Estão previstas para começar em 2011 as obras do Complexo Cultural – Teatro da Dança, construção de 95 mil metros quadrados projetado pela Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo com o objetivo de ser o principal centro de apresentações de dança, música e ópera da América Latina. Com orçamento ainda em aberto, o complexo – que será erguido no bairro da Luz, no Centro de São Paulo – terá três teatros: um destinado para apresentações de dança e ópera com 1.750 lugares, outro com 600 lugares destinado a teatro e recitais, e ainda uma sala experimental, com palco reversível, e capacidade para 450 pessoas. Além disso, será a sede da São Paulo Companhia de Dança, criada em 2008 também pelo Governo do Estado de São Paulo.
A classe de dança, no entanto, tem olhado com desconfiança para números tão grandiosos. A principal polêmica é em torno do enorme investimento em uma única construção, cujo projeto não foi debatido com a classe. Buscando abrir um canal de diálogo com a secretaria, artistas de São Paulo escreveram uma carta aberta ao governador José Serra e ao secretário de Estado de Cultura, João Sayad. No texto – que já conta com mais de 500 adesões – eles sugerem a realização de um encontro para discutir propostas para a política cultural do Estado. O texto da carta está disponível na Internet (clique aqui para ler), mas um trecho dela segue abaixo:
Este documento tem o intuito de apresentar uma proposta cultural para São Paulo, a partir de uma reflexão sobre a iniciativa do Governo do Estado em dedicar um espaço de 95mil m2 à exibição das artes cênicas no bairro da Luz, na cidade de São Paulo, projeto que vem sendo chamado de Teatro da Dança. O porte da edificação que está sendo projetada implica no uso de mais de 300 milhões de reais. A classe artística em nenhum momento foi consultada e, assim, por meio deste documento, traz uma proposta com a mesma amplitude, porém fundamentada num conceito contemporâneo de arte, que prefere a relação direta com o cotidiano da cidade, e a plenitude da liberdade estética e criativa. Por meio deste documento, solicitamos um encontro entre a classe artística e o Ilmo Sr. Governador José Serra e o Ilmo Sr. João Sayad Secretário do Estado da Cultura sobre a presente proposta, derivações da mesma e para o aprimoramento de uma política pública cultural para a dança. Estamos dispostos a conversar (…)
“O movimento não é contra o teatro, mas questiona uma política cultural de caráter exclusivista que, ao invés de dar mais condições à cultura como um todo, se atém a iniciativas muito pontuais e com visões de mundo muito específicas. Ora, já que houve a abertura do Governo em disponibilizar uma verba tão grande na construção de um teatro no bairro da Luz e na sustentação de uma companhia de dança, companhias e criadores já existentes obviamente têm o direito de reivindicar mais dignidade econômica”, argumenta Elisa Ohtake.
A carta será entregue na próxima semana a João Sayad. A principal proposta dos artistas passa pela elaboração de um Programa de Dança de âmbito estadual. “Queremos promover o interesse em desenvolver um Programa de Dança que reconheça e valorize a diversidade da produção existente. Se esse Programa para a Dança também possibilitar a construção de galpões em uma mesma região possibilitando uma manifestação cênica múltipla na área, no bairro ou nos bairros, tanto melhor. Usamos esse exemplo extremo na carta do abaixo-assinado para deixar claro o quanto um pensamento fundado na diversidade e na autonomia cultural é potente se levado às últimas consequências. Esse pensamento é muito diferente das quatro salas de ensaio do futuro teatro que serão distribuídas a sortudas companhias de dança”, diz Cristian Duarte.
Para Adriana Grecchi, o Governo não valoriza os artistas que já estão ‘na estrada’ há muitos anos, e a construção do Teatro da Dança agravará a situação, já que apenas um pequeno número de profissionais participará deste processo. “A grande maioria dos grupos e artistas de São Paulo ficará totalmente fora deste processo. O que são quatro salas para centenas de grupos e artistas? Não faz sentido implantar/importar apenas um modelo único e centralizador em uma cidade cosmopolita onde já existem centenas de artistas que realizam há muitos anos trabalhos contínuos. O problema é a falta de apoio para a dança que já é realizada em São Paulo”.
