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A televisão como “oitava arte” é motivo de controvérsia e também uma sentença raramente proferida. Apesar disso, é fato que ela está bem presente em nosso cotidiano, um processo que teve início na década de 50, com a inauguração da extinta TV Tupi, em São Paulo. Foi nesse período que os brasileiros foram seduzidos pelo eletrodoméstico que determinou e ainda determina padrões estéticos de comportamento e de linguagem, com forte vinculação ao entretenimento fácil e de mercado da engenhosa Indústria Cultural[1]. O que não impede que a tevê seja objeto de discussões na universidade, pelos mesmos motivos que a condenam como esse lugar da sedução para o consumo. Eis a empreitada deste artigo em relação à dança.
Afinal, como negar o poder da televisão em nossas danças e vidas? Bem ou mal ela está ai, quer desliguemos ou não o aparelho. E mais, seu poder de influência e contaminação tenderá a aumentar quando a dita TV Digital for, de fato, implantada em nosso país, que é televisão e Internet juntas e com toda a força. Força que pode converter o fazer televisão no Brasil em um extraordinário instrumento de democracia (sendo bem otimista) contra a sua atual configuração de “um instrumento de opressão simbólica” sob um olhar, muitas vezes, falsamente crítico, segundo o diagnóstico do teórico da comunicação Pierre Bourdieu[2].
Para tal empreitada, é importante entender esse contexto endêmico[3]. O primeiro quadro televisivo foi a Dança dos Famosos (2006, 2007 e 2008), veiculado no Domingão do Faustão, além da Dança no Gelo (2006 e 2007), ambos pela Rede Globo. Atento ao dito sucesso, a TV Record apresentou o matutino Reality Dance (2007), no Programa Hoje em Dia, e ainda, os dominicais Dançando em Hollywood (2007) e Dançando sobre Patins (2007), no programa Tudo é Possível. Já o SBT lançou o programa Bailando por um sonho (2007), aos sábados e com reprise aos domingos, cedendo lugar ao I Campeonato Brasileiro de Dança (2007).
Duas idéias contribuem para a discussão, a de “simulacro na televisão” - proposta pela filósofa Marilena Chauí[4] - e a de “qualidade na televisão” - do jornalista e pesquisador João Freire Filho[5] -, ambas convergindo para o “ocultar-mostrando” de Bourdieu, indo ao encontro da discussão sobre uma presença-ausência da dança no contexto televisivo atual em nosso país. Junto a isso, temos ainda os memes[6], definição do biólogo evolucionista Richard Dawkins e que se referem à informação cultural, em analogia à informação genética (genes).
Chauí discorre sobre a lógica capitalista que faz com que os meios de comunicação estejam mais comprometidos com a concepção de entretenimento, especificamente, a televisão. Ou seja, eles se apropriam, por exemplo, das obras de arte e as nulificam em simulacros de prazer e satisfação. Tem a ver com o que diz Bourdieu, de um falar descontextualizado que não cumpre a função básica de, minimamente, informar; ou quando isso acontece, é de tal maneira vazio de equivalências ou aproximações com a realidade. Mas será que isso justifica a falta de uma dimensão reflexiva, principalmente por parte dos representantes ditos intelectuais dos júris? Ou a condição de existência da tevê é não ser um espaço profícuo para discussões mais elaboradas, mas onde o pouco (tem de) vira(r) um muito esvaziado de sentido?
Assista abaixo a um trecho do quadro Dança dos Famosos, do programa Domingão do Faustão (Rede Globo):
Freire Filho defende que há atualmente uma realidade de desinformação histórica e uma escassez conceitual acerca do ‘nível’ do meio de comunicação maior penetração popular do Brasil, o que faz serem pouco produtivas as discussões vindas das (cíclicas) polêmicas a seu respeito. E diz mais, que é possível sim falar “qualidade na televisão”, apesar de tudo. Nesse caminho, a idéia dawkiniana de meme colabora para desfazer certas inocências e entender (e aceitar) a televisão como um poderoso aparelho de replicação de informação cultural, ficando a discussão sobre qualidade referendada em que tipo de informação é veiculada e a natureza dessa informação.
Partindo da discussão desses autores, temos que a dança está e, ao mesmo tempo, não está na programação da nossa televisão. Em comum, todos seguem um formato parecido e de tendência de mercado. São versões de programas importados, como Dancing with the stars e Skating with Celebrities, inspirados nas grandes competições norte-americanas de dança de salão. As quatro emissoras - Globo, SBT, Record e Band - reafirmam a dança como showbusiness na disputa por audiência e merchandising, estrategicamente, com um júri formado por profissionais de dança de salão ou que tenham alguma ligação com a educação física, além dos artistas-celebridades - ou melhor, “personalidades autorizadas”, como definiu Chauí.
