Comemorando o Dia Internacional da Dança, a galeria O que você tem feito? desta semana mostra apenas trabalhos desenvolvidos fora do eixo Rio-São Paulo. O idança aproveita a data para valorizar a produção nacional feita em outras cidades, geralmente, com menor visibilidade. Se quer ver seu vídeo aqui na galeria também, envie o link do youtube para redacao@idanca.net.
Sayara, ela gosta das coisas simples
Interpretação e edição: Elielson Pacheco, Teresina (PI) Câmera: Valério Araújo Música: amarain Letra: Mohamed Refaee
Canção egoísta para um dueto em dó – performance
Videodança baseada no espetáculo da Cia. Domínio Público, de Campinas (SP). Direção: Holly Cavrell Interpretes-criadores: Nina Giovelli e Leandro Rivieri Iluminação e concepção de vídeo: João Maria
O jardim das rosas amarelas
Espetáculo da Gira Dança, de Natal (RN), coreografado por Mário Nascimento. Direção artística: Anderson Leão Imagens: Justino Neto
Clear blue water
Processo de investigação coreográfica. Criação, performance, fotografia e edição: Angelo Luz, de Curitiba (PR)
Assista também: Quatro momentos históricos
Port
Eng



HMM, nesses videos postados so tem gente grande…hehehehe
tive o prazer de fazer um curso com a Holly Cavrell, e ja vi muitas coreografias em festivais com o Mario Nascimento também, indiscutivel o trabalho deles…
Mas muito legal a iniciativa, adorei, vou ver s emando alguns videos!
Penso que este espaço existe para expressarmos através das palavars o que vemos. Então vamos lá!
Penso ter assintido tres vídeos de dança,”CONTEMPORÂNEA” e um de dança do ventre e/ou dança folclorica;sim,porque a dança do ventre é uma dança folclorica,que expressa a cultura de um determinado povo ou civilização;no caso a cultura do oriente médio.
Na minha opinião,os outros tres vídeos não são de dança contemporânea. Aonde estão as linhas coreograficas a serem percorridas no espaço cênico?qual a técnica apresentada? qual o objetivo específico a ser mostrado ao público?cotidiano ?mas cotidiano por sí só para mim não é dança!!!!! esta é a minha opinião;segundo Klaus Vianna,voce deve transformar gestos do cotidiano em dança,e não depater-se e contorcer-se sem um objetivo.
Contem uma história facil de ser entendida. criem movimentos harmonicos ou não,transformando-os em passo de dança. Façam com que o público que assiste ao trabalho fiquem perplexos por voce conseguir criar uma linguagem codificada interessante. Do contrário a dança cai novamente apenas no entretenimento.Prepare-se para amostrar o seu trabalho. contorções,pulos aleatórios e crises eplepticas não levam a nada.
Ops… quando tiver algum video com DANÇA no site me avisa, ok?
Tô ansioso pra assistir DANÇA!
Em primeiro lugar quero agradecer ao idanca pelo reconhecimento do trabalho da nossa companhia de dança em conjunto com a equipe de vídeo, disponibilizando-o no site do idanca. Uma ótima oportunidade para a comunidade da dança, incentivando-a para a discussão de assuntos atuais.
Importante considerar a abrangência de olhar requerida para os trabalhos de Vídeo-Dança, cuja obra não se limita no “dançar”. A idéia central da vídeo-dança não é documentar ou registrar uma dança do palco, mas sim experimentar e expressar a fusão de duas artes que lidam com movimentos: a dança com seu movimento de corpo e o vídeo com seu movimento de câmera, buscando um nível virtual de relações entre a imaginação corpórea do coreógrafo e o olhar fotográfico do cineasta. As linguagens se encontram, se juntam e dialogam para captar outras sensações não restritas à estrutura coreográfica. Um ponto de partida onde o corpo é o modificador de um espaço cinemagráfico.
