No dia 25 de junho deste ano, mais precisamente às 9:48 horas, postei meu projeto denominado O Jazzdance no Brasil: histórias de um corpo em swing, para participar da edição de 2007 do Prêmio Funarte Klauss Vianna de Dança. Não se tratava de um projeto e de uma tentativa absolutamente inéditos: eu já havia inscrito esse mesmo projeto no último edital das Bolsas Vitae de Arte, no ano de 2004, e ele, como se pode rapidamente concluir, não foi selecionado.
No último dia 06 deste mês de setembro, pude verificar que, novamente, esse meu projeto não foi selecionado, agora então pelo edital da Funarte. E tal constatação (negativa, em vários sentidos) me levou a pensar alguns pontos que merecem reflexão sobre a viabilidade da pesquisa teórica de dança no Brasil, quando não vinculada diretamente ao ambiente universitário. Tal constatação, longe de ser um caso particular meu, poderia ser tomada como um caso bastante comum a todos aqueles que se lançam a essa aventura de fazer pesquisa teórica de dança neste país e, mais ainda, acreditam que editais como esses da Funarte podem representar uma saída (quase única) nesse deserto de opções que nos cerca.
Bem, vamos às reflexões possíveis, todas elas meras conjeturas que levanto, mas que podem servir para colocar em questão alguns pontos que merecem atenção hoje de todos nós. Bem, sendo assim, parto do seguinte: meu projeto não foi selecionado novamente. Diante desse fato, conto apenas com duas possibilidades que justificariam sua não-seleção e é a partir delas que gostaria de propor a feitura desse artigo.
Antes, porém, de me dedicar a elas, gostaria de deixar claro que, ao ter aceitado submeter um projeto meu a uma comissão que eu não conhecia, mas que conheci depois (quando da publicação dos nomes de seus integrantes no site da Funarte no mesmo dia 06 de setembro), e que respeito profundamente, hora nenhuma tive ou tenho a intenção de colocar sua constituição em questão. Todos ali me parecem, e devem parecer a todos da classe da dança brasileira, legitimados de algum modo para ocuparem o lugar que estavam ocupando. Ponto. Pronto.
Assim, a primeira possibilidade que me veio à cabeça que justificaria a não seleção de meu projeto é a mais óbvia: o projeto não é bom. Simples assim. Ou porque o tema não parece ser pertinente, ou porque sua elaboração não está de acordo com as exigências do edital, ou ainda porque seu orçamento não está digno e/ou compatível ao que ele se propõe. Ou ainda: o projeto era “até” bom, mas havia outros melhores. E como a cota era restrita, os outros projetos (“melhores”) poderiam ter sido priorizados. Como já participei de várias comissões que analisam projetos como esse meu, inclusive na própria Funarte (Prêmio Funarte Petrobrás de Fomento à Dança, entre os dias 21 e 25 de novembro de 2005), fico pensando que esses são critérios absolutamente legítimos. Todos três. Vamos a eles:
A pertinência de se estudar a história da dança no Brasil e do Brasil me parece, pelo menos num primeiro momento, inquestionável. Num país onde ainda muito há que ser feito nesse sentido, uma iniciativa de se estudar a história de uma estética tão importante como o jazzdance sempre me veio como obviamente necessária. Por várias razões, eu diria. E eu poderia elencá-las aqui. Mas acho que bastaria dizer que existiram ainda poucas iniciativas nesse sentido, com projetos pontuais que não abarcaram a grandeza de se estudar esse momento tão caro à nossa dança em sua dimensão histórica e em suas mais diversas vertentes, sobretudo nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Nomes fundamentais de nossa dança, que se encontram devidamente citados no meu projeto (que propositalmente coloquei como um anexo a esse texto), mereciam, hoje, quase 20 depois do auge dessa estética entre nós, um estudo aprofundado. Nomes inclusive que compõem o quadro de criadores de dança contemporânea de hoje, como Alejandro Ahmed, Mário Nascimento e Henrique Rodovalho, apenas para citar alguns. Além desse estudo, a captura e o registro de suas imagens em suas mais diversas possibilidades também se fazem prementes, eu acreditava. Enfim, o que existe é a constatação de que quase tudo ainda está por ser feito no que se refere ao jazzdance no Brasil. Mas a comissão pode não ter concordado comigo, e isso é (e deve ser, já que concordei em submetê-lo a ela) compreensível e deveria ser aceitável.
Então, o segundo critério, que toca no ponto da elaboração do meu projeto propriamente dita. Talvez eu tenha pecado em algo crucial que fez a exigente comissão não aceitá-lo. Alguma omissão grave, algum ponto que não estava suficientemente claro, ou mesmo sua articulação pode não ter parecido satisfatória. Mas estava tudo ali: objetivo, histórico, justificativa, cronograma, orçamento, currículo. Será, meu Deus, que me esqueci de algo? Outro fato que seria absolutamente legítimo.
Como coloquei o projeto em questão em seguida a esse texto, peço aos leitores mais dedicados que, por favor, me ajudem, apontando falhas, para eu possa, então, e definitivamente, aprender, se for mesmo esse o caso, como se elabora um texto que se pretende projeto. Talvez o meu histórico de mais de 20 anos de pesquisa de dança não tenha ainda me habilitado a elaborar um texto digno de ser selecionado por uma comissão como essa desse edital. Talvez. Isso é absolutamente aceitável, também.
O fato de eu ser um doutor (e por uma dessas coincidências, pelo menos quatro das integrantes dessa comissão são minhas colegas de programa de doutorado da mesma universidade), com a pesquisa lançada em livro pela editora da Fundação Getúlio Vargas, talvez não tenha me auxiliado nesse desafio. O fato de eu ser mestre em filosofia pela Universidade de Viena, com a pesquisa também lançada em livro (já em sua segunda edição) também não.
E também não, o fato de eu ser crítico de dança do Jornal do Brasil já há quase 10 anos, ou o fato de eu ter nove livros publicados sobre dança, além de cinco coletâneas de artigos sobre dança co-organizadas por mim, todos elas esgotadas e quase unânimes em seu uso nos cursos superiores de dança pelo país afora; ou o fato de eu ter sido por seis anos curador de um festival da importância que tem o Panorama de Dança; ou o fato de eu viajar pelo país ministrando palestras e cursos ou participando de comissões (apenas nesse ano de 2007, já pude estar em cidades como Vitória – ES, Belo Horizonte – MG, Caxias do Sul – RS, Porto Alegre – RS, Londrina – PR, São José dos Campos – SP, Fortaleza – CE, Uberlândia – MG, Joinville – SC, São Paulo – SP e Campo Grande – MS), enfim, todos esses fatos juntos não devem ter me ensinado a elaborar um projeto digno. Claro, isso é absolutamente possível e legítimo. Talvez eu tenha que aprendê-lo. Ou desistir definitivamente disso.
Mas esse artigo, ao tocar nessa possibilidade, coloca a oportunidade de todos nós sabermos como é elaborar um bom projeto de pesquisa histórica em dança no Brasil. Atenção: essa é a chance!
Bem, resta ainda meu orçamento. Como os leitores podem constatar, solicitei a verba de 50 mil reais, que ainda julgo ser suficiente para um projeto como o meu, mesmo abarcando a história de duas grandes cidades, como o Rio e São Paulo, sem excluir Belo Horizonte. E acredito ser honesto como dividi os pagamentos de todos aqueles que me auxiliariam no que eu havia me proposto. Talvez eu tenha me equivocado em algum ponto. E peço, então, que me ajudem. Lembrem-se, novamente: essa ajuda pode ser valiosa para todos aqueles que estão lendo esse texto e que tenham (ou não) seus projetos reprovados em editais como esses. Como já comentei aqui, fiz parte de comissões como essa e para mim os orçamentos eram sempre muito “reveladores”. Parecia que se poderia fazer um raio x da verdadeira índole de alguns proponentes ao se entrar em contato apenas com seus orçamentos…
Bom, vamos então à segunda possibilidade ou à segunda hipótese: o meu projeto talvez tenha sido cancelado. Simplesmente assim: cancelado. E aí vamos tentar entender o que me leva a tal suposição.
Como é de conhecimento do todos, absolutamente todos que fazem arte neste país (e talvez não daqueles que a financiam, infelizmente), muitos dos artistas e dos pesquisadores não possuem uma firma que os represente. Não somos pessoa jurídica, não temos CNPJ, por tudo o que justifica as dificuldades legais de se ter e se manter uma firma hoje em dia.
O que mais da metade desses artistas e pesquisadores fazem? Procuram por firmas (muitas vezes de idoneidade questionável) para que possam servir como “proponentes” de seus projetos, para que os representem juridicamente. Tal fato não é novo e é uma realidade concretíssima em nosso meio. É assim. E pronto.
Como todos fazem, também saí atrás de uma firma que pudesse ser minha proponente e que pudesse me representar junto a esse edital da Funarte. Achei que seria mais prudente procurar a firma de uma pessoa amiga, conhecida minha, com quem eu, inclusive, trabalho. Mesmo tendo que pagar impostos na ordem de 18%, achei que seria mais seguro e honesto contar como uma firma idônea como essa que eu havia escolhido. Assimilei esses impostos em meu orçamento e acreditei que estava tudo absolutamente correto.
Um detalhe muitíssimo importante: ninguém desta firma tinha absolutamente alguma coisa a ver com a elaboração e a efetivação de meu projeto. Todos os que eu havia convidado a integrá-lo como meus assistentes (cujos nomes, cuidadosamente, retirei da versão do meu projeto que segue em anexo, por motivos os mais óbvios) não estavam ligados à firma em questão.
No final do mês de agosto (portanto, quase dois meses depois de eu ter postado meu projeto no correio), numa dessas coincidências da vida, soube por essa minha amiga que ela havia sido convidada a compor a tal comissão que avaliaria os projetos do edital em questão. E esse convite teria sido feito pouco tempo antes da comissão se reunir. Ela aceitou o convite, como eu acho mesmo que deveria. E eu ganhei um problema.
