No dia 4 de maio, o jornalista Artur Xexéo, colunista e editor do Segundo Caderno do jornal O GLOBO, escreveu em sua coluna um comentário sobre a dança contemporânea. Desde segunda-feira, o idança recebeu centenas de e-mails comentando o assunto e propondo a articulação de uma carta aberta ao jornal com assinaturas de diversos nomes da arte contemporânea brasileira. Alguns pediam para os artistas e produtores repassarem a carta aos diretores do jornal, outros apenas comentavam a coluna. Na quinta-feira, recebemos uma carta assinada por dezenas de artistas brasileiros e que foi enviada à redação do GLOBO. A lista foi sendo atualizada e a versão que recebemos na tarde desta sexta-feira (09/05) segue abaixo e tem 135 nomes. Enviamos a carta aberta ao jornalista para que ele pudesse enviar sua réplica. O email com a sua resposta está reproduzido na seqüência. Como o portal idança.net é citado na resposta enviada por Artur Xexéo, em seguida publicamos a carta da editora do idança.net, Nayse López, em resposta. Os demais artistas citados no texto do colunista e editor do Segundo Caderno responderão individualmente. A coluna em questão não se encontra disponível num link direto da versão online do jornal, mas pode ser localizada na busca grátis dos últimos 7 dias do GLOBO em www.oglobo.com.br, até sábado (10/05) e circula em emails na internet.
Abaixo, a carta da dança enviada ao jornal O GLOBO:
“Lamentável
Em sua coluna do último domingo, na Revista O Globo, Artur Xexéo tratou de forma leviana questões importantes para a dança e a arte contemporâneas e um de seus principais instrumentos de fomento e apresentação, o Espaço SESC.O jornalista reduz a diversidade e a qualidade da produção da dança contemporânea carioca a uma série de clichês, revelando o seu imenso desconhecimento sobre o assunto.É preocupante que uma visão tão preconceituosa e obscurantista possa estar na base da linha editorial do Segundo Caderno do jornal O Globo, do qual o colunista é também o editor. Isto é, sem dúvida, incompatível com uma empresa jornalística contemporânea e um desserviço aos leitores de um dos maiores jornais do país.
Assinam esta carta:
1. Adriana Banana – diretora artística FID-Fórum Internacional de Dança (BH), vice-presidente Associação Dança Minas, Diretora artística Clube Ur=H0r
2. Alex Cassal – Ator e Diretor/RJ
3. Alex Neoral _Bailarino e Coreógrafo/RJ
4. Alexandre Rudáh – Ator
5. Ana Andréia – Bailarina e Coreógrafa/RJ
6. Ana Paula Kamozaki – Bailarino/Coletivo O 12 / SP
7. Andréa Bardawil Campos – Coreógrafa /CE
8. Andréa Bergallo – bailarina e coreografa/RJ
9. Andréa Sales – Prodança
10. Ariadne Felipe
11. Ariane Sampaio- Bailarino/Coletivo O 12/SP
12. Arthur Coutinho Moreau
13. Bibiana de Sá – Doutoranda em Comunicação e Cultura – ECO – UFRJ/Mestre em Ciência da Arte/ UFF
14. Bruna de Menezes Bizzotto
15. Bruna Ribeiro Lopes De Rose Souza -Bailarina
16. Calixto Neto – Bailarino/PE
17. Carla Reichelt – Bailarina/RJ
18. Carol Pires – Bailarina/RJ
19. Carolina Campos – bailarina
20. Celso Curi /SP
21. Charles Watson – artista plástico/RJ
22. Christiane Jatahy – diretora de teatro/RJ
23. Christine Greiner – Professora da PUC-SP
24. Claudia Consolaro Valente
25. Claudia Mele – Bailarina e Coreógrafa/RJ
26. Cláudio Lacerda – Bailarino e Coreógrafo/RJ
27. Cristian Duarte – Bailarino e Coreógrafo/SP
28. Cynthia Garcia29. Dani Lima – Bailarina e Coreógrafa/RJ
30. Daniela Visco /RJ
31. David Linhares -Diretor da Bienal Internacional de Dança do Estado do Ceará/CE
32. Denise Stutz – Bailarina e Coreógrafa/RJ
33. Diana De Rose – bailarina/RJ
34. Diana Rodrigues Nassif – produtora musical
35. Edney D’Conti – Bailarina
36. Eduardo Bonito – Diretor do festival Panorama de Dança/RJ
37. Eduardo Fukushima
38. Elisa Lemos – Bailarina
39. Elisa Parente de Oliveira
40. Ellen Prado
41. Esther Weitzman – Bailarina, Coreógrafa e Professora de Dança/RJ
42. Fabio Ferreira – diretor de teatro, autor e curador/RJ
43. Felipe Rocha – Ator/RJ
44. Flavia Cândida – produtora/RJ
45. Franz Manata – artista plástico e curador/RJ
46. Gijs Andriessen – Videomaker/RJ
47. Guilherme Santos – Bailarino/Coletivo O 12/SP
48. Gustavo Ciriaco – bailarino e coreografo/RJ
49. Heber Stalin – coreografo /CE
50. Helena Bastos – bailarina e coreografa/SP
51. Helena Katz – Professora universitária e Crítica de dança/SP
52. Iara Cerqueira- Bailarina e Coreógrafa/BA
53. sabel Stewart – Bailarina/RJ
54. Isabel Tornaghi – Bailarina
55. Ivana Mena Barreto – Coreógrafa/RJ
56. Jacqueline de Castro – Produtora/MG
57. João Paulo Gross – bailarino/RJ
58. João Saldanha – coreógrafo/RJ
59. Joelsson Gusson – Ator e Diretor/RJ
60. José Renato Fonseca de Almeida
61. Joubert Arrais – jornalista, crítico de dança (CE) e mestrando em Dança pelo PPGDanca/UFBA
62. Juliana M Gago
63. Juliana Medeiros dos Santos
64. Keyla Pitanga Monadjemi/MG
65. Lara Pinheiro – Bailarina e Coreógrafa/SP
66. Laura Samy de Castro – Bailarina/RJ
67. Leidson Ferraz Ator, jornalista, pesquisador teatral e um apreciador da Dança (Recife/PE)
68. Leo Nabuco – Bailarino/RJ
69. Lia Rodrigues – Coreógrafa/RJ
70. Lidi Domingues – Bailarino/Coletivo O 12/SP
71. Lidia C. Larangeira
72. Ligia Veiga e Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades/RJ
73. Lucas Amorim – Bailarino/Coletivo O 12/SP
74. Lúcia Floriano – Bailarino/Coletivo O 12/SP
75. Maercio Maia – Bailarino/SP
76. Marcela Donato – Bailarina/RJ
77. Marcela Levi – Coreógrafa/RJ
78. Marcellus Ferreira – Bailarino e Coreógrafo/RJ
79. Marcelo Braga – Bailarino/RJ
80. Marcelo Olinto – Ator e Figurinista/RJ
81. Marcia Milhazes – Bailarina e Coreógrafa/RJ
82. Marcia Rubin – Bailarina e Coreógrafa/RJ
83. Margô Assis – Bailarina e Coreógrafa/MG
84. Mari Mendes – Bailarino/Coletivo O 12/SP
85. Maria Alice Silvério Lima/RJ
86. Marília Albornoz/RJ
87. Marise Reis – Professora de Dança/RJ
88. Marise Siqueira – Bailarina e Advogada/RS
89. Marta Moura – Bailarina/ Professora
90. Matias Marcier – arquiteto/RJ
91. Mônica Mion
92. Mônica Rêgo Maciel – Arte-educadora
93. Nayse Lopez – jornalista, editora do portal www.idanca.net e diretora do Festival Panorama de Dança/RJ
94. Neide Neves/SP
95. Nirvana Marinho – Artista da dança/SP, Doutora em comunicação e semiótica, educadora e cidadã
96. Patricia Barbara – produtora e performer/RJ
97. Paulo Caldas – Bailarino e Coreógrafo/RJ
98. Paulo Marques – Professor de Dança/RJ
99. Preta Ribeiro – Bailarino/Coletivo O 12/SP
100. Rafael Bricoli – Bailarino/Coletivo O 12/SP
101. Raquel Karro – Atriz
102. Renata Reinheimer – Bailarina/RJ
103. Renato Cruz – Bailarino e Professor de dança/RJ
104. Renato Vieira- coreógrafo /RJ
105. Ricardo Basbaum – Artista Plástico/RJ
106. Rita de Cassia Ribeiro Lopes De Rose Souza – Bailarina/RJ
107. Roberta Repetto – Bailarina
108. Rodrigo Maia Barbosa Lima – Bailarino/RJ
109. Sandra Corradini
110. Sandro Amaral – produtor/RJ
111. Sandro Borelli – bailarino e coreografo/SP
112. Sara Calaza – Produtora Cultural/RJ
113. Silvia Rinaldi – Psicóloga
114. Simone Mello
115. Sofia Carvalhosa / assessora de imprensa/ SP
116. Sonja Gradel – Produtora Cultural/RJ
117. Stella Rabello – Atriz
118. Suzana Beiersdorff Bayona
119. Suzana Moraes – Física
120. Talitha Mesquita – Pesquisadora e Bailarina/ campinas,SP
121. Tati Almeida – Bailarino/Coletivo O 12/SP
122. Thaís Gonçalves – pesquisadora em dança, bacharel e licenciada em Dança/UNICAMP, jornalista/SP
123. Thatiane Paiva de Miranda – professora, revisora e bailarina contemporânea
124. Thereza Rocha -Pesquisadora e professora /RJ
125. Thiago Alixandre – Bailarino/Coletivo O 12/SP
126. Thiago Granato – bailarino e coreografo/RJ
127. Thiane Lavrador
128. Tony Hewerton – Bailarina
129. Valéria Martins – empresária e produtora cultural/RJ
130. Valeria Pinheiro – Coreógrafa/Fortaleza/CE
131. Verusya Correia – bailarina e coreografa/RJ
132. Wagner Carvalho – Diretor do Festival Internacional de Dança Move Berlim/Alemanha
133. Wagner Schwartz _Bailarino e Coreógrafo/MG
134. Wilhelm Araújo da Silva
135. Zeca Assumpção – músico/RJ
O email do colunista e editor do Segundo Caderno, Artur Xexéo, enviado à redação do idança em resposta à carta da dança:
Olá, Isabella
Que bom que você ganhou mais tempo, né? O tempo é o senhor da razão.
