Três meses depois do 1º Encontro Nacional de Pesquisadores de Dança – realizado em julho, em Salvador –, os resultados dessa iniciativa inédita dentro da comunidade de dança no Brasil começam a tomar forma. O principal deles é a criação da Associação Nacional dos Pesquisadores em Dança, a ANDA.
Realizado nos dias 3 e 4 de julho, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), o encontro reuniu 163 participantes – entre pesquisadores e não-pesquisadores – e contabilizou 176 trabalhos inscritos de vários cantos do Brasil. Os objetivos do evento eram justamente agregar pesquisadores especializados em Dança, no âmbito da universidade, para pensar coletivamente sua perspectiva de consolidação como área de conhecimento específico; e, também, divulgar essa produção, na forma de uma coletânea de resumos que permitisse visualizar um panorama dentre os possíveis, baseado na inscrição voluntária dos pesquisadores.
Passada essa primeira etapa, a ANDA agora está em tramitação jurídica – o processo sofreu atraso por conta de uma greve de servidores em Salvador. A diretoria da associação foi aprovada em assembléia e será formada pela comissão organizadora do 1º Encontro Nacional de Pesquisadores de Dança, onde surgiu o embrião da idéia. A diretoria é formada por: Adriana Bittencourt (PPGDança/UFBA); Dulce Aquino (PPGDança /UFBA); Eusébio Lobo (IA/UNICAMP); Fabiana Britto (PPGDança /UFBA); Fernando Passos (PPGDança /UFBA); Helena Bastos (ECA/USP); Helena Katz (COS/PUC-SP); Jussara Setenta (PPGDança /UFBA)
Kathya Godói (IA/UNESP).
O encontro também rendeu frutos no que diz respeito a publicações na área de dança. Um catálogo com resumos de todos os trabalhos inscritos – divididos em Stricto Sensu, Lato Sensu e Iniciação Científica – foi distribuído em formato CD com registro ISBN e com título de 1º Catálogo de Pesquisa em Dança.
O próximo passo já está sendo dado. Os pesquisadores que participaram do encontro tiveram até 30 de agosto para enviar seus trabalhos completos e estes estão passando por um processo de organização, editoração e, posteriormente, de impressão. Esse ‘caminho’ ainda deverá demorar um pouco a ser percorrido já que alguns artigos necessitam de adequações para publicação. A tarefa de emitir os pareceres sobre os trabalhos está sob responsabilidade da pesquisadora Kathya Godoy (Unesp), da comissão diretora da ANDA. “Nos artigos verificamos que a dança estabelece diálogo com várias áreas do conhecimento e isso é precioso”, avalia ela. Foi dado o primeiro passo para consolidar a dança como área de conhecimento específico.

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Como em todas as áreas de interesse epistemológico, “pesquisadores” são sempre os mesmos peixes de sempre. Quem dança em escala menor porém não menos significativa nunca é visto nem revisto em suas abordagens e conceitos. Meus parabéns, a coisa continua na mesma… os mesmos pesquisadores, críticos, redatores, avaliadores, professores, diretores, doutores, coreógrafos, diretores de bancos de dados, indexadores, mediadores e etc de sempre. A cena da Dança no Brasil é uma estória que se repete sem nenhuma novidade interessante, pois quem recebe o dinheiro para fazer algo pela dança no Brasil são sempre as mesmas “cartas marcadas” de um velho baralho e ainda fazem o uso semântico da palavra “contemporânea”… onde, quando e como essa tal de ANDA é contemporânea? Eu escrevo muito, sobre dança.
Sou aluna do curso de dança da FAP(Curitiba),na última semana tivemos a IV Mostra de dança da FAP, aqui na cidade.O tema principal desse ano foi “Pesquisa”,muitos assuntos foram discutidos em e questionados a respeito dessa arte de dançar.é importante a pesquisa dentro da dança em diferentes áreas para o maior crescimento do conhecimento de dança como arte,como estudo.E quanto mais pessoas discutem e se questionam melhor para este crescimento.O passo maior vocês já deram,com essa iniciativa do ANDA,importante para quem quer seguir sempre pesquisando na área da dança estar sempre informado através dessa rede de interessados.Fico bem feliz com a iniciativa,e curiosa pra saber se todo o Brasil vai ter acesso fácil ao ANDA.Informações sempre são bem vindas.
Muito Bom!
Apesar de não ser diretamente ligada à área acadêmica da Dança, sou acadêmica do 6o Perído de Teatro na UNIMONTES – MG, e me interesso muito pela pesquisa em dança-teatro.
Acho importantíssimo que os profissionais e dança lutem pelo espaço e autonomina da área.
Acho BIZARRO, por exemplo que profissionais de educação física queiram vincular atividades Artisticas e de Espetáculos (de dança e teatro) a um curso completamente alheio a esta área de conhecimento.
Iniciativas como o ANDA, são importantíssimas e delas talvez dependem o Futuro dos VERDADEIROS profissionais da dança no Brasil.
