Depois de um tempo consumido pelo final de uma tese de doutorado, retomo aqui o espaço desta coluna, relatando a experiência que vem me parecendo decisiva no contexto da dança hoje em Porto Alegre: o Grupo Experimental de Dança da Cidade. A iniciativa, do Centro Municipal de Dança, da Prefeitura, completou recentemente seus 18 meses de “experiência” e, por ter estado na sua coordenação desde sua implantação, vou me permitir dividir um pouco esta experiência, que chega num momento de avaliação para determinar seu formato para os próximos anos e sua continuidade (sim, está sendo possível prosseguir, fator essencial para que alguma política pública possa fazer algum sentido).
Quando o projeto começou a ser pensando, em 2006, percebíamos que se estava perdendo a cada ano uma cultura de fazer aulas de dança diariamente, de se ter um treinamento contínuo e orientado. Muitos jovens que começavam sua formação faziam aulas esparsas, ou faziam aulas intensas por um curto período. Isso advinha tanto de uma certa carência de oferta de aulas sendo oferecidas num mesmo local de maneira permanente, quanto da dificuldade financeira de fazer aulas diárias. Muitos profissionais ofereciam uma turma aqui outra ali, tentavam “emplacar” num certo local, depois em outro. Centros de formação importantes tinham fechado ou estavam fechando, como o Coda, dirigido por Eva Schul, e Engenho da Dança, dirigido por Jussara Miranda.
Ao lado disso, tínhamos na cidade profissionais que historicamente revelaram sua competência aqui, no país e no mundo. Eva Schul, Maria Amélia Barbosa, Jussara Miranda, Nair Moura, Eneida Dreher, Luciane Coccaro, Luciana Paludo, Tatiana da Rosa, Cibele Sastre, Carlos Nunes, entre tantos outros criadores e pensadores que possuem um vasto repertório de conhecimento de dança. Estes profissionais, contudo, via de regra, trabalhavam dentro dos próprios grupos e companhias nos quais atuavam, ou tinham, no fator econômico, uma restrição para o acesso a suas aulas. Por outro lado, a capital ainda não possuía um curso de dança na universidade, nem um centro de ensino que congregasse estes profissionais, como foi, no início da década de 1990, o Centro de Formatividade em Dança.
O objetivo inicial não foi de resolver estes problemas todos, mas a eles oferecer uma alternativa. Foi então que começou a se desenhar a ideia de uma Escola Livre de Dança, tendo seu piloto no projeto de um Grupo Experimental de Dança. A ideia era de abrir tanto um espaço para formação em dança e para a experiência artística, como também para a política pública em dança, algo que ultrapassasse a mera realização de eventos. Ao lado disso acreditávamos no estabelecimento de um espaço para o encontro, para a troca e para a convivência.
Foi assim que nasceu o Grupo Experimental, com a proposta de formação gratuita, intensiva e complementar, buscando ser um pouco o espaço para essas lacunas e buscando se transformar num espaço valioso de encontro. Os alunos puderam contar com aulas de Eva Schul, Jussara Miranda, Tatiana da Rosa, Cibele Sastre, Luciane Coccaro, Luciana Paludo, Alexandre Rittman, Guto (capoeira), Daggi Dornelles, Karenina de los Santos, Silvia Canarim, Liane Venturella, Carlos Nunes, Bia Diamante, Didi Pedoni, Andrea Spolaor, Alessandra Chemello, Juliana Vicari, Fernando Faleiro, entre outros. Foi assim que fizeram parte do seu corpo docente artistas/professores, com ou sem diploma, mas com bagagem suficiente para provocar corpos e mentes. Enfim, de saberes fundamentais e necessários. E foi assim que no programa pedagógico do projeto buscou-se articular saberes, incluindo aulas de dança moderna, educação somática, improvisação, balé, capoeira, dança de rua, jogos teatrais, Laban/Bartenieff. Além disso, também foram realizadas, em parceria coma Sala de Cinema P.F. Gastal, da Usina do Gasômetro, inúmeras sessões comentadas de obras contemporâneas de dança.
