Progressivamente, dos musicais de Hollywood a Embalos de sábado à noite e Flashdance, a dança vem ocupando um lugar singular na mídia. Basta puxar a memória e perceber que, nas últimas três décadas no Brasil, a cada ano, uma nova dança ganhou espaço na mídia: lambada, Macarena, Dança da garrafa, Dança da Lacraia, Ragatanga, Dança da motinho, Dança do Siri. Danças que tiveram seu sucesso impulsionado pela televisão. A mesma que tem investido na dança como tema de teledramaturgia: Dance, dance, dance. Mas não é só na TV que este fenômeno é visível. Um site da web ensina o internauta como se preparar, passo a passo, para o carnaval: queira ele dançar samba ou mesmo frevo. E, se ainda quiser, pode-se escolher a fantasia e curtir a dança no Second LIfe, sem suar a camiseta.
Este breve percurso permite notar que a mídia se coloca hoje como um novo referencial e um espaço privilegiado de circulação de muitas danças, muitas delas que não tinham visibilidade nesta proporção ou não eram experimentadas desta forma. Este fato merece uma reflexão cuidadosa para se pensar como o cenário midiático contemporâneo está estabelecendo novos usos, sentidos, práticas e pedagogias de dança. Processo que não está restrito à esfera simplesmente dos produtos midiáticos mostrarem e exibirem a dança, mas que implica também num novo jeito, numa nova e específica maneira de estabelecer a experiência dançante, borrando fronteiras, entre o local e o global, entre o dito erudito e popular.
Quando ouvimos, por exemplo, o trecho: “Quer dançar/ quer dançar/ o Tigrão vai te ensinar”, da música Cerol na mão, do Bonde do Tigrão,[1] percebemos que ele não faz referência a nenhuma academia de ensino de dança, escola ou instituição educacional, muito menos a qualquer conservatório de belas artes. O cenário no qual a lição de dança proclamada pelo refrão se desenvolve é a televisão, povoada pela coreografia do Bonde do Tigrão, no verão de 2001, que se espalhou de norte a sul do Brasil, fazendo com que o grupo vendesse mais de 300 mil cópias do seu primeiro CD homônimo.
Exemplo como este evidencia que uma nova configuração está se instituindo: as novas salas de aula para a dança são agora também os videoclipes e programas de auditório de televisão, bem como os sites, blogs e comunidades da internet ou os espaços dos jogos eletrônicos, como o Pump it Up, nos shoppings centers.
Um olhar atento percebe que este investimento da mídia na dança vem fazendo a indústria cinematográfica estar sendo pródiga nos últimos anos com títulos como Vem dançar (Take the Lead), Baila Comigo (Marilyn Hotchkiss’s Ballroom), Vamos todos dançar (Mad Hot Ballroom), Dançar – despertar de um desejo (Je ne Suis pas là pour Être Aimé), Dança – Hip-hop no Pedaço (You Got Served), Dança comigo? (Shall We Dance?), A última dança (One Last Dance). E a dança não está presente apenas nos filmes que tematizam centralmente a dança. É só nos lembrarmos de cenas marcantes, seja em Pulp Fiction – tempo de violência (com Uma Thurman e John Travolta embalados por You never can tell, de Chuck Berry), em A pequena Miss Sunshine (com uma garotinha que escandaliza um tradicional concurso com sua coreografia nada familiar) ou mesmo em Madagascar, que encerra colocando toda a fauna africana a dançar I like to move it.
E não pára por aí. A mídia já tem inclusive a sua própria história da dança, basta assistir a Evolution of dance, que está disponível no YouTube e conta com mais de 75 milhões de exibições, em um ano. Além disto, a mídia que criou o megasucesso High School Musical é também a que abre espaço para espetáculos diários, como o STV na dança, com espetáculos de companhias brasileiras, exibidos em horário nobre pela TV Cristal.
