Novos e instigantes processos de pesquisa (crítica escrita por Helena Katz no jornal O Estado de São Paulo do dia 23/03/10)
Rumos Itaú’s Mostra de Processos (“Process showcase”) ended on Sunday (14/03). More than a meeting space for artists and researchers, it sparked an important discussion about the format proposed by the program, which focused on the creative process instead of the final product, as it usually happens. The result was that everybody started wondering: what is the creative process exactly? How can it be shown? Is the audience interested?
“Process is a term used not only in the arts, but also in the economic and scientific fields. It means an organized set of exchanges that influences changes in something and may have many stages”, defined French researcher and critic Christophe Wavelet, in the lecture Experimentação e Pesquisa nos Espetáculos Processuais (“Experimentation and Research in Processual Shows”), as part of the showcase’s program. “When we speak of more complex processes in art, the distinction between process and product is very arbitrary”, he says.
He remembered there had been much debate in France in the 80’s about what would be a choreographic piece in process. But today this subject already burned out. “When I learned I would come to Brazil, I wondered if this would be an issue for Brazilian contemporary dance. I talked to many artists and theorists and found out there is much in both countries. I asked myself about the understanding of process many times, but I don´t have an answer…”, said Christophe.
Cecília Almeida Salles, a professor at PUC-SP, offered another view about the subject, which comes closer to the way of showing this step of creation. She analyzed the blogs created by the artists during the work – a new requirement of this edition of the program – highlighting interesting aspects of the tool’s use. “I searched for specificities and differences in the relationship between piece and process. I noticed the word has been trivialized, which ends up attributing value to something. Every creation has a process attached to it, but we can´t quantify it, say that one is more than the other”, she explained.
According to Cecilia’s analysis, the blogs served as a space to document the artists’ reflections and had a place within the creative process itself. “They worked in parallel with the research”. She also observed that one of the main doubts was related to the way of showing the work. “Many artists made clear that the problem was making the process public and that created some fear”.
Michel Groisman presented the performance-installation Órgão during the showcase, a partnership with Gabriela Duvivier. For him the biggest difficulty is establishing an end for the process. “What is the final art piece? Is there a final moment? At each moment it seems like it can change…”, he reflects. “In the case of Rumos, I think it´s easier to deal with internal pressure to have something ready to present. I felt at ease not being in the ideal place. The process is ongoing”, he argues.
Four ‘processes’ will continue
According to the program’s regulation, four out of the 21 works will receive more funds to keep working on the research in the following months. The projects are Piranha: Dramaturgia da Migração , by Wagner Schwartz (MG); Espaço como Fluxos de Possibilidades , by Clube Ur=H0r (MG); Coleta de Vestígios , by Marta Soares (SP); and Transformers , by Thelma Bonavita (SP). The selection process was composed by Alejandro Ahmed, Christine Greiner, Marcelo Evelin and Vera Sala. They considered the following aspects: maturity of the research; importance and relevance for the research’s continuity; clarity of the issues investigated. Each one will receive R$ 40.000 to deepen the research, whose new phase will be presented in the first week of December.
Sônia Sobral, manager of performing arts at Itaú Cultural, considers this edition is one of the best. “I still don´t know exactly why, but it has something to do with maturity and availability, both the program and everyone that came here. The next step is to think about the publication of the results, which will be distributed to cultural and learning institutions around the country”.

Eng



Esta edicao do Rumos foi ótima para podermos refletir sobre questões que muitas vezes nos enganamos, achando que estao claras entre criadores, pesquisadores e publico. Principalmente as questões conceituais sobre processo e sobre leis e projetos de incentivo.
O Processo durante esta edicao do Rumos foi, muitas vezes, maquiado e formatado pela nítida preocupação de alguns participantes em relacao a como apresentar o trabalho. As próprias condicoes desta versao do Rumos acabaram incentivando esse lugar de impasse entre os processos, pois mesmo que estivéssemos discutindo a questao do Processo, no final do projeto seriam selecionados “4 ganhadores” para, entao, virarem um produto final.
Assim, os participantes tinham o dever de, ao mesmo tempo, mostrar o processo e mostra-lo de forma convincente `a comissao de selecao. (???)
Neste Rumos, so’ tivemos a ganhar com as questoes que foram levantadas: o descompasso conceitual entre os participantes, deixando claro que Processo nao e’ entendido da mesma forma entre eles; o que acabou sendo fomentado pela propria controvérsia do projeto Rumos ser um projeto que discute a questao do Processo e, no final das contas, premiar (e punir) ganhadores e perdedores desse concurso, que o Rumos se tornou, para ganhar 40 mil e construir um produto.