Na mesma hora que eu me dei conta de que o fato de ela ter aceitado participar da comissão comprometeria o meu projeto, porque a firma dela (mesmo que ela seja apenas uma entre seus cinco sócios) não poderia ser proponente ao mesmo tempo em que ela participava da comissão, tentei achar uma saída para o problema que se instaurava.
Liguei para o então coordenador de dança da Funarte e expus meu problema. Essa ligação se deu exatamente no dia 27 de agosto. A minha proposta é que me fosse concedida a chance de simplesmente trocar a firma que seria a minha proponente, pois acreditava apenas na pertinência do meu projeto, da minha idéia e da minha competência, que o assinava. Ingenuamente, eu acreditava que isso seria possível na medida em que a firma em nada comprometeria a efetivação de meu projeto, caso ele fosse selecionado, pelos motivos expostos acima. Enfim, tratar-se-ia apenas de um recurso meramente burocrático que me permitiria receber a verba. De novo: caso meu projeto fosse selecionado.
A resposta que obtive foi negativa. Não havia essa possibilidade de troca, embora o edital não considerasse essa situação em específico (o da troca de CNPJ em casos como esse). E o meu projeto, assim posso intuir, deve ter sido desclassificado por esse motivo. Ou pela soma dos tantos outros motivos que expus ao longo desse texto. Não sei e não deverei nunca saber: no site da Funarte não há essa resposta.
O pesquisador, que não tem uma firma, talvez tenha ficado sem a oportunidade de sua idéia ter sido sequer lida, considerada, avaliada. O proponente passa a ser mais importante que aquele que concebe e executa o projeto. Pior ainda: passa a ser mais importante que a própria idéia em questão.
No meu caso, se for esse mesmo o caso, o pesquisador fica sem a pesquisa. E o país fica sem a oportunidade de ter contada uma pequena, mas tão importante, parte da história de sua dança.
Fiquei pensando se não seria a hora de revermos os editais e tentarmos trazê-los mais para perto da realidade daqueles que realizam a dança, em suas mais diversas interfaces, neste país. Fiquei me lembrando do edital de bolsas do extinto e saudoso Instituto RioArte, da Secretaria das Culturas da Cidade do Rio de Janeiro, que concedia suas bolsas a pessoas físicas. Eu mesmo tive a oportunidade de ser agraciado com uma, no ano de 2002, quando fiz uma pesquisa sobre a importante contribuição da bailarina Eros Volusia (1914-2004) para nossa dança, e que foi, inclusive, transformada em livro, compondo a coleção Perfis do Rio, da editora carioca Relume Dumará, no ano de 2004. Ah, e também me lembrei da bolsa que recebi entre 1998 e o início de 2002, do CNPq, para que eu pudesse fazer meu doutorado. A ajuda mensal era depositada numa conta bancária aberta em meu nome. E assim pude fazer minha pesquisa.
Quem são as pessoas jurídicas que fariam uma pesquisa sobre a vida de uma bailarina como a Eros Volusia? Ou que se dedicariam a pesquisar o jazzdance no Brasil? Como solucionar esse caso e deixar mais transparente o que é uma realidade que todos conhecemos, mas que simplesmente não é levada em conta na elaboração de editais como esses?
Eu gostaria, confesso, de ser o proponente – físico – do meu projeto, ser responsável por ele, responder por ele, receber por ele. Acho que é isso. E sei que isso pode ser possível.
Enfim, meu projeto não foi, pela segunda vez, selecionado. Todos os livros que comprei pensando em sua futura realização, e todo o material que venho colecionando ao longo desses três anos, acreditando que ele um dia seria viabilizado financeiramente, tudo isso deve ganhar apenas um lugar em minha estante.
Pelas evidências que se impõem, acho mesmo que está na hora de desistir dele. E ficar torcendo, por mim e por todos os pesquisadores de teoria da dança no Brasil, que desistência seja apenas deste projeto.
* * *
Então, o projeto:
O JAZZDANCE NO BRASIL:
histórias de um corpo em swing
Introdução
A história da dança no Brasil, em sua amplitude e complexidade, deixa flagrar uma situação um tanto urgente: muito ainda está por ser realizado, levando-se em conta estéticas diversas, momentos históricos diversos e especificidades contextuais diversas.
Há mais de 20 anos venho me dedicando a contar um pouco dessa história. Em minha pesquisa de doutorado, por exemplo, debrucei-me sobre a análise dos balés do começo do século XX, período de sua formação no país, relacionando-os com toda a influência de um período histórico determinado, a saber, o Estado Novo e sua idéia de brasilidade. Em paralelo a esse trabalho, pude escrever e publicar a biografia de cinco grandes bailarinos (ver currículo em anexo) que, em suas vidas, narravam também a própria história da dança brasileira.
Ao ter trafegado, em meus estudos, inevitavelmente, pela dança que se fazia em teatros de revista, shows de cassinos e em filmes musicais (ou chanchadas), pude perceber como toda uma produção de dança voltada principalmente ao entretenimento carecia ainda de uma investigação histórica.
Nesse sentido, mais adiante, comecei a me interessar por um movimento que assaltou a dança brasileira, sobretudo nas décadas de 1970 e 1980, e que se tornou o lugar desse mesmo entretenimento (sobretudo através de programas de televisão), ao mesmo tempo em que apontava novos caminhos para essa mesma dança brasileira: o Jazzdance.
Passados alguns anos, pude observar que esse movimento poderia, enfim, ser observado historicamente. Tal observação, contudo, não deveria ser tomada como a necessidade de um mero levantamento de dados, mas antes como uma rica ferramenta para se entender muito do que se promove em dança hoje no país, sobretudo no que diz respeito à formação de bailarinos de importantes companhias contemporâneas.
Assim, a abertura do programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, o grupo Dzi Croquetes, composto apenas por homens travestidos, a novela Baila Comigo, as companhias de dança Bandança e Vacilou Dançou, no Rio de Janeiro, e Raça Cia. de Dança, em São Paulo, a remontagem brasileira de Chorus Line, as academias de Joyce Kermman, a extinta revista Dançar e as influências de Lenny Dale no Rio de Janeiro e Redha Benteifour em São Paulo configuram-se como alguns dos muitos ícones de uma época em que o chamado “boom do corpo” tomou a cena da dança brasileira, ao mesmo tempo em que ainda se vivia sob os rastros fortes da censura de uma ditadura militar vigente.
Este projeto anseia visitar esse momento bastante peculiar da dança brasileira, pois além de representar um capítulo ainda não escrito em sua história, nele também é possível detectar algumas pistas para o entendimento da formação de um determinado tipo de bailarino hoje, muitas vezes requisitado em companhias de dança contemporânea que se faz no país.
Justificativa
Pensar a história desse movimento, o jazzdance, dentro da história da dança do Brasil e no Brasil, permite observar como tanto sua estética quanto sua técnica ainda perduram nos tempos atuais, pensando basicamente em duas frentes: na dança contemporânea e na dança de rua. Como essa estética resiste ainda hoje? Quais são os grupos e/ou coreógrafos que ainda assinam composições assumidamente feitas sob sua rubrica? Como sua técnica é hoje ensinada? Que tipo de bailarino ela forma? Onde eles estão dançando hoje?
Responder tais perguntas, já por serem elaboradas, justifica a pertinência desse projeto hoje, no contexto de pesquisa não apenas histórica, mas estética, de boa parte da dança que se faz hoje nesse país.
Objetivo
Este projeto tem como objetivo fazer um levantamento histórico do jazzdance na dança brasileira, especialmente nas três últimas décadas do século XX, nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Entrevistas filmadas com os principais personagens desta história, levantamento do material iconográfico, como programas, cartazes e fotografias, levantamento das críticas e reportagens de jornais e revistas, assim como levantamento dos registros em vídeos, tanto dos acervos pessoais como dos programas de televisão, sobretudo os da Rede Globo, do SBT e da TV Cultura, formam a matéria-prima dessa pesquisa, que deve ser apresentada em forma de texto, de CD ROM contendo as imagens em geral, além de uma compilação dos vídeos em DVD. Todo esse rico material poderá ser transformado em publicação posteriormente.
Metodologia
A pesquisa histórica será feita a partir de:
- Pesquisa nos acervos da Biblioteca Nacional;
- Pesquisa no Banco de Dados da Rede Globo de Televisão, do SBT e da TV Cultura;
- Pesquisa iconográfica e histórica nos acervos pessoais dos personagens dessa história;
- Entrevistas com esses personagens residentes nas cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Belo Horizonte, assim como no exterior;
- Pesquisa e leitura de bibliografia especializada.
Alguns nomes de possíveis entrevistados podem ser citados:
Alejandro Ahmed, Alexandre Magno, André Vidal, Betina Guelman, Betty Faria, Caio Nunes, Carlota Portella, Ciro Barcelos, Cláudia Raia, Cláudio Tovar, Cristina Helena, Dalal Achcar, Daniela e Denise Panessa, Déborah Bastos, Denise Millet, Djenane Machado, Elizabeth Oliosi, Fernanda Chama, Henrique Rodovalho, Ismael Guiser, Jacqueline Motta, João Saldanha, Jorge Fernando, Juan Carlo Berardi, Luiz Boronini, Márcia Barros, Maria Lúcia Priolli, Marly Tavares, Mário Nascimento, Maysa Tempesta, Nádia Nardini, Nino Giovanetti, Priscila Teixeira, Regina Sauer, Renato Vieira, Rose Calheiros, Roseli Rodrigues, Silvia Matos, Silvia Soter, Soraya Bastos, Suzana Braga, Tânia Nardini, Tatiana Leskova, Tony Nardini, Vilma Vernon e Washington Cardoso.