Daí a breve conclusão de que, na tevê brasileira de hoje, a dança está mais para playground e, perigosamente, para divã. O poder massivo da mídia televisiva reforça a dança como algo somente para divertir, dar prazer, nos fazer sentir bem - degustação meramente contemplativa. Seus produtos ainda estão referenciados em certos saberes historicamente consolidados, como “a dança é linguagem universal”, “o brasileiro é um povo dançante”, “dança boa é a que emociona”, “dançar bem é ter ritmo, tem de estar na música”; e “dança é desempenho físico”. O que engessa qualquer possibilidade de desdobrar os diálogos sobre a dança com mais eficiência contextual, longe de ser uma “arte do indizível”[7] . Quer dizer, a televisão elogia o que é repetição mecânica e consagra o que é moda. Resultado: agrada a muitos sim (audência), mas pouco esclarece.
Na verdade, configuram-se como memes de conseqüências maléficas, se levarmos em conta a formação nas graduações de dança, cujos imaginários de seus alunos são alimentados, quase que diariamente, por informação massificada e também cujos corpos que dançam tornam-se resultantes dessa relação midiática sem a devida reflexão. Algo preocupante quando se compreende corpo como mídia primária e mídia do seu estado - logo, “mídia de si mesmo” -, de um lugar onde as informações são processadas e reorganizadas, e não um meio por onde a informação simplesmente passa, como pressupõe a Teoria Corpomídia, desenvolvida pelas pesquisadoras Helena Katz e Christine Greiner [8].
Lembrando ainda da teledramaturgia brasileira recente. Tivemos a novela global Páginas da Vida (2007), com a personagem Giselle e sua professora Elisa (a bailarina clássica Ana Botafogo), e a grande audiência da novela-musical Dance Dance Dance (2007, 2008), da Rede Bandeirantes (Band), esta que acabou determinando uma nova formatação da Malhação (Globo), ambas ancoradas ainda no sucesso do musical norte-americano High School Musical[9].
Na novela global Páginas da Vida, a dança estava diluída na trama, generalizada como sinônimo do tradicional balé clássico, este também apresentado de forma compactada. Não à toa, a bailarina Ana Botafogo viveu Elisa, professora de Giselle, cujo nome foi inspirado em uma das mais famosas peças clássicas de repertório. A personagem era porta-voz de um entendimento de dança estagnado no tempo, legitimada pela história pessoal de Botafogo (vale ressaltar, não é a história da dança no Brasil). Disciplina e magreza foram difundidas como requisitos básicos, até decisivos, para quem quer dançar qualquer coisa, o que já é angustiante para quem almeja ser uma bailarina clássica. Tanto que Giselle tinha de fazer muita aula e comer pouco para não engordar, mesmo não gostando dos comandos de ordem balesísticos. Por ironia, torna-se bulímica. Como o foco era “discutir” o distúrbio alimentar, a dança ficou postiça, desatualizada e com um nível mínimo de complexidade nos diálogos.
Foi dessa pequena tentativa que veio uma versão “melhor” elaborada. Ano passado estreou a novela-musical Dance, Dance, Dance, na Band, novela que teve dança como protagonista, algo bem mais preocupante do que a bailarina bulímica global. O folhetim juvenil, na mesma linha da novela Floribela, também pela Band, teve como cenário principal uma academia de dança, com espaço para o balé clássico, ritmos de salão e hip hop. A protagonista, interpretada por Juliana Baroni, é uma bailarina que se apaixona por Rafael (Ricardo Martins), um cara durão. Pouca complexidade na trama, por conta dos objetivos mercadológicos bem evidentes: vender produtos para o público adolescente (roupas, calçados, trilha sonora, etc) diante de um custo total estimado de R$ 20 milhões para a produção de 160 capítulos em sistema digital, exibidos até maio deste ano. A este respeito, temos o depoimento do diretor Del Rangel para a matéria “Febre da dança na tevê”, da Revista Isto É (26/09/2007), que diz: “a dança é entretenimento e ajuda a contar histórias românticas. Ela prevê superação. Só é possível dançar bem com muito esforço e isso reforça o arquétipo do herói”[10].
Algo contraditório, tanto nas novelas como nos realities de dança, quando existe hoje um movimento forte na área que não deveria ser desconsiderado. São dançarinos ou bailarinos que não se conformam mais com a condição de meros reprodutores de passos; coreógrafos que se reconhecem como produtores de conhecimento, logo, estreitam a relação ética e estética; professores que repensam suas metodologias de ensino em sala de aula, com outros modos de trabalhar os conteúdos programáticos; e uma emergente discussão nos fóruns de dança sobre, principalmente, os desmandos dos conselhos de educação física contra a dança.
A própria existência da dança na televisão de agora se configura como uma problemática interessante para as duas áreas envolvidas, uma podendo alimentar as discussões da outra, contribuindo para que se diminua a “desinformação histórica e indulgência teórica”, colocadas por Freire Filho em relação à televisão, mas que também são sintomáticas na dança. Que o que está em ‘jogo’ não é simplesmente se a (nossa) tevê presta ou não presta, de uma mera condenação moral, mas na postura insistente de banalizar a dança como algo só bonito de ver e contemplar, e ainda, de deslegitimar o exercício da esfera pública em torno dela.