Nós da área artistica temos que nos unir e nos organizar, e parar com essa bobagem de querer desvincular o “fazer” artistico do “ensinar”, da pesquisa, do registro acadêmico, histórico, publicaçãoes etc.
O artista é um profissional como outro qualquer que merece respeito, inclusive quanto à sua formação acadêmica.
Minha pesquisa de monografia é sobre a perda de espaço profissional dos profissionais de Artes Cênicas (Teatro, Dança e Circo) para profissionais de Educação Física que ao meu ver estão tentando manipular o mercado para se beneficiar ampliando sua área de atuação profissional. Claro que prejudicando e restringindo a área do profissional de Artes Cênicas.
O profissional de dança tem sim que lular pelo respeito profissional e acadêmico, para assim consolidar a dança como área de conhecimento específico.
Só assim poderemos acabar com a PICARETAGEM (dos falsos profissionais da área)
Monica Mesquita
A ANDA é sim uma grande iniciativa! Acho que a pesquisa em dança no Brasil está caminhando bastante. Pesquiso uma das danças mais populares, o samba e, antes que digam que sou “uma aproveitadora de uma manifestação popular” como muitos promulgam sobre os pesquisadores em artes populares do Brasil, faço questão de dizer que mesmo na comunidade científica continuo a mesma moça da comunidade de Vila Isabel, onde cresci e, sou muito bem recebida por isso. Conheço pesquisadores que investigam tão bravamente o jongo, o maracatu e até mesmo o funk carioca por representarem suas realidades locais.
Os nomes dos pesquisadores se repetem por que ainda existe pouca gente séria que fundamente a escrita em dança no país. Conheço o trabalho de alguns dos professores citados, especialmente dos professores Eusébio (Unicamp) e Kathya Gódoi (Unesp), são trabalhos sérios e de extrema credibilidade.
A comunidade científica não está fechada, a Unicamp frequentemente promove discussões abertas ao público, seja ele científico ou não, além disso, oferece disciplinas e curso de extensão.
Existem erros? Claro que sim! Mas estamos caminhando, vim de uma universidade nova na área da Dança, a UFV e não tive nenhum apadrinhamento para entrar no mestrado da Unicamp, mesmo vindo de um curso pouco conhecido.
Foi uma pena não ter ido à Salvador, mas o congresso da ABRACE vem aí, quem puder, participe!
A partir destas ações a dança se firma cada vez em bases mais sólidas como área de conhecimento e passa a receber o devido reconhecimento. É importante que as informações circulem tanto em seu meio quanto fora dele. Pensar dança, escrever sobre e comunicar , são fatores indispensáveis para que cada vez mais esta seja tratada com propriedade. Uma iniciativa como esta promete enriquecer o cenário da dança em nosso país.
Espero que os pesquisadores lembrem que existe uma forma de dança chamada Balé Clássico, que tem MUITO o que se pesquisar aqui no Brasil , e que os estudiosos das faculdades de dança parecem não se interessar por algum tipo de preconceito.
Parabéns para dança como produção de conhecimento! São expectativas que vão, através da persistência, se solidificando e conquistando seus espaços. Um espaço para divulgar e publicar, compartilhar e atualizar, fundamentar e gerar, trocar e participar, um espaço para pensamentos que convergem em corpo, movimento, consciência, análise, composição, investigação, criação, conhecimento, DANÇA… ANDA…
Que a iniciativa estimule ainda mais a pesquisa e o saber, possibilitando a articulação e a contaminação do pensamento desenvolvido pela dança contemporânea na atualidade.
Estive no encontro em julho na cidade de Salvador. Um momento político muito importante para discutirmos os rumos da dança. Concordo com o colega que afirma que o espaço da pesquisa em dança ainda está muito restrito a alguns nomes conhecidos. Isso foi algo que discutimos muito no encontro e que se evidencia pelo fato de tal encontro não ter tido a visibilidade que merecia. Estudei na Escola de Dança Angel Vianna no Rio de Janeiro. Angel foi uma pessoa muita importante para a faculdade de dança da UFBA e vi poucas pessoas de lá no encontro. Eu mesma só fiquei sabendo através de uma amiga que faz mestrado em artes cênicas da UFBA. É muito importante que fiquemos atentos, que participemos para mudar esse panorama na qual um grupo bem restrito se evidencie na temática do corpo e da dança. Há muita gente interessante pesquisando, espandindo o campo da dança e do movimento e que porque não está vinculada à academia não tem visibilidade. Devemos nos perguntar para quê queremos uma associação nacional de pesquisadores em dança e que fins essa associação deve atender. Feita a pergunta que possamos continuar andando, dançando, inventando o mundo com nosso corpo, com nossa escrita.
Participei do 1° Encontro Nacional de Pesquisadores de Dança em Salvador e posso atestar sobre a importância desse evento e a legitimidade de seus objetivos.
Entretanto penso que a questão da nacionalidade da associação seria melhor sacramentada se sua diretoria fosse formada também, por representantes de outros estados do nosso país.
