A vitrine da dança feita no Brasil atualmente tem em sua composição um aspecto novo e prolífero, que é a formalização do pensamento artístico em prol da prática. O intercâmbio entre os artistas e o universo acadêmico tem sido cada vez maior no país e de alguma forma vem influenciando na produção e formação em dança. Em Brasília esta tendência também tem se fortalecido, com a expansão do desenvolvimento de dissertações acadêmicas na área.
O levantamento da Cartografia Rumos Dança do Itaú Cultural detectou 11 dissertações de mestrado e duas de doutorado com temas interligados a dança, produzidas em Brasília desde 2000. Um aprofundamento da pesquisa acrescentou à lista apenas mais duas teses de mestrado, uma realizada na década de 80 e outra em 90. No início de 2008 há duas dissertações de mestrado a serem defendidas na Universidade de Brasília (UnB) que perpassam seus estudos no campo da dança. Uma com o tema com o tema “Dançar sem Fronteiras”, de Ludmila Machado de Melo, formada em Dança pela Unicamp. O outro trabalho é de Elza Gabriela Godinho de Miranda, que é licenciada em Artes Cênicas, e desenvolveu pesquisa sobre “Interatuações das linguagens artísticas na cena da criança”.
É importante ressaltar que a Universidade de Brasília (UnB), onde foi desenvolvida a maior parte das teses, não contempla um curso específico de graduação ou pós em dança. As pesquisas são geralmente desenvolvidas no Instituto de Artes, que recentemente criou uma pós em Arte Contemporânea. A iniciativa abriu um espaço para coreógrafos da cidade buscarem na universidade um reforço para seu trabalho artístico. Na atualidade temos dois exemplos de artistas atuantes na cena que realizaram pesquisas acadêmicas em consonância com a criação de obras. Em 2005, a diretora e coreógrafa Kênia Dias concluiu mestrado no Instituto de Artes da UnB, denominado “Da Rua à Cena: Trilhas de um Processo Criativo”. Em 2006, Gisele Rodrigues, diretora e coreógrafa do grupo Basirah, terminou seu mestrado no Instituto de Artes da UnB intitulado “De Água e Sal – uma abordagem de processo criativo em dança”. Este foi desenvolvido junto a um espetáculo de mesmo nome.
A dificuldade para desenvolvimento dos trabalhos nas universidades locais reside ainda na falta de orientadores específicos em dança. Desta forma, muitos vão buscar em outros departamentos um espaço para realizar suas pesquisas. O trabalho realizado pela pesquisadora e bailarina Susi Martinelli é um exemplo. Formada em dança pela Unicamp, Susi desenvolveu seu mestrado no Instituto de Psicologia da UnB, com o tema “No ensino, quem dança?: uma análise crítica sobre a criatividade no ensino da dança no DF” em 2000. O trabalho desembocou ainda em na tese de doutorado “A Criatividade no Movimento: Contribuições a partir da Dança”, defendida em 2005, dentro do Instituto de Psicologia da UnB. A bailarina e professora Soraia Silva teve seu doutorado defendido em 2003 no Instituto de Letras da UnB, relacionando a dança com a poesia. “O Texto do Bailarino: Eros Volúsia e Gilka Machado – a dança das palavras” é o nome do trabalho que deu origem ao livro Poemadançando Gilka Machado e Eros Volúsia, publicado pela editora da UnB em 2007.
Existem ainda alguns profissionais de Brasília que buscaram essa atuação conjunta do pensamento com o fazer de outra maneira. Luciana Lara, diretora da ASQ companhia de Dança, se debruçou sobre o ensino da dança nas escolas em sua graduação em Artes Cênicas pela Faculdade Dulcina. A pesquisa foi base para o projeto “A Escola vai ao Teatro – Arte-educação através da Dança”, em que o grupo se apresentava para um público juvenil e posteriormente incitava o debate sobre apreciação estética. A diretora da Alaya Companhia de Dança, Lenora Lobo, publicou junto com Cássia Navas o livro Teatro do Movimento – um método para o intérprete criador. Mesmo não sendo formalmente um trabalho acadêmico, essa sistematização é fruto das experiências de Lenora em pesquisa enquanto professora do Departamento de Artes Cênicas da UNB e artista. Os princípios desse método são utilizados em suas aulas e processos criativos.
