua criação. As modificações surgem basicamente após a necessidade de adequação das propostas a partir das indicações das Diretrizes Curriculares Nacionais no início dos anos 2000. Muitos desses cursos estão desenvolvendo uma reformulação em suas matrizes curriculares, mas ressalto que os dados utilizados no estudo foram aqueles disponibilizados pelas instituições em seus projetos pedagógicos ou mesmo nas informações encontradas nos sites das mesmas.
Um dos aspectos mais recorrentes para os cursos de Licenciatura em geral, como aponta Diniz-Pereira (1999) – e os cursos de Dança não fogem a este universo -, é que a estrutura desses cursos, em sua maioria, é apresentada no formato 3 + 1 (visão associativa), no qual o aluno é submetido a três anos de disciplinas de conteúdos específicos para a área, com mais um ano de disciplinas com natureza pedagógica. Essa configuração sugere um entendimento de que as disciplinas de natureza pedagógica possuem um caráter distanciado das disciplinas de conteúdo específico, ou seja, como se uma validasse a função da outra numa compreensão hierárquica e verticalizada.
Tal entendimento pressupõe ainda uma desconexão dos problemas de cada área do conhecimento, mesmo quando essas fazem parte de um único sistema educacional. Na Dança, por exemplo, os modelos dos cursos de Licenciatura, organizam seus currículos de maneira que o graduando experimente, no início de sua formação, os componentes curriculares entendidos como sendo do Eixo Básico ou Específico. Este Eixo Básico é constituído por componentes que discutem problemas específicos da Dança, como: estudos de composição coreográfica, estudos de técnicas de dança, história da dança, estudos das relações entre preparação corporal, criação e análise crítica em dança, estudos do movimento (cinesiologia, anatomia, fisiologia), dentre outros. No entanto, as questões que surgem no momento em que o aluno está experimentando sua docência, não têm a oportunidade de serem analisadas e problematizadas com os demais colegas e professores durante o estudo dos conceitos próprios da área. Ou seja, parte-se do princípio de que o aluno já possui as informações básicas necessárias para ensinar Dança e por isso ele pode experimentar este lugar de professor.
Esta estrutura de organização dos cursos de Licenciatura se encaixa no que se entende por formação de professor pelo “modelo da racionalidade técnica” (Schön, 1993 apud Gómez, 1995, p. 96). Segundo este modelo “a actividade do profissional é sobretudo instrumental, dirigida para a solução de problemas mediante a aplicação rigorosa de teorias e técnicas científicas”. (Gómez, 1995, p. 96). Esse modelo da racionalidade técnica apresenta, segundo Diniz-Pereira (1999), três grandes problemas: 1) a separação entre teoria e prática na preparação profissional docente; 2) a concepção de prática como mero espaço de aplicação de conhecimentos teóricos; e 3) a crença de que para ser um bom professor, basta o domínio da área que vai ensinar. Neste entendimento de ensino, as disciplinas de conteúdo específico antecedem as disciplinas pedagógicas e articulam-se muito pouco a estas. Além do mais, o contato com a realidade pedagógica acontece no final do curso, de maneira pouco integrada com a formação teórica prévia. Desta forma, o que temos é “uma licenciatura inspirada em um curso de bacharelado” (Diniz-Pereira, 1999, p. 113), com a intenção de ensinar técnicas ao licenciando que o tornará apto para transmitir o conhecimento, tornando-se assim um professor com caráter instrumental.
Esse ponto revela, junto a outros, um ensino de Licenciatura em Dança organizado de maneira fragmentada que ainda resvala em dualismos como corpo e mente, teoria e prática, preparação corporal e criação cênica, dentre outros. Esta característica de especialização do conhecimento (Morin, 2005) impede o indivíduo em formação de ver o global. Quando se trabalha o foco da especificidade do saber, perde-se a noção do conhecimento como um todo, fato este que dificulta em grande medida, um trabalho educacional que procure fortalecer a relação entre os conceitos, idéia central do pensamento contemporâneo de Educação.
William E. Doll Jr., em seu livro Currículo: uma perspectiva pós-moderna apresenta uma reflexão sobre o desenvolvimento da noção de currículo ao longo dos tempos indicando as interferências do pensamento pré-moderno e moderno na sistematização e entendimento deste processo pedagógico. Para Doll (1997), as idéias desenvolvidas com o pensamento moderno, não proporcionaram um bom modelo para a educação da humanidade. Doll indica a influência do método cartesiano para a obtenção da certeza, bem como a predizibilidade newtoniana como fortes indicadores na construção de uma idéia de “boa educação” como sendo aquela que busca pela verdade. Para este autor, as metáforas mecânicas que emergiam com o paradigma moderno de compreensão da realidade fundamentaram não somente a Ciência moderna, mas também uma idéia de currículo “mecanicista” e “cientístico” identificados até os dias de hoje. “Neste currículo de orientação mecanicista os objetivos estão fora e são determinados antes do processo instrucional; uma vez firmemente estabelecidos, eles são ‘conduzidos ao longo’ do currículo.” (DOLL-JR., 1997, p. 44) Nota-se que o controle parece ser uma característica forte do paradigma modernista.
A noção de currículo como modelo pré-estabelecido de rendimento e aquisição de conhecimento é apontada por Doll Jr. (1997) nos diversos segmentos educacionais: da educação infantil ao ensino universitário. Além deste conceito de ordem abstraída, outros três conceitos são apresentados e discutidos pelo autor como sendo importantes na estruturação do currículo como abrigo para uma série de materiais e tarefas a serem garantidas: “o sequenciamento linear, as relações de causa-efeito e a negação da mudança qualitativa ao longo do tempo.” (DOLL-JR., 1997, p. 52) Em linhas gerais, tais conceitos esbarram numa compreensão de currículo enquanto um pré-ordenamento de tarefas e de uma educação que têm por função mensurar os resultados à luz de padrões fixados previamente. Esta noção de causa e efeito, segundo Doll Jr. (1997), é uma herança newtoniana poderosa em nossa forma de ver e agir no mundo.
Ao tratar da formação de professores de Dança em nível universitário, proponho a compreensão do ambiente educacional como um lugar de troca de informações, que estimule questionamentos e favoreça o entendimento e/ou reelaboração de conceitos. Para tanto, faz-se necessária uma atuação do professor enquanto sujeito que promove um estado de abertura para novas conexões das informações negociadas, estimulando no aluno uma postura de co-responsabilidade com a criação deste ambiente de troca e a possibilidade de uma experiência de autonomia nessa organização. Para tanto, é preciso uma formação que garanta a vivência deste espaço de troca colocando o futuro professor em situações que estimulem a postura investigativa na descoberta e estruturação dos problemas as serem manipulados na sua ação artístico-pedagógica.
Não tenho a pretensão de chegar aqui a conclusões definitivas, inclusive por não acreditar na fixidez de uma única alternativa. Contudo, diante deste trajeto histórico e das análises curriculares iniciais, opto por compartilhar com o leitor uma questão que me parece pertinente para esta reflexão: como os cursos de Licenciatura em Dança podem garantir modos de organização curricular que fortaleçam e dêem conta do entendimento da Dança como área autônoma de conhecimento? O espaço está aberto para o diálogo e reitero a importância do encontro de idéias para o fortalecimento do debate, bem como a compreensão de outros caminhos possíveis.