Mas vamos lá: é claro que eu não imaginava que o mundo da dança contemporânea fosse festejar a minha coluna. Mas confesso que fiquei surpreso com a carta aberta/abaixo assinado. São muitos signatários mesmo, não? Contei 119. Você já tem uma lista mais atualizada? É natural que eles tenham feito um movimento pela internet. Afinal, se fossem se manifestar, por exemplo, num encontro físico, todos juntos não caberiam na Sala Multiuso do Espaço Sesc.
Fiquei em dúvida apenas em relação a serem “nomes importantes” como você disse. São mesmo? Talvez eles tenham razão quanto ao meu “imenso desconhecimento sobre o assunto”, mas realmente não sei quem são Ariadne Felipe, Cynthia Garcia, Ellen Prado. Talvez sejam tão importantes que tenham imaginado que não precisavam se apresentar como o videomaker Gijs Andriessen, a professora de dança Marise Reis e a arte-educadora Mônica Rêgo Maciel. Esses eu também não conheço, mas, pelo menos, já sei o que eles fazem.
Por que eu fiquei surpreso? Porque, resumindo o conteúdo da carta aberta, o que os signatários querem é a minha demissão. Por isso, a carta é encaminhada também a diretores do Globo. E, como você já viu naquele e-mail anônimo, que recomenda que todos os signatários mandem a carta “para o diretor de O Globo”(…) “para que esta ação tenha o máximo de eficácia”, não estamos falando de uma simples carta aberta ou de um abaixo-assinado. É uma ação. Qual seria o resultado da eficácia?
Enfim, só para usar mais um clichê, hábito de que sou acusado pelos signatários, quem está na chuva é para se molhar. A única coisa que me incomodou na “ação” dos 119 signatários foi a associação de meu trabalho como colunista ao de meu trabalho como editor. Está lá no texto dirigido aos diretores de O Globo: “É preocupante que uma visão tão preconceituosa e obscurantista possa estar à base da linha editorial do Segundo Caderno(…) Isso é incompatível com uma empresa jornalística contemporânea e um desserviço aos leitores de um dos maiores jornais do país”. Sempre me preocupei em separar os dois trabalhos. E acho que isso é bem possível. Quer ver como é possível? Não conhecia o idança.net, mas imagino que seja importante pois já vi que é patrocinado pela Petrobras. Aí mesmo, na redação do idança.net, você tem o exemplo de uma experiência bem-sucedida na mesma questão. A editora do site ainda é a Nayse Lopes, não é? Nayse é minha velha companheira de bons tempos no JB, sempre na corda bamba tentando se equilibrar entre o jornalismo imparcial e seus interesses particulares na área da dança. Nayse é uma das signatárias da carta aberta. Ao mesmo tempo, pediu para você me procurar (Ela pediu, né? Editores fazem isso) para a matéria ser “imparcial”, “ouvir o outro lado”. Viu como dá para separar as duas coisas? Nayse também quer a minha demissão e, ao mesmo tempo, quer me ouvir em nome da imparcialidade.
Alguns nomes na lista me surpreenderam muito. João Saldanha, por exemplo. Os trabalhos de João Saldanha são sempre tratados com destaque pelo Segundo Caderno. Ele já foi até capa, e você não imagina como uma capa do Segundo Caderno é cobiçada no mundo artístico carioca. Suas coreografias são sempre anunciadas aqui. Seus trabalhos sempre recebem críticas positivas. Por mais de uma vez ele esteve na nossa lista de melhores do ano. Será que ele imagina que o editor não tem nada a ver com isso? Ou será que ele consegue esse destaque porque o editor é “preconceituoso e obscurantista”? Espero que, se a “ação” da qual faz parte João Saldanha for bem sucedida, o próximo editor seja também preconceituoso e osbcurantista para que seus trabalhos continuem aparecendo no Segundo Caderno, como ele merece.
Assim como o de João Saldanha, os nome de Dani Lima, Esther Weitzman, Renato Vieira… Bem, o nome de Renato Vieira aparece duas vezes na lista. Talvez esteja certo. Ele vale mesmo por dois. Enfim, são nomes que também me surpreendem. São freqüentadores assíduos do Segundo Caderno. O preconceito e o obscurantismo do editor deve ser o culpado disso. Talvez eu tenha que rever meus critérios.
É isso, Isabella. Se a ação de Nayse, João Saldanha, Dani Lima, Esther Weitzman, Renato Vieira e dos outros 113 signatários (a soma dá 118 e não 119, mas lembre-se que o nome de Renato Vieira aparece duas vezes) der certo, talvez não tenhamos outra oportunidade de continuarmos dialogando. Sem a coluna e o cargo de editor no Globo, não vou mais interessar ao idança.net, não é mesmo? Por isso, desde já, desejo muita sorte na sua carreira, mande um abraço para a Nayse e transmita a todos os signatários que a procurarem que continuo torcendo para que a Petrobras, o BNDES, o Sesc, a prefeitura e o governo continuem patrocinando companhias de dança, festivais de dança e, por que não?, sites de dança. Assim, só eu fico desempregado.
Boa sorte
Artur Xexéo
P.S.: Em nenhum momento da minha coluna tratei de forma leviana, como fui acusado, o Espaço Sesc. Apenas localizei onde se apresentavam os grupos a que me referia. Respeito tanto o Sesc que, como editor do Segundo Caderno, fui o responsável pela indicação de Bia Radunsky ao prêmio Faz Diferença aqui do Globo. Sei lá, terá sido mais uma demonstração de meu preconceito e obscurantismo?
