Rumos Dança 2007 – Quatro cariocas entre os cinco videodanças

Hoje, às 18h, no Itaú Cultural, é a vez das videodanças premiadas no projeto deste ano. Dos cinco filmes produzidos depois da oficina com o cineasta inglês David Hinton, quatro foram produzidos no Rio de Janeiro e um na Bahia. Um dos cariocas é a divertida animação Jornada ao umbigo do mundo, de Alex Cassal e Alice Ripoll. “É um videodança feito com animação stop motion, quadro a quadro. Acompanha um grupo de guerreiros bonecos por um mundo de corpos humanos. “Ele está muito próximo do que a gente concebeu, antes mesmo de inscrever o projeto para o Rumos. Desde o início tinha a premissa de ser quadro a quadro e trabalhando a idéia desse mundo feito de corpos: quais seriam suas leis, sua materialidade, com que ele pareceria e como se moveria. Encontramos coisas inusitadas, chegamos a lugares que buscávamos e descobrindo também que outros não eram possíveis”, diz Cassal.

Os outros quatro filmes são:

Sensações Contrárias (BA)
Matheus Rocha, Amadeu Alban (videomakers) e Jorge Alencar (coreógrafo)

Ambientada no Recôncavo Baiano, região de passado coronelista. Dentro de um ambiente provinciano decadente, desenvolve-se a noção de borrão, em que os eventos coreográficos e imagéticos se dão por aparentes acidentes, falhas e descontinuidades, num limite entre realismo cotidiano e surrealismo.

FF (RJ)
Tatiana Gentile (videomaker) e Karenina de Los Santos (coreógrafa)

Diferença e contraste de ritmos convivendo em sintonia. Movimentação simples e constante percorrendo um longo caminho nos mais diversos ambientes urbanos. Duas pessoas seguem um fluxo contínuo e ininterrupto, criando um estranho diálogo com o tempo e o espaço.

Fora de Campo (RJ)
Valeria Valenzuela (videomaker) e Cláudia Müller (coreógrafa)

A videodança parte da experiência de entregar dança contemporânea em locais onde ela não é esperada, buscando espaços despercebidos, brechas no cotidiano. A videodança busca a reconstrução deste acontecimento através do olhar daqueles que o vivenciaram, mergulhando no que persiste em cada um após a passagem deste corpo em movimento. O resgate do ponto de vista do observador torna presente a obra que permanece no fora de campo.

Passagem (RJ)
Elisa Pessoa (videomaker) e Celina Portella (coreógrafa)

Passagem por ambientes distintos. Imagens transitórias que constituem lugares onde surgem motivações diversas. Transitória é também a identidade do personagem, que reaparece transmutado a cada sala demandando diferentes movimentos. A câmera, subjetiva, define o ponto de vista, tradução do trauma gerado pela atitude do intérprete.

A partir das 20h, no Teatro Gazeta, se apresentam hoje três criadores selecionados. Degelo, da Cia. Siameses (SP), trata da força que é conquistada com o passar do tempo. Bom de Quebrar, de Verônica de Moraes (BA), usa metáforas que podem se entrecruzar num recorte, brinquedo. Segundo a coreógrafa, seu manuseio pode provocar situações de risco em sua reorganização dos processos comunicacionais e identitários. Já em Pequena Subversão, Valéria Vicente (PE) avança em sua pesquisa sobre as informações da dança do frevo, procurando distender o sentido da palavra alegria.