Referências Bibliográficas:
AQUINO, Dulce. Dança e universidade: desafio à vista. In: Lições de Dança 3. Pereira, Roberto e Soter, Silvia (Org.). Rio de Janeiro: UniverCidade, 2003.
BRZEZINSKI, Iria. Notas sobre o currículo na formação de professores: teoria e prática. In: SERBINO, R. V. (Org.). Formação de professores. São Paulo: Unesp. 1998. p. 161-174.
DINIZ-PEREIRA, J. E. As licenciaturas e as novas políticas educacionais para a formação docente. Educação & Sociedade, Campinas, SP, v. 68, p. 109-125, 1999.
GÓMEZ, Angel Pérez. O pensamento prático do professor: a formação do professor como profissional reflexivo. In: NÓVOA, António (Org.) Os professores e sua formação. Lisboa: Publicações Dom Quixote. 1995. p. 95-114.
GREINER, Christine. Arte na universidade para germinar questões e testar procedimentos. In: XAVIER, J. MEYER, S. TORRES, V. (Org.). Tubo de Ensaio: experiências em dança e arte contemporânea. Florianópolis: Ed. do Autor, 2006. p.31-35.
KATZ, Helena. Ensino deficiente prejudica o setor. Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 nov. 1983. Ilustrada.
MORIN, Edgar. Cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
PINHEIRO, Juçara B. M. Edgard Santos e a origem da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia: a utopia de uma razão-apaixonada. 1994. p. 114. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Salvador.
RUZ, Juan. Formação de professores diante de uma nova atitude formadora e de eixos articuladores do currículo. In: SERBINO, R. V. (Org.). Formação de professores. São Paulo: Unesp. 1998. p. 85-101.

Eng



Não consegui abrir a versão em português do texto na íntegra.
O que faço?
Espero resposta]
Raquel
Oi Rachel
aqui no nosso computador esta aparecendo normal. o que acontece no seu?
abraço
(Ex) professor Alê!
Este assunto que aborda é de extrema importância.
Para ser breve, acredito que para contribuir a dscussão que você promove poderia ser interessante repensar:
1) a pertinência do processo seletivo e seus objetivos co-relacionando e contextualizando as necessidades locais e os redimensionamentos do próprio conhecimento;
2) avaliar ao mesmo tempo tais pertinências em nossa graduação (Ufba) a partir das posturas pedagógicas desenvolvidas pelos formados desde o início da reforma até então;
Uma questão me pegou: é pertinente que o curriculo leve em conta aspectos mercadológicos em todas suas nuanças ?. POr exemplo:dança é ensinada em academias e obviamente vai continuar sendo. O professor graduado em dança não vai só atuar na Universidade, ele carrega consigo novas perspectivas para o ensino da dança em outros lugares. Como esse novo olhar pedagógico, esse novo fazer- pensar do sujeito transformado pelas questões levantadas na graduação pode exercer esse papel mediador nas míseras (e com outros objetivos) horas-aula das escolas de dança ?
Abraço!
Alana,
Antes de mais nada, muito obrigado por suas considerações sobre o texto! Fico feliz que tenha se sentido motivada pelo convite ao diálogo.
O recorte que faço para minha pesquisa não elege o processo seletivo da univeridade como foco central de estudo, mas concordo quanto a relevância desta discussão e de sua implicância na formação do professor de dança. Posso falar aqui sobre minha experiência como professor participante deste tipo de seleção. Não acredito na eficácia de um processo seletivo para cursos de dança na universidade que contemple uma visão tecnicista ou mesmo com certo privilégio para determinadas formas de se praticar dança. No último processo seletivo da Escola de Dança da UFBA, experimentamos uma forma de trabalho que pudesse estimular uma postura investiga, bem como uma disposição para a solução de problemas na área da dança para os canditados. O resultado foi bastante satisfatório demonstrando, inclusive, um avanço em relação aos anos anteriores. Contudo, vale ressaltar que trata-se de um processo e as adapetações serão sempre necessárias.
Também tenho um enorme interesse em verificar a situação do graduado em dança após a finalização do curso. Pensei, inclusive, em contemplar isso em meu trabalho. Mas, por questões metodológicas e também temporais, vou deixar este tópico para uma próxima etapa. Quem sabe no doutorado.
Quando você traz a questão da relação do mercado com a formação do profissional, penso que seria complicado pensar que tais aspectos não se implicam mutuamente. Pode ser que, em algum momento, um sobressaia mais do que o outro.
Certamente, o professor de dança não atuara apenas na universidade – nem há espaço para isso. O que proponho é a análise de um aspécto da formação deste profissional e a relação deste com outros pontos do processo. Se as questões, conceitos, experiências e idéias mobilizadas ao longo de sua formação o fizerem propor outras metodologias, que exijam outras estruturas organizativas, diferentes relações com o tempo etc., elas deverão ser propostas pelo profissional. A negociação poderá ser feita e, como em todo processo dialético, haverá mudanças para ambos os lados, ou seja, o mercado muda a forma de preparar o profissinal e vice-versa.
Espero que tenha colaborado contigo!
Abraço pra você também!
oi aLê.
Tinha lido já, mas voltei p vê os coments. Me interessei qnt a questão do mercado hibricando com a questão dos alunos formandos do curso de graduação em dança. Eu sou um deles (aÊÊ!).
Enfim, acho mesmo que uma faculdade não pode organizar seu curriculo, muito menos seu projeto político pedagógico a partir das lógicas mercadológicas. Acredito na formação integral e quando se trata em formação em artes, em dança, isso torna-se gritante. Formar o homem como um corpo que pensa, age, reflete e repica, repete e tenta novamente, produz, investiga e DANÇA e não se dá por satisfeito…
Essa não satisfação é a parte mais importante. Não se trata da Escola criar um aluno frustado………………NAO!
Sim uma pessoa que sempre reconhece a necessidade de procurar mais e tentar d novo, produzir, refletir, subverter, resignificar e dançar (sem ordens a priori). Uma sensação de “vidro embaçado” que eu tenho q sempre esfregar com a flanela novamente.
Daí acredito q seguir puramente as leis do mercado não contribuiriam para este processo, pq essas leis são claras. Seguem padrões fixos, tipo: dança é “a Dança”. Corpo é “o corpo”. Assim, o modelo é o modelo, por isso identificável, reconhecível, assimilável… preparar para esse modelo??? Não há muito oq descobrir nele, pq ele já está dado.
Campanha a favor da formação integral!!! O recorte (mercado, família, amigos, palco, rua, paquera, etc) cada um dá a partir de seus desejos: em que vou utilizar essa minha formação?? De que me serviram esses 4anos? Como um processo autônomo para o graduando.
Eu estou me formando agora (aÊÊÊ – já disse), em licenciatura. Ainda assim, os processos vivenciados na graduação, onde fui participativo, acredito, influenciou demais na postura propositiva e é essa postura q me faz acreditar q posso ir para o mercado não somente como professor, mas como um criador, bailarino, produtor, “palpietagem e balaiagem”. Isso independe das leis do mercado, pq me sinto capaz de, se preciso, formar outros espaços.
Criar novos espaços é sempre difícil… ainda q tenha q dançar para apenas duas pessoas na platéia (a mãe e o colega).