Ok. Podemos querer admitir que não somos obrigados a viajar por este planeta e que seguimos outras rotas? Podemos até tentar nos manter alheios, mas será que, de um jeito ou de outro, não acabamos por nos deparar com esta realidade? E que a ela fechar os olhos não a retira do mapa? Uma amiga defendeu-se, dizendo que não se sente afetada pela dança na mídia, pois nem tem televisão em casa. Mas, mesmo sem sentar em frente à telinha, reconhecia uma série de danças lançadas e popularizadas pela televisão e tinha opinião sobre vários filmes que abordavam a dança e se Rodrigo Hilbert (vencedor da ultima edição do Dança dos Famosos) era só bonitinho ou se sabia dançar mesmo.
Mesmo que você não aterrisse no planeta-mídia pode sentir a sua ressonância. O fenômeno da dança na mídia traz mudanças radicais ainda pouco compreendidas. Que corpos são estes apresentados dançando? Que diferenças nas práticas de dança passam a operar midiaticamente? Esta inserção está democratizando a dança? A dança está se homogeneizando em escala global ou se estão abrindo espaços para manifestação que estavam à margem? Estes discursos midiáticos estimulam a padronização e/ou a criatividade? Em que grau e medida? Há uma erotização exacerbada da dança na mídia ou pânico moral com as danças que passam a freqüentar a mídia? A dança está incentivando a liberação dos corpos e/ou o consumo desenfreado de danças? Prazer ou banalização? Mau gosto ou preconceito?
Há alguns anos, nossos avós aguardavam o final de semana que tinha baile, para dançarem e verem os outros dançar. Meus pais, na época de adolescentes, sintonizavam a eletrola para ouvir em casa as músicas que dançavam nas festas e treinar alguns passos. Hoje, vejo minhas sobrinhas ligarem a televisão e terem uma ampla gama de coreografias e não precisam esperar o final de semana para assistirem às danças e para dançarem, o “baile” pode ser ali, naquele momento. Se nossas mães também dançaram na sala na sua adolescência, elas não contavam com a possibilidade de acompanhar cada movimento à sua frente, nem de assistirem a esta coreografia quantas vezes quisessem. Elas tinham de contar com a memória e com um professor. E talvez mais radical do que isto, seja o fato de, além de tudo, ainda se poder colocar essas danças num YouTube, disponível aos quatro cantos do mundo ou aderir no Orkut a uma das milhares de comunidades que veneram ou odeiam dança, coreógrafos, companhias, coreografias ou que enfatizam aspectos desta arte.
O que se observa é a rápida e avassaladora constituição de um novo cenário para a dança que há quatro décadas não existia e que nos últimos anos tem se ampliado tanto na diversidade como na quantidade, trazendo um redesenho nas possibilidades de se vivenciar a dança. Fatores que a mídia produz e que estão promovendo outras relações do público com a dança na contemporaneidade.
Estas e outras questões merecem atenção (e leituras menos superficiais e precipitadas) para quem produz e ensina dança, para quem procura compreender as transformações e implicações que mídia passa a colocar em cena. Enfim, para que possamos transitar pela dança que faz o planeta balançar, e, desta forma, passa a (des)governar os corpos que dançam na cultura de hoje. (Des) governando, nem só para o mal, nem só para o bem, mas num processo ambivalente, complexo e multifacetado.
[1] Tigrão, apelido que significa o rei das gatinhas, é o apelido de Leandro Dionísio dos Santos Moraes, morador há 20 anos da Cidade de Deus, uma das regiões mais violentas do Rio. Ele lançou pela Sony Music, o CD Bonde do Tigrão, que traz além do sucesso homônimo, o hit Tchutchucas..
Port
Eng



Ola! Airton Tomazzoni, atento que você é um Ser Incomum, porque além de observar e instigar este lado intuitivo ´da dança que é umas das minhas caracteristicas predominantes, compreende-se que há uma busca incessante de transformação para sair do comum, e acabam se deparando no seu abismo primitivo. No entanto, a tal ascensão para um encontro de criações da sua própria essência, gera apenas em repetições. Quem sabe neste universo da dança poderá surgir essas conquistas de transformação criativa?!!!