O secretário João Sayad falou com o idança por email sobre os questionamentos da classe de dança com relação à centralização de investimentos na construção de um único teatro. Ele lembrou que o Teatro da Dança faz parte de todo um complexo, que atenderá também teatro e música clássica, não apenas a dança. “A Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim, que possui 2 mil alunos, também se mudará para o prédio. Além disso, lá funcionará um Museu da História da Dança, uma biblioteca de artes performáticas e uma escola de dança. E a sede da São Paulo Cia. de Dança, com duas grandes salas de ensaio à disposição de outras companhias de dança do Estado e do país, equipamentos que fazem falta em São Paulo”, afirmou.
Outro ponto comentado por ele foi a preocupação dos artistas com os investimentos em políticas públicas, já que a construção do teatro terá um preço altíssimo. “Ao mesmo tempo em que damos andamento a este projeto, estamos construindo nove Fábricas de Cultura em regiões com baixos indicadores sociais na capital. O investimento no Complexo Cultural – Teatro da Dança é compatível aos outros gastos da secretaria e não é feito em detrimento de gastos às regiões mais pobres da cidade”, garante Sayad.
Para Laura Bruno, o diálogo entre poder público e classe artística é fundamental neste momento e só as atitudes futuras apontarão como ficará a situação dos artistas independentes de São Paulo. “Essa é a primeira vez na história da política cultural de São Paulo que um investimento deste porte é feito em prol da dança. Mas, em uma visão de dança. O que esta carta pretende é começar um diálogo para ampliar estas visões. Este interesse é uma mudança radical que já afetou a política pública do estado e que irá afetar toda a história da dança de São Paulo. Como? Depende muito do que ocorrer daqui por diante. Caso os investimentos públicos em dança se atenham a um grande montante concentrado em um único projeto novo, negligenciando todas as danças pré-existentes, estará sendo repetida a tradição de se abandonar o que existe para começar do zero a cada novo governo, a cada nova política”.
O idança quer saber: Você é a favor ou contra a construção do Complexo Artístico – Teatro da Dança? Por quê?
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Evidentemente sou contra a construção de um Complexo cuja a preocupação maior está em transformar a arte num objeto para o embevecimento vil da elite paulistana. De que maneira o governo pensa democratizar a Dança a aprisionando numa redoma? A questão é que este governo sempre viu a arte de forma mercadológica. Fala-se em rivitalizar a Luz, mas deveriamos perguntar ao Sr. Governador qual o tipo de público que frequenta a Sala São Paulo. A Dança não precisa de mais uma obra monumental para se instalar, ela deve sim, ser democratizada e estar presente em cada canto dessa cidade. As Cias Independentes da cidade realizam uma trabalho fabuloso e é este trabalho que está sendo desprezado em detrimento a construção desse Complexo milionário, isso sem falar no orçamento de 13 milhões para a São Paulo Cia de Dança, uma verdadeira esquizofrenia.
Não tenho certeza se sou contra ou a favor…
Como paulistana que ama o centro de São Paulo é um sonho ver um projeto em prol da revitalização do bairro da Luz. Mas como profissional, não vivo em São Paulo mas sei que não é fácil ser independente por lá…
O complexo é maravilhoso… mas COM CERTEZA o acesso a ele não vai ser nada fácil!!! Nem as duas salas de ensaio nem as de apresentação…
e Mais “uma escola” de quê, de clássico?!?! Nesse ponto a descentralização e projetos com uma visão contemporânea de dança são bem melhores…
e a sede da São Paulo Cia. deDança… com isso nem vou perder meu tempo, uma companhia que come sozinha muito mais dinheiro do que é destinado no edital aos independentes (que tem que rezar pra serem escolhidos e dividir o “prêmio”)… e pra quê… pra remontar rerpetório (nada contra repertório, mas “combina” com nosso contexto de dança no Brasil???)
é melhor sentar e discutir, se o complexo vai existir que exista para TODOS!!!