Recentemente a artista Eliana Carneiro lançou o Pequeno Manual de Corpos e Danças. A publicação, que vem acompanhada de um dvd, se refere à educação voltada para a expressão corporal da criança e do adolescente, propondo novas abordagens para fomentar e sedimentar a inclusão da arte nas escolas brasileiras. O trabalho foi contemplado pelo prêmio Klauss Vianna de 2006 e patrocinado pela Petrobrás. Nesse sentido percebemos também a importância do incentivo público à pesquisa, uma iniciativa recente e ainda tímida para demanda do País, mas que tem contribuído para disseminação do conhecimento.
Esse panorama geral de Brasília aponta para uma prática saudável dos artistas nessa relação com a academia, buscando uma ponte prática para o desenvolvimento do saber em dança. A quantidade de iniciativas surgidas a partir de 2000 mostra como a pesquisa tornou-se mais um caminho do fazer. Um movimento que ainda está em sua fase inicial, mas que demonstra uma disposição em proliferar e amadurecer.
Outras teses de mestrado desenvolvidas em Brasília que não foram citadas no texto acima [1]:
Almeida, Marcia Soares de. Poética corporal: uma reflexão sobre as possibilidades do corpo nômade em dança. 2002. 117 f. il. Dissertação (mestrado) – Universidade de Brasília, Brasília, 2002.
Dutra, Janete Borges. Corpo: universo da arte. 2004. 214 f. il. Dissertação (mestrado) – Departamento de Artes Visuais, Universidade de Brasília, Brasília, 2004.
Ferreira, Erika do Carmo Lima. Vozes e identidades juvenis: o hip hop como representação. 2002. 145 f. il. Dissertação (mestrado) – Universidade de Brasília, Brasília, 2002.
Dantas, Ana Carolina de Souza Silva. Dança contemporânea e o movimento tecnologicamente contaminado. 2004. 150 f. il. + apêndice. Dissertação (mestrado) – Curso de Pós-Graduação em Artes, Universidade de Brasília, Brasília, 2004.
Peres, Marta Simões. Dança e ganho de equilíbrio de tronco em portadores de lesão medular: um estudo preliminar. 2000. 98 f. il. Dissertação (mestrado) -Universidade de Brasília, Brasília, 2000
Sales, José Roberto Lopes. O uso das danças folclóricas no contexto pedagógico de educação física escolar. 2003. 96 p. Dissertação (mestrado) – Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2003.
Sousa, Fátima Nogueira de. Análise do estresse e ansiedade em bailarinos e bailarinas profissionais na pré-estréia de um espetáculo de dança. 2002. 68 p. Dissertação (mestrado) – Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2002.
Suffert, Ratia Romera. Bailarina: imagens da construção de um feminino. 1994. 207 f. il. Dissertação (mestrado) – Departamento de Antropologia, Universidade de Brasília, Brasília, 1994.
Tavares, Julio Cesar de Souza. Dança da guerra: arquivo-arma. 1984. 152 f. Dissertação (mestrado) – Departamento de Ciências Sociais, Universidade de Brasília, Brasília, 1984.
Xavier, Cinthia Nepomuceno. … 5, 6, 7 [infinito]… Do oito ao infinito: por uma dança do ventre, performática, híbrida, impertinente. 2006. x, 120 f. il. Dissertação (mestrado) – Instituto de Artes, Universidade de Brasília, Brasília, 2006.
Referência
[1] http://www.luciavillar.com.br/bibliodancebrasil.htm
Port
Eng
Que essa linguagem de encontros (dança – video) se prolifere cada vez mais em nosso pais.
Que venham mais editais e festivais de fomento. Obrigada “Dança em foco”, “Novadança” e outros.
Vamos movimentar os corpos, a mente, a camera!!!
olá pessoal!
sou formada em dança pela Unicamp e desenvolvo faz tres anos uma Mostra de Curtas em Campinas/SP: MOSTRA CURTA AUDIOVISUAL
Seria um grande prazer ter a oportunidade de ver a produção audiovisual de Brasilia (e não só a de Brasília), especialmente a de Video Dança, na II Mostra. Na edição do ano passado recebemos um número considerável de produções desse gênero, a maioria do Sudeste.