Num sei, penso q oq nos move estão além das verdinhas… pq se não, haveríamos todos parado.
abraços,
sRg
Alê,
Muito importante seu levantamento sobre as universidades que estão ativas. Sou formada pela Ufba em Licenciatura mas, fiz um curso técnico na Funceb (antes destinado para formação de professores de dança), e fico pensando sobre educação e arte: a metodologia em dança ainda é precária em suas discussões sobre sua especificidade de ensino. Como construir uma prática educacional com um aluno que não vivencia um modelo de autonomia na sua escola de ensino fundamental??
Sou professora da Funceb e percebo necessidades específicas para um curso técnico em dança, considerando que a arte não pode ser configurada de forma tecnicista. Acho que o professor precisa sair da univrsidade com uma diversidade de possibilidades de construir sua prática pedagógica, sabendo que é inevitável encontrar muitos problemas sociais no aluno e no sistema de formação de artistas que está fora da universidade. Ser professor é um “fazer”, então acredito que os alunos de uma universidade licenciada devem estar trocando com a realidade da dança e listando suas posíveis mudanças. É utópico pensar que isso acontece apenas a partir da mudança de pensamento do professor ou da universidade. Construir junto com o que existe pode ser uma saída, porém, as escolas de ensino superior precisam trocar mais, chegar mais perto das instituições de arte entendendo as mesmas como não-universidades.
Entendo o seu recorte nos currículos mas, o seu texto instiga a vários links.
Um abraço!!!
Líria
Olá Alê,muito interessante essa sua pesquisa e acredito que nesse
momento de contrução do saber e desse “novo olhar” para a dança como
área de conhecimento na comunidade da Escola de Dança-UFBA, se torna de
grande importância e de grande relevância a contribuição dessas
informações para todos.Não só por se referir ao nosso ambiente de
estudo,trabalho etc,mais para pensarmos, refletirmos e analisarmos o
ensino superior de dança atualmente.
Muito valiosa sua pesquisa e informações sobre.
Parabéns e Sucesso.
Abraçs
ola.
Boa noite.
Sou aluno da Faculdade de ARtes do Paraná, felizmente estou me formando este ano, saio de lá com título de Bacharel e Licenciatura.
Esse ano passou a ser o último ano de vestibular para Bacharel e licenciatura em um único curso, a partir do ano que vem o vestibular será ofertado somente para Licenciatura… Sentimos isso como um progresso curricular de nossa faculdade, pois estava difícil dar conta de formar esse bacharel/professor, sem que ele saísse de lá optando por um das duas para seguir sua carreira. O mercado aqui em Curitiba tem uma demanda por professores graduados em dança.
COmo aluno posso dizer que sinto que nosso curso se mantém-mantinha- em um curriculo que separa a teoria da prática, que forma em seus trÊs primeiros anos o ‘bailarino’ com experiências práticas intensas e no último ano fornece uma grade horaria extensa voltada a licenciatura (3+1).
A questão dos estágios supervisisonados também são relevantes em nossa instituiçõa, pois o local onde eles acontecem ‘norteiam’ o rumo das aulas de licenciatura do último ano.
GOstaria de reproduzir a sua pergunt aqui: “como os cursos de Licenciatura em Dança podem garantir modos de organização curricular que fortaleçam e dêem conta do entendimento da Dança como área autônoma de conhecimento?”
Para minha situação atual sinto que a pesquisa voltada ao planejamento e organização do ensino da dança ainda é fraca em nosso país, fraca no sentido de que existem raras referências e pouca pesquisa nesse sentido. Em nosso curso superior é pouco valorizado a pesquisa em ‘licenciatura’ na dança, tendo no nosso TCC – trabalho de conclusã de curso- voltado ao bacharel, ou seja, no momento que o aluno faz a sua pesquisa mais profunda na FAculade ela é voltada ao Bacharel.
Não existem, ainda, em nosso curriculum matérias que sejam voltadas a uma pesquisa, descobrimento, de metodologias de dança. Seria pertinente que a dança desenvolvesse o ensino da dança, precisamos entender que existem diversos tipos de danças e que eles exigem diversas maneiras de ensino. Apesar de tudo ser dança, o ensino da dança clássica em escolas profissionalizantes exigem professores preparados de maneira diferente do ensino da dança contemporânea para crianças de 3 a 6 anos no ensino regular.
Imagino que um curso de licenciatura ainda seja pouco para tantas especificidades da dança hoje em dia.
Ok, este ano me formo em BAcharel e Licenciatura em dança pela FAP, quanto começo a pensar onde irei atuar profissionalmente percebo o quanto não posso estar nos lugares que tem ‘dança’. O que é o professor de dança? O que ele pode ensinar? dança? que tipo?? Que tipo de professor e que tipo de dança estamos a ler nesse seu texto??
Obrigado abraços TOm REikdal
Tentarei contemplar os comentários feitos até aqui.
Sobre a colocação de Sérgio:
Colocando em outras palavras, não entendo o mercado como uma entidade completamente apartada das outras coisas que fazem parte da realidade, inclusive da própria universidade. Da mesma maneira que não acredito que a melhor forma de pensar um currículo de formação de professor de dança seja a “forma mercadológica”. Contudo, desconsiderar a existência do mercado também não parece ser a melhor estratégia, até porque é justamente essa a oportunidade que temos de nos colocarmos em relação a ele: seja funcionando na mesma lógica, seja propondo outra leitura/ação. Não seria justamente pelo fato de tentarmos “ignorar” a existência do mercado, que acabamos por agir dentro dessa lógica que não queremos? Desta maneira a dança continuará sendo “a dança” e o corpo continuará sendo o “corpo”, pois ignoramos a possibilidade de, através do seu mecanismo, propormos algo que seja “diferente”.
Vejo um problema em pensarmos numa formação “integral”, pois, ao elegermos uma proposta universalizante estamos considerando a existência de um modelo, visto que, “integral” é sempre em relação a algo/alguém. Talvez caiba aqui a pergunta: integral para quem ou para quê? Não estaríamos aqui entrando na “lógica do mercado”?
Um processo formativo não consegue isolar-se tanto do resto do mundo a ponto de tornar-se uma bolha. Se isso de fato acontecer o processo acaba, morre, deixa de existir. Desta maneira, a possibilidade de mobilidade é sempre existente e o grau de mobilidade irá depender da ação dos envolvidos no processo. Por isso, as escolhas são bem-vindas, aliás, acredito que elas são necessárias!
Parece-me, Sérgio, que ao “criar outros espaços” você não desconsidera o mercado e nem se isola dele. Pelo contrário, você está muito atento a ele e por isso consegue propor algo que talvez ele não “contemple”. Você cria junto com este espaço uma proposta de ação que re-organiza o mercado. Novamente, o relação é direta e retroalimentadora: mercado-formação-mercado-formação…
Concordo com você que a motivação, interesse, desejo ou seja lá o que for, é maior que “as verdinhas”, mas mesmo funcionando em uma outra lógica as verdinhas são importantes para nossa permanência, visto que não estamos isolados.
Líria e Carine,
O trabalho desenvolvido na maioria das escolas públicas de Ensino Fundamental e Médio no Brasil parece utilizar-se ainda de um pensamento de educação que desconsidera uma série de proposições desenvolvidas nas últimas décadas em diversas áreas do conhecimento. Ainda sentimos falta de um “planejamento a priori”, que desconsidera o contexto, a emergência e a indeterminação. Mesmo usando o “vocabulário da moda” parece haver uma dificuldade enorme em trabalhar com a idéia de autonomia. Tal condição parece-me natural em função de uma experiência histórica que garante a permanência deste tipo de procedimento. Difícil é continuar agindo da mesma maneira (quando esta se mostra ineficiente ou inadequada) se temos a oportunidade de outros caminhos.