é inegável que a presença da dança na tv e suas configurações suscitam muita discussão acerca da linguagem da dança. Seus textos Airton tem a função, para mim, como detonador dessas questões problemáticas que é o tema dança e televisão.
Abraço
Thalita
A idéia é esta, a de problematizar um tema que muitas vezes é tratado de maneira superficial e apressada, quando por sua complexidade e ambigüidade, exige mais do que respostas já “naturais” e imediatas.
Que venham novas contribuições!
abç
Fabia
Não gosto de pensar em “uma” essência, mas de muitas e modificáveis porções. Agora, gosto sim, das transformações criativas.
E obrigado pelo Ser Incomum, que talvez seja o desejo de navegar e compreender um pouco coisas tão comuns que acabam por ser desprezadas.
abç
Esse texto me faz refletir mais uma vez, em como lidar com a dança n mídia e a dança criativa. Uma vez que gostariamos que os alunos nas escolas criassem, sem que sejamos preconceituosos com a nossa realidade!
Digo, criar sem excluir e sem podar o que eles ja trazem!….o que eu acho, particulamente muito dificil! Pois existe um choque de idéias entre professsor e aluno e tb entre querer copiar e querer criar, pois o segundo da muito mais trabalho e eles nao querem trabalho….querem pronto! e o primeiro as vezes é dificil para o professor aceitar!
abraços.
Eduarda
Esse é o nosso grande desafio, poi snão há fórmulas nem receitas. É frente a este árduo cotidiano que temos de aprender a negociar, fazer pactos, acordos. O que exige dois lados dispostos a sentarem pra conversar e conviver. Não é fácil, mas com sensibilidade e bom senso, podemos ir inventando novos modos de lidar com tais questões!
abç
É incrível como na vida quando solucionamos um “problema” estamos criando uns três a mais, pois o que acontece hoje nas danças que assistimos pela televisão é a forma que as pessoas tem pra dizer: “Ei, estamos aqui….e também podemos fazer parte disso, afinal, a dança é para todos! Não é?! Para os gordinhos, velhinhos, baixos, altos, homens e mulheres, pobres e ricos”.
Nós é que fizemos a dança caminhar onde ela está no momento quando falamos em popularizar e em levar a dança às comunidades e não deixá-la apenas nos palcos dos grandes teatros, onde a elite é quem tem acesso. Isso é ruim? Talvez para alguns. Isso é um incômodo? Com certeza! Visto que, todos têm pensamentos e culturas diferentes, assim como não há comum acordo na política ou nos esportes, na dança não é diferente. O direito de “participar” realmente é de todos, o que não se sabe é se será uma forma de contribuição ou simplesmente mera apresentação pública como oportunidade de fazer sucesso e mostrar seu belo corpo….
Acho que o mais importante no momento é frisar a importância da pesquisa em dança, pois é também uma área de geração de conhecimento assim como várias outras! Essa é a parte mais difícil de se fazer entender e a mais “chata” para aqueles que, até então, aprenderam apenas a fazer exibicionismos.
Mas, que venham as diferentes criações…! Sejamos abertos e pacientes!
Aluna da Faculdade de Artes do Paraná – 4º ano.
Angelica
Fico super contente de podermos dialogar sobre o que esta temática levanta e outras que a ela se conectam. O importante é a gente poder problematizar as questões, buscando olhar suas mútliplas perspectivas e abordagens. O grande problema é o APENAS. Quando temos APENAS uma opção de olhar, entender e questionar as coisas!
Fico feliz de saber que problemáticas como essa são levantadas. Pois a duros golpes, nós, artistas da dança, visamos inserí-la na sociedade como manifestação artística, na tentativa de ocupar um espaço que hoje é amplamente dominado por um pseudo-movimento da dança na atualidade.
