O ano de 2007 deixou sinais do desenvolvimento da dança independente no Brasil. Além de ter dado continuidade ao encontro de grupos estatais para discutir estratégias de sobrevivência no contexto atual, foi também um ano marcado pelo encontro de historiadores da dança no nosso país. Mesmo correndo o risco de omitir nomes e eventos, destaco os pontos altos dos acontecimentos da dança no Brasil nesses últimos 12 meses.
O investimento feito pela Funarte durante a gestão do Coordenador de Dança Marcos Morais teve reflexos na produção independente de dança em escala nacional. Os prêmios Klaus Vianna, Auxílio à Montagem, Consolidação de Grupos e Companhias, lançados em 2006, e o Caravana Funarte de Circulação 2006/2007 permitiram que mais de 30 projetos fossem desenvolvidos e circulassem por diferentes estados. Com o auxílio de pouco mais de R$ 3 milhões concedidos pelo prêmio Klaus Vianna (por sinal, menos da metade do que foi investido em teatro), os profissionais da dança independente mostraram que quando as condições melhoram, excelência é que não falta.
Ainda em âmbito nacional, outra ação que dinamizou a cena da dança em 2007 foi a terceira edição do Programa Rumos Itaú Cultural Dança. Trata-se da única mostra exclusivamente nacional que dá suporte para a produção de obras experimentais. Em 2007, o Rumos Dança aumentou consideravelmente o número de projetos apoiados – 25 contra os 14 da segunda edição. Foram destinados R$ 26 mil para solos e duos e R$ 34.800 para grupos, o que fez do programa gerido por Sonia Sobral um painel muitíssimo interessante de uma produção que se revelou jovem, promissora e bem diversificada. Além disso, o programa foi ocasião para a reafirmação de alguns nomes já bastante conhecidos da criação em nossa área. O Rumos movimentou São Paulo no início de março e reverberou por todo ano em várias capitais. O lançamento do livro Cartografia, que documentou as ações do programa esteve sempre acompanhado da apresentação de pelo menos duas das obras produzidas. Os 25 espetáculos produzidos continuarão a ser apresentados em seus estados de origem (10 ao todo).
Com base nos dados encontrados em sites[i] de 13 Estados e suas respectivas capitais, os que investiram na dança em 2007 foram:
- A Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, através do edital da Fumproarte (Fundo Municipal de Apoio a Produção Artística e Cultural), criado pela lei 7328-04 de 04/101994 que distribui em 2007 R$ 1.879.000 em três áreas: 1- música, 2- dança, circo e teatro, 3- áudio visual e fotografia.
- A Secretaria de Cultura do Governo do Paraná no ano de 2007 dividiu R$ 75 mil entre três grupos para custear a circulação de seus espetáculos pelo interior do Estado.
- O Governo do Estado de São Paulo através do PAC (Plano de Ação Cultural) investiu R$ 600 mil em 15 grupos para pesquisa em dança e produção de espetáculos inéditos e mais R$ 300 mil para 10 grupos circularem seus espetáculos. Já a Prefeitura, através da Lei de Fomento, investiu R$ 2 milhões em atividades ligadas à área e contemplou 14 grupos.
- A Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, através do Fundo Estadual de Cultura, em 2007, concedeu R$ 50 mil para o SeráQuê? Cultural realizar o fórum Por Que dança?; R$ 15 mil para a Associação Cultural Dança Minas que investiu no Encontro Dança Minas; R$ 50 mil para o espetáculo Novos Pensamentos da Cia. de dança Dudude hermann.
- A Fundação Cultural da Bahia premiou quatro espetáculos em 2007, sendo que dois deles receberam R$ 30 mil e os outros dois, R$ 50 mil.
- O Fundo de Cultura do Governo do Estado de Pernambuco concedeu R$ 29.961,77 para o projeto Zdenek Hampl Dança e Pensamento.
- O Governo do Estado do Ceará em 2007 disponibilizou R$ 20 mil para pesquisa teórica ou de linguagem, R$ 100 mil para montagem de espetáculos e R$ 60 mil pra circulação de espetáculos.
- O Instituto de Artes do Pará, através do seu Programa de Bolsas de Pesquisa em Arte, também investiu na dança, mas não foram encontrados os dados sobre o número de projetos selecionados nem quanto recebeu cada um deles.
