Diante da oficialização do acordo ortográfico e da escassez de bons nomes de espetáculos na cena contemporânea brasileira, achei que seria uma boa oportunidade para pensar em como são elaborados e grafados os títulos de nossas peças. Com essa preocupação, procurei esboçar algumas orientações simples, mas que, acredito, podem ajudar bastante na hora de escolher. Essas dicas não servem apenas para espetáculos, mas também podem ser adaptadas a performances, intervenções, instalações, além de congressos, encontros, mostras e festivais. Veja:
1. Evite títulos cheios de pontos, parênteses, hífens, colchetes, ou coisas desse tipo. Não pode: (In)body, Ex.pe.ri.men.to, Corp[o]rea[l] etc. Não é genial, não agrada o público, não melhora o trabalho e complica a vida do pobre jornalista que redige a coitada da agenda cultural. Também não é indicado mesclar indiscriminadamente caixa alta e baixa (por exemplo, eXpeRiMenTO iNcorpÓreO), ou ainda utilizar qualquer sinal gráfico que não seja letra, pontuação ou acento.
2. Não use a palavra “corpo”, que está para nome de espetáculo assim como “atualmente” para início de redação de vestibular. Se fizer muita falta, pode substituir por “porco”, o que tornará o seu produto cultural mais atraente a qualquer público que se deseje atingir.
3. Nomes em inglês devem ser igualmente evitados. Se for muito necessário, traduza, ou mescle inglês e outros idiomas. O melhor mesmo é português. Se quiser que a sua peça tenha abrangência internacional, lembre-se de que hoje um nome italiano ou espanhol é visto com muito mais simpatia. Se tiver algum caráter étnico, procure usar iorubá ou bantu.
4. O nome não precisa explicar ou sintetizar o que a pessoa vai assistir. O nome já faz parte da peça e, quase sempre, é bem mais importante. Tudo depende dele. É a primeira coisa que o espectador vê, e em muitos casos, a única da qual se lembra depois.
5. Evite referências aos recentes avanços tecnológicos. A não ser em casos muito específicos, não devem constar na nomenclatura (e de preferência nem no trabalho) termos como “digitais”, “virtuais”, “midiáticos”, “holográficos” – principalmente se estiverem no plural. Aliás, o plural deve sempre ser usado com bastante parcimônia.
6. Não empregue, exceto por ironia, palavras reconhecidamente de uso poético, tais como: “tempestade”, “etéreo”, “olhar”, “doce”, “eflúveo”, “translúcido”, “fogueira”, “crepitar”, “sinuoso”, “sutil” etc.
7. Alguma gracinha pode ser bem-vinda, desde que seja boa.
8. Não são recomendáveis referências a tempo e espaço, qualquer relação entre os dois, qualquer relação entre os dois e qualquer outra coisa. Não pode: Espaços expandidos, Tempos coe(x)istentes, (Não)-lugares ex(p)andidos, E(x)pa(ss)os-Temp(os), e por aí vai. Substantivos como “território”, assim como outros que remetem a essa ideia (por exemplo, “mapa”, “trajetória”, “trajeto”), ainda serão aceitos nos próximos dois ou três anos. Porém, se não quiser ter o trabalho de mudar o nome de seu espetáculo brevemente, evite-os desde agora. Nunca se sabe por quanto tempo será preciso apresentar a mesma peça.
9. Ao usar um título muito longo, procure imaginar como o seu trabalho será chamado no dia-a-dia. Digamos que você, com muito esforço, chega a um nome de que gosta, por exemplo, Corpo frito em berço de rúcula com pirão de baiacu. Considere que, na prática, seu espetáculo será chamado de Corpo – termo que, como já vimos, deve ser evitado.
10. Se não for possível encontrar um nome que agrade até a hora de escrever o release para imprensa, um recurso interessante é escolher aleatoriamente uma frase de algum livro do Bukowski. Outra coisa que pode funcionar é abrir ao acaso livros de arqueologia, engenharia elétrica, mecânica de automóveis etc. Se não souber manusear ou não dispuser de livros, é possível usar “bukowski”, “engenharia”, “automóveis” como termos de pesquisa no Google[1].
No mais, é importante dizer que a escolha do título é tão importante quanto ensaiar, produzir, apresentar. Um bom título não favorece apenas o seu trabalho, mas também ajuda a embelezar os roteiros culturais de nosso país. Portanto, escolha com responsabilidade.