Daí a urgência no exercício de retomar a capacidade de formular perguntas simples a respeito daquilo que nos parece familiar e acreditar, como propõe o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos[11], em “um novo senso comum” para as relações entre dança e televisão. Justamente para estimularmos nossa autocrítica sobre a dita presença-ausência da dança na tevê brasileira em nosso tempo.
Joubert Arrais é jornalista, artista independente, crítico de dança (CE), bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (UFC) e mestre em Dança pelo Programa de Pós Graduação em Dança (PPGDanca/UFBA). É crítico-colaborador na área de dança, desde 2003, nos jornais cearenses O POVO e Diário do Nordeste. Nos últimos três anos, vem atuando em projetos autorais e colaborativos, de caráter artístico-acadêmico, como o Projeto Teorema (Estúdio Nave/SP), Experimento Bruto (Mara Guerrero/SP) e Ensaio em Estudo (PPGDanca/UFBA). Em maio e junho últimos, participou do “workshop para jovens críticos”, promovido pela TEAM Network (Transdisciplinary European Arts Magazines), em parceria com o Encontro Alkantara Festival 2008, em Lisboa (POR), sob a coordenação de Gwénola David (Revista Mouvement - FRA) e Nayse Lopez (Portal idança - BR)
Referências:
[1] O termo foi utilizado pela primeira vez no livro Dialética do Esclarecimento e se refere ao movimento acadêmico-teórico denominado Escola de Frankfurt, cujos principais expoentes são Theodor Adorno e Max Horkheimer. De modo geral, defino Industria Cultural como algo que diz respeito às empresas e instituições que direcionam sua atividade econômica à produção de cultura com fins de lucro e mercado, através dos meios de comunicação. Neste caso, a televisão vem se mostrando ao longo dos últimos cinquenta anos como principal recurso midiático no estimulo ao consumo, determinando hábitos, ideais e comportamentos.
[2] BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996.
A maioria dos programas tem sites específicos permanecem ativos, há trechos de vídeos disponibilizados no youtube.com sobre finais e bastidores, e o wikipedia.com, tais como:
http://redeglobo.globo.com/Dancadosfamosos/0,,8421,00.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dan%C3%A7a_no_Gelo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dan%C3%A7a_dos_Famosos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bailando_Por_um_Sonho
http://www.youtube.com/watch?v=qEkOtea69Yo
[3]CHAUÍ, Marilena. Simulacro e Poder, Uma análise da mídia. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2006.
[4]FREIRE FILHO, João. Notas históricas sobre o conceito de qualidade na crítica televisual brasileira. Revista Galáxia - PUC / SP. No. 07 (abril de 2004). São Paulo: Educ. Brasília: CNPq, 2003.
[5]Um meme, termo cunhado em 1976, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. Assim como há o gene, relativo à informação genética, há também o meme, que é informação cultural. Assim, o meme é definido como a unidade mínima de informação cultural. Distingue-se da analogia da “linguagem como vírus”, pois não significa apenas a transmissão de uma mente para outra, como pode ser tratado num contexto coloquial e não especializado. Ao invés disso, como propõe Dawkins, em O gene egoísta (2007, nova edição), os memes são definidos como “replicadores de comportamentos”, podendo ser idéias ou partes de idéias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autônoma. Relaciona-se diretamente com o estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação, que é conhecido como “memética”.
[6]Em sua tese-livro O faze-dizer do corpo: dança e performatividade (2008, EDUFBA), a pesquisadora Jussara Setenta (PPGDanca / UFBA) apresenta a dança como fazer-dizer do corpo, tratando o corpo que dança como ação política performativa. Com isso, ajuda a desfazer o entendimento de que a dança é uma arte inefável (que não pode ser problematizada em palavras), muito menos indizível (como se não tivesse nada a dizer).
[7]GREINER, Christine. Corpo - pistas para estudos indisciplinares. São Paulo: Annablume, 2005.
[8]High School Musical é um filme-musical adolescente da Disney Channel Original Movie, dirigido por Kenny Ortega, que conta a história de dois adolescentes que se conhecem e descobrem a paixão em comum pela música.
[9]Disponível em http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1978/artigo62024-1.htm. Acessado em 14/10/2007.
[10]SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 4 ed. São Paulo: Editora Cortez, 2006.




inciativas como STV na dança deveriam ser aplicadas aos canais abertos de televisão em que mostram na íntegra uma obra completa de um grupo amador ou profissional e dá oportunidade de reflexão e apreciação artística de diversas linguagens. Assisto sempre!
quanto aos programas de TV, tenho um academia de dança em Florianópolis e a procura por dança de salão aumentou vertiginosamente por causa do programa, o que acho positivo no aspecto de romper a inércia do público que nos procura, por uma dose de entretenimento que eles receberam do programa de TV. O resto, fic apor nossa conta de abrir horizontes e possibilidades de aprofundamento, apresentá-los técnicas clássicas, contemporâneas além da dança de salão.
aqueles que se identificam com a arte procuram aprofundamento, quem não quer faz por hobby mesmo! é a realidade!
quanto à novelas com tema de dança, penso que o erro na banalização é muito maior do que aquela tarde de domingo, porque uma trama sem pé nem cabeça, uma dança ruim todos os dias a noite na TV é muito pior na cabeça do leigo, que acha tudo chato e burro. Uma professora diretora carrasca, egos a flor da pele, colocam muito mais em jogo a ética da profissão, no meu entendimento.