Reconheço a competência e a importância de todos os profissionais que compõem a Diretoria, mas devemos considerar também, que existem outros estudiosos de dança, de norte a sul do Brasil, desenvolvendo pesquisas imponderavelmente relevantes para a contemporaneidade e para o futuro da dança no país, que mereciam participar das decisões sobre os rumos da pesquisa em dança no Brasil.
Espero que no decorrer da vida da ANDA, outros importantes pesquisadores sejam convidados a integrar esta entidade e confirmar seu caráter nacional. Parabéns à equipe do Idança pelo Site e pelo novo design do Site.
Faço pesquisa em Danças Circulares e gostaria muito de participar desta discussão. Penso que este é um grupo que agrega e dialoga com todas as vertentes da dança.
Gostaria de parabenizá-los, vejo um grande movimento no Brasil de estímulo à pesquisa em dança.
Gostaria de participar do próximo encontro. Já tem previsão.
Grata
Ana Cláudia – Belém Pará
Participei do Encontro e a proposta inicial de dar visibilidade aos pesquisadores em dança e aos seus trabalhos produzidos foi desviada de foco para a criação da ANDA. A idéia de fortalecer o movimento partiu de uma ação (im)posta, digo isso porque muitos dos presentes não estavam preparados (e nem informados) para discutir o que representa politicamente uma associação em dança e o impacto neste país da produção de conhecimento no campo da arte. Se hoje a dança ao mesmo tempo que ganha uma dimensão artística, perde espaço de atuação política é porque não há representatividade efetiva, criar mais um mecanismo de controle social sem digeri-lo suficiente é enfraquecer uma luta que nem começou. O ANDA terá que avançar muito no estímulo à participação consciente e engajada dos seus integrantes pra difundir suas produções no cenário nacional.
Alguns pontos me chamaram atenção nos comentários acima, e creio que merecem análise e consideração:
1. “a coisa continua na mesma… os mesmos pesquisadores, críticos, redatores, avaliadores, professores, diretores, doutores, coreógrafos, diretores de bancos de dados, indexadores, mediadores e etc de sempre”
2- “Fico bem feliz com a iniciativa,e curiosa pra saber se todo o Brasil vai ter acesso fácil ao ANDA”
3- “Nós da área artistica temos que nos unir e nos organizar, e parar com essa bobagem de querer desvincular o “fazer” artistico do “ensinar”, da pesquisa, do registro acadêmico, histórico, publicaçãoes etc. ”
4- “A comunidade científica não está fechada, a Unicamp frequentemente promove discussões abertas ao público, seja ele científico ou não, além disso, oferece disciplinas e curso de extensão.”
5- ” É importante que as informações circulem tanto em seu meio quanto fora dele. Pensar dança, escrever sobre e comunicar , são fatores indispensáveis para que cada vez mais esta seja tratada com propriedade.”
6- “Espero que os pesquisadores lembrem que existe uma forma de dança chamada Balé Clássico”
7- “Um espaço para divulgar e publicar, compartilhar e atualizar, fundamentar e gerar, trocar e participar, um espaço para pensamentos que convergem em corpo, movimento, consciência, análise, composição, investigação, criação, conhecimento, DANÇA… ANDA…”
8- “Concordo com o colega que afirma que o espaço da pesquisa em dança ainda está muito restrito a alguns nomes conhecidos. Isso foi algo que discutimos muito no encontro e que se evidencia pelo fato de tal encontro não ter tido a visibilidade que merecia…”Há muita gente interessante pesquisando, espandindo o campo da dança e do movimento e que porque não está vinculada à academia não tem visibilidade. Devemos nos perguntar para quê queremos uma associação nacional de pesquisadores em dança e que fins essa associação deve atender. Feita a pergunta que possamos continuar andando, dançando, inventando o mundo com nosso corpo, com nossa escrita. ”
9- “…penso que a questão da nacionalidade da associação seria melhor sacramentada se sua diretoria fosse formada também, por representantes de outros estados do nosso país…existem outros estudiosos de dança, de norte a sul do Brasil, desenvolvendo pesquisas imponderavelmente relevantes para a contemporaneidade e para o futuro da dança no país, que mereciam participar das decisões sobre os rumos da pesquisa em dança no Brasil.
Espero que no decorrer da vida da ANDA, outros importantes pesquisadores sejam convidados a integrar esta entidade e confirmar seu caráter nacional.”
10- “Gostaria de participar do próximo encontro. Já tem previsão.?”
11- “muitos dos presentes não estavam preparados (e nem informados) para discutir o que representa politicamente uma associação em dança e o impacto neste país da produção de conhecimento no campo da arte. Se hoje a dança ao mesmo tempo que ganha uma dimensão artística, perde espaço de atuação política é porque não há representatividade efetiva, criar mais um mecanismo de controle social sem digeri-lo suficiente é enfraquecer uma luta que nem começou. O ANDA terá que avançar muito no estímulo à participação consciente e engajada dos seus integrantes pra difundir suas produções no cenário nacional.”
A Anda precisava conhecer esses pontos de vista antes de avançar, e quem sabe fazer um segundo encontro breve e com maior divulgação.
Excelentes e pertinentes a qualidade dos comentários!abs