[1] Eu mesmo fiz a experiência, pesquisando esses termos em conjunto. Cheguei a excelentes resultados logo nas primeiras páginas. Alguns exemplos: “Uma tecnologia barata e limpa”, “Charles em falta”, “Bukowski estava errado: lavo louça”, “Coquetel”, “A arte da enganação em termos técnicos”, “O João Gilberto aquele filho da puta”, “Várias coisas que não sei fazer na vida”, “La maquina de follar (106 views)”.

Port
MUITO BOM!
Caro Gustavo,
Eu sempre senti um misto de horror e fascínio com os “dizeres” da dança contemporânea especialmente. O fascínio, é claro, vem da pura diversão.
Em 2006 escrevi um texto (que já postei aqui no idança, num comentário há bastante tempo).
Vai ele aí outra vez:
A DANÇA CONTEMPORÂNEA E O TEXTO
Se você estiver precisando de um estímulo para começar a criação de um espetáculo de dança contemporânea, ou se ele já está pronto e você precisa escrever sobre ele (para releases e programas), penso que é possível facilitar a vida de um tanto de gente – e provavelmente a minha também:
A criação de um Guia de Textos para esse fim!
Digo isso porque, ao ler os dito cujos, parece que eles todos (ou quase todos, graças a Deus) podem se aplicar a qualquer espetáculo ou “performance”.
Resolvi sugerir algumas frases, baseadas no que ando lendo por aí:
- Questionar os cheios e vazios que se traduzem em movimentos.
- Preencher as lacunas do ser que se desloca no espaço opressor.
- A dança que atravessa frestas da angústia do ser contemporâneo.
- Desnudar a essência do movimento puro.
- Capturar o cerne do gesto cotidiano.
- Propor um movimento que se desintegra e transmuta ao contato com o outro.
- Desconstruir o movimento provável para propor um novo patamar no gestual da dança.
- Trabalhar com a sugestão espontânea do bailarino que se revela como agente promotor da inquietude.
- Dialogar com uma música não óbvia, no sentido de transgredir o próprio sentido do diálogo.
- Partir do princípio delimitador do caos para revelar uma dança que renasce na negação da própria dança.
- Resgatar a expressividade primitiva do homem ainda não adulterado pelo massacre capitalista vigente.
- Espelhar o vazio que se preenche na sugestão de um deslocamento que surpreende e que se desdobra no reflexo obscuro do indivíduo que o realiza.
- Transcender a dança na busca obsessiva do movimento primal do ser que se revela ao não ser.
- Permitir que o gesto ou o movimento sejam instrumentos do acaso, para que traduzam uma verdade liberta do tempo e do espaço em que atua.
- Despertar os canais de percepção no sentido de promover o fluxo do espontâneo, revelando uma memória corporal atrelada a um mover-se ainda inexplorado pelo corpo que se permite à intensidade dessa vivência.
- Desvendar os limites do improvável ao trazer a possibilidade real como fomentadora de uma movimentação que se constrói no espaço cênico, ao mesmo tempo em que se desfaz ao deparar-se com a probabilidade em si.
E por aí vai…Você pode perceber que dá pra misturar as frases, trocar os verbos e fazer a festa!!!
Onde quero chegar, é que bem sei que não é nada fácil escrever sobre um trabalho de dança contemporânea, mas há de se ter cuidado para não cair numa teia de fórmulas que, no final das contas, gastam muitas palavras, mas dizem quase nada.
Se não há objetivamente o que dizer, é mais prudente dizer o mínimo e mostrar o máximo do que se pretende, dançando! (e assim, nos poupe de ler e tentar decifrar mais um desses releases chatérrimos.)
Lelena Lucas (coordenadora da Corpo Escola de Dança- a escola do Grupo Corpo), talvez ficasse então melhor assim: (coodenadora da Porco Escola de Dança – a escola do Grupo Porco)
Concordo, mas também acredito q um bom titulo vem em conjunto ao trabalho no processo de criação, talvez como filhos, varias opções mas no final, só quem fez é que sabe o pq escolheu e basta aceitá-lo (o titulo).
Como todo processo de criação livre para expandir e fluir nas Artes, ( já q sem fronteirasssss).
faz tempo que não leio um coisa tão desprovida de liberdade-movimento…e descabida….
o nome do espetáculo pode ser qualquer um..
uma das grandes sabedorias é ficar em silêncio; fazer uma pausa corporal-instintiva-emocional…., inclusive para escrever…
é gustavinho……. acho melhor você escrever sobre culinária…ou moda.
cristiano cimino é diretor da Cia Base.