Bibliografia Básica
ALZER, Luiz André e CLAUDINO, Mariana. Almanaque anos 80, Rio de Janeiro: Ediouro, 2004
BAHIANA, Ana Maria. Almanaque anos 70, Rio de Janeiro: Ediouro, 2006
CAYOU, Dolores Kirton. Modern Jazz Dance, San Francisco: National Press Books, 1971
FORTUNATO, Joanne. “A new perspective of Jazz Dance” In: Encores for Dance, Washington: AAHPER publication, 1978
GÜNTHER, Helmut. Jazz Dance – Geschichte, Theorie, Praxis, Berlin: Henschel Verlag, 2005
KOEGLER, Horst. The concise Oxford Dictionary of Ballet, Oxford: Oxford Univeristy Press, 1987
MAIOR, Marcelo Souto. Almanaque da TV Globo, Rio de Janeiro: Editora Globo, 2007
MARX, Henry. Die Broadway Story, Viena: Econ, 1986
NOVAES, Adauto. Anos 70 – Ainda sob a tempestade, Rio de Janeiro: Aeroplano e Senac Rio, 2005
PAIVA, Salvyano Cavalcanti de. Viva o rebolado! Vida e morte do teatro de
revista brasileiro, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991
PEREIRA, Roberto. A formação do balé brasileiro, Rio de Janeiro: FGV, 2003
SEGUIN, Eliane. Histoire de la danse jazz, Paris: Chiron, 2005
SEVCENKO, Nicolau et alli. Anos 70: Trajetórias, São Paulo: Iluminuras, 2006
STEARNS, Marshaal e STEARNS, Jean. Jazz Dance: The Story of American
Vernacular Dance, Nova York: Shirmer Books, 1968
SUCENA, Eduardo. A dança teatral no Brasil, Rio de Janeiro: Minc/Fundacen, 1988
Ficha Técnica e número de pessoas envolvidas no projeto
- Idealizador, coordenador e pesquisador: Roberto Pereira
- Scaneamento e produção de imagem: xx
- Produção de CD Rom: xx
- Produção de DVD: xx
- Revisão de texto: xx
Número de pessoas envolvidas no projeto: 5 (cinco)
Cronograma
Mês 0130 de agosto a 30 de setembro de 2007 |
Mapeamento dos materiais e agendamento de entrevistas |
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Mês 02 01 a 31 de outubro de 2007 |
Entrevistas e levantamento de imagens em acervos pessoais – Rio de Janeiro |
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Mês 03 01 a 30 de novembro de 2007 |
Entrevistas e levantamento de imagens em acervos pessoais – São Paulo |
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Mês 04 01 a 31 dezembro de 2007 |
Levantamento de imagens na Rede Globo |
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Mês 05 01 a 31 de janeiro de 2008 |
Levantamento de imagens no SBT e TV Cultura |
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Mês 06 01 a 28 de fevereiro de 2008 |
Pesquisa: Biblioteca Nacional e início de escrita do texto |
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Mês 07 01 a 31 de março de 2008 |
Escrita do texto |
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Mês 08 01 de abril a 4 de maio de 2008 |
Elaboração do CD Rom, do DVD e revisão final do texto |
Orçamento
| Pesquisa histórica |
3.000,00 x 8 meses |
24.000,00 |
| Passagens aéreasRJ/SP e SP/RJ |
149,00 x 8 (4 idas e 4 voltas) |
1.192, 00 |
| Passagens aéreasRJ/BH e BH/RJ |
185,00 x 2 (ida e volta) |
370,00 |
| Diárias em hotel – SP |
129,00 x 12 diárias |
1.548,00 |
| Diárias em hotel – BH |
119,00 x 04 diárias |
476,00 |
| Revisão de texto |
2.000,00 x 1 |
2.000,00 |
| Scaneamento e produção de imagens |
2.000,00 x 1 |
2.000,00 |
| Produção de CD Rom |
3.000,00 x 1 |
3.000,00 |
| Produção de DVD e ilha de edição |
4.000,00 x 1 |
4.000,00 |
| Despesas em geral(alimentação, transporte, material de escritório e telefone) |
2.000,00 x 1 |
2.000,00 |
| Impostos |
18% – 9.000,00 |
9.000,00 |
| Total |
|
49.586,00 |
Port
Eng



caro roberto pereira,
agradeço muitissimo pelo seu relato, pois acho que o senhor toca num ponto crucial : o da autonomia “fiscal” nao so dos pesquisadores teoricos mas de todos aqueles que querem encabeçar um projeto subvencionado seja de composiçao coreografica, seja didatico no ambito da dança. ha muito sabemos que enveredar-se pelos caminhos da arte no brasil é condenar-se à marginalidade no sentido operacional da coisa (isso de ter firma registrada, ser um empreendedor com CGC na aréa cultural ta anos luz da nossa realidade!). quais seriam eventualmente as possibilidades legislativas, à fim de se recolher os devidos impostos, para que um proponente de um projeto possa responder por si mesmo e nao tenha que evocar a existencia de uma empresa (que desconhece absolutamente a natureza e o proposito do projeto em questao) no seu dossier?
fica ai uma questao serissima à debater.
espero que seu texto seja um inaugurador de futuras convesas pertinentes, e geradoras de iniciativas produtivas e ou apontadoras de possibiliddades de incremento à editais tao indispensaveis.
cordialmente,
fabricia.
Olá Roberto,
Quero começar dizendo que não sou amigo de ninguém do Funarte. Conheço alguns nomes da banca, que cruzam os corredores do ambiente acadêmico o qual tb estou inserido (ou melhor, recém-iserido…) ou em cenáculos da dança. Sou estudante graduando em dança na UFBA, há um tempinho. Exerço outros papéis pelo “mundodança”, como bailarino, coreógrafo, expectador, pesquisador, cidadão, palpietagem, balaigem, etc. Recentemente fundei com dois amigos uma produtora para trabalhar especificamente na área e principalmente realizar nossos projetos… labuta tanta que no momento estou em déficit com a empresa. AH! Eu faço parte da parcela que não foi aprovada no edital… faço parte ainda de um estado brasileiro chamado BAHIA, que por culpa do nome (so pode ser né?) recebeu uma cota de dois projetos apenas 1 de 30.000 e 1 de 50.000.
Meu Texto é enorme, pq sou uma pessoa cheia de perguntas… mas quero contribuir com a discussão, então espero que todos consigam ler tudo (rs).
Olha… acho mesmo q passou da hora de proponentes de editais serem representados por p.física. Entendo e concordo: nenhuma produtora desenvolveria um projeto de pesquisa em dança!!!! EU DISSE NENHUMA!!
(ao menos que o produtor fosse já um pesquisador da área que abriu uma firma para poder veicular os SEUS projetos)
Quanto ao caso da FUNARTE não ter aberto a aquela exceção para o caso do seu projeto, confesso que fico feliz. Pq se acontecesse seria um “prediletismo” por se tratar de um pesquisador reconhecido que está pedindo uma exceção para o seu caso sendo que em qualquer outro concurso, ou até mesmo seleção de projetos de pesquisa, não seria possível.
Submeter um projeto, em um prazo determinado, vai cair nesses problemas. O ideal era q vc tivesse uma produtora proponente, que mesmo não sendo sua, estivesse disposta a investir no seu projeto a ponto de recusar a indicação da banca. Se isso não acontece, esse não é um problema da Funarte e sim seu…
A Funarte quando recusa seu pedido não está julgando seu projeto como inadequado, ineficiente, ou qualquer coisa, até pq eles sequer haviam lido seu projeto ainda (pq não havia banca até o momento…)
Abrir uma exceção pra vc seria prediletismo sim!!! E que bom que não foi assim… A documentação da empresa é parte do projeto tão quanto seu conteúdo. E outra, e parte eliminatória do projeto. Coisa que nem passa pela banca examinadora. Essa parte é resolvida pelo setor jurídico da instituição, no caso FUNARTE, que além de verificar se o proponente possui alguma ligação com instituição (parentes, funcionários, etc.) verificam tb se o CNPJ está em dia, se possui restrições, etc. Se a documentação não está “OK”, o projeto nem chega na banca, e, me desculpe, tem que ser assim!
Trata-se de dinheiro público! Se o CNPJ do proponente estiver irregular por sonegação de impostos, por exemplo, e o setor jurídico permitir que esse projeto seja aprovado, é meio contraditório porque como já disse é “DINHEIRO PÚBLICO!” e temos que garantir que esse dinheiro vá para mãos de entidades que inclusive colaboram com o orçamento para que verbas sejam repassadas para setores da sociedade, no nosso caso, para a dança. Assim é como a máquina funciona…
Sei que esse exemplo é meio extremista, mas ele tem que ser considerado. Imagine se eu escolho uma empresa para me representar num edital… eles me emprestam toda documentação, assinam os papéis e garantem está tudo em dia com o governo, ah! e melhor: estão realmente emprestando, não terão nenhuma participação no orçamento do projeto, apenas os impostos da nota (que pelo simples nacional reduziu em algumas empresas para até 4%).
Tudo certo. Eu envio o meu projeto, acreditando que td estará bem.
No meio do processo (VOU CHUTAR UMA HIPÓTESE) a empresa recebe uma notificação da Funarte dizendo que a empresa está inadiplente quanto a entrega do relatório final de uma produção anterior tb premiada pelo Funarte e portanto o nome da empresa será incluído na relação de “INADIPLENTES DO CADIN” (Créditos Quitados do Setor Público Federal). Esse fato novo, não previsto no momento na inscrição já realizada, anularia a participação do meu projeto.
“EU” corro então para o telefone, informo que o fato é uma novidade e peço para q o Funarte aceite a troca de proponente, abrindo um prazo, fora do prazo oficial (só pra mim mesmo) para que seja feita a troca. Sabe qual a resposta: NÃO!
[E olha que não tenho o currículo e nem a "noteriedade" que o pesquisador Roberto Pereira no cenário da dança, por exemplo... talvez eles nem me deixassem falar com a secretária.]
Mesmo com muita raiva eu iria para o bom senso entendendo mesmo que essa atitude da FUNARTE seja uma merda para meu ego, que agora não poderá realizar o MEU projeto, mas é o mais transparente… até pq eu escolhi aquela empresa para me representar. EU dei o meu projeto para que ela submetesse ao edital com a sua representação. Qualquer problema com a empresa é problema meu!