E foi assim que passaram a se encontrar alunos vindos de tradicionais escolas de balé, jazz e dança de salão, integrantes de grupos de dança de rua ou do ventre, graduandos em dança e teatro, alunos da periferia, pós-graduandos em artes, enfim, gente que tinha muita vontade de saber de dança e de investir em dança. Um grupo que, na sua pluralidade de experiências, fez da dança um objetivo em comum. E daí, teve aluno que deu continuidade ao seu desenvolvimento técnico, teve aluno que largou outras graduações para fazer dança, outros que conseguiram bolsas para estudar no exterior, alunos que passaram a integrar outros grupos e companhias. Teve aluno que parou para pensar e aluno que pensou sem parar. Mas, acima de tudo, houve alunos que aprenderam que o território da dança se faz no trânsito por estas fronteiras, pelo investimento (e continuidade) na constituição de um espaço de saber e, também, de um espaço político.
Meu desejo aqui, mais do que fazer uma promoção do projeto, é dividir a etapa do percurso até aqui, seus objetivos, acertos, desvios, tentativas… O projeto-piloto começou em junho de 2007, com 20 integrantes, teve, na sua primeira fase 400 horas/aula, e resultou na montagem baseada na obra do cineasta italiano Federico Fellini, Follias Fellinianas. A proposta experimental conquistou plateias e crítica. O espetáculo abriu a Mostra de Dança Verão 2008 e foi convidado para encerrar dois importantes eventos do Estado, o XXI Dança Alegre Alegrete e o VI Dança Bagé, além de ter conquistado o público do Parque Farroupilha, fazendo intervenções na Semana de Aniversário da Cidade e comandado a cerimônia de entrega do Prêmio Açorianos de Teatro e Dança. Além disso, a montagem foi convidada para abrir a Mostra SESC Diálogos da Dança e realizou duas temporadas de casa cheia no Teatro Renascença, sendo aplaudido pelo crítico carioca Roberto Pereira, e fazendo o crítico Luiz Paulo Vasconcellos afirmar na Revista Aplauso que “se o que temos no palco é um acerto em termos estéticos e artísticos, os antecedentes revelam outros méritos, quais sejam, os de uma política cultural séria e consequente.”
Já nos seus primeiros 12 meses, o projeto do Grupo Experimental de Dança da Cidade pôde perceber resultados no âmbito da criação e da formação além das fronteiras do país. O bailarino Marcio Canabarro passou na audição e ganhou bolsa para estudar na Salzburg Experimental Academy of Dance (SEAD), na Áustria. Dois outros integrantes, Douglas Jung (hoje também na SEAD) e Luiza Moraes, foram selecionados para o projeto Incubadora de Novos Coreógrafos, promovido pela Gaia Cia. de Dança e estrearam suas primeiras produções. Vários integrantes fizeram parte da montagem de Follias Fellinianas passaram a integrar o elenco de outros grupos e companhias profissionais. Mas, acima de tudo, os resultados puderam ser aferidos na constituição técnica-estética-filosófica-política dos alunos, repletos de percepções e de “fichas caindo”, como vários alunos traduziam a sensação de passar pelo programa de aulas, de descobrir, de descobrir-se, de descobrir-se com os outros e de ter espaço e estímulo para experimentar. (algumas dessas impressões podem ser conferidas no blog).
Tal contexto exigiu o incremento do projeto. Em 2008, a primeira turma do Grupo Experimental prosseguiu trabalhando todas as manhãs, dividindo-se entre aulas e ensaios e, devido à grande demanda de interessados em participar do projeto, uma nova turma passou a funcionar no turno da tarde. Aos poucos também fomos agregando novos professores e perspectivas de trabalho. E inclusive novos criadores para trabalhar, como Luciana Paludo que criou com a turma de 2007 o espetáculo ou algo assim que me intrigue. A nova turma produziu a obra Eu me faço simples por você, por mim dirigida. Foi nesse período também que Diego Mac produziu nosso videocoreomentário (assista a um trecho abaixo), uma espécie de fórum, confessionário, depoimento, reflexão, crítica.
Em 2009, tínhamos duas turmas querendo prosseguir e muitos novos alunos querendo integrar o projeto. A ideia foi experimentar um formato quase universitário, não mais com turmas por turno. Foram oferecidas aulas nos três turnos e cada aluno deveria cumprir 15 horas. Com isso, pudemos ampliar o número de alunos para 60. Tudo isso, fruto de esforço de um orçamento minúsculo e de muitas parecerias, em especial com a Coordenação de Descentralização da Cultura, da Secretaria Municipal da Cultura, com a cedência de professores. Assim chegamos a 18 meses de projeto, com uma mostra realizada em julho, com trabalhos dos alunos e dos professores, em mais um momento de encontro e compartilhamento.
