Fazer um apanhado de um evento é uma tarefa delicada e desafiadora. Em meio a tantas atividades e alternativas de miradas, tenta-se fazer um balanço, tenta-se dar uma idéia de como transcorreu, o que significou. Parto nesta tarefa alertando que não me propus nem a fazer um relatório minucioso de atividades e sua avaliação, nem uma descrição e apreciação de cada trabalho e debate que lá aconteceram (até mesmo porque precisei retornar um dia antes do encerramento da programação). Portanto este texto não pretende dar conta de tudo que foi e representou o Festival, mas sublinhar o que talvez nele tenha sido uma de suas mais importantes facetas.
Começo, então, enfatizando que um festival sempre se faz com recortes. E recortes implicam que algumas coisas fiquem dentro e muitas coisas fiquem de fora. Por isto, a extrema dificuldade de compor uma programação. Neste sentido, o Brasil Move Berlim vem somando acertos, ao chegar na sua terceira edição, que foi realizada de 12 a 22 de abril, na capital germânica, com painéis, debates, espetáculos e performances de criadores brasileiros.
Estes acertos parecem vir de duas condições. A primeira, da condição de continuidade do evento, que ao longo dos anos permite a cada nova edição que esse território se remodele, se complemente e se amplie. A outra condição diz respeito às escolhas da programação, que vêm permitindo problematizar a idéia do que pode se pensar em termos de dança contemporânea brasileira, ao invés de assumir que se conhece, com certeza, a sua cara ou de assumir que ela tem apenas uma face.
Na programação (que detalhadamente pode ser encontrada no site www.moveberlim.de e me salvará de eventuais e não-propositais omissões), houve espaço para o conceitual e o musicalmente dançante, para a provocação e para o deleite, para o questionamento e para o prazer, sejam estes elementos e efeitos concentrados num mesmo trabalho ou não. Desta maneira, a programação do evento neste ano expôs a multiplicidade de tendências, que pode gerar um estranhamento, tanto para o estrangeiro como para o próprio camarada brasileiro lá na platéia. E um estranhamento não pela sua exoticidade, mas sim pelas qualidades e competências tão díspares que se revelam num mesmo Brasil. Por uma capacidade de dialogar com o regional e com o urbano, com a aldeia e com a metrópole, com o que está em voga no circuito contemporâneo europeu e com o que por este circuito é desconhecido e até inimaginado. Na cena e nas discussões, ficaram evidenciados alguns pontos de convergência e divergência desta produção de dança contemporânea, também os modos singulares de trafegar na criação de dança, bem como os diferentes desafios e contextos, num enorme Brasil repleto de contradições. Enfim, o evento conseguiu pontuar a diversidade que, na prática, configura esta produção no país.
E aqui, abro parênteses. Pois quando falo de diversidade estarei tentando dela tirar a carga semântica vulgarizada e demagogicamente apropriada. Não aponto a diversidade como recurso a partir da necessidade de justificar tramas políticas que muitas vezes já não distinguem mais nada no afã de juntar todas as diferenças. A diversidade a que me refiro não procura resgatar o lugar idealizado em que tudo deve e pode conviver em harmonia. Falo de uma diversidade, porque é urgente reconhecer a multiplicidade de competências para pensar, falar e fazer dança.
Pois é esta perspectiva que ficou explícita nesta edição do Brasil Move Berlim. Na possibilidade de colocar juntos trabalhos como o de Henrique Rodovalho, Luiz de Abreu, Fauller, Maria Alice Poppe, Fafá Carvalho, a gurizada da Membros Cia de Dança, Ângelo Madureira e Ana Catarina, o pessoal da Couve-Flor, minicomunidade artística mundial. As obras faziam sentido juntas, independente do seu mérito ou importância individuais. Os sentidos possíveis de tais encontros estavam na articulação de suas qualidades, incongruências e idiossincrasias. Geografias que se reorganizam, trânsitos plurais. Exemplo disto foi a Membros que sai do interior do Rio de Janeiro, que faz da dança de rua sua visceral matéria-prima, que é aplaudida na Espanha e França, que comove e causa um frisson na platéia berlinense, mas que nunca foi assistida em Porto Alegre, Manaus ou Vitória.