Hipótese 2: E se empresa estivesse totalmente regularizada junto ao setor público e meu projeto fosse aprovado, mas na hora de transferir o dinheiro para a conta da empresa, por algum motivo, essa conta estivesse negativa? (Iaí?? Troca ou não troca??)
E se no caso a pessoa é convidada para compor a banca examinadora e é proponente, ela tem que escolher: vai continuar ou vai desistir???
…
Enfim, poderia criar zilhões de outros exemplos com relação ao proponente mas acho que esses dois já dão conta. O fato é: não pode haver exceções pq a possibilidades são inúmeras. A escolha da representação por uma empresa foi minha, eu tenho que assumir isso. E não vai ser o “currículo” de um telefonema q vai modificar uma regra que é para todos… podia ser eu, que não conheço ninguém da Coordenação do Funarte. POdia ser qualquer um: NÃO PODE HAVER PREDILETISMO!
Acredito que temos sim que lutar por uma política pública de dança mais próxima da realidade, mas não por critérios / motes de “notoriedade” e prediletismos. E ATT!!! Edital não é política pública! Edital é um meio de seleção de projetos que vai definir quem entra (financiado pelo governo) e quem não entra (os não amigos da escola).
Ações de dança ocorrem pelo mundo e não são através de edital… Em Salvador, onde resido e atuo, temos um projeto de dança, O TABULEIRO DA DANÇA, criado por profissionais autônomos da área, que não foram e nem se submeteram a editais.
Um projeto que difunde e movimenta o cenário de dança da cidade… uma iniciativa civil, de artistas da classe, que há um ano vêm realizando mostras de grupos e artistas solos, sem critérios de seleção para seus participantes. Ah! antes de q pensem q estou “vendendo meu peixe”, eu não fui fundador do projeto… minha participação nele foi como um diretor e dançarino de um dos grupos que apresentou um espetáculo e pode conferir de perto o quanto iniciativas, fora editais, podem ser criativas e “fálicas” (talvez?).
Esse núcleo de artistas correram atrás de espaço, apoio, pessoas e idéias criando um ambiente de troca entre artistas e comunidades, fazendo a dança ser dançada!!! Hoje o TABULEIRO, e seu espaço político, faz parte do cenário da dança na cidade. As regras do evento, são definidas pelo próprios artistas. A montagem de palco funciona num sistema de colaboração. Tudo se resolve…
Política pública seria o governo apoiar, gerar e fomentar iniciativas como essas que não julgam nem abre espaços para os critérios de exclusão de um edital. E para isso não é somente chegar na fonte final, lá no Tabuleiro. É capacitar pessoas, criar e legitimar espaços para reuniões, confrarias e trocas de dança. É incluir e cobrar uma real participação da dança, e da arte como todo, no currículo escolar, para que os artistas não se apresentem somente para artistas, mas sim para a sociedade que reconhece e legitima o(s) seu(s) papel(is).
Isso não anula os editais. Temos que lutar por eles também. POssibilitar a inscrição de proponentes P.Física, o que já vem acontecendo em secretarias, pelo menos aqui na Bahia. O problema são os impostos. Até mesmo, simplificar a abertura e manutenção de firmas para grupos e artistas solos (criar uma categoria específica seria uma solução???)
Além disso, eu sugiro que o parecer dos projetos não aprovados fossem acessibilizados, até mesmo visando uma melhora na qualidade dos projetos.
Precisamos também cobrar nossas representações no poder público… o que estão fazendo por nós??? Abrir o diálogo com as secretarias de cultura. Em Salvador estamos vivendo um momento assim, de abertura. A transparência é inevitável… agora, abrir o diálogo não é ficar amigo fiel do governo, não é isso! É cobrar e fazer parte do processo de construção das políticas sugerindo, criticando, jogando tomate também se preciso!
POVO DA DANÇA!!! ONDE ESTAMOS NÓS????
Enfim, caro Roberto. Desculpe pelo texto emocionado… espero que possa ser veiculado para que possamos abrir um diálogo com toda comunidade do i.danca.
Grato,
Sérgio Andrade
Roberto,
minhas condolecências!
é realmente muita pena seu projeto não ter sido aprovado.
Projeto coerente, necessário e profissional.
Custos realmente discretos.
Vai se entender quais snao os critérios.
Mas quem sabe quem espera sempre alcança?
Sônia
Roberto,amigo,ja tive esse mesmo problema com o grupo de dança D.C.e nao foi so uma vez que fiquei sem saber o por que…mas depois ,aos poucos fui percebendo que virou uma ação entre amigos…o q me deixou perplexo ,pois o produto final em cena nao era mais questionado e tudo era uma mera repetição de grupos e de plateia tambem,mas felizmente voce tem o dom da palavra e pode e deve questionar mesmo,pois é o meu ,o seu,o nosso dinheirinho que esta em jogo e sendo usado de uma forma muito questionavel….
joao wlamir
Roberto,
também gostaria de ser responsável pelos projetos que escrevo e não ter que “criar” pessoa juridica cada vez que envio um projeto para um edital. Sinceramente, ainda não entendi por que isso é exigido, sabendo o que todos sabem, que as empresas não são as criadoras do projeto, o que é necessário para alterar isso? Acho que será essa nossa próxima batalha junto a nova direção da Funarte. Neste último fim de semana redigimos um documento no ENARTCI, Ipatinga MG, que em breve será enviado para este site. Além dessa relevante questão sobre a obrigatoriedade da pessoa juridica, nos perguntamos também, se não seria um critério das comissões de editais não aprovar um artista ou cia. que já tenha várias outras aprovações, aparentemente é um critério justo, pois assim há um estimulo para todos os que tentam editais, porém acaba por impedir projetos que encontram nos editais sua forma de ter continuidade, então, de que forma o artista independente pode garantir vida longa – ou não tão curta- para suas produções? Ficam aqui minha perguntas.
Roberto,
as questões que você colocou tocam qualquer pessoa que participa desses editais, sendo ou não contemplados, fica sempre a sensação de que estamos trabalhando com um paliativo não muito adequado ao tamanho e às necessidades da arte e da cultura no Brasil. Acho importante que existam editais que possam democratizar o acesso aos recursos e instituir linhas curatoriais de acordo com a demanda da sociedade, no entanto, enquanto política pública estão muito aquém das necessidades da área e do país. Fora isso, é triste que não haja editais específicos para a demanda de projetos como o seu, que a exemplo do recordança e de muitos outros, de pesquisadores de todo o Brasil, ficam tentando se encaixar nos editais mais amplos e quase nunca sendo contemplados.
Roberto,
1) Belo projeto. Ando de saco cheio de reler as histórias já contadas da arte brasileira.
2) Apesar disso, se os fatos ocorreram como você está supondo, houve justiça na coisa. Acho que estamos todos (quase todos?), com incômoda freqüência, fazendo gambiarra para entrar em concursos, editais etc. que não foram feitos pra nós, em vez de simplesmente modificá-los. Eu não sou pessoa jurídica. Então, não me apresento como pessoa jurídica – o que significa, freqüentemente, que pago mais impostos que a maioria, que não entro em todas as portas por onde poderia entrar, e assim por diante. Talvez seja hora de fazermos piquete na porta do Palácio Capanema até eles entenderem que a própria natureza da produção artística pressupõe o artista independente, o pesquisador independente, e por aí vai. Nós precisamos ser protegidos, e não excluídos. Mas enquanto tentarmos entrar pela porta dos fundos (fingir que somos pessoas jurídicas), aquela mobilização não vai ocorrer.
Querido Roberto,
Eu também tive projetos recusados – como a maioria dos pesquisadores e teóricos de e em dança no Brasil.
Muitas vezes conhecia o júri de seleção… a maioria da UFBa onde eu fiz pós-graduação em Dança…. outra maioria da Semiótica, onde fiz meu mestrado… Prefiro pensar que de fato o trabalho não era apto, afinal, sabemos que existem os amigos, dos amigos, dos amigos, em todos os lugares.
Infelizmente, na dança não é diferente. E se não pudermos inscrever nossos projetos teóricos, que na cabeça de muitas pessoas não envolvem circulação (acho que eles querem espetáculos que dancem e nada digam, porque se preocupam em circulação, circulação – A teoria naõ circula?!) sem sermos pessoas físicas, será difícil caminhar… ou melhor, dançar nas palavras.
Minha luta com o jazz também é antiga. Apesar dos meus 26 anos, venho estudando dança e sua teoria há um bom tempo. Ainda tenho muito o que aprender, muito o que conquistar, muito o que errar.
A minha pós-graduação em Dança na Universidade Federal da Bahia (UFBa) em 2004 foi somente para me dedicar ao jazzdance e você sabe disso. O resultado foi um excelente trabalho (me desculpe a modéstia), mas até então não havia um trabalho que contasse a história do jazz do mundo, como ele chegou a São Paulo e como o corpo brasileiro se moldou à ele. O mundo não conhece a história do jazzdance… E é aí que dividimos o ineditismo da proposta. Fiquei até com inveja em poder ampliar essa pesquisa para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte, mas fico satisfeita com o meu resultado. Pois o trabalho existe, é concreto e dá conta de São Paulo.
O estilo nunca teve seu espaço reconhecido. As pessoas que trabalham com a temática principalmente teórica nunca conseguem falar sobre o assunto e poucos que fazem jazzdance, sabem sua história.
Se eu já fui chamada para dar palestras de jazz? Uma única vez, em um evento chamado Floripa in Jazz, que não existe mais.
Minha pesquisa em suas mais de 300 páginas, com imagens e depoimentos emocionados de grandes personalidades como a Joyce Kerrmann que vibrou ao ver o trabalho pronto, também está na prateleira… louca para que seja impressa nas páginas dos livros.
A caminhada é longa, mas como você, não pensei que fosse ser tão longa assim. Que o jazzdance sobreviva.