Um abraço,
Holly Cavrell
Elielson!! senti um humor ácido no seu vídeo que me pegou… me sensibilizou…
Acho lindo vc sair assim da “casinha” e se permitir ser sincero com o que você acredita!!!!
Daisy, não consigo ver nada mais contemporâneo do que um trabalho desse!!! ele utiliza da dança do ventre sim, mas totalmente em um outro contexto e de uma forma super criativa…
Sobre a dança que vc acredita, viva ela e vá em frente!!! Com um mestre como o Klauss coisas muito bonitas devem sair daí!! (mas cuidado pra não se fechar em conceitos)…
Holly, como já disse, gostei bastante do vídeodança de vocês!! realmente vivi uma fusão de linguagens nele!! bastante inspirador!!
; )
Estes vídeos mostram o quanto a dança vem crescendo e se inovando deixando de ser simplesmente uma junção de “passos de dança” e se tornando movimento expressivo. O que é dançar? Qual a nossa visão de dança? Será que a dança continua somente nos antigos parâmetros estéticos? Acredito que não, pois o público que vem sendo formado com a “arte educação” (pois a arte já é educação em si própria) exige dos trabalhos de dança algo mais além de exercícios técnicos reproduzidos como códigos. A expressão artística não pode ser codificada. Penso que apesar da interdisciplinariedade estar dando força e inovação à arte e as questões do que é arte sempre surgirem, um trabalho de pesquisa é necessário pois tudo pode ser arte mas nem tudo é arte.
Abraços
Juliana Vicentin
opa!
ola a todos.
bom, dayse, se você considera que ó vídeo de sayara é uma dança folclórica, acho, por um lado, que seu comentário é
revolucionário. por outro lado, não arriscaria afirmar que uma dança do ventre feita por um homem/travesti/drag é tão
folclórica (mas, vide http://www.youtube.com/watch?v=KO5Q1YgXZhE).assim como uma dança do ventre onde O VENTRE está
coberto, ou uma dança folclórica que ao invés de seu modo de transmissão caractérístico, o corpo-a-corpo,
substitui por uma professora on line (suheil:http://www.youtube.com/watch?v=hjvk55AiKwE) e não ao vivo…
marilía, vc sentiu um “humor ácido…”? poxa, interessante seu feed back. no geral as pessoas so acham graça. o que
me deixa triste, por um lado. adoraria trocar mais idéias com vc sobre isso. podemos trocar emails?
muito valeu!
Elielson
Oi Elielson,
antes de mais nada, muito obrigada pelo seu trabalho.
Eu sei que o trabalho é “seu”, mas tenho que salientar que o que o Núcleo do Dirceu vem plantando, está dando frutos e dos bons. Tipo pitanga: doce, azeda e com um caroção no meio que incomoda, mas é fértil e se jogar no chão, nasce mais… : )
O que você faz ali é 10 minutos de pura sensibilidade contemporânea, puro fruto de vontade de existência na globalização, no mundo não mais analógico e portanto não folclórico.
Enquanto muitos artistas – que não estão nos famosos e incansáveis “eixos” – imitam sem parar os paradigmas dos franceses (que aliás não olham muito, em termos artísticos, pros árabes que ali moram ), vc está se autoexotizando, antropofagizando, brincando, sendo sério, mandando ver no que é o trabalho de um artista bailarino, dançarino, do corpo: posicionar-se sensivelmente em sua condição.
Ao contrário de ” a dança do ventre é folclórica” (como diz acima a Dayse France), vc desestigmatizou o fato do folclórico “do Piauí” e até do folclórico “universal” que seria: fazer aquelas danças modernas ou néoclássicas malfeitas. Sim, com cara de pobreza, no sentido da falta absoluta de autonomia estética e política (e mais, de esquizofrênica autonomia sensível).
