Essa violação citada acima, mostra-se presente entre a maior parte das companhias brasileiras de street dance, que se esforça para manter um padrão norte-americanizado de felizes cristãos protestantes.
Do mesmo modo, diversas companhias brasileiras de dança contemporânea esforçam-se para que seus trabalhos assemelhem-se aos trabalhos de companhias européias[4], colaborando para perpetuar a noção cristã/platônica[5] do corpo.
Vejo que muitos curadores brasileiros de dança teimam em colaborar com a divulgação do corpo sado-masoquista da referida noção, muito apreciado na Europa. Num ato ditatório, determinam o que deve ser feito pelas companhias, para as mesmas serem aceitas nos festivais e mostras de dança. Assim, padronizam um estilo de representação do corpo em cena, contribuindo para o empobrecimento dos ‘afetos corporais’[6] do dançarino brasileiro.
Superando a segunda barreira
A beleza destaca-se perante o olhar, quando existe uma identificação entre as coisas. Quando nos olhamos de ímpeto no espelho, é comum não haver o reconhecimento da imagem refletida no mesmo. Para haver a identificação é preciso que haja o reencontro de imagens familiares. Para isso buscamos entre as coisas estocadas no fundo da memória, de maneira que a imagem familiar sobreponha-se à imagem estranha vista no espelho. A partir daí promove-se a identificação e o reconhecimento do belo. Do contrário, pode acontecer o estranhamento. Como diz Caetano Veloso, “Narciso acha feio o que não é espelho…”[7].
Ser como brasileiro[8] é o objeto de desejo que o povo do velho mundo sonha conquistar a partir da recente miscigenação nos países brancos. Esquecem-se, porém, que no Brasil essa miscigenação iniciou-se há mais de 500 anos com a entrada do povo português[9].
Mesmo que ser-brasileiro seja o objeto de desejo do povo branco, o brasileiro e a arte feita por brasileiros têm um caráter exótico, como ‘cartão-postal-do-Rio-de-Janeiro’, sobretudo ao olhar dos franceses.
A fim de provocar a aproximação, a Cia Balé de Rua inicia o espetáculo com uma imagem familiar. Apresenta um samba em que os dançarinos estão caracterizados por chapéu-terno-e-gravata, uma homenagem ao ‘malandro’, personagem característico nos sambas dos anos 20. Aparentemente o trabalho da companhia vai desenvolver-se como uma caricatura vendável no exterior.
De fato o ‘gringo’ gosta, bem como espera ver esta caricatura-cartão-postal. Afinal, é isso que a média francesa conhece. E gostar do caricatural, talvez seja a maneira encontrada a fim de manter certa distância. Dessa maneira preserva-se da frustração de não reconhecer-se nas imagens, posto que de fato não pode mesmo reconhecer-se. Não deixa de ser uma forma de defesa, como vemos na fábula A raposa e as uvas, de Jean de La Fontaine.
A dessemelhança autoriza a manutenção da noção que o não-intelectual francês cultiva: por mais ignóbil que ele seja (e ele não se considera assim) ele será sempre melhor que não importa qual estrangeiro. Posicionam-se dessa maneira, sobretudo em relação aos que nasceram em países em desenvolvimento como é o caso do Brasil. Assim sendo, eles preferem manter a imagem caricatural à possibilidade de poder assemelhar-se ao tido como menor.
O que percebo no trabalho da Cia Balé de Rua é que de maneira criativa o espetáculo prossegue e arranca suspiros da platéia ao afinar a semelhança, quando apresenta Ave Maria, de Schubert[10], em ritmo de samba. Neste momento, o muro que separa o mundo clássico e o mundo moderno destruído e em seu lugar percebe-se a presença de um ponto tangente entre o velho e o novo. Assim abre-se para a identificação da semelhança e oferece um ponto tangente entre o velho e o novo. Assim abre-se para a identificação da semelhança.
A partir daí, rompem-se as dissonâncias. Os parisienses despelam-se e prevalece o desejo de abrigar-se sob a pele do brasileiro. É como se de fato o povo do velho mundo se transpusesse além oceano, transformando-se em brasileiro, num hipnótico e verdadeiro carnaval descrito por DaMatta[11], onde tudo é possível.