Com carinho,
Marcela
Roberto querido,
Para mim nada é surpresa quando se fala em aprovar projetos, livro então, nem pensar. Dizem que o mundo da dança não lê só dança, e “dança” no sentido da palavra. Eu sou prova viva, afinal, trabalho com o “Tap Dance” que é considerado algo que não é Dança e todos os meus projetos nunca foram nem sequer lidos e quem sabe desviados no meio do caminho… O correio não funciona bem e os e-mails não chegam.
Imagine eu que não tenho mestrado, não sou doutora e não tenho o dom de entender semiótica – pois vamos dizer que essa ciência é bem complicada para quem não está dentro dela.. co-evoluções, arte, Pierce e sabe mais o que. Não tenho espaço algum neste mundo incrível da dança.
Por isso não se chateie isto acontece e sempre! Agora uma vez você me falou “a Dança não acaba, pois existem pessoas como você, que amam e trabalham por ela.”
Beijos carinhosos,
Kika Sampaio (ainda no sapateado)
Prezados,
Prezado Roberto,
Nossa que oportunidade!! Não posso me furtar ao diálogo. Temos aqui um pesquisador de dança que expõe seu caso publicamente. Que tal fazermos dele, momento de reflexão sobre ponto assaz importante? Esta é minha proposta que aí vai.
Começo meu texto reconhecendo um fato: o trabalho que realizamos DE GRAÇA para o MINC/FUNARTE nos anos de 2005 e 2006 na Câmara Setorial de Dança não surtiu o devido efeito na realidade.
Me explico:
Em 2005, fomos convocados como classe, a compor uma Câmara Setorial, como instância consultiva, atendendo ao chamado institucional de MINC/Funarte para um diálogo que se queria efetivo do poder público com a sociedade civil através de seus representantes. Esta iniciativa serviria exatamente para poder dar voz à classe na construção co-participativa de uma política pública de dança no Brasil definitivamente atenta às demandas mais que urgentes do setor. Devo salientar que voz é texto, medidas, procedimentos, dependendo da vontade política do gestor.
Gostaria de relatar algo que vocês não viveram e que, infelizmente, ainda não pôde ganhar voz. Agora, graças ao idança, que parabenizo publicamente desde já, posso dar um texto a este acontecimento de vulto e do qual tive a honra de tomar parte no período a que me referi anteriormente.
Na 1a reunião da Câmara Setorial de Dança, compareci ao prédio da FUNARTE na cidade do Rio, como representante do Estado do Rio de Janeiro junto com Angela Ferreira, para a realização de um encontro de 3 dias em que estariam presentes representantes de diversos fóruns locais estaduais e representantes de outras áreas da assim chamada “cadeia de produção” da dança brasileira. Neste dia, vivi algo bem especial que quero dividir com vcs. Foi um momento muito bacana quando nos vi ali todos juntos, sentados em uma imensa roda na qual sobravam brilhantismo e altíssima qualificação nas falas de cada um dos integrantes da Câmara correspondendo ao que nós já sabemos de nossa classe: ela cresceu, amadureceu com o tempo e sabe muito bem defender publicamente seus interesses quando é chamada E OUVIDA. Estamos bastante prontos a criar, defender, justificar e, mesmo, implementar medidas, as mais pertinentes, no caminho que ainda temos a trilhar mas que já estamos trilhando no reconhecimento da dança como campo de saber específico, coisa que ela já é.
Trabalhamos durante dois anos tal como uma equipe, comparecendo a reuniões em diversas localidades do Brasil, repito, sem qualquer remuneração, para contribuir e, por que não dizer, também, supervisionar a tessitura de um texto que nos afetaria, e afeta, a todos e diretamente, a partir de então. Nos reuníamos sempre mediados pelo então Coordenador de Dança da Funarte, Marcos Moraes; pelo relator da Câmara, Leonel Brum (que hoje, inclusive, ocupa este cargo) e pelo, então, Gerente geral de projetos da Funarte, Vitor Ortiz. Nos sentíamos bem acompanhados.
O prêmio Klauss Vianna, vitória da classe, foi urdido pelos MINC/Funarte no mesmo período em que a Câmara trabalhava e, para nossa surpresa, seu texto foi desenvolvido à revelia de nosso trabalho e sem qualquer permeabilidade com a altíssima qualidade e precisão que vínhamos desenvolvendo juntos, naquele que sempre se mostrou um ajuste trabalhoso, pois todo o tempo tínhamos de fazer aquilo que fazemos tão bem, uma vez que fazemos a vida inteira: traduzir para uma linguagem inteligível pela ignorância vigente, nossas palavras, nossas particularidades, nosso texto – em suma o que temos a dizer e continuaremos dizendo. Se a dança é um saber qualificado e específico do corpo e se dança é arte, como tão bem o sabemos, imaginem o esforço, mediante o desconhecimento generalizado do poder público sobre o corpo e sobre a arte, para nos fazermos entender em um texto que poderia tornar-se definidor de nossa própria fala sobre nós mesmos. Quanta responsabilidade, não é mesmo?
Ainda mais se estávamos saindo já, desde o início, e foi desde o início que alertamos a Funarte para este fato, em desvantagem, uma vez que a metodologia de trabalho havia sido decidida antes de nós e que não fora proposta pela classe. Todos sabemos muito bem que metodologia já é texto, já determina um apriori para a experiência, esta que seria ali, dia a dia, por nós vivida. Nos movemos com destreza, estabelecendo relação crítica inclusive com a grade dentro da qual éramos obrigados a nos mover. Mesmo assim, conseguimos.
Dentre as diversas orientações, indicações, observações, diretrizes, apontamentos sobre a dança nos seus moldes e demandas profissionais reunidos nestes encontros e que constam nos documentos produzidos a partir de nossa contribuição oral e dos quais, ainda, não possuímos relatos completos que formem um todo condizente, há dois pontos nos quais insistimos muitas, diversas e repetidas vezes. Estes dois pontos tocam diretamente o caso do pesquisador Roberto que nos serve aqui de exemplo e provocação.
Em todo e qualquer edital, documento, medida, prêmio etc. é necessário que, dentre os contemplados, ao lado da palavra COMPANHIA OU GRUPO, apareça a palavra CRIADOR E PESQUISADOR INDEPENDENTE;
Em todo e qualquer edital, documento, medida, prêmio etc. o CRIADOR E PESQUISADOR, por ser independente, seja contemplado com possibilidades legais de execução de seu projeto condizentes com a sua realidade profissional (Não seria esta a realidade legal de pessoa física?).
O caso do pesquisador Roberto ilustra muitíssimo bem a pertinência de tal orientação da Câmara Setorial de Dança para o poder público. Não se trata, e aqui aproveito para responder às colocações do colega aí acima, de discutirmos se seria justo ou não, caríssimo Sérgio Andrade, o Roberto, este Roberto, receber ou não uma medida de privilégio na situação atual. Não se trata do indivíduo Roberto aqui, mas do caso Roberto, assim o chamemos. IMPORTA URGENTE E MAIS PERTINENTEMENTE, PESSOAL, QUE UTILIZEMOS ESTE CASO COMO EXEMPLO PARA QUESTIONARMOS A ORIGEM!!!! (Aqui minha vocação filosófica não consegue se calar.) Trata-se de oportunidade rara de questionarmos a origem do problema. Até quando teremos que provar que somos quem somos do ponto de vista da idoneidade legal e fiscal, pagando bi, tri, pluri tributações abusivas por não possuirmos AINDA editais, prêmios, medidas institucionais escritas por pessoas especializadas e atentas à realidade e às demandas específicas do setor? Quando é que conseguiremos que artistas e pesquisadores sejam tratados com as palavras que lhes cabem? Esta, me parece, é uma das atribuições do gestor público de cultura: leitura inteligente de textos (modos de ser e dizer de um dado setor cultural) que preexistem há muito à sua chegada, que estão sempre em transformação e cuja trajetória será atravessada por suas ações. Cultura é desde sempre um texto movente.
Caminhamos já neste sentido, nos últimos anos, mas não estamos ainda satisfeitos.
Gostaria de dizer hoje que este trabalho não foi em vão e não foi mesmo! Meu tempo, eu não jogo fora, estejam certos, e escrever este texto aqui já é uma 1a iniciativa de tantas outras que ainda serão feitas por mim ou pelos meus saudosos colegas de Câmara Setorial, para trazer a público a inédita e competentérrima contribuição que os documentos produzidos nestes encontros podem fazer pela classe de dança. Quando estes tornarem-se, com toda a pertinência, uma publicação, um dossiê, vocês poderão conhecer e dividir comigo tudo o que lá aprendi sobre nós e sobre a dança. Não posso ainda dimensionar o que estes documentos vão fazer por nós na nossa irreversível busca de validar nossos dizeres e saberes a partir de nós, a partir de nossa própria voz.
Mal posso esperar!
Acredito que a questão aqui não seja necessariamente se o caso Roberto poderia ou não trocar a pessoa jurídica, mas sim a de ter que se submeter a instâncias externas a ele para representá-lo. E aí, como o nosso cenário de dança, particularmente, o que compõe as comissões parece andar em círculo, os riscos de toparmos com as mesmas pessoas é muito grande. Que azar!!
Realmente a saída é termos políticas públicas e fomentos que nos caibam! Assim, podemos nos representar e nos apresentar dos nossos diversos lugares, como aqui fazemos. Parabéns para o idança! Parabéns para o Roberto pela exposição e pela problematização!
Roberto querido, só hoje notei que havia um espaço para a resposta. Desculpe-me. Segue meu ponto de vista sobre a questão colocada, de forma muito ponderada, por você. Ponderada, até pelo tipo de vivência que você mantém com a dança. Então lá vai.
“…O pesquisador, que não tem uma firma, talvez tenha ficado sem a oportunidade de sua idéia ter sido sequer lida, considerada, avaliada. O proponente passa a ser mais importante que aquele que concebe e executa o projeto. Pior ainda: passa a ser mais importante que a própria idéia em questão….”
