It is possible to identify, nowadays in Brazil, a considerable production of academic research about dance being development in many areas. Thus, some preliminary questions arise: which are the main characteristics of that production? What is the theoretical and methodological background? Who are subjects involved in the production? What environments and circulation possibilities belong to this space?
From such questions, we propose a theoretical approach aiming to enable the study of the production of academic knowledge about dance, in a discussion that tackles both the resulting products and the underlying production methods. This way, the concept of field formulated by sociologist Pierre Bourdieu will be presented: from the perspective of constituting a useful analysis system of the social practices that make up what we call dance academic field.
A field is defined as a social arena of a consolidated game, where a dispute for the monopoly of a “common capital” occurs, built within a system of objective relationships between acquired positions and their agents. A field is established in a continuous and dynamic process of dispute for the acquisition of an authority, defined inseparably both as technical-intellectual capacity and as social power.
The recognition amongst peers-competitor is related to a construction of reality and tends to establish a gnoseologic order. Thus, the truth within a field is always partial and circumstantial, relating to the positions of the agents recognized as authority in a given moment. The conflicts are simultaneously and inextricably political and intellectual and the epistemological aspects are not separated from the social relationships.
To reflect upon the dance academic production from this perspective is an attempt to understand such production as social practice and its environment as a field going through the process of development. As an example, we will briefly analyze the production of thesis and dissertations about dance in Brazil[1].
Between 1987 and 2006, 111 thesis and 553 dissertations about dance were produced, there was a considerable annual increase, mainly after the mid 1990’s. This indicates a progressive accumulation of specific symbolic capital with a process of specialization of the agents who, according to Bourdieu, must be comprehended within its context: from a historical perspective, the research of dance is a very recent practice and has few specimens, in such a way that it is still not possible to talk about a tradition of academic dance knowledge in Brazil. Such realization points to a process of field development in a relatively initial stage, with a tendency to intensification.
It is also noted that the production is extended to the entire national territory, but is concentrated in some geographical areas and states – almost half the works are originated in São Paulo, for example. Such factors could be investigated, in order to identify interests and motivations of the agents situated in each region, their organizational capacity, demands due to market disputes and other local pressures associated to historical and socio-economical aspects. We emphasize the characteristic of non-uniformity of the conditions for the development of academic knowledge of dance, an asymmetry inherent to the field that is directly linked to its products. Consequently, there is a scattering of the works with the development of some production focuses that are topographically located.
Concerning the production environments, it is possible to identify sixty higher education institutions and eighty nine post-graduate dance research programs. Considering the positions occupied by the agents are related to their products, the epistemological tendencies develop as negotiation between their world-view and such environments. This means that: (i) the development of academic knowledge of dance is not limited to programs with one specific profile; (ii) knowledge develops in an absolutely diversified way in relation to other areas. In other words, added to the physical scattering of thesis and dissertations is the theoretical and methodological diversity, which qualifies this knowledge production as interdisciplinary.
The multiplicity of perspectives of the knowledge production in the field establishes a demand for these products to be publicly confronted. In other words, the importance of mechanisms that foment the circulation and consumption of the results of the researches is stressed, stimulating the development of the knowledge produced and the specialization of the agents of disputes for the establishment of positions and the recognition of authorities, as well as the development of other cooperative patterns of knowledge production.
The study indicates that the concept is pretty fertile to reflect upon the production of dance knowledge. We believe that this initiative can be further developed and we suggest it could be interesting to discuss the constitution of the field from the perspective of the involved agents, or of the symbolic dispute process. The debate about the recognition of dance as an area of knowledge could be widely explored: according to Bourdieu’s contributions, although determining the separation of the areas could seem as a merely political-pragmatic, it possesses epistemological criteria based on the degree of consolidation of the field.
[1]The data is taken from the Mapping of Academic Dance Research in Brazil, made during the author’s Masters research (2006-2008), the source was Capes Thesis and Dissertation Database and the operational mechanism was the search of the term “dance” in titles, abstracts and keywords.
References:
AQUINO, Rita. A constituição do campo acadêmico da dança no Brasil. 2008. 146f. Mestrado em Dança – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2008.
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Lisboa: Difel e Bertrand Brasil, 1989.
BOURDIEU, Pierre. Razões Práticas: sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus, 1996.
SOCIOLOGIE – MAGAZINE DE L’HOMME MODERNE
Available here. Accessed June 20, 2008.