Q otimas analises do Christophe Wavelet e Cecilia Almeida Salles sobre este tema, q acredito ter tbem ja se esgotado no Brasil e que nos artistas não demos conta disto ainda e como falou a Cecilia…Toda criação tem um processo vinculado, mas não podemos quantificá-lo.
Sou Carlos Arão, bailarino, improvisador e professor (dança contemporanea)integrante fundador do COLETIVO MOVASSE e CREUZA – GRUPO DE IMPROVISAÇÃO EM DANÇA, participei da edição do Rumos 2006 e 2007.
O que me chamou mais atenção no programa passado foi que o foco ficou para os pesquisadores (mapeamentos da dança no Brasil) e não nas obras selecionadas, os artistas pouco se encontravam apos suas amostras coreográficas (podemos dizer assim) para discutir suas pesquisas, tempo (dificuldade em como fazer uma pesquisa em seis meses etc). Em um dado momento foi feita a proposta por parte dos participantes para encontros com bailarinos, direção do evento, curadores e dai começou uma serie de conversas, inclusive sobre como proceder em uma proxima edição. Percebo q foi feito este trabalho de avaliação sobre as discussões , percebo tbem uma coerencia e maior clareza(de acordo com o texto publicado) no que diz respeito a proposta do programa e isto é muito positivo, pois tira o RUMOS deste lugar de vitrine e oportunidades e coloca-se a disposição da pesquisa propriamente dita.
Sobre a maturidade do programa e dos artista participantes, concordo com a Sõnia Sobral, salientado que o RUMOS tbem estava em processo nas edições passadas e que agora começa a montar sua obra. Que o programa RUMOS DANÇA tenha vida longa possibilitando aos artistas o trabalho de pesquisa que é bastante falada e pouco praticada por falta de oportunidades.
Parabenizo a todos q fizeram acontecer esta edição, todos os selecionados e os 4 projetos que seguem a continuidade de suas pesquisas dentro do programa e, em especial aos meus queridos amigos do Clube Ur=H0r (MG).
Grande abraço
pergunta: no ano 2008 vcs fizerao editais com premiçao pra video dança tb ? ganho uma menina Argentina e uma de Uruguay ?? gostaria d saber posso apresentar o roteiro ainda ?
bjs
preciso demonstrar a minha completa insatisfação e desagravo ao ver o nome de Marta Soares contemplado para continuar seu trabalho apresentado no rumos. Se os critérios incluem “maturidade da pesquisa; clareza das questões investigadas; importância e pertinência da continuidade da pesquisa”, isso torna-se ainda mais preocupante. Na sua apresentação no Teatro Coletivo, a coreógrafa Marta Soares foi incapaz de articular um discurso minimamente coerente, claro ou pertinente. Para constragimento geral ela chorou e não apresentou nem um material relevante. Apenas algumas imagens em vídeo, extremamente estetizantes e que poderiam ter sido retiradas de qualquer catálogo de publicidade. Esta mostra não era videodança. Ultrajante, desrespeituoso com o público. Ninguém gosta de se sentir enganado. A comissão se enganou e segue enganando o público ao bancar a continuidade de uma pesquisa nula, inexistente. Ficou claro que ao fim dos 6 meses de pesquisa a Coreógrafa nada tinha realizado. Simplesmente colocou o dinheiro no seu bolso. Achando que o mundo deve mais é sustentar a sua bela subjetividade. Isto é vergonhoso, inadmissível. Ainda mais se levarmos em consideração o alto nível dos trabalhos apresentados na mostra. Nada justifica a falta de trabalho. Pena, mil vezes pena.
terrível a apresentação da Marta Soares, puf… que vergonha…
Como mostrar e compartilhar uma obra em processo é uma questão que vem sendo discutida também dentro do 4º ano de Dança da FAP, afinal estamos todos pesquisando, criando e também passamos por mostras de processos. Vejo o fim do processo, essa escolha do que levar para a cena e o que dos meus experimentos tornar público um lugar muito tênue e por isso deve ser cuidadosamente estudado e discutido. Acredito também na importância desse lugar, onde se pode mostrar o que ainda não é um produto final, ser explorado e opotunizado, pois nos coloca em risco e provoca questionamentos importantes acerca de nossas questões, estratégias e objetivos.
Não pude participar da mostra Rumos, mas o texto me faz sentir um aroma agradável e instigante das discuções resultantes…
Abraços!
investigar é preciso, triste é quando se torna justificativa para falta de trabalho.