Pois é, Roberto, a idéia de que se faz necessária uma firma que justifique, afinal, a aprovação ou não de uma proposta, me parece absurda. E esse é apenas um exemplo do que considero uma distorção dos fatos, não sei se apenas brasileira.
Não vi falhas no seu projeto: nem técnicas, da proposição em si, de sua importância, nem burocrática, que, penso eu, para essas comissões, prevalece acima da competência do autor e pertinência do assunto.
Mencionar essas “falhas” me leva a supor que existe uma forma “correta” que é, para as comissões, mais importante do que o conteúdo de qualquer proposta.
Acho, ainda, que se elege, num determinado momento, tópicos admitidos como interessantes para a atual visão de dança e política cultural; o resto sequer é lido. Jazz, ballet clássico, tap, nada disso é “in” para tais comissões. Aliás, nem sei que profissionais as compõem e quais são os critérios para sua formação. Sou muito des-avisada. Meu mundo de dança é outro. Mas lhe garanto: é dança.
Programas sobre dança, em emissoras oficiais, não são apresentadas por gente de dança, você já notou? Aliás mesmo, existe tanto pensamento estranho sobre a dança que nem saberia como discuti-lo. Até a categoria “coreógrafo de ator” existe. Existe? Para mim existe coreógrafo. Ponto.
Não saberia dizer se vale a pena manter a expectativa de que comissões futuras mudem as regras desse jogo. Ele é conveniente para muita gente. Contemplar apenas determinado gênero ou enfoque de dança, seja como projeto prático, seja teórico, é empobrecedor.
Pesquisar sobre o jazzdance é fundamental, até porque, existem profissionais que escreveram, e muitos ainda escrevem, a história dessa dança, mais do que legítima e bela, no Brasil. E porque, gostem ou não, ele, o jazz, sobrevive ainda hoje, tem seu público e sua aplicação, e não morrerá por causa de regras criadas de cima para baixo, por um pensamento burocrático e, muitas vezes, preconceituoso.
Um abração.
Eliana
Cara Thereza,
Mesmo com pouca idade (e curriculo), participei tb um pouco no período da câmara setorial. Estive presente em reuniões, inclusive na teleconferência entre os Gt’s
Cara Thereza,
Mesmo com pouca idade (e curriculo), participei tb um pouco no período da câmara setorial. Estive presente em reuniões, inclusive na teleconferência entre os GT’s regionais com a coordenação do Funarte. Depois dos trabalhos da camara setorial o “Forum de Dança da BAhia” (um movimento regional do Forum Nacional de Dança) continuou trabalhando, esporadicamente, mas ainda assim numa constante luta por políticas públicas mais eficazes.
Esse ano o Fórum da Bahia tomou rumo ainda mais organizado. Estamos em constante diálogo e acredito q estamos contribuindo para os novos rumos da dança no estado. Mantendo um diálogo com a Secretaria de Cultura, onde conseguimos uma representação mais autonoma, criando uma Diretoria específica de Dança, hj dirigida por Lúcia Mattos, que sempre esteve junto da classe de dança.
Fiz esse panorâma p localizar a minha atuação política na dança. Não estou aqui subjulgando o projeto do ROBERTO. Também acredito, como disse no meu comentário anterior, que nós somos altamente capazes de nos representar em editais… e sei que essa é uma medida possível, pq como também disse anteriormente, essa está sendo a mais recente realidade dos editais lançados peça Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). Em todas as categorias, agora mais amplas (memorial, pesquisa, dança e educação, montagem, circulação, processos de criação, mostras, residência artística, concessão de pautas, etc.), estamos podendo inscrever projetos “fisicamente” (rs).
O problema é q a cobrança de importos para p.f chegam a 27%… ninguém pretende sonegar impostos. Uma solução seria aumentar o valor dos prêmios para que o líquido fosse um montante possível e não sofrido de realizar os projetos. Outra solução seria a redução dos impostos, mas essa é uma briga antiga.
Ainda assim, mesmo com todos os descontos, me sinto muito melhor em poder realizar meus projetos e me representar! De fato, precisamos parar de simular uma realidade q não somos, como Avellar citou!!! E pra isso, vamos sim fazer zoada na porta no Palácio Capanema, das Câmaras, do Senado, etc.
Agora, fiz aquelas considerações iniciais todas pq não podemos esquecer, somos frutos colonizados e depotismos existem antes mesmo de existirmos. Daí vieram os coronéis, os falsos heróis, etc. E REPITO:
“QUE BOM QUE NÃO FOI ABERTA A EXCEÇÃO E NÃO HOUVE PREDILETISMO!”
(os motivos ja foram ditos e são muito coerentes).
Agora qnt ao fato de repensarmos os critérios dos editais e suas representações (proponentes, curadorias, etc.), acredito que devemos sim pensar. De maneira a enxergar o problema no ponto inicial… desvelar. Tirar as cascas e ir aos miolos. Deixar os egos e não apelar para as notoriedades.
Nas reuniões entre a classe de dança e Governo Estadual, que aconteceram aqui em Salvador, em outros encontros e mesas com representantes do governo q aconteceram aqui em Salvador, apontei a necessidade de se excluir dos critérios de avaliação e seleção de projetos o item de “notoriedade artística”, pq ele só contribue para a mesmisses do “metiê” da dança. Dos amigos dos curadores… Foi uma luta, outras pessoas passaram a ecoar o mesmo som e hj nos editais bahianos pelo menos no texto do edital não consta tal critério. Sabemos todos q ele ainda existe nas penumbras, nos telefonemas secretos, etc.
POr isso me sinto feliz em saber q o problema não pôde ser resolvido por telefone e que de nada adiantou o curriculo e notoriedade do pesquisador, que Roberto enfatiza a todo tempo em seu texto.
Esse é um problema de todos, inclusive para aqueles q não tem pra quem ligar. Se o problema fosse resolvido dessa forma estaria havendo essa discussão aqui??
Não geraríamos outro problema??
enfim,
saudações.
Sérgio Andrade
Me sensibilizei com a sua questao, mas ainda nao tive oportunidade de ler o seu projecto, pois me encontro numa bibliotece publica, com tempo limite de utilizacao de internet.
Em melhor altura publicarei meu comentario.
Aproveito para lhe recomendar a leitura de um livro que pode, em minha opiniao, abrir novas perspectivas em sua questao e ate ir um pouco mais alem, se chama ” Criacao Artistica, Criacao espiritual” do autor Mikail Abraham Aivanhov, nao sei que editora representa este autor no Brasil e de momento tambem nao me recordo da editora que representa o autor em Portugal, edicao esta por mim conhecida.
Ate breve.
Marco Teodosio – Aluno do curso tecnico-profissional de danca contemporanea na escola Angel Vianna (2001-2004) e parceiro artistico de Angela Freiberger em diversas performances.
Caro Roberto,
Primeiramente, PARABÉNS pela coragem de colocar para todos sua História. Sim, digo sua história no sentido de que este seu desabafo terá que surtir algum efeito em nossa arte no Brasil e ser nosso espelho, para que mais pessoas possam ter esta mesma coragem de falar publicamente que seu projeto não foi aceito, porque isso cria uma outra discussão – que é muita válida – para nós e para a Dança.
Lendo seu texto, claro que compartilho de todo ele, mas quando vc colocou que o tema poderia não ser apropriado, penso que: Será que o tema Dança Contemporânea e Ballet são mais fortes para este tipo de proposta? Aí, coloco uma questão de preconceito sim!!
Não trabalho como JazzDance e vc sabe disso, mas é ÓBVIO que este trabalho, esta história é de suma importância para todos nós e que a Funarte parece não saber disso, ou achar que esta História já está contada!!
Comungo tb no quesito da pessoa jurídica. Acho um absurdo tb transformar-nos em uma empresa sendo que somos artistas capazes de responder por nosso projeto.
Portanto, como estou começando a escrever um projeto para um encontro de discussões em Dança aqui em Goiânia, já fico pensando o que devo encontrar pela frente, já que quero propor para outros editais pelo Brasil. E este seu texto ajuda a todos nós, para pensarmos o caminho que estes editais estão seguindo e nos levando.
Mais uma vez, PARABÉNS e que este seu texto se propague por todo o Brasil abrindo um caminho para todos os pesquisadores em Dança ter a mesma coragem de falar o que sente.
Assim, será que não se poderia criar um grupo que seja, para discutir e/ou cobrar estas ou algumas questões colocadas por vc??
Admiro-te ainda mais por isso. SUCESSO E NUNCA DESISTA!!
Grande abraço,
Sacha Witkowski
Roberto,
Suas colocações suscitam várias questões que urgem serem discutidas. Levanto aqui alguns pontos que venho refletindo sobre e discutindo com alguns pares:
1) A questão não é a relevância de seu projeto. Nunca é. A questão é muito mais profunda. A arte, em especial a dança, que é o tema em questão, não é vista, há tempos, como necessidade de primeira instância na vida do ser humano. A arte ao longo dos tempos foi retirada de seu local edificador e formador e realocada apenas como entretenimento, em função de interesses políticos e econômicos. A dança cênica, irônica e paradoxalmente, apesar de se pautar na linguagem mais antiga e acessível a todas as espécies – o movimento – parece ser a mais distante do cotidiano social. O brasileiro dança, mas não assiste dança pois diz não entender. Curioso? E, que entendimento seria esse, senão o sensível? O corpo, o movimento e o gesto não são mais compreensíveis?
Desse modo, alguns valores humanos inerentes à arte, como o direito à diversidade, à escolha, à fruição e à poética foram extorquidos da sociedade e a arte foi reduzida à função de entretenimento. Não há aqui nenhum juízo de valor. Veja bem… até acho que toda arte seja entretenimento, mas essa não é sua única função. Também considero todas as manifestações culturais legítimas e o entretenimento puro também é necessário. No entanto, não apenas ele. Uma reestruturação do pensamento político e social se faz urgente. Se a arte não é introduzida com seriedade nas escolas, se não temos políticas públicas de continuidade, se não agimos coletivamente, esse quadro não se alterará.