Senso crítico vai se adquirindo com conhecimento, com oportunidade de acesso ao teatro, à cena tridimensional. Para quando alguém “enfiar” goela abaixo uma programação estéril possamos assumir o controle e desligar.
Obrigada pelo espaço de discussão, parabéns aos promotores do IDança.
Abraço
Bia Mattar
Florianópolis/SC
Aqui podemos “falar”.
Por Chris Frauzino
Goiânia-GO
O problema do censo comum EQUIVOCADO, diante de programas televisivos, não é exclusivo da dança. Revisitando sua história (da dança), essa arte sempre sofreu influências da moda, veiculada pelos canais de comunicação. O censo comum, não é novo, apenas se espalha e invade nossos espaços de habitação como as baratas.
Observo de perto meus três filhos assistindo TV, e absorvendo conceitos, totalmente distantes dos nossos valores morais, emocionais, ético, estético e principalmente cultural. Não vemos desenhos animados, que contam estórias da nossa realidade, das nossas referências, que falam da imensa cultura diversificada do nosso País.
Na RedeGlobo, a TV XUXA, que se intitula um programa para crianças, é na verdade uma aberração do início ao fim. As músicas não são do universo da crianças, os assuntos estão totalmente distante da realidade dos pequenos.
Como professora de ballet para crianças, busco criar uma relação dessa arte erudita com nossa cultura, trazendo para a sala de aula músicas e brincadeiras folclóricas brasileira, pois acredito que essa ponte possa acrescentar a formação dos nossos estudantes e construir um caminho de pensamento crítico.
Consumir …Consumir, eis o que nos rege. Vivemos as paranóias e a voracidade de ter, de agregar ao nosso corpo, tudo aquilo que ëstá em primeiro lugar” - a gostosa da vez, o jogador fenômeno, o último modelo de celular,os últimos lançamentos da Forum, mesmo que você compre na feira do seu bairro.
Então meus caros colegas de profissão, a dança é mais uma categoria da arte relegada ao único ( e graça ã Deus) canal aberto realmente comprometido com a produção cultural e artística - TV CULTURA.
A TV CULTURA, está aí - alguém quer assistir?
Nosso comprimisso como professores, é também colaborar para uma formação corporal, mas intelectual e crítica sobre a arte da dança.
Assistir TV, de forma alienada é uma opção , nós não temos como lutar contra o deus da contemporaneidade - o consumo.
Abraços.
Chris Frauzino
Professora, bailarina artísta e pesquisadora.
Oi, Joubert!
Sabe que eu me lembrei de um programa da TV Cultura nos finais dos anos 80, não me lembro o nome certo, algo como Jogo de cintura.
Era uma época que eu conhecia somente o ballet clássico, visto na tv ou nas fitas da locadora em VHS e que eu frequentava a ACM, nas aulas de vôlei, basquete, handebol e natação. Eu morava lá em Sorocaba, cidade do interior de São Paulo, e adorava ver o tal programa voltado para grupos de dança moderna e jazz, de carácter competitivo, com o júri fazendo seus comentários e escolhendo o vencedor do programa.
Na época eu só ficava olhando a tv e pensando: “nossa queria tanto dancar e fazer parte de uma companhia de dança”. Ao mesmo tempo estava muito surpresa de ter algo na tv de dança, de “dança de verdade”. Na tv eu via dança, mas sempre nos filmes musicais americanos. E os Estados Unidos eram muito longe. Eu ficava só sonhando.
Imagino agora, as meninas adolescentes querendo ser uma atriz-modelo-dançarina na Globo ou no SBT.
Ao mesmo tempo penso no Teatro e percebo que muitos pensam em ser ator, mas ator de tv, que nos dá a referência de ator de sucesso. Nem todos querem ou sabem que existe aquele ator de teatro, que experimenta, cria e que não vai sair na revista “Caras”.
Temos que continuar a achar meios e parceiros para difundirmos as danças que não aparecem na tv, assim talvez as pessoas parem de falar: “Ah! você faz dança? Dança contemporânea? É parecido com o Cirque du soleil ou com a Debora Colker???”
Não é de se estranhar…Afinal, eles já saíram na tv :0)
Abraço, Leticia Sekito/São Paulo
Acredito que existam várias formas de se divulgar, debater algo não importa qual o assusnto, mas a coerência deve sempre estar junta. A dança pode ser uma méra divessão pelo menos para uma maioria ou simplemente algo que muitas vezes é de fácil “execução” e de que não há diálogo, reflexão que é preciso pensar não só executar, ela acaba sendo um “produto”, um “quadro” na tv.
