Festival Dança.Com privilegia encontros e conversas
Dança.Com had its first edition in Porto Alegre, from April 26 to May 2nd, produced by the City Culture Office, through its City Dance Center. One of the initial provocations, which worked to concentrate the efforts surrounding this initiative, was the intention to “establish not only one point, but multiple points of communication in dance production today”, in the words of Airton Tomazzoni, coordinator of the event.
The program was created following three guidelines: the body in the contemporary scene, the paths of performance and the use of new technologies. Distinct actions were grouped within these guidelines. They were made possible by different partners and were articulated through a line of thought that sought to favor possible connections, investing in encounters.
At this point, it is already possible to highlight another positive aspect of the event: the strategy to mobilize independent initiatives, establishing a “network of articulation and collaboration” that worked at the very production of the event, sharing its execution on an institutional level.
The City Dance Center acted in the project’s elaboration and development and articulated local artists such as Cibele Sastre, Luciana Paludo and Fernanda Carvalho Leite, among others. The initiative also allowed the action of dança em foco – – International Videodance Festival, which was responsible for the videodance showcase and a workshop; the Federal University of Rio Grande do Sul organized the Body, Performance and Technology international seminar, through its Performing Arts Post-Graduate Program; the Itaú Cultural Itaú Cultural Rumos Dança program brought some of its recent edition’s process showcases.
Theoretically, the production such large events is made possible through partnerships. In reality, what can be observed is that such partnerships rarely allow a concrete opportunity for collaboration among the partners, contributing for shared management, which could allow mutual exchange that could result from them, bringing fresh air to rigid formats.
Another positive aspect is the fact that the event was concentrated mostly at Renascença Theater, where the Dance Center is also located, providing a homelike atmosphere to the event, homemade in the best sense, a place for caring and welcoming that favors permanence and prepares for daily destabilizations.
The choice of a lean program format was fortunate. The breaks between the scheduled activities and the lack clashing proposals allowed calm transitions for the audience and artists and a more constant participation throughout the whole program. The breaks also encouraged encounters, which often don´t take place in the usually hectic rhythm of festivals.
Thus, it was possible to share the experience of Canadian artist Andrew Harwood, for instance, as he talked about the years working with the Contact Improvisation with Steve Paxton and to watch him improvising alongside Paula Zacharias (Argentina) and Fernanda Carvalho Leite (Brazil). It was equally exciting to listen to Clarisse Bardiot (France) talk about 9 Evenings, an experimental event articulated by Robert Rauchenberg in 1996, in New York, and compare it to Ivani Santana describing her experience with Dance and New Technologies. It was equally important to see Leonel Brum, the dance coordinator of the National Arts Foundation, discuss the political aspect of some of the works, both theoretical and practical, within the Foundation’s new paths. What is the role of the artist in the establishment of public policies for dance in Brazil? What are the mobilization and participation roles we play – or do NOT play – in our cities, in order to make ourselves represented?
There are many possible connections when encounters take place. The intention of the event’s organizers and the willingness of all the partners pointed towards good perspectives of continuity for Dança.Com. Therefore, this is a reason for celebration, considering our vast national territory with such scarcity of powerful initiatives.
Let us remember Stuart Hall. He states that a “national culture is a discourse ¬ – a way to build meanings that influence and organize both our actions and the conception we have of ourselves.” (HALL, 2006, p.50) Hall proposes we think about national cultures as imagined communities. Considering national identities are not transmitted hereditarily, they are not born with us, it becomes clear that the nation produces meaning, a system of cultural representation that is established as a symbolic community. After this point, Benedict Anderson argues that national identity is an imagined community. And that is exactly why it is important we question ourselves about the representation strategies we use – and which we engender – in building our ideas of belonging and cultural identity.
According to Hall, three aspects should be taken into account in building a national culture in an imagined community: the memories of the past, the desire to live together and the perpetuation of heritage. He warns, however, that a national culture is never a point of loyalty, union and symbolic identification, it is also a structure of cultural power.