Algumas empresas tiveram editais específicos para dança, seja para ocupação de espaços, como foi o caso da Caixa Econômica; Patrocínio a Companhias – Petrobras e para eventos como foi o caso da OI, entre outras.
O impacto de tal investimento foi tamanho que em São Paulo houve ocasiões, não poucas, em que tínhamos cinco espetáculos em cartaz na mesma semana! Porém não se trata apenas de quantidade de obras, mas também da qualidade artística implicada nelas. O ano de 2007 foi palco de obras memoráveis, para citar apenas algumas delas: Bull Dancing – Marcelo Evelin (PI), Antropofagia 2 ou Co-existência – Cia. Nova Dança 4 e Steve Paxton (SP), Desespero Para Felicidade ou Se Eu Não Gostar Nada É Para Sempre - Márcio Medeiros (CE), Maria de Lurdes em Tríade - Dudude Herrmann (MG), Falso Espetáculo – Elisa Ohtake (SP), Encarnado – Lia Rodrigues (RJ), Pequenas Frestas de Ficção Sobre Realidades Insistentes – Alejandro Ahmed (SC), Still – Sob o Estado das Coisas – Gustavo Ciríaco (RJ), Amarelo – Elisabete Finger (PR), Monocromos - João Saldanha (RJ), Liquado – Michelle Moura (PR) e Fabian Gandini (Argentina), Prop.Posicao # 1- Adriana Banana (MG), Um Corpo Que Não Agüenta Mais – Marta Soares (SP), Vapor – Helena Bastos e Raul Rachou (SP), Deslimites - Clara Trigo (BA), O Poste a Mulher e o Bambu – Dimenti (BA), Mania de Ser Profundo ou Por Que Eu Parei de Jogar Futebol? – João Fernando (RS), In-Organic – Marcela Levi (RJ), Spiro - Roberto Ramos (SP), entre muitos outros.
Os coletivos e núcleos de criação começam a dar provas de que a associação de artistas, com a finalidade de viabilizar projetos, é uma alternativa que pode ajudar a enfrentar as dificuldades de formação, produção e circulação existentes na área. Exemplos destacáveis: Coletivo Couve-flor (PR) e o Núcleo de Criação do Dirceu (PI), Dimenti (BA) e Híbridos (MG). Outros tantos fazem parte desta lista.
Graduações novas de dança estão surgindo. Belém saiu na frente, Recife está em fase de elaboração do projeto. Outras graduações estão repensando suas pedagogias como é o caso da Faculdade de Artes do Paraná. O I Encontro de Pesquisa Sobre Memória da Dança Brasileira teve lugar em Minas Gerais reunindo pela primeira vez pesquisadores da historia da dança brasileira. Lamentamos aqui a não realização do projeto Dança e Filosofia organizado por Tereza Rocha e Roberto Pereira, no Rio de Janeiro.
A internet vem se afirmando como um espaço de reflexão e articulação de nossas práticas e o Idança é um dos exemplos. Além dele, há o Movimento Dança Recife editado por Marcelo Cena, em Recife. A Cia. 2 do Balé da Cidade de São Paulo, dirigida por Mônica Mion e Ana Teixeira, vem sendo um excelente laboratório de experimentação que tenta encontrar modos de criação investigativos, dentro de um grupo institucional. A Cia. de Dança Palácio das Artes, atualmente dirigida por Cristina Machado, também deu passos nessa direção. O Balé do Teatro Castro Alves, então dirigido por Lílian Pereira, manteve uma dinâmica grande de interação com seu público.
E pra concluir esse artigo, sem a pretensão de listar todos os acontecimentos da dança em 2007, quero chamar atenção para a importância das mostras internacionais que fazem parte do calendário de artistas, produtores e curadores de vários paises e que hoje constituem o Circuito de Festivais de Dança. São elas: Bienal de Dança do Ceará, Festival de Dança do Recife, Fórum Internacional de Dança em Belo Horizonte e o Panorama Festival de Dança no Rio de Janeiro.
Pode parecer que a produção de dança não seja expressiva para quem não a acompanha de perto. Com exceção de três ou quatro grupos privilegiados os demais operários da dança não contam com a cobertura da mídia televisiva. Apesar da pouca visibilidade, a criação contemporânea de dança tem participado do circuito internacional de dança. E não falo do Grupo Corpo Cia. de Dança, nem da Cia. de Dança Deborah Colker, dois dos mais conhecidos no Brasil atualmente. Falo de inúmeros artistas que fazem da investigação da linguagem da dança sua meta e põem em cena experimentos radicais em termos performáticos. Não ter visibilidade não significa não existir!