Eng



Em primeiro lugar gostaria de apenas cita a autora como uma das poucas pesquisadoras em dança e artista, que num momento de repelir seu conhecimentos sabe usar as palavras certas e se colocar com clareza para que víeis estar direcionando seus aguamentos, sem deixar tom de ironia ou de desprezo em categorias separadas mas imbricadas nas suas pesquisas. Parabéns.
Um dos maiores desafio na produção acadêmica em dança, é entendermos a diferença entre o fazer artístico/criativo produzido conhecimento e apenas a produção de conhecimento na academia, tendo como fonte a arte/dança.
Texto que aborda dados importantes para a comunidade acadêmica da Dança. Ao propor este assunto, Rita, vc faz com que nós, pesquisadores em Dança tenhamos uma visão panorâmica sobre os estudos que vem sendo costruídos em nossa área. Como está citado no texto, a prática de pesquisa em dança é muito recente, porém muito produtiva quando se diz respeito ao crescimento e evolução desta área. As coisas só se transformam com pesquisa. Não poderia a Dança estar longe deste lugar. Encaremos-na daqui para diante como forma de conhecimento e ambinete de discussão.
Como formanda da Faculdade de Arte do Paraná, do curso de Dança, o assunto da pesquisa em Dança principalmente durante este ano é foco de intensa discussão em sala de aula e fora dela. A análise feita no texto aponta para a principal questão na minha opinião: a metodologia. Justamente por se tratar de um processo contínuo, recente e em constante atualização a metodologia aplicada ainda é difusa e muito diversa. Ao permear várias áreas, a dança se apropria de conceito mas necessita de uma transposição que nem sempre é simples.
Primeiramente pelo fato do processo de criação, estar muitas vezes inter-relacionado, por muitas vezes surge a questão do lugar desta pesquisa.
Por se tratar de um campo-teórico-prático os desdobramentos da pesquisa necessitam de um aprofundamento por muitas vezes complexo. Como a produção de conhecimento se molda, sem restringir o fazer artísco e sim traz a tona suas questões enquanto área de conhecimento?
Como articular questôes respondidas de Manira teórico-prática?
Penso que estamos engatinhando ainda, mas como estudiosos do movimento ainda temos muito por, rolar, sentar, ficar de pé, caminharmos e caminharmos…
Caros Anderson, Déborah e Thábata,
Obrigada pelos comentários. O intuito de apresentar aqui este panorama está justamente vinculado à possibilidade de ampliar tal reflexão.
Apesar do recorte proposto se restringir à produção acadêmica, certas questões transbordam o próprio ambiente da universidade, e geram novos problemas. Neste sentido, as relações entre produção artística e produção acadêmica, indicadas nos comentários, parecem compor um tópico promissor para desenvolvimentos posteriores.
Acredito que a área de pesquisa em Dança vem se ampliando e se colocando no mundo. Apesar de recente, vem crescendo consideravelmente, com tantas pessoas trabalhando junto pra que isso aconteça. A maioria das pessoas enchergam a palavra “pesquisa” como uma coisa de outro mundo, fora do alcance, ou se colocam num lugar onde ,o não pensar é mais fácil, por isso a adesão.É de grande importância que textos como estes apareçam para gerar ruídos e reflexões a nós enquanto alunos pesquisadores.
A prática de pesquisa em dança, como já foi colocado, ainda é muito recente, mas não podemos negar que é um campo que vem crescendo mais e mais a cada dia. São textos como esse que nos ajudam a ter uma visão mais ampla e diversificada sobre o que está acontecendo na nossa área atualmente e deixam claro que a visão sobre a dança está sendo modificada, graças aos esforços de muitas pessoas a dança está sendo vista como um campo de conhecimento e estudo.
Como foi dito por você, Rita, a pesquisa em dança tem se modificado. Comparada à outras linguagens artíscas, há pouquíssimo tempo conseguiu espaço como estudo acadêmico.
No entanto, foi devido aos esforços de tantos profissionais pesquisadores preocupados em pensar dança que hoje é possível encontrar livros de dança em feiras de editoras de universidades.
O caminho a ser percorrido ainda é grande, mas acredito que esta reflexão bem como outras reflexões sobre dança e corpo hoje acontecem muito pelo fato de se ter o espaço acadêmico, e das pessoas que estão neste espaço procurarem produzir conhecimento.