Num determinado trecho desta composição da Cia Balé de Rua, os dançarinos pintam seus corpos com tintas que misturam-se à medida que são acrescentadas nas diversas partes do corpo. Esse movimento abre a possibilidade para numerosas interpretações. Dentre tantas, pode ser visto como um elogio à miscigenação como também às múltiplas e infinitas tonalidades das cores da fauna e da flora brasileira, ou simplesmente como abstracionismo. De fato a interpretação do espectador vai depender dos seus afetos.
Em outro momento eles apresentam uma cena que pode remeter a um cortejo cristão. Carregam um objeto, como fazem os cristãos transportando seus ícones nas romarias. Deste objeto coberto por um tecido surge um dançarino que está posicionado de cabeça para baixo.
Esta cena conduziu-me a pensá-la como símbolo do rompimento de Merleau-Ponty com o discurso do corpo dual proposto por Platão e assimilado integralmente pelo pensamento judaico/cristão. A noção do corpo em Platão alimenta diretamente a noção de corpo no Antigo Testamento. Conforme Shusterman[12] em acordo com Schaeffer[13], a noção de corpo no mundo ocidental tem como referência a noção do corpo proposto pelo Cristianismo.
Sabemos através de Schopenhauer[14] que a noção budista do corpo revela-se pelo sofrimento do mesmo. Porém, é importante pontuar que o mundo ocidental é regido pelo pensamento do Cristianismo e não do Budismo. E, mesmo que nos consideremos laicos, a referência no mundo ocidental permanece sob a égide do pensamento Cristão. Assim, agimos e pensamos conforme os ditames da noção do corpo proposto por Platão/Cristianismo.
Em seus discursos, Platão[15] revela a imagem do corpo como túmulo e prisão da alma. Para ele a carne é motivo de vergonha e o símbolo do pecado. Sócrates, personagem de bastante relevância para a fala de Platão, suicida-se[16] num ato de vaidade, por considerar que o corpo é matéria de descaso.
Merleau-Ponty[17] propõe a inteligência, ou seja, o espírito como parte integrante do corpo assim como concebemos um olho, uma mão etc. Juntos, esses elementos formam a unidade corporal. Para ele, o humano desvela-se perante o mundo através da materialidade do corpo. A pele faz a fronteira entre o íntimo e o social. Ela é o invólucro dos músculos, ossos, vísceras, humores etc. A carne organiza-se sob a pele, e através da projeção do olhar do outro[18], modela-se segundo as normas sociais[19].
A cena do espetáculo Balé de Rua na qual aparece um dançarino posicionado de cabeça para baixo, remete mais à imagem (invertida) do ‘Louco’ do tarô de Crowley[20] do que ao ícone da Santa Mãe cristã. Assim, a Cia Balé de Rua compactua-se com Merleau-Ponty e distancia-se de Platão, quando deixa à deriva a possibilidade de interpretação dos ícones. Afasta-se da noção repressora do corpo indo ao encontro da proposição de Nietzsche[21] quando ele sugere que é necessário desfazer-se desta moral de escravos. Pois a arte tem um caráter liberatório em face às novas propostas. Não necessita, portanto permanecer no domínio das crenças e religiões.
Outro atributo da Cia Balé de Rua é que, enquanto a maioria dos grupos que trabalham com a dança egressa dos negros da América do Norte mantém-se submissos ao discurso do colonizador ao reproduzirem os característicos gestos e estilo de músicas desta subcategoria artística; o que percebo é que Fernando Narduchi e Marco Antônio Garcia transmutam com irreverência a street dance norte-americana em Balé de Rua com toda a imanência do povo brasileiro.
(1)Inicialmente a temporada seria de dois meses.
(2)Michel Foucault, Surveiller et punir, Naissance de la prison, Paris, éditions Gallimard, collection Tel, (1975), (1er dépôt dans la collection : avril 1993), 2006.
(3) Noção que venho desenvolvendo em minha tese de doutorado a ser publicada em 2009.
(4) Essa observação foi reforçada a partir de vídeos que recebi após uma convocação feita por meio da revista eletrônica http://idanca.net/2007/02/12/videos-brasileiros-para-o-dia-internacional-da-danca-em-paris/, publicado no dia 12/02/2007. Nos numerosos vídeos que assisti de artistas de diversas cidades e estados do Brasil, foi relevante a constatação do que afirmo no texto.