Na tv a dança é apresenta ao público de maneira muita raza, mas os programas que existem estes quadro podiam já acrescentar mais o conteúdo em si da dança, não e saber quem vai ganhar o prêmio ou só a nota.
A dança é uma fonte riquissíma de cohecimento, de que não é só copiar, mas uma profissão que deve ser reconhecida e valorizada.
Vamos penssar nisto!!!!!
Oi, Bia
Obrigado pelo seu comentário tão rico.
Você pontuou aspectos importantes que somam forças à discussão que proponho no artigo. Refiro-me a questão das tevês publicas, já que lembrou bem dos programas do STV Dança, restrito a tevê por assinatura, infelizmente.
Outro ponto é o entretenimento. Os interesses são diversos e os profissionais de dança têm de estar atento a isso sim, até pra tentar criar desestabilizar os preconceitos que existem em torno da dança. Se as pessoas estão indo mais pras academias, por conta dos programas de tevê, isso é um dado importante, em termos de sustentabilidade da dança.
Minha critica é sobre o ficar estritamente vinculado a diversão, de algo bonitinho de ver ou algo que tem pouca relação com a realidade da dança, como simulacro mesmo, da obsessão atual por realites nçao só de dança. Televisão que mostra-ocultando, já que, ao que parece, a vida real é o que menos importa e o consumo é mesmo o carro-chefe.
Partindo do que Helena Katz, num texto pro Rumos Dança 2003, não é porque eu tenho um corpo que estou autorizado a falar de dança, logo, não é so porque estou na tevê que posso falar de tudo… É um questão de responsabilidade politica e tbm ética… mas isso é quase impossível ante o encantamento que a tevê cria nas pessoas, entre outros aspectos.
Ainda, o mais problematico vem das ditas personalidades autorizadas a falar o que quiser sobre dança ou então o dito juri técnico que avalia a dança na logica da educação fisica… Dado o forte poder de replicação de informação da tevê, como problematizei um pouco no texto. No caso das novelas, bem mais sério, como vc falou bem: tramas sem pé nem cabeça.
Enfim, há muitas questões que atravessam o tema Dança na Televisão. Minha intenção foi publicizar algumas hipoteses sobre isso, de tirar desse texto outras questões ante uma certa impotência em mudar o que está na tevê, nem quero isso. Só temos de atentar para o fato de que ainda podemos desligar a tevê quando algo não agrada. Mas pra isso, um momento reflexão crítica é importante para nos dá alguma noção do problema.
Vamos nos falando por aqui…
Abraço, Bia e ao leitores do Idanca.
Joubert Arrais.
Olá pesoal!
Lendo o texto e os comentários aqui escritos fiquei feliz pela discussão promovida…
Sou acadêmica do curso de Dança da Faculdade de Artes do Paraná e este por muitas vezes já foi assunto discutido em sala de aula. Nós nos sentimos bastante irritados com a banalização da dança na TV, principalmente pelo grande público que atinge. Bom saber que não estamos sozinhos!
Achei importande os pontos destacados a respeito da responsabilidade da informação divulgada (na verdade irresponsabilidade - “personalidades”, “júri técnico” - falam o que sentem vontade para um público de milhões de pessoas que acreditam naquela verdade).
De fato é maravilhoso ter um momento reservado para a dança na TV, mas o mínimo seria fazer dele uma oportunidade para construir conhecimento. E não simplesmente para reforçar a ignorância e continuar a pensar dança como se pensava a 500 anos atrás! (mero entretenmento popular - ou simplesmente, fazer exercício, mexer o corpo, ’se exercitar’, como dizem).
E vamos ser francos! Não precisa muito esforço pra não cair nos clichês…basta um pouco de interesse tanto por fatos históricos como pela atualização!
Porque aí de que adianta falarmos em formação de platéia se temos em nosso país um público de massa que pensa a dança daquele jeito e não de outro…fica complicado…
Espero conseguir me fazer entender…
Olá!
Sei que o que vou dizer parece meio estranho comparado ao debate enorme que a questão da tv nos traz, mas acredito que de alguma forma a dança NECESSITA aparecer para todos, e a tv é um meio que facilita muito essa comunicação. É lógico que não concordo, muitas vezes, com a forma que a dança aparece….mas daí eu penso: que bom! Pelo menos ela está ali. a dança precisa ser vista, lembrada, mesmo que seja apenas da forma esteriótipa.
Quem sabe ela não se modifique ao longo do tempo, pois tudo leva tempo….e nós sabemos que a arte leva mais tempo ainda para gerar alguma mudança.
E não há como negar, os artistas da dança de salão realmente conseguem conquistar o público, eles ainda não perderam o feeling da dança, a verdadeira sensação que é estar em um palco.
Aprendamos então com eles e contaminemo-os com nossos pensamentos contemporâneos que tudo irá se transformar.
Olá!!
