Desde março de 2009, quando foi implantado pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) o Programa de Ciências e Artes do Corpo, e com ele criado o Grupo ArticulAções, Caxias do Sul, na serra gaúcha, vem realizando uma experiência inovadora e instigante. A aproximação de arte e ciência, com enfoque nos estudos do movimento humano, vem mobilizando 10 estudantes do curso de Educação Física, que têm aprimorado o exercício de sua formação a um pensamento pautado pela investigação científica em busca de novas abordagens de suas práticas corporais.
A inovação é desenvolvida pelo Centro de Ciências da Saúde e se articula em dois vetores, um grupo de práticas do movimento e outro de estudos teóricos e avançados em ciências e artes do corpo. O projeto tem coordenação da coreógrafa Sigrid Nora e de Paulo Eugênio Gedoz de Carvalho, diretor do centro. O duo entre teoria e prática tem tomado forma principalmente no Grupo ArticulAções. Selecionados através de testes práticos e entrevistas, estes estudantes recebem bolsa de estudo para trabalhar com profissionais da área do movimento em atividades rítmicas, dança, instalação e aulas teóricas.
O primeiro resultado coreográfico do ArticulAções é a composição cênica idem[variáveis]ibidem. O trabalho é resultado das pesquisas desenvolvidas a partir de movimentos pendulares e citações de outras obras – Loud, do coreógrafo alemão Thomas Plischke, e da coreografia de What We Did Last Summer, do cantor britânico Robbie Williams. A performance foi gerada a partir da organização de diferentes características do movimento humano, observadas, medidas, controladas e manipuladas em uma unidade experimental, que discute como informações extraídas de outros textos e outras fontes se processam e se instalam num discurso corporal para esclarecer, reforçar ou ilustrar o que se quer dizer.
Para se ter uma ideia da performance: na primeira cena aparece aquele brinquedo que alguns chamam de bate-bola, com duas bolas presas por uma corda. Suspensas, uma bate na outra, impulsionadas pelos movimentos da mão de uma intérprete. Cena seguinte, um corpo masculino está em suspensão, preso pelos pés, sendo movido por outro intérprete. Instaura-se uma segunda instância da mesma questão, o movimento pendular. Surge no telão um vídeo do cantor inglês Robbie Williams, no qual ele também aparece pendurado de cabeça para baixo, ao som de What We Did Last Summer. Citação feita, organiza-se o discurso coreográfico de idem[variáveis]ibidem,cuja estreia nacional foi no projeto Primeiro Passo, em fevereiro deste ano, no Sesc Pompeia, em São Paulo.
Em sua estrutura, idem[variáveis]ibidem organiza diferentes possibilidades de apropriação e organização do movimento corporal. O trabalho é composto por quatro variáveis coreográficas, criadas por Magda Bellini, Ney Moares, Verónica Gómez e Sigrid Nora, que também assina a direção artística. Estas quatro variáveis são dançadas numa primeira sequência que, depois, podem ser reorganizadas a partir de um sorteio ou de um pedido do público, gerando novas configurações, dançadas sob o pêndulo do idem e ibidem.
Após a apresentação paulista, no debate coordenado pela pesquisadora Christine Greiner e a crítica de dança Helena Katz, esta indagou aos intérpretes: “Perceberam a encrenca que em que vocês se meteram?” A pergunta se referia à descoberta da potencialidade para outros movimentos, inclusive a dança, dos corpos dos estudantes de Educação Física. A questão contextualiza, também, a discussão sobre habilitações para o exercício e o ensino da dança por esses futuros profissionais.
Os integrantes do grupo descobriram, sim, que estão lidando com um novo momento de suas formações.
Nicole Giovanella, 21 anos, integrante do ArticulAções, que acaba de se graduar no bacharelado em Educação Física, desenvolveu seu trabalho de conclusão, Aptidão Física Relacionada à Saúde (AFS) no Grupo Articulações, a partir desta nova experiência vivida.
- Danço jazz há 15 anos, dou aula e sempre fui apaixonada pela arte e pela dança. Porém, confesso que, durante a minha graduação, pouquíssimas vezes falou-se em arte, em dança, até o surgimento do ArticulAções. Ao ingressar no grupo, percebi que minha visão como profissional de Educação Física mudou significantemente. O surgimento do grupo serviu para apresentar e explicitar as novas oportunidades e possibilidades de atuação no mercado de trabalho, voltadas ao movimento artístico, que até então, era desconhecida pela grande maioria deste grupo em questão – diz Nicole.
São, de fato, geradas muitas articulações entre corpo, dança e pensamento a partir deste programa. Outra iniciativa que o projeto contemplou, em outubro do ano passado, foi a atividade denominada Imersão, reunindo pesquisadores da universidade para o debate em torno de novas abordagens e estudos sobre o corpo, com a participação da pesquisadora Christine Greiner. No início de maio, nova frente de atuação. Desta vez, num programa denominado Grupo ArticulAções e Convidados, que estabeleceu inter-relações, aproximou pensamentos, na perspectiva da formação de redes de cooperação.
Além de idem[variáveis]ibidem ser apresentado em duas noites no Teatro Pedro Parenti, em Caxias do Sul, foram reunidos no mesmo palco outras quatro formações da dança caxiense, mais um convidado nacional, o coreógrafo-intérprete Vanilton Lakka, de Uberlândia (MG). Dança moderna, de salão e a fusão entre elementos da dança de rua, clássica e contemporânea do solo Dúbbio, de Vanilton Lakka, deram uma mostra das múltiplas possibilidades de criação do movimento corporal. As duas noites de apresentação foram complementadas pela mesa temática Diálogos, para público e intérpretes refletirem sobre as diversas estéticas corporais, suas conexões e implicações.
Nesta reunião de informações e procedimentos, o Grupo ArticulAções tem se tornado um dos vetores da renovação da dança caxiense, com possíveis ecos estaduais e nacionais. Conjugando grupos e registros diversos, o projeto abre não só uma perspectiva para esse segmento de formação profissional, focando mais do que o desempenho corporal, mas, ao mesmo tempo, dá vigor e inovação às pesquisas artísticas dentro e fora da academia, reorganizando uma nova cartografia para a dança local, que teve momentos de emergência na cena nacional, experimentados nos primeiros oito anos da Cia. Municipal de Dança de Caxias do Sul.
A experiência modificou a compreensão sobre as possibilidades corporais, profissionais e artísticas de Lander Artur da Silva, 27 anos, estudante de Educação Física e integrante do grupo, que tem feito da experiência o mote de sua Prática de Pesquisa, disciplina que, pelo currículo que cumpre na universidade, corresponde ao trabalho de conclusão do curso.
- Há um ano, quando entrei no grupo ArticulAções, não tinha noção da abrangência da dança contemporânea, e na verdade não tinha muito conhecimento. Entrei no grupo com intuito de adquirir experiência em uma área diferente do movimento humano, pois até então trabalhava somente com musculação de academia e treinamento personalizado. Agora, meu trabalho terá como tema “Treinamento de resistência isométrica para membros superiores em bailarinas contemporâneas”. Todas as experiências que estou tendo no grupo deram-me uma nova direção profissional. Dança e Educação Física parecem complementar-se, talvez por serem pluridisciplinares ou por mesclar emoção e sentimento com técnica e treinamento. Após um ano no grupo, percebo mudanças físicas, mentais e culturais em minha rotina, vendo inúmeras possibilidades para meu futuro profissional – avalia e planeja Lander.