Gostei muito das dicas, pois minhas dúvidas eram frequentes quanto aos títulos. Já com elas posso ter mais segurança e reponsabilidade na hora da criação do título.
Será que eu estou ficando maluca, ou será que as pessoas estão acometidas de falta de senso de humor?!? (credo!)
Gustavo, vou enfatizar outra vez, seu texto é MUITO BOM!
oi Gustavo,
concordo com você em vários pontos porque acho que existe uma “onda” contemporânea ( ou liberdade contemporânea)que as pessoas seguem e nem percebem que seguem, e por serem tão livres, veem significado nas suas propostas sem se preocuparem com o que vão entender, não precisa , afinal de contas, somos livres para criar e etc.Só que às vezes me pergunto se existe algum propósito ou proposta realmente nesse tipo de coisa ou se é só uma “onda”. Alguém tinha que falar o que vc falou, apesar de achar que temos que ter liberdade para criar, mas você pode ser mal entendido.
Gente, que rápido, hein. Bem legal! Então, vou tentar responder a um por um:
- Lelena: Também gostei muito das tuas dicas. É um material precioso. Você devia vender. Ajuda a entrar em qualquer festival, edital e, diria, até licitação pública.
- Alves: Verdade, mas também tem gente que põe cada nome no filho que acaba com a vida da criança. Acho que sempre tem que dar uma pensada.
- Milla: Não sei se você tá falando sério. Se tiver, bom, esquece esse texto e escolhe os nomes dos teus trabalhos do jeito que você achar melhor.
- Cristiano: Claro que a pessoa pode-deve-vai usar o título que quiser-puder-for… Concordo plena-total-intensamente… Abraço-energia-positiva…
- Sylvia: Acho que é por aí. Tem um monte dessas coisas que começam a se reproduzir em série e que ninguém para pra prestar atenção.
Gente, é logico que esse texto é uma irresponsabilidade, proposital, mas irresponsável. No entanto, é fato que me dá nos nervos abrir o programa de tantos eventos de arte contemporânea e ler os mesmos títulos.
Não pretendo seriamente orientar as decisões de ninguém. Se procurar bem, tem trabalhos legais de amigos próximos com uns títulos bem assim. E se eu fuçar nos meus releases, devo achar um monte de coisa parecida com o que a Lelena escreveu ali. Normal.
Agora, eu realmente acho importante pensar com cuidado não só no nome do trabalho, mas no que se escreve e fala sobre ele, em como se divulga, no que se comenta com os amigos. Tudo isso faz parte do trabalho, serve como ponte para que as pessoas cheguem até ele. Tem que tomar cuidado mesmo. É o que eu acho.
Abração,
Gustavo.
QUE ENGRAÇADO GUSTAVO !!!
Tenho certeza que todas as pessoas lembraram de vários nomes de espetaculos conhecidos e de seus próprios espetáculos…. é sempre bom poder rir de si mesmo.
mais sincero que isso impossível.
abraço!
Caro Cristiano é triste não ter humor.
o humor só existe no circo com pipoca?
Oi Gustavo
Seu texto é muito bom, parabéns! Acho ótimo poder olhar para nosso umbigo com um pouco de humor.
Caro Gustavo,
O que fica para a cena contemporânea em geral, de muito necessário ao meu ver, refeltindo sobre o que tenho assistido e o seu texto é a responsabilidade maior enquanto artista da pesquisa para a concepção da cena e tudo que faz parte dela a começar pelo nome. Uma tendência já teimosa em Dança Contemporânea, por exemplo, é a crença e quase uma religião por parte de alguns artisitas de tratá-la como um algo qualquer, assumindo uma postura já cansativa de por ser contemporâneo tudo vale. Pesquisa teórica, de movimento, de possiblidades, LABORATÓRIOS e PESQUISAS por favor!!!!!E aí claro, cabe a necessidade e a liberdade de criação de cada artista, depois desse processo de pesquisa, dar o nome que quiser, inclusive com caixa alta, pontuações hifens, desde que saiba de onde partiu e porque esta fazendo ou nomeando daquela maneira.
Genial Gustavo!
Quanto tempo não tenho acesso a um humor tão refinado!
Muito BOM!
caro gustavo,
me diverti muito com o texto, parabéns pela perspicácia!
vc foi muito feliz, da primeira a última linha.
valeu!