(5) Jean-Marie Schaeffer, La chair est image in Qu’est-ce qu’un corps? Afrique de l’Ouest/Europe occidentale/Nouvelle-Guinée/Amazonie sous la direction de Stéphane Breton., Paris 2006, Ouvrage coédité par le musée du quai Branly et les éditons Flammarion.
(6) Noção que venho desenvolvendo em minha tese de doutorado a ser publicada em 2009
(7) Caetano Veloso, Sampa, in Caetanear, Brasil, Polygran.
(8) Para melhor compreender essa noção, sugiro ler Roberto DaMatta. O que faz o brasil Brasil?, Rio de Janeiro, Brasil, editor Rocco 1984
(9) Sobre esta questão sugiro pesquisar em Darcy Ribeiro, O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil, São Paulo, editora Companhia Das Letras, 1995
(10) Franz Peter Schubert, Ave Maria
(11) Roberto DaMatta. O que faz o brasil Brasil?, Rio de Janeiro, Brasil, editor Rocco 1984.
(12) Richard Shusterman, Conscience du corps, pour une soma-esthétique, traduit de l’anglais (USA) par Nicolas Vieillescazes, Paris, éditions de l’éclat, 2007
(13) Jean-Marie Schaeffer, La chair est image in Qu’est-ce q’ un corps? Afrique de l’Ouest/Europe occidentale/Nouvelle-Guinée/Amazonie sous la direction de Stéphane Breton, Paris, Ouvrage coédité par le musée du quai Branly et les éditons Flammarion, 2006.
(14) Arthur Schopenhauer, Le monde comme volonté et comme représentation, Paris, editora PUF,
(15) Para melhor se aprofundar sobre esta questão sugiro ver, sobretudo em: Phédon, Timée, Philèbe e La République.
(16) Platon, Phédon, Traduction nouvelle, introduction et notes par Monique Dixsaut, Publié avec le concours du Centre national des Lettres. Paris, GF Flammarion, 1991.
(17) Maurice Merleau-Ponty, Phénoménologie de la perception Paris, éditeur Gallimard, coll. Tel 1945 (1996).
(18) Jean-Paul Sartre, L’être et le néant, Essai d’ontologie phénoménologique. Edition corrigé avec index par Arlette Elkaïn-Sartre, Paris, collection Tel, Gallimard 1943, (1996)
(19)Michel Foucault, Surveiller et punir, Naissance de la prison, Paris, éditions Gallimard, collection Tel, (1975), (1er dépôt dans la collection : avril 1993), 2006.
(20) Gerd Ziegler, Tarô, espelho da alma. Manual para o Tarô Aleister Crowley, tradução: Maria de Almeida, Revisão técnica: Swami Dhyan Yukti (Marcelo Passos), Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1993.
(21) Fréderic Nietzsche, Généalogie de la morale, traduzido por Éric Blondel, Ole Hansen-Love, Théo Leydenbach et Pierre Pénisson, introdução e notas por Philippe Choulet, com a colaboração d’Éric Blondel para as notas, traduzido com o concurso do Centre national du Livre. Paris, editora GF Flammarion (1996), 2002.
Márcia Almeida é doutoranda em Estética (Filosofia da Arte), na Université Panthéon-Sorbonne-Paris1 e membro do CID-UNESCO (Conselho Internacional de Dança-UNESCO)

Eng



Márcia,
A transgressão que vc muito bem aponta em seu texto me estimula a continuar pesquisando no ambiente da dança-filosofia e reorienta o sentido de cidadão que dança, seja ele ocidental ou oriental. O texto me fez refletir sobre qual seria a interferência do corpo que dança no ambiente humano e político em que se insere, muito belo seu artigo. Parabéns e desejo muito sucesso para o Balé de Rua em Paris.
Ei Alexandre,
obrigada pela participaçao (me desculpe, minha tecla nao tem os acentos necessarios para o portugues correto).