É extremamente inquietante saber da importância desse papel, pois a mídia faz seus “testes de laborátorio”, e desenvolve a fórmula mágica que subirá o Ibope.
Lendo um outro artigo essa semana, deparei-me com um depoimento do empresário Sílvio Santos dizendo que “temos que dar ao povo, o que o povo quer, se for samba, será samba, quem fala é o número”. Dessa forma, fica claro parecem mundos distintos……
De um lado um massa impulsionada por modismos da ‘dança’ televisiva, e de outro, artistas, pesquisadores, profissionais da arte.
E então me pergunto, que cenário é esse que se instalou, gerador de um abismo entre informação/arte e massa/mídia?
Apenas o que sei, é que o caminho da mudança é estreito, mas deve ser trilhado.
Parabéns pelo texto.
Abraço.
Esta questão permeia debates desde quando entrei na Faculdade. Me pergunto muitas vezes para quem fazemos arte e qual sua real função neste contexto que ela se insere. Me questiono o quanto somos egoístas e fazemos arte para artistas, ou para uma pequena elite intelectual que tem acesso as nossas produções.
Acredito seriamente no trabalho de Dança, nas pesquisas que vêm se desenvolvendo, nos debates, palestras, iniciativas diversas de trocas de informações. Penso que as faculdades estão fazendo seu papel, os fóruns, mas enfim aonde nos inserimos enquanto profissionais da dança neste mundo midiático.
Acho que nosso papel enquanto artistas, educadores, enfim formados de opinião, não pode ser o de negação e o de isolamento acreditando estar fora de um sistema apenas por não concordarmos com ele. Acabamos por reforçar uma postura quando viramos as costas ou saímos resmungando quando alguém nos pergunta: Ah, você trabalha com dança. Então deve estar adorando a dança dos famosos. Aquela máxima que arte ninguém entende acaba por vir a tona.
sei que realmente é profundamente triste quando o senso comum não faz idéia do que você realmente faz e toda esta reverberação que gera em termos de reconhecimento profissional.
Creio que devemos ter paciência repensar e acessibilizar nossos trabalhos, não apenas jogando-os em ambinetes populares mas tentando trazer este contexto para dentro do trabalho.
Sem que para isto precisemos banalizar nossa linguagem e praticamente torna-la legendada. tenho visto excelentes trabalhos com um aprofundamento de pesquisa que tem conseguido discutir, trazer informações e críticas de maneira envolvente porém simples.
Acho que é de nossa responsabilidade a formação de platéia e a construção do refinamento cultural, sei que nem toda arte é pra todos, como discuti estes dias entre colegas e professores e não é isto que espero, sinceremente. Até por que o juízo de gosto não é de nosso alcance.
Mas por que tantas pessoas são levadas a gostar do Bonde do tigrão. A mídia com seu forte interesse político e econômico, manipula as massa de uma maneira que chega a ser inacreditável, pessoas que julgamos ter maior acesso a informação e a serem privilegiadas dentro do nosso sistema educacional, não desenvolvem o menor senso crítico e ainda conseguem separar com um dualismo ultrapassado de que aquilo é diversão, entrtetenimento e não tem nenhum comprometimento intelectual.
Volto a me questionar sobre o nosso posicionamento enquanto função da arte neste contexto. Penso que temos co-resposabilidade neste processo. Procuro refletir diariariamente sobre exatamente o que fazer, mas como sabemos não há formúlas perfeitas.
Procuro transmitir nos pequenos atos, nas conversas “jogadas fora”, na explicação daquilo que nos parece obvio, na incersão em mundos quase alheios aos nossos, e tentar construir gradativamente em nossas produções e aulas. Confesso já ver repercussões ainda que tímidas.
Mas realmente pequenas defronte a mídia avassaladora, enfim não dá pra fingir que esta não existe, nem mesmo fazer com que desapareça. Acho que é reunir esforços, nos mantermos conscientes e integrados para que este sistema não se sobreponha sobre nós.