Concordo quanto à incompatibilidade deste vácuo entre o que acontece na universidade e a realidade da área de atuação. Por isso o espaço de ação deste futuro professor, enquanto formação, não pode acontecer isoladamente no último semestre do curso. Se esse procedimento prevalecer a universidade continuará dando margem para a tal utopia de pensamento que você aponta. A proximidade com a realidade de atuação deste profissional é condição fundamental para uma formação que seja eficiente e também para uma instituição universitária que tem como um de seus princípios a produção de conhecimento: esta produção precisa estar afinada com o local de sua TRANSformação.
Tom,
De fato a produção acadêmica sobre ensino de dança ou sobre dança e educação ainda é bastante tímida no Brasil, especialmente pela relevância da área em nosso país. É preciso continuar investindo em pesquisas nesta temática, criar espaços de troca para os interessados, promover a circulação do material já produzido, enfim, ações que estão parcialmente sobre nossa responsabilidade. Minha experiência de três semestres como professor no componente curricular responsável pelo Estágio dos alunos do curso de Dança da UFBA foi muito positiva neste aspecto. As pesquisas concentradas na temática da educação eram sempre em número significativo e os graduandos demonstravam um interesse enorme sobre este tipo de “problema”. Muitos inclusive confessavam ter “descoberto” uma paixão para o ensino no final do trabalho. Não vou me render ao romantismo, até porque sei bem que a realidade educacional em nosso país, especialmente aqui na Bahia, apresenta inúmeros problemas, das mais diversas ordens. Contudo, motivação em experimentar estratégias de ensino em dança é um bom ingrediente para se começar uma proposta.
Obrigado pelos comentários! As colocações feitas por vocês me fizeram pensar um bocado. Que a conversa continue!
Abraço,
Alê
novamente entro em contato para corrigir meu nome
que de alguma forma digitei incorreto:vitro
o correto é vitor.sou professor de danca de rua mais aprendi com a vida vendo participando junto dela. ja lido com a danca desde os 10anos de idade. mas não tenho certificado de professor de danca. pois quando consigo trabalho no mesmo levo experiencias de grupos que ja passei, alguns cursoa livres de danca na região onde moro mas sem emissão de certificado. quero alcançar meu objtivo com adanca e gostaria de farzer cursos que ira certificar que posso continuar nesse caminho. pois com a danca eu ajudo a salvar vidas, a resgatar vidas. ajudo e participo para que jovens, crianças e adolescente não seje criminosos e que não escolhem caminhos escuros e sem saida. com a danca podemos salvar vidas; podemos resgatar vidas…
afirmo que é de suma importancia a divulgação deste texto na internet;visto que muitas pessoas desistem da carreira de professor de dança em nosso país devido as inumeras dificuldades encontradas no mercado de trabalho;as pessoas não têm acesso a este tipo de informação e muitas vezes pensam que o profissional de dança é somente aquele aluno que conhece a técnica corporal e não mais que isto;atraves das academias de dança;gostaria também de salientar o quanto o professor de dança tem perdido seu espaço no mercado de trabalho para os professores de educação física e que muitas vezes os conselhos regionais de educação fisica têm tentado fechar escolas pelos professores de dança não possuirem diploma em educação fisica.
aqui também cito a falta de profissionalismo dos donos de escolas de dança e academias que não pensam em oferecer as vantagens das leis trabalistas brasileiras ao profissional em questão.
resalto que é importante frizar que o professor de dança é também um professor universitário.
Olá Alexandre. Sou de Goiania e fiz um trabalho aqui na cidade parecido com o seu, mas como vc citou no seu texto, o centro-oeste ainda não possui faculdade de dança. O publico de professores de dança que atuam em escolas especificas é em sau grande maioria formados por professores sem graduaçao em nenhuma área e o ensino é totalmente voltado para a aprendizagem de tecnicas, com pouquíssimas contextualizaçoes sobre esta.
É uma questao complicada, pensei que em cidades que possuem uma graduaçao especifica em dança as coisas estivessem melhores. Mas, vamos a luta, acho que é a partir da divulgaçao e da cobrança que conseguiremos nossa dança plena e automona.
Sou estudante de dança da UFBA e gostei muito do tema que voce vem desenvolvendo em sua pesquisa. Estou realizando trabalhos no semestre abordando o tema de educação na dança que não foge desse tema que vc vem propondo. E minha maior dificuldade pra manter e desenvolver o tema que escolho ( Dança-Educação / Dança na escola) è não ter essa base na faculdade, no sentido de por ser licenciatura em dança so termos modulos voltados a sistematização de ensino a partir do IV semestre quando estamos na metade do curso sendo uma carga horaria minima e fora do horario da grade curricular normal. E a outra parte do tempo é proposto a investigaçao corporal e a ideia de autonomia.
Torna-se discordante com a proposta do curso, e quando nos formamos se quisermos trocar a formação pra bacharelado repetimos algumas disciplinas que são as mesmas que os outros alunos fazem como licenciatura, é bastante complicado de entender qual a diferença disso, e como isso muda nosso comprometimento com o mercado de trabalho.
Alê abraço, manterei contato com vc ja que no semestre passado vc foi um dos professores do nosso modulo, e teremos que fazer um ensaio monográfico pra esse semestre gostaria de saber como posso adequar meu tema pra esse formato de trabalho ok ?
Obrigado Xau…
Olá! Sou Professora da Escola de Teatro e Dança da UFPA gostaria primeiramente de parabenizar a matéria e contribuir com o artigo no que se refere ao mapeamento das licenciaturas em Dança no Brasil. Pois, a Universidade Federal do Pará em última reunião do CONSEP, aprovou o Curso de Licenciatura Plena em Dança, inserindo-o no PSS 2008. O Curso terá duração de 3 anos e meio, funcionará no período da manhã e para ingressar o candidato terá que se submeter a uma prova de Habilidade Específica. Breve estaremos com o site da Escola fornecendo informações sobre o Curso. Me coloco a disposição para maiores detalhes. maa@amazon.com.br
Oi! Estou me formando na FAP junto com o Tom Reikdal esse ano e trabalho com crianças principalmente de educação infantil. Vejo que o currículo realmente é dissociado teoria da prática tendo um formato 3+1. Três anos de estudos da Dança propriamente dita e mais um ano de disciplinas voltadas para a licenciatura. Realmente parece que é uma licenciatura baseada no bacharel. Acredito que poderia acontecer uma real transdisciplinaridade no curso como um todo o que faria a integração das áreas do conhecimento. Sei que o curso ainda está em fase de adaptação (aliás sempre deverá estar), mas falta muita coisa. Existem muitas áreas de atuação para o profissional da Dança e com o título de bacharel e Licenciatura é muito difícil levar as duas coisas com igual peso. Mesmo assim, depende muito da técnica, da linha de pensamento, do público… o profissional tem que se especializar. Na minha faculdade faço estágio obrigatório de licenciatura num lugar que não é de meu interesse, num lugar que é praticamente único por aqui e que não é a realidade da maior parte das vagas disponíveis. Trabalho com crianças já faz algum tempo e sou apaixonada pelo que faço. Não tenho interesse nenhum no título de bacharel, por isso acho ótimo que tenha mudado o currículo para as próximas gerações. O que realmente valeu na minha curta carreira foi a experiência da realidade somada a pesquisas. Os estágios obrigatórios pouco me acrecentaram no dia-dia. As aulas voltadas à licenciatura vieram tarde demais, e os anos de bacharelado foram de uma maneira em que não acredito que se forme um bacharel dessa maneira, pois na faculdade regredi muito da minha técnica. realmente a Faculdade é um lugar de construção de conhecimento. Não sei como funciona a grade disciplinar das outras instituições mas fica como sujestão o meu desejo: que pudéssemos ter a oportunidade de passar por várias técnicas, mesmo que não profundamente para ter mais condições de analizar diversas situações e se for o caso mais tarde se especializar, e não ficar quatro anos vendo apenas balé clássico e dança moderna e contemporâneo, sem ter noção de uma dança de salão ou dança teatro ou dança do ventre… enfim, acho que o papel da faculadade é de abrir o leque de possibilidades pois nesses quatro anos não evoluí muito tendo as mesmas técnicas, principalmente como bacharel. E na licenciatura, de repente os alunos poderiam fazer projetos de trabalhos de estágio obrigatório onde realmente planejassem atuar, e não num lugar imposto pela faculdade. Para encerrar, op trabalho de pesquisa tem que ser algo explorado desde o primeiro ano com intençaõ contínua. Sinto que fica muita coisa desconectada que acaba se perdendo do caminho, mas tudo é um aprendizado e a cada dia estamos nos adaptando.