Acredito que discutir sobre processo é algo muito intenso, como debater relegião e futebol. Por mais que exista conceitos sobre processo e seja usado em diversificados áreas, cada um formula sua idéia sobre tal assunto gerando essa grande discussão (Que claro, ressalto que é muito importante e que nem tudo precisa de um ponto final). Acredito que o processo de um trabalho de dança é composto em instantes,e cada instante completa o todo. Cabe ao pesquisador saber qual instante de seu trabalho mostrar. Vejo também por um outro lado, o pessoal/individual…pois quando você se propõe mostrar o seu trabalho para um público que está distante desse processo , há pessoas que irão achar que esse “pedaço” do trabalho esteje pronto e há quem acredite que tem muito caminho para percorrer.
caros,
participei do rumos como espectador. faço teatro na europa e fiquei curioso com o evento, pois como estava de férias aproveitei para experienciar esses processos. nã sei pra quem interessa isso tudo, pois não seria melhor convidar o público para o espaço do artista? pra quer sair de casa pra ver uns processos que muitas das vezes são ou masturbação ou desculpa de quem não pode construir nada em seis meses e que utiliza a exposição pública de seus lamentos; como foi o caso dessa senhora que somente chorou no coletivo e mostrou umas coisas que não interessava aos presentes. o mais interessante na sua “mostra” de processo foi que fica claro que as artes estão sendo influenciadas pelos reality shows, pois me pareceu que ela somente queria dividir seus conflitos existenciais para um público com cara de hannn? ela investiu toda a grana nisto?
outro desconforto foi ira ao ccsp e presenciar um bando de pessoas enchendo balões e dando uns papeis de plásticos coloridos pra platéia, como se aquilo fosse cool e tão inovador! inovador? achei vazio e pretensioso, fora que a solista, era essa a sensação que dava, da tal pesquisa nem era assim tão grande performer.
e que era aquilo, num outro dia, de uns panos brancos enrolando tres dançarinos? tirando a intérprete feminina que tinha uma presença interessante
achei alguns trabalhos mostrados de grande interesse, mesmo estando em processo. não conheço os artistas, mas gostei de alguns riscos e conceitos apresentados; trabalhos conceituais e em diálogo com outra possibilidades, mesmo que alguns confundem mostrar processo com aula/demosntração/didática. que chato ver gente falando/justificando sua tal pesquisa ou como se estivesse em casa com amigos íntimos. hellooo vc tá em frente de pessoas que sairam de casa e não com seus parentes e amigos! que pretensão.
abraços e desculpem-me a sinceridade, mas concccordo e muito que essa senhora somente pagou o mico no coletivo.
carlos ortega
Falar de processo, conceituar o que é processo é uma tarefa um tanto quando confusa e árdua, visto que esse conceito pode ser relativo ao local, a cultura, ao contexto. No entanto o processo é o que produz um trabalho, todo trabalho é composto por processos e é justamente nesses momento, nos processos de pesquisas, que criamos, tiramos duvidas, ajustamos essa pesquisa que esta sendo produzida.
Rumos nada mais é do que uma política cultural para a dança, privada, pois é de uma instituição privada que fomenta alguns trabalhos em dança. Quando abre edital para esse incentivo à dança, quem se escreve precisa estar convicto de qual é a linha de trabalhos desse espaço. No entanto, vejo a necessidade de a dança ter credibilidade com a sociedade. Fico preocupada e triste quando vejo que uma política como esta esta ferindo o seu proprio público, o da dança, esta perdendo a sua credibilidad. O mesmo que acontece em festivais competitivos pode estar acontecendo aqui, aquela inquietação de: o pq fulano levou o premio e não siclano?, porém , no caso dos festivais, seus argumentos sempre são condisentes com o resultado, com a escolha. Algumas inquietações…O que pensamos quando premiamos algúem, damos a este ser uma oportunindade?O nome conta tudo? O que queremos passar não só para o público da dança mas sim para a sociedade?
Processo…o que mostrar, que escolhas fazer, o público vai/tem que entender, que pertinência esse trabalho tem para mim? e para os outros??? Muitas inquietações e perguntas que todo artista se faz, inclusive eu mesma, ou deveria fazer. É claro que todo trabalho artístico passa pelo processo de criação antes de chegar a um fim, mas a questão me parece ser diferente, o que se desenvolve nesse processo? Normalmente há pesquisa teoríca, linhas de pensamento e estudo que compartilham da ideia do artista, transferir essa ideias para o corpo através de processos e movimentos de forma a testar e chegar a um ponto onde pode-se chamar de “produto”, mesmo que não finalizado. Cada artista é claro, tem seu modo de conduzir esse processo, e o perfil de um edital também deve influenciar no modo de operar. Creio que esse é o ponto, quando se fala em editais como o Rumos ou mostras que ocorrem pelo país. A maneira como as coisas são propostas faz com que o público compreenda determinadas escolhas e não saia desses ambientes com cara de quem não entendeu nada, nem as escolhas como me parece que alguns não compreenderam em relação ao Rumos 2010.