Delícia, Gustavo!!!
No Dimenti temos optado, há 11 anos, por nomes quase irresponsáveis como: “O Poste, A Mulher e O Bambu”, “Chá de Cogumelo” e “Pool Ball” – em inglês para uma tradução de Hamlet. Em “Tombé”, um dos nossos trabalhos que coleciona as últimas tendências da dança, trazemos várias pérolas como as listadas por você e por Lelena.
Bons flagras!!!!
Títulos podem motivar criações inteiras!!
bj, jorge alencar
Gustavo querido
Obrigado pelo texto. escolha de assunto pertinente, texto divertido e inteligente, mas tenho muitas duvidas ai na brincadeira toda, porque acho serio mesmo essa coisa de titulo, justamente porque tem a ver com a maneira de fazer qualquer escolha em/para um espetáculo de dança.
Acho um pouco perigoso o formato de “dicas para ser um sucesso” geralmente adotadas em revistas para adolescentes (ou gente idiota), que dita o IN e o OUT do momento, “o que pode e o que não pode”, ou “cinco dicas para como se comportar em situações íntimas”. Me parece que o buraco (da questão dos títulos) e’ mais embaixo.
O problema pra mim não e’ nem tanto qual o titulo, ou como ele pode ser moderno, atual, pungente, engraçadinho ou inesquecível, mas de onde vem e como são adotados para nomear uma criação, e como de certa maneira, acabam por direcionar o que vai ser gerado, processado, mostrado e entendido como conceito e estética de uma obra.
Os títulos não necessariamente acontecem apenas de ultima hora, porque temos que mandar o release para o jornal. Um titulo pode ser uma espécie de equação, ou o resultado total dela, ou servir de ignição para que a questão da obra seja formulada, ou como resolução do que foi questionado. As vezes os títulos grudam, perturbam, insistem, outras vezes não aparecem e te tiram o sono de noites, da mesma maneira como as vezes um movimento, uma musica ou um detalhe de espaço não te deixa dar uma obra por terminada antes que se esclareçam.
Concordo com você que se deva ter muito cuidado sempre para não cair na banalidade de chamar uma obra de “CoRpo In(ter)mediaRIO”, e para não tropeçar na ingenuidade de usar nomes da moda ou substituir o A pelo @ para provar que se esta conectado com o mundo. Mas acho que vale a pena arriscar no sentido de chamar aquilo que se cria pelo próprio nome, seja qual for, seguindo o modelo das pessoas do interior que olham para seus filhos e perguntam que nome eles tem.
Pra mim o que seria importante para continuar a se pensar em títulos de obra, seria tentar reconhecer esse fator especifico de escolha, como acontece, pra que e porque, e o que determina em si mesmo.
beijo pra você e continue escrevendo, porque como vemos aqui, ta dando o que falar, e talvez seja isso mesmo o mais importante.
Gustavo,
já tinha um tempo que não lia um texto que, além de nos passar dicas valiosissimas, ele nos presenteia com risadas maravilhosas.
é isso que chamo de entretenimento cultural. (isso é um elogio)
grata!
Achei o texto muito bacana, coerente e que nos fez realmente pensar. Parabéns.
Nossa, Gustavo!
Como sempre muito bom teu texto e essa discussão depois…valiosa e divertidíssima.
mas o que eu me lembrei agora é que título, pra mim, sempre aconteceu como um estalo, olhar e dizer é isso! Quando o processo artístico fica claro, o título (quase) bate na nossa porta.
Mas bom saber que agora posso contar com as suas dicas!
beijo e não demora tanto pra escrever de novo
eu tenho uma performance metalinguistica chamada bunda2bunda
voce assistiria?
com amor,
martim.
ps.ótemo o testo.
Parece um manual de como agradar alguém..
se há problemas em intitular de uma forma comunicativa é porque há problemas no conteúdo..
Laura
:D
:D
:D
:D
Gus, sweet, obrigada por deixar meu dia mais feliz!
fiz até uns abdominais de tanto rir mas não consegui fechar muito bem meu diafragma.
quando eu crescer, quero ficar parecida com você! é uma tarefa muito importante alimentar a discussão com humor e ironia.
salve, salve, Maíra
Caro Gustavo!
Diversão e inteligência!
A dança contemporânea precisa disso!