Vivo em uma angustia contante, quanto a educação no ensino superior, constato que não existe propostas corentes quanto ao que ensinar. O que ensinar em licenciatura e em bacharelado? Qual o perfil de alunos que queremos formar? Percebo que o curriculo e suas ramificações pedogógicas ainda não conseguem definir que conhecimentos queremos para nossos alunos.
qual é a grade curricular do curso de licenciatura plena em dança e quantos anos dura o curso?
Olá Rose Ferreira!
Obrigado pelo seu comentário. Você disse que realizou um trabalho parecido com o meu na sua região e fiquei bastante interessado em conhecê-lo melhor. Por favor, me escreva um e-mail falando um pouco mais sobre isso: alexmolina@hotmail.com
Abraço!
Quanto às questões sobre o que ensinar na formação em dança na universidade me parece que uma formação que se preocupe em identificar os problemas da própria área, testando ações que possam encaminhar tais questões me parece bastante pertinente.
Quanto a “grade curricular”, Luciana, existe uma variação bastante significativa nos documentos que estou analisando, mas basicamente eles se organizam entre componentes de conhecimento específicos da área e componentes da formação pedagógica. A duração dos cursos varia de 3 a 5 anos, no mínimo.
Mais uma vez agradeço pelos comentários.
Abraço!
Gostaria que o senhor me pudesse me mandar algumas relações de fauldades aqui em minas gerais que tenham o curso de dança igual tem faculdade de matemática….
SE o senhor puder vou agradecer imensamente
Gostei de sua exposição. Nós, aqui, na UFES estamos providenciando para esboçar um curso de dança para 2009.
Elton,
Fico feliz que tenha se interessado pelo assunto, mas sinto em lhe informar que, em Minas Gerais, existe apenas um curso de Dança em Nível Universitário. Trata-se do curso da Universidade Federal de Viçosa (http://www.dan.ufv.br/). Entre em contato com o curso e busque por mais informações. Vale lembrar que algumas universidades e faculdades estão num movimento para abertura de novos cursos em diversas regiões do Brasil, vale a pena acompanhar. Em Minas, tenho notícias sobre um movimento desses com a UFMG.
Um abraço!
Caro Prof. Luiz dos Anjos,
tenho muito interesse sobre este assunto e gostaria de continuar trocando. Entre em contato comigo (alexmolina20@hotmail.com).
Abraço!
Peço informar quais as cidades que têm faculdade de dança, semelhante a UFBA.
Obrigado
Sr. thamires
gostaria DE SABER SE ESTA ESCOLA FORMA PROFESSORES DE DANÇA E QUAL É O PROCESSO, TEM AQUI EM SP? SE TIVER TEM COMO ME PASSAR FONE?
gostaria de saber onde vcs disponibilizam de um curso a nivel universitario aqui em sp na area de dança de salao, me mandem um email informando tá
gostaria de saber quais instituiçoes existem em Sao Paulo para essa formação, atenciosamente. ELIANA
OI TD. BEM?? SOU DE RESENDE..RJ, ESPIANDO NO GOOGLE MEU NOME, ACHEI MEU XARÁ, ALEXANDRE MOLINA, O PROFESSOR… QUERIA ME COMUNICAR
C/ VC. , SE FOR POSSIVÉL…VALEU?? UM ABRAÇO…
eu tbem procuro escolas q proficionalizem professores de dança
quero me formar + aki naum tem escolas de dança
se vc conheçe algum site de dança ou escola
me passa o indereço
falow
Podem entrar em contato comigo tenho informações de lugar que faz esta de formação de prof de dança.
carolromano@hotmail.com
Carríssimos,
Fico feliz que o texto esteja reverberando até hoje. Como os comentários anteriores tratam de dúvidas gerais sobre locais onde estudar dança, universidades, escolas, etc. sugiro que encaminhem as dúvidas para meu e-mail pessoal que consulto frequentemente. Não tenho acesso aos e-mails de vocês aqui pelo site do idança, mas me coloco a disposição para ajudar. Caso tenham interesse, escrevam para: alexmolina20@hotmail.com
Um abraço!
Olá, Alexandre!
Gostaria de ter acesso ao artigo de sua referencia bibliografica(KATZ, Helena. Ensino deficiente prejudica o setor. Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 nov. 1983. Ilustrada.)Seria possivel me enviar por e-mail ?
Grata, Ada pedreira.
Gostaria de saber qual o curso que vôce fez?
Abraço
Olá!
Sou acadêmica do curso de Dança da Faculdade de Artes do Paraná e
antes de levantar outras questões, preciso ressaltar que o comentário feito por Tom Reikdal(meu veterano) continua pertinente e adequado a realidade que vivo atualmente.
Segue então, minha critíca em relação à faculdade de dança:
Por que as pessoas escolhem freqüentar uma Faculdade de Biologia, de Publicidade, de Medicina? Isto soa até como uma pergunta ridícula: Oras, porque querem ser biólogos, publicitários, e médicos. Esta pergunta deixa de ser “ridícula” quando quem a escuta, são universitários do Curso de Dança, e de todas as artes em geral: “Mas por que diabos você faz faculdade de dança? Eu nem sabia que existia ‘isso’”. Isso, mencionado desta forma, conotando algo inferior, estranho e até inútil.
E aí, na tentava de reerguer, divulgar e criar um respeito, um mérito no envoltório do curso de dança (quem não teve o sonho de, ao proferir que fazia “isso” ser considerado tão importante como se mencionasse, ao invés da palavra “dança”, “direito”?) relatava a importância da arte, da dança para as pessoas, para a cultura, e todo o blébléblé já conhecido. Sim, mas a pessoa voltava à pergunta inicial: “Sim, mas por que faculdade de dança? Porque não fazer “isso” em uma escola, uma companhia? Que diferença há no patamar “faculdade” de dança? Aqui vocês aprendem todos os tipos de dança? Tem matéria teórica? Aprendem a ensinar tudo direitinho? “ Ai o bendito ser (que freqüenta a faculdade de dança) dá um sorriso amarelo e cai em crise existencial. Realmente, porque motivos eu faço faculdade de dança?