Nossos teatros estão vazios, não temos verbas suficientes em editais, temos poucos e inconstantes alunos. Tenho participado de várias reuniões, congressos, coletivos e projetos de compartilhamento e as inquietações são as mesmas.
Assim como o Sérgio Andrade falou do Tabuleiro da Dança, na Bahia, meu grupo também coordena um projeto de compartilhamento e ações culturais, em nossa sede (Espaço Cultural República Cênica): Dicotomia do ser-em-cena: poéticas, cultura e sociedade. Ao contrário da experiência da Bahia, nós entramos sim em editais tentando aprovar este projeto. Não foi aprovado. Não deixamos de fazer. Estamos fazendo sem verba, contando com a parceria de grupos (Katharsis e Orelhas, são exemplos), que como nós também se cansaram de ficarem reféns de editais. Mas essas são ações isoladas. De fundamental importância, mas não podem ser as únicas. Há outros grupos pelo Brasil se articulando nesse sentido, mas ainda é pouco.
2) Não sendo a cultura uma área de importância para o País, voltamos à questão da ausência de uma política de Estado. O Governo está sempre passando suas responsabilidades adiante: lei Rouanet, editais, etc. Empresas privadas dominando dinheiro público? O que dizer? Os editais ainda são uma boa referência, até porque temos conquistado, aos poucos, comissões julgadoras mais equilibradas e menos tendenciosas. Mas, de novo, não podem ser ações isoladas. Vejo aqui alguns problemas:
a) A pouca verba destinada faz muitas vezes as pessoas se engalfinharem por um lugar ao sol, ao invés de se unirem na luta por mais verba. Vejo alguns movimentos político-artísticos acontecendo, mas que não prosseguem após o resultado dos editais.
b) A não distribuição relacional da verba existente, a qual, normalmente, é concentrada para os grandes centros (capitais e, ainda, privilegiando, na maior parte das vezes, alguns estados). A falta de verba é extremamente potencializada nos interiores. Em São Paulo, pelo menos, essa questão é bem forte. Não tem me parecido que em outros estado isso seja diferente.
c) O não retorno sobre os projetos enviados. Como não há verba para as comissões enviarem pareceres sobre os projetos, os respectivos proponentes nunca sabem em que ponto tiveram falhas, onde podem reescrevê-lo para torná-lo mais claro, o que tornou seu projeto mais ou menos apto para aprovação, etc. E muitas vezes, quase sempre, estes mesmos proponentes reprovados têm projetos práticos de altíssima qualidade. E mais dúvidas: se injetarmos verba para uma maior transparência dos editais (com feedbacks) são menos projetos a serem contemplados. Entende? O que precisamos, então, é atuar na recriação de um lugar para a arte, que gere investimentos maiores e contínuos.
d) Concentração de verba nas mãos das mesmas pessoas de modo constante (alguns poucos ganhando sempre). E, veja, isso não significa que elas não sejam merecedoras, já que a batalha é igual para todos. Muito pelo contrário. Mas… como resolver isso, senão com a construção contínua e ampliação da tão falada “política pública de cultura”? Essas pessoas precisam de continuidade em seus trabalhos, mas as que não recebem verbas também precisam.
Assim, penso que não devemos nos prender à política dos editais e nos transformarmos em criadores de idéias que não são colocadas em ação. É claro que eles geram possibilidades financeiras, oportunidades de trabalho e que todos devem continuar tentando. Mas também precisamos manter nossas atividades artísticas, independente deles e gerar idéias genuínas de trabalho que sejam atitudes. Além disso, é preciso que invistamos o mesmo tempo que investimos em editais, na construção de uma política permanente de Estado e exigirmos que ela seja colocada em prática.
3) Não devemos esquecer que o Governo e a sociedade somos nós. Somos vítimas disso tudo, mas também culpados por não termos competência, até agora, de alterar esse quadro.
4) Entendo tudo o que coloca sobre as questões em relação à pessoa jurídica. Meu grupo mantém uma há anos para podermos ter autonomia em nossas contratações e na participação em editais e sei bem os custos que isso representa. Só que às vezes fico na dúvida sobre a participação de pessoas físicas em editais. E quando digo dúvida, é dúvida mesmo. Será que nós temos que batalhar para termos o direito de participarmos como pessoa física? Isso também não seria um paliativo? O problema também não é muito maior? Por que é tão difícil termos uma formalidade jurídica no Brasil? Por que temos que colocar a dança na informalidade? Por que essa cobrança excessiva de impostos? Por que não vemos retorno desses impostos nem na cultura, nem na saúde, nem na educação, nem em nada? Penso que a questão é realmente outra. Por uma mudança nessa estrutura social perversa e corrupta, considero que vale a pena lutar, pois isso favorece a todos. Caso contrário, estaremos novamente pensando em resoluções imediatas para projetos individuais. E tudo continuará na mesma…
5) Quanto ao conteúdo de sua pesquisa, como sabe eu realizei dois anos de pesquisa (1998 e 1999), financiadas pelo CNPq sobre uma Possível História da Dança Jazz no Brasil e Um Panorama do Desenvolvimento da Técnica da Dança Jazz no Brasil, que se debruçavam em identificar como se deu a instalação da dança jazz no Brasil, suas personalidades e quais as técnicas que aqui chegaram. Tenho material em vídeo, fotos, entrevistas, que consegui em arquivos na UNICAMP e na Biblioteca Nacional e também nos acervos das profissionais entrevistadas. Nunca consegui publicar este material em livro. Até hoje tenho esse débito com a dança do Brasil, especialmente com Marly Tavares, Vilma Vernon, Débora Bastos e Carlota Portela, artistas que foram centro de minha pesquisa. Publiquei dois artigos que, me parece, não têm a circulação necessária. Há tempos fiquei sabendo que Marcela Benvegnu também estudou sobre a dança jazz no Brasil, anos depois, mas concentrando-se mais em São Paulo. Não tive acesso a pesquisa dela ainda. Ou seja, já há material levantado sobre esse percurso histórico no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mas essas pesquisas não conseguem ser publicadas e, portanto, não são divulgadas. É claro que quando falamos sobre história, sempre haverá lacunas, pois é impossível dar conta de tudo. Mas talvez a lacuna não seja tão grande como achamos. Já existe um suporte inicial para que outros pesquisadores possam ir além e não partir do zero novamente. Onde há lacuna maior, aliás, um abismo, é na ausência de incentivos para a dança, para as publicações nessa área e para a disseminação de pesquisas.
Enfim… se soluções para todas essas questões fossem fáceis, não estaríamos aqui debatendo. Mas penso que o diálogo é o início da reverberação e da transformação. Espero que, juntos, consigamos trazer a dança (e a arte de modo geral) de volta para a sociedade brasileira e, assim, conseguirmos dialogar também com o outro (= aquele que não faz dança) e não apenas entre nós.
Por fim, gostaria de lhe parabenizar pelo teor das discussões que propôs e instigou, tão necessárias neste momento e sempre.
Ana Carolina Mundim.
Artigos publicados:
Artigo “A Dança Jazz no Brasil”, publicado nos Cadernos de Pós-Graduação do Instituto de Artes da UNICAMP, ano 6, volume 6 – n°1, ano 2002, ISSN 1516-0793.
Artigo “Uma possível história da dança jazz no Brasil”, publicado nos Anais do III Fórum de Pesquisa Científica em Arte, outubro de 2004, editora: Elisabeth Seraphim Prosser (ISBN 1809-2616)
Olá!
Gostaria aqui só de deixar uma sugestão a Funarte, já que hoje discutimos tanto sobre a questão da formação em nosso país.
Gostaria de sugerir que a Funarte, devolvesse na medida do possível um parecer sobre os projetos que não foram selecionados, claro que individualmente, via email. Entendo que o trabalho é muito grande, mas é de extrema importância para os não selecionados, ter uma oportunidade de rever aquilo que poderia ter excluído teu projeto da premiação. Acredito nisso como um ponto favorável ao processo de formação, auxiliando na elaboração de outros projetos para próximos editais. Talvez assim os artistas que não obtiveram resultados positivos na seleção da Funarte, percam um pouco da sensação de aguardar notícias de um filho perdido que nunca mais deu notícia.
E parabéns pelas discussões, este processo de debates sobre editais são sempre pertinentes a área.
É com muita satisfação que a Funarte acompanha no idança o debate sobre problemas comuns à comunidade da Dança. Uma discussão que teve origem em um dos itens do edital do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna, lançado recentemente por essa instituição. Entendemos que o debate é fundamental para o aperfeiçoamento de quaisquer mecanismos que envolvam bens públicos.
A partir do debate desenvolvido aqui, gostaríamos de informar que a Funarte já está analisando as possibilidades de participação de pessoas físicas nos próximos editais.
Atenciosamente,
Leonel Brum – coordenador de dança
Caro Roberto
Descartada a hipótese do projeto não ser bom. Além de relevante, apresenta orçamento modesto. Dada as proporções do que temos de desperdício, na esfera pública federal. O que estamos vendo, pode nos levar a refletir sobre um outro ponto de vista. Pergunto, se o professor Dr. Roberto Pereira, de notável e sólida carreira acadêmica não consegue aprovação num projeto desta envergadura, logo podemos imaginar o que ocorre com dúzias e dúzias de bailarino(as) e grupos de dança amador que não tem qualquer titulação? De fato, devemos rever os critérios de aprovação de qualquer instituição que se propões a incentivar a dança neste país.
Eliete Santos – bailarina, graduada em filosofia e Historia
Ola a todos,
é muito bom ver que o trabalho da gente tem importância..