Desenvolvido com recursos captados através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o Programa de Ciências e Artes do Corpo foca, ainda, a perspectiva de fomentar a produção de saberes sob o enfoque da indisciplinariedade, eliminando molduras e promovendo misturas em busca da produção de novos pensamentos artísticos por meio da dança. Esta iniciativa encontrou oportunidade de desenvolvimento através da Universidade de Caxias do Sul que, atenta à potencialidade de inovação dos procedimentos acadêmicos, investe no diálogo entre corpo, ciência e arte.
- O grupo ArticulAções foi proposto com o propósito dos seus integrantes vivenciarem práticas corporais artísticas para, através deste processo, adquirirem a capacidade de aplicar estes fundamentos a favor de um condicionamento físico que atenda à pluralidade de experiências da contemporaneidade para o corpo que dança – diz a diretora artística, Sigrid Nora.
Significativamente, a primeira aparição pública do Grupo ArticulAções foi no programa Raízes: história, memória e movimento (leia aqui a reportagem que o idança fez), realizado em julho de 2009, com debates, exposição e um espetáculo que revisitou coreografias do Grupo Raízes, formação histórica de dança caxiense que nasceu há 25 anos, justamente dentro do campus universitário. Se acreditarmos que dança também é memória em movimento, o pêndulo desta história balança entre tradição e reinvenção.
Carlinhos Santos é jornalista e autor da coluna 3por4 no Jornal Pioneiro, de Caxias do Sul. Especialista em Corpo e Cultura, Ensino e Educação, atualmente curso Mestrado em Educação, estudando corpo e dança, na UCS


Port



À
Redação do Idança
Me desculpem, mas achei lastimável a matéria, não pelo projeto em si, que parece ser bem bacana. O problema são os profissionais e a área acadêmica envolvida: Educação Física.
Já não basta a luta que os profissionais de Dança tem travado.
Projetos como este visam promover a farsa de que Educação Física forma Artista Cênico ou professor de atividades artísticas. Isso é mentira, é uma jogada mercadológica. É para dar mídia para a Educação Física.
Educação física não forma profissional de Artes Cênicas, artista ou performer (isto é profissionais com o intuito de fazer espetáculos cênicos).
Este projeto é uma fraude que precisa ser denunciada. Afinal o que a proposta de fazer espetáculos tem a ver com Educação Física? Eles estão tentanto se apropriar academicamente de uma área que não lhes pertence por direito de formação acadêmico profissional.
È muito triste ver projetos bons “disfarçados”. Por trás apenas os interesses mercadológicos da educação física. Com o intuito de favorecer a apropriação do mercado academico-profissional da Arte-Dança pela área da Educação Física.
Porque essa Faculdade não cria um curso de Dança? Ou de Artes do Corpo? Porque projetos como este visam atender apenas ao interesse de profissionais e cursos de educação física.
Projetos como esse visam apropriação de mercado da Arte. Alguém já viu a grade curricular dos cursos de educação física. Já viu legalmente qual a sua área de atuação profissional? Eu já. E afirmo que projetos como este são alheios a sua formação profissional. Legalmente este curso pertence à área da Saúde e Biológicas.
Na minha monografia de conclusão de curso, investiguei e denunciei projetos de extensão como este. Os jogos de interesses por trás de tudo isso. Verbas e incentivos que deveriam ser direcionado para as artes, estão sendo desviadas para a Educação física. (Só para lembrar eles tem incentivos da Saúde, dos Esportes etc) É tão conveniente…
A grade curricular dos cursos de educação física não tem nada a ver com “arte” ou espetáculos cênicos, aí eles inventam projetos artísticos e tentam “minar” as graduação em Arte como as em teatro e em dança.
Tudo isso só serve para atender aos interesses dos cursos de educação física e seus conselhos.
Posso estar enganada mas um projeto como este praticamente quer “acabar com uma graduação em dança, ou ignorar a sua existência. É como se um projeto de extensão substituísse uma graduação. Enquanto existirem projetos assim uma graduação em dança fica obsoleta, descaracterizada e banalizada, desrrespeitada mesmo que seja necessária.
Vem cá porque a Universidade de Caxias do Sulem questão não cria um curso de Dança ou de Artes do Corpo?
Enfim é muito triste, mas o Idança que defende tanto a Arte e a Dança não deveria ser conivente com isso.
Monica Mesquita
Graduada em Teatro
Pós Graduanda em Dança
Pós Graduanda em Artes Visuais
PS.: Espero que esta mensagem não seja censurada, espero que os graduados em dança acordem é o mercado profissional de você ta gente! Senão vai ser tarde demais….
Carlinhos,
otimo ver voce abrindo caminhos, despontando, criando um verdadeiro jornalismo cultural…pudera!
Te adoro.tua orientadora e especialissima e voce e demias.
Muchas gracias!
Mercury!
Olá Mônica,
ficamos muito felizes com sua participação neste espaço. Gostaríamos de frisar que temos uma política de comentários e que apenas aqueles que contêm palavrões, ofensas pessoais etc não são aprovados. Nossa política de comentários está disponível aqui: http://idanca.net/politica-de-comentarios/
Um abraço,
equipe idança
O Grupo ArtiCulações é formadao por alunos de Educação Física, propondo-se a experimentar algo am mais em sua formação, incluindo aí a possbilidade de descobertas, inclusive, do corpo que dança. Só isso, nada mais. Em nenhum momento, Monica, se está tentando formar bailarinos no curso da UCS. Ainda bem que seu texto está recheado da expressão “posso estar enganada”. O tempo das teorias da conspiração já passou.
Achei a matéria extensa e repetitiva.
É mais opinião do que informação.
Desculpa, mas esse espaço da dança não precisa se tornar lambeção dos grupos. Mostra seu trabalho, fala dele, mas qual o sentido de ficar adjetivando “inovador”, e etc. Deixa que o leitor forme sua opinião.
Sempre leio o idança, e essa matéria me saltou aos olhos de tão destoante do resto.
Se o autor for se pronunciar, fiquei com dúvidas quanto à abordagem de teoria e prática nos estudos do corpo (o que não é nada inovador, vide educação somática) e qual a articulação realmente produzida nos estudos do grupo?
Agradece
Paula
Mônica, o grupo Articulações não pretende formar bailarinos nem professores de dança. Muito pelo contrário , visa mostrar aos futuros Educadores Físicos que existem outros olhares sobre o corpo. Fico entediada em ouvir sempre as mesmas argumentações sobre “projetos disfarçados”,”jogadas mercadológicas” entre outras tantas a que você se refere. Convido-a para vir conhecer de perto o projeto, os integrantes, o corpo docente e toda a instituição – a Universidade de Caxias do Sul. Muitas vezes, julgamos as ações dos outros pelas nossas próprias.