Piadas a parte, se o “fazer faculdade de dança” não é claro nem para quem freqüenta o curso, imaginemos então para a população em geral. E é por isso que ao adentrar no recinto universitário que muitos alunos e professores se digladiam. Alguns optam em ser bailarinos profissionais e percebem que não vão freqüentar uma faculdade de dança para dançar. Outros, decepcionam-se por acreditar que sairão de lá com todos os segredos de uma boa produção, de um bom figurino, uma excelente iluminação. E há quem a faça para se tornar mestres do ensino da dança. E todos, de uma maneira ou de outra, acabam decepcionando-se.
No texto “Arte na universidade para germinar questões e testar procedimentos”, Greiner menciona o professor responsável pelo Departamento de Dança da Universidade de Paris de 1999, o qual relata: “A universidade não deveria ter a responsabilidade de formar dançarinos ou mesmo professores de dança, mas sim de articular a reflexão, pesquisar sobre as práticas e, principalmente germinar questões.”
É fundamental para qualquer profissional de qualquer área ter noção de tudo que sua atividade envolve e pode envolver. A dança não fica fora disso: discutir, relacionar, recriar, repensar são atitudes que se esperam de pessoas que irão trabalhar com uma área que forma opiniões, conceitos e idéias.
Mas o papel da faculdade não seria o de desenvolver especificidades em um ser que possa, depois disso, poder sustentar-se com tal sabedoria alcançada em determinada área? Aí eu pergunto: a dança consegue permear isso tudo? Consegue, dentro da universidade, formar cidadãos coerentes, sensatos, e integrados com a área da dança, e, além disso, fazê-los felizes por poder com tudo isso ganhar seu pão de cada dia?
E se ainda não consegue, o que falta e quando isto irá acontecer? Quando é que a dança será vista como uma profissão qualquer como as outras, e não como uma aberração, um curso supérfluo? Quando?
Não adianta esperar nem apenas levantar bandeiras dentro da universidade. A questão é muito maior: Deve-se tentar mostrar os outros lados da “dança” e de sua tamanha importância para a cultura, para o corpo e para relatividades em geral. Deve-se provar para todos o porquê a dança é necessária e para quê ela serve. É claro que para isto, tempo e dinheiro são necessários. Mas em algum ponto o ciclo deve ser rompido. O problema é que ainda não se sabe como, nem aonde rompê-lo.
Olá! Sou acadêmica do curso de Dança da Faculdade de Artes do Paraná, e antes de levantar outras questões, preciso ressaltar que o comentário feito por Tom Reikdal (meu veterano) continua pertinente e atual!
Segue abaixo minha critica relacionada a faculdade de Dança:
Por que as pessoas escolhem freqüentar uma Faculdade de Biologia, de Publicidade, de Medicina? Isto soa até como uma pergunta ridícula: Oras, porque querem ser biólogos, publicitários, e médicos. Esta pergunta deixa de ser “ridícula” quando quem a escuta, são universitários do Curso de Dança, e de todas as artes em geral: “Mas por que diabos você faz faculdade de dança? Eu nem sabia que existia ‘isso’”. Isso, mencionado desta forma, conotando algo inferior, estranho e até inútil.
E aí, na tentava de reerguer, divulgar e criar um respeito, um mérito no envoltório do curso de dança (quem não teve o sonho de, ao proferir que fazia “isso” ser considerado tão importante como se mencionasse, ao invés da palavra “dança”, “direito”?) relatava a importância da arte, da dança para as pessoas, para a cultura, e todo o blébléblé já conhecido. Sim, mas a pessoa voltava à pergunta inicial: “Sim, mas por que faculdade de dança? Porque não fazer “isso” em uma escola, uma companhia? Que diferença há no patamar “faculdade” de dança? Aqui vocês aprendem todos os tipos de dança? Tem matéria teórica? Aprendem a ensinar tudo direitinho? “ Ai o bendito ser (que freqüenta a faculdade de dança) dá um sorriso amarelo e cai em crise existencial. Realmente, porque motivos eu faço faculdade de dança?
Piadas a parte, se o “fazer faculdade de dança” não é claro nem para quem freqüenta o curso, imaginemos então para a população em geral. E é por isso que ao adentrar no recinto universitário que muitos alunos e professores se digladiam. Alguns optam em ser bailarinos profissionais e percebem que não vão freqüentar uma faculdade de dança para dançar. Outros, decepcionam-se por acreditar que sairão de lá com todos os segredos de uma boa produção, de um bom figurino, uma excelente iluminação. E há quem a faça para se tornar mestres do ensino da dança. E todos, de uma maneira ou de outra, acabam decepcionando-se.
No texto “Arte na universidade para germinar questões e testar procedimentos”, Greiner menciona o professor responsável pelo Departamento de Dança da Universidade de Paris de 1999, o qual relata: “A universidade não deveria ter a responsabilidade de formar dançarinos ou mesmo professores de dança, mas sim de articular a reflexão, pesquisar sobre as práticas e, principalmente germinar questões.”
É fundamental para qualquer profissional de qualquer área ter noção de tudo que sua atividade envolve e pode envolver. A dança não fica fora disso: discutir, relacionar, recriar, repensar são atitudes que se esperam de pessoas que irão trabalhar com uma área que forma opiniões, conceitos e idéias.
Mas o papel da faculdade não seria o de desenvolver especificidades em um ser que possa, depois disso, poder sustentar-se com tal sabedoria alcançada em determinada área? Aí eu pergunto: a dança consegue permear isso tudo? Consegue, dentro da universidade, formar cidadãos coerentes, sensatos, e integrados com a área da dança, e, além disso, fazê-los felizes por poder com tudo isso ganhar seu pão de cada dia?
E se ainda não consegue, o que falta e quando isto irá acontecer? Quando é que a dança será vista como uma profissão qualquer como as outras, e não como uma aberração, um curso supérfluo? Quando?
Não adianta esperar nem apenas levantar bandeiras dentro da universidade. A questão é muito maior: Deve-se tentar mostrar os outros lados da “dança” e de sua tamanha importância para a cultura, para o corpo e para relatividades em geral. Deve-se provar para todos o porquê a dança é necessária e para quê ela serve. É claro que para isto, tempo e dinheiro são necessários. Mas em algum ponto o ciclo deve ser rompido. O problema é que ainda não se sabe como, nem aonde rompê-lo.
Olá Alexandre,
Gostaria de agradecer o compartilhamento de sua pesquisa conosco, que acompanhamos o idança.
Principalmente o trecho que traz um mapeamento das universidades que oferecem cursos superiores de dança no país, e as frutíferas discussões acerca de estruturas curriculares proporcionadas pelo artigo.
abraço,
fiquei muito interessado após ler seu conteudo…tenho ideia de muito em breve cursar a faculdade Estacio de Sá…queria saber de suas recomendações segundo a mesma…e se você tem conhesimento de outros cursos de dança de salão a nivel universitario no Brasil.
muito obrigado..
abraços
olá eu queria mais informação pra quem quer uma vaga pra poder estudar nessa faculdade ou outras que se referem ao mesmo assunto.
quando serão as inscrições pra concorrer bolsa ,local das provas .por favor eu queira muito essa informações.
muito obrigada pelo espaço
desde de já agradeço
Caros leitores,
Fico feliz em constatar que meu texto vem provando comentários, um ano depois de sua publicação. Neste comentário tentarei contemplar os comentários de até então.