Acredito que o humano, enquanto obra de arte, nao afeta diretamente o meio ambiente e politico. Mesmo porque, nos tempos atuais (emprestando as palavras da minha amiga Lenora Lobo), com a midia en ligne, nao é uma preocupaçao direta do artista (veja também Adorno na Teoria Estética). Mas existe uma trama afetiva entre humano e meio ambiente como um todo. O contrario é verdadeiro, os afetos do meio ambiente no humano vai aparecer na obra de arte.
para mim é uma enorme alegria a tua participaçao.
M.
Marcia,
Gostei muito da materia. Você foi genial!
Conseguiu conduzi-la de forma envolvente, é como se eu estivesse presenciando a peça, a riquesa dos detalhes, e em diversos pontos atentando para uma reflexão quanto aos costumes entre os povos existentes nesta nossa casa chamada terra.
Aos poucos, a arte, com sua mágia vai nos aproximando… é isto que a torna bela e atrativa, com suas mensagens sutís nos educando para um dia termos uma casa mais harmoniosa, e fazendo jús, mais humana.
Grande abraço
marcia
que bela reflexao sobre o bale de rua, o velho e o novo mundo e este movimento que oriundo das ruas de uberlandia vem com coragem e resistencia inaltecendo a dança brasileira
quem viu esta galeria começando e acompanha sua evolução como eu, só tem a agradece-los pela conquista da identidade no que dançam e a voçe por este importante depoimento que nos faz do lado de cá, vibrar
lenora lobo
marcia!
ler um texto de dança, este texto sobre balé de rua, como um viajem histórica no campo da dança. tenho algumas perguntas que permeiam meus pensamentos uqe foram respondidas neste momento.
parabéns.
ary coelho.
Olá Marcinha,
meus conhecimentos a respeito de arte são bem excassos. Mas achei muito interessante o que aprendi com seu texto, muito bem escrito e com profundidade de pesquisa e resultado de muito estudo. Parabéns e vc nos enche de orgulho por que não é em qualquer família que se vê uma doutorando em Paris. Parabéns do fundo do coração e gostaria de receber, na medida do possível, as suas elaborações.
Beijão
Marcia,
Sou estudante de dança da Faculdade de Artes do Paraná.Através do seu texto percebi os inúmeros meios que a dança tem de evoluir como arte em outros meios de comunicação, em outras formas de linguagem.Percebo que o campo de trabalho varia muito de acordo com a pesquisa de cada um e isso me ajuda a pensar em dança de um modo amplo,relacionando-a com outras areas como a própria filosofia.Relacionar a dança com o meio em que ela se encontra ,ambientes diferenciados e ir de contra as questões ultrapassadas dessa arte mostra o avanço da dança em relação as questões contemporâneas do mundo em que vivemos.Muito interessanta a questão em que você trabalha seu projeto de dança,inserindo em questões políticas e sociais.Parabéns pela iniciação deste projeto e muito sucesso com ele.
Márcia do céu!! da Terra, de Paris, do mundo…
Por favor me desculpe pela demora em te responder e comentar sobre o texto.
Primeiro porque eu li e reli e li novamente. Cada leitura me trazia novas interpretações e informações….
É maravilhoso, não tenho palavras para te agradecer por uma
contribuição como esta. Só posso te dizer muito obrigado e que ele nos tocou profundamente.
É impressionante como vc conseguiu captar o nosso trabalho e traduzi-lo de uma forma tão bem fundamentada, tão brilhante. Nós sempre trabalhamos sem esta separação de corpo e espírito mas nunca havíamos parado para pensar sobre isto pois tudo acontece de uma forma natural. Da mesma maneira o sagrado e o profano. Para nós é tudo uma coisa só, está tudo junto. Por exemplo, um dos produtores comentou com a gente que achava a cena da Ave Maria muito festiva, que não combinava com a espiritualidade da música. Queria que a gente mudasse e fizesse algo mais “sublime”. Eu tentei explicar que prá gente estas coisas não são antagônicas, que o samba pode muito bem ser uma forma de oração, mas eles não entendiam. Pensei comigo: se eles vissem uma festa do Congado então eles iriam pirar, pois é através da dança, do canto, da alegria, do ritmo enlouquecido que o congadeiro demonstra seu fervor. É pura festa e é puro fervor e louvor e o “Santo” abaixa mesmo, é transe. Tivemos que lutar por esta e outras cenas, foi um grande aprendizado e muitas vezes sofrido, mas quem carrega 300 anos de escravidão nas costas não se rende facilmente. Isto foi uma das coisas que quisemos mostrar, a resistência da nossa gente, o povo brasileiro. O que sempre pedimos p/ os bailarinos é para serem verdadeiros e isto acaba acontecendo porque o que levamos p/ o palco são realmente os nossos afetos, a nossa vida vivida, o cotidiano. Nós realmente não queremos ser nem americanos nem europeus, não seguimos tendências, trilhamos nosso próprio caminho na construção de uma identidade e isto é a coisa mais importante que conseguimos ao longo destes 16 anos. Sem ela o que seríamos? Márcia, encontrar com pessoas como você é sempre um grande prazer, uma alegria!! Pessoas que acrescentam, que somam e nos fortalecem. Que Deus te abençôe e te ilumine sempre. Te desejo todo o sucesso e tudo de bom. Um beijão com saudades,
Fernando – CIA BALÉ DE RUA
Marcia,
Sou aluna do curso de dança da Faculdade de Artes do Paraná.