We evaluate the importance of such initiatives in the context of a city upon that issue. Not only because of the dimension of the encounters, but above all because of the evidence it casts on a community’s discourse, because of the meanings produced there, in a context in which its particularities are crossed by other flows and new assemblages that are established. With all the difficulties, problems and deficiencies that may arise, something beyond always becomes visible: ways of working and modes of existence, different time regimen, possible habitations, imagined communities and invisible cities.
Andréa Bardawil is a choreographer and pedagogical coordinator of Bienal Internacional de Dança do Ceará

Eng



Andréa, que bom você ter estado por aqui… Ultimamente temos feito muitos esforços de “funcionamentos coletivos” em Porto Alegre; logicamente, atentos à demanda das necessidades atuais da dança e da sociedade. Conviver é um exercício, assim como propor parcerias, realizá-las; deixar “espaços vazios” e não colidir programações num festival… Tudo isso é trabalhoso, mas, é tão bom o resultado desse esforço e os encontros que esses esforços geram. O festival Dança.com foi muito “diferente” (e o que é o ‘diferente’, hoje e sempre?), mas, digo isso no sentido de reunir pela primeira vez, aqui, neste lugar, essas instituições envolvidas; realizar o formato que foi proposto – enfim, ‘fazer acontecer no que se propôs’.
Todos que estiveram trabalhando, se envolveram muito (pude perceber isso ao longo dos dias). Isso também contribui para um evento ‘vir a termo no que se propôs a vir”.
É isso, então, muita “Graça” para todos nós; muita dança COM… Continuemos! Que venham os próximos encontros e que possamos estar atentos ao que emerge, em termos de necessidades e formatos para a dança – e seus lugares possíveis de realização na contemporaneidade.
Andréa e Aírton,
daqui de longe (e nem tant0…) companhei o evento e as palavras de Andréa me fizeram “imaginar” o quão bacana foi este encontro ! Vida longa e reverberante a ele !!!
beijos Sandra
Andréa querida,
É um prazer enorme ler tuas palavras sobre o “nosso” Dança.com. Acredito que o maior ganho que obtive de todo esse evento foi a oportunidade de aprender de artistas tão sensíveis e qualificados. Foram dias ótimos para todos os envolvidos no evento. Dias enriquecedores por tamanha variedade de linguas e de linguagens. O intercâmbio de inquietações e incertezas, de buscas por uma verdade do corpo e da dança, que certamente marcaram essa minha história de amor com a dança e com aqueles que, assim como tu, fazem dança. Muito obrigada por nos honrar com a tua presença, encanto e graça. Nos sentimos privilegiados por ‘participar’ da primeira evidencia de um trabalho tão rico como o Graça. Com certeza a presença de artistas como tu, a Graça e a Sâmia - é o início da construção das “memórias do nosso passado”, com quem compartilhamos o “desejo por viver junto”, e expectativa da “perpetuação da herança” em muitos outros Dança.com.
Muito obrigada por nos agraciar com tua presença em Porto Alegre e por tuas palavras sobre o primeiro de muitos, assim desejamos, Festivais Internacionais na nossa terrinha.
Abraço carinhoso, com saudades.
Juliana Werner
Andrea, estive no Danca.Com, lendo voce.
Obrigada, e até já!
Eliana
Andréa! É sempre muito gratificante ver tornados públicos os esforços locais para realização de eventos desta dimensão. Além de generoso, o texto abrange a intensidade daquela semana em Porto Alegre! Gostaria de agregar o nome de Alexandra Dias entre os artistas locais que fizeram apresentações artísticas no evento, ela que tem produzido e pesquisado a performance e a trança desta entre dança e teatro na academia e fora dela, qualificando e ampliando adesões à dança pelo público local. Gostaria também de informar que o PPGAC – UFRGS tem um blog com atualizações das pesquisas na área. Pelo menos uma década de trabalho sobre novos meios de produção artística em dança em várias frentes (artísticas, acadêmicas, produção cultural, e sempre políticas) agora se faz ver em nossa comunidade em uma ainda não tão fortemente estabelecida estrutura de poder. Que apoios como os deste texto venham agregar esta construção!