Abraços,
Magda
Oi Carlinhos!!! Legal colocar aqui o que acontece por este Rio Grande! Andei lendo os comentários e acho bastante preconceituoso pensar que estudantes de Educação Física não possam dançar, já que desde meados de 60 fala-se que qualquer corpo pode se tornar poético na Dança. Interessante refletir que a briga da Dança com a Educação Física parecia acontecer pela falta de entendimento da Educação Física de que a Dança é arte e não somente um exercício físico. Mas se estes estudantes da UCS estão tendo a oportunidade real de vivenciar a Dança como Arte, será que isso não irá ajudar a Dança? Esses estudantes poderão, através destas experiências, entender e respeitar a dança como arte e então ter a nítida sensação de que para lecionar Dança, talvez precisem de algo mais do que o curso de Educação Física. Pense: se nos cursos de Educação Física, os acadêmicos aprendem que Dança faz parte da Educação Física, é claro que eles vão querer lecionar Dança. Mas na UCS está sendo diferente! Eles estão experimentando Dança como Dança, que me impressiona, parece inédito mesmo!!!! É bobagem essa briga tola, tem espaço para cada um fazer seu papel na sociedade, e no final, não apodrecemos todos??? um beijãoooo
Josi
Professora de Dança
Gente,
Primeiro agradecer ao Idança pela liberdade de expressão. Eu nunca duvidei disso, porque acompanho o site há anos e acredito na sua integridade e ética e no respeito que vocês tem com a dança. Por isso não posso ficar calada, diante de uma matéria tendenciosa como esta.
Como ainda gera polêmica essa questão! Dança x Educação Física!….
Mas só mesmo por inocência, conveniência, ou por total ignorância, alguém acreditar que não existe uma disputa acadêmico-profissional entre a ARTE e a EDUCAÇÃO FÍSICA, no Brasil. Quando eu digo Artes, entenda-se as linguagens e os cursos de Graduação em Dança, Música, Teatro, Artes Visuais e Áudio-Visuais, e outros da Área. E ai NÃO INCLUEM-SE os cursos de Educação Física.
Cursos de Educação Física não formam profissional para atuar na área artística e de espetáculos cênicos. Não forma bailarinos, dançarinos, atores, performers ou professores destas atividades. Para isso existem as graduações em Dança e em Teatro. É bem verdade que as graduações em dança ainda são poucas no Brasil, mas enquanto houver essa manobra da educação física e tentativa de se passarem por professores e artistas de dança. Uma graduação em dança fica descredibilizada.
Carlinhos Santos, com todo respeito ao seu trabalho e o presente artigo. Mas concordo com o comentário de que não tem nada de novo no projeto. A não ser pelo fato de profissionais de educação física tentarem atuar numa área que não lhes pertence por formação acadêmico-profissional. E isso é Ilegal.
Não sei se você sabe, mas este tipo de trabalho (ou bem similar) já é desenvolvido há séculos nos cursos de Artes, nas graduações em Dança e de Teatro. Por diversos teóricos que trabalham com as artes cênicas e corporais. (Se você quiser posso fazer uma lista).
Pelo que entendi a proposta do Grupo ArticulAções, é trabalhar com Arte e Espetáculos Artísticos com profissionais de educação física? Se apropriando de atividades artísticas e de espetáculos não inerentes a sua formação….
Chega a ser explícito o desconhecimento: Uma das participantes do projeto diz:… Danço jazz há 15 anos, dou aula e sempre fui apaixonada pela arte e pela dança. Porém, confesso que, durante a minha graduação, pouquíssimas vezes falou-se em arte, em dança, até o surgimento do ArticulAções. (Grifos meus). É obvio não se falar muito em arte em um curso de educação física, pelo fato desta não fazer parte do currículo do mesmo! É uma questão de lógica e ÉTICA.
O Currículo dos cursos de Educação Física seguem uma equiparação mundial de profissões, e a Arte realmente não faz parte deste currículo. Porque a formação em educação física é diferente da formação em Arte. Aliás, Arte e a Educação Física são duas áreas de conhecimento completamente diferentes e autônomas, sendo que a educação física é da área da saúde e biológicas.
É verdade que nos cursos de educação física tem a disciplina “dança em educação física”, ou “ritmos e movimentos expressivos”, ). Porém o educador físico e/ou professor de educação física usa a dança de forma instrumental como um exercício, ele poderia usar até o movimento de um pedreiro por exemplo. Sobre isso nos diz um boletim do CONFEF:
A questão da atividade física travestida de Dança:
A Dança, como termo genérico, não pertence a nenhuma categoria profissional especificamente. Compreendida no seu sentido latu, ela é uma atividade que pode servir de ferramenta para coreógrafos, Profissionais de Educação Física, terapeutas e psicólogos. Entretanto, o que se percebe é que os exercícios físicos e atividades tradicionalmente utilizadas pelos Profissionais de Educação Física estão sendo travestidos de Dança: Dança Aeróbica, Aerodança, Fitness Dança e Power Dança, que nada mais são do que Ginástica Aeróbica. Podemos citar ainda a Hidrodança, que nada mais é do que Hidroginástica. Portanto, nesse contexto de modismos desenfreados, impõe-se identificar a INTENCIONALIDADE, o fim que se quer alcançar com a atividade de Dança. É importante deixar claro que, diferente das manifestações inicialmente citadas, estas últimas são atividades do Profissional de Educação Física. Já a Dança ARTE e a Dança COREOGRÁFICA são atividades do ARTISTA e, por isso, não precisam ser fiscalizadas pelos CREFs. (CONFEF, 2005, p.20)
Quando falamos da utilização da dança enquanto manifestação artística e de espetáculos aí nada tem a ver com a educação física. Porque segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais do MEC:
Art. 3º A Educação Física é uma área de conhecimento e de intervenção acadêmico-profissional que tem como objeto de estudo e de aplicação o movimento humano, com foco nas diferentes formas e modalidades do exercício físico, da ginástica, do jogo, do esporte, da luta/arte marcial, da dança,nas perspectivas da prevenção de problemas de agravo da saúde, promoção, proteção e reabilitação da saúde, da formação cultural, da educação e da reeducação motora, do rendimento físico-esportivo, do lazer, da gestão de empreendimentos relacionados às atividades físicas, recreativas e esportivas, além de outros campos que oportunizem ou venham a oportunizar a prática de atividades físicas, recreativas e esportivas. (MEC, 2004a, p.1, grifo nosso) (Resolução no 07 de 31 de março de 2004)
Carlinhos, no comentário posterior a matéria você diz: Em nenhum momento, Monica, se está tentando formar bailarinos no curso da UCS. Ainda Bem! Mesmo porque se a UCS dissesse que o Curso de Educação física dela forma bailarinos, dançarinos os profissionais para trabalhar com apresentação de espetáculos ela estaria infringindo uma série de regulamentações, leis e normas do Ministério do Trabalho e da Educação e caberia até denúncia sobre o fato junto ao Ministério da Educação.