Vc num quintal que é concreto e terra e grama – que lembra inclusive os destroços de Beirute; Um homem, vc, maquiado e sem peruca, sem os outros artefatos que te “montaria”, ou seja, semi montado; Com roupa de um quotidiano urbano banal, nem pra mais, nem pra menos; Tentando dançar uma “dança do ventre” (do outro, da outra) se assimilando; Um video de dança do ventre EM PORTUGUES e no youtube; Uma música árabe do Amr Diab (q é pop) e com legendas em árabe de tradutor de internet (já que não está escrito em árabe, pois que as letras estão separadas); além das traduções “erradas” como ”Amri = two moons”, que na verdade é “minha lua”, no sentido de “meu bem, meu amor”…
São esses interstícios das “duas luas/two moons” erradas que é o seu trabalho, é o trabalho de quem não está fazendo arte para acertar, muito menos para satisfazer o que as pessoas já conhecem.
Vc está apontando os desejos, as condições e as traduções erradas. Vc está apontando que dá pra viver além e apesar disso.
E é a partir de seu trabalho que podemos entender a situação do nome, inclusive da “Dayse France” – leitora acima que viu o folclore em seu trabalho e ditou que a dança do ventre é “típica” e que sua dança é dança do ventre.
A sua dança é dança do ventre sim, no sentido em que você goza de seu corpo e não se prende nos paradigmas do que é uma arte de aparência chique. Vc é elegantíssimo porque está dentro das coisas. Fazendo a sua “neodança do ventre” porque está existindo e não resistindo às pressões de uma legitimidade.
O seu trabalho é o próprio nome “Dayse France”. Dayse…. um nome assim discriminado e que pertence claramente a uma classe social no Brasil, como todo nome de “pobre”: Dayse, Deisi, Diana, Daiana, Dayanna…. (poderia ter sido inglês, folclórico, mas no Brasil é outra coisa). France: é França em inglês.. Ou seja, “Dayse France” é o próprio paradigma do seu trabalho e não é folclórico, pq não é “puramente” franco-inglês, mas é fruto de desejos distorcidos do que forma e faz cultura.
Temos que aprender a ver o que está ali,
um beijo,
Sheila
dança com pé no chão como disse o Elielson não é dança com o pé pregado, martelado no chão de um corpo pressionado que se amostra em ondas representando um prazer de dançar e uma ‘humildade’ prá uma elite aplaudir mas a dança do espaço/corpo do homem arruinado que brinca/joga/atua com o que lhe restou : os brincos, os cilios, o baton e sainha sobre um corpo construido em resistência, medo e presunção, “um corpo aprisionado, mas que ainda tem um canto”, lembrando Nietzsche, um canto que pode levá-lo a integrar a sua individualidade múltipla, a de reconhecer os outros em si, Bakhtin, principalmente a mulher no seu estado mais delicado, como num canto sereno de liberdade
Acredito que a linguagem videodança vêm se fortalecendo justamente por propor novas formas de expor discursos artísticos, sem necessariamente estar no palco ou em outro espaço. A videodança parece estar a serviço de conceitos e inquietações.
Senti, no vídeo do Elielson uma espécie de “cilada” no bom sentido, pois a princípio parece ser algo muito simples e que provoca uma curiosidade sobre “aonde isso vai dar”. Conforme o tempo passa, ficam as inquietações a respeito de como a internet pode atuar na difusão de uma linguagem, técnica, imagem, discurso; como cada um pode fazer uso disso e injetar o seu próprio discurso, imagem, linguagem, técnica e mostrá-la novamente e com transformações na internet (devolvê-la à web) … além disso existe uma provocação incutida que passa pelo lugar onde a dança acontece, que é uma área de demolição, um terreno baldio. O fato de ser um homem parcialmente travestido também traz à tona sensações…Existe uma precariedade que é provocativa e parece que está atrelada a uma busca e uma necessidade absurda de expressão que ultrapassa o que é convencional, confortável, “bem feito”…
Uma proposta simples e carregadíssima de sentidos, apesar de parecer não fazer sentido em uma primeira “leitura”.
Um abraço.