Eu compreendo, mas sou da opinião de que tudo tem dois lados. Sou aluna da Faculdade de Artes do Paraná. Não defendo (jamais!) a idéia de que a Dança deve ser banalizada, nem que nós profissionais não devemos ter o mesmo valor do que qualquer outro.
Nós que estudamos, e dedicamos a vida para a arte sabemos do quão desinformada é a maioria da sociedade,mas não apenas na área da dança, mas em qualquer outra linguagem artística.
A questão de como a mídia nos mostra a arte e os artistas e extremamente importante, porém bastante complexa. Eis o problema, mas e a solução?
Sou a favor sim,de que temos o direito de apenas ligar a tv como meio de entretenimento,afinal somos “filhos de Deus”, e ao ler este texto acima, me perguntei como seria a “Dança dos Famosos ” mais esclarecida para o povo que está assistindo e preocupado nas notas das duplas?
Como levar a informação? Mas levar sem perder aquilo que as pessoas realmente estão afim de ver , com todo direito, que é o simples prazer de apreciar uma “dança bonita, emocionante ou virtuosa”.
Levar mais profissionais da área para dar palestras sobre o assunto? Os diretores deveriam se informar melhor para colocar na telinha nossa tão querida e complexa área de conhecimento , a Dança?
Infelizmente, eu enxergo o problema assim como todos nós, mas eu não enxergo grandes mudanças, porque é um pensamento de massa, de maioria, ou seja, mudanças, só a longo prazo. E não vamos ser egoístas,sabemos que não só a Dança, mas a múscia por exemplo, quantos realmente são músicos nesse meio da fama? Aparelhagens atuais são capazes de transformar qualquer um em grande nome da Música Brasileira. É justo? Não. Tem gente que ganha com isso? Tem.
As academias de Dança de Salão agradecem o Faustão, tenham certeza! Afinal, qual pobre ser trabalhador,cheio de preocupações não fica com vontade de sair bailando por aí ao ver aquilo? E isso é ruim? Sim e não!
O problema está no foco principal, que é ganhar dinheiro e não divulgar a arte para a população.
Os grandes colocam o que querem na TV, o povo apenas absorve.
Mas como modificar isso? Sem utopias, sem falar que é necessário uma mudança urgente, blá blá, isto já cansamos de ouvir, mas na prática,o que seria realmente transformador , na mídia e na forma como os artistas e as artes são colocadas? Não podemos eliminar os quadros dos programas, nem negar que também tem um monte de “Giselles” por aí. Sabemos também que a dança é mais do que essas demonstrações, mas como informar tudo isso ao mesmo tempo?
Eu não sei! De verdade!
Olá!
Seguindo a linha Fap aí de cima,sem sombras de dúvidas o que vem ocorrendo no sistema televisivo com a dança é lamentável e justamente leva as pessoas a pensarem que dança somente é hobby,lazer e até terapia!
Não é que não possa ser,é evidente que existe essa possibilidade,mas a cima de todas as superfulas frases soltadas por quem está na tv, deveria haver uma discussão,mesmo que introdutória do que é realmente dança e quais são seus papeis.
Por outro lado sabemos a dificuldade que é em levar a dança com outros olhos ,sem ser o da rigidez,principalmente para nucleos onde professores se negam a ver o que está acontecendo em sua volta.Sim, não acontece somente com pessoas que se dizemm leigas,o exemplo da bailarina Gisele da Globo percorre por muitissimos lugares desse brasilzao;e se pessoas envolvidas com a dança já seguem esse modelo de conhecimento pergunto eu:o que será dos outros?
Os jurados convidados, pelo menos pelo programa da globo, são conhecidos pelos brasileiros e marcas nacionais da dança,por isso cabe a eles estando nesse lugar de agora, levantarem argumentações mais convincentes a todos os publicos,afinal creio não ser de interesse de ninguem ser sempre um não entendido de algo.
Pois é. Este texto me chamou a atenção no site por tratar de um assunto não muito desconhecido para mim e, justamente por isso, resolvi ler pois discuto isso sempre com alguns colegas de curso. Estou no último ano de dança da FAP e ainda acho relevante discutirmos qual o papel da dança. Creio não ser possível desvinculá-la da diversão, mas por que no momento em que ela está neste lugar não pode propor uma reflexão? Temos realmente que banalizá-la? Principalmente no caso destas danças com júri, como mencionado no texto, que traz profissionais com referencial nacional de dança mas que deixam a desejar. Pessoas que, em minha opinião ainda acha que o conhecimento de dança deve ser guardado para si, como uma informação preciosa que sustenta o seu sucesso. Não são capazes de propor reflexões no momento que julgam uma dança, ou melhor, um passo bem ou mal executado, pois não conseguem dar conta de fazer relações com o público. Ainda acham que artista está num lugar abaixo de Deus e acima dos demais mortais. Então apontam “erros” ou qualidades óbvias para fazer seu papel porque não enxergam além disto.