[i] A pesquisa foi realizada esse ano e encontrou alguns sites desatualizados, sem informações sobre investimentos da gestão passada. Outros apresentavam o nome do projeto beneficiado sem a especificação da área a qual o mesmo pertencia, dificultando sua identificação.
Port
Eng



Não esqueçam, que apesar das grandes dificuldades, em Brasília a dança contemporânea também tem crescido significativamente, e tem tentado arduamente se firmar no cenário nacional com atuações e ações de antigas companhias como Alaya, ASQ, Basirah, além de artistas independentes como Giovane Aguiar, Kênia Dias, Édi Oliveira dentre outros novos que estão surgindo. Se ainda não temos visibilidade é em função da inexistente política cultural para dança de nossa capital federal. Enquanto as iniciativas de fomento à nossa área cresce no Brasil, Brasília parece estar adormecida. Graças as ações da Funarte o Basirah tem conseguido tocar seus projetos. Que mais iniciativas venham, que mais intercâmbios aconteçam e que Brasília acorde para investimentos na área.
Obrigado por seu comentário Gi.
Não se trata de esquecimento a não referência a espetáculos ou eventos de Brasília. Como expliquei, o artigo faz um balanço da dança em 2007 segundo minha experiência e como tenho pouquíssimos conhecimentos sobre a cena de dança em Brasília não me atrevi a fazer menção a ela. Por esse motivo seu comentário é de grande valia, pois ressalta as iniciativas que fazem essa produção avançar e as questões problemáticas que precisam ser encaradas e superadas pela classe de dança.
Que venham outros comentários como o seu que só ajuda a construir uma visão mais global dos acontecimentos da dança no Brasil no ano de 2007!
Paulo Paixão.
É isso aí. Vamos então ampliar este balanço positivo da dança no Brasil. Graças ao prêmio de Dança Klauss Vianna -Funarte, a Cidade de Belém pode também respirar um pouquinho mais ao realizar o projeto Estudo de Pesquisa e Criação em Dança Contemporânea, e além disso, tivemos as companhias Moderno de Dança e Jaime Amaral contemplados com o mesmo prêmio. A propósito, os pesquisadores de 2007, do IAP foram: Nely Brito, Jaime Amaral e Marina. Enquanto isso, vamos apostando em uma política pública para a dança na Região Norte.
Bjs
Waldete Brito
Obrigado Wal, espero que seu comentário incentive outros colegas a dar seus depoimentos sobre sua realidades, dessa maneira poderemos criar um documento mais completo, que fica aqui disponivel, sobre como se deu a dança no Barsil no ano de 2007.
bjs, colega!
Paulo Paixão.
Sou de Teresina-Pi e acho que realmente a dança em 2007 deu grandes passos, só acho que no sentido de formação profissional ainda precisamos melhorar muito fora do eixo RJ-SP-MG; Temos em Teresina pessoas que fazem um trabalho de qualidade com resultados relevantes e satisfatórios, pecamos em formação profissional; por não termos aqui faculdades ou mesmo um curso técnico eu sinto que as informações chegam fragmentadas ou só mostram um lado, a internet tem ajudado é claro. Eu acredito na necessidade de formar pensadores mais competentes. Precisamos fazer com que as melhorias sejam sentidas no Brasil como todo.
Caro Paulo,
Sou Sérgio Andrade, baiano, resido em Salvador. Tô sempre por aqui no idanca.net.
Acho importante a discussão do balanço da dança no país, e como você intitulou, sobre o “balanço positivo”.
Acho apenas que pontuar a quantidade de prêmios ou editais distribuídos pelo governo ou instituições privadas torna o “balanço” parcial demais não dando profundidade às tais mudanças que sentimos estar acontecendo.
No que se referem aos números, eles não são representativos.
Por exemplo, quando você se refere à Bahia, apenas pontua Prêmio Yanka Rudzka da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) para montagens de espetáculos, sendo que outras mudanças importantíssimas aconteceram em nosso estado que ultrapassam aos números e os artistas baianos que tem ganhado projeção nacional, citados no seu artigo.
Acredito que esses avanços alcançados em 2007 aqui no estado da Bahia são maiores e irei pontuar algumas ações aqui.