Foi desse jeito que se criou a possibilidade de um público atento ouvir a fala de um Eusébio Lobo, mestre de capoeira e doutor em dança, que fez uma sinuosa, apaixonada e inteligente conexão da capoeira com o balé. A possibilidade de me colocar ao lado, numa mesa de discussão, pela primeira vez com a professora Waldete Brito, prestes a implantar um curso de Graduação em Dança em Belém do Pará e mais uma vez revigorar-me com a persistência e delicadeza do trabalho de André Bardawil, no Alpendre, de Fortaleza. A possibilidade de colocar Paulo Azevedo e Gilsamara Moura traçando experiências de dança onde as ações de cidadania passam pelo resultado de trabalhos vigorosos e inteligentes, nos quais os participantes assumem o protagonismo da cena. A possibilidade das performáticas provocações do professor Fernando Passos, mostrando como pode ser saudável “vasculhar nossas gavetas” e ampliar os horizontes teóricos para entender a dança no nosso país, que dança Wagner e Bach e Beethoven, mas também Fagner e Abba e Vanusa. A possibilidade de expor a tensão entre artistas e produção acadêmica, num país entre os saberes das festas, dos palcos e das universidades.
Houve espaço também para a possibilidade de verificar as dificuldades de lidar com questões tão nossas como o diálogo com a negritude e talvez o que tenha ficado ainda mais explícito, a dificuldade de estabelecer e entender as formas possíveis do diálogo com as culturas indígenas. Dificuldades que foram enfrentadas entre outras pelas professoras Carmen Luz e Regina Muller. Dificuldades que passam pela revolta, indulgência, preconceito, desconhecimento, reconhecimento.
Por lá, depois de 10 dias, Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Macaé, Salvador, Porto Alegre, Araraquara, Belém. Por lá, norte e sul, clássico e popular, regionalidade e nacionalidade, contemporaneidade e tradição, local e global pensamento e movimento. Talvez estas possibilidades venham de uma opção dos diretores Wagner Carvalho e Bjorn Dirk Schlüter por instaurar um “lugar de encontro e não de descoberta”, como colocou o primeiro na abertura da edição do evento deste ano. E encontro exige disposição para o outro. A descoberta geralmente é minha (ainda que possa contar com o outro), o encontro é sempre necessariamente nosso. E isto não poderia estar mais presente e fazer mais sentido do que numa Berlim que teve por décadas um muro como obstáculo para o encontro. O Brasil Move Berlim de certa maneira reafirma a improdutividade e empobrecimento de se reeditar muros (que ainda muitas vezes aflige a nossa dança no Brasil) e assume o prazer e o desafio dos encontros.
Port
Eng



Olá I. Dança e Airton, sinto-me privilegiado em inaugurar os comentários de um texto tão preciso e despretensioso. Airton traduz de forma simples e direta o que representa hoje a relevância deste encontro político chamado Move Berlim – descontruir paradigmas dominantes sobre o único corpo brasileiro ou de que a dança nacional está representada por esta belíssima caixa de ressonância chamada Rio de Janeiro – não está. Parabéns, e adorei o gurizada!! Ah, uma coisa importante, peço que coloquem os créditos nesta foto da Membros Cia. de Dança. O nome do fotógrafo é Jorge F. Castillo, é possível rever apenas esse detalhe técnico?
perdão agora vejo que ao tocar no mouse na foto aparece os creditos
abs
e parabens mais uma vez pelo belissimo trabalho.
paulo
Olá de novo, agora sem querer toco com o mouse na foto e vejo os creditos SIM. Está tudo Ok
parabens mais uma vez a equipe
Paulo
Gostaria de deixar meu relato sobre a dança contemporânea e sua diversidade neste imenso país chamado Brasil, principalmente quando o Rio Grande do Sul tem um representante considerado Historiador de Dança no Festival “Brasil Movem Berlim”.
Observando sua matéria “Memória da Cena : Cecy Frank” escrita no Jornal “Palco e Platéia” da Secretaria Municipal da Cultura de Artes Cênicas ano IV 2004 – Número 2 – julho, Airton conta a história de Cecy Frank superficialmente não se detendo em aprofundar-se em relatos verídicos da carreira profissional da mesma até sua morte.
