Para sobreviver aos musicais em Londres não precisa apenas de gostar do género. Ter algum dinheiro também ajuda para o que eles chamam de “experiência completa”.
Uma brincadeira como esta, a de ir ver musicais a Londres, custa dinheiro e não é pouco. Sobretudo porque as tentações são muitas. O problema está em saber escolher. Começa pela logística da viagem. Quanto mais cedo reservar o bilhete de avião, mais baratos lhe ficam os bilhetes. Qualquer empresa de low cost lhe prometerá as melhores promoções mas o sítio www.rumbo.eslow cost incluídas, com e sem escala. Quanto à estadia, saiba que um hotel no coração dos musicais, a chamada Theatreland, não será a melhor opção para carteiras pouco recheadas, já que os quartos single não ficam por menos de 150 euros. Faça uma pesquisa na internet e evite os pacotes de agências. Normalmente existem promoções para reservas online e antecipadas. E para alimentação, a Chinatown londrina, junto a Picadilly Circus e antes de Covent Garden, oferece uma panóplia de refeições a custos moderados, dos mais diversos países. faz a melhor comparação entre todas as companhias,
Na escolha dos espetáculos prevalecerá o seu gosto. Mas saiba que, no que respeita aos preços do bilhete, dificilmente encontrará grandes diferenças, seja um musical com 20 anos ou um acabado de estrear. Apesar de também aqui poder optar pela internet, ou encontrar diversos quiosques nas ruas, prometendo descontos nos bilhetes de última hora bem como ofertas incluídas nos pacotes das agências de viagem, ou até mesmo na recepção dos hoteis, não há nada como ir até ao próprio teatro e escolher por si. Na maioria dos casos, essas ofertas resultam em lugares de pouca visibilidade, sem possibilidade de trocas (e em Londres não pode mudar de lugar mesmo que mais à frente esteja vazio) nem de reembolso em caso (excepcional) de anulação do espectáculo.
Escolhendo o que quer ver, vá de manhã diretamente à bilheteira do teatro, abertas todas a partir das 9h30. Vai poder escolher o seu lugar, aproveitar os descontos do dia, apenas praticados nos teatros e, com sorte, ter a possibilidade de encontrar um mais barato porque alguma reserva ficou desbloqueada e a bilheteira já não pode vender o mesmo bilhete ao preço original. Saiba que as sessões da tarde (terças e sábados) são mais baratas que as da noite, e é também aqui que pode ver como funciona a mecânica de produção, já que se experimentam elencos e se renovam energias. Estas sessões estão menos cheias de turistas e pode, assim, apreciar o espetáculo sem prejuízo de entusiasmos efémeros e mais, podendo ouvir, ou trocar, impressões com os locais (estas são as sessões escolhidas pelos ingleses). Não se preocupe com a eventual perda de qualidade por ser um elenco novo, não vai sentir a diferença.
Um bilhete para a plateia, num bom lugar, custar-lhe-á entre 45 libras (The Phantom of the Opera) e 60 libras (quase todos os outros), mas depressa verificará que lhe compensa ficar num melhor lugar a escolher pagar menos 10 libras só para poupar. Quanto mais à frente, mais caro, claro, mas verifique a planta da sala e pergunte pela construção do cenário. Vai ver que na especificação encontra os melhores lugares. “Eles”, à partida, não querem saber, a não ser que você aparente saber mais do que “eles”. A diferença é a distância e, aqui, a distância conta muito para a experiência. Pagamentos com cartão de crédito ou débito podem incluir taxas, pelo que opte por pagamento em dinheiro.
O grande exercício de contenção ser-lhe-á exigido na entrada do teatro, com uma série de brindes, souvenirs e presentes que querem fazer-lhe crer que a experiência só fica completa com um saco cheio de coisas que acabarão no fundo do armário. Entre a memorabilia mais estranha está o macaco que replica o elemento-chave do Phantom of the Opera (50 libras), um top “Razzle Dazzle” do Chicago (15,50 libras), ou até mesmo um barrete para o ski (6 libras) – certamente para enfrentar a neve que cai nas ruas da cidade –, e um boné de baseball Les Miserables (8,50 libras), como se sabe, desporto comum na Comuna de Paris. Há edições limitadas de copos de champanhe Mamma Mia! (25 libras), e t-shits diversas com frases-chave do Priscilla (10 libras). Quem não quererá andar nas ruas com uma t-shirt rosa shock a dizer “Shake your Groove thang” (em tradução livre “Abana essa coisa”). E as invariáveis canecas, porta-chaves, capas para telemóveis, posters, fotografias assinandas, cds com as gravações desse elenco, do que está em Nova Iorque, do que já esteve e dos que fizeram a versão cinematográfica. Evite passar com os seus filhos pela loja da Disney no foyer do The Lion King. Diga-lhes que por menos 20 euros conseguem os mesmos bonecos em qualquer centro comercial português. Se insistirem muito, compre os bonecos nas lojas Disney na entrada do teatro. As do interior são mais caras.
E depois há os programas, quase todos entre 8 a 12 libras. A “souvenir brochure” é a que lhe pode interessar mais. Traz belas imagens e alguns textos não muito específicos sobre a peça. Existe uma outra, o “programme” mais técnico, com as biografias dos criativos e intérpretes, e muita publicidade.
Uma vez que os espetáculos são ao fim da tarde, e os nossos hábitos diferentes, comer antes será um problema, mas evite fazê-lo no teatro. Verificará que rodeiam os teatros uma série de coffee shops. O muffin do Costas é melhor que o do Starbucks, mas o café, e as sandes, do Pret a Manger são melhores e mais baratas. Dentro do teatro, encomende a sua bebida antes de entrar na sala, eles prepararam-na entretanto e encontra-a à espera no intervalo. Se não o fizer arrisca-se a ficar com sede. Também pode levar uma, desde que de plástico. Mas evite exibi-la. Os sacos são revistados à entrada.

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