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O projeto Vid.BR foi apresentado durante o III PlayRec – Festival Internacional de Videodança do Recife, que acaba nesta quinta-feira (5/11). Clique aqui e confira a galeria que o idança fez com vídeos de artistas que participaram do evento.
Videodança, linguagem híbrida sim! Menos importa sua definição, mais importa é ser possível expressar a dança em contato com a linguagem do vídeo e, a partir disso, poder estar em muitos lugares: em um site na internet, em um festival de dança, em uma galeria de arte ou em um cinema antigo no centro de São Paulo. Uma parte do trabalho do artista está em um pequeno disco, que pode viajar o mundo com uma poética específica da dança para o vídeo. Esta mistura vem fortalecer a dança, criando espaços para explodir as questões inerentes da dança contemporânea.
A pesquisa Vid.BR é um mapeamento da produção artística da linguagem no país, realizada pelo Acervo Mariposa, de metodologia aberta segundo o que nos diziam os artistas entrevistados e mapeados. Essa iniciativa assim configurada mostrou-nos as infinitas formas, a partir do vídeo, com as quais a dança pode se infiltrar. A exemplo, a Mostra Lanterninha, parceria do Acervo com a Galeria Olido, que está em sua segunda edição e é realizada em um cinema antigo de 236 lugares. A pesquisa Vid.BR alimenta a mostra, abre espaço para a produção nacional e busca formar um público para a linguagem.
A busca da experimentação com o vídeo, herança da videoarte, está presente na videodança produzida no Brasil. Este caráter, de alguma forma, tem relação com a escassez de recursos para a realização das produções. Tal escassez nos força a buscar novos olhares sobre o corpo diante do material que temos em mãos, lembrando de nossa história no cinema, que durante muitos anos não recebeu nenhum incentivo para a produção e contava apenas com ‘’uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”. Podemos dizer que a videodança tem uma câmera na mão e o corpo em questão.
O vídeo na América Latina tem uma característica ligada a um discurso político. O enfoque da videodança no Brasil está nos corpos em estado de urgência, nas metrópoles em crescimento e no caos desenfreado, em paisagens áridas ou em ambientes íntimos. Diferente de algumas das videodanças ou cinedanças americanos e europeus, onde o corpo é apolíneo, na América Latina, de maneira geral, o vídeo tem este caráter provocativo e político, como aponta Rodrigo Alonso*.
Qualitativamente, ainda há poucos coreógrafos dedicados à linguagem da videodança. Porém, uma nova geração ascendente se faz representar. Alguns nomes: Alex Soares (SP), O12 (SP), Cia. Vitrola Quântica (SP), Carolina Cony (RJ), Celina Portella e Elisa Pessoa (RJ), Coletivo Molin TL. (MG), Cia. Flux (MG), Pedro Bastos (MG), Diego Mac (RS), Elisa Schmit (SC), Andréia Bardawil (CE), entre outros, vêm desenvolvendo pesquisas junto a seus trabalhos artísticos, nas quais o vídeo faz parte de um pensamento coreográfico.
Hoje, a formação do bailarino que deseja se infiltrar nesta linguagem passa, muitas vezes, por um curso de multimídias, visto a necessidade de buscar em outro nicho, a informação para a produção de seus trabalhos. Ou ainda, muitos bailarinos têm se associado a um videoartista que, ao meu ver, estão sendo responsáveis pelo grande desenvolvimento da videodança no Brasil. Muitos estão interessados nesta troca entre vídeo e dança e esse hibridismo tem dado bons frutos, a exemplo de: Alexandre Veras (CE), Breno César (PE), Oscar Malta (PE), André Martinez (SP), Kika Nicolela (SP), Rodrigo Gontijo (SP), Tatiana Gentille (RJ).
Há pouco tempo, novos lugares de formação nesta linguagem se estabelecem, como o caso da pós-graduação em Estética do Movimento: Dança, Videodança e Multimídias na Faculdade Angel Viana (RJ), sob coordenação de Paulo Caldas. Ou também o Grupo de Pesquisa: Poéticas Tecnológicas, coordenado por Ivani Santana (BA), que desenvolve o Mapa D2. A produção acadêmica também vem crescendo e muitos jovens dançarinos, já na graduação, têm se interessado em discutir a pedagogia em dança através da videodança. Dois exemplos que estão localizados nos extremos do país são Ana PI, orientada pelo prof. Sérgio Pereira Andrade, co-orientada: profa. dra. Clélia Ferraz Pereira de Queiroz, UFBA e Sarah Ferreira, da UDESC orientada pelo prof. Milton de Andrade.
Vid.BR já caminha para o segundo ano de pesquisa e o Acervo Mariposa pretende continuar mapeando os artistas. Nesta segunda fase, a pesquisa vai se dedicar a localizar também os festivais e eventos que incorporam ou falam sobre o vídeo e a dança, tal como o precursor Dança em Foco, que após quatro anos de intensa atividade, viaja para quase todas as regiões do país exibindo a produção nacional. Outros festivais como o Play REC – Festival Internacional de Videodança de Recife e a Bienal de Dança de Fortaleza, que em sua última edição abriu espaço para a exibição de videodanças, formam, não só público, mas também os artistas que buscam aprimorar seu conhecimento nesta linguagem.
Estes breves apontamentos vêm, hoje, confirmar o que há dois anos o artigo de Liana Gesteira – Videodança: Território Fértil – apontava sobre a linguagem. Passados poucos anos, a videodança continua sendo um território de resistência, não só para dança, mas uma resistência da arte que precisa buscar melhores políticas públicas no país. Ainda que existam poucos editais (o único em vista é mesmo o Rumos Videodança do Instituto Itaú Cultural) e que tenhamos pouco espaço de exibição para a grande demanda de nossa produção, o trabalho vem sendo produzir resistindo, resistir produzindo. Pois, tudo indica, olhares podem se voltar para a dança criada nesta mídia.
Para conhecer mais da produção de videodança não só do Brasil, mas de toda a América Latina, visite a página de vídeos do www.movimento.org. Lá, é possível assistir a mais de 800 vídeos dos mais variados estilos e temas.
Rita Tatiana Cavassana é responsável pela pesquisa Vid.BR e Gestora Cultural do Acervo Mariposa. Bacharel em Comunicação das Artes do Corpo- PUC-SP
* Alonso, Rodrigo Videoarte e Videodanca em uma (in)Certa America Latina – Revista Dança em Foco – Videodança 2007.

Port









Tati que importante sua pesquisa no Vid.Br/ Acervo Mariposa, gostei muito de seu texto. Essenciais os aspectos que você enumerou: a américa latina, novos locais de formação, novas ementas de formação do bailarino contemporâneo. Também sobre as diferentes formas de associação de informações na criação da videodança: artistas da dança e do video que trabalham juntos, os coreógrafos-videomakers, os dançarinos-educadores…Adorei ver um pouco de nossas conversas aqui.
Também quero divulgar o blog VIDEODANÇA+ que é uma pesquisa na rede que traz diversos materiais disponíveis na internet sobre os estudos e trabalhos nesta linguagem híbrida onde encontramos mais de quatrocentos videos onde se entrecruzam: cinema, dança, video e novas tecnologias.
Parabéns a você e a todos do Acervo Mariposa.
Grande Abraço
Sarinha
primeiro um beijo p Sarinha, linda de Floripa.
Rita, muito bom poder falar no fazer em videodança também como resistência, além de acertada observação acerca da produção brasileira. Pela dificuldade em inserir trabalhos em mostras que já possuem financiamento governamental, a tendência é que artistas que fazem uso desta linguagem fomentem suas próprias mostras e editais, em busca de novos apoios e espaços. Temos um exemplo aqui em Porto Alegre, recente, da 1ª Mostra Movimento e Palavra: Imagem (http://mostramovimentopalavra.blogspot.com/), organizada por mim e o Luciano Tavares, com apoio da Usina das Artes, e que teve a participação de trabalhos também de outros estados e países.
Estamos buscando formar público e estimular os que já se dedicam ao vídeo como linguagem de suas criações.
Podemos citar também em Porto Alegre, além do Diego Mac, Robson Duarte, Tisi Rangel e Juan Zapata, Regina Rossi, Stela Menezes (que se formou no curso da Angel Vianna), entre tantos que já estão produzindo, muitos que até nem devo conhecer ainda. Na esfera da pesquisa acadêmica, temos inclusive trabalhos no âmbito da pós-graduação, como é o caso do Di Mac no mestrado em Poéticas Visuais do IA, a tese de doutorado de Airton Tomazzoni, que trata de dança e corpos na mídia, e minha pesquisa no mestrado em videodança, no qual relato minha experiência pedagógica desde 2007, com o uso desta linguagem, as três pesquisas na UFRGS. E outra contribuição boa para teu artigo, para não deixar de citar, em termos de Brasil, é o pessoal do Coletivo Difusão Cultural, de Manaus, que está produzindo trabalhos muito legais, com perfil mesmo de resistência e muita qualidade, e, o que é mais bacana, também muito dispostos a trocas, o que no fim das contas nos fortalece cada vez mais. Parabéns pelo projeto Vid.BR!
Um abração,
Susana França
susanafranca@yahoo.com.br
Oi Sarah e Susana!
Obrigada pela troca.
Sinto que o caminho é muito grande a ser percorrido nesta pesquisa, e precisamos deste tipo e espaço pra fazer com que o Vid.BR se fortaleça e mapeie novos artistas.
Abraços
Bom dia, boa tarde, boa noite…
Olá Rita
Penso no quanto esta pesquisa bem como seu texto tendem a contribuir para o fomento da videodança em seu sentido investigativo. Fico intigado a continuar produzindo e pesquisando ete território que como dizes “menos importa sua definiçao”, na verdade o que me move nessa área é a possibilidade de investigação sem ditames balisadores, a não ser aqueles que nós mesmos nos impomos.
Tivemos a satisfação de participar do evento de Porto ALegre, citado pela Susana, com quem agora temos uma relação de parceria.
Como professor minha relação com a videodança começa em trabalhos de orientação dos TCC do Curso de Dança da Univeirsidade do Estado do Amazonas, onde tivemos três produções, duas de bacharelados e uma de licenciatura sob minha orientação (Olvida Dias, onde quem nos ajudou foi Ana Livia Cordeiro e Édyna Santos).
Como artista “videográfico” é assim que me “digo” por hora, tenho desenvolvido meu trablaho com o Coletivo Difusão Cultural onde criamos em 06 de novembro de 2008 o Difusão Digit@l, exclusivamente para pesquisa e produção de videodanças, dentro de alguns dias estaremos relaizando nossa 3ª mostra com cerca de 20 trabalhos inéditos do grupo.
Acabamos de particpar do 6º Amazon Film FEstival com 5 trabalhos do Coletivo concorrendo, foi muito importante para o grupo.
É uma satisfação poder socializar e encontrar outras referências neste espaço.
Um grande abraço a todos e até breve.
Valdemir