Interessante quando você coloca que a interpretação do espectador vai depender dos seus afetos.
Sei que cada corpo é um corpo que se constrói e se expressa de maneira particular. Sendo assim, é curioso pensar que cada espectador é também um espectador diferente. Não tinha visto por esse lado. Sempre me preocupei mais com o corpo que dança do que com o corpo que assiste. E isso me fez pensar nas diferentes formas de interpretações que as pessoas podem ter de um mesmo espetáculo. As experiências de vida, particularidades e costumes, são aspectos contribuidores na interpretação de cada espectador ali presente. Para mim, é importante saber que cada um interpreta de forma particular o mesmo espetáculo. É onde percebo que a dança-arte é significativa para cada um de forma única e verdadeira.
Gostei do artigo, me fez refletir sobre o significado do espectador.
Beijos e até mais, Annemarie.
Olá Márcia,
Que bom texto! Muito interessante a explanação que você fez, leitura boa e de fácil acesso, com todas as citações (e ainda mais notinhas de rodapé). Gostei quando você menciona que “… não corrompem o corpo imaterial a fim de serem aceitos por curadores que exigem padrões estéticos que não lhes são comuns.” Um bom paralelo que você faz, tendo como base o pessoal da Cia Bale de Rua, traçando um interessante paralelo da dança brasileira x eropeia. Já dá para ter uma idéia do que você está armazendo afim de contribuir para a dança/cultura brasileira.
Parabéns!
João Negreiros
Que alegria saber que cada vez mais, corpos brasileiros buscam verdadeiramente suas individualidades de movimentação, isso fortalece o pensamento de que o padrão estético escolhido traduz a noção do entendimento de corpo do grupo em questão.
Eque essa iniciativa sirva de catalizador para que cias brasileiras ,permanetes no Brasil, busquem suas próprias raízes não se prendendo a padrões estéticos prontos ( ” para turista ver”).
Márcia, amei este texto que me trouxe ótimos elementos para reflexão. Estou propondo alguns projetos sobre música e dança para um programa de governo no Maranhão onde aproveitei bastante suas idéias. Agora, uma pergunta, vc por acaso morou em Brasilia e foi profa. da UNB? tenho uma grande amiga que segundo soube está em Paris e a Márcia que eu conheço fez mestrado na Sorbone…seria ótima ter um contato com vc outra vez…de toda forma, parabenizo a autora do texto.
Anaiza C. Gaspar
anaizagaspar@gmail.com
A diferencia dos outros comentários, o texto me provocou muitos incómodos… Até bom para autora, para desenvolver e continuar crecendo na sua carreira professional. Uns deles se vincula com a naturalização do “povo brasileiro”, os “movimentos lineares e repressivos do povo frances“, não só porque constroi “identidades” fixas senão também porque os “outros”, neste caso o “europeo”, é referido com preconceito, na medida que se intenta resgatar a validez e a proposta do Cia Balé na Rua. Mesmo assim, acredito eu, o texto não desqualifica o trabalho da Cia, ao contrario, pela descrição mostra o caráter innovador.
Considero importante refletir sobre as formas de produção textual porque se umas das críticas é entorno a que é produzido por críticos e curadores, não podemos esquecer que o próprio também produce o mesmo efeito e eficacia.
Carla