No primeiro semestre de 2007 o momento foi de ajuste devido à troca de governo do estado (quebra do “carlismo”), revisão de orçamentos, pagamentos de contas pedentes, etc. são prioridade. Então todos os editais só puderam ser lançados no segundo semestre (uma verdadeira correria) em duas “edições”.
Antes de falarmos dessas edições, em primeiro, é super importante citar a criação de uma diretoria específica de Dança na FUNCEB, regida por Lúcia Mattos (uma pesquisadora e professora de dança, que participou ativamente de organizações da classe artística da dança como as câmaras setoriais, forum de dança, etc.). Com essa diretoria específica, as verbas para dança foram ampliadas e houve uma diversificação nos tipos de editais lançados. Muitas dessas mudanças atendem a antigas reivindicações da classe, evidenciadas nas duas edições de lançamentos de editais da FUNCEB.
Na primeira “edição” destaca-se a criação da categoria “Processo de Criação” no “Edital Quarta Que Dança”, na qual grupos e artistas independentes poderiam apresentar publicamente projetos em desenvolvimento ainda recentes como um ensaio aberto no palco da Sala do Coro do TCA… As apresentações eram seguidas de debates com público, mediado por um pesquisador de dança local convidado. (Foram contemplados 04 proponentes, no valor de R$ 2000).
Ainda no “Quarta que Dança”, na categoria “espetáculo”, sete projetos foram contemplados porém um desses não pode participar do Quarta, porque apresentava na ficha técnica funcionários públicos do Estado, os quais segundo o artigo 125 da Lei Estadual 9.433/05 estão vedados quanto a participação em editais públicos promovidos pelo estado da Bahia. Devido a essa lei outros dois projetos não puderam prosseguir nos editais públicos. A lei tem estado em discussão entre governo, instituições e artistas de variados segmentos (dança, musica, teatro, cinema e video).
Foi lançado também nessa primeira edição o Edital “Apoio a Pesquisa e Projetos artístico-educativos em Dança”, uma especificidade nunca antes contemplada por editais públicos do estado. (Contemplados 03 projetos de pesquisa no valor de R$ 7.000 + 07 projetos de ações artístico-educativas).
Dessa primeira edição ainda retornaram aos cofres públicos 04 prêmios devido a falta de suplentes para as suas respectivas categorias…
- Na segunda edição dos Editais FUNCEB (23 editais para diversas áreas):
Houve a criação do “Edital de Residência Artística no Exterior”, no qual foram destinados um total de três prêmios para todas as áreas no valor de R$27.000 para cada. Entre os contemplados estava um projeto de dança, que será realizado de junho a novembro de 2008 na Itália.
Também foi ampliada a verba destinada à circulação de espetáculos de dança pelo interior, o que permitiu seis projetos viajasse pelo interior do estado, através do “Prêmio Ninho Reis – Edital de Circulação de Espetáculos de Dança no Estado da Bahia” (valores de R$14.000, R$17.000 e R$21.000 a depender da distancia entre a cidade de residência do proponente e território de destino).
Houve também os quatro premiados já citados no seu texto, através do Prêmio Yanka Rudzka.
Outros editais de apoio também foram lançados pela FUNCEB, como “Cessão de pautas” e “Ocupação do Espaço Xisto por Grupos Residentes”, que foram destinados para as áreas de dança e teatro.
- Um ponto importante sobre esses editais é que sempre é reservada uma cota para proponentes do interior do estado visando uma descentralização das verbas. Além das cotas, o governo tem promovido workshops de elaboração de projetos em cidades do interior e na capital.
- O programa “Corpos Nômades” – Prodança da Diretoria de Dança da FUNCEB, ainda trouxe a Salvador, Cia’s de Dança nacionais e internacionais para apresentações de espetáculos acompanhados de realização de workshops no Teatro Castro Alves.
- Além das ações da FUNCEB e suas reverberações, outras atividades apontam para o “balanço positivo”, como a realização do WDA (World Dance Aliance), que reuniu pesquisadores e profissionais da dança das Américas em uma semana de fóruns, seminários, debates, apresentações artísticas, oficinas, etc. realizada entre a Escola de Dança da UFBA e a FSBA.
- Houve ainda o início do programa de Pós-graduação em Dança da Escola de Dança da UFBA, o que vem trazer mais uma especificidade aos estudos acadêmicos em dança no Brasil.
