Tema ainda pouco discutido na dança, o humor é o fio condutor da 3ª edição de Interação e Conectividade, mostra promovida pelo Dimenti, que começa na segunda-feira (1/06), em Salvador, com uma programação de espetáculos, performances, mostra de videodança, mesas-redondas e oficinas.
Todos os trabalhos têm em comum a exploração do humor. Mas que ninguém pense que a mostra se trata de um show de comédias, daquelas de se gargalhar sem parar. As obras participantes foram escolhidas com o intuito de desconstruir a ideia de que humor está sempre associado à gargalhada. “Nas duas edições anteriores não criamos nenhum recorte específico. Nesta, por conta de interesses artísticos nossos e por achar que há pouca discussão sobre o assunto, resolvemos nos posicionar pelo humor. Temos que investir nesse tema, as discussões são concentradas no teatro, filosofia, mas não em dança”, explica o diretor do festival, Jorge Alencar.
Tendo em sua programação peças tão distintas quanto O samba do crioulo doido (Luiz de Abreu), E eu disse: (Letícia Sekito), e Mono (Marcelo Evelin), a mostra pretende provar que o humor tem várias caras, nem sempre com um riso solto estampado. “O humor pode assumir diversos papéis. Ele não surge apenas da surpresa, é o inusitado, o estranhamento, o posicionamento crítico. É muitas vezes irônico, sarcástico. O humor cria uma fissura em alguns referenciais”, continua Alencar. Ele lembra que alguns artistas se questionaram se eles realmente se encaixavam dentro do tema proposto pela mostra. Mono, por exemplo, não é exatamente uma obra que desperta no público a vontade de rir. “É uma provocação. Para mostrar que o humor pode ter outro tom. Vamos ver como será a reação das pessoas.”
Com 11 anos de estrada, o Dimenti sabe bem do que está tratando no Interação e Conectividade III. Misturando diferentes mídias e linguagens, o humor sempre foi um dos focos da pesquisa do grupo. E eles já o exploraram nas mais diversas roupagens. “O foco se multiplica. Já trabalhamos o humor em várias entonações. Agora estamos trabalhando pelo foco do absurdo junto com sheila ribeiro/dona orpheline em Um dente chamado bico. O riso ainda tem muito pano pra manga”, diz Alencar.
Confira abaixo a programação completa dos espetáculos da mostra. A lista de oficinas oferecidas pode ser acessada aqui.
1/06
O samba do crioulo doido (Luiz de Abreu)
Palco principal do Teatro Vila Velha
20h
banda Miss Suéter
Cabaré dos novos do Teatro Vila Velha
20h30
de 2/06 a 5/06
Você, um imóvel corpo acelerado (Vanilton Lakka)
outdoor Salvador
16h
2/06
E eu disse: (Letícia Sekito)
Palco principal do Teatro Vila Velha
20h
Jogo dos 7 erros (Carolina Falcão)
cabaré dos novos do Teatro Vila Velha
21h
3/06
Brucutu – aburussu
Praça Campo Grange
18h
Sambarroxé, um experimento bruto (Joubert Arrais)
Cabaré dos novos do Teatro Vila Velha
20h
Intervalo (Frederico Paredes)
palco principal do Teatro Vila Velha
20h20
Cookie (Núcleo Vagapara)
palco principal do Teatro Vila Velha
20h40
4/06
A bruxa louca dos mil e um gnomos e dos sete saquinhos de pedrinhas coloridas (Thiago Enoque)
praça do Campo Grande
18h
Organizador de carne (sheila ribeiro/dona orpherline)
palco principal do Teatro Vila Velha
20h
5/06
Outdoor corpo machine (André Masseno)
palco principal do Teatro Vila Velha
20h
Ressuscitando Joane (Grupo Go)
Passeio Público
21h
6/06
02 heterogêneo (Núcleo do Dirceu)
palco principal do Teatro Vila Velha
20h
De…va…gar: últimos capítulos da cultura nacional (Vanilton Lakka)
palco principal do Teatro Vila Velha
20h30
7/06
A mulher-gorila (Dimenti, na foto 1)
palco principal do Teatro Castro Alves (projeto Domingo a 1 real)
11h
Mono (Marcelo Evelin/demolition inc. + Núcleo do Dirceu, na foto 2)
palco principal do Teatro Vila Velha
20h
Mono / Foto: Klayton Amorim


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