É interessante como o interesse na dança tem crescido esses últimos anos. Não a dança prática, física, corporea, mas uma outra forma de ver, perceber, entender e lidar com a dança. Uma percepção mais aprofundada, mais detalhada, mais basada. Esse movimento de entender a dança de um ponto de vista mais científico, mais teórico, mais intelectual, dá margens a uma maturação e concientização da dança incríveis. Minha única pergunta é…
pra onde vai esse conhecimento todo? de que forma isso torna a dança mais eficaz do ponto de vista prático? como a intelectualização vai fazer da dança mais profunda, mais emocional? de que forma esse acadêmicismo trará mais olhares para a dança?
Me parece demasiadamente importante esse despertar em relação ao conhecimento e aprofundamento da dança, mas não podemos olvidar que tudo isso tem que se tornar prático e contribuir para o crescimento concreto da dança.
Obrigado pela atenção…
heleno moura, bailarino, acadêmico do 3º ano de dança da FAP.
Isabela, Mariana, Inês e Heleno,
Obrigada pelas suas considerações!
O propósito do estudo é justamente dar visibilidade à produção acadêmica em dança a partir do mapeamento dos conhecimentos já produzidos. Alguns dados obtidos não foram aqui apresentados de forma mais extensa devido ao formato da publicação, mas certamente o volume de trabalhos vem aumentando. e esta tendência deve ser mesmo sublinhada, como o fazem Isabela e Mariana. Neste sentido, torna-se fundamental não apenas valorizar a produção, mas viabilizar a circulação destes produtos e favorecer possíveis desdobramentos. Concordo com Inês quando coloca que hoje os conhecimentos acadêmicos em dança parecem mais acessíveis, mas parece que ainda há um longo caminho a percorrer. Afinal, a atividade de pesquisa se constrói a partir de referências, independente de que a proposição seja de continuidade ou ruptura teórica…
As preocupações aqui compartilhadas parecem reiterar o contexto de consolidação do campo: temos hoje a necessidade de discutir o que vem sendo produzido, que agentes encontram-se engajados nesta prática, como estas ações transformam o modo de apreciar-refletir-formular-ensinar dança (Heleno). O estudo emerge justamente destas reflexões, e vê-las ecoar entre pares atualiza tais questionamentos…
Talvez o contato com os próprios conhecimentos produzidos contribua para estruturar os discursos e desmistificar alguns tópicos. Ou quem sabe apenas reforce certas dúvidas…
Sim, sim, sim…
Todas as citações e colocações foram bem pontuadas num modo geral.
O não pensar como muitos citam nos seus ensaios e idéia, estar mais próximo e presente com quem o produz em textos e defesas, o grande problema atual é querermos estabelecer verdades convenientes que caibam sobre nossos guarda-chuvas.
É perigoso termos uma idéia de separação de pratico e teórico. Tanto as pesquisas e teses acadêmicas como as produções artísticas em dança que de certa forma pode não ta ligadas à academia – seguindo ela qual forem seus vieses, todas produzem conhecimento que a um bom tempo vem contribuído para uma melhor difusão deste campo. A questão ainda é a má interpretação e a falta de experiências artísticas dos pesquisadores atuais da dança.
As outras formas de ver a dança sempre existiram e estavam como ate hoje estão ao alcance do tamanho do braço de cada um de nós. É importante e de bom censo ético e profissional, termos noção de que não estamos reinventando a roda e nem redescobrindo o fogo
As transformações e evoluções das coisas assim como a produção do conhecimento são difundidas com mais consciência e responsabilidade no olhar critico e contestador de toda e qualquer idéia e defesa.
Não se evolui num ponto de aceitação geral de idéias e de novos conceitos de estudo e difusão de um campo.
Anderson Rodrigo,
Salvador – BA.
Tambem acredito que o caminho a percorrer ainda seja longo. Sequer se faz necessario estar dentro da universidade para perceber que as dificuldades têm sido inúmeras para implementação, construção e consolidação de um campo acadêmico de dança. Pois, dentre diversos fatores citados, a dança ao se questionar enquanto campo artístico, interrogando sobre o modo próprio de compreensão do corpo numa determinada época, carrega consigo a contestação dos regimes de verdade centrados em modelos de práticas corporais.
O pensamento, nos seus mais diferentes níveis e modalidades, encontra-se no ambiente universitário compelido a uma ciência preliminar preparatória a teoria do conhecimento. Desta forma, os saberes que inicialmente não se encaixam nessa ciência (p. ex. a dança) são ressignificados, rechaçados ou postos à margem pelo estabelecimento acadêmico. No entanto, tais saberes sempre reorientam as práticas discursivas oficiais, abrindo novas brechas e recondicionando os valores que permeiam as inter-relações acadêmicas. portanto, parabens e obrigado pelo texto, torna o caminho mais curto e acessivel!