Depois de sete dias de intensas discussões, chegou ao fim nesta segunda-feira (21/09) o 8º Encontro da Red Sudamericana de Danza, em Salvador. Realizado junto com a 1ª Plataforma Internacional de Dança (PID), o evento reuniu representantes de 16 países além de muitos brasileiros.
O último dia de programação foi reservado para uma avaliação e projeção das ações da Red, que completa 10 anos em 2010, além de um balanço do próprio encontro. “Acho a Red ainda mais importante hoje, as portas estão mais abertas. E os encontros anuais têm peso muito grande nisso, a cada ano fica mais clara a função da Red”, avaliou o coreógrafo e intérprete Marcelo Evelin. Ele aproveitou para lançar uma ideia para os próximos encontros: “Também me interessa muito a ideia de troca artística. Acho que poderíamos discutir as obras apresentadas durante o encontro. Como poderíamos fazer isso?”
Para o pesquisador Javier Contreras, do México, a Red tem a função de centralizar a dança produzida em toda a América Latina. “Há uma separação entre México e América Latina, mas uma afetividade regional. Eu tinha uma imagem muito idealizada da região até entrar na Red e perceber que há muitos encontros, mas desencontros também. É enriquecedor saber que há outro que se move diferente. Hoje não me imagino mais sem a Red”, disse.
Uma das atuais gestoras da RSD, Natacha Melo alerta para as mudanças ocorridas na própria Red e no mundo nos últimos 10 anos. “Temos que pensar que o contexto regional mudou muito, os discursos mudaram, temos que nos atualizar, agora temos canais, informação, tecnologia, conteúdo… Sinto que ainda não demos ‘o’ pulo. Não devemos ter medo de destruir algumas coisas para construir outras”, analisou.
A partir destas avaliações, os participantes traçaram algumas metas para 2010. Entre os projetos que continuarão sendo realizados estão o Lazos e Red en movimiento (oficinas). Também estão nos planos da Red um documentário em comemoração aos 10 anos de atividades, um projeto em parceria com o fotógrafo Manuel Vason, a criação de uma rede de capacitação para novos meios que englobará diferentes países e a formação de um grupo de gestão dividido em quatro ‘responsabilidades’ (gestão, financiamento, comunicação e relações institucionais).
Encontro gerou documento único para América Latina e Caribe
Um dos principais temas discutidos neste ano, a formação em dança na América Latina, foi o que mais avançou nas discussões. Ele deu origem a um documento único que reúne considerações e recomendações comuns a todos os países da América Latina e Caribe no que diz respeito à formação e prática artística nos campos formal e informal da dança. Numa primeira ação estendida ao campo virtual, a declaração está disponível para debate e possíveis modificações no movimento.org. Clique aqui para acessá-la.
O 8º Encontro da RSD foi o primeiro após a criação da rede social movimento.org – em parceria com o idança – e a partir de agora é que será possível avaliar a importância da nova ferramenta. “Saberemos as discussões continuarão acontecendo, se todos compreendem a importância dessa ferramenta. O encontro é o espaço da confiança, mas é necessário o complemento entre elas. Daqui a um ano veremos o cruzamento disso”, aguarda Natacha.
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