- A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia lançou uma categoria específica dentro do Fundo de Cultura para manutenção de grupos de teatro e dança, 04 para cada, no valor de R$80.000 anual.
- Ainda pela Secretaria de Cultura da Bahia, foi criada outra categoria no Fundo de Cultura para projetos de pesquisa em Arte.
- Não podemos esquecer-nos de um certo clima de reativação dos ânimos da dança no estado. Ações do Fórum de Dança Bahia têm promovido uma regularidade de encontros entre profissionais da área, além do aumento da constância de encontros entre dirigentes da Secretaria de Cultura e artistas de todos segmentos, vem permitindo uma ampla discussão sobre políticas públicas para arte no estado da Bahia.
- Agora também não esqueçamos que a FUNARTE destinou a Bahia apenas 02 prêmios através do Klauss Vianna, um de 30.000 e outro de 50.000, que de fato não atendeu a demandas do estado.
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Enfim Paulo, dá pra se ver que os avanços da Dança no Estado da Bahia ultrapassam os números apresentados no seu artigo. Certamente deve haver muitos outros avanços (também em outros estados) que não constam em suas fontes, assim como deve haver também muitas necessidades ainda não supridas pelos editais e programas do governo. Mas acredito que para se escrever sobre esse tal “Balanço positivo” precisaríamos de uma consulta mais profunda aos dados disponíveis. Tudo que me referi aqui pode ser encontrado no site http://www.funceb.ba.gov.br e no site http://www.cultura.ba.gov.br (os quais, com certeza, você deve conhecer… acredito que faltou mesmo um olhar mais cuidadoso).
Sei que um artigo na internet não dá conta de tudo, mas precisamos que certas considerações sejam pontuadas. Não podemos definir “Balanço Positivo” com números tão pequenos front a realidade (pelo menos aqui na Bahia). Que não se colocasse todos esses dados da Bahia no artigo, mas que se pontuassem as mudanças além dos números.
Os quatro prêmios que você se referiu no artigo são de editais já antigos (que só mudaram de nome e que dividiu os prêmios para criação de duas categorias, não tão absurdamente distantes, como antes, que eram de 8.000 para pequeno porte e 60.000 para médio porte).
A verba é a quase a mesma (na câmara setorial foi apresentado pela diretora um valor de 3,2% de diferença do ano passado) o que mudou foi a política de utilização dos recursos públicos, que permitiu criação de novas categorias, novos programas e editais.
Acredito que para traçarmos um “balanço positivo” precisaríamos mais do que números… precisaríamos pontuar as políticas que estão sendo adotas. As novas políticas que denunciam esse novo clima positivo que pode está acontecendo ou não em outros estados. De fato é que esses números não nos respaldam sobre tais mudanças.
Ainda assim acho válido o início da discussão para que outros se pronunciem e iniciemos um processo de acompanhamento mais próximo aos novos rumos que a dança vem tomando em nosso país…
Saudações,
sRG
Ola Sérgio, muitíssimo obrigado por suas considerações apuradas sobre a realidade das políticas públicas para dança na Bahia, já li outros comentários seus sempre com interesse. Em minha opinião eles só enriquecem a iniciativa primeira dos textos! Gostaria de um dia conhecê-lo pessoalmente para trocar umas idéias.
Veja, quando se põem algo no mundo sempre se tem em mente alguns objetivos, mas, uma vez que esse algo entra no mundo ele ganha autonomia em relação aos objetivos primeiros. Tinha em mente por em circulação a idéia que a área da dança vem ampliando conquistas, não somente em termos locais, mas também em termos nacionais. É óbvio que a lista de argumentos que usei não esgota nem uma coisa nem outra, mas como você mesmo chama atenção ela inicia uma discussão. Creio que essa discussão seja importante, sobretudo quando, em meio às conquistas, aparecem políticos que tentam falar em nome da dança sem o mínimo conhecimento de causa. Como é o caso do secretário de cultura do estado de São Paulo João Sayad.
Quando se quer falar sobre algo sempre deve considerar os limites deste algo! Portanto insisti que o balanço positivo se referia a uma reflexão com base em minha experiência dos últimos dois anos viajando pelo Brasil (28 cidades em 11 estados) assistindo eventos e espetáculos de dança e uma pesquisa com amigos e em alguns sites, incluídos http://www.funceb.ba.gov.br e http://www.cultura.ba.gov.br citados por você!