Acho triste ver o marcelo evelin comentar sobre o perigo do texto, tratando-o como dicas de obter sucesso…o in e o out… adolescentes (ou idiotas) …além do preconceito instalado, me pergunto quantas vêzes o mercado restrito da dança, hoje deitada sobre o leito da academia dita contemporânea, provoca pela falta de diversidade (palavra também desgastada em releases), as dicas para obter sucesso em editais, o que está in e o que está out no plano acadêmico…etc…
Liberdade acima de tudo!
Beijo Lelena!
Matias Santiago
artista um pouco cansado disso tudo.
(olha, dá um bom nome de espetáculo,hein???)
Primeiro lugar obrigado a todo mundo que leu e se deu o trabalho de postar, é sempre legal saber o que tão achando.
Não vou responder a um por um dessa vez, pq acabei deixando acumular e é muita gente (que bom). Mas vou pontuar algumas coisas:
Jorge, não acho irresponsáveis os títulos que vc citou. Acho que eles não são óbvios e não têm pretensão de ser sérios, o que é ótimo.
Marcelo, eu entendo bem a tua ressalva. Mas o próprio formato do texto é uma brincadeira com isso, com modinha, com o que tá in e out, certo e errado.O grande risco é alguem querer seguir isso ao pé da letra, coisa que eu achava impossível. Concordo com vc que título é um assunto e tanto, as vezes vem facil, as vezes nao sai de jeito nenhum, da trabalho. Se tem alguma moral nessa história é que título é importante, precisa de cuidado. E é claro que tudo pode, quem seria eu pra dizer que não?
Martim, pelo nome eu iria, agora se me falassem em performance metalinguistica eu já ia pensar mais um pouco. ;)
O grande risco é alguem querer seguir isso ao pé da letra, coisa que eu achava impossível.
Laura, então, é claro que nem sempre é facil chegar a um titulo legal, mas concordo com vc que existe essa relação entre o título e o processo, quer dizer, é encarar o nome como algo que compõe todo o processo, como tudo mais.
Bom, acho que por enquanto é isso. Abração aí pra todo mundo e obrigado de novo.
Gustavo,
adorei o texto porque eu pessoalmente tenho o maior problema com os nomes dos meus trabalhos. Mas, acho a discussão bastante boa, nomear as coisas é algo estranho porque elas podem adquirir uma identidade fechada, como no caso das abreviações de nomes de espetáculos que voce citou (eu gostei do corpo frito) Ou o nome pode sim direcionar o olhar pra aquilo que a gente quer que o espectador veja (ou não veja…) ou direciona um pré- estado para se assistir ao espetáculo, tipo. Não sei se o nome das coisas têm tanto peso assim como alguém comentou aí acima, fico pensando naquelas piadas sobre os portuguêses que sempre traduzem o nome dos filmes do jeito mais óbvio…e nada disso modifica o que a gente vê, sente, etc com o filme de fato.
O nome de um espetáculo fala muito mais sobre uma pretensão, um desejo do autor do que sobre a obra mesmo. Enfim, gostei do texto porque acho que estamos ficando bem sem graça, chatos e desinteressante ultimamente, e um pouco de humor só faz bem.
obrigada por isso
abraço
ei gustavo! até que enfim o atrevimento transportado no seu texto # lembro de vc falar dessa des-enciclopédia ainda quando estavamos ai em curitiba + de todo modo o ph acido amplifica e é bom de passar na pele da barriga que já é dura pelas risadas
saudações *
Será esse o caminho para se da referencia indentificativa a um espetáculo? Teria uma forma pronta? Se nós tratamos de entendimento e difusão de idéias por meio de interpretá-La e colocarmos nossas posições criticas, como poderíamos entra numa forma nesse aspecto?.
CONCORDE PLENAMENTE COM A LAURA!
Anderson Rodrigo.
oi gustavo,
muito bom mesmo! sabe que, se você tiver problemas com o release pra imprensa, existe um site onde você digita uma duzena de palavras (tipo: politica, intersticio, borda, intriseca, leitura, ético, peso, sublime… e por ai vai) e ele te da o texto pronto!
foi um prazer passar por aqui!
fabricia.
gustavo, querido. quase perco a hora do trabalho por que estava lendo seu texto e os comentários. mas, daqui do hotel até o teatro, com 10 dicas de diferentes desvios, fui fazendo auto-análise, criando penitências e rindo de um monte de coisas que já vi — o deboche é a resposta! e a alegria (ainda) é a prova dos nove!
beijos e obrigado pela falta de educação. a cortesia social me soa como um discurso em equilíbrio térmico, desatualizado, por sua própria inabilidade.