Mas afinal alguém pode me esclarecer porque pelo que eu entendi a proposta do trabalho do projeto ArticulAções é justamente fazer com que profissionais de educação se passem por artistas cênicos, bailarinos, performers, etc, fazendo espetáculos artísticos de dança, ou estou errada? Alguém pode me esclarecer o propósito e o papel da educação física no projeto. Digo dentro da área da educação física mesmo e não das Artes. Porque profissional de Educação física não é profissional de Arte.
Infelizmente ao que parece, este projeto trata-se de uma forma de tentar se apropriar de atividades acadêmico-profissionais não inerentes ou pertencentes à área da educação física. Pior por não poderem incluírem estas atividades dentro do currículo, porque a legislação educacional e do Ministério do trabalho não regulamenta, estão se utilizando de um projeto extensivo para substituir uma graduação em Artes (Dança) ou em Artes, que passamos quatro anos para nos formar. Isso tudo é muito grave, ilegal e anti-ético.
Como eu disse seria muito mais ético se ao invés de ficar promovendo uma mídia tendenciosa e equivocada para a educação física. A UFC criasse um curso de Dança ou de Artes do Corpo. Atividades completamente diferentes da abordagem de um educador físico.
Queria salientar também que nunca disse que profissionais de Educação Física não podem dançar. Qualquer um pode dançar! inclusive os profissionais de educação física, assim como os médicos, dentistas, padres, etc. Porém o que um dentista não pode por exemplo vincular a dança (principalmente espetáculos artísticos como inerente a sua área de conhecimento e formação acadêmico-profissional)
Infelizmente Carlinhos, você tem que aceitar as críticas, aqui colocadas (as verdadeiras e não as de amigos) porque para mim o seu texto não acrescenta nada de novo a não ser promover e fazer mídia para profissionais de educação física, vinculando a estes atividades que não lhe são inerentes. Você diz que : O tempo das teorias da conspiração já passou.
Acho que não é bem assim, digo isso, porque não sou leiga no assunto e sei o que estou falando. Eu realmente tenho formação em Artes, e realmente sou pesquisadora da área. Como jornalista você deveria procurar ser imparcial, pois sua matéria foi extremamente tendenciosa e promocional. Procure se informar mais sobre essa questão do mercado acadêmico profissional da Educação Física e do Graduado em Dança. E antes de tudo respeite os profissionais de Artes e a sua formação, seja ela acadêmica ou não.
Mônica Mesquita
Enfim, se alguém tem alguma informação sobre o projeto e puder me enviar, para esclarecer melhor, porque como eu disse, pelo que li na matéria o projeto não passa de uma forma de educadores físicos tentarem se promover como artistas, para ampliar o seu mercado de atuação profissional. Se apropriando de atividades artísticas e de espetáculos não inerentes a sua formação, e sim aos profissionais com Graduação em Dança. E isso merece ser denunciado inclusive às esferas governamentais para providências cabíveis.
Olá amigos,
Eu tive a oportunidade de visitar os trabalhos do grupo ArticulAções, realizado com estudantes graduandos e graduados em Educação Física, alguns com um histórico de dança e outros não. Reconheço coerência em muito dos argumentos da Monica Mesquita e entendo sua preocupação, no entanto, é preciso lembrar que o CONFEF não representa a totalidade dos profissionais de Educação Física, e quem acompanhou o surgimento do CONFEF e os momentos iniciais do confronto Educação Física (leia-se CONFEF) X Dança sabe disso.
Sabemos que a tradição acadêmica da dança no Brasil está “praticamente” começando (é claro que não estou desconsiderando os 50 anos de história da escola de Dança UFBA), mas somente nos últimos anos a Dança na universidade começa a ser uma possibilidade real de formação e de emprego em nosso país.
As novas graduações de dança irão mudar drasticamente o cenário da Dança, deve se considerar que muitas destas graduações ainda estão em formação, ou seja, completando o seu quadro de professores e por isso só nos próximos anos irão definir a sua identidade, seu currículo e sua forma de atuação na sociedade, principalmente a local. Isso, somado ao incremento de políticas públicas e outras possibilidades de financiamento tende a criar um ambiente favorável e vigoroso.
Mas, apesar do meu otimismo na ampliação do mercado para o profissional da Dança, não tenho interesse nenhum em criar um CONFEF da Dança. Compreendo a importância da luta para que o profissional de dança possa exercer a sua profissão com dignidade, mas entendo que reserva de mercado e produção de conhecimento quase “nunca” andam de mãos dadas.
Por fim, sinceramente não acredito que o grupo/projeto ArticulAções represente algum perigo ao estabelecimento da dança enquanto profissão em nosso país. Incluo ainda a minha confiança e respeito pelos profissionais que direcionam este projeto, e que apesar de não terem graduação ou mestrado em um “departamento” de Dança (como a maioria das pessoas que fazem dança nesse país, inclusive as que estão na universidade), ajudaram a construir a Dança brasileira. Sendo assim, repudio qualquer ação de impedimento do surgimento de dança em qualquer lugar, pois a Dança, e a Arte não têm lugar para surgir.
Acredito que a luta e o estado de atenção contra o CONFEF deva continuar, no entanto projetos como o ArticulAções são devem ser o alvo, incorrendo inclusive em um erro estratégico para a DANÇA ações nesse sentido.
Desempenhar o papel para o qual o grupo Articulações foi criado; o de estabelecer inter-relações, aproximar pensamentos, articular saberes, contribuir para a formação de redes de cooperação e incentivar, exercitar e discutir sobre a busca de novas possibilidades de organização do movimento humano. Um dos objetivos está na ‘articulação” e nos depoimentos acima.
Concordo com muitas questões colocadas por Mônica e reconheço o interesse da educação física em atuar como profissionais de Dança mesmo não tendo propriedade sobre a especificidade da área, e isso está explicito na matéria quando o autor cita: “A questão contextualiza, também, a discussão sobre habilitações para o exercício e o ensino da dança por esses futuros profissionais”.
Sou estudante de graduação em Dança pela UFBA e participo de alguns módulos com alunos de Educação física onde posso reconhecer que os discursos acerca do corpo são contextualizados por entendimentos bem distintos.
Por esses aspectos reconheço a importancia das questões colocadas por Monica, porque explicita uma tensão real que vivenciamos.
Esta reportagem é importante para mais uma vez expor a situação da Dança no país. Um grupo de dança formado por estudantes de Educação Física não é problema algum. Grupos de dança podem ser formados por qualquer tipo de pessoas!
O problema com a Educação Física é muito mais profundo pois ela ainda está, não somente batendo em nossa porta, mas ocupando as vagas de docentes nos curso universitários de Dança. Sugiro que as pessoas comecem a prestar atenção quando nos editais dos concursos públicos para vagas de docentes dos cursos de Dança, aceitam-se profissionais com formação em Educação Física e afins.
Quando é que a dança vai passar a se impor enquanto formação profissional e começar a privilegiar seus próprios profissionais?!