Não arriscaria dizer que os resultados são exclusivos do projeto, pois hoje o contexto do encontro e do compartilhamento vem fomentando esperanças na capital gaúcha, como na constituição do Coletivo 209, que pretendo detalhar num próximo texto; nos cursos de graduação em dança da UERGS, da UNICRUZ, da ULBRA; no Artéria – artistas de dança em colaboração; as reuniões dançantes do Terpsí; o projeto Daqui Dali (da Muóvere com o SOMOS – Ponto de Cultura LGBT); da Incubadora de novos coreógrafos, do Gaia; na atmosfera de colaboração que vem permitindo tantas trocas entre artistas de diferentes grupos e companhias. Mas enfim, o Grupo Experimental vem revelando possível essa alternativa de ação e somando nesse cenário.
No atual momento estamos avaliando o formato de 2010 com alguma bagagem e muitos desafios. Qual o tempo que um aluno deve permanecer no projeto? Turmas uniformes ou mistas? Aulas diversas por tempo curto, menos aulas por tempo prolongado ou um misto das duas coisas? Como administrar a continuidade? Como integrar professores e promover colaborações mais efetivas? Como criar um senso de responsabilidade com horários e frequência? Como administrar tudo isso com recursos apertados e uma equipe de duas pessoas e uma estagiária?
E no que poderá dar tudo isso? Dessa experiência pode, quem sabe, surgir uma companhia municipal, um grupo independente, vários grupos independentes, artistas/pesquisadores inquietos, colaboradores ativos, ou quem sabe, gente de dança que compreenda a pluralidade de saberes do corpo, da arte, da dança e pode ter posturas críticas e criativas sobre estes saberes. Qualquer que seja a alternativa, creio que o projeto estará cumprindo a sua função política e cultural, compartilhando coisas em comum no meio a tantas singularidades. Afinal, como já perceberam Michael Hardt e Antonio Negri na sua obra Multidão: “A mobilização do comum demonstra, finalmente, que os movimentos que fazem parte do ciclo global de lutas não são apenas movimentos de protesto (embora seja esta a face que aparece mais claramente na mídia), mas também positivos e criativos”. Experimentar formas de compartilhar. Esse talvez seja nosso maior, urgente e necessário desafio.
Assista abaixo a um trecho do videocoreomentário:


Port



Para estreiar….
Não vais acreditar, agoraha pouco falávamos, eu e a Raquel, exatemente sobre o perdurso do grupo. Acredito que todas as questões (polêmicas) levantadas agora à noite na conferencia serviu muito para isso: mostrar que o grupo existe e está atuante e vivo. Parabéns pela idealização e implementação de um projeto tão rico que proporciona atividades a tantas pessoas que talvez nunca tenham tido acesso a isso. É muito bom fazer parte desse grupo que está em crescimento constante, e principalmente inquietações frequentes, que nos fazem dançar e pensar a dança e a vida de maneira tão particular. Muito obrigada por ter me permitido fazer parte deste grupo. Claro que temos alguns problemas, algumas pessoas que não valorizam o espaço que está se disponibilizando à elas, mas sempre tem as pessoas que valorizam e prezam o espaço, as oportunidades, os mestres…
Vou parando por aqui, agradecendo novamente pela oportunidade de fazer parte deste Grupo e pelas inquietações que provocas.
Abração,
Juliana Werner
Nossa Airton, que bacana ler teu texto sobre o grupo experimental, que acho uma importante iniciativa pra cidade e é mesmo um exemplo de um curso livre como tu fala, mas que de livre não tem nada, nas oficinas que ministrei percebi o quanto os alunos estavam engajados e comprometidos com a proposta. Aquela noção de “escola”, de “grupo”, num sentido amplo, arejado e interdisciplinar, numa visão de troca, de circulação de professores e suas propostas, mas também uma possibilidade de o aluno, bailarino, criador fazer muita aula e ter uma rotina de aula. Algo que noto não é tão simples hoje em dia, e a SMC, a partir dessa tua iniciativa autoral está propiciando isso. Então, bom, só tenho elogios, saudades e o desejo da continuidade. Tô torcendo para isso, quando estiver por aí conta comigo, ok? amei dar aula e conhecer essa galera criativa. Aliás, tu bem sabe, votei nas últimas eleições fundamentada nessa idéia de continuidade do projeto, foi um voto bem corporativo mesmo, assumido, pra manter quem faz algo que faz a diferença.
bjão
lu
E de imensa alegria que comento sobre este texto. Porque através dele, me senti com vontade de experimentar e ousar mais dentro do mundo da dança. Moro em uma capital onde, como em várias outras, a dança é pouquissimo valorizada e não é muito organizada politicamente. Várias intrigas tão inutéis surgem deste cenário daqui, que fazem com que a dança se esvairesa aos poucos em vez de unificar e somar. Então , após ter lido este texto de um projeto tão incrível, e assim por dizer dos meus sonhos, eu te parabenizo por tudo isto, por fazer da dança algo além de movimento, num lugar onde a dança é vista como hobby e não como uma profissão. Um profissão com fundamentos criativos, que traz prazer e sabedoria ao ser humano.