Ada, o texto de Katz que vc solicitou a referência esta no site da Helena (http://www.helenakatz.pro.br/). Não consigo enviar para o seu e-mail, pois não tenho acesso a ele no seu comentário. Se tiver alguma dificuldade, me escreva: alexmolina20@hotmail.com Um abraço.
Rosa, me graduei em Educação Física pela Universidade Federal de Uberlândia. Estudei dança na universidade já na pós-graduação (especialização e mestrado). Minha formação artística com a dança aconteceu em grupos e academias de dança, além de oficinas, workshops e festivais.
Carol e Emanulla, obrigado pelos comentários e pelas reflexões de vocês. De fato muito ainda se tem fazer e espero que outras propostas surjam neste sentido.
Mycon e Priscila, para maiores informações sobre os cursos de dança é pertinente que vocês acessem os sites das instituições e isso é facil de conseguir no google ou em qualquer site de busca. Vocês podem usar a lista que fiz no texto. Vale lembrar que este mapeamento foi realizado em 2007 e de lá para cá outros cursos já entraram em funcionamento.
Abraço a todos!
Caro Alexandre,
Queria destacar que gostei muito do seu texto. E fiquei no mínimo surpresa, (decepcionada aliás) quando soube da sua formação em Educação Física.
Minha pesquisa de monografia é sobre a perda de espaço profissional dos profissionais de Artes Cênicas (Teatro, Dança e Circo) para profissionais de Educação Física que ao meu ver estão tentando manipular o mercado para se beneficiar ampliando sua área de atuação profissional. Claro que prejudicando e restringindo a área do profissional de Artes Cênicas. Medidas contra isso tem que serem tomadas urgentes.
Considero isso uma PICARETAGEM. Porque Cursos de Educação Física não formam, qualificam ou habilitam alguem a atuar como profissonal de atividades ARTISTICAS E DE ESPETÁCULOS (em qualquer vertente) seja Dança, Teatro, Circo etc bem como professores destas atividades.
E você o que acha disso?
Monica Mesquita
Acadêmica de Graduação em Artes-Teatro
Áreas de atuação e formação: Teatro,Cinema e Dança-Teatro
Prezado professor, estive lendo seu artigo, e só a título de informação, já que vc lança uma observação que não sabia se o Curso de Dança da Universidade do Amazonas já erá reconhecido. Ele foi reconhecido em 2007 e atende a Licenciatura e Bacharelado. Qualquer dúvida ou informação é só entrar em contato por e-mail. Abraços Jeanne.
Cara Monica,
Penso que sua reflexão sobre o panorama ARTES x EDUCAÇÃO FÍSICA é bastante pertinente. De fato os cursos de Ed. Física não formam profissionais para atuar no campo das artes e esta manobra, por parte de alguns destes profissionais, para tentar abarcar uma fatia do mercado que não lhes cabe de fato é nociva para a área das artes e precisamos continuar lutando contra isso. Mas muitas ações já foram e continuam sendo encaminhadas contra isso e, pelo menos aqui na Bahia, estamos bem de olho nisso.
Contudo, é preciso lembrar que poucas são as instituições que oferecem graduação (pública) na área de dança ou teatro, por exemplo, o que faz, com que muitos artistas busquem por uma formação universitária em outras áreas, como psicologia, pedagogia, ed. física, letras etc. Mesmo com a abertura de novos cursos de dança em todo o Brasil, muitos estados ainda não apresentam opção, como demonstrei em meu texto.
Quero destacar ainda que, mesmo tedo me graduado em Ed. Física (quando ainda morava em Uberlândia – MG), tinha uma formação artistica fora da universidade, participando de grupos de dança e/ou estudando dança em escolas especializadas e em festivais e mostras. Na academina minha história com a dança se fez em um curso de especialização e um mestrado em dança, ambos aqui em Salvador.
Um abraço!
ps: aproveito para agradecer à Jeanne pela informação sobre o curso de Manaus.
Olá..eu gostaria se pra ser professor de dança tem que ter alguma formação específica..pra dirigir um grupo de dança é necessário somente saber dançar e ter feito aulas de dança por alguns anos?
Prezada Joziane,
Vou tentar responder aqui sua pergunta. A formação em dança vem se transformando ao longo dos tempos: diferentes formatos, nas próprias academias e escolas especializadas, passando pelos festivais, mostras e encontros até as universidades e residências artísticas. O fato de existirem hoje cursos de dança em nível profissionalizante e em nível universitário cria diferentes demandas para o mercado de produção artística em dança. De fato para dirigir um grupo de dança ou ser um coreógrafo, não é necessário um pré-requisito específico como ter feito faculdade de dança ou coisa assim. Muitos grupos funcionam sem esta necessidade, aliás, eu poderia arriscar que a maioria deles. Normalmente, a direção de um grupo acaba sendo fruto do desejo e da experiência que o sujeito vai construindo ao longo de sua trajetória artística. Não conheço nenhum curso de dança que garanta a formação de um “diretor de grupo”! Este é o tipo de coisa que se aprende fazendo. É claro que outras coisas que são discutidas e fomentadas em cursos de dança, seminários, encontros, festivais etc. têm muito a colaborar com a formação de um futuro diretor ou mesmo de um diretor de carreira consolidada, mas de fato isso não é um pré-requisito. Espero ter colaborado com sua questão. Abraços!
a dança e a alegria da alma!!!!!!!!!!!
por isso sou tão feliz
abraços…
como ter um registro profissional de dança, um documento que me legalize e me caracterize enquanto bailarino profissional e posivel professora de dança
oi meu nome é claudionaldo tenho 17 anos. vou fazer 18 agora em junho .gostaria de saber onde eu posso fazer uma faculdade de dança e o local mais proximo de minas e o valor.gostaria de ter essa resposta muito obrigado.
quero participar
Belíssimo artigo, fico sempre de olho nesse mercado da Dança, tenho 8 anos de dança do ventre, e 12 anos de dança de salão, a 3 anos ministro aulas para iniciantes nesses ritmos, gostaria de saber como fica nossa situação nesse caso, qual o nosso reconhecimento, hoje com 40 anos não me sinto em condições e nem me sobra tempo para ingressar em uma faculdade, o que o governo diz a respeito, alguem pode me ajudar??
A dança é muito boa para a mente e para o corpo!
Sandra!
Fiquei surpresa ao ler o texto do Professor Alexandre e os comentarios postados. Achei que apenas o mercado profissional era cravado de dúvidas , incertezas e questionamentos quanto a profissão “bailarino” e/ou “professor de dança”. Sou formada em direito, mas danço desde os 4 anos de idade e profissionalmente desde os 17. Ou seja, quando me formei (a duras penas) já era bailarina profissional com carteira assinada e etc… enfim, é claro, que nunca exerci a advocacia e me sentia, no final do curso completamente incapaz de me tornar uma advogada. Isso me faz pensar que a construção de um profissional tem a ver com sua prática diária e que nem sempre os títulos são sinônimos de excelência. Hoje, sou bailarina independente em Belo Horizonte/ MG (profissão que está literalmente em construção) e claro, dou aulas de dança para pagar minhas contas uma vez que os projetos de lei são bem inconstantes. Enfim, concluindo, qualquer profissão relacionada a dança (professor, coreógrafo, diretor ou bailarino) está em total construção e completamente vinculada a um mercado dificílimo. Temos que ser acima de tudo CRIATIVOS para inventar diariamente estratégias de sobrevivência e perpetuação na arte ou na educação da mesma. E isto não é nada fácil!!!