Claro que não é falar latim para que poucos entendam, até porque se trata de uma comunicação de massa, que visa a maioria. Também porque o sistema não permite certas relações e ainda censura e se amedrontam com alguns conteúdos que a arte pode trazer, mas podemos pensar em algo mais simples, se infiltrar de maneira sutil e não subestimar a capacidade das pessoas apenas reproduzindo um salão de festas na tv.
Esta superficialidade da relação da dança nestes programas traz um outro problema que me incomoda: A dança vira terra de ninguém, não necessita de conhecimento, mas somente de mexer o quadril e levantar a perna. Em alguns momentos são falados uns termos técnicos para dar “corpo ao caldo”, mas de nada adianta. “Para isso”, devem pensar alguns, “não precisa estudar dança, fazer relações, mas apenas reproduzir o que aprendi”…
Resumindo, não digo que a dança não pode estar neste lugar, até porque realmente ela mobiliza a população, mas não é mobilizar num pensamento cartesiano, que mexer o corpo traz felicidade e que neste espaço não cabem reflexões.
Este assunto ainda vai dar muito pano pra manga…
Temos aí uma polêmica não rara:indústria cultural X arte.A arte,também como produto a ser consumido,é colocada no mesmo nível de um produto qualquer que se quer vender,shampoo,por exemplo.O objetivo final é atingir a “massa”, a maior quantidade de pessoas possível,para que elas comprem o que está sendo ofertado.Numa sociedade capitalista na qual tudo está para ser consumido rapidamente pois o descartável está na moda,a dança é colocada “à venda”,como um produto que deu certo e está sendo comprado e aceito.A forma banalizada com que a dança é mostrada,realmente só é percebida por quem entende do assunto,a minoria.Por outro lado,a maioria que assiste a estes programas que “agrada aos olhos”,vai fazer volume e gerar mais audiência,vendendo mais e mais o produto…É uma bola de neve.Por um lado,se for pensar em divulgar a dança,seja como for feita esta divulgação,para um número grande de pessoas,o objetivo está sendo atingido.Agora,se o olhar for crítico e seletivo para o que é arte e como ela deveria ser mostrada,talvez o melhor seria desligar a televisão,como disse Bia Mattar no primeiro comentário do referido texto,pois é melhor esperarmos sentados se quisermos assistir a programas de TV com conteúdo inteligente,seja de dança,de outra arte ou de outro assunto;porque isto não atrai a “massa” e conseqüentemente não gera audiência,que não dá dinheiro pra emissora.
Partindo do seu texto, fica sempre à vontade de discutir mais um pouquinho. O espaço que nos pesquisadores temos ainda é muito pequeno.Algumas vezes vem o velho discurso de que são sempre as mesmas pessoas que fazem, que encabeçam, mas, com nós somos poucos ainda e temos uma fatia muito pequena do mercado, este texto vai estar sempre nos nossos ouvidos “Você dança aonde?” “Esta aula é de que?” “O que é dança contemporânea?”.
Estou participando de um projeto numa comunidade e abri para outras escolas além da qual eu utilizo o espaço. Mesmo falando das propostas da aula em sala, explicando que o pesquiso, elas tem dificuldade de entender o que é um trabalho com o corpo.
Sei que o caminho será árduo, mas vou conseguir fazê-las entender que o que a mídia.
elogia é moda, vitrine, uma repetição sem um propósito de pensar e de fácil digestão,
na verdade tudo que dá status, que privilegia, o descartável.
Pergunte se eles não sabem qual a novela que está passando?Claro, com nome e tudo.Eles são criados assim…….
Passei um DVD do grupo his-Contemporâneo de dança (Salvador-Bahia), Partes sem Roteiros re-works, para eles assistirem, foi uma gargalhada só, e me perguntaram “E isso é dança?” expliquei dá melhor forma, e vou continuar mostrando qualidade sempre que tiver oportunidade.
Então, acredito que precisamos avançar rumo às TVs.Esta mesma; rala, que traz embutida uma ação assistencialista (Nem vou citar os nomes de programas que nem lembro agora).
O importante também é fazer ações politicamente corretas, com a formação da ANDA (Associação de Pesquisadores em Dança) e continuar nossa conquista de espaço.
Não ficarmos somente em nossas rodas setoriais e abrir para discussão.
Teremos agora o FIAC, o Corpocidade, Festival de Itacaré e a Bienal do Recôncavo,dentre outras, todas estas ações em Salvador e no interior.
Assim, proporcionar esclarecimento a essa gente que constrói o sonho ser artista(de TV, é claro), baseado no virtuoso, no belo e na riqueza fácil.
Iara Cerqueira
Diretora e Bailarina do grupo his-Contemporâneo de Dança
Mestranda em dança, PPGDança/UFBA.
Coordenadora do projeto/grupo Corpoacorpo-SOMAR
Especialista em Fisiologia do ExercícioUNEB/Ba.
Lice. e Bel em Dança/UFBA/BA.
Olá a todos,
Muito feliz pelas contribuições…
E lendo os comentários, é como se a dita caixa de Pandora tivesse sido aberto. Quero dizer, de acordar algo adormecido em nós da Dança, de uma certa resignação que agora se desfaz, um pouco.