Ao ler a matéria percebi estar faltando uma parte da história, pois “dona Cecy”, assim chamada na cidade, deixou toda uma nova geração de alunos (as) e bailarinos (as) que tornaram-se professores da técnica de Martha Graham e que dão continuidade de formação nesta dança ou compartilham de seus princípios, cada qual trabalhando seus objetivos específicos reelaborados com o tempo em nossa cidade, bem como em outros Estados Brasileiros e outros países até os dias de hoje.
Cecy Franck escreveu um livro em parceria com Morgada Cunha, “Dança : Nossos Artífices”, onde relatam a história da dança de Porto Alegre, Rs, de 1930 até 1985. O que deixa-me curioso, é que esperava que o Airton como historiador de dança transmitisse mais os conhecimentos, as investigações e pesquisas, bem como a subseqüente continuidade do trabalho da “mestra” Cecy Frank em seu artigo, e que supera-se o conteúdo existente no próprio livro descrito anteriormente. Numa matéria publicada pela revista de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, ” APLAUSO” ano 3 nº 23 – 2000 , escrita pelo jornalista e bailarino da redação Alessandro Dall´Omo após a morte de Cecy, este se aprofunda muito mais em saber a verdadeira essência de quem foi Cecy Frank.
Nos anos 90, Cecy Frank orientou algumas bailarinas para estudarem na “Martha Graham School”: Ana Medeiros, Carla Rigom, Crsitina Lima, Fernanda Stein, Nair Moura, entre outras … Carla e Ana formaram-se e fizeram parte da “Martha Graham Company of Contemporary Dance”, também foram as pioneiras a trazerem informações de técnicas inexistentes naquela época, anos 90 em Porto Alegre, como Pilates e Girotonic.
Em 1988 Cecy Frank retomou seu grupo de dança o qual se chamava “Choreo” e estava desativado por dois anos. Participava de seu elenco bailarinos importantes, muitos deles fortemente atuantes no meio artístico atualmente como pesquisadores coreógrafos e bailarinos entre eles: Mônica Dantas, Eduardo Severino; Carla Rigon, Ana Medeiros; VeraTorres; Rosângela Brasil; Georgea Ross; Gabriela Peixoto; Laura Lainer; Nair Moura; Claudia Comboim; Joca Vergo; Homero Volino; Moacir Correa; João Filho, entre outros.
E foi com a última formação do Grupo Choreo em 1990 com o elenco composto por Joca Vergo, Cláudia Camboim, Gabriela Peixoto e Nair Moura que Cecy foi contemplada com várias premiações de reconhecimento no estado como: indicações ao Prêmio Quero Quero Sated-rs Melhor bailarino e Melhor bailarina em 1992, JocaVergo e Nair Moura; Prêmio Quero Quero Sated-rs Melhor Coreógrafa Cecy Frank em 1993; Indicação ao Prêmio Quero Quero Melhor Espetáculo de 1994 ” Amplitude ” ao Grupo Choreo. Única Cia. de dança selecionada com seis obras coreográficas a participar da “Mostra de Novos Coreógrafos de Florianópolis” em 1993, e Cia. convidada a participar de eventos importantes no Estado e na capital do Rio Grande do Sul como: Dança Alegre Alegrete; Porto Alegre em Cena; Projeto Dançar da Prefeitura; Solos Masculinos e Femininos da Prefeitura; Feira do Livro de Porto Alegre, Projeto Unidança da Ufrgs entre tantos outros…
Cabe ressaltar que em Porto Alegre, RS, Nair Moura foi a única a dar continuidade ao ensino tradicional da técnica de Martha Graham e hoje temos poucos bailarinos (as) atuantes no cenário da dança com esta formação como Marilice Bastos, indicada em 2003 e 2005 ao Prêmio Açorianos de Dança e em 2006 ao Prêmio Quero Quero Alergs/Sated-rs, o que é considerado um privilégio, já que é observado um descaso pela preservação desta técnica no estado. Moacir Correa desenvolve a técnica na cidade de Bento Gonçalves. E Joca Vergo continua usando os princípios da técnica elaborando uma releitura contemporânea onde utiliza-se de outras linguagens corporais para expressar a sua arte.
Omitir fatos de uma personagem tão significativa para a história da arte da dança de nossa sociedade é bastante comprometedor, já que a impressão que nos foi transmitida foi de não continuidade de seu trabalho, o que não é verdadeiro, pois se “dona Cecy” formou alunos até o final de sua vida na cidade de Bento Gonçalves a história continua através da influência desta em tais “corpos”.