Eu, como pesquisadora na área do corpo, também anseio em conhecer a produção de todas as partes do Brasil, assim como, proporcionar um espaço de exibição para os que trabalham com essa linguagem.
abraços,
espero poder ver e exibir seus video dança na II MOSTRA CURTA AUDIOVISUAL, as inscrições vão até dia 05 de Setembro.
infos.: http://www.mostracurta.art.br
Liana,
Gostei muito do seu artigo.
Se quiser me envie noticias do seu trabalho.
Um abraco,
Analivia.
Olá, queria acrescentar na sua lista de eventos de videodança, uma festival que está acontecendo pela primeira vez em recife e se encerra hoje. Chama-se Play Rec e é uma proposição do videasta oscar Malta. Estamso vivenciando um laboratório de videodança com dabçarinos videasta e com participação de Tatiana Gentile (rio) e Paula Retore (BH). Foram apresentados os videodanças do rumos 2007, vídeos da america do sul, The cost of living do DV8 e vídeos danças de diversos estados do brasil. Destaco também o vídeo “Hemacromatose”, do pernambucano Bruno César, que esté estreando nesse festival e é bastante bom. Está sendo ótimo e o debate se encaminha para uma articulação maior com a produção de audiovisual local.
parabéns pela matéria
como eu faço para colocar este videodança neste site?
Latão – Loucura como forma de sanidade (YouTube)
Um vídeo-dança experimental, uma performance para uma câmera de Super-8, uma coreografia onde o principal elemento é o ‘Latão’. O bailarino e coreógrafo Ary Coelho apresenta o polêmico e expressivo trabalho “Loucura como forma de sanidade” nos antigos armazéns do cais do porto de Porto Alegre. LATÃO …
http://www.youtube.com/watch?v=lxeFQUn5e14
Brief CV
Dancer and Choreographer Ary Coelho works since 1995 with choreographies in which seeks new ways of expression, using daily body actions as poetical language of dance.
In 2000, Ary Coelho was awarded the PRÊMIO AÇORIANOS for best dancer by his performance in “A + E = D” and “Náufragos em Manhattan” by the Porto Alegre City Hall.
Started his professional carreer at Ballet Teatro Guaíra, in Curitiba, as a classical dancer. Took classes with exponents of Contemporary Dance such as Ana Aulate (Madrid), Eneida Dreher, Frey Faust (USA), Dagmar Dorneles and Bill Young (USA). Entered the Canadian company Newton Moraes Dance Theatre in 2002, having performed presentations in Canada and Brazil.
Settled in Brasília in 2003 where he continued his work as a solo dancer. There he participated in Festival internacional da Nova Dança in 2003 and 2004.
Presented the spectacle “Destilando a Sensibilidade” at the Teatro Nacional Cláudio Santoro, Espaço Cultural Renato Russo and at the Espaço Quasar in Goânia.
Contact
Tel: 55 61- 33671132 61- 84782639.
Adress: SHIS, QI 28, conj. 11, casa 6.
Cep. 71.670-310. Brasilia- DF.
e-mail: ary_coelho@hotmail.com
Liana,
Agradeço imensamente sua presença aqui em Brasília.
Daqui da “periferia” vc informa nossa produção com maestria ao mundo.
Isso é de extrema impoirtância principalmente p nós fazedores.
E acrescentando força aos comentários feitos.
MAIS EDITAIS NACIONAIS PARA VIDEODANÇA!
Abraço de ursa,
Laura Virgínia
Parabéns pelo artigo, queridissima LIana. Muito importante debater este tema e torná-lo público e circulável. Em tempo, estamos juntando em um coletivo de videastas e coreógrafos afins de pensar a linguagem vinculada a um espaço maior de circulação e produção .Em breve, mais novidades.
Gostaria de agradecer a todos os comentários deixados aqui, tanto as sugestões e complementações de informações, quanto os elogios. É muito gratificante ver a circulação de conhecimento acontecer e poder contribuir para isso. Um abraço a todos.
Parabéns pelo acervo q vc já possui epelo dinamismo e divulgação q seu trabalho alcançou, Considero a videodança um veículo novo e inovador para consolidação da arte no ambiente educativo brasileiro. Estou começando um trabalho de produção de videodançajunto aos alunos das escolas públicas no Rio de Janeiro e eles estão achando interessantíssimo.
Abraços