O PORCO EM MOVIMENTO
CIDADÃO PORCO
A ETMOLOGIA DO PORCO
O SABER DO PORCO
O PORCO (IN)DI(VISÍVEL)
PORCOS POÉTICOS
A CIA DO PORCO
e por aí vai…
gustavo, já sei o nome do meu próximo trabalho, oq vc acha:
“Dez dicas para dar um bom nome ao seu espetáculo”
ô pessoal, não vale plagear heim… a idéia foi MINHA.
:-)
Olá Gustavo,
Muito bacana este teu artigo. Concordo sobre a importância da escolha de título para nossas obras, e confesso que este tema, me toma muito tempo durante o processo de criação. Já produzir algumas peças as quais tinham seus títulos escritos na lingua germânica, isto por terem sidos criados e apresentados na Áustria e na Alemanhã. Lembro que estas escolhas, sempre me trouxeram um enorme incômodo. Só pra te dar um exemplo: um título o qual escolhi para uma das obras (a qual prefiro não revelar), apesar dos Áustríacos e Alemães não usarem a expressão no dia dia e nunca ter ouvido falar da mesma, afirmaram, soar ”intelectual e metafórico”. Por outro lado, traduzindo o mesmo título para o português, a meu ver, soa “redundante e vago”. A sorte nesta questão é que eu gosto da obra como ela se configurou, independente do seu título, considero-a cheia de conteúdo o que diz o contrário na tradução que se aproxima do português. Ainda em Viena, o público das escolas (adolescentes), dizeram da mesma ser complexa, em um debate foi necessário o auxílio do professor pra tirar dúvidas daqueles que muitas vezes nem sabiam do que perguntar sobre o que viram. Já os adultos intelectuais, professores, artístas e outros, acharam a obra ter um perfil ousado e inteligente. Bem, diante da divergência, eu prefiro não traduzi-la para o português e ainda concordando com as suas dicas, sugiro que seja necessário, também refletir na hora da escolha do título, sobre a cultura, e público alvo (classe social e a faixa etária) ou seja, temos muito que pensar, porém faz parte da criação. Concluindo…se eu tivesse que dar o título para esta obra denovo, escolheria um outro com um sentido mais direto na lingua portuguesa.
Abraço
Adriana Carneiro
Recife/PE
http://www.tanztheaterluz.com
Gustavo,
As risadas e a seriedade do texto me confundem , o que é ótimo!!!
Não estou à caça de um título para os meus trabalhos atuais, ele já existe. Se vc tivesse chegado antes….
Quando ouvir ou ler Cabelódromo saiba que eu sou eu e que fiz antes da sua matéria…
Aguardo aprovação!hehehehe
parabéns
bj Grasi
Acredito que perceber se um título “cola”ou “não cola”esta ligado a motivos de identificaçao, modismo, costumes, e as informaçoes que cada pessoas tem ao se deparar com o título de uma obra. Existem trabalhos que vem e voltam dentro da aceitaçao do público, obras que são detestadas e quando reaparecem o retorno é totalmente diferente do momento anterior. Como ja foi dito em comentarios anteriores: o título faz parte da obra, discutir título é discutir a obra, não desmereço as dicas que você nos traz Gustavo, tampouco acho destrutivo escrever com humor. É de grande importancia e nossa função como artistas reconhecer o que ”da”ou “não da”certo quando jogamos nossas informaçoes ( obras) no mundo, mas não podemos deixar de lembrar que o que ocorre são procedimentos diferenciados, que cada artista resolve por escolhas, por objetivos traçados ou não. Ecistem situaçoes em que o título grande é intencional, repeir e repetir a palavra corpo em portugues ou em qualquer lingua que seja agradavel ou não também pode ser de propósito. Também não posso aqui tirar a realidade de que em muitos casos, essa relaçao do título com a obra e a intencionalidade para com ele pode passar despercebido pelo artísta, dando uma margem gigantesca para críticas, debates e dicas quanto ao título – obra.
Enfim, esse assunto esta dentro de um grande leque, com inúmeros elementos possíveis para se dialogar. Considero seu texto como um bom prato de entrada para se começar. Uma observação é que nessas dicas apresentadas o juizo de gosto do autor ( Gustavo) é bastante forte e talvez isso complique um pouco quando essa pauta é levada a um âmbito maior, principalmente se tratando de obras contemporaneas. Pesquisas artísticas contemporaneas podem ter infinitos caminhos e linhas, que nos confundem rapidamente, mas trazem consigo substancia e argumentos, aprofundando ainda mais cada reflexão proposta.