Não considero que meu texto apenas pontue a quantidade de prêmios ou editais distribuídos pelo governo ou instituições privadas. Em minha opinião ele tenta delinear, de modo precário, o estado de arte da dança nos últimos meses. Considero também que o texto seja provocativo no sentido de estimular comentários como os eu e dos outros colegas!
Não poderia dar os detalhes, nem rascunhar as linhas de ação em curso em cada estado específico como você faz com a Bahia, mas tentei dar minha perspectiva geral e deixar o espaço aberto para que contribuições como a sua viessem à tona! E creio mesmo que essas contribuições pertinentes sejam reflexos das mudanças positivas que vêm se operando na área da dança no Brasil.
Muitíssimo obrigado, mais uma vez.
Paulo Paixão.
Sou Laura Virgínia de Brasília
e lendo o artigo e comentários penso que escrever sobre dança num país continental como o nosso é tarefa de Hércules. Acredito que editais que promovam a circulação dentro do Brasil poderão trazer visibilidade para novos e até antigos trabalhos de dança que acontecem e que não há notícia. Outro em ponto no DF é que além da politica e do mercado cultural serem precários e de movimentos lentos a formação continua sendo uma vontade e um desejo da comunidade da dança. Essas reflexões acontecem porque movimentos como o Fórum de Dança do DF e Entorno discutem isso e as novas gerações já fazem um inbercâmbio com outras áreas de conhecimento que aumentam ainda mais aa discussão da formação de nível superior. Gostaria de destacar o trabalho de Rosa Coimbra frente à isso e mais o grupo Margaridas (o qual dirijo) que trabalha com literatura e dança, Alexandre Nas, Shirley Farias e eu com videos e filmes dança, outra área que poderia acontecer uma balanço sobre a produção 2007. Enfim ao seu trabalho de Hércules valeu várias intenções.
Abraços,
Laura
Li o seu artigo Paulo, que bom ver alguem fazendo balanço positivo da dança, geralmente só lemos as mazelas da arte.
Todos nós sabemos o quanto é dificil fazer dança, especiamente no Brasil, é nitido a decomposição das companhias e a proliferação de
interpretes-criadores, pela grande dificuldade de se manter um grupo.
Mas são essas POUCAS ações que sem duvida um dia vão desencadear num mercado promissor que abrace e aqueça a todos nós amantes e profissionais da dança.
O Brasil é um pais de talentos e merece ter mercado de trabalho “do Iapoque ao chuí”.
abraço forte.
alysson amancio
São mesmo fantásticos nossos avanços (que bom por isso!), mas gostaria de deixar mais algumas palavrinhas.
A dança avança isso é fato, mas esse avanço se da sobre passos muito miúdos e ainda muito concentrados. Percebo muito, que em cidades aonde as políticas e a informação chegam de uma maneira menos abrangente sobre esse fazer artístico é mais mínimo esse avanço da dança. O que vejo, é uma manutenção anuário dos mesmos artistas há anos nesses lugares. É bom que se diga: – Não é premiar só os novatos, claro que não e tão pouco só os experientes, mas deve sim, serem ampliadas as políticas na área, para ambos os artista DE FATO, mas claro que também, antes disso, deve haver uma maior aproximação para que essa briga pelos editais aconteça de uma maneira mais igualitária, isso é até mais democrático e exacerba a qualidade dos trabalhos e da pesquisa do artista (mas convenhamos, precisamos dialogar mais, trocar mais experiências com esses veteranos, sem que os mesmo tenham seu fator protecionista em grau elevado, afinal a arte nesse caso é muito parecida com a ciência na questão discípulo e transferência de conhecimento, tudo para que sempre exista uma nova geração…). Deixa-me ser mais claro, o que acontece, é que os novos artistas precisam dos veteranos para começar adentrar nas políticas mais abrangentes da área, só que os mesmo, afinal os novos artistas não tem toda experiência e um belo sobrenome para competir de uma forma mais real aos interessantes e mais importantes editais estaduais e nacionais de pesquisa em dança. Ainda assisto sim, um grande protecionismo dos veteranos, e de suas cias. Independente. O compartilhamento de experiências em forma de auxiliar ao novo artista é mínimo, a prática é até bem estimulada se esses novos artistas pertencerem as cias desses veteranos. Vejo que esses compartilhamentos devem acontecer mais, e também, devem ganhar