Finalizo descrevendo que a verdadeira História nunca é esquecida, pois está relatada nos editoriais de jornais, nas revistas, nos Anais e acima de tudo na memória das pessoas que aprenderam e conviveram com os ensinamentos de Cecy Frank e que pelo grande poder que a história possui alastra-se infinitamente a muitas gerações através das interações sociais e dos conhecimentos transmitidos nas relações entre professor e aluno.
Já que a questão da “Verdadeira História” da Dança foi levantada por Joca Vergo, julgo oportuno me posicionar contrário a esta perspectiva. Como enfatizou o historiador Peter Burke “Ainda estamos a uma longa distância de uma ´história total’… Na verdade, seria irrealista acreditar que esse objetivo poderia um dia ser alcançado”. Muitos são os fragmentos que a podem compor. E é na soma ou confronto de visões que ela se constitui. Podemos nos dirigir, com as ferramenta adequadas nos movimentar em direção dessa História,s empre desconfiados dos “donos da História” e dos “donos das figuras” que dela fizeram parte.
Crendo nisso, é ético sempre poder confrontar e contextualizar. Para isto julgo indispensável trazer o texto citado (jornalístico e não, acadêmico e que em momento algum pretendeu esgotar a história de Cecy). O texto foi publicado no jornal Palco&Platéia, seguido do depoimentos de Mônica Dantas e Cleber Menezes, ex-alunos de Dona Cecy, que trazem a memória de seus ensinamentos.
Se a preocupação é com omissões, tal material deva ser colocado à diposição dos leitores do idança:
“CECY FRANCK
A dança moderna irrompe no pampa
A dança moderna marcou a virada do século no mundo com pioneiras como Loie Fuller, Isadora Duncan, Ruth Saint-Denis e Mary Wigman. Pioneiras que libertaram a dança das amarras do balé clássico. No Brasil, contudo, a aceitação da dança moderna custou a ser conquistada e, no Rio Grande do Sul, ainda que já na década de 20 uma gaúcha, Chinita Ulmann tenha sido aluna de Mary Wigman, a dança moderna ganharia fôlego com o trabalho de Cecy Frank. Enquanto professora, bailarina e coreógrafa, ela teve papel fundamental na constituição um ambiente fecundo para o desenvolvimento da dança moderna e contemporânea no Rio Grande do Sul.
Cecy, nasceu em Venâncio Aires no dia 17 junho 1924, e só iria começar seus estudos de dança aos 24 anos de idade, na escola de Tony Petzhold, com a qual trabalhou por duas décadas, dedicando-se aos estudos de balé clássico, didática da dança e teoria musical. Na época, a técnica clássica imperava com ecos do Municipal do Rio de Janeiro, criado em 1927 por Maria Olenewa. E, foi no clássico que Cecy teve sua experiência como bailarina, chegando até mesmo a traduzir uma obra de técnica clássica a pedido do professor Élbio Consentino.
Como bailarina, dançou montagens como Quebra Nozes e A bela adormecida e integrou o Porto Alegre Ballet, companhia criada em 1959 por Tony Petzhold e Elbio Consentino, que tinha a proposta de levar a dança para o interior do estado. Também participou como bailarina e assistente de programas da TV Piratini, de 1958 a 1961, que tinham Tony Petzhold como coreógrafa.
O encontro com Nina Verchinina, no I Encontro de Dança do Brasil, realizado em 1962, em Curitiba, foi determinante para a descoberta da dança moderna e a opção a ela dedicar-se. Verchinina dedicava-se à dança moderna no Rio de Janeiro e logo passou a ter sempre que possível a presença de Cecy em seus cursos.
A experiência com a dança moderna marcaria trajetória de Cecy. Quando foi criado em 1968 a Companhia de Dança do Rio Grande do Sul (CODANÇA), ela coreografou Transfiguração, apresentado em 1969 no Theatro São Pedro, marcado pela estética moderna. Esta trajetória foi consolidada, em 1969, quando ela foi estudar na Martha Graham School of Contemporary Dance, onde permaneceu até 1971 e onde retornaria para aperfeiçoar-se em 1976 e em 1982. Cecy passava então a dedicar-se à dança moderna, ministrando aulas primeiro na Escola de Bailados Clássicos de Tony Petzhold e depois na Academia Mudança, dirigida por Eva Schul.