P.S.2: Peço licença a você para transmitir este e-mail também para Nani Rubin e os diretores do Globo. É uma maneira de eu dar uma resposta a eles, já que também receberam a carta aberta/abaixo-assinado. Assim, poupo o meu tempo que, a partir de agora, deve ser dedicado às edições de fim de semana do Segundo Caderno. Bem, ainda sou editor do Segundo Caderno. Por enquanto…
P.S.3: Não sei se você está fazendo uma reportagem investigativa, mas se descobrir o autor da carta aberta, por favor, chame a atenção dele para alguns erros de português no texto. Ele tem o péssimo hábito de não acentuar palavras proparoxítonas, como “dúvida” e “jornalística”. Se ele continuar arregimentando assinaturas, é bom que, pelo menos, apresente uma carta correta gramaticalmente. Também seria bom se ele pusesse acento em país e se, em vez de escrever “possa estar à base”, escrevesse “possa estar na base”. Este último erro provoca uma leitura equivocada.
A resposta da editora do idanca.net, Nayse López:
Oi Artur
A Isabella, repórter do idança, me encaminhou a sua mensagem. Como copiou estes destinatários, tomo a liberdade de incluí-los nesta resposta. Ela será publicada, junto com a sua e a carta original, no www.idanca.net esta noite. Qualquer incorreção, por favor entre em contato.
É evidente que a repórter do portal que eu edito escreveu a você sob minha orientação. Aprendi com grandes jornalistas que tive como chefe no começo da minha carreira, como você, que sempre se ouve o outro lado. Não importando se é um pequeno portal especializado que é lido por 20 mil pessoas por mês ou o Segundo Caderno.
Seu email fala de uma ação, no sentido de conspiração, envolvendo meu nome. Esta me pegou mesmo. Não escrevi a carta, apenas a enviei, como todos os demais artistas, jornalistas e produtores do Brasil que concordaram que o tom da sua coluna atingia de modo duro uma forma de arte que eu, pelo menos, considero muito importante. Não sei se você se lembra, mas foi sob sua chefia no JB que me tornei crítica de dança.
Evidente que co-assinei a carta aberta. Sou curadora e diretora artística de um dos maiores festivais de dança dita de vanguarda, que pessoas mais antigas chamam de “cabeça”, aquela que às vezes não tem música. Para fazer o festival usamos verbas públicas e privadas e se estou capacitada a gerir estas verbas e fazer escolhas curatoriais para oferecer aos mais de 10 mil cariocas que freqüentam cada edição do Panorama, tenho que dar a cara a tapa quando a forma de arte que difundimos é tratada como piada.
Como é natural num fato jornalístico do tamanho do Panorama, sempre fomos muito bem cobertos pelo Segundo Caderno. No ano passado, tivemos inclusive uma capa. Diferentemente da Isabella, que esta começando aqui no idança sua carreira como repórter, eu fiz muitas capas do Segundo Caderno e sei muito bem como uma capa é cobiçada no mundo artístico carioca.
Você não tem, claro, nenhuma razão para saber que o idança existe, então vou só te explicar que o idanca não sou eu, é um projeto que envolve pessoas de vários estados há cinco anos, e onde minhas posições pessoais são em muitas vezes conflitantes com os artigos publicados. Meu trabalho neste caso é mesmo de edição e coordenação, não de colunista de opinião.
Então queria dizer que não participei de nenhuma ação para prejudicar você ou seu emprego, como você vai se dar conta certamente quando o tempo passar. Participei, sim, como jornalista e cidadã, de uma ação de resposta a algo com que não concordo.
Para terminar, queria só esclarecer uma coisa. Se entendi bem, você faz uma ironia sobre eu estar “na corda bamba” tentando me equilibrar entre o jornalismo imparcial e meus “interesses particulares na área da dança” . Que interesses seriam estes, Chefe?
Recebo pagamento pelo trabalho que exerço nos projetos aos quais sou ligada na dança, certamente. Mas minha família não tem artistas e meu marido trabalha em cinema e nunca esteve, portanto, ligado a nenhuma companhia de dança da cidade. Não entendi.
Mas entendo bem o que você diz sobre se equilibrar em varias atividades. Cada um traça uma linha para que estas vidas não colidam além do necessário. No meu caso, desde que passei a ser curadora, parei de escrever comentários críticos sobre a dança na imprensa brasileira. Não sei se foi suficiente, foi a minha solução. Os demais citados na sua resposta espero que se sintam à vontade de se comunicar diretamente com você.
Um beijo de quem guarda ótimas lembranças
Nayse Lopez
PS. Por causa de meus interesses na dança, sou obrigada a ver mais de 100 espetáculos por ano. E posso te garantir que se a maioria fosse como você descreveu, eu fazia igualzinho a você e ficava em casa vendo a novela.
Port
Eng



Com permissão à minha palavra senhor, mas primeiramente são extremamente absurdas e assustadoras suas palavras e suas idéias sobre DANÇA CONTEMPORÂNEA, me assusto com a tamanha ingenuidade e ignorância sobre o assunto e muito me admira a coragem não sua, mas a do jornal O GLOBO ter em sua equipe de trabalho, alguém tão equivocado como o senhor, eu entendo que gente como o senhor tem de monte por aí, mas um dos maiores jornais do país deveria ser um pouquinho mais responsável com o que publica.
Desculpe-me viu, mas “se oriente rapaz”!!!!!!
Endossar o pensamento capitalista, sensacionalista, clichê, asqueroso, peçonhento e leviano da dança contemporânea carioca é fácil, a cia Débora Colker lota mesmo o municipal, assim como o Cirque du Soleil lota suas tentas, assim como a Dysnei deve estar lotada todos os dias, assim como o axé e o funk lota as praças públicas, se este é o teor de sua avaliação penso que deveria elogiar em suas críticas a novela das oito, ela lota salas em todo o país todos os dias olha só que Excelência!!!!
A propósito a matéria é meio confusa, a manchete é “A Dança Contenporânea”, mas o senhor fala de grupos e cias modernas o tempo todo, o senhor sabe qual é a diferença entre esses termos, épocas e essas técnicas? Pergunto só para garantir que amanhã o senhor não veja o Bolshoi lotando o municipal e publique no O Globo que está satisfeito porque viu um Balé contemporâneo muito bom.
LAMENTÁVEL.
Thiago Alixandre
Primeiramente, gostaria de elogiar o site IDança, que mais uma vez se mostrou extremamente preocupado com os artistas e com todas as pessoas que assinaram a carta, mostrando o que realmente acontece: uma ação tão grande quanto a reunião de 100, 119, 135 assinaturas, enfim, não poderia ficar mesmo somente na caixa de entrada de e-mails do editor/ colunista do jornal O GLOBO.
Arthur Xexéo mostra mais uma vez, na minha opinião, uma certa falta de cuidado, educação e inteligência ao desviar do assunto que é o foco principal de toda essa ação (a maneira SIM leviana como ele tratou o Espaço SESC, artistas cariocas, companhias cariocas, e a dança contemporânea) e partir para pequenos e disfarçados ataques, como citar nomes de pessoas que não identificaram quem são, minimizar absurdamente a questão ao ficar lembrando quem já foi ou não capa no Segundo Caderno, perder ou não o emprego e dizer que as pessoas não acentuaram corretamente todas as palavras.
(Amigos artistas, me perdoem, eu li a carta, mas minha indignação era TANTA que mal pude prestar atenção na falta do acento agudo na palavra jornalística)
Gostaria ainda de pedir, claro, se Arthur Xexéo passar aqui para dar uma olhada em todas essas reverberações: não minimize e menospreze novamente as ações e os artistas do Rio. Estou bem longe da cidade e mesmo assim me senti profundamente atingida com todos os seus pensamentos equivocados e tão mesquinhamente reforçados na sua réplica.
Começar a carta com LAMENTÁVEL ainda é muito pouco.
Ah, gente! Tem que comentar ainda? Me poupe… Xexéo, pseudo-intelectual, vai conhecer um pouco mais de arte e dança. Dança Contemporânea é pesquisa; não tem a codificação do Balé Clássico. E se nomes famosos fossem mais importantes que aqueles que pesquisam, seriam mais importantes celebridades de 15 minutos de fama que grandes artistas e estudiosos das artes, por menos conhecidos que sejam!
Admiro muito o trabalho dos artistas citados e suas propostas. Mas daí a excluir outras pessoas que estudam, pesquisam e produzem Dança, só se conseguir se justificar. Sua coluna não tem embasamento. É coisa de gente leiga, e o pior, gente leiga que tem acesso à informação e a ignora.
Me desculpa. Mas reveja seus conceitos sobre Dança Contemporânea ou guarde seus comentários para uma mesa de bar, por favor!