Falei algumas bobeiras, mas é por ai que penso. Obrigado de coração, pois quando você ajuda alguém , você está ajudando o mundo todo.
Abração
obs.: Gostaria de ter escrito mais sobre o que gostei do projeto e um maior conhecimento para poder realizar algo assim aqui na minha cidade.
Muito bacana ler este texto, tanto pela fidelidade à riqueza que é a experiência vivida no Grupo Experimental, quanto pela identificação da importância da Sala 209 da Usina. Acho que, graças a esses “espaços” construídos com seriedade e amor (acima de tudo!), está se criando (eu arriscaria dizer: pela primeira vez claramente) um diálogo e uma abertura cordial entre diferentes propostas de trabalho em arte, entre diferentes discursos sobre, entre diferentes técnicas, diferentes estilos, diferentes debates, diferentes corpos. Isso é uma jóia muito rara, uma conquista acima de tudo.
Bem, venho aqui deixar também meu testemunho a favor deste maravilhoso trabalho realizado por Airton Tomazzoni. Venho do Rio, trabalho com danças de salão, e já rodei muito pelo Brasil e pelo exterior. Sempre procurei trabalhar com outras danças para poder diferenciar meu trabalho. Estava a procura de um grupo e achei no Grupo Experimental um lugar agradável, com pessoas mais agradáveis ainda, para poder aprender e conviver. Desde o primeiro instante em que cheguei no Grupo Experimental sempre fui muito bem recebido. Ninguém jamais passou por mim sem me cumprimentar, ninguém jamais desdenhou da minha capacidade, pelo contrário, sempre me deram força para continuar. Se existe um diferencial no grupo, além do grande batalhador que é o Airton, é essa cumpricidade e união. Nunca presenciei um espaço, ou grupo, que tivesse portas tão livres e que me tratassem como igual. Sei, e como sei, que este mundo da dança é repleta por pessoas que colocam primeiramente o ego antes do trabalho, seus interesses individuais. E foi exatamente isso que não vi no Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre. Acho que é esse carinho que nos faz trabalhar, compartilhar e inovar. Agradeço-te muito Airton pela porta que me abriste. Espero ficar no grupo por longa data. E que trabalhos como estes se desenvolvam cada vez mais e mais. Não somente no Rio Grande do Sul mas no Brasil também.
Realmente o grupo experimental é uma grande conquista para a cidade! É uma maneira de criar mais um espaço para a dança para que ela tenha mais oportunidades, vez, voz, e seja mais notada e valorizada. Fico muito feliz em estar fazendo parte deste projeto, pois essa diversidade de alunos e professores proporciona muita troca e crescimento. Para os artistas que estão começando a construir sua história ou experimentar a dança é um grande apoio e incentivo ter este grupo, onde podemos interagir com outros artistas e conhecer mais os tantos caminhos que se tem dentro da dança. Acredito que este espaço é muito rico e merece ser valorizado. Mais do que um ambiente para simplesmente se fazer aulas de dança, é um ambiente para o desenvolvimento de artistas, e acho que este deve ser sempre o foco. Pois simplesmente fazer aulas de dança qualquer um pode fazer em qualquer lugar para fins diversos, mas encontrar um ambiente que invista nos artistas que estão nascendo na cidade é algo louvável e com certeza uma iniciativa de visão ampla e inteligente. Fico contente em ver uma equipe tão empenhada para manter este grupo, melhora-lo e faze-lo crescer. Claro que todo projeto precisa de um tempo para se construir, encontrar um caminho para suprir as necessidades, superar expectativas, se solidificar… Faz parte do processo. Mas acredito que o grupo experimental da cidade esteja num próspero caminho, onde desde de seu começo trouxe muitos benefícios aos artistas da cidade e com certeza trará muito mais! Obrigada pela oportunidade e obrigada Airton pela sua dedicação a este grupo e à dança da cidade!