Oi gente. Sou médica e estou fazendo mestrado em Dança na UFBA, ou seja, sou da área de saúde e estou adentrando o universo das artes, tentado organizar um espaço-tempo de convergência de saberes sobre o corpo em minha pesquisa. E ainda convivo com duas amigas de Educação Física que entendem esta área como da Educação e não da Saúde ou Biológicas, assim como também não concordam completamente com toda a política do CONEF.
Acho realmente que dançar todos podem (o que era inadimissível há um certo tempo atrás para alguns tipos de corpos e de dança e formatos estéticos mais rígidos como no caso do ballet tradicional) e que a arte pode surgir de qualquer lugar – e muitas vezes é bem interessante quando surge de lugares imprevissíveis.
Tenho observado as tensões que ocorrem entre as profissões na área de saúde que lidam com o corpo, como a medicina e a fisioterapia, por exemplo, em práticas como aculpuntura. Ou entre dançarinos e fisioterapeutas, em práticas como pillates. Nisso não há nada novo, discussões sobre o mercado e o que é ou não legal são por nós socialmente construídas (conquistadas por uma militância!) e não podemos colocar todos “identificados” como de uma dada área (Educação Física, Psicologia, Medicina, Dança, etc…) num calderão só.
É importantíssima a articulação dos profissionais e estudantes de Dança em todo o país, acerca de conquistas enquanto categoria profissional e formação, algo que deve cada vez mais se expandir. Mas é nesse sentido que talvez seja também importante perceber que a presença de boas e qualificadas discussões sobre Dança em áreas diferentes das habituais ou áreas de fronteiras traga para nós (todos) enriquecimentos profissionais, éticos, estéticos e acima de tudo de conhecimentos. Como teria sido bom se nas graduações de medicina pudéssemos ter a oportunidade de olhar para o corpo de outra forma, que não apenas fragmentado em órgãos e sistemas, e como poderia ser realizada uma parceria de saberes sobre o corpo, não de forma instrumental (Medicina ou Educação Física “usando” a Dança para fins de “saúde”, “treinamento físico”, por exemplo) mas sim de forma colaborativa, sendo ambas reconhecidas como áreas de conhecimento? Não quero dizer com isso que proponho que médicos ou educadores físicos ou fisioterapeutas sejam formados dançarinos ou performers. Pouco provável. Mas que possam dispor de diálogos trans- ou indisciplinares para discutir a complexidade dos corpos, de ter acesso a discussões na área de Dança, por exemplo, que podem contribuir muito para a formação dos profissionais enquanto sujeitos no mundo.
Acho que é uma discussão delicada, mas que os dançarinos, estudantes e pesquisadores de Dança devem cada vez mais ocupar espaços, mas estrategicamente permeáveis ao diálogo construtivo. E se, a partir deste projeto Articulações, e de seus consequentes questionamentos, puder ser desenvolvido um grande debate acerca do corpo e da Dança nesta univesidade, que desenboque na criação de um curso de Estudos das Artes do Corpo?
Espero ter contribuído um pouco para a discussão.
Abraços!
Eline Gomes
Citando post:”Magda Bellini | 11/05/2010 – 23:43
Desempenhar o papel para o qual o grupo Articulações foi criado; o de estabelecer inter-relações, aproximar pensamentos, articular saberes, contribuir para a formação de redes de cooperação e incentivar, exercitar e discutir sobre a busca de novas possibilidades de organização do movimento humano. Um dos objetivos está na ‘articulação” e nos depoimentos acima.”
EXATO sobre isso é que eu queria saber: quais saberes, quais possibilidades de organização do movimento humano e com qual procedimento! É articulação de QUÊ com o QUÊ? Redes de cooperação de QUEM?
Tudo isso já é feito em dança, em zilhares de correntes e procedimentos e autores e bibliografias e quem é da área sabe. E nenhum é citado na matéria, não vi o trabalho para saber da cena.
Pode ser inovador lá na Educação Física.
Gente,
gostaria de dinamizar ainda mais esse importante debate. Vamos lá: alguém já pensou que estes estudantes da UCS podem ser artistas da dança que não puderam fazer um curso de dança? Tem graduação em dança em Caxias do Sul? Muitos cursos estão abrindo pelo Brasil afora, mas até isso se consolidar de fato, os artistas da dança que desejam fazer um curso superior vão ficar esperando? Vocês sabem quanto tempo leva para abrir um curso em uma universidade pública? As particulares não estão muito interessadas, raras excessões. Pra fazer curso de Artes Visuais ou Teatro ou Música (e também dança) em muitos casos tem prova de habilidade específica, então, fica difícil até pensar que estes artistas DEVERIAM fazer outro curso, mas na área de artes. Enfim, também não conheço o trabalho do ArtilAções, muito menos a pesquisa da Mônica, mas tento fazer uma reflexão mais ampliada da situação. Que outros cursos de dança possam abrir pelo país afora, mas que os concursos também levem em consideração os mestres, pois eu conheço UM MONTE querendo trabalhar! A história da pós-graduação em dança e mesmo em artes cênicas ainda é muito recente em nosso país se comparada, por exemplo, com educação, engenharia, medicina e até mesmo educação física… Já os mestres em artes cênicas e inclusive na dança (vamos lembrar do curso da Bahia), estão vindo em quantidade por aí. Forte Abraço!
Respondendo a Augusto
Neste momento, com os diversos cursos de graduação em dança que já existem no Brasil, não pode mais ser usada a desculpa de que alguém queria fazer um curso e não pôde…
Por exemplo, se alguém quer ser advogado e nas proximidades de sua cidade não tem nenhum curso de direito, ou se escolhe ir estudar em outro lugar ou não vai ser advogado. pronto. Um profissional da dança não pode dar aulas de educação física… porque será?! Precisamos valorizar as pessoas que buscam os cursos de dança para se formarem profissionais da dança! Enquanto isso não acontecer, os profissionais da dança terão que dividir seu pequeno mercado de trabalho com qualquer outro profissional interessado.
Que ótimo acompanhar esses debates e poder concordar com o que alguns já escreveram. Agora fico pensando que a dança de certa forma, é ainda muito fechada. Porque não deixar as pessoas experimentarem a Dança? Não seria maravilhoso se pudessem sentir o seu corpo de uma forma diferenciada do que no cotidiano, ou ver o corpo de uma forma além dos órgãos e sistemas?
Outro ponto é “se colocar no lugar do outro”, como foi falado… Deixar de ser egoísta e pensar mesmo que talvez há público suficiente em Caxias do Sul para a abertura de um Curso de Dança… Mas é tão fácil assim?
Mais engraçado no nosso país: o povo da dança joga pedra no povo da dança e de qualquer um que queira a dança. De quem é essa dança, afinal? Ei, deixem um pouquinho da dança para mim também!
Eu sou professora de dança…mas se alguém me convidar a fazer parte de um time experimental de basquete amador, a fim de pesquisar meu condicionamento físico, talvez eu iria. E talvez não sofreria opressão com isso, e talvez os educadores físicos não pensassem que eu fosse roubar o espaço deles. E mesmo se eu me tornasse atleta, eles poderiam até achar o máximo que tem mais gente jogando!
Ponto para a Educação Física, eles apoiam toda e qualquer atividade que envolva a sua área! Deve ser por isso que eles fortalecem os espaços deles e ainda muitas vezes “se apropriam” de outros.