Um lembrete para a comunidade: este espaço é para comentar os pontos levantados pelos textos, não para ataques pessoais. Qualquer desrespeito aos envolvidos será retirado do site.
obrigada.
Artur Xexéo,para defender um artísta ,vc bem sabe ,não é preciso atacar outros artístas, por mais que eles tenham como referência comum a dança.Também fico ofendido quando um crítico usa e abusa de adjetivos para tentar decifrar as escolhas de um criador e desvia completamente dos tais apontamentos que, supostamente um crítico deve fazer.A liberdade artística deve ser respeitada e acima de tudo o próprio artísta ,de preferência de forma não comparativa devido a tamanha diversidade de idéias e pensamentos que o mundo comporta.Justamente porque na tal lista os nomes não eram muito conhecidos ,pensei que seria importante dar uma força(pelo visto sou muito conhecido já que sou citado em sua carta inumeras vezes) e assim o fiz ,mas em momento algum pedindo a sua cabeça ao seu chefe(patrão).Quanto a questão do EspaçoSesc ,tem sido um lugar muito importante para a criação pois oferece espaço para ensaios,uma programação diversa com espetáculos,residências para coreógrafos ,oficinas e ainda um circuito pelo Estado do Rio, ainda que suas instalações sejam pequenas para tantas ações.Resumindo, o Sesc assumiu o que os governos estadual,municipal e federal não se prontificaram a fazer pela dança carioca(Leia-se Bia Radunsky merecidamente indicada por vc para o Faz diferença).No mais ,também torço para que tenha mais dinheiro para a arte contemporânea pois só assim ela terá o espaço merecido nas primeiras páginas dos cadernos de cultura e consequentemente reconhecimento do público e quem sabe de editores com o seu senso de humor.Um abraço,João Saldanha
Acho que nesse momento não adianta querer ser ácido e/ou irônico como sempre foi, Xexéo não pode e nem deve pedir desculpas pela sua opinião (afinal ele opina leigamente e gosto é algo indíscutível, se ele gostou de “Cruel” é um direito que o assiste), mas creio que deva dizer que em alguns momentos errou na mão em sua sua coluna, que se retrata perante os artistas da área de dança e inclusive seria interessante se dispor a assistir mais espetáculos sem pré-conceito, aproveitando o ensejo os donos de Cias poderiam convidá-lo a ver seus trabalhos no dia-a-dia pra que ele saiba que cia carioca não se forma só quando tem estréia.
Creio portanto que Xexéo não deveria se surpreender com algumas assinaturas, como por exepmlo do João Saldanha, só porque em outros momentos ele foi capa, pois afinal quando em seu texto fala em cias cariocas está colocando todos(as) no lixo, no mesmo saco de gatos, generalizações nunca são interessantes, nada é planificado.
Comentando sobre o assunto:
escrevi um e-mail para o xexeu dizendo-lhe que esta perdendo tempo com este assunto,o que os dançarinos contemporâneos queriam realmente era notoriedade,e conseguiram; sou diplomada pela faculdade de dança contemporânea da U.f.Ba; e concordo com a matéria,tanto que fixei na escola em que ensino ballet clássico e dança contemporânea o texto escrito por ele.
Como em toda democracia todos têm o direito de expressar a sua opinião eu afirmo mais uma vez: são poucas,na verdade conta-se nos dedos as companhias de dança contemporânea brasileiras que devemos perder tempo assistindo:não vou sitar nomes,apenas afirmo que residindo no rio de Janeiro ha oito anos,poucas vezes ví companhias de dança contemporânea dignas de um ingresso pago por mim. Podem jogar pedras no que vou falar,mas não é a toa que apenas o grupo corpo e a companhia de Deborah Colker,companhia do teatro Castro Alves são reconhecidas internacionalmente.
Afirmo: não é possivel colocar um espetáculo de dança contemporânea no palco sem que seus dançarinos ou bailarinos pratiquem uma técnica de dança. do contrário o que assistiremos será semptre uma babosei sem nexo nem qualidade. Dança contemporânea não é fazer movimentos sem uma objetividade,não é ficar a olhar não sei o que no espaço,não é mexer apenas os dedos e dizer que esta fazendo um trabalho coreográfico. a dança contemporânea necessita de estudo do espaço cênico,impulso,equilíbrio e desequilíbrio,muito trabalho técnico e expressivo. Cito como exemplo os trabalhos maravilhosos de Pina Bausch; para voces ela trabalha sem o uso da técnica fisica e de expressividade? então continuem a arrastar-se pelo chão,lambuzar-se de qualquer coisa e contorcer-se desesperadamente sem um objetivo. isto não é dança contemporânea, e sim leigos ou pseudo profissionais que insistem em descrever-se como dançarinos contemporâneos.
Congratulações a companhia de Renato Vieira, já assisti e gostei muito.
A resposta da Naise teve uma resposta imediata do Artur. Por que também não está publicada aqui?
Bem, o que dizer de um comentário feito em um dos maiores jornais do país. Vamos lá!
Sobre dança contemporânea, o debate que se tem visto nos últimos anos compõe um imenso arquivo de percepções e interpretações de tal pensamento em dança. Isso nos leva a busca por novos caminhos que fortalecem este nosso pensamento. Ficamos assim confortados para a pesquisa de como estruturar esta caminho.
Realmente percebo o excesso de propostas de dança contemporânea no país e em especial no Rio de Janeiro, mas penso também que este excesso é saudável para a dança carioca e brasileira uma vez que não ficamos reféns de um grupo de propostas. Disso, surgem inúmeros artistas e quiçá propostas coreográficas maravilhosas ou não. Mas qual o problema?
Sobre o comentário de Artur Xexéo, percebo sim certa parcialidade, mas não há problema algum. O que me choca é perceber que ainda falta certo cuidado ao falar desta dança que aparentemente está estruturada em formas e receitas, mas que permanece ativa com pesquisas tanto textuais quanto físicas. Para mim o maravilhoso está aí, poder propor questionamentos que poderão ajudar não somente o artista, mas a própria dança contemporânea nas suas respostas.
Sobre estas pesquisas gostaria de destacar o não movimento mencionado no texto de Artur Xexéo. O que seria o não movimento? E por que ele não é configurado como elemento de dança? Eu também não sei, estou pesquisando este fator que me interessa muito. O que dizer de Tom Pliske pulando em um mesmo local por vários minutos – instigante/fatigante – a própria Lia Rodrigues que com suas idéias ultrapassam nossos pensamentos nos levando a momentos em que não estamos acostumados a estar.
Fiz um breve passeio por propostas que precisam ser apreciadas e conhecidas – bem conhecidas – para se começar a discutir dança contemporânea, não que elas sejam o essencial desta dança, de forma alguma. A dança contemporânea poderá ser constituída de variados formatos, mas precisa de pesquisa, claro. Daí, concordo na afirmação de que existem sim trabalhos que não nos agradam aos olhos, que não mostram nenhuma proposta aparentemente. Certo, mas não posso dizer que ali não há uma idéia de pesquisa e/ou que faltou um tempo de trabalho.
Para terminar, a Cia Deborah Colker possui um trabalho próprio como outros artistas que pelo Espaço SESC passaram. Existem artistas se descobrindo e buscando uma trilha, eles devem mostrar seu trabalho em vários espaços também!
A configuração da dança contemporânea carioca se modificou muito com estes artistas, com estas propostas “absurdas” que colocaram a cidade no hall da contemporaneidade. Que bom que este problema existe, e tomara que exista em outras cidades do país (Goiânia, Brasília, Florianópolis, Curitiba dentre outras), e a dança no Brasil nos mostre que o movimento não acontece somente quando um corpo se desloca em um espaço e sim nas mentes emaranhadas e criativas de artistas que não possuem o receio de se mostrar.
Me chamo Sacha Witkowski, residente em Goiânia. Sou bailarino e diretor de um Festival chamado Diagnóstico da Dança que busca justamente este tipo de questionamento também.
muito obrigado!!