No ínício da década de 80, abre sua própria escola, junto com o professor de jazz Sayão, na qual se originaria o Choreo – Grupo de Dança Contemporânea, que teve como integrantes nomes como Gerson Berr, Ângela Dipp, Cleber e Guelho Menezes, Márcia Capra e Neca Machado. Entre as obras coreografadas pro Cecy para o grupo estão: Spor (1982), Somos todos um (1984) e Scóprio (1985). Como registrou o crítico Cláudio Heemann, no jornal Zero Hora, em 1982, “Sua dança contemporânea é sólida, exigente, cheia de força e vitalidade. Tem qualquer coisa de rigoroso e monástico no trabalho Cecy Frank. Suas danças são desenhadas com clareza, o esquema rítmico é sempre de grande vivacidade e a linguagem corporal é vigoroso e densa”.
Até sua morte, em 2000, Cecy teve uma carreira atuante e decisiva para a história da dança gaúcha dedicando-se a repensar os caminhos desta arte do estado. Dançou, criou, ensinou, pesquisou. Foi Professora do Escola de Educação Física da UFRGS, participou de uma das iniciativas marcantes no ensino na capital, o Centro de Formatividade em Dança (CFD) e realizou junto com Morgada Cunha realizou uma pesquisa pioneira Origem, Características e evolução da Dança em Porto Alegre. Nesta obra ela deixou o depoimento do seu estilo idealista e transgressor, como o das precursoras da dança moderna: “ As aulas continuam buscando no repertório clássico tradicional a projeção da sua imagem, enquanto que a eclosão de grupos independentes segue a marcha do seu tempo em manifestações contemporâneas…o ideal de dança é muito vigoroso em nosso meio, por isso continuamos a crescer, apesar de tudo”.”
Eu Joca Vergo Nasci em Porto Alegre.
Minha vida artista profissional na dança como bailarino e coreógrafo se solidifica quando conheço a grande personalidade da dança moderna em Porto Alegre a mestra Cecy Franck, que alem de ensinar a técnica americana de Martha Graham e Pilates, foi à pioneira destas duas técnicas no Estado do Rio Grande do Sul. Continha no seu estúdio um acervo de livros traduzidos do inglês para o português por ela mesma: anatomia do bailarino, que tem uma formação muscular distinta dos atletas, concepção coreográfica, história da dança e partitura musical. Era uma enciclopédia viva dos ensinamentos da dança ao mesmo tempo em que também era uma lição de vida conviver com ela.
Sempre tive a impressão que um historiador contasse a história verídica , inteira e a não pela metade, pois assim creio que deva ser contada a História de uma personalidade como foi Cecy Franck, não ocultando fatos marcantes e importantes no decorrer da sua existência.
Eu tive o grande orgulho de ter organizar dois eventos marcantes desta personalidade.
Primeiro: Á homenagem aos seus 70 anos que juntamente com a Coordenadora de Dança de Município naquela época, Claudia Ferreira, dentro do “Projeto Viradança”.
Fizemos um convite a Cecy para um debate e lhe enviamos uma carta oficial pela Secretaria Municipal de Cultura, na qual lhe pegou de surpresa e lhe deixou completamente emocionada, pois a homenagem ela era uma surpresa.
As maiorias das Cias Profissionais de Porte Alegre dançaram e a presentearam no seu aniversario com suas coreografias: Grupo Phoênix; Balleto; Anima; Transforma; Choreo; Terpsí entre outros.
Segundo: Tive também o prazer de ter organizado juntamente com Laura Lainer a inauguração na Casa de Cultura Mario Quintana a sala de dança Cecy Franck, após seu falecimento, única personalidade da dança com uma placa em sua homenagem. Hoje um espaço democrático para dança gaúcha em num centro de cultura em Porto Alegre.
Quem tiver interesse em ler a verdadeira História de Cecy, sugiro, que leia o livro “Cecy Franck” escrito pela escritora Ana Luiza Gonçalves Freire, Editora Movimento 2005, pois ela não oculta nenhuma geração.
A geração da dança de professores, bailarinos e coreógrafos de Porto Alegre da década de 90 sabem quem faz a história na cidade de Porto Alegre. Estes dois eventos estão registrados nas reportagens e publicados nos jornais Zero hora – 70 anos e no Correio do Povo 20 de Novembro de 2000 a inauguração da sala de dança.