Realmente, a dificuldade da “Poção mágica”, do “feijão com arroz”, dá formula e da receita…
Dificuldade que o professor enfrenta enquanto a midia entrega pronto.
Cabe a nós nos adaptarmos com esses fatos e nao deixar de explorar os mesmos, pois, há movimentos riquissimos que nao podemos descartar.
Midia é um ótimo veiculo, cabe a nos sabe-lo usa-lo.
Concordo Plenamente com vc Professor.
Grande abraço!
Tali
Oi Profe!!
Este texto me chama atenção pelo rico pensamento que você expõem com clareza. Penso, até que ponto a mídia contribui para o enriquecimento da dança, (não somente na dança).Tudo hoje é movimento pela mídia, esta cada vez mais “prático” realizar atividades, pesquisas, informações, e até casamentos pela mídia, em fim, uma vasta série de conteúdos a nossa disposição fácilmente. Temos que ter conciência que tudo o que encontramos na mídia veio de alguém ou alguma coisa, de uma idéia ou pensamento que ali foi colocado para o mundo inteiro ter conhecimento de sua existência(acesso), não esta lá por acaso. Penso que a mídia tem enriquecido e nos fácilitado muito porém devemos ter conciência que o novo tem que ser “descoberto”, apreciado e dividido com cautela, clareza e responsábilidade para nos mantermos profissionais adequados para as futuras gerações colherem o que plantamos hoje.
Adorei e adoro sua coluna, seus texto sempre muito interessantes!!
Forte Abraços”"
Fabrine.
Aiton
Sobre uma certa pespectiva a dança na mídia “governa ou desgoverna nossas vida”, pois é só apertar um potão que lá esta a dança, sendo passa de forma muito popular, a todos os lares. O que eu faço com essas informações? É uma questão a ser muito discutida e pensada pelo professor de dança.
O recurso dança na mídia, está à mão de todas as famílias, podendo ser usado para “o bem ou para o mal”. O professor de dança deve ter um olhar filtrado, de acordo com suas vivencias, para melhor conduzir suas ações em dança, produzindo assim aprendizagem para o bem.
Não se pode negar que é uma grande força de ensinar através da mídia e nem ficar alheio a esse grande recurso que possui uma grande subjetivação de ligar professor/aluno.
Faço a todos um convite:
“Vamos dançar com a mídia nas aula de dança!”
Realmente a mídia tem sido um meio “poderoso” para a propagação e surgimento de diversas danças.
A dança está presente nos programas de auditório, telenovelas, filmes, shows, em inúmeros sites da internet onde disponibilizam vídeoclipes, videoaula de dança, entre outros.
E nós, professores de dança, devemos estar atentos a tudo isso, pois nossos alunos atualmente, são muito influenciados pela mídia e desta forma, precisamos saber utilizar bem este recurso que temos nas mãos.
Faz pouco tempo que presenciei a força que a mídia tem sobre as crianças. Sou professora de educação física em uma escola municipal de ensino fundamental incompleto de um bairro da minha cidade. Quando Michael Jackson morreu, não se falava sobre outra coisa: as crianças queriam escutar a música dele, dançar como ele, assistir aos videoclipes dele…. e assim foi por algumas semanas, até os noticiários não falarem mais sobre Michael Jackson.
Desta forma, percebendo que nossos alunos estão sendo influenciados e sempre muito ligados ao que a mídia traz, é necessário que nós, como professores de dança, artistas da dança, tenhamos um olhar atento e crítico a esse recurso, pois a mídia as vezes limita, aprisiona e padroniza os corpos, as danças, mas devemos utilizá-la como forma de abrir caminhos e ampliar conhecimentos.