Artur Xéxéo, até onde me concerne, não acho que o objetivo da carta tenha sido provocar a sua demissão, até porque seria uma grande ingenuidade acreditar que 119 pessoas “sem muita importância” teriam algum poder frente à sua popularidade como colunista e à sua sólida carreira como editor do Segundo Caderno. Para mim, o intuito da ação da qual participei foi, e continua sendo, o de expressar publicamente, e da forma mais abrangente possível, a indignação com a qual sua coluna do dia 4/5/08 foi recebida. Neste sentido, acho que a carta teve, de certo modo, bastante eficácia.
O que me incomoda particularmente na sua coluna do dia 4 é a redução de uma coisa tão cheia de facetas, como a dança contemporânea, a uma caricatura bidimensional. Sou contra as generalizações e comparações que você faz no seu artigo, acho que estes procedimentos achatam o mundo, não deixam espaço para as diferenças. Quero acreditar que existe espaço (e público!) para todo tipo de trabalho (ou quase todo), e acho que a sua fala só apontou na direção de arraigar certos preconceitos que já habitam o senso comum.
Quem tem olho (como um editor de um caderno de cultura) em terra de cegos é rei, diria o ditado popular, mas ouso em refrasear que o território ao qual o Sr. Xexeu se refere não é de tantos cegos ou tão pouco conhecidos. Estamos trabalhando, pesquisando e estudando formas de debater e promover uma discussão salutar a formas de vanguarda da dança, que, assim se constitui o conhecimento (n’est pas?!). Estamos falando de uma atitude crítica acerca de posturas ditatoriais de uma ou poucas formas de entender a dança, das quais alguns compactuam, outros não, e tudo bem.
Concordo que não seja necessário (para dizer pouco) que o Sr. se refira a algo que não conhece. Fale daquilo que conhece tão bem, e faz também. Deixe para pessoas muito compententes, como colaboradores do Caderno de Cultura, discutirem sobre dança. Afinal, não é essa a função de um jornal? Especialistas falam do que entendem.
O que me surpreende na carta do Sr. Xexeu aqui publicada é o desentendimento de uma ação. Ação, em cultura, significa agir, interferir, abrir o debate, propagar a reflexão, se expor e não pedir a cabeça de ninguém. A guilhotina francesa e sua cultura há muito não fazem parte do imaginário popular.
Vamos focar no que é importante: conhecimento é poder, só até uma medida. Exageros tem consequências e ainda bem que vivemos em uma democracia.
Quando recebi a crítica de Artur Xexéo, me perguntei se a melhor estratégia seria responde-la visto que Xexéo já virou folclore e me parecia que despreza-la seria a melhor coisa a fazer. Afinal assim como “comentários negativos não tiram um só espectador da Deborah Colker” da mesma forma sua crítica, para mim, não afeta a dança contemporânea. Como aquelas palavras poderiam afetar uma linguagem? Contudo, assinei e a propósito devem ter sido bem mais de 118 assinaturas, a minha asinatura por ex. não estava na lista publicada, talvez porque tenha recebido o @ de 3 pessoas diferentes e provavelmente nem todas foram agregadas à enviada ao O Globo.
Agora que li a carta enviada por ele ao Idança, quero responder.
Fiquei chocada com o modo como ele fala que já deu capa para João Saldanha e espaço para artistas como Dani Lima. Pareceu uma cobraça. Ou seja, o fato deles terem tido reconhecimento do jornal os impede de critica-lo? Esses artistas estão devendo algo ao O Globo? O Segundo Caderno fez um favor a eles?
Outra coisa, Artur Xexeo precisa achar um responsável dentro de uma ação coletiva para poder culpa-lo e decidiu pelo Idança. O que o site fez foi reproduzir o que já estava na rede, ou seja cumprir sua função e divulgar.
E quer saber, acho mais grave alguém que se arvora a fazer crítica de dança não conhecer uma revista especializada na área do que muitas pessoas, fora do Rio de Janeiro, não conhece-lo porque ele não contribui em nada para elevar o nível de uma discussão e é isso que espero de críticos e colunistas.
Que ironia chata a dele, quando fala, por ex. que se todos os signatários fossem se expressar fisicamente não caberiam no espaço do Sesc. Claramente ironiza o fato de sermos poucos (na cabeça dele só 118), mas é coerente; Xéxeo mostrou gostar de quantidade e isso é coerente quando se fala de Deborah Colker. Quantidade de bailarinos no palco, quantidade de verba para trabalhar, quantidade de bilheteria, quantidade … Tanto que a Cia. já recebeu convites para se apresentar em cidades como Salvador e Fortaleza, por ex. e os convites foram recusados com a justificativa de que nessas cidades são muitos os ingressos de estudantes e o dinheiro da bilheteria não teria tanta quantidade. Como se uma Cia. completamente financiada dependesse de bilheteria.
Ironico também quando fala que o Idança deve ser importante porque recebe patrocínio da Petrobrás, como se já não o fosse nos anos que viveu sem ele.
Não sei se Xexéo separa bem o trabalho de editor e colunista, não sou leitora assídua de O Globo, mas sei que Nayse Lopez separa bem sua função jornalística, sua função de diretora de festival e seus interesses particulares.
Infelizmente para o Xexéo e felizmente para nós a ação feita para ele não foi apenas de Nayse, João, Dani, Esther e Renato foi de cada um que assinou e ao assiná-la tornou-se autor da ação.
Acho que o que mais incomodou algumas pessoas, nem foram tanto as palavras do Jornalista, mas sim o fato dele ser uma pessoa influente, com muitos contatos e bem respeitado pelas pessoas que lidam com patrocínio cultural, da Petrobrás, Caixa, BNDS entre Outros patrocinadores. A Dança não se mantém economicamente por si so. Como o publico (digo grande publico) não tem mais paciência para a maioria dos trabalhos de dança contemporânea, bilheteria deixou a muito de ser o ganha pão de muitas companhias. Assim sendo, o que causou aflição na dança não foram as palavras do xexeu em si, até porque essa é a opinião de muitas pessoas próximas a nós (como parentes por exemplo), mas sim o medo de que mais pessoas com poder de influencia comecem a divulgar suas opiniões por ae, e no fim, os patrocínios para os experimentalismos eternos virem PÓ
Uma Pena…
abrir um jornal em uma parte voltada a cultura e se deparar com uma barbaridade dessas é mesmo uma pena, uma grande falta de educação no minimo com o trabalho das pessoas que se propõe a realizar sua dança.
É consideravél a posição do Colunista em questão, mais acho também que de uma maneira menos agressiva, não querendo detonar com o trabalho de muita gente com sua visão particular.
Em resposta ao Paulo Severo:
Paulo, o Xexéo de fato me escreveu em seguida a publicarmos a edição do idanca. Mas foi enviada para meu email pessoal, o que me fez crer que era, de fato, pessoal. Consultei o colunista por email e ele confirmou minha impressão. Mas obrigada por chamar minha atenção.
Lamentável o artigo de Xexéu. Como cidadã e leitora deste jornal( assinante) fico chocada com a baixa qualidade de seu raciocínio publicado em um jornal tão determinante em nossa já dilacerada política cultural. Como artista , me sinto ainda mais prejudicada , pois até quando terei que compactuar com um sistema que se recusa a somar forças e diferenças como forma de enriquecer e redimendionar nossa identidade cultural?
Infelizmente assinei a carta muito tarde e não entrei na contagem desta lista. Mas a carta continua crescendo e, graças ao idança, ainda posso orgulhosamente apresentar o meu repúdio ao conteúdo e estilo deste jornalista.
São trabalhadores da dança de todo o Brasil que assinam. Questionar a importância desses cidadãos é, além de outro atestado de ignorância, uma atitude extremamente pedante.
Concordo com Ariane Sampaio sobre a falta de cuidado, educação e inteligência e lamento. Muito pior do que a mancada gigante, é não ter humildade para reconhecer e reparar o estrago. Lamento pelo jornal, pelo jornalista tão equivocado e por Débora Colker, que teve seu respeitabilíssimo trabalho tão mal representado por um confronto grosseiro e inadequado (vide publicação do jornalista Artur Xexéu do dia 4/5, no jornal o globo). Me orgulho dessa classe, cada vez mais capaz de organização, diálogo e reação.
P.S: Espero que os artistas citados pelo jornalista não se sintam intimidados pelas capas no caderno 2, das quais eles parecem (no email do sr. Xexéu) “ingratos devedores”. Informação (na capa ou em qualquer lugar) não deve ser usada como moeda de troca pela dignidade de ninguém.