O Complexo Cultural – Teatro da Dança é antes de tudo um investimento na cultura. E investir é diferente de jogar dinheiro fora. Essa verba absurda e até “esquizofrênica” que muitos chamam é para arte. Depois a gente escuta aquelas histórias de que o artista não tem espaço, que a cultura é desvalorizada e que não se tem lugar para dançar. A dança terá espaço (os contemporâneos estão dentro desta classe, ou será que eles se excluíram?). É a classe que ganha um teatro no qual todos são donos. A São Paulo Companhia de Dança só ganha uma sede, como o Balé da Cidade tem a sua, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro a sua…
Tanto questiona-se sobre a verba de R$ 13 mi, mas alguém já perguntou quanto ganha um bailarino do Balé da Cidade de São Paulo (média de R$ 6.000)? (Tudo é público e poder ser acessado no site da secretaria municipal da Cultura). Você já questionou que se o Balé da Cidade pagasse seus bailarinos com carteira assinada e todos os direitos devidos sua folha de pagamento chegaria perto dos 9 milhões? Alguém já questionou quanto o Teatro Municipal do Rio de Janeiro gasta para manter 80 bailarinos, que quase nunca dançam e que ainda bem voltam aos palcos este ano para uma série de apresentações? Agora, quanto será que custa montar um Balanchine? Será que sem a verba da São Paulo Companhia de Dança poderíamos assistir Les Noces, de Bronislava Nijinska no Brasil? Quanto custa manter o Boston Ballet? E o New York City Ballet? É só procurar.
O projeto da construção desse teatro é de um deslocamento duplamente incrível. Primeiro, pq será um complexo de alto preço e luxuoso entorno de uma região pobre, cujos atuais frequentadores (moradores e não moradores) estão sendo e serão, numa postura de higienização social, expulsos sumariamente. Segundo, pq vai ser sede de uma cia. de dança cujo tipo de estética é muito destoante da historiografia paulista e paulistana da dança. Com um orçamento fixo, a secretaria da cultura investe de maneira competente no contraste social e cultural. Uma postura bem comum dos tucanos: luxo para poucos, lixo para muitos.
Quero deixar registrado meu apoio na construção do Teatro da Dança. Acredito que nossa classe precisa de teatro para apresentar seus espetáculos.
Só temos a ganhar com este novo espaço que será de todos ao meu entender.
Precisamos de mais espaços para dançar. Esta obra irá beneficiar não somente os bailarinos, mas artistas e produtores.
Recebi uma solicitação para assinar uma petition on line contra a construção do Teatro da Dança. Pensei na mesma hora: assinar alguma coisa contra a construção de teatros? Estranho.
Ao tomar conhecimento do conteúdo da petition fiquei perplexa. Artistas se mobilizam contra a criação de um projeto que envolve três teatros, uma escola de música digna do maior estado da América latina, um museu para abrigar nossa história da dança, uma sede para a maior iniciativa artístico-cultural em dança em décadas nesse país, a São Paulo Companhia de Dança, teatro de prosa. Parece que nada foi esquecido.
Por que não usamos nossas energias contra a corrupção, contra o abandono do nosso patrimônio histórico, contra a demolição de tantos teatros e cinemas pelo Brasil inteiro, todos transformados em templos evangélicos, contra a debandada de nossos artistas eruditos por falta de mercado de trabalho?
Pensei em nós, cariocas. Tivéssemos administradores capazes de entender a importância da criação de uma companhia de dança clássica, que precisa sim, do apoio do Estado, assim como orquestras sinfônicas e coros, e não estaríamos perdendo um dos mais valiosos acervos do mundo em termos de repertório no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Países desenvolvidos possuem teatros líricos, que encenam óperas, ballets de várias linguagens (será que ainda pensam que o ballet acabou no século XIX), concertos, óperas-ballets, oratórios.
Não temos direito a esse tipo de desenvolvimento? Por que?
A importância da chamada “grande arte” é reconhecida no mundo inteiro. Sua popularização só depende de vontade política, de cultura, de políticos que não subestimem a sensibilidade de seu próprio povo.
É simplesmente alentador saber que um governador, um secretário de cultura valoriza Nijinska, por exemplo.
