O Núcleo de Criação do Dirceu (NCD) retoma suas atividades hoje (25/03), em Teresina. O projeto, que já dura três anos no Teatro Municipal João Paulo II (TMJP2), está repleto de atividades neste primeiro semestre.
Os trabalhos começam com o Projeto Instantâneo, que há três anos promove sessões de improvisação semanais com entrada gratuita. A apresentação começa às 20h.
Já na segunda semana de abril, o Núcleo participará do festival brasil move berlim, no dia 16. Bull dancing, de Marcelo Evelin/Demolition Inc.) fará a abertura do festival, que acontece no Hebbel am Ufer (HAU 1, 2, 3), considerado o principal centro de produções contemporâneas da capital alemã. Também viajam Jamila Rocha (Corpo Manual), Alexandre Santos e César Costa (2 Heterogêneo), e Elielson Pacheco (Sobre Ossos e Robôs). Clique aqui para ler mais sobre o evento.
Outro projeto que será desenvolvido em 2009 pelo NCD é o colaboraTóRIO, programa de residências, colaboração e criação realizado em parceria com o Festival Panorama de Dança. O projeto consiste em uma residência por mês, com três semanas de duração em cada cidade – Teresina e Rio – entre abril e setembro. Cada etapa selecionará intérpretes-criadores para as edições 2009/2010.
O primeiro residente será Cristian Duarte, de São Paulo, que desenvolverá atividades entre os dias 2 e 18 de abril. A coreógrafa e videomaker Tamara Cubas (Uruguai) estará em Teresina em maio, o coreógrafo Boyzie Cekwana (África do Sul) em junho e Zeynep Gunsur (Turquia) em julho.
Os interessados em se inscrever para as residências em Teresina têm até 31 de março para se inscrever. É necessário enviar currículo resumido e carta de intenção à sede do TMJP2 (Avenida Joaquim Nelson 1.861, bairro Dirceu Arcoverde). Clique aqui para saber mais sobre o projeto colaboraTóRIO.
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“Talvez o que nos impeça de encontrar convergências políticas esteja guardado nos manuais da escravatura… “
João Ubaldo Ribeiro em seu artigo “Quem tem raça é cachorro” (OESP 04-04-09), trouxe à tona essa ardilosa estratégia: “Documentos escravagistas do Segundo Império, no Brasil, recomendavam que se mantivessem escravos de nacionalidades diversas na mesma senzala, porque muitos se odiavam ou desprezavam entre si mais do que ao opressor.”
O que João Ubaldo me incita a pensar é que esse sistema anda muito vivo e bem maquiado no nosso sistema de classes. E maquiagem, gente, é coisa muito séria!
Nesse mesmo artigo, João Ubaldo também nos chama à atenção para um retrocesso inaceitável que estamos deixando acontecer: a divisão da população em raças.
Hoje qualquer um que tenha acesso ao computador ou lan house qualquer, pode “googar” a palavra raça e constatar que essa definição não se aplica mais aos humanos. Cientificamente porque não temos diferenças genéticas, isto é, não temos diferenças em termos de DNA. O que temos são diferenças de aparência, ou melhor, de fenótipo e não genótipo, portanto somos uma única raça: a raça humana.
Não seria essa, mais uma linha abissal sendo traçada entre nós, mais uma estratégia de promover o desprezo, a rivalidade e o preconceito?
Nossos filhos já estão sendo catalogados nas escolas e esse retrocesso está se transformando em fato. E assim, mais uma linha abissal imaginária promove a divisão em partes de um único comum, para desativar nosso desejo de congruência política!
Hoje está acontecendo em Teresina, ontem foi em São Paulo:
O Núcleo do Dirceu faz parte de uma rede de ações em dança contemporânea que promove um contexto gerador de autonomia vem sofrendo mais um descaso político.
Cultura é um mecanismo potente de desenvolvimento de um país. Produzir conhecimento é pratica intrínseca da cultura assim como gerar contextos criativos e profícuos. Isso o Núcleo do Dirceu faz em Teresina. Mas perdeu o apoio do poder público e a comunidade esfacelada por esse mesmo poder público, encontra-se esmaecida.
Isso deve ser porque aqui, no nosso ambiente, nos acostumamos ao fato de que projeto cultural não tem continuidade, ao fato de que não existe política pública responsável que produza lastro e assegure ao cidadão sua condição enquanto gerador de conhecimento e não só consumidor.
Penso que seja dessa forma que o poder público resolve operar para que sejamos “escravos de nacionalidades diferentes na mesma senzala” sem vontade de convergir contra o opressor.
Mas eu não desisto. Re – existo.
E sei que muito outros brasileiros não estão mais querendo deixar-se esfacelar.
Não quero que mais um Núcleo seja desativado em nossa história, quero que nossa história seja outra, e aos poucos ela será.
Nesse momento é o Núcleo do Dirceu, e quando será o seu?
Thelma Bonavita
Obs: em São Paulo a lei de Fomento à dança contemporânea havia sido suspensa pelo atual prefeito Gilberto Kassab, depois da mobilização geral dos artistas, pesquisadores e técnicos voltou a ser acionada.
isso. Grande Telma!!! sempre Telma!!!