Indignados com a situação que levou à saída do coreógrafo Marcelo Evelin da direção do Teatro Municipal João Paulo II – onde funcionava com sucesso o Núcleo de Criação do Dirceu -, artistas de todo o Brasil uniram forças num abaixo-assinado online para dar apoio ao trabalho realizado há três anos no Núcleo. Depois de meses de negociações com o atual presidente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, Cineas Santos, os 21 artistas do projeto também pediram demissão (clique aqui para ler mais sobre as demissões).
O texto de apoio começou a circular no dia 2 de abril e já conta com 320 assinaturas. Para participar da mobilização, clique aqui. Leia a íntegra do documento abaixo:
Depois de três meses de negociações infrutíferas, os 21 artistas do Núcleo de Criação do Dirceu foram levados a um pedido de demissão em massa. Uma incompatibilidade que se revelou incontornável com a política da nova gestão da Fundação Municipal de Cultura, e inviabilizou a continuidade do importante trabalho que realizavam há três anos no Teatro Municipal João Paulo II, junto à comunidade do bairro do Dirceu, em Teresina. Isso significa que o modelo original e inspirador de políticas públicas lá implantado acaba de desaparecer.
Em momentos assim, é importante manifestar-se. Os que assinam abaixo estão protestando contra as razões que levaram esses artistas a pedir a sua demissão coletiva. E estão pedindo aos responsáveis pela política cultural de Teresina que novas formas de abrigo sejam viabilizadas para que o trabalho exemplar do Núcleo do Dirceu possa ter continuidade.
Veja também a repercussão da polêmica no blog do Núcleo de Criação do Dirceu e no movimiento.org.

Port



“….as razões que levaram esses artistas a pedir a sua demissão coletiva”
alguém poderia esclarecer quais são estas razões antes de pedir para que se assine um “abaixo assinado”?????
Se não sabemos sobre o que falamos e o que defendemos, continuamos a ser, como de costume, fantoches!!
Olá, Ana Teresa. Entendo sua preocupação em saber das razões de nossa demissão antes de assinar qualquer coisa, apesar de o abaixo assinado ser acima de tudo em apoio do Núcleo do Dirceu e não especificamente contra as razões que levaram à nossa demissão coletiva.
De qualquer maneira voce tem razão em demandar mais detalhes.
As principais razões foram:
1- As declarações do secretário: “..esqueçam essa estória de Núcleo do Dirceu, agora voces serão empregados da prefeitura de Teresina.”, “… vamos devolver aquele teatro para a comunidade”, “…tudo agora passará por mim”.
2 – A falta de interesse, declarada em repetidas ocasiões, em qualquer tipo de intercâmbio, nacional ou internacional. (que vai totalmente de encontro com a nossa proposta original de sistema aberto e colaborativo).
3 – A fato de que fomos praticamente acusados de “parasitar” o sistema público, utilizando a infraestrutura do Teatro em benefício próprio, e de que mantínhamos uma relação “ilegal” com a prefeitura. (Referindo-se ao nosso convênio, que foi elaborado e proposto pela própria prefeitura na gestão passada).
A minha opinião pessoal é a de que ele não queria assumir publicamente a responsabilidade pela interrupção do projeto e foi assim “cortando nossas asas” com uma espécie de “guerra fria”. De fato, foi um crime sem vestígios, é difícil deflagrar o ponto exato em que a negociação deu errado. O que sabemos é que, nesse momento, o que queriam de nós era apenas uma espécie de gerência do teatro municipal, pronta para executar determinações “superiores” e não a construção de uma identidade, uma direção artística clara e continuada, inovadora para o contexto local. Então, por respeito à prefeitura e em defesa do projeto em sua integralidade, achamos que era melhor sair.
Sabemos que um secretário tem todo o direito de mudar a política cultural de uma cidade, mas, da mesma forma, nós temos todo o direito de não concordar. Se você também não concorda, ou simplesmente apoia o trabalho do Núcleo do Dirceu, eu lhe convido a assinar o abaixo assinado.
Sérgio Matos/Nucleo do Dirceu
Obriago Sergio, pela sua resposta esclarecedora. Talvez, como sugestão, ela poderia ser disponibilizada a todos no site e/ou junto ao abaixo assinado.
O meu pedido de esclarecimento se refere a um tipo de atitude que está se alastrando dentro da pseudo comunidade da dança, onde algumas pessoas, ditam o que deve ou não ser visto, apoiado, assinado, concordado, gostado. Conheço pouco o Nucleo do Dirceu, apenas através das apresentações no itau Cultural das quais gostei bastante mas não representaram exatamente algo inovador. O projeto aí, junto à comunidade ME PARECE também pelo pouco que sei, mais interessante e consistente. Talvez este projeto aqui para as bandas de São Paulo seja muito pouco conhecido, por isso a minha sensação de estar “assinando” em baixo de algo que não me é conhecido, apenas porque voces são “descolados”, com aval de alguns artistas “in”.