Percebo que hoje o professor (de dança ou qualquer outra disciplina) está tendo que rever sua forma de ensinar. Nas escolas em que trabalho vejo as professoras de ciências elaborando folder com os alunos para trabalhar o assunto ” Febre Amarela”, professor de geografia elaborando vídeo no movie maker sobre países que estão estudando, e até mesmo os meus alunos de artes tiveram como tarefa avaliativa neste último trimestre elaborar um videoclip e criar uma foto-montagem. Acredito que nós professores vivenciamos na prática a influência da mídia sobre nossos alunos e como as colegas já citaram, cabe a nós a tarefa de utilizá-la de forma produtiva, criativa e educativa. Lidar com mídias é algo que atrai os alunos. O que é mais interessante, escrever a mão uma resenha sobre a história do balé ou fazer um power point ou vídeo sobre? Eu vejo um
leque de oportunidades quando o tema é este. É fato que a mídia a qual a maioria do nosso público ( aqui me refiro à nossos alunos, em especial de dança) tem acesso é a televisão, mais especificamente a rede de tv aberta. A mídia enfoca aquilo que lhe convém, já tivemos o sucesso do É o Tchan, Bonde do Tigrão, e nessas épocas praticamente era isso que se dançava, eu me interessei na dança através do É o Tchan, comecei dançando isto, mas tive oportunidade de conhecer coisas novas, que só fizeram eu me encantar mais ainda pela dança. O que parece a princípio algo nada produtivo, sem grande ”técnica” com um grande tom apelativo serviu de estímulo para me tornar o que sou hoje: professora de dança. Eis o nosso papel ao meu ver, não “combater” aquilo que está sendo vendido na mídia como bom, e sim de repente começar por ai se é isso que nossa clientela está desejando, está se interessando. A grande popolaridade do Michael Jackson entre as crianças , como a Pati descreveu, é algo surpreendente, outro resultado da influência da mídia. Isso é ruim? Por que eu não posso uzar isto de estímulo? Eu trabalho mais ou menos nesta linha, começo com aquilo que está latente nos meus alunos, e depois vou mostrando outras possibilidades dialogando aquele conhecimento vinculado na mídia com aquilo que eu tinha como proposta para a turma.
Continuando…
Concordo quando a Pati escreve que devemos estar atentos porque essa dança na mídia pode ser limitadora e padronizada. Se ficarmos só nos modismos beste ano praticamente só dançaríamos dança indiana e coreografias do Michael Jackson. Acho que já escrevi demais até, mas a idéia é essa uzar a mídia a nosso favor pois ela é um poderoso e democrático instrumento de ensino. Só sei que desde a criação do quadro “Danças dos Famosos” no Faustão, eu não páro de dar cursos de dança de salão, em especial quando o programa está no ar(temporada). E viva a mídia!!!
Bjus Airton… Saudades…
Concordo sem restrição nenhuma com teu texto, e permita-me comentá-lo sobre certas questões referentes a dança que nos é apresentada na mídia.
Com certeza em quase tudo que vimos, assistimos ou escutamos na mídia , em sua grande maioria, tem o acompanhamento de música e dança.
Quanto a dança apresentada na mídia a considero as vezes apelativa e banalizada. Para mim a dança para ser campeã de audiência não necessita de amostras de corpos quase nus, com movimentos que constrangem de certa forma alguns dos telespectadores. Lembro-me de minha infãncia onde o auge da dança na mídia eram as coreografias apresentadas pela XUXA, que bonito ver as crianças imitando as coreografias dela. Diferente disto considero as do Tigrão, boquinha da garrafa.. e os funkes em sua maioria. Porque não mostrar a técnica com letras apropriadas para o público? Já que sabemos que o que a mídia mostra , grande maioria do povo segue, principalmente em horário nobre? Será que a resposta seria? MAIS AUDIÊNCIA??