“Hoje em dia é muito fácil baixar via Internet ensaios conceituados de grandes pensadores, ou debruçar-se num livro numa biblioteca para fundamentar o corpo na semiótica do movimento”.
“Alguns destes ditos pensadores do movimento muito deles frustrados, não tem um corpo apto para a dança e não trazem nenhum referencial técnico de formação em dança no seu próprio corpo, nem práticas e vivencias corporal, nem são formados por professores conceituados. Pergunto que história é essa?”.
A vivência e o conhecimento empírico adquirido professor aluno, ainda continua sendo a formação da maioria dos bailarinos e alunos de dança.
Pois acredito no estudioso em dança que depois de aprender na prática ou simultaneamente prática versus teoria, vai estudar e conceituar sua trajetória na pratica da dança a partir da sua experiência, pois de forma contraria perde completamente sua veracidade “.
Este site abaixo contêm a reportagem no Jornal Correio do Povo da inauguração da sala Cecy Frack na Casa de Cultura Mario Quinta.
http://www.cpovo.net/jornal/a106/n51/html/25homena.htm
Estes sites abaixos tem premiações da Joca Vergo Cia de Dança, para o Brasil saber quem é Joca Vergo.
http://www.cultura.gov.br/apoio_a_projetos/lei_rouanet/index.php?p=22672&more=1&c=1&pb=1
http://www.cultura.rs.gov.br/internas.php?inc=assessoria&cod=1135881846
http://www.facom.ufba.br/museu/onlab/galeria/eros/eros.html
http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/cs/default.php?reg=60480&p_secao=3&di=2005-12-16
http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/smc/default.php?reg=4&p_secao=123
http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/smc/default.php?reg=7&p_secao=123
http://www.aplauso.com.br/site/portal/detalhe_notas.asp?campo=666&secao_id=17
http://www.unosantafe.com.ar/2007/02/08/nota14783.html
Conforme elucida Morin (1999, p. 21) “ao mesmo tempo em que ergue uma vertiginosa Torre de Babel dos conhecimentos, o nosso século realiza um mergulho ainda mais vertiginoso na crise dos fundamentos do conhecimento”.
Gostaria também de salientar sobre o artigo pelo colega citado acima de Mônica Dantas, podemos dizer quase meia pagina de uma folha A3 que ela fala “na minha trajetória fui conhecendo outras técnicas incorporando outros conhecimentos, mas os princípios do ensinamento de Cecy ficaram marcados em meu corpo” e o artigo de Cleber 1/3 da citada acima “Cecy é sinônimo de sabedoria, dedicação, competência, solidariedade, pois foi um exemplo de bondade e de amor pelas pessoas e pelo trabalho”. Os dois bailarinos da geração 80 de Cecy Franck mencionados por Airton, eles falam da experiência como alunos e criadores em nenhum momento relatam os colegas de sua Geração.
Também quero salientar que Airton assina o artigo “ Memória da Cena: Cecy Franck” como: Pesquisador e Professor de História da Dança do Curso de Pedagogia da Arte Fundarte, no artigo no Jornal Palco e Platéia – Secretária Municipal da Cultura – Coordenação de Arte Cênicas Ano IV – 2004 Numero 2 – Julho.
Agora me lembrando bem nunca lhe vi dançando durante toda década de 90 e 2000 nos projetos culturais de Porto Alegre como: Uni Dança Ufrgs; Viradança; Poa em Cena; Dança Alegre Alegrete; Dança Dom Pedrito, Solos Masculino e Feminino Prefeitura Municipal, Todas às Terças Unisinos , Solar dos Câmras entre tantos e muito menos fazendo aulas com professores respeitados e conceituados deste cidade.
Você tem algum registro fazendo aula, dançando ou se apresentando?
Retirei-me de Porto Alegre por 06 anos, pois fui morar em Salvador, onde fui convidado por Neuma Seixas e Tereza Cabral a ministrar Dança Moderna Técnica de Martha Graham, Curso de Extensão UFBA _ Faculdade de Dança no qual tenho certificados assinados pelo Pró-Reitor Paulo Costa Lima e o coordenador da atividade Antrifo Ribeiro Sanches Neto – salvador setembro de 1997. Quando voltei você era Coreógrafo. Meio estranho não acha?