É triste, e para ser sincero me sinto um pouco envergonhado, que alguém que usa um canal tao expressivo como o jornal O Globo, possa escrever de uma forma tão ingenua e preconceitusa sobre Dança. Um pouco de informação nunca é demasiado para uma pessoa que está a cargo de tal veículo. E mais triste ainda é ver o nao reconhecimento de um erro e, o que é mais grave, piorá-lo com comentarios tão agressivos e pessoais. Mas ao mesmo tempo sinto uma satisfaçao enorme em ver que há várias pessoas, que trabalham, estudam, pensam a dança, se mobilizar e expor repúdio ao texto produzido pelo Senhor Xexéo. E que isso seja um abrir de olhos sobre a “critica” de arte feitas em alguns meios de comunicação do país que parou no tempo e nao seguiu o fluxo natural da História recente, e consequentemente da arte.
Sebastião Soares- Cidadão Qualquer/Licenciado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Pernambuco/ Posgraduando em Tendencias contemporaneas de la danza pelo Instituto Universitario Nacional de Artes – Buenos Aires
Quando li o texto referente á coluna do jornal O Globo, de Artur Xexéo, confesso que me deparei com um paradoxo entre um sentimento de indignação e inveja ao mesmo tempo. Vocês devem estar pensando que estou delirando, mas é que aqui no sul estas manifestações são muito raras e quando acontecem sofrem pressões fortes do poder público e de uma minoria que insiste em manipular o “pouco poder” para interesses pessoais. Então quando vejo minha classe tendo uma atitude digna me encho de orgulho e ciúme, como uma criança que fica observando de longe as outras brincarem. Para nós o processo de democratização da cultura enquanto dança, enquanto “arte” está muito aquém. Quando tomamos uma iniciativa como esta, de protestar e não ficar omissos perante as tentativas de denegrir nossa imagem perante a sociedade, nosso público, não conseguimos apoio porque os colegas têm medo das pressões. Então nos resta parabenizá-los e seguir insistindo na esperança de que um dia as coisas mudem. Não acredita em cultura sem política cultural! Mas o que fazer? Desculpem o momento nostálgico, mas foram vocês que o provocaram e tomei a liberdade de compartilhá-lo; talvez com a esperança de ser ajudado, ou um conselho, ou a necessidade de dividir para saber que não somos os “únicos” nesta desesperada busca. Quero deixar claro que por mais que pareça um discurso primário, para nós é a realidade. Muitos tentam se enganar, maquiando com a velha prepotência gaúcha de que nós somos ótimos, que esta tudo bem e que o futuro já esta todo planejado. Mas as projeções apontam no sentido contrário! A não ser que ajamos agora.
Na minha ingenuidade, lanço um apelo, consciente de que vocês já possuem muitas batalhas por ai e que devemos carregar nossas próprias cruzes. Apelo aos colegas da dança gaúcha que avalie todo este movimento organizado por vocês em defesa “dela” e não esqueçam que exemplos positivos devem ser seguidos e não ignorados!
Envio meus créditos:
Paulo Guimarães
Diretor do MEME-Centro Experimental do Movimento
Nossa, quanto pensamento equivocado sobre a crítica do Xexéo. Ela não estava defendendo ou super estimando Débora Colker. Só achou que implicaram com coisas irrelevantes, tipo: Frontalidade das coreografias, uso de músicas, etc. Realmente esses comentários são clichês. A crítica de dança carioca é tendenciosa (para o tipo de dança que ela acha que devemos fazer), assim como a maioria da crítica atualmente. O que se pode observar no SESC é uma panelinha, onde sempre os mesmos apresentam suas propostas coreográficas. E vamos combinar, sempre essas propostas tem o resultado parecido, apesar de seus “criadores” acharem que fazem algo extremamente pessoal. Sempre começa sem música, já notaram? a movimentação sempre se parece, mas quando vamos ler os programas, nos deparamos com textos herméticos, que causam até medo. Geralmente usam filósofos para se afirmarem como “pansadores da dança”. Tudo clichê. Tudo ultrapassado. Mas sempre tem gente pra aplaudir, lógico, geralmente os moderninhos de plantão e os estudantes das faculdades de dança, que são programados para a Dança Contemporânea somente, e se dizem abertos as tendencias. Fica aqui meu recado. Sou bailarino e coreógrafo, gosto de dança como um todo, e sei que dentro da dança contemporânea tem gente muito chata fazendo espetáculos, assim como tem gente que faz coisas interessantes. Temos que admitir que existe uma coisa chamada talento, que não se adiquire nas faculdades, e que os críticos e pseudo-pensadores querem anular, e deixar qualquer um se intitular criador ou coreógrafo. Isso sim está levando a dança pra baixo. Parabéns Artur Xexéo pela coragem de se pronunciar contra a chatisse e a mesmisse de muitas companhias de dança contemporânea. Outra coisa, para eles o ballet não deve existir mais, só existe dança contemporânea, só existe pesquisa em dança contemporânea. Lia Rodrigues intitulou sua resposta assim: Xexéo -Cisnes. Agora me digam, o que os cisnes tem haver com isso tudo? Por favor colegas dançarinos/bailarinos, pensem no que levou Xexéo a escrever isso tudo, e não fiquem com raivinhas e trauminhas, pois ele não fez uma crítica de dança, e sim se pronunciou como PLATÉIA, a parte mais importante de um espetáculo depois de pronto.
Por favor! Caso seja possível, gostaria que corrigissem meu nome, que é Machado e não Machoda, e substituissem meus créditos por:
Paulo Guimarães- Diretor do MEME- Centro Experimental do Movimento (www.centromeme.com.br), bailarino da Quasar Cia de Dança (1998 a 2003).professor na UFG nos cursos de Musicoterapia e Teatro (2002 e 2003).
Obrigado!
Sou de uma cidadizinha de dez mil habitantes (onde aliás, nem se quer tem uma única livraria), vim conhecer dança contemporânea a dois anos, foi paixão súbita. Aliás foi ali no Sesc, naquela ”sala apertada com mais vinte pessoas”, que senti a Graça, que fiquei enlouquecida, extasiada de felicidade ao querer mais. Acredito que o que falta é entrega pra novos olhares, não creio que se resolve, intelectualizar, para saber ser platéia, assistir e gozar. No caso de Xexéu, nem acho que é falta de informação, é desprazer por essa linguagem, que exige sim, sentir, antes de entender. É lamentável a comparação, Debora Coker, é um outro trabalho, longe de Sesc, ou Panomara, não mais, não menos, são diferentes. Acho importante Arthur, ter essa maturidade e distanciamento, para saber diferenciar o que gostamos, do que realmente é trabalho e pesquisa. Também estou aprendendo.
Artur Xexéu se mostrou muito irritado com as críticas recebidas. Demonstra, com tal atitude, se achar superior a todos aqueles que não comungam com seu entendimento acerca de tudo, no caso concreto a dança contemporânea. Lamentável seu posicionamento. Não gostar de determinada coreografia, ou mesmo do(a) artista que a apresente seria compreensível, mas denegrir toda uma manifestação artística é no mínimo ignorância. Ademais, sua carta a este site, irônica e desrespeitosa ao extremo, veio a corroborar aquilo que chegou a chocar alguns quando da matéria nO Globo, qual seja a enorme soberba e arrogância que lhe acomete.
Até agora eu só não entendi uma coisa: por quê a discussão veio direto para cá e nem passou pela sessão de cartas da Revista de Domingo? Continuar a discussão aqui, quente como está, é ótimo, mas uma pena não ter seu início na mídia onde ela começou. Seria um bem a todo e qualquer público ouvir, pelo menos, (para não citar outras tantas), a resposta da Sonia Sobral com a informação sobre a recusa da cia. Debora Colker em se apresentar em Fortaleza e Salvador, vale a pena a nossa reflexão sobre isso. Tenho a impressão que estamos perdidos sobre o papel do dinheiro público nas nossas vidas.