Olá!
Revendo este meu texto no Idança, depois de algum tempo, percebo que alguns comentários ficaram sem resposta. Vou tentar fazer isso agora, mesmo que tardiamente.
Damaris, sobre a idéia de reconhecimento profissional, isso em dança/arte é uma coisa um tanto quanto complexa, mas que já aponta algumas possibilidades. Para quem faz um curso profissionalizante ou superior (bacharelado ou licenciatura) o próprio diploma pode ser utilizado como documento para retirada de um registro profissional na Superintendência do Trabalho. Os sindicatos, específicos de dança, como no caso dos estados do Rio e São Paulo, ou o Sindicato de Artistas e Técnicos – SATED – também pode fornecer este registro para quem não tem os tais diplomas. As regras mudam de estado para estado. Contudo, esta é uma questão ainda em discussão. De fato, há a necessidade de legitimação desta profissionalização para favorecer o diálogo dos artistas com outros órgãos e até mesmo para obtermos maior reconhecimento sobre nossa profissão e garantias legais e orçamentarias para nossos projetos. Mas vale se aproximar destas instituições reguladoras, convoca-las para o debate com os artistas e encontrar outras saídas, bem como uma atuação mais efetiva na área.
Claudionaldo, deste de que escrevi este texto muitos cursos surgiram em diferentes regiões do Brasil, e isso é muito bom! Hà uma estimativa de pelo menos 33 cursos hoje, apesar de encontrar no site do MEC apenas 24 cursos autorizados, mas este processo é lento e muitas vezes o MEC não consegue atualizar os dados. Além dos cursos que cito em meu texto é possível acrescentar pelo menos os seguintes: Universidade Federal do Pará (Belém/PA), Universidade Federal do Ceará (Fortaleza/CE), Universidade Federal de Goiás (Goiânia/GO), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Natal/RN), Universidade Federal Pernambuco (Recife/PE), Universidade Federal de Sergipe (Aracajú/SE), Universidade Federal de Minas Gerais (BH/MG), Universidade Federal de Pelotas (RS). Não sei onde você mora, mas as opções aumentaram bastante! Dê uma olhada.
Debora, a maioria dos cursos de dança possuem um sistema de aproveitamento de estudos levando em conta o tempo de atuação profissional dos artistas. Sugiro que você procure um desses cursos para avaliar sua situação, caso seja seu interesse fazer um curso superior de dança, pois a profissionalização nesta área se dá também de outras formas e, apesar de não lhe conhecer, me parece que você já tem uma trajetória estruturada.
Ester, é isso mesmo! Temos que buscar alternativas todos os dias, mas o bacana é que a cada tempo percebemos os avanços da dança pelo país afora, não apenas com a abertura de cursos, mas sobretudo pela estruturação cada vez mais constante dos artistas em redes, fóruns e outras formas de organização e o avanço na proposição e encaminhamentos de marcos legais para a dança, a exemplo do Plano Nacional de Dança, em regime de consulta pública, e outros debates sobre o PROCULTURA e Sistema Nacional de Cultura. É necessário conhecer sobre isso também.
Mais uma vez obrigado pela oportunidade de troca!Vou acompanhar mais sistematicamente os comentários deste texto para não ficar tanto tempo sem respostas. Abraços!
Procuro Professores de Dança, para trabalhar em academia, zn de SãoPaulo. Podem me indicar algum??? Urgente…
Grata pela atenção!!
Simone
Olá Simone,
ficamos muito felizes com seu interesse pelo idança. Somos um site jornalístico, por isso, não temos como indicar nomes a você. Mas seu comentário está no ar, certamente será visto pelos nossos leitores e logo eles entrarão em contato.
Um abraço,
equipe idança
Como bailarino profissional de uma grande companhia de dança do Brasil, busquei a formação superior em dança, não apenas com o propósito de aprimorar meu conhecimento da parte prática, mas sim, complementá-la com a teoria. Vejo que a união e aplicação diária desses objetivos resulta em uma grande evolução para o profissional da dança, seja ele bailarino, coreógrafo, ensaiador, professor, etc., nas suas diferentes formas de atuação dentro do mercado de trabalho. E esse aprendizado, essa evolução vai se ramificando em cada lugar onde é aplicada como por exemplo em academias, festivais, escolas regulares e outros.
Quando penso nos motivos que fomentaram o surgimento do curso superior em dança, acredito que, entre os principais, esteja proporcionar a bailarinos com formação em escolas de dança uma oportunidade de receber informação e graduação suficientes para poder atuar como professor.
Percebo que a maior parte dos currículos das faculdades está sendo direcionada para a formação do futuro professor e pesquisador de dança, uma vez que uma grande porcentagem dos bailarinos que procuram as faculdades de dança, buscam a licenciatura.
Hoje percebo e sinto que a faculdade me mostrou o outro lado da dança, o lado da docência, de descobrir novos caminhos, novas informações, métodos e estratégias, que eu jamais descobriria sem essa vivência de ser professor, que por sinal está apenas no início do caminho.
Hoje os alunos que ingressam na faculdade já estão com uma outra relação com a dança. A grande maioria teve a oportunidade de aprender e vivenciá-la com professores possuidores de uma formação mais atual, com métodos de ensino direcionados ao pensar. O que vivemos hoje só é possível graças ao que foi descoberto e experimentado no passado. A dança está sempre sendo atualizada, transformada, reescrita, em expansão.
E com a abertura do mercado de trabalho na área de educação, vislumbra-se um futuro de grandes conquistas, principalmente na dança, para que esses profissionais cada vez mais relacionem arte, dança e educação na sociedade, desmistificando pré conceitos, reconhecendo e valorizando esta arte.
Olá, Daniel!
Seu comentário é bastante pertinente. Observo que, cada vez mais, os artistas e professores que trabalham com a dança nas universidades, juntamente com o corpo discente, vêm encontrando outras formas de compreender a dança no espaço da academia. O debate ainda é longo e temos muitas questões a superar, como as formas de avaliação, os percursos curriculares, a participação de artistas convidados, dentre outras coisas, mas muito já se conquistou até aqui. Seguimos juntos!
Forte abraço!
Como ter um registro profissional de dança? Um documento que me legalize e me caracterize enquanto bailarina profissional e possível professora de dança.
Acho que todos que não tem condições e tem talento, deve ter uma oportunidade de crescer profissionalmente. Pretendo me formar mais agora no momento, preciso de verba para uma formação, amo o que faço e quero passar um pouco do que eu sei para as pessoas que gosta dessa arte que se chama Dança.
Obrigada! Patrícia.
acho que guando uma pessoa tem sonhos que imvolve a dança numca deveria de disistir de ser torna um frofessor pois eu sou uma pessoa qui amo dança pois a dança fais parte da minha vida deis de que eu mi entemdo por gente porisso eu numca vou deixar de lutar e quen tiver um sonho lute e mostre que vc tem capacidade eu estou correndo atrais de mi forma em professora de dança por mais que vem barreiras eu não vou desistir um beijo e fiquem com deus