globo terrestre / Foto divulgação

A crescente presença caboverdiana no Ceará e o compartilhamento da língua portuguesa estão levando a dança cearense para longe. Depois de 12 anos de atividades e muito trabalho em Fortaleza, a Bienal Internacional de Dança do Ceará expande seus horizontes e desembarca em Cabo Verde no dia 19 de janeiro. Com 14 espetáculos brasileiros e 11 locais, o festival levará uma parcela da produção em dança cearense para além-mar.

Chamado de Conexão Cabo Verde, esse ‘braço’ da Bienal contará com cinco dias de intensa programação de espetáculos, oficinas, cursos, palestras e encontros. O objetivo é criar uma rede de colaboração com aquele país, fortalecendo os processos colaborativos de criação. “Os caboverdianos estão muito presentes na cidade de Fortaleza, nas universidades. Achamos que é um foco importante para a Bienal”, afirma o diretor-geral da Bienal de Dança do Ceará, David Linhares.

Tudo começou com um sonho de criar ligações artísticas mais fortes entre países do hemisfério sul, sem ter grande interferência do hemisfério norte. Somado a isso, a criação de um voo direto Fortaleza-Praia (capital de Cabo Verde) contribuiu bastante para que o projeto se transformasse no Conexão Cabo Verde. Depois de conversas aqui no Brasil – durante a Bienal 2009 – e lá, a ideia tomou forma. “O Raiz di Polon esteve aqui na Bienal e tivemos uma primeira conversa de curadoria juntos. Depois eu estive em Praia e tivemos muito apoio do governo de lá. Em seis meses o projeto estava confirmado”, lembra David.

Além da importância deste primeiro grande encontro, David ressalta o fato de que será a primeira viagem internacional de muitos artistas. Entre os participantes estão o Dona Zefinha, CEM – Centro de Experimentações em Movimentos, Cia. Vatá, Cia. Dita, Grupo Fuzuê, J. Garcia Cia. de Dança, entre outros. O festival também terá oficina de videodança com Alexandre Veras, e de estímulos para a criação de movimentos e processos criativos com Silvia Moura, além de palestra sobre políticas públicas para a dança com Leonel Brum.

“Estou muito otimista com o resultado. Eles adorem o Brasil, os cearenses. E como há muitas apresentações na rua, tenho até medo do número de pessoas que podemos concentrar! Temos que nos encontrar, começar a pensar juntos, é urgente. Acredito que a Conexão será o primeiro passo para multiplicarmos isso”, comemora David.

O idança quer saber: Você acha importante haver uma aproximação artística entre os países do hemisfério sul? Por quê?