E fico muito feliz que as pessoas perceberam que a discussao nao era d emerito, se o proejto de Roberto devia ou não ser pemiado, mas muito mairo e mais interessante. Quando o professor e critico Roberto Pereira, aqui do Rio, nos procurou no idanca porpondo uma discussao sobre a logica dos editais de pesquisa em dança no Brasil, sacamos que era a chance de colocar essa discussao tão comum nos papos informais numa roda maior e esperar a posição de todos. Depois de uma semana de comentarios impressionantes aqui em cima, ontem o coordenador de dança da Funarte Leonel Brum postou um comentario em nome da instituição dizendo que, a partir da discussao gerada pelo idanca, vai ser estudada uma mudança no proximo edital para acomodar melhor os proponentes pessoa fisica.
é um passo pequeno mas importante para os artistas independentes da dança brasileira.
como o objetivo do idanca sempre foi, entre outros, abrir e consolidar uma arena democratica de discussões, nao poderiamos estar mais felizes.
beijos a todos
A Nayse Lopes,
Parabéns a ti também pelo olhar que teve em relação a este assunto.
Pergunto se não seria interessante criar um local dentro do sítio do idanca para continuarmos a discutir esta questão. Com e-mails e troca dos mesmos, ou quem sabe uma coisa mais formal para efetivamente cobrar destas instituições.
Mas, sei que já foi um enorme avanço o Coordenador de Dança da Funarte comentar neste pequeno Fórum. Então como tenho este sítio como formador de opinião e divulgo ele por isso, quem sabe o idanca não possa propor este tipo de fórum não somente dentro do texto do Roberto.
Grande abraço,
Sacha Witkowski
Roberto, fico feliz por haver mais uma “voz” que lembre do jazz brasileiro. Estilo que embalou varias gerações ainda atuantes (senão no mesmo seguimento), no sonho de realizar dança.
Li, não só sua ótima proposta como, alguns protestos de “ajustes’ à suas (e me permita de faze-las nossas) reivindicações.
Ainda iniciante no mundo academico, me deparo com problemas antigos e, observo que a luta continua.
Muito bom ter uma pessoa lúcida como você nessa batalha.
Beth Oliosi
Roberto, primeiramente, parabéns pela publicação e coragem de expor aqui seu projeto. Acredito também que este (projeto) seja bom e coerente sim às necessidades históricas da dança no Brasil, pelo pouca experiência que possuo, como pesquisadora, em relação a este tipo de editais.
Mas uma questão me surgiu durante a leitura de seu texto e alguns comentários – será de maior relevância para que um pesquisador seja aprovado nestes editais os títulos que ele possui (como é o caso dos títulos de Mestrado e Doutorado), ou uma proposta e realização de idéais pertinentes e coerentes a determinado edital?
Obviamente, não se discute a experiência de um Doutor comparado a uma pessoa que está iniciando seu trabalho neste sentido, independente da área que etes atuam. Entretanto, acredito não ser este o ponto que caracterize o valor de uma proposta de projeto de pesquisa. Também penso que as duas coisas juntas (os títulos e a proposta coerente) certamente fazem com que a escolha pela aprovação do projeto seja positiva; pensando por exemplo entre dois projetos de igual valor, em que um possua títulos e outro não.
Enfim, me parece que tais títulos pesam sim na decisão de uma banca pela aprovação de um projeto, o que não penso que seja tão justo, mas é um ponto de decisão em um empate por exemplo. Isto não ocorreu neste caso, portanto a opção que resta para a não aprovação do projeto é a questão burocrática da proponente fazer parte da banca. E aí, como já foi dito nos comentários acima, surge mais esta questão para nós, pesquisadores-bailarinos-criadores de dança neste país – até que ponto é necessário tanta burocracia nas condições que todos nós sabemos que a maioria se encontra?
E então fico feliz de saber que a Funarte como órgão público já pensa na posibildade de aceitar proponentes de projetos de pessoa física. Temos que batalhar mesmo e agir para que as coisa caminhem e progridam.
Abraços
Fernanda
Mas de toda esta discussão, fica uma discussão também interessante.
Os projetos aprovados foram me paresse, muito visados à grupos que não tem uma visibilidade maior aos grupos que por exemplo ficaram na suplência, assim fica uma brecha interessante e não questionável de que precisamos antes de debater se um projeto de autoria de uma personalidade importante na dança é aprovada ou não, questionar o espaço dado aos grupos com menos “relevância” do quadro da dança no Brasil nestes editais, assim serem engolidos por grupos que já possuem nome. Fico feliz de ver contemplados este ano alguns grupos desconhecidos ou pouco visados por nós!!.
Sacha Witkowski
Goiânia
Olá Roberto!
Reafirmo as minhas suspeitas através das palavras de Avelar, de que fomos sendo carregados para a porta dos fundos, e… fantasiados de burocratas!
Há 18 anos fundei uma empresa (um filho a mais na família), com a ingenuidade de que ela me garantiria melhor fluxo entre as linhas de tensão burocráticas. Hoje, me sinto quase como refém desta escolha, justamente pela dificuldade de mantê-la.
Na verdade, o poder que a pessoa jurídica exerce sobre nós artistas brasileiros, é uma distorção de identidade!!! Metaforicamente, pode ser como uma dublagem no filme: o receptor absorve mensagens dissonantes para facilitar o não entendimento da principal, que é mais ou menos o que temos visto todos os dias! Se a pessoa jurídica encontrasse nos seus ecos esta tal de legitimidade, como a comprovação de direitos adquiridos, o ressarcimento de valores agregados e etc…, certamente não caberia aqui, a aquecida discussão.
Gostaria de sugerir à Funarte, o desenvolvimento de medidas cabíveis dentro dos corpos e mentes dos artistas e pesquisadores em dança brasileiros representadas de fato, sejam em editais, em concursos e ou quaisquer outros veículos de financiamento de produção de idéias artísticas e ou intelectuais.
Padrões de conhecimento não se afirmam no desejo de contemplar ou quem nunca foi; ou quem sempre, ou quem é físico ou jurídico e por aí vai. Cabe discernimento, conhecimento de causa que inclui quem, como e quando; em saber quais são as prioridades, em que patamar de fruição se estabelece o projeto, se propõe segmento, e acima de tudo, sobre o grau de competência e capacidade de realização.
Financiamento a projetos artísticos é um dever do Estado, e os modelos de suas aplicações, aqui tratadas sobre projetos de (em) dança, pertencem ao universo da sensibilidade também, que suponho, seja a coluna vertebral desta expressão. Convertê-la em fontes de acesso através do conhecimento e da sensibilidade, é legitimo.
De fato, o que por ora está determinado sobre princípios gerais deve corresponder à sua natureza; ou seja, não ao prediletismo; porém, os mesmos podem e devem ser reavaliados em vista das suas demandas.
Espero caro amigo Roberto, seja aberta a porta da frente!
Abraços. Jussara Miranda
São tantos os comentários e tão pertinentes que não pretendo repetí-los, quero apenas observar o seguinte: nós artistas praticantes ou pesquisadores não podemos entrar no jogo perverso do assim chamado poder público ( se é que existe essa coisa no nosso triste país) que, com suas palavras de ordem, faz com que arte e cultura signifiquem a mesma coisa. Não são a mesma coisa.
Da mesma maneira, arte e produção cultural não são a mesma coisa.
O estado pode e deve realizar ações que incentivem e favoreçam arte e cultura já que essas atividades exigem verbas e não faz mais do que sua obrigação ( o que deveria acontecer nas instâncias da saúde, educação, tranporte etc). Mas jamais pela via das leis de incentivo. E jamais se intrometer burrocráticamente no julgamento do conteúdo de projetos em arte. Isso é uma forma velada de censura e da pior espécie.
Não estou defendendo o estado ‘bonzinho’, que idealmente apoiaria de bom grado artistas e pesquisadores. É justamente esta a imagem que este pretende passar pela via da propaganda enganosa atualmente. Apenas aponto que no atual estado de coisas, o estado se colocou no lugar do juiz acima de qualquer suspeita, dono da verdade moral ( aquela erradamente chamada de ética) como o qual temos que negociar como se nós, artistas e pesquisadores, desejássemos a tutela e aprovação do mesmo.
Olá a todos,
depois de ler muitos dos comentários postados, por conhecidos e desconhecidos, mas – desde já – queridos, por serem pensadores da dança, termino a leitura com um otimismo insuspeitado. E o irresistível desejo de compartilhá-lo. Volto do Fórum de Dança (BH) cheia da intensidade que as questões suscitam e feliz pelos passos que estamos dando. Parabéns a esta classe, que se faz representar, que abre brechas onde não haviam, que encontra soluções com a inteligência de quem tem mesmo o poder nas mãos. Que orgulho!!!
Clara.
Não poderia deixar de participar desta fila de comentários – reclames da situação caótica que sofremos enquanto pesquisadores.
Pesquisar já é uma viagem em terras áridas, quanto mais publicar.
Tenho feito isso há 7 anos e não me envergonho de dizer, sem apoio ou patrocínio nenhum.
Editais? Já participei de alguns. Se fui agraciada? Nenhum. Publicações? Sim! 5!
Roberto, continuemos insistindo e alardiando aos quatro ventos.
Ana Luiza Freire
Que bom que chegamos a uma discussão profunda sobre a sobrevivencia de nossas produções artísticas. Que bom que um super curriculo e uma carreira consolidada não são o cartão de entrada para aprovação nos editais. Talvez agora possamos enxergar a quantidade de grupos independentes, com boas produções e sem visibilidade nenhuma e pensar em editais mais flexiveis, não no sentido de informalidade ou falta de compromisso mas, mais coerente com a arte contemporanea e sua logistica.
Repensar os editais é essencial e é um ponto de partida crucial a questao das “tantas pessoas” jurídicas ou não…o que realmente isso importa?
Roberto, to surpreso e feliz de conhecer seu projeto. Obrigado por incluir a mim, Bandança e minhas irmãs, Nadia Nardini e Tânia Nardini. Fique a vontade em me procurar se precisar de alguma coisa. Hoje uma estudante de dança vem a minha casa, fazer uma entrevista sobre o Bandança, por conta do seu projeto.
Abraço Tony Nardini