Bjus
Vitor
Não são bobeiras não. São colocações de quem está preocupado em pensar a dança como profissão e os caminhos que isso exige. Creio que o projeto está fazendo um pedaço do muito que precisa ser feito. São muitos pedaços e muitos modos de operar que precisamos inventar/reinventar/copiar (porque não)
Se quiseres podemos seguir trocando idéias para fortalecer a dança por esse nosso imenso Brasil.
Lu Coc
Que bom ter teu depoimento, de quem pode vivenciar o trabalho do Grupo e hoje, atuando, no RJ, pode ter um olhar distanciado. Bom mesmo saber que estas tuas percepções permancem e saber dessa comovente convicção no projeto.
bj
” E foi assim….”
“…teve aluno que parou para pensar e aluno que pensou sem parar¨…”
Adorei isso e tudo mais. A continuidade deste projeto/processo se faz urgente e necessária.
Beijos para todos envolvidos, Bia
Que bacana Airton! Eu aqui do outro lado do oceano fiquei muuuuito feliz em saber que o grupo está tendo continuidade! Acredito mesmo que este trabalho continuado possa trazer bons frutos para a Dança Contemporânea de Porto Alegre! Trabalhar na base e no impulso para que algo possa se desenvolver e levantar vôo!Fiquei realmente entusiasmada durante o período que trabalhei com o grupo! Ver alunos realmente engajados nas propostas, descobrindo suas preferências estéticas, e estratégias de criação… Tendo uma estrutura pra poder fazer tais descobertas.Tá aí uma iniciativa bem-sucedida e promissora para os novos caminhos da dança na cidade!Um abraço muito forte e entusiasmado!Karenina.
É isso mesmo!
Tive a oportunidade de participar e solto um “BRAVO” bem gritado e bonito pro projeto!
Que siga assim, estruturado na pesquisa prático-teórica da dança e, principalmente, respeitando as diferenças enriquecedoras de cada aluno/artista!
Pra mim seria um prazer imenso conversa com você Airton sobre esse projetos e outros que podem melhorar o cenáriod a dança no Brasil.
meus e-mails: vitinoliver@hotmail.com / vitinolivier@yahoo.com.br
Fiquei imensamente honrado com seu comentário, pois muitas vezes penso que sou o errado.
P.S: Sinta-se a vontade todos que queiram me add pra falar sobre dança, vai ser o maior prazer.
Bjs a todos
Querido Airton, vendo esse vídeo e seu texto sobre o Grupo Experimental, dá vontade de pegar um avião ir para Porto Alegre participar de um projeto tão necessário e tão oportuno no momento da dança no Brasil. Dança para quem quer dançar e tem o desejo de compartilhar. Essa oportunidade democrática do aluno escolher as aulas que quer fazer com diferentes professores e poder receber diferentes referencias de olhares tão distintos é uma riquesa. O entusiasmo e o comprometimento das pessoas envolvidas no projeto é perceptivel pelos depoimentos. A troca, a continuidade, o crescimento foram palavras citadas todo o tempo. Um projeto que já nasce com abertura para ser modificado de acordo com a real necessidade da comunidade artística é louvável.
Me chamou a atenção a palavra esperança, citada no final de seu texto. Que tenhamos sempre no fazer a certeza da conquista, mesmo não sabendo do futuro, mas podendo construi-lo a partir do desejo e da ação. Sabemos que o desejo é da ordem do individual mas pode ser compartilhado.
Vida longa a esse projeto a todos voces que o abraçam de maneira tão empolgante.
Obrigada pela generosidade de todos os envolvidos.
Um abraço
Suely
Airton querido,
só agora consigo ler teu novo artigo, e o faço ainda sentindo a potência dos últimos encontros que vivenciamos aqui em Fortaleza, o que contribui para reforçar a crença nas experiências compartilhadas. Penso que além do mérito de ter se dedicado a um projeto coletivo como este, de forma apaixonada, persistente e sistemática, durante um bom tempo – como o fazes com tudo na tua vida, imagino! – tens também o mérito de insistir em compartilhar conosco as incertezas e inquietações, comuns a todo processo pedagógico VIVO. Obrigada! Impossível não considerar política cada etapa de nossos fazeres…
“Teve aluno que parou para pensar e aluno que pensou sem parar. Mas, acima de tudo, houve alunos que aprenderam que o território da dança se faz no trânsito por estas fronteiras, pelo investimento (e continuidade) na constituição de um espaço de saber e, também, de um espaço político.”
