A pesquisadora Márcia Almeida solicita ajuda da comunidade de dança para sua pesquisa de doutorado em filosofia da arte (dança). Acadêmica da Pantheón/Sorbonne, Paris 1, Márcia convida bailarinos, coreógrafos, dançarinos, interpretes/criadores/performers a responderem as seguintes questões:
Quais os motivos que levam os artistas da dança a se nomearem “intérpretes criadores” ao invés de “dançarinos”?
Se você se diz dançarino, qual é o motivo?
Se você se diz bailarino, qual é o motivo?
Se você se diz performer, qual é o motivo?
Os interessados em participar da pesquisa podem enviar as respostas (em algumas linhas) para o email marciadoctorat@yahoo.fr. É importante que todos identifiquem a sub-categoria da dança na qual trabalham (balé, contemporâneo, jazz, hip-hop etc).
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olá márcia!
Quais os motivos que levam os artistas da dança a se nomearem “intérpretes criadores” ao invés de “dançarinos”?
Pode ser dançarino, mas pode ser “intérpretes criadores” porque geralmente o próprio dançarino dança seu trabalho, ele participa de todo processo de criação.
Se você se diz dançarino, qual é o motivo?
Mesmo eu tendo uma formação de ballet clássico e antes dança folclórica gaúcha e depois ucraniana, sempre falo que sou bailarino,mas possou ser dancarino
Se você se diz bailarino, qual é o motivo?
Porque eu fiz ballet clássico por muito tempo.
Se você se diz performer, qual é o motivo?
Algumas vezes me digo performer! mas como eu já passei por todos esses conceitos e agora estou fazendo faculdade de artes plásticas, me considero artista, ao mesmo tempo eu sei o que dizer… mas espero que as pessoas digam… geralmente me chamam de bailarino, porque tem um certo status no brasil e o dançarino seria um pouco menor ou interior, mas eu não acredito nisto.
essas perguntas permeiam uma a outra! mas tudo bem, beijos e good lock! ary coelho.
Brief CV
Dancer and Choreographer Ary Coelho works since 1995 with choreographies in which seeks new ways of expression, using daily body actions as poetical language of dance.
In 2000, Ary Coelho was awarded the PRÊMIO AÇORIANOS for best dancer by his performance in “A + E = D” and “Náufragos em Manhattan” by the Porto Alegre City Hall.
Started his professional carreer at Ballet Teatro Guaíra, in Curitiba, as a classical dancer. Took classes with exponents of Contemporary Dance such as Ana Aulate (Madrid), Eneida Dreher, Frey Faust (USA), Dagmar Dorneles and Bill Young (USA). Entered the Canadian company Newton Moraes Dance Theatre in 2002, having performed presentations in Canada and Brazil.
Settled in Brasília in 2003 where he continued his work as a solo dancer. There he participated in Festival internacional da Nova Dança in 2003 and 2004.
Presented the spectacle “Destilando a Sensibilidade” at the Teatro Nacional Cláudio Santoro, Espaço Cultural Renato Russo and at the Espaço Quasar in Goânia.
Quais os motivos que levam os artistas da dança a se nomearem “intérpretes criadores” ao invés de “dançarinos”?
Não uso essas palavras, embora eu me encaixe nesse perfil, desde 2003 venho trabalhando em minhas criações. Acho-a megalônoma, quer dar conta de muita coisa e não diz muito para o público comum, fora do metier. Também implico com criadores, acho que produzimos coisas, mas ai seria muito confuso dizer que somos produtores, confundiria tudo.
Se você se diz dançarino, qual é o motivo?
Nunca gostei da palavra dançarino, acho que ela só fica bem em inglês, dancer é bonito, danseuse também, deveria usa-la também em português, pois é mais próxima da minha realidade, já que me formei em Dança Contemporânea (Escola Angel Vianna, 1991). Talvez seja por que em português é uma palavra que designa também as profissionais que dançam em boates ou por que não demonstra que você estudou balé clássico. Enfim, uma besteira, mas não consigo usar essa palavra quando respondo sobre a minha profissão.
Se você se diz bailarino, qual é o motivo?
Sim, sou bailarina. Fiz balé, e ainda faço embora jamais uso passos de balé em meus trabalhos, mas sinto-me confortável com esse título e sei que causa menos confusão para um público comum, que é o que nos vê. Acho que esse nome dá conta, se for preciso ser mais específico aí fica para os programas. Pode ser talvez reflexo de uma época, comecei a fazer aula de dança na década de 80, me tornei artista da dança recentemente, isto é, pessoa que além de dançar luta por cada vez mais espaço e diversidade na dança, mas o nome, por enquanto, bailarina me basta. Muitos nomes servem para a própria pessoa, para quem assiste pouco ou nada importa..
Se você se diz performer, qual é o motivo
Performer jamais. Sou do mundo exclusivo da dança, embora o que eu faça seja, ás vezes, parecido com performance.
Espero ter contribuído,
Abraço
Helena
Pelo q eu sei é uma necessidade que surgiu na França porque dentro da estrutura política deles (intermitents de l’art) ligado ao sindicato etc é uma maneira de lidar com um poder exercido pelos coreógrafos, onde o intérprete era considerado como um material artístico e não uma pessoa. Essa necessidade de valorizar a capacidade sensível do artista que trabalha com o coreógrafo (bailarino?), questão de autoria tb, foram inventando esses termos – e isso muito recentemente, anos 90.
Mas não somente por isso, mas também porque a própria coreografia mudou. A dança “artística” foi tomando outros rumos de mentalidade e essa busca de termo acompanhou essa mudança social. Em uma primeira instância é isso, buscar atualizar os status e domínios.
Em seguida, tem uma mistura de tudo e o contrário de tudo, pq essa questão lida depois com idiomas e com as conotações culturais dos idiomas (em italiano dançarina é “arte” – bailarina é “puta/gogo dancer”; no Brasil dançarina era de TV ou de algo “popular”, “bailarina” era ballet)..
Além dessa mistura total de idioma, tem também a questão do trendy: produtores lançam termos e a gente cae em tal ou tal onda….
qual grupo vc quer pertencer? intérprete? criador? performer?
A interpretação é representativa? ou é uma manifestação?
A criação é um valor ocidental? Questão de autoria etc…
Performer é inglês? Vem de performance? O q é performance, a escola dos EUA dos anos 70? É melhor definir-se como “artista”?
É questão de legitimação de visão de mundo e política.
da minha parte, eu deixo os jornalistas escolherem ; )