Dá pra simplesmente julgar? Eu acho que não…. Se a Dança está em processo de crescimento, nós devemos lutar através do trabalho, da determinação e da união (assim como um time de futebol!) haha… Tirem o meu diploma de profe de dança agora, quero ver! Chega de alimentar o preconceito. E que pegue fogo mesmo…
“Estudos do movimento humano…Área do movimento…” Expressões que doem os olhos e os ouvidos de quem tem uma vivência maior com pesquisa em dança. Mas pra mim esse não é o foco da discussão (todavia, fica o alerta!)
Um dia, um sábio chinês me disse que as coisas são feitas pelas pessoas e não pelas instituições. Gente, a direção artística é de Sigrid Nora, e o grupo teve interlocuções com Christine Greiner e Helena Katz. Enchergo um terreno bastante seguro e familiar no Grupo ArticulAções…Não que essas pesquisadoras por si só podem legitimar a existência do grupo, mas… há, acredito que legitima sim e ponto.
Temos nossas escolhas… Um artista que procura um curso de graduação em dança tem um objetivo específico em relação a outro artista que OPTA por outros campos acadêmicos, isso pode ser óbvio, mas se torna necessário definir também o lugar por onde olhamos. Nos comentários vejo muita confusão nesse ponto ao ver uma mistura entre mercado de dança, dança-educação, pesquisa em dança, formação de artista e formação de professor. É claro que o ambiente acadêmico (ainda hoje e graças a deus, apesar de sempre estar por um fio) pode ser considerado o mais seguro pra produção de conhecimento e pesquisa séria em dança. Principalmente para a atuação de professores qualificados, porém, uma graduação e/ou mestrado em dança não é garantia de qualidade e de conduta profissional, porque também trata-se de um campo bastante novo (mesmo que em ascensão) e muito aberto a escolhas conceituais e metodológicas diversas (às vezes bastante díspares, dentro do próprio universo acadêmico). Fiz graduação em dança e sou mestranda em artes cênicas. E posso garantir que o curso que fiz definitivamente não é pra formar dançarinos, ou seja, são muitas as escolhas e muitos são os caminhos, é só escolher o seu! Simples assim. Dexa os mininu dançá genti!
Gente, Estive um pouco ausente das discussões, mas vamos lá:
Primeiro gostaria de falar sobre o comentário do Vanilton, ao meu ver bem ponderado, e ainda bem que você diz que reconhece coerência em muitos dos meus argumentos e diz que entende minha preocupação… Porque me preocupo sim com o mercado acadêmico-profissional das Artes, inclusive da Dança.
Mesmo diante das suas colocações Vanilton, continuo afirmando que a proposta do grupo Articulações de se fazer espetáculos cênicos não é compatível com a área de atuação ou de abordagem de profissionais de Educação Física. E continuo vendo a proposta como uma tentativa de apropriação destes da área de Artes Cênicas (Dança e Teatro). Há um erro ético, institucional, legal e interesse político neste tipo de apropriação. Que prejudica sim os artistas.
O profissional de Educação física não é profissional das Artes Corporais ou Cênicas.
Aqui adentrando nas Artes Cênicas (Teatro, Dança e Circo) que tem em comum com a educação física apenas o trabalho com a corporeidade e a intervenção sobre o corpo humano, porém, com propósitos e objetivos completamente diferentes.
O Artista Cênico trabalha especificamente com o corpo, com objetivos artísticos-culturais, propósitos educativos, sociais e ainda para apresentações de espetáculos cênicos, se utilizando de diversos elementos para este fim como: iluminação, cenários, figurinos, adereços, dramaturgia textual ou gestual, voz, sonoplastia, etc. Estes conteúdos integram, direta ou indiretamente, o currículo dos cursos de Graduação em Dança e em Teatro, para formar os profissionais para atuar nesta área. Para a formação superior existem cursos específicos de graduação tanto em Teatro, quanto em Dança (bacharelados e licenciaturas).
O educador físico (ou professor de educação física) profissional da área da saúde e biológicas, intervém sobre o corpo buscando estabelecer propósitos educativos, de condicionamento físico, socialização, bem estar e saúde. Esta intervenção não tem como propósito a criação de produções artísticas ou de espetáculos, principalmente, quanto a apresentações públicas destes eventos. Estas atividades são inerentes ao artista cênico de dança e teatro. Um curso de Educação Física não qualifica um profissional como artista cênico de dança e teatro (seja bacharel ou licenciado), seja ator, bailarino, dançarino, diretor de dança ou teatro, ou professor destas atividades.
Fora da área artística, na área da saúde, por exemplo, além dos educadores físicos, os fisioterapeutas, nutricionistas, médicos, dentistas, fonoaudiólogos, dentre outros, também intervém profissionalmente direta ou indiretamente sobre o corpo. Porém, com propósitos e intencionalidades diferentes, que é o que caracteriza cada uma destas profissões. Mesmo porque, não tem nenhum fundamento dois profissionais, com formações diferentes exercerem na prática a mesma função.
O Vanilton diz que sinceramente não acredita que o grupo/projeto ArticulAções represente algum perigo ao estabelecimento da dança enquanto profissão em nosso país.
Porém discordo, estes projetos “aparentemente inocentes”, podem prejudicar sim os “verdadeiros profissionais da área artística”.
Concordo com você que a dança enquanto formação acadêmica, está começando… apesar do Curso da UFBA ser cinquentão. Porém a Educação Física tenta estabelecer uma espécie de “uso capeão” sobre a dança em nosso país. Mas que não tem legitimação nenhuma, só interesse mesmo. Também acredito e espero muito que os novos cursos de graduação em dança tentem mudar este cenário. Mas para isso acredito sim que nós artistas e profissionais com formação acadêmica em Artes, devemos nos impor e esclarecer as pessoas quanto à nossa área de atuação e mercado de trabalho.
Como disse a Melissa Souza : Neste momento, com os diversos cursos de graduação em dança que já existem no Brasil, não pode mais ser usada a desculpa de que alguém queria fazer um curso e não pôde… Por exemplo, se alguém quer ser advogado e nas proximidades de sua cidade não tem nenhum curso de direito, ou se escolhe ir estudar em outro lugar ou não vai ser advogado. Pronto…
É isso mesmo…
Concordo que deveria se exigir nos Editais de contratação de professores de dança uma graduação específica em Dança, pelo menos deveria ser mais valorizado e contar mais pontos nas provas de títulos. O pior é que muitos abrem espaço para profissionais de Educação Física e outros. Talvez por desconhecimento ou pelo loby político que a educação física vem fazendo neste sentido. Acredito que essa invasão do espaço deve-se muito pelo desconhecimento das Pessoas e geral e dos próprios profissionais de Dança sobre os seus direitos. Outro dia mesmo entrei com um recurso contra um Edital da Universidade Federal de Goiás que queria contratar professor de educação física de forma igualitária com os graduados em Dança e em Teatro, isso para ministrar uma disciplina de Arte. Absurdos como estes acontecem, mas temos que ficar atentos. E temos que tomar providências contra.