Reconhecer as possibilidades e levantar funcionamentos quanto obra-títuli é algo recheado e que inflama facilmente, percebe-ce pelos muitos comentarios aqui postados. Me parece uma daquelas conversas longas e que aqui certamente não será o fim.
Loana Campos - graduanda do 4. ano do curso de Dança da FAP.
Toda essa discussão sobre títulos de trabalhos, e pode-se pensar também, como outras pessoas já colocaram,nos textos e releases dos trabalhos de dança contemporânea e acredito que de um forma geral de arte contemporânea, me faz pensar muito em James Joyce e seus neologismos! Talvez cada vez mais percebamos o quanto a linguagem não é capaz de dar conta de nosso pensamento, nós pensamos imagem-cheiro-palavras-sensações…e traduzir isso em palavras nem sempre é possível! é o que acontece quando vamos explicar algo e ao invés de falarmos fazemos um gesto…é tão difícil falar dessa dança…talvez, porque as palavras tenham que se atualizar. O fato de escrevermos com pontos, caixa alta e caixa baixa…(como já foi dito anteriormente) tem a ver com o pensamento do trabalho, daquele processo específico, e talvez seja uma forma de estarmos atualizando a linguagem escrita; há muito disso em Hakim Bey, e nos movimentos de contra-cultura, nos livros da coleção Baderna, e percebe-se nesses escritos que por trás da escrita das palvras há um conceito, um pensamento. E daí voltando aos neologismos de James Joyce é interessante de pensar que da mesma forma como construo minha pesquisa ”corporalmente” posso construí-la na linguagem escrita, é sempre tradução intersemiótica, de uma linguagem para outra.
De novo me ausentei demais e os comentários aumentaram. Fiquei meio fora de combate uns tempos, desculpem. Bom, respondendo:
Lara, nomear as coisas é complicado mesmo. É legal essa possibilidade que você menciona, do título como uma maneira de direcionar o olhar das pessoas. Eu tenho pensado bastante nisso, o nome como uma ponte ou uma extensão mais pública do trabalho.
Thiago, a barriga tá dura de magreza. Tem que se alimentar direito, moleque.
Anderson, peloamordedeus não tem forma pronta não, cada nome é fruto de uma história diferente. Concordo com a Laura e com você. É tudo brincadeirinha.
Fabrícia, põe o link!
Wagner, te devo um e-mail daqueles longos sobre essa e outras coisas. To me comprometendo publicamente.
Mariana, eu te processo. Beijo.
É muito doida essa relação que o nome pode ter com diferentes línguas. Acho que é uma complicação semelhante à que acontece quando você tem uma peça que usa palavras escritas ou faladas. Será que traduz quando vai apresentar em outro lugar? Será que o significado se mantém quando se traduz? Será que, dependendo do caso, a sonoridade, o jeitão da palavra não têm mais peso do que o significado? Me parece que cada trabalho vai pedir relações diferentes com a palavra e com a ideia de traduzir. Dá pra fazer um paralelo com o que acontece no cinema. Pensa que tem filmes cujos nomes são traduzidos por razões comerciais, outros que simplesmente não colam em outra língua, outros ganham um subtítulo explicativo, e muitos fatores determinam essas variações (comerciais, históricos, políticos, poéticos). Ninguém quis traduzir “E la nave va”, botaram um subtítulo em “Top gun” que ninguém lembra, “Psicose” funcionou melhor do que se ficasse o original. A vantagem que a gente tem na arte contemporânea é não ter o compromisso de funcionar nesse sentido mais estrito, mas sim de entender que possíveis relações são criadas por meio do título em diferentes ambientes.
Grasiele, ‘Cabelódromo’ é ótimo.
Loana, muito bacana o teu comentário. Concordo com cada palavra.
Bruna, você conseguiu desvendar pra mim o mistério da abundância de sinais gráficos nos títulos das obras contemporâneas. Talvez venha daí mesmo, de uma necessidade de renovação também na linguagem escrita, no aspecto gráfico. Acredito que em muitos casos a modinha também pesa bastante, mas vou tentar olhar com mais complacência, prometo.
