Yvonne Rainer / Foto divulgação

Em 1962, um recital apresentado na Judson Memorial Church de Nova York mudou o rumo da história da dança moderna para sempre. Ele reuniu nomes como Steve Paxton, Simone Forti, Trischa Brown, Deborah Ray, Lucinda Childs, Philip Corner e Yvonne Rainer, todos então integrantes do Dancers Group. Aquela noite, um 6 de julho, marcou o nascimento do Judson Dance Theatre, um dos mais originais e produtivos grupos de dança da época. Considerado um dos pioneiros fundadores da dança contemporânea, o Judson Dance Theatre existiu até 1964. Mas até hoje influencia artistas e companhias pelo mundo afora.

Um dos nomes que participou da história acima – e que ajudou a escrever uma parte da história da dança – Yvonne Rainer está no Brasil pela primeira vez. Para celebrar a visita, a coreógrafa, cineasta e escritora ganhou programação especial em São Paulo (leia mais aqui). Rainer desembarca no Rio de Janeiro na segunda-feira (20/07) e na terça-feira participa de evento no Espaço SESC, em Copacabana. Num encontro informal, ela falará sobre seu trabalho e sobre o papel fundador da Judson Church no movimento de dança e sobre as ideias contemporâneas que permeiam seu trabalho coreográfico hoje. Depois, suas bailarinas dançarão trechos de trabalhos atuais e da década de 60.

“O legado mais importante do Judson Dance Theatre é a forma como as pessoas utilizam hoje movimentos cotidianos na dança, a forma como a dança moderna se apropriou de gestos do dia-a-dia nas suas criações. A primeira vez que vi Martha Graham fazendo isso nos anos 50 fiquei surpresa. Hoje há um hibridismo de tudo”, acredita Rainer, em entrevista por telefone ao idança.

É a primeira vez que a artista viaja pela América Latina, mas seu roteiro inclui apenas o Brasil. “Não conheço nada da dança contemporânea brasileira, mas tenho curiosidade. Tenho uma bailarina brasileira que trabalha comigo há muito tempo (a bailarina Patrícia Hungria Hoffbauer) e vejo que ela tem um trabalho bastante político”, diz.

Além do importante papel nas experimentações do Judson Dance Theatre, Rainer também deixou sua marca no cinema e na literatura nos anos 70. Fez filmes com temáticas polêmicas para a época e em que fugiu à narrativa convencional, além de escrever livros, ensaios e até uma autobiografia. Hoje, ela dá aulas no Studio Art da Universidade da Califórnia.

Mais de 40 anos depois das transformações na forma de fazer dança provocadas pelo Judson Dance Theatre, Rainer acredita que algumas peças continuam provocativas: “algumas continuam me surpreendendo”. Sobre a produção atual, ela diz: “Não tenho acompanhado tudo o que vem sendo produzido, mas o trabalho do John Jasperse é original. Os jovens precisam começar a conhecer melhor seus corpos. Muito já foi feito. Como dizia o John Cage, ‘não há nada novo abaixo do sol’. Não adianta tentar reinventar a roda”, aconselha.

A vinda da Cia. Yvonne Rainer ao Brasil foi viabilizada pelo SESC-SP com produção da Platô Produções. O Espaço SESC fica na Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana. Telefone: (21) 2548-1088. A partir das 20h.

Abaixo, assista a Trio A (criação de 1965 numa gravação de 1978) e a uma gravação de Elaine Summers de um fragmento de espetáculo do Judson Dance Theatre de 1964.

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