Não não somos obrigados a assistir o que consideramos inconveniente aos nossos olhos, mas isto acontece constantemente que as vezes até involuntariamente, cantamos ou dançamos o que nos é apresentado na mídia. Elogio a dança dos famosos apresentada na rede globo, que ainda é um dos poucos quadros de dança exibidos em programas de televisão que podemos assistir sem constrangimento, acompanhados por pais, filhos e avós.
Airton!
Hoje nao sabemos mais como seria viver sem a presenca da midia. Muito interessante tua reflexao da midia e danca. Quando li teu texto, lembrei de alguns episodios que aconteceram nas minhas aulas de educacao fisica na escola. A todo tempo os alunos usam expressoes, cantam estrofes de musicas, imitam movimentos que viram em algum programa de televisao. A novela Caminho das Indias trouxe uma influencia muito forte da danca indiana entre as criancas que agora “preferem” esse tipo de danca e se produzem imitando aquilo que assistiram.
A morte de Michael Jackson, reeascendeu a sua forma brilhante de dancar e interpretar entre as criancas e adolescentes na escola. Mesmo as criancas de hoje que nao conheciam o cantor passaram a imita-lo e reproduzir aquilo que viram na midia.
A influencia da midia na danca, musica, arte nao pode ser negada. Eu como professora busco refletir e me adaptar a essa realidade contemporanea no meu dia-a-dia como profissional. Cabe a nos, reconhecer e compreender as diversas culturas expostas nesse meio de comunicacao e escolhermos aquilo que nos agrada ou nao.
Parabens Airton,
Abraco, Guta
o texto aborda sobre a influência que a midia tem sobre a dança, a dança que se torna moda, mais precisamente. Vários filmes, músicas, séries, desenhos animados, programas de auditório, são usados como espaço para a dança ficar em evidência. Hoje, esse espaço nos possibilita vivenciar a dança sem sair de casa, mas também trás questionamentos e mudanças de pensamento.
Como professores de dança, penso, que devemos estar mais atentos as possibilidades de usar a mídia como nossa aliada, observando suas contribuições, ajudando nossos alunos a questionarem “as danças” que estão na mídia. A partir dai poderemos auxiliá-los aida mais em suas criações, explorações, fazendo-os perceber suas limitações e como avançá-las.
Entendo que a mídia se torna um recurso importantíssimo nos dias atuais, porém se não soubermos como aproveitá-lo, de nada nos servirá.
beijos saudades de suas aulas e de nossos debates…
No mundo contemporâneo relações mais diretas entre dança e sociedade são extremamente importantes e necessárias. Não podemos mais ignorar o fato de que a dança vem ganhando cada vez mais notoriedade na mídia. Este não é ( e nem deve ser) o único espaço para divulgar a dança, mas sem dúvida, é um espaço privilegiado para que isto aconteça. na minha opinião o texto faz uma reflexão sobre esta temática promovendo um entendimento crítico e coerente sobre a mesma, analisando suas significações, complexidades e sutilezas. Acredito ser de fundamental importância ampliar e aprofundar discussões sobre mídia e dança, a fim de produzir um outro tipo de entendimento para esta questão. Partindo da leitura do texto, procurei analisar as relações que estes aspectos produzem na minha vida pessoal, cultural e profissional, no sentido de trazer novas perspectivas para meu entendimento sobre dança, mídia e sociedade.
Graças a popularização da dança na mídia cada vez mais temos um contato maior com variados tipos de dança. Na televisão percebemos que em muitos programas em especial os de auditório muitas vezes a dança acaba sendo mostrada de forma mais banalizada, apelativa, com grande apelo sexual tantos nos movimentos como nos figurinos, mas ao mesmo tempo nos deparamos com programa como a Dança dos Famosos, onde acompanhamos a evolução de artistas no trabalho com dança, muitas vezes até parece um convite: Venha dançar você também! Na internet encontramos de tudo, tudo mesmo, desde balé até samba e danças inventadas na sala. É um material rico a ser explorado, e cabe a nós professores propor estratégias de exploração para utiliza-los em nossas aulas e conhecer e criar danças.