“Imergir no interessante, revelador, plural e multidisciplinar mundo do saber e entender os fenômenos atuais no que diz respeito à informação e necessário pesquisar muito mais para relatar a veracidade dos fatos”. BURKE, Peter.
Airton, parabéns pelo texto, reflete uma inquietação que muitos de nós estamos passando e tentando formas diferentes de lidar com a diversidade.
Valeu, grande Airton! Sua leitura do Move me fez pensar em um monte de coisas, como os modelos atuais de festivais no Brasil.
Ah, colega Joca, o artigo era sobre o Move Berlim!!
Olá Airton
Realmente me peguei pensando na diferença, na diversidade que tanto se fala. E é interessante esta maneira de pensar que um festival como este promove encontros e não descobertas, como você disse. E, para mim, é ainda mais interessante um encontro de diferenças, como este!
Não conheço “ao vivo e a cores” o Brasil Move Berlim, mas, pelo pouco que já li e ouvi sobre, me fez lembrar de um evento que aconteceu e acontece em Curitiba – o Fórum de Dança Curitiba. Onde me parece que a idéia é justamente a de promover encontros na diversidade. É claro que falar em diversidade na contemporaneidade é extramamente amplo, já que tudo o que acontece hoje é contemporâneo e, por fatores culturais brasileiros, diverso. Entretanto, acredito que é possível fazermos um apanhado de algumas coisas diversas que promovem um pensamento artístico, como se faz no Move Berlim, para que a dança brasileira se conheça e, mais importante ainda, se reconheça.
Ainda penso que a dança as vezes se fixa em grupos e lá fica, quase isolada. Mas situações e eventos como estes me fazem deixar este pensamento de lado e acreditar em encontros, trocas e mudanças reais.
Obrigada por me provocar pensamentos positivos!!
Abraços
Oii
Refletir acerca de nossa própria dança-vida é sempre importante e perturbador…….
Acreditar que diversidade é apenas um aglomerado de coisas não cabe mais nesse bombordeio de “mundos” que vivemos. Pensar em incluir já remete que tal incluído estava fora, mas fora de onde???? de mim mesmo????
Coexistir, refletir, escolher e renunciar para então sobreviver nesse “multi-mundo”
É sempre bom pensar nessa co-responsabilidade e co-participação que temos com tudo que nos envolve e envolvemos.
Obrigada pelas informações diversas colocadas no mundo….
Abraços
Estes dois sites abaixo consta o Livro de ” Cecy Franck” , eu conheci esta galera da Cecy e também presenciei a escritora Ana Freire entrevistando , seus dicípulos.
http://www.dancecom.com.br/daa/ed70/materias.php
http://www.conexaodanca.art.br/compras.htm
Olá Airton…
Diversidade…tema tão discutido e até muito batido nestas discussões de Dança e mundo, mas ao levar isso para a prática sabemos que ainda não alcançamos as necessidades para lidar com essa tal multiplicidade de existências.
Parte do corpo de cada um esta disponibilidade para estar com o outro, sempre diferente ou muito diferente de você. Uma aceitação e incorporação destes elementos que nos tornam diversos. Um acolhimento e abertura para que isso cruze a linha que nos separa uns dos outros, que ultrapasse o físico e que nos relaciona, tornando-nos mais “seres humanos”.
Com essa incrível capacidade que temos de nos relacionarmos e conetarmos com nosso envolto e disso abstrair todas as possibilidades de fazer isto, podemos acrescentar e aprofundar a Dança que fazemos hoje.
Por isso…obrigada por poder pegar de você palavras tão sinceras e de um reconhecimento amplo de nosso universo e de nosso mundo. E com certeza o Move Berlim ainda tem muito a contribuir com esse pensamento.
Grande abraço!!!!!!!!
Parabéns pelo texto, e pela classe que tens!!!
cada vez mais admiro e leio sobre teu trabalho…
PARABÈNS!!!
Grande Airton
Acrescente cada vez mais esse conhecimento que tens!!
E continue assim dando um BANHO de coisas boas para nos colegas.
Não ligue para pertubadores……
Um grande abraço e aguardamos mais e mais textos.
Olá Airton
Muito bom o teu texto.
Belissimo trabalho…
Abraço