Esse pequena – porém fundamental – parte da história da dança de Porto Alegre que partilhas conosco, agora passa a habitar nossa própria história, que – graças a Deus e a tanta gente pelo Brasil! – não pára de ser inventada, a cada dia.
abraços, e mais uma vez obrigada, querido,
andréa
Karenina
Sim. Com a continuidade é possível pensar em encontroas, trânsitos, reencontros num processo que pode gerar impulsos, descobertas e alternativas de criação e produção
bj aí do outro lado do oceano!
Suely
Será muito bem recebida aqui por Porto Alegre…Agora vou eu me apropriar de uma frase tua:
Dança para quem quer dançar e tem o desejo de compartilhar. E se o desejo é da ordem do individual, isso não impede a partilha.
Aqui, aí em Bh, por esse Brasil, por esse mundo. Eta, que tem coisa demais aí para se compartilhar.
Obrigado pelas tuas palavras sempre tão sinceras e agudas. A gente se alimenta também disso para não desistir.
bj
pq tudo isto vcs estão escrevendo um livro
Há como transformar em palavras as experiências? Há como traduzir uma linguagem que ultrapassa a própria linguagem?
Por vezes se pensa que a dança se faz de corpos que se movem; outras, por corpos que se movem e pensam; outras por corpos que se movem pensam e sentem; outras ainda por corpos que se movem, pensam, sentem, refletem, socializam, exploram, criam, compartilham. É a partir de meu envolvimento com o Grupo Experimental de Dança da Cidade que amplio meus horizontes acerca da dança e da criação artística, ao ouvir os mestres acerca de sua longa caminhada e ao receber o “TOQUE” mágico de cada um deles, e então pessoalmente, Tati Rosa, Cibele Sastre, Eva schul, Airton Tomazzonni. Além destes com quem mais me identifico, muitos outros completaram meu quebra-corpo-cabeça e ainda os co-criadores(colegas) que me ensinaram e ensinam a cada dia.
Fiz aniversário de projeto no mês passado, e me percebo outro, percebo mudanças tão internas e ao mesmo tempo tão externas que passam pela maneira como danço mas que vão muito além disto. A partir de minhas experiências como aluno e professor dentro do grupo, posso afirmar que é impossível passar por este rio sem se molhar, e essa água tem muito que banhar toda arte, e em especial a dança, porque vem lá do profundo oceano da criação(perdoem, é que estou lendo o Lynch agora, e ele fala sobre isso, sobre consciência…).
Toda luta política, todo envolvimento e esforço dos construtores do projeto, idealizadores, toda essa energia, esse “campo” gerado, só me convence a cada dia que sou abençoado por ter encontrado este caminho que o grupo ajudou e ajuda a apontar; existe alguém que dança e não afirma que ama dançar? Eu acho e espero que não.
Que bom que há muitas pessoas que permitiram e facilitaram com que eu faça e inclusive redescubra o que amo.
Acreditem, foi o mais distante que consegui chegar da declaração de amor que tenho vontade de fazer.
Creio que, das idas e vindas, os que permanascem(isso mesmo) tem um imenso potencial de estabelecerem-se, no mínimo, como grandes criadores e intérpretes de dança.
Tenho dito, beijos.
Gratidão.
ESPAÇO DE APRIMORAMENTO TÉCNICO, TROCA E CONVIVIO.
Iniciativas de políticas públicas como a do Grupo Experimental de Dança, em Porto Alegre,são o embrião saudável que traz aos amantes da dança a perspectiva de que dançar é possível e preciso.Uma proposta que nos insita a somar pensamentos e produzir material prático para a reflexão. A idéia de não sermos somente um coletivo restrito e fechado para a execução de um espetáculo coreográfico, acaba por treinar bailarinos e atores de diferentes companhias locais, amadurecendo e disciplinando a prática diária da dança em Porto Alegre , fortalecendo e flexibilizando os integrantes que continuam ano após ano Núcleo.
DEMOCRATIZAR o processo, entender estilos e aprimorar o olhar e o sentido estético sob a dança são as palavras-chaves dos encontros deste grupo.
É um privilégio me sentir um pequeno átomo de energia deste espaço gravitacional, onde no centro temos generosas personalidades, os professores.
Uma formação continuada, com uma “pedagogia” inovadora como esta faz-se indispensável pra nossa cidade. Alguns passo foram ensaiados nestes primeiros anos…espero que a caminhada seja longa… E que eu possa estar sempre junto. Acompanhando bem de perto!