mais espaço e ética, os novos artistas devem sim ser visto como o futuro da dança naquela cidade e por isso, merecem ser mais bem tratados e auxiliados, mas antes de tudo, merecem ser mais respeitados. Anão serão todos os novos artistas que desejaram dançar para sempre nas cia’s. dos veteranos, alguns desses novos artistas, desejaram construir seus próprios ritmos de trabalho, seus pontos de pesquisa particulares, sua maneira peculiar de movimentar o corpo e etc… A dança nas cidades menores em respeito ao tema do avanço da dança no Brasil, ainda não é muito significativo, o avanço ainda privilegia os veteranos, e nesses lugares com menores discussões da área da dança, os mais experientes acabam isolando ou mantém o novo artista sobre um determinado espaço de conquistas mínimas. Penso as vezes que ainda se faz tão pouco pela arte, relatando mais a dança nesse caso, que logo associo esses avanços quase nada significativos, já que existe um publico capacitado em n questões para ocupar o pouco espaço elaborado para arte no Brasil, já que antes, o efeito sobre a arte era menor ainda, quase nulo. São poucos os que conseguem construir uma identidade particular, estabelecer cia’s. e trabalhos próprios, é realmente muito difícil. Fica mais difícil ainda, quando o diálogo para com os mais experientes tem um fator protecionista como uma muralha cheia de exigências e limites. Toco nesse assunto, por que acho muito próximo do tema, que relata o “avanço da dança no Brasil”. Acho que o avanço e o ingresso de novos artistas tratam sim, da expansão da arte no país, da formação de pensadores desse fazer, de diálogos mais francos entre a classe, levanta novos interessados e curiosos, além de preparar o caminho para uma nova geração de artistas, e claro, que são esses os fatores entre outros, que por com seqüência revelam um real sentido do tema em questão. Afinal, é dessa e de outras maneiras, que o verdadeiro avanço dessas, e de outras artes, acontecem de fato no país, pois nesse momento o desrespeito e falta de ética, ainda me envergonham e chocam muito. Também gostaria de lembra uma história verídica, formado por um curso de bailarino dentro da universidade, não tive em nenhum momento uma aula que se trouxe em questão o planejamento e a organização de projetos culturais e artísticos, não houve sequer alguma introdução as leis de incentivo aliam essas não sem nem comentadas durante o curso inteiro. Engraçado mais os professores conhecem muito bem esses projetos e as leis, afinal, a maioria deles, tem cias de dança na cidade, e o mais engraçado ainda é que eles ganham sempre alguma coisa de Funarte, Itaú, e outros órgãos do governo local, os mesmo sabem muito bem a importância desse conhecimento para o artista, mas em nenhum momento, tocaram no assunto durante o período do curso inteiro na universidade. E não foi por falta de cobrança, eu mesmo fiz questão de pedir uma aula ou seminário que tocasse nesse assunto de fundamental importância, mas não fui ouvido como aluno, que tinha direito aquele conhecimento.
Paulo, gostaria de esclarecer que o Instituto de Artes do Pará não foi procurado para disponibilizar as informações necessárias para serem colocadas neste espaço.
Portanto, gostaria de disponibilizá-la visto que, ao mencionarmos o nome das Instituições é necessário que as informações sejam disponibilizadas.
Ao viabilizar, por meio dos editais da Bolsa de Pesquisa, Experimentação e Criação Artística a possibilidade de diálogo da arte com outras formas de conhecimento, o Instituto de Artes do Pará faz cumprir sua missão Institucional, favorece a integração às linguagens contemporâneas e desenvolve o aperfeiçoamento das artes no estado, por meio de pesquisas e experimentações, que resutem um novo patamar da criação.
De dez trabalhos inscritos na área de dança, três foram contemplados:
Solamnete Solo de Jaime Amaral
Aconteceu Contorcido: refletindo sobre a realidade social através da Cultura Paraense de Nelly Lara de Brito
Sentindo Movimentos de Marina Alves Mota.
Cada bolsista contemplado recebeu o valor de
R$15.000,00(quinze mil reais)para trabalhar a pesquisa, com vigência de nove meses.
Somente na área de dança o Instituto investiu
R$45.000,00(quarenta e cinco mil reais) além do investimento nas áreas de música, teatro e artes visuais.
Abraço
Ana Cláudia Costa