Um espaço dedicado ao exercício da democracia – com direito a seus erros e acertos. Um espaço para a troca de ideias, para o diálogo e (por que não?) para a busca de consenso. E, principalmente, um espaço para que expor as diversidades regionais que, ora aproximam ora afastam aqueles que fazem a dança brasileira. Todos esses espaços, na verdade, se encontraram em apenas um: a Pré-Conferência Setorial de Dança, que aconteceu entre domingo e terça-feira (7 a 9/03), em Brasília.
Nos quase três dias de conferências (domingo foi apenas à abertura), cerca de 2 mil pessoas circularam pelas tendas montadas na Esplanada dos Ministérios. Estiveram reunidos profissionais de 14 linguagens artísticas para discutir questões ligadas às suas áreas de atuação, escolher delegados e definir estratégias a serem apresentadas na II Conferência Nacional de Cultura (CNC), que começa já nesta quinta-feira (11/03).
“A diversidade é o maior patrimônio brasileiro. Só constituiremos uma identidade brasileira se respeitarmos as diferenças. Temos que saber ouvir uns aos outros”, declarou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, durante a abertura.
Para discutir o presente e o futuro da dança, se reuniram mais de 150 profissionais da área, entre professores, produtores, bailarinos e coreógrafos de todos os estados. Além de dialogar sobre estratégias divididas em cinco eixos propostos (Produção Simbólica e Diversidade, Cultura, Cidade e Cidadania; Cultura e Desenvolvimento Sustentável; Cultura e Economia Criativa; e Gestão e Institucionalidade da Cultura), os presentes votaram nos delegados que participarão da IICNC.
Mesmo com o pouco tempo disponível – o que causou cansaço e discussões muitas vezes atropeladas –os delegados (escolhidos em assembléias realizadas em seus estados) ainda assim conseguiram avanços em termos políticos, como a eleição do novo Colegiado de Dança e mais visibilidade para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste durante a II CNC – cada uma dessas regiões ganhou mais uma cadeira de delegado – e também dentro do Colegiado.
Plano Nacional de Dança: caminho longo pela frente
Paralelamente às discussões sobre as estratégias que deveriam ser enviadas à CNC, o Plano Nacional de Dança (PND) ganhou grande destaque na plenária. Com um texto provisório pronto desde o meio de 2009, o documento elaborado pelo então Colegiado Setorial de Dança ainda aguarda o envio para consulta pública, onde deve ficar por, no mínimo, 45 dias (clique aqui para saber mais sobre o Plano).
“Nosso foco é no Plano, temos que garantir a permanência do projeto e seu envio logo para consulta pública. Esperamos que o novo Colegiado dê continuidade ao nosso trabalho. No geral, a metodologia das pré-conferências é frágil, com espaço dialógico muito restrito. Mas temos que aprender a trabalhar com nossas diferenças, pensar de forma colaborativa”, analisa a pesquisadora Lúcia Matos, que participou do Colegiado nos últimos dois anos e participou da elaboração do Plano.
Outra tema que gerou grande preocupação durante o encontro – e que resultou em reuniões extras – foi a renovação do Colegiado. Preocupação louvável já que os escolhidos serão o canal de diálogo direto com o Ministério da Cultura (MinC) nos próximos dois anos. Depois de uma votação no mínimo tensa, foram apontados os 15 nomes que formarão o novo Colegiado. A composição segue a seguinte divisão: cinco delegados por macro-região, nove delegados divididos pelos eixos Formação, Criação e Produção e um delegado extra que seria um participante do antigo Colegiado. Confira abaixo a nova formação.
Delegados/suplentes por região:
Região Norte
Meire Maria Monteiro Reis (TO) / Silvestre Antônio Gomes Santos (RO)
Região Nordeste
Liana Gesteira Costa (PE) / Maria Sofia Vilas Boas Guimarães (BA)
Região Centro-Oeste
Rosa Maria Leonardo Coimbra (NATO) / Kelson Joemir Panosso dos Passos (MT)
Região Sul
Marilia Annibelli Vellozo (PR) / Marta César (NATO)
Região Sudeste
Solange Borelli (SP) / Lourdes Braga de Souza Carijó (NATO)
Por eixos:
Formação
Dulce Aquino (BA) / Valéria Figueiredo (GO)
Cássia Navas (SP) / Mônica Dantas (PR)
Ana Cláudia Pinto (PA) / Denise Acquarone (RJ)
Criação
Silvia Moura (CE) / João Fernandes (AM)
Marcos Moraes (SP) / Berenice Cruzeiro (RS)
Denise Parra (MS) / Luciana Caetano (GO)<
Produção
Claudir Cruz (RR) / Hipólito Lucena (PB)
Marise Siqueira (RS) / André Durand (AM)
Sacha Witkowski (GO) / Leonardo Serra (ES)
15º delegado
Lúcia Matos (BA) / Rosane Gonçalves (RS)
A preocupação com o PND também aparece nas estratégias elaboradas pelos participantes da Pré-Conferência para serem apresentadas na Conferência Nacional. Uma das propostas para os cinco eixos da CNC é justamente “assegurar que a versão completa do Plano Setorial de Dança (…) seja disponibilizada por um prazo mínimo de 45 dias para consulta pública e que todas as sugestões e alterações sejam consideradas pela nova composição do Colegiado Setorial de Dança, e sua versão final seja legitimada pelas instâncias legislativas em caráter de urgência”.