Acho bárbaro a idéia de se debater, rir, brincar de tudo isso, mas também acredito que devamos sim trazer a reflexão, pois nomear projetos na contemporaneidade com nomes cada vez mais difíceis de serem pronunciado e de agregar sentidos parece estar instrinsecamente ligados a “receitas” e modos de garantir a aprovação de projetos em editais públicos, nas instâncias municipais, estaduais e nacionais…
Façam o exercício e busquem as últimas listas de aprovações de editais e confiram os nomes de projetos aprovados, vão encontrar pérolas, parecem que seguem padrões de organização. Acredito na resposabilidade sim, na mesma medida de lidar com o dinheiro público que apoia o desenvolvimento de meus projetos que esta mesma coerência venha acompanhar os nomes dessas obras… faltam- nos palavras como nos alerta a Bruna ali em cima, mas falta-nos tb compreender que só reclamar durante a temporada de nossos trabalhos que não temos público para assistir nossas obras, tem uma profunda relação com a falta de diálogo e pontes que se estabelecem ou que não se estabelecem nos títulos das obras.
Clayton Leme – Artista da Dança
Gustavo, danço por pura diversão, mas escrevo textos em poesia e prosa: fiquei encantada com a sua sugestão de nomes. Já penso em escrever algum conto com o título “Joaõ Gilberto, aquele filho da puta”. Acho que toda a torcida do Flamengo vai ler !!! O máximo!!! Angela Nabuco
KKKKKKKKKK…
Gustavo,
sempre pensei sobre a escolha desses nomes e o discurso nas sinopses segundo a Lolena…tento aproveitar pra rir um pouco. Mas não é que de repente me vejo escolhendo um nome pro meu próximo trabalho que começa com CORPO…eu juro que tentei mudar para PORCO, mas…agora vou ter que levar o peso dessa palavra até o fim!!!
bom eu queria pedir um cd desse que eu estou escutamdo agora so isso que eu quero!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Gosto do humor perspicaz do texto. Melhor ainda é a discussão gerada.
Acredito que hoje alguns se preocupam demasiado em usar o vocabulário da moda e deixam de lembrar o real objetivo de um título: comunicar. Principalmente quando o título não remete em nada a pesquisa apresentada. E isso se estende aos releases encontrados nos programas, quanto menos envolventes maiores as chances de distanciar o público da proposta. Divido a opinião de que não é nada fácil escrever sobre um trabalho de dança contemporânea e que igualmente somos livres para criar e interpretar títulos a nossa maneira, mas prestar um pouco de atenção ao fator da escolha do nome não faz mal a ninguém.
Ah, e um pouco de bom humor também não.
Patrícia Machado
Neste momento de tantas produções e espetáculos, o que passa despercebido, muitas vezes, é o título ou o nome destes. É bem interessante como Gustavo Bitencourt chama a atenção para este ponto, pois nós nos preocupamos tanto com o ensaio, com a apresentação e produção que esquecemos do primordial que é o título, pois é o que levará o público ao primeiro contato com a obra, isto é relevante. Portanto, é um insight que o autor compartilhou a sociedade, de grande valia, que nos faz refletir sobre o nosso papel de construção também de um titulo para o espetáculo ou peça.
muito legal ! *-*
Muito legal ver não só o texto do Gustavo, mas também os comentários no decorrer do tempo…
A questão aqui apresentada nos faz refletir que o título é uma comunicação colocada no mundo, e também pode ser comparado ao nome de um filho, visto que uma obra também é como um filho nosso.
Colocar um nome na obra é algo complicado, já que hoje nos deparamos com inúmeras formas de “composições ortográficas” no cenário contemporâneo. No entanto não podemos esquecer que é através do título que o público, a sociedade vai estar tendo o seu primeiro contato com a obra, e que o título é sim um comercial do trabalho…há de existir uma aproximação entre sociedade e título para gerar uma curiosidade…interesse pelo trabalho.
Acho que o bom humor é algo que sempre esteve presente no cenário artístico e muitas vezes me deparo com isso morrendo, o que me deixa realmente triste, pois parece que na contemporaneidade só o sério e o indagador é o que vale…porém Bausch mesmo usava-se em suas obras do cômico, mas nao um cômico vulgar..mas como esse cômico vira indagação.
Também vejo através do comentário de Bruna Spoladore um olhar muito interessante…pois acho que o nosso olhar para a escrita deve ser atualizado e também ver os pensamentos do artista alí, naquelas palavras escolhidas para representarem o seu trabalho, uma escolha que assim como o trabalho prático deve passar por um processo.