Infelizmente Josiane Franken, não vejo as coisas tão simples como você diz. E só para constar um profissional de dança ou outro qualquer NÃO PODE atuar na área profissional de Um educador físico. Os impedimentos já começam nos editais de contratação profissional. Você pode até fazer parte de um time de basquete AMADOR, grifo meu, alías para jogar ou praticar qualquer esporte nem precisa ter formação em educação física (não vou me adentrar nesta questão.
Aqui não estamos julgando profissionais AMADORES, mas questionando um grupo que ao que parece tenta fazer um vínculo acadêmico profissional de atividades artísticas a uma área acadêmico-profissional ERRADA que é a educação física.
O fato é que os profissionais de Dança e Teatro (ou de Artes do Corpo) estão sofrendo com esta tentativa de apropriação da sua área por profissionais de Educação Física, que tentam com uma conduta DESLEAL, ANTI-ÉTICA e ILEGAL ampliar seu mercado de atuação e banalizar e descredibilizar a formação em Arte, Dança, Teatro, Música e acreditem até Artes Visuais. Umas das táticas tem sido o uso de projetos disfarçados e “aparentemente inofensivos” de extensão, mas que por trás tem interesses reais de atuação e inserção profissional no mercado de trabalho inerente ao profissional das Artes.
Enfim, como eu disse a vinculação de trabalhos como este, do Articulações estabelece e faz um tipo de mídia equivocada para os cursos de educação física, e isso é um risco sim, tenta abrir precedentes para profissionais de Educação física se apropriarem de atividades de artes cênicas, que é o que eles estão tentando fazer.
Perdas com isso? E os interesses por trás … São inúmeros, vão desde o dano moral, o desrespeito a nossa formação acadêmica em Artes, seja em Dança, em Teatro, ou Artes do Corpo, além de outros interesses financeiros como: desvios e ganhos de verbas do Ministério da Cultura e de outras entidades artisticas por exemplo que deveriam apoiar os artistas e profissionais das artes direcionadas para apoio a profissionais de educação física. Vagas e cargos que deveriam ser ocupados por profissionais de Artes acabam sendo ocupados por educadores físicos. Então tem perdas sim e muitas nesse nosso mercado profissional já tão difícil e competitivo.
Vale lembrar que os profissionais de educação física já são beneficiados com incentivos fiscais da Área do Esporte e da Saúde. Então trata sim de uma concorrência equivocada e desleal.
* Hã… Só lembrando também que os profissionais de educação física e seus respectivos conselhos, impedem que outros profissionais sem uma graduação específica em E.F. atuem na sua área. Porém se julgam no direito de atuar na área de outros profissionais… (Se alguém ainda duvidar desta afirmação posso enviar no mínimo uns 100 (cem) editais de contratação de profissionais de educação física de todas as partes do Brasil.
A Magda Bellini , diz que o grupo busca “estabelecer inter-relações”, articulações, aproximar pensamentos…. Assim como a Paula:
Não entendi com quem? Se as atividades deste grupo não são inerentes à Educação Física. E apenas profissionais desta área participam do projeto como bailarinos, performers. E ao mesmo tempo alguns dizem que a proposta do grupo não é formar e/ou atuar como bailarinos ou profissionais de Artes…. Há incoerência nisso… Porque pela matéria é isso mesmo que o grupo quer, inclusive menciona os interesse profissionais destes quando o autor diz:
...a discussão sobre habilitações para o exercício e o ensino da dança por esses futuros profissionais.
Então este projeto quer substituir uma licenciatura em Dança… Um desrespeito! Além de Ilegal.
Como eu disse essa questão do trabalho corporal com objetivos cênicos e de espetáculos já vem sendo desenvolvida há séculos pelos profissionais de Dança e Teatro (atores, bailarinos e artistas circenses). Não queiram tratar isso como pioneirismo. Não copiem, plagiem ou tentem se apropriar até a nossa história da Arte. Pois como eu disse há séculos os artistas cênicos não só ocidentais mais orientais já fazem isso…
Bem, acredito que seria muito mais ético reformular a proposta e retirar esta vinculação equivocada do grupo com a área da educação física. Pois como prejudica sim os artistas e profissionais de Artes (os de verdade).
Como eu disse antes, a proposta do grupo parece ser bacana. O erro aqui é POLÍTICO e o interesse mercadológico da vinculação, auto-promoção e mídia equivocada para a Educação Física, seja feito premeditadadamente consciente ou não.
O que tenta descredibizar uma formação acadêmica na área artística como uma graduação em dança.
Com relação a médica Eline Gomes que está fazendo mestrado em Dança… ótimo. Pelo que falou você faz mestrado na UFBA? Só lembrando que o Mestrado em Dança na UFBA é vinculado tradicional e respeitável Escola de Dança desta instituição. Estranho seria o Curso de Direito fornecer um Mestrado em Dança. É mais ou menos isso o que alguns cursos de educação física querem. Compreende que a questão é o interesse é político e mercadológico em se apropriar de uma determinada área de conhecimento ou profissão. Acho interessante e necessário que várias áreas possam se articular, mas cada profissional representando o seu papel.
E aqui não estou nem citando Cref`s ou Confef, quando eu digo e me refiro a interesses mercadológicos incluo também os próprios cursos de educação física e alguns profissionais desta área que também tem esse interesse, pois são beneficiados com isso.
Enfim gente, acredito que os profissionais de Dança tem o dever de esclarecer à população sobre a importância da sua graduação. Além de desmascarar projetos de educação física que tentem se apropriar do seu mercado de trabalho.
Por fim, Augusto a questão que você aponta que muitos profissionais de educação física fazem este curso porque não tem uma graduação em dança na sua cidade, é um fato. Porém como foi dito não procede mais esta desculpa. Inclusive muitos o fazem porque são vítimas de uma mídia enganosa proposta pela educação física, e acreditam que no curso de educação física se tornarão profissionais de dança. O fato é que um curso de educação física não substitui ou sequer é similar a uma graduação em dança.
Se aceitarmos passivos este tipo de conduta da E.F., não haverá nunca uma necessidade para se criar um curso de Dança.
Esclarecendo que existe uma equiparação mundial de profissões e formações acadêmicas. E o Brasil assinou um acordo mundial. Para se fazer um mestrado em Dança em Portugal por exemplo a preferência é para quem tem graduação em dança ou formações similares (Teatro, Música e Artes Plásticas (ou Visuais), ou seja dentro da área de conhecimento das Artes.
http://www.fmh.utl.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=85&Itemid=197
Poderia citar uma infinidade de legislações que comprovam tudo que disse, mas por enquanto é isso.
Estão errados e ponto.
Monica Mesquita
Fico contente que essa discussão sobre Dança e CONFEF tenha voltado desta forma, agitando o debate entre as diversas visões sobre o assunto. Assim avançamos e poderemos encontrar saídas mais apropriadas. Que bacana essa possibilidade de discutir, trocar idéias e pontos de vista diferentes. De fato o Idança vem demonstrando cumprir seu papel de difusor de informações sobre dança. Obrigado!