Estes são os nomes dos delegados/suplentes apontados para defender os interesses da categoria durante a Conferência: Rosa Coimbra (DF)/Denise Parra (MS), Sacha Witkowski (GO)/Luciana Caetano (GO), Waldemar Santos (PI)/Sidelmonio Ribeiro (PI), Silvia Moura (CE)/Liana Gesteira (PE), Odara Freitas (MA)/Jaquelene Linhares (RN), Meire Maria (TO)/Claudir Cruz (RR), Marcos André Durand Pereira (AM)/Junior Uchoa (AC), Paulo Rodrigues (RO)/João Fernandes (AM), Solange Borelli (SP)/Leonardo Serra (ES) e Marise Siqueira (RS)/Rosane Gonçalves (RS).
Mesmo diante de todas as restrições de tempo, para o diretor de Artes Cênicas da Funarte, Marcelo Bones, o resultado da Pré-Conferência foi positivo. “Conseguimos cumprir as quatro responsabilidades obrigatórias, que eram definir os delegados para a CNC, promover os debates sobre as propostas que seriam levadas, renovar o Colegiado e discutir sobre o Plano Setorial. Acho que o encontro trouxe ânimo novo, mais articulação, surgiram temas novos”, avalia.
A II CNC começa nesta quinta-feira (11/03) e vai até domingo (14/03). Para saber como foram as outras Pré-Conferências, confira os blogs setoriais criados pelo site do MinC para cada um dos segmentos.
Leia também: II Conferência Nacional de Cultura termina com a aprovação de 32 prioridades


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Como é importante a construção desse canal entre sociedade civil e poder público. Estive presente e fico cada vez mais estimulado a usar e legitimar esses canais. Ainda estamos aprendendo a usar as ferramentas democráticas, ao mesmo tempo que ainda estamos aprendendo a sermos democráticos. Isso, na prática, dá trabalho (e muito), mas dá muito mais garantias às vozes plurais desse país. Mas se não estivermos atentos, podemos retroceder nos avanços que já tivemos. Bom lembrar que, com o golpe de 64, passamos por duas décadas de ditadura, o que torna nosso exercício democrático ainda recente. Nossa prática democrática precisa ser constante, para aprendermos, aprimorarmos e compartilharmos. E isso é um exercício de todos, mesmo que seja difícil, e muito difícil.
Gostaria que fosse retificada o Estado do membro do Colegiado eleita Ana Cláudia Costa (eixo formação) de GO para PARÁ.
Grata
Ana Cláudia Costa
Olá Ana Cláudia,
a correção já foi feita. Desculpa e obrigada!
Um abraço,
equipe idança
Colegas,
Como é importatante que estas iniciativas tenham repercussão em todo o pais e mais explicitamente na capital federal. Rezo e farei penitencia se conseguirmos chegar aonde queremos. Conheço alguns membros citados acima,de longa data,e sei como a nossa luta é ardua e muitas vezes parece ingloria. Não são poucas as vezes em que fico pensando como fazer a população:professores,pais,políticos,etc; se conscientizarem da importância da cultura e educação em nosso país. Confesso que muitas vezes penso em desistir.Agora estou me graduando em direito e fico pensando em que área vou atuar sem perder a minha essencia de professora de dança;penso que optarei pelos direitos humanos,ligado as crianças menos favorecidas tanto no nosso país como no exterior. Tudo graças as minhas experiências na área de educação,em vários seguimentos tanto da pré-escola como do ensino fundamental(primeiro e segundo seguimentos),e escolas profissionalizantes. Nós precisamos sermos mais aceitos pela sociedade,não como professores de matéria extra currícular,que pode ser opcional,e sim como verdadeiros profissionais ligados ao desenvolvimento cognitivo de nosssos alunos.
Louvavel a criação deste evento!