Obrigado a Andrea e ao IDança pela reverberação dos frutos desse encontro que tenho certeza terá sido muito rico e acolhedor especialmente para os visitantes, como é especialidade dos queridos gaúchos… se me permitem, destaco duas questões que mobilizam meus parcos neurônios: 1. a questão da “gestão mais compartilhada”, que representa um desafio imenso na busca de estratégias de colaboração, como tanto falamos por aí afora; e 2. a questão dos coletivos; Acredito que a afirmação destes pontos numa sociedade individualista e materialista como a que vivemos é um ato de resistência e nem sempre conseguimos que a ‘orquestra toque afinada’ de fato; os coletivos não podem ser apenas espaços onde os egos agrupados se potencializam para constituir corporacões com mais poder de fogo, nem a idéia de gestão compartilhada pode funcionar se imaginarmos todos nas mesmas condições artificialmente, sem que as diferenças inclusive de lugares de poder se deixem ver e ser vistas… Acho que os desafios aí são enormes e requerem muito crescimento no plano humano e social de cada participante. abs
Amigos, agradeço a todos pelos comentários, com a certeza de que as reverberações dos bons encontros também se constroem nos tecidos afetivos que se desdobram posteriormente em novos espaços, inclusive os virtuais.
Luciana, importantíssimo isso: “que possamos estar atentos ao que emerge”. Isso envolve inclusive desapego, eu penso. Exercício de sensibilidade que, para mim, definitivamente NÃO prescinde de tolerância, em todas as instâncias. Exige tempo e generosidade, lugares que pouco frequentamos, em nossos estados de urgência.
Juliana, o “intercâmbio de inquietações e certezas” já pode ser um modo de existência. Dá mais trabalho, mas acredito que também pode ser o lugar da desestabilização das verdades absolutas.
Cibele, obrigada pelas complementações!
Marquinhos, perfeito: “os coletivos não podem ser apenas espaços onde os egos agrupados se potencializam para constituir corporacões com mais poder de fogo, nem a idéia de gestão compartilhada pode funcionar se imaginarmos todos nas mesmas condições artificialmente, sem que as diferenças inclusive de lugares de poder se deixem ver e ser vistas… ”
Isso também nos dá muito o que pensar, não?
abraços!
os três eixos forammuito bem colocados para uma discução, acredito que hoje isso seja o alicerçe do estudo de corpo para os academicos e para todo entendedor de dança,
o corpo na cena contemporânea,os caminhos da performance,e o uso das novas tecnologias.
para criaçõ e composição de qualquer forma de pensar.
sobre os parceiros penso eu que hoje com a politica socio economica do nosso pais não podemos fazer nada sem ter pessoas responsaveis e principalmente com um capital para poder realizar tamanha manifestação cultural em determinado ponto.
Cara Andréa!
Ainda que retardatária, a leitura do texto serve de bálsamo!
Excetuando-se uma conferência com Ana Mae Barbora (Santander Cultural, 2009), o Festival Dança.COM foi minha primeira experiência INTERTERRITORIAL. Tão espontânea e indolor que até serviu para me reconciliar com as artes cênicas, atividade interrompida devido capacitação no setor audiovisual: porque foi um chamado ao espírito emergencial da convergência, que emergiu de vez durante a oficina Criação de Videodança, ministrada por Marcus Moraes, e desdobrou-se por aí adentro.
Situações que poderiam ter reverberado de modo constrangedor, como imprevistos técnicos durante o seminário, foram contornadas com dignidade e humanidade – e falo como espectador, pois não colaborei ativamente, senão COM presença e prestígio.
Foi um tônico constatar os esforços do Centro Municipal de Dança de Porto Alegre (SMC), do PPGAC-UFRGS, do Festival Dança em Foco e todos os que, descobri depois, uniram-se, à lá Super-Gêmeos-Ativar, para levar a cabo este projeto. Não sou capaz de nomear, pois temo injustiças frente ao esquecimento ou ignorância.
abraços COM entusiasmo,
Prux