Gostaria de trazer aqui parte de um texto que estou lendo por esses dias e que pode ajudar a gente nessa conversa:
“Cuidado com os abismos e as gargantas, mas cuidado também com as pontes e as ‘barriers’. Cuidado com o que abre a Universidade para o exterior e para o sem-fundo, mas cuidado também com o que, fechando-a em sim mesma, não criaria senão um fantasma de cercado, a colocaria `a mercê de qualquer interesse ou a tornaria perfeitamente inútil. Cuidado com as finalidades, mas o que seria uma Universidade sem finalidade?” Jacques Derrida.
Se é pra fazer com compromisso e responsabilidade, seguimos dançando. Os encontros poderão favorecer as trocas necessárias. Estou aberto.
Mônica
Existe um debate para uso de R$ 80 Milhões para o Fundo das Artes Cênicas que a Funarte tem que usar ainda este ano:
Entra no site e se cadastre e aí sim , vc deve ajudar!!
http://www.debatecenico.blogspot.com/
Existe um orgão consultivo do MINC que é o Colegiado da Dança que foi eleito em Março, você conhece???
Temos que ir nos locais onde a política para dança, teatro e circo estejam sendo discutidas e efetivadas.
Aqui é uma delas
Carlos
Então vamos pensar que História da Dança dever ser ministrada por Historiadores, pois estudam sistemas de história, teoria da história e tantas outras disciplinas para historiar e historiografar.
Por isso que o Positivismo ainda fica vivo na História da Dança.
Carlos
Realmente Monica, voce estava na Conferencia de Cultura? Voce participa ou conhece as pessoas da sua região que estao no colegiado de Dança? Se quer realmente conseguir alguma coisa, tente se ater as discussões que estao sendo feitas.
Reforço novamante que voto pela limitação de caracteres nos comentários.
A gente pode defender nossa idéia com um ou dois paragrafos né?
Aqui é um lugar de discussão e não de pregação
Carlos,
Felizmente, não sei se você sabe, este espaço maravilhoso do Idança é para um debate no mínimo razoável, para troca de idéias, mesmo que divergentes mas no mínimo inteligentes, coerentes e respeitosas, não é espaço para barracos ou ofensas pessoais, tente manter o nível …
Não sei ainda o motivo por você se sentir tão ofendido, se não é da área da educação física …
Também não entendi, eu perguntei a sua formação que aliás não sei qual é. E ao invés de falar de sí mesmo, você me veio citar o currículo de uma terceira pessoa, com doutorado em Artes (currículo fantástico por sinal) só não tem nada a ver…. Mesmo porque é justamente isso que defendo é que as pessoas tenham a oportunidade de ter uma formação acadêmica na área artística, seja ela uma graduação ou pós graduação, mestrado e doutorado? Para que a arte seja mais respeitada como profissão. Você parece não entender nada do que eu digo.
Mas você possui algum currículo ou formação na área artística? Porque, continua sendo um anônimo p/ mim.
Idependente disso, quero dizer também que sou a favor da democratização e do acesso à arte. E não questiono aqui o direito constitucional de liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. Ou o talento nato inerente ao ser humano para a arte, bem como o seu direito de exercê-la. Nas artes, existem músicos, dançarinos, pintores, atores, artesãos e mestres de notório saber, maravilhosos e que nunca fizeram uma universidade. Alguns sequer mal sabem ler e escrever. À academia só cabe respeitar e aprender com eles.
Outro ponto que gostaria de citar é que nunca desqualifiquei ninguém. Mas afirmo que nenhum curso de educação física forma profissional de Arte, e isso é um fato, aqui o interesse é político.
O meu discurso não pessoal contra ninguém, é um discurso político contra as arbitrariedades dos Confef’s e Cref’s e de Cursos de Educação física que queiram se apropriar e vincular atividades artististicas como inerentes a esta formação de forma acadêmico-profissional (o que é ilegal por sinal). O que não passa de uma jogada mercadológica que visa apenas o benefício desta categoria e prejudica os profissionais das Artes.
Arte é uma área de conhecimento e as pessoas devem ter o direito a um ensino e formação de qualidade na área, livre e acadêmica e serem respeitadas como profissionais.
Dança, Teatro e Circo são manifestações artísticas (não preciso dizer mais nada). Esta classificação é mundial, procure se informar. Outra questão respeite os SATED’s pois não sei de você sabe eles representam a Classe Artistica, neste país.
Enfim tudo que digo é baseado e embasado em pesquisa, estudo, formação e experiência de anos na área artistica. Como eu disse infelizmente algumas verdades são difíceis de aceitar.
Você fala coisas sem nenhuma fundamentação e parece não entender nada do que digo. Parte para ofensas pessoais, aí realmente fica difícil estabelecer um dialogo. Como eu disse procure se informar melhor antes falar qualquer coisa….
Mônica Mesquita
Graduada em Artes Teatro
Pós Graduanda em Dança
Pós Graduanda em Artes Visuais – Projeto na área de Cinema.
Pesquisadora na área de Artes Cênicas (Dança, Teatro e Circo)
Realmente realmente não me sinto representada pelos SATEDs desse país…. e repito o que o sábio chinês me disse: as coisas são feitas pelas pessoas e não pelas instituições. Eu posso dizer que danço há 23 anos, sendo 15 profissionalmente; posso dizer que fiz graduação em dança na UFBA; posso dizer que faço mestrado no PPGAC da UFBA, que tem nota 06…. etc, etc, etc…. Mas realmente realmente, e, infelizmente isso não quer dizer muita coisa…….. eu também gostaria de ser legitimada pelas instituições e gostaria que por si só elas me fizessem artista, professora e pesquisadora, mãs….. não é assim que funciona……
Primeiramente, parabéns ao Idança pela postagem da matéria e ao Carlos por divulgar e escrever sobre um trabalho assim.
Acredito que por mais discutível que seja o lugar dos graduandos de ed. física e dos de dança, quem é artista cênico ou não, o grupo ArticulAções tem um trabalho de pesquisa fundamentado, com experimentações e experienciações para estes alunos que o integram. Tanto que grandes nomes nos estudos da área de Dança como Helena Katz e Cristine Grainer já assisitiram e debateram sobre um trabalho do grupo.
Este lugar de relação entre a Dança e uma outra área que estuda o trabalho corporal, gera muitas possibilidades de pesquisa, inovações para a cena, para a criação de um trabalho/estudo de maneira a divulgar uma outra forma e olhar de se fazer dança, pricipalmente quando há fundamentação, seriedade e respeito pelas Artes torna a ideia ainda mais louvável.
Estou quase me graduando em Dança, e hoje depois de várias experiências pessoais vejo que há espaço no mercado para mutios estilos de trabalho com Dança, resta saber como e onde se inserir. Grupos como este de Caxia do Sul comprovam isso, pois seus integrantes são alunos de Ed. Física e ainda assim se relacionam, vivenciam e descobrem na Dança e nas Artes uma nova possibilidade para trabalhos com o corpo. Essa palavra tem muitos temas, discussões e ideias nas reflexões que consigo criar ao seu redor… POSSIBILIDADES…