Sou de uma cidadizinha de dez mil habitantes (onde aliás, nem se quer tem uma única livraria), vim conhecer dança contemporânea a dois anos, foi paixão súbita. Aliás foi ali no Sesc, naquela ‘’sala apertada com mais vinte pessoas”, , que fiquei enlouquecida, extasiada de felicidade, querendo mais. Acredito que o que falta é entrega pra novos olhares, não creio que se resolve, intelectualizar, para saber ser platéia, assistir e gozar. No caso de Xexéu, nem acho que é falta de informação, é desprazer por essa linguagem, que exige sim, sentir, antes de entender. É lamentável a comparação, Debora Coker, é um outro trabalho, longe de Sesc, ou Panomara, não mais, não menos, são diferentes. Acho importante Arthur, ter essa maturidade e distanciamento, para saber diferenciar o que gostamos, do que realmente é trabalho e pesquisa. Também estou aprendendo.
Não sei mensurar o que é mais preocupante(revoltante). Se o teor da matéria ou da resposta do jornalista. Concordo com a editora do idança: o Xexéo gosta mesmo é de sentar num belo sofá e curtir uma novelinha global.
Caro Sr. Xexeo,
sou mais uma das figuras desconhecidas pelo sr. que não teve seu nome incluído a tempo na lista.
Mas por falar em desconhecimento, o sr. demonstra claramente ter muito poucas informações com respeito à dança contemporânea e, possivelmente, sobre arte contemporânea como um todo.
Talvez pudéssemos, fazendo um paralelo… imaginá-lo numa Bienal de Arte Contemporânea, soltando algum comentário como…meu filho faria isto melhor, ou alguma outra pérola do gênero. Quem sabe o que o sr. poderia dizer sobre artistas como Duchamp, Lygia Clark, Helio Oiticica, Marina Abramovic…apenas para citar alguns exemplos neste possível paralelo.
Não é problema algum criticar a dança contemporânea, desde que isto se faça com conhecimento de causa e não apenas para difundir uma visão estreita e preconceituosa que nada acrescenta nem ao público, nem às artes.
Acho que valeria a pena estudar um pouco mais antes de se aventurar nos seus passinhos como “crítico de dança”. Quem sabe mesmo ler alguns artigos aqui no idança…
Xexéu,
errar é humano e reconhecer o erro é divino. Por que não usar seu divertido e estimulante senso de humor para se desculpar abertamente pela evidente forma desrespeitosa com que tratou um tema que desconhece com um mínimo de profundidade?
Concordo que -como já disse uma vez a Bárbara Heliodora- um espetáculo ruim tira muito mais platéia dos teatros do que uma crítica ruim. Mas o que está sendo criticado na sua postura não é nem tanto o conteúdo (todos temos o direito de não gostar de dança contemporânea), mas a forma que escolheu para tratar do assunto. Como disse o João Saldanha, “para defender um artísta ,vc bem sabe ,não é preciso atacar outros artístas”. Você bem sabe também que para ser engraçado não precisa ser ironico ou desrespeitoso (mesmo quando vamos falar do que nos desagrada).
Adoro sua coluna e adoro dança contemporânea. Dá pra continuar gostando dos dois? Abraço,
Mateus Solano- ator
Favor incluir meu nome na lista:
Mateus Solano – ator/RJ
Favor também incluir meu nome na lista.
Clau Meirelles- atriz MG
Que absurdo o sr. Xexéu cobrar uma certa “fidelidade” àqueles que já tiveram uma capa no Segundo Caderno? O que é isso, gente, ameaça direta? Absurdo. Mas os que hoje têm algum poder, amanhã podem cair à terra. Eu torço por isso. Leidson Ferraz (ator, jornalista e pesquisador teatral, um dos que orgulhosamente assinou contra esse infame artigo do sr. Xexéu – Recife/PE)
Prezado Xexeo
• Quero te agradecer por me ter feito compreender um pouco mais a respeito de minha própria vida. Foi um efeito colateral de sua coluna de hoje respondendo ao protesto da “dança contemporânea”. Como você não sabe, sou sócio com a minha mulher de uma companhia de dança do gênero e o tal e-mail chegou para nós assinarmos. Não concordei e escrevi a uma das organizadoras recomendando desistir do intento. Argumentei que artista não responde a criticas, que você nem é critico, que tem todo o direito de escrever bobagens em sua divertidíssima coluna e que o Segundo Caderno nunca deixou de noticiar os acontecimentos no SESC, ou em qualquer outra instituição por obra de suas opiniões sobre dança. Não adiantou, claro. Estavam dispostos não a argumentar com você, mas a reclamar com o seu patrão. Que feio … Daí vem a sua resposta. Nas entrelinhas, você diz que escreve mesmo sobre bobagens (embora já tenha se indignado com assuntos bastante sérios, eu juro que li). Afinal, bobagens são uma parte imensa (de certa forma não será o todo?) de nossas vidas. Cutuca a solidariedade de contemporâneos e nem tanto contemporâneos e deixa a suspeita de que a preocupação do grupo é preservar sua imagem junto a patrocinadores. Na mosca! Artista que se preza tem um publico que o defende. Imagina se Roberto Carlos tivesse se dado ao trabalho de responder às milhões de linhas que o ridicularizaram décadas a fio! O cara tem o trabalho dele, o publico dele e embora possa ter ficado chateado aqui e ali (todos temos um lado bebe chorão), seguiu com a caravana. Mas muitos artistas “contemporâneos” hoje não tem publico, tem patrocinadores que só patrocinam o que sai bem na foto (do jornal). Daí o perigo. Bem, li o seu deboche (foi deboche, não?) e pensei: vou parabenizá-lo. Foi aí que veio a luz sobre meu passado. Gente, foi exatamente por isso que fui expulso do Parque Laje nos finados anos noventa! Porque não me contenho com a falsa seriedade de artistas que perdem a auto-critica quando preocupados em manter sua boquinha. Naquela época o Parque Laje era um reduto pós-hippie, onde cada professor curtia a sujeirinha de seu ateliê (hippie) sem se preocupar com a vida da comunidade (pós). Por ali as direções passavam para desfrutar do prestigio do cargo sem se dar ao trabalho de conseguir um único martelo para a oficina. Mas quando ameaçaram tirar da Escola de Artes Visuais o uso do Parque Laje, ai sim, foi a oportunidade para os artistas se mexerem e a direção vestir seu melhor terno e ir às redações e à Brasília reclamar. O mal estar que isso me causou foi o que gerou meu protesto. Claro que nenhum professor podia me apoiar, estavam todos defendendo sua boquinha e eu denunciando a farsa! Ai, ai, lá estou eu de novo me indispondo, desta feita com a seríssima classe dos coreógrafos contemporâneos, ainda por cima apoiada pelo importantíssimo Ricardo Basbaum. Tem nada não, é muito bom saber que eu continuo sendo feliz sendo como sou e que posso aprender algo sobre mim com um colunista boboca! Obrigado Xexeo
• Hilton Berredo
•
Realmente embora concorde com o xexeu (em parte) na sua “critica” ele não deveria ter insinuado uma ameaça aos profissionais que assinaram a lista (carta)
Que isso? ele mesmo que se diz tão imparcial na sua função de editor. Deve exigir a mesma imparcialidade das pessoas com a sua figura
Tenho dito
João Junior
Fico triste em ver que a dança é muito egocêntrica. As pessoas ao invés de, ao menos tentar, parar e pensar “nossa será que ele tem razão?” preferem ficar atacando o jornalista. A opinião dele é a opinião do publico que paga para assistir aos espetáculos e fica triste quando ve tudo menos dança. A dança no rio hoje so é feita para os “amigos”. Faz um teste simples…. Chama o seu contator, advogado, sua empregada domestica, chama seu dentista e da a eles ingressos para ver o SOLOS DO SESC por exemplo, e pergunta no final se eles pagariam para ver aquilo denovo. Duvido muito (se baseando nos trabalhos passados). NÓS que estudamos muito e achamos que entendemos muito, podemos até gostar, ou no mínimo dar algum crédito pela pesquisa mas e o público no geral? precisa enteder de semiotica para apreciar um espetaculo de dança contemporânea? (não todos)
Vamos descer de nosso pedestais e assumir que a dança contemporânea no rio de Janeiro está falida. Sem público. Vamos assumir que nos distanciamos das pessoas e que lógico, as pessoas se distanciaram de nós
A quasar vem ao rio agora em Junho, Vamos ver se agente aprende a fazer uma dança de qualidade e inteligente (é possivel fazer isso ao mesmo tempo)
Espero que surjam mais artigos de pessoas que não estão dentro do meio da dança, para ver se a galera acorda dessa ilusão. O artista precisa de Público e dança tratou de xotar o seu.