Que tal tornar público o projeto que voces desenvolvem aí? Assim não fica parecendo picuinha do secretario ou do prefeito contra os “revolucionarios”, voces ficam com um respaldo independente de quem conhece voces e acham voces “legais”, independente do prefeitos e secretarios. Se o projeto é bom, torço para que encontrem outros meios de realizá-l.
abraços
Teca
Oi, Ana Teresa
queria colocar aqui o nosso esclarecimento sobre os fatos e te convidar a dar uma olhada no nosso blog aqui e no nosso relatório de 3 anos de atividades aqui para conhecer um pouco do nosso trabalho.
abraços,
Janaína Lobo / Núcleo do Dirceu
Esclarecimentos
O Núcleo do Dirceu traz, a quem interessar, um resumo das razões que levaram ao seu pedido de demissão coletiva. Todos os fatos e opiniões abaixo referem-se aos três meses de negociação (jan-mar 09) entre a nova gestão da Fundação Cultural Monsenhor Chaves e o Instituto Punaré (Pessoa jurídica que representa o Núcleo do Dirceu), quanto à continuidade do projeto Centro de Criação do Dirceu / Núcleo do Dirceu dentro do Teatro Municipal João Paulo II, em Teresina, Piauí.
FATOS
O novo secretário de cultura declarou abertamente, em várias ocasiões, seu desinteresse em qualquer tipo de comunicação, intercâmbio ou diálogo entre o Teatro Municipal João Paulo II e o resto do Brasil e do mundo. Outras de suas declarações são:
“Esqueçam essa estória de Núcleo do Dirceu, aos olhos desta Fundação vocês são empregados da prefeitura”
“Vamos devolver aquele teatro para a comunidade”
“O teatro não tem a cara do bairro Dirceu”
“Autonomia? Nem pensar!”
“Tudo passará por mim”
O secretário também sugeriu que o convênio do Núcleo do Dirceu / Instituto Punaré com a Prefeitura de Teresina caracterizava uso abusivo do patrimônio público (referindo-se ao uso das instalações do teatro) e que beneficiava interesses privados, questionando a moral e a idoneidade dos artistas e da diretoria do Instituto. A “legalidade” deste convênio com a prefeitura também foi questionada, desconsiderando-se o fato de que este foi não somente proposto, mas elaborado pela própria prefeitura durante a gestão anterior.
QUESTÕES do Núcleo do Dirceu:
Um teatro municipal não deveria ser justamente um lugar aberto, permeável ao trânsito de informação e conhecimento?
O uso do nome Núcleo do Dirceu, que representa um coletivo de artistas, não seria um direito básico do grupo?
Dirigir um teatro não significa dar uma “direção”? Ao invés de ser apenas uma espécie de gerência administrativa, que cumpre ordens de seu “superior”?
O que significaria a expressão: “empregado da prefeitura”? Seria uma pessoa/artista que deve se subordinar totalmente (abrindo mão de seu posicionamento político e artístico) por medo de perder o emprego?
Não é estranho considerar que toda a diversidade cultural de uma cidade deve passar pelo crivo de um indivíduo que declaradamente não está aberto a experiências culturais diversas?
Se a prefeitura pode ser parceira de empresas privadas em serviços como limpeza pública, segurança, porque não pode com a cultura, neste caso com uma Instituição privada sem fins lucrativos?
Se havia de fato alguma irregularidade nesta relação, por que os artistas e a direção do TMJP2 não foram demitidos?
Desenvolvimento é Liberdade. Permanecer é transformar-se.
INSTITUTO PUNARÉ / NÚCLEO DO DIRCEU
Bem antes de qualquer coisa quero parabenizar o nucleo de criação pe-la decisão de ter pedido demissão…porem quero que dar uma opnião.Que esse pedido de demissão pode até não ter sido valido no sentido de que pessoas que se beneficiarão da ajuda de todos voçês enquanto trabalhavão no centro de criação´´Teatro Municipal jp2“se mostram totalmente despreucupadas com a atual situação que voçês nucleo se encontram…mais bem quero deixar claro aqui o meu sincero agradecimento a todos os artistas que conpõem o nucleo por tudas as informações que me forão dadas de forma direta por meio dos trabalhos feitos…sintam-se todos abraçados e tenham a certeza que tudo que fizerão no centro de criação foi valido….sorte e contem comigo e com os artistas da Cia Dubio….!
O TEATRO TEM QUER SER DE TODOS, E NÃO DE UM GRUPO, ELE VEIO PARA O DIRCEU COM UM PROPOSITO QUE SERIA LEVAR A POPULAÇÃO “DO DIRCEU” PARA DENTRO DE UM TEATRO. SOU MORADOR, FUI UM DOS INTEGRANTES DA CAMPANHA EM PRO DA INAUGURAÇÃO DO TEATRO QUE POR VARIOS ANOS ESTAVA COM AS OBRAS PARADAS. SÓ QUE AGORA O TEATRO SÓ SERVE PARA ALGUNS GRUPOS, E A POPULAÇÃO CONTINUA AFASTADA DO TEATRO, ENTÃO NA MINHA OPINIÃO TINHA SIM QUE MUDAR O RUMO. O MARCELO É UM PROFISSIONAL DE MÃO CHEIA, MAS TAVA NA HORA DE V QUE SEUS PROJETOS NÃO ESTAVAM SERVINDO PARA LEVAR NOSSO POVO AO TEATRO. NEM ME LEMBRO MAIS A ULTIMA VEZ Q FUI AO JPII E LA ESTÁ COM TODAS AS POLTTRONAS LOTADAS, E OLHEM Q SÃO POUCAS. ABRAÇOS.
HA NÃO SOU CONTRA O MARCELO E O GRUPO, É Q COMO DISSE O TEATRO VEIO PARA O DIRCEU COM UM PROPOSITO QUE NÃO ESTAVA SENDO SEGUIDO. ABRAÇOS.