Iniciar o processo, passar para o corpo o que está sendo pensado em teoria (ou na teoria). Dificuldade passada por mim nesse exato momento, COMO mostrar o que está sendo pesquisado?!?…O primeiro passo pra mim, seria explicar a teoria, contextualizar o espectador, não que isso seja uma obrigatoriedade, mas se caso se tenha um espaço disponível para isso,seja uma forma de fazer fazer com que as pessoas participem da construção ou do entendimento desse processo!
Respondendo esse questionamento, vão surgindo muitos outros, O QUE mostrar, qto tempo isso vai durar?…afinal fazer com que seu processo investigativo vire uma mostra pública (transformar o experimento em cena) faz com que você tenha que pensar nesse experimentos como uma cena (com espectadores, fugurino, iluminação, objetos cênicos…).
É muito bom confortante saber que todos artistas/pesquisadores tem esses questionamentos, esse dúvidas, problemas a serem resolvidos e debatidos!
Gostaria também de voltar a atenção para um comentário feito aicma: “investigar é preciso, triste é quando se torna justificativa para falta de trabalho”…isso que me preocupa, pois as vezes você nem tem claro seus experimentos, sua investigação, e por alguma razão, você precisa mostar publicamente, fica uma mostra sem contudo, porém muitas vezes não é nem por falta de trabalho, mas sim de tempo parar investigação!
Bom, ainda precso responder esses meus questionamentos. Obrigada idança por esse espaço de discussão!
bem nem todo processo se faz necessario ter um termino, porque já em minha opinião não seria mais um processo e sim uma sentese provisoria de algo que possa ser vista ou mostrado a um espectador e que seja capaz de ser reproduzido ou refeito varias veses até se tornar uma coreografia capaz de ser manipulada e organizada de forma com quem um leigo possa digerila como arte.
Este lugar de questionamento que Isabella Motta coloca é de extrema valia, pois se é processo, certamente, não é o lugar do produto final, que tem uma conclusão, mas sim um lugar de inacabamento em que as propostas estão em construção, e de fato é um momento de articulação de pensamentos. É claro que é preciso mostrar o resultado do processo só que um resultado que está sempre em construção, um momento de se posicionar para a sociedade, mostrar quão maduro e disponível este processo em dança está, e, certamente, como Isabela fala, sem julgamento do que é melhor ou pior.
Sob um dos modos de ler esse texto, apartando um bocado do Rumos (sobre o qual, pouco conheço para argumentar), eu refleti sobre o que faz o processo, como quartanista de uma faculdade de dança que se encontra imersa a uma pesquisa prático-teórica.
Como a própria palavra “processo” remete, há de haver continuidade, a qual se dá por meio de experimentos e estudo cada vez mais profundos. Suponho que devemos sempre buscar no corpo possibilidades de respostas acerca de questões que nos instigam. Deduzo que processo em dança se constrói assim.
Mas enfim, e a hora de levar ao público?! Como diferenciar processo de produto final? Existe final? Na minha opinião, final é quando as questões não instigam mais a mover. Talvez isso seja o final. E o que vai pra cena, acredito eu, é a síntese do que vem sendo experimentado durante tal período. O discurso de uma dança só se faz forte e fundamentado quando o corpo realmente passou por uma etapa de experimentação. Dessa forma, é ilusão achar que a comunicação artista-público vai acontecer se o trabalho não for realizado com crise, disciplina, dor e prazer.
Então, artistas, façamo-nos um convite: incorporemos nossa dança!
Raquel Messias – graduanda FAP – Curitiba
como saber a hora de tornar nossos experimentos públicos? esta é uma pergunta que vem caminhando comigo nos últimos meses, um trabalho em processo significa algo inacabado e muitas vezes não comunica o que pretendemos, mas será que um dia vai comunicar? ou talvez o simples fato de levar um processo até o publico já esteja comunicando, o que penso é que um trabalho em processo é algo que ainda esta amadurecendo e para poder ter continuidade precisa se transformar , é de extrema importância que o artista compartilhe com o publico suas angustias e indagações para poder dar continuidade a seu trabalho.
Relendo o meu próprio comentário, quero retificar uma afirmação que fiz sobre o final do trabalho. Quis dizer final no sentido de morte do trabalho, de fim mesmo (não de produto final, como pode dar a entender). A fim de um trabalho se dá quando não há mais questões que movem.
Como dito pelos comentários acima, processo é uma palavra delicada de definir, quando se trata de corpo e dança. Mais delicado ainda é quantificar um processo, podendo variar de acordo com o teor de cada trabalho/pesquisa, com o tempo de entendimento de cada artista. Uma obra dificilmente chega ao seu produto final quando apresentada. Um experimento, uma apresentação sempre modifica, altera, pois acontece em tempo real, com situações imprevistas, podendo agregar valores a pesquisa.