Por que a polêmica? Lamentável que a opinião seja emitida por um editor de um dos jornais mais importantes do país, mas vocês estão dando muita importância ao caso. O texto é raso. Tenho pra mim que ele queria soar a la Paulo Francis, mas sem verve, sem ironia, sem humor. Todo esse auê fala mais sobre a insegurança dos realizadores de dança contemporânea, confrontados com ter de fazer a afirmação pessoal do que seja arte. Dar atenção a quem diz ‘não entendi, não gostei, prefiro dançarinos domesticados e de sucesso de público’ é, isso sim, contraproducente. Há medo de que um dito formador de opinião afugente o público? Se o público se deixa doutrinar por um texto claramente ignorante, que fuja de mim. Créu, créu, créu pra eles, incluindo o rei artur.
Dança contemporanea é polêmica, é um assunto controverso e os artistas estão acostumados a se “defenderem”, mas acho que o caso aqui não é a defesa do que fazem os bailarinos e coreografos contemporaneos, e sim, a falta de respeito com que foram tratados na coluna de Xexéu. Imagino que se algum critico escrevesse em um dos maiores jornais do Brasil que os medicos ortopedistas de um determinado estado acham que estao praticando medicina mas na verdade nao estao, e coisas do tipo, os ortopedistas irão se manifestar, talvez até, de uma maneira muito mais dura. Inclusive a respeito dos comentarios postados aqui no site que “defendem” a coluna de Xexéu creio que se comete o mesmo erro. Concordar com um ponto de vista, com uma opnião, não torna correto o jeito grosso que se tratou uma classe de profissionais. Tenho certeza que Xexeu tambem ficaria muito ofendido se publicassem em algum meio de comunicaçao importante no pais que, vamos supor, “ele é um colunista – bem, colunista é modo de dizer…..” Não importa se eu gosto ou nao da sua coluna, se concordo com suas palavras, ele é um colunista!
Outra coisa que muito me incomodou foi a não importancia e o não reconhecimento dos nomes que assinaram a carta, primeiro porque nao acredito que ele conheça todo o cenario da dança para dizer quem importa e quem nao importa (afinal não conhecia ao menos esse site, tão importante no meio de comunicação, que é sobre o assunto que ele se propos a comentar), segundo porque se temos que respeitar ele como publico de dança ele tem que nos respeitar como, no minimo, leitores. Ele tambem precisa de publico…Ou ele escreve para ninguem? E tenho certeza que bailarinos contemporaneos são leitores importantes para o Segundo Caderno.
Por fim a forma que ele se “defendeu” no e-mail me lembrou uma criança que fica sem argumentos e chama o outro de feio (no momento, por exemplo, que ele fala da gramatica da carta). Isso, na minha opniao, configura o erro.
Bianca Prado – aluna da Faculdade de dança da UNICAMP, leitora de jornal, cidadã brasileira (Será o suficiente para minhas palavras terem relevancia?).
Ps: descupem-me os erros gramaticais.
Ressalto o desrespeito deste senhor à dança e também ao espaço SESC.
Digo sobre o espaço SESC pois há um projeto de lei tramitando no governo federal para retirar parte da verba que o espaço recebe para investimentos no ensino técnico do SENAI, ou seja, “descobrir um santo para cobrir o outro”. Ofensas ao espaço SESC não podem ser clamadas desta maneira, o senhor Xexéo acaba de acentuar uma situação complicada que o SESC vem passando, por isso, peço uma mobilização da classe artística para defesa do espaço citado.
Quanto ao que Xexéo fala sobre a Dança Contemporânea, não faz o menor sentido!!!!
Desrespeito total aos bailarinos e a todos os artistas de uma forma em geral, pois muitos deles utilizam a Dança Contemporânea como fonte de inspiração e investigação.
Xexeo, o que você conhece não somente de Dança Contemporânea, mas, da nossa arte por total?
-Você acha que dança é apenas uma atividade física bem elaborada? Por que?
-Quais os livros de dança e artes corporais você leu?
-Quais são as citações bibliográficas que você tem para justificar seus argumentos? (Como jornalista você deve saber que as fontes têm de ser comprovadas)?
-Quem você assistiu dançar e por que gosta dessas pessoas?
-O que estudou para se tornar crítico de dança?
Elaborei esses questionamentos porque eu quero que o senhor saiba que além de arte, a dança é uma ciência estudada nas melhores universidades do mundo e, tudo que um pesquisador/cientista cita ele tem que comprovar com bons argumentos além da obrigatoriedade de convencer uma banca de especialistas, não saem dizendo qualquer coisa por puro “achismo”…
Acredito que o papel de um crítico ou de um jornalista é dissertar sobre um assunto fundamentando corretamente seus argumentos, por esse motivo, peço que baseie suas informações.
Pelo visto, a banca de especialistas não aprovou sua dissertação (especialistas sim que estudaram, muitos hoje são professores e defendem “à duras penas” o ensino da arte neste país).
Uma última sugestão para Arthur Xexéo é que assista o vídeo da “Dança da Bruxa” de Mary Wigmann, tenho praticamente certeza que o senhor não irá gostar, afinal, ao que concerne seu texto, você não é capaz de compreender arte como a de Wigmann. Após assistir lembre-se que a maioria dos bailarinos que o senhor gosta (acredito que muitos atores também) aprenderam sua arte com Wigmann.
Favor incluir meu nome na lista
Régia Alvarez
Pesquisadora e mestranda em Artes pela Universidade Estadual de Campinas.
Sei que chego um tanto tarde para a discussão aqui lançada, mas foi só agora que tive condições de me manifestar e me sinto amplamente na obrigação de fazê-lo, isso em respeito a quanto tenho me dedicado ao trabalho com dança e mais que isso, em respeito a tantos e tantas que vejo labutando tanto quanto ou muito mais.
A falta de responsabilidade, cuidado e respeito revelada pelo conteúdo da matéria publicada no dia 04 é realmente assustadora e gera ainda mais revolta quando sabe-se que o autor é figura tão importante do jornalismo nacional.
É certo que todo jornalista deve prezar por sua liberdade de expressão e por uma ética não patriarcal ou subordinada. É certo também que opiniões mais contundentes, parciais e políticamente posicionadas são importantes para movimentar o mundo (nesse sentido as palavras pouco responsáveis e quase ignorantes de xexéo me movem a lidar com ainda mais responsabilidade com meu trabalho).
O que definitivamente não pode passar despercebido é que isso precisa ser feito com respeito, cuidado e sobretudo com conhecimento. A superficialidade no tratamento dado a diversas questões que compõe o texto revelam que xexéo não consegue ter um mínimo distânciamento de seu gosto pessoal, o que permitiria algum interesse em entender o que faz com que os artistas dos quais fala tenham as escolhas que tem.
Ainda em tempo faço minhas as palavras de Clara Trigo (uma das tantas profissionais sérias que conheço e que COM TODA CERTEZA não se enquadra nas descrições levianas do texto): espero que as palavras ainda mais irresponsáveis da resposta de xexéo não nos intimide. A resposta, que tem tom de ameaça, confirma a ignorância e egocentrismo já explicitadas no dia 04, mas isso não nos deve calar.
Só para tornar público, a lista que chegou até mim já tem mais de 250 assinaturas. E continua crescendo.
Publicamente acrescento meu nome:
Ricado Marinelli – Artista da dança, integrante do Couve-flor minicomunidade artística mundial – Curitiba.
A minha proposta é: que o sr. arthur xexéo, continue a comentar sobre novelas, as quais ele diz não mais assistir e sim, a sua assistente para assuntos aleatórios, dona candoca. e ainda mais, que ele continue na sua verbe humorística, pois como comentarista sobre arte (dança contemporânea, dentre elas), cruzes!
norma cassia
qual é a diferença entre o balé classico e a dança contenporânea?
Pela excelente forma de escrever, linha de raciocínio e independência por OPINIÃO, Xexéu, com esta discussão, acaba de ganhar uma fã.