Desse nosso diálogo aqui, podemos perceber que há mesmo uma presença-ausência da dança na tevê, no sentido de banalizar a dança, sob o pretexto de divertir. Por trás disso, temos ainda a ideia de corpo que permeia tais dançinhas, que é um corpo erotizado e erotizante, reformançando o rotulo de uma “brazilidade caliente”; ou mesmo um corpo mecânico, que só executa passos. Isso acaba por determinar, claro, a ideia de dança envolvida na concepção desses realities.
Agora se pensamos em que outras alternativas temos ou podemos ter, temos os programas da STV Dança, como já foi dito; alguns documentários da TV Cultura, idem; esse ano, em Salvador houve uma iniciativa no mês da dança, no programa Soterópolis; já em Fortaleza, vai estrear outro este mês na jovem TV O POVO, especificamente sobre videodança, por conta do evento Terceira Margem / Bienal de Par em Par, da Bienal de Dança do Ceará…são os que tenho noticias. Vale lembrar das reportagens sobre dança que podem ser bons motivos para boas reflexões, já que, em geral, partem do mesmo pressuposto dos programas de auditorio: dança pra divertir ou dança pra socializar, somente, desconsiderando outras relações pertinentes pra o fortalecimento desse ato de socializar e tbm divertir presentes na dança como campo de saberes.
Pois acredito que o exercicio seja esse mesmo: um mapeamento atento ao que seja pertinente para a dança, sem necessariamente radicalizar com o apenas desligar a tevê ou ser do contra. Até podemos, pois a Internet possibilita uma relação mais interativa com as informaçoes ditas audiovisuais, por conta do youtube, por exemplo, com muitos programas e espetáculos disponibilizados. Mas prefiro insistir na reflexão, pensada como uma estratégia de sobrevivência, seguindo o que um professor meu falou em relação a um bom candidato a prefeito em Fortaleza, com poucas chances de ser eleito: O IMPORTANTE É QUALIFICAR O DISCURSO.
Vamos nos falando…
Abraços.
Joubert.
Por mais que a televisão tenha seus pós e contras, ela é um importante meio para que não só as novelas e jornais cheguem ao povo, mas a própria ARTE e, digo mais, a DANÇA possa se difundir e divulgar seus trabalhos, projetos, pesquisas e espetáculos. Querendo ou não, a grande massa é movida pela TV, e estar atento a ela significa informar-se, estar atualizado e em tempo real. O grande problema é que nem sempre a tv passa as informações como elas realmente são, os canais de TV se importam com o ibope e com o que dá lucro, assim, se apoderam de conceitos da ARTE (por muitas vezes) retirando da DANÇA (por ex.) só o que lhe convém, mostrando ao povo a caricatura de um movimento ou de uma cultura, o esteriótipo, tipificando e desvalorizando, esquecendo de sua essência e da importancia de se fazer arte.
O exemplo trazido pelo autor, com a “Dança dos Famosos” no programa do Faustão, por mais que apresente a dança na função/intenção de entretenimento ao público mostrando FAMOSOS aprendendo a dança de salão, por sua vez, foi uma forma de fazer com que os espectadores tivessem conhecimento do trabalho dos profissionais envolvidos que trabalharam com essas pessoas: Ensinando passos e coreografias, mostrando mesmo que de forma curta as dificuldades, a determinação, o porquê dos movimentos e o que querem dizer…enfim, apresentando a arte como profissão. E com certeza depois desse programa as escolas e academias de dança de salão passaram a lucrar mais.
De fato, estar a DANÇA valorizada no ambiente televisivo só nos traz pontos positivos!!!
(Acadêmica 3º ANO curso DANÇA - FAP)
É de grande relevancia essa dicsussão quando levamos em consideração que a televisão pode ser o meio de comunicação mais acessivel pelos brasileiros, poŕem, podemos perceber que não há grandes políticas sobre o conteúdo das exibições feitas pelos canais abertos e isso faz com que a grande população brasileira tenha acesso a uma informação já manipulada pelo interresse da mídia.
Acredito que, na televisão, a dança não é diferente das noticias e das novelas, pois todas essas são apresentadas de forma que o que é vendável, e de interesse da mídia seja mais importante do que a própria essencia das coisas, do que a educação, do que a informação propriamente dita, do que a arte.
“A televisão me deixou burro, muito burro demais
Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais”
Titãs
Porque entretenimento tem que ser desprovido de conhecimento com considerável grau de complexidade? Ao contrário de algumas pessoas, porém de acordo com outras, penso que a dança não deve “aparecer por aparecer”. Não acho que estabelecer uma dança desprovida de conhecimento intelectual seja necessário para a área da Dança. Desmerecer a capacidade da arte, dentro de um dos maiores meios de comunicação faz com que ela seja colocada na caixa da “cósquinha” que não gera transformação. Temos que saber a diferença entre um artista e uma pessoa contratada por uma rede de televisão nacional.