À frente do Teatro Municipal João Paulo II (TMJP2) há três anos, o coreógrafo Marcelo Evelin pediu demissão do cargo na sexta-feira (27/03). Alegando incompatibilidade com a atual presidência da Fundação Cultural Monsenhor Chaves – que administra o teatro -, Marcelo entregou a carta de demissão ao prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, ressaltando divergências nas tomadas de decisões artísticas envolvendo o TMJP2.

Leia abaixo a íntegra da carta:

Venho através desta entregar a V.Sa. o cargo que ocupo desde 2005 como diretor geral do Teatro Municipal João Paulo II.

A minha demissão se dá por motivo da impossibilidade de um diálogo produtivo com o atual Presidente da Fundação Municipal de Cultura, o que vem prejudicando e desqualificando consideravelmente a minha atuação como diretor da referida casa.

Nesse momento sinto não mais necessária a minha participação nas decisões artísticas que envolvem esse órgão cultural, pelo desrespeito com minha autonomia de diretor e pelo desinteresse com que a FMC trata um trabalho que vem sendo realizado com sucesso junto à comunidade do Grande Dirceu e servindo como modelo não apenas nesta capital, mas igualmente no resto do Brasil e em ambito internacional.

Gostaria de deixar claro que essa decisão não está sendo tomada por razões de acordos financeiros, e que de minha parte tudo foi feito para viabilizar a permanência do meu projeto artístico nesta casa e na cidade de Teresina.

Agradeço ao senhor pela confiança nesses três últimos anos, e fico à disposição para qualquer esclarecimento e para projetos futuros sob outras condições.

Atenciosamente
Marcelo Evelin

Em entrevista ao jornal local Cidade Verde, o prefeito de Teresina se disse surpreso com a atitude do coreógrafo e afirmou que dará todo apoio ao presidente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, Cineas Santos. “Eu fui surpreendido com a carta de demissão (…). Então, isso gera tumulto e crise onde não deve existir. Compreendo que a área cultural é cheia de conflito, isso é natural. Agora, nós não vamos nos subordinar a esse tipo de exigência, nem dele e nem de ninguém. Não podemos concordar com esse tipo de comportamento”, declarou (leia aqui a entrevista completa).

A notícia foi recebida com indignação por artistas de todo o país – já são mais de 90 comentários no blog do Núcleo de Criação do Dirceu, projeto nascido no teatro e que nos seus anos de atividades já alcançou prestígio internacional.

Leia também no movimiento.org a carta escrita por Marcelo Evelin dirigida à comunidade da dança explicando os motivos da sua decisão.