Nós, do Municipal, temos um repertório que vai da ópera-ballet Les Indes Galantes de Rameau, de 1735 a Preljocaj, passando por todo o século XIX, todos os grandes criadores de Diaghilev e chegamos a Preljocaj, mas nossos dirigentes nunca ouviram falar dessas pessoas; eles não fazem idéia de que Rostropovitch regeu nossa orquestra, de que nossas temporadas líricas conheceram ídolos como Tebaldi, Callas, Gigli, etc.
Diante da inevitável pergunta – de quem a senhora está falando? – o que vocês, que pretendem se manifestar contra a construção de um complexo artístico, responderiam? Vamos lá, amigos, repensem essa decisão. Como bailarina, casada com bailarino, que sempre viveu da dança, que passou por momentos dignos e indignos no sentido financeiro, mas que sempre manteve a esperança de que minha profissão fosse reconhecida com toda a importãncia universal que lhe é inerente, sinto-me orgulhosa de saber que o Brasil entrou no século XXI construíndo um complexo cultural desse porte. Um abraço.
Concordo com os artista que responderam à construção dessa edificação. Enquanto não se discutir uma lei que coopere e reuna, as possibilidades apresentadas sempre serão reflexo de aparencias e privilégios de poucos que sustentam a visão do conservador sócio-político-cultural.
Essa lógica de valorização de grandes monumentos artísticos voltados para a fruição de somente uma parcela da população de uma cidade, precisa ser superada na história do Brasil. A coragem de ultrapassar os muros dos guetos culturais é FUNDAMENTAL para contuniarmos RESPIRANDO nas grandes cidades. é um modelo falído de instuição artística. O abaixo-assinado faz uma proposta muito mais contemporânea de arte e cidade.
Que papo mais chato gente! O povo tem inveja do dinheiro que uns tem e ficam reclamando que não tem espaço para dançar. Daqui a pouco desistem do projeto e aí a dança vai arrumar outro motivo para brigar. Por que as pessoas não se unem para algo maior? Vamos pensar grande. Qd esse Complexo de Dança ficar pronto todo mundo vai querer dançar nele. Eu vou!!!! A gente deve pensar nisso antes de assinar qualquer coisa.
Bem, vejamos a situaçao…. porque construir um complexo cultural, somos um Pais jovem, sem tradiçao em Ballet classico, fomos, somos e entao seremos para sempre ignorantes…. nao merecemos uma obra como esta porque aqui vivemos a tal dança contemporanea… Ballet…cruzes, que coisa brega e cafona…. Santo Deus, esses poucos que reclamam nao levantam a voz para exigir de nossos governantes mais conhecimento ou cultura, mas sim um pedaco desse bolo.
Gostaria apenas de lembra-los que esssa arte sera para poucos enquantos muito se recusarem aceita-la…. Porque esses grupos independentes de dança contemporanea, pesquisa do movimento, etc…etc…etc….. reclama tanto…. CLARO… qdo que um desses espetaculos p’os modernos conseguiriam lotar um teatro de 2.000 lugares…. NUNCA, mal conseguem colocar trinta pessoas num teatrinho….. isso ‘e arte para muitos…? Voces tem noçao do publico que essa Cia recem criada, dois anos, ja atingiu..? Nem em dez anos esses grupos que estao se opondo conseguiriam atingir…… Entao deixem de ser hipocritas e vao preparando o projetinho para o proximo fomento e fiquem satisfeitos…. se voces querem por seus direitos, nao invadam os direitos dos outros tb, sim ‘e dinheiro publico sim, impostos que eu tb pago e acredito que esse projeto sim vai enriquecer a nossa cidade cultural, socialmente e espero que nao pare por ai…
Boa sorte e longa vida ao BALLET CLASSICO….
Abraços
Carlos Peçanha
Sou mae de tres bailarinas classicas, sim essa modalidade de dança que nao tem vez aqui no Brasil, entao uma de minhas filhas ja esta na Europa e isso me deixa feliz, mas de coraçao partido, queria muito ver minha filha se tornar uma mulher, poder estar ao seu lado qdo precisasse de mim, mas esse mercado de trabalho ainda ‘e restrito aqui… mas graças a Deus um governante resolveu criar uma cia em Sao Paulo com estrutura de Io mundo, fomos assistir e uma outra filha me disse, legal, agora quero fazer muita aula e entrar nessa cia, me emocionei…. puxa entao existe a possibilidade de minha filhar viver da arte que ela tanto ama ao meu lado no meu pais….. talvez isso nao represente nada para voces, mas para nos maes ‘e sim muito importante….. Minha filha tem o direito que fazer ballet , se profissionalizar e trabalhar, formar uma familia e viver aqui….. Agora estao reclamando que esse complexo sera para poucos, como assim, tres teatros, duas escolas, biblioteca…. Incrivel, mas essas pessoas que dizem gostar da dança, viver da dança, estao se pondo contra, porque ?, porque nao estao diretamente no prjeto, mas isso ‘e um efeito domino, todos vao ganhar com isso.
Sou sim a favor, quero curtir muito esse complexo ao lado de minhas filhas e se possivel ve-las feliz ao meu lado e dançando nesse teatro….. Minha filha estuda no Pavilhao D e dessa escola ja sairam pelo menos cem adolescentes rumo ao exterior para tentar viver dessa arte, tomara no futuro n’os tenhamos o prazer de ve-los aqui dançando….. Parabens ao Governador pela inciativa…
Suely
Ola, tenho uma escola de dança no interior de Såo Paulo e gostaria de entender uma coisa, porque todos dizem que nåo temos tradiçåo de ballet classico, claro, para se ter tradiçåo é necessário tempo e investimento, tempo vem com o tempo e investimento está vindo agora, CARAMBA, que otimo.
O que mantem minha escola ‘é o ballet e fiz uma pesquisa com 450 escolas de dança , adivinhem, 446 tem mais alunos matriculados no ballet, NENHUMA escola vive de alunos matriculados na Dança contemporånea… o que é popularidade entåo, qdo fomos assistir a Såo Paulo Cia de dança o teatro estava ABARROTADO, na semana seguinte tivemos uma mostra de dança contemporånea, talvez o dia de maior publico tinha 30 pessoas, sendo assim, temos que acreditar nessas pessoas que aqui reclamam de tudo isso ou em FATOS…. No Brasil temos sim tradiçåo de ballet, temos brasileiros em todas as grandes cias de dança do mundo ocupando o papel de Ios bailarinos, alunos em quase todas as grandes escolas de ballet no mundo, sera que algum dia teremos tradiçåo ou investimentos para que todos esses brasileiros estejam aqui nos deleitando com sua arte…… Desculpem ,mas isso é palhaçada.
Parabénes senhor Governador, qdo for presidente espero que crie em Brasilia uma cia Nacional, digna de um País que esta provando ao mundo que esta realmente crescendo.
Senhores amantes do Ballet, é preciso esclarecer algumas coisas:
Pelo que eu sei ninguém é contra esta ou aquela estética, é ingênuo demais pensar desta maneira.
O que se discute é que este projeto não atende as demandas da dança inclusive a clássica, e é importante perceber que há uma disparidade de valores aplicados em um setor em detrimento de outros. Esta se gastando rios de dinheiro público em uma única obra enquanto o restante do estado e outras estéticas recebem migalhas, esta conta é muito fácil de se fazer, é só querer!!!
Os grupos de dança clássica do interior do estado deveriam perceber e se articular, assim como a Contemporânea por mais seriedade no gasto público, ou está ótimo o investimento que este governo tem feito em todo estado?
É preciso conhecer um pouco mais os detalhes deste absurdo projeto, que visa apenas uma candidatura a presidência, ao invés de futriquinhas tolas!!
Não se legitima um espetáculo ou uma estética de dança pela quantidade de público na platéia, é pensamento alienado, burguês e capitalismo tupiniquim.
Esta discussão precisa ultrapassar estas fronteiras.
Sandro Borelli (diretor da Cia.borelli de dança)
Há 14 anos atrás eu pedi minha mãe que me colocasse numa aula de dança. Desde então eu venho estudando ano após ano, fiz faculdade de dança, dancei em grupos, cias pequenas, investi meu tempo e dinheiro dos meus pais nessa carreira. Esse formato de companhia ( SPCD) é um formato universal, que se faz em todo o mundo, em todo mesmo, em Cuba, na China, Japão, Argentina, EUA, europa toda. E São lugares tão diferentes. O governo de São Paulo viu a necessidade de ter sua própria cia, grandiosa, universal, capaz de dançar a história, coreógrafos renomados, um repertório pouco visto pelos brasileiros e agora tão bem feito para milhares de pessoas. E bem feitos por bailarinos criados aqui. Não estamos importando bailarinos, somos brasileiros, formados aqui, artistas daqui e que bom que estamos trabalhando em São Paulo e dançando pra São Paulo , pras suas cidades do interior e para capitais de todo o pais.
Aqui coreografou Paulo Caldas, está coreografando Mauricio de oliveira, veio remontador do NY city ballet, veio a neta da nijinska e deitou elogios a nós, intérpretes da cia. Disse ela que nossa montagem de Les noces foi impecável, honrosa, digna e quanta gente não se emocionou ao ver-nos dançar. Brasileiros, pagadores dos impostos, que com 20 reais e muitas vezes gratuitamente puderam ver balanchine. Alguém sabe quanto custa montar balanchine? Estamos sim num mundo capitalista, e estamos mesmo, fazer o que, custa bancar 100 profissionais competentes. O orçamento, se comparado a cias de mesmo porte e categoria, é normal, adequado e suficiente para um bom desenvolvimento dos trabalhos de execução de espetáculos, projetos sociais e de arquivo da história. Orgulho-me de fazer parte deste projeto, e já me orgulhava dele quando em seu primeiro ano, eu não ainda fazia parte. Não passei na primeira audição. Estudei mais, me dediquei mais…. não há mesmo espaço pra todos. Tantos se vão, tantos param… Mas a cia foi criada, está ai, a todo vapor, gerando empregos, gerando renda, movimentando a economia e dando dignidade a essa profissão tão maravilhosa. Espero que os outros governos, de outros estados brasileiros criem mais companhias, mais espaço, mais trabalho para os milhares de bailarinos que o brasil forma.
Tenho lido as manifestações expressas neste site, ao longo dos últimos dias, e a primeira coisa que percebi foi certa exaltação dos ânimos, somadas a algumas divergências de opiniões; o que em um primeiro momento é aceitável, já que vivemos em uma democracia.
Todavia quando o governo de um estado, com todas as urgências de São Paulo, está incluindo dentro da sua lista de prioridades, investimentos para a construção de um Complexo Cultural, tendo a achar que deveríamos estar TODOS do mesmo lado.
Pelo que se entende o Complexo Cultural será somado ao incremento que já vem sendo feito nos últimos anos no Centro da cidade e no Bairro da Luz, com isso, diferente do que algumas pessoas escreveram, haverá sim recuperação de um espaço importante da cidade, e a integração de pessoas de diferentes formações culturais e classes sociais. Ou seja, burguesia e proletariado tendo oportunidade de assistir as mesmas obras, e freqüentando lugares em comum; que ao que parece já vem acontecendo se pensarmos no público que está freqüentando o Museu da Língua Portuguesa, a Pinacoteca, ou até mesmo o Mercado Municipal.
Um Complexo Cultural que irá abarcar três teatros, com salas de diferentes dimensões, e destinado a dança, ao teatro, e a música, propiciando a fruição de diferentes estéticas artísticas.
Até aqui não parece existir proteção ou privilegio do clássico em cima do contemporâneo, ou do neoclássico em cima do pós-moderno. O que se percebe é que a partir do desejo de diferentes cidadãos, e de governantes poderá vir a existir um lugar, no centro da cidade de São Paulo que irá dar espaço para que a arte contemporânea e suas reverberações aconteçam, e de alguma maneira TODOS serão privilegiados.
Quanto ao Complexo Cultural sediar a São Paulo Companhia de Dança, no período diurno, não é algo para ser considerado negativo. É possível enfatizar que no período que abrange os 22 meses de existência desta Companhia, vislumbra-se, até com uma “pitada” de orgulho nacional, um progresso incrível na qualidade da formação dos bailarinos, e uma interação considerável com a sociedade através do diversificado repertório que a Companhia vem realizando. A remontagem de obras de coreógrafos de renome internacional, em contraponto com as criações de coreógrafos brasileiros contemporâneos, feitas “sob medida” para a Companhia, desmistificando assim a idéia de que a São Paulo Companhia dançaria apenas obras que evidenciassem a técnica de dança clássica. Soma-se a tudo isto a ampla programação, de admirável qualidade e profissionalismo que abre as portas da sede da Companhia para que o público em geral assista ensaios, palestras; possa compartilhar, usufruir, e de alguma maneira faça parte, de um projeto de primeira linha.
Sendo assim sugiro que sejam levantadas bandeiras que lutem, não entre si, mas em paz, para que mais possibilidades sejam abertas, em torno da dança e da arte em geral, a fim de proporcionar mais caminhos às necessidades da sociedade vigente.
O ensaísta italiano Umberto Eco (1932), propõe dentro de sua pesquisa, uma terceira via, e movida por sua idéia gostaria também de propor uma terceira via onde os diferentes segmentos que trabalham com dança busquem a constituição de um diálogo com proposições consistentes visando à construção e não a destruição de uma classe que tem uma tendência a lutar fragmentariamente.
Sayô Pereira
Muita gente aqui está engada com relação a política pública que vivemos. O texto é claro, é só ler, e entender (sei que isso é difícil para algumas pessoas): estão sendo construídas nove Fábricas de Cultura em regiões com baixos indicadores sociais na capital, temos 13 oficinas culturais espalhadas pelo Estado, ou seja: espaço para os alternativos, espaço para aqueles preocupados com o processo (claro que sem ele não existe resultado, mas é preciso resultado). Temos Proac, temos Teatro de Dança, temos Circuito Paulista. Simplesmente TEMOS. Temos tantas outras coisas que um simples google apontaria nesse instante. De 2005 pra cá a dança nunca teve tanto dinheiro e isso é uma conquista da classe. E essa mesma classe pode conseguir daqui a pouco o que o Rio de Janeiro conseguiu: não dançar e nem ter dinheiro para isso. É isso mesmo que queremos? Aproveitemos o que cada governante quer fazer. Vamos dançar nos espaços possíveis, com as verbas possíveis e, claro, vamos nos preocupar em fazer trabalhos possíveis. Chega de amadorismo e chega de brincar de fazer dança. Vamos trabalhar, mostrar BONS resultado e depois brigar por alguma coisa. Aí sim será uma briga justa.
Gostaria de parabenizar as pessoas que apoiam esse projeto, acredito que alem de beneficiar a dança vai mudar a aprencia da região da Luz, que ja esta bem diferente de 10 anos atras,isso chama-se progresso…. Acho que todos ja falaram tudo que tinha que ser falado sõ quero salientar que …. quem o sr Borelli pensa que é para chamar esse projeto de ABSURDO…… ele sobrevive de dinheiro publico, fui por duas vezes TENTAR assistir suas apresentações… minha conclusão…ai esta um dinheiro publico que poderia ser melhor investido…… Recordo~me que o projeto da SPCD tambem foi tido como um projeto ABSURDO…. desculpe-me pela talvez falta de educação, mas sr Borelli, fique feliz com o que vc jaa conseguiu e não tente estragar os planos e projetos dos outros….
Abraços a todos
Fabio Castro, formado em educação fisica pela USP e amante da dança….da DANÇA……
fazer manifesto nao seria tão agradavel pois podemos unir nossas forças para um bem maior, ja que se faz necessario nao um mais varios centros assim , porem sempre vai haver peossas que vão querer tirar o tapete de outras, mais quando estiver pronto muitos poderam usufruir não só com todo direito de usar mais tambem com todo o glamur que um espaço desse possa